O Colecionador escrita por Kaline Bogard


Capítulo 6
Mestiço que traz o enigma


Notas iniciais do capítulo

Olá!



Kiba decidiu conhecer o lugar e os demais moradores. Passado o primeiro momento de assombro, e permitindo-se pensar com calma na situação (coisa que fez enquanto comiam a sobremesa: mochi recheado com doce de feijão).

Por isso esperaram um pouco a refeição assentar na barriga e saíram da casa de Hinata agradecendo pela comida. A menina seguiu com eles para juntos apresentar a Kiba o local.

Primeiro passaram pela arena, um espaço amplo, dividido em dois ambientes: um aberto e um fechado.

— Aqui chove? — Kiba perguntou com curiosidade sincera.

— Claro — Naruto respondeu — É uma distorção espacial, mas reproduz a realidade. Temos estações e ciclos.

— Entendi. Vocês treinam aqui?

— Sasuke e eu treinamos todos os dias!

— E-eu treino às vezes!

Kiba observou a jovem medusa por alguns segundos, sem dar muita fé de que ela seria capaz de treinar qualquer coisa.

— Nos dias que eu ficar aqui vou treinar também! — decidiu. Precisaria se distrair com alguma coisa. Por mais que quisesse voltar para casa o quanto antes, enquanto não confrontasse o Colecionador não seria possível!

— Que bom, Kiba! — Hinata sorriu.

Também passaram pela horta. Um espaço encantador! 

Havia legumes e verduras viçosas, grandes e verdinhas, bem cuidadas e suculentas! Tudo cercado por uma fileira de ripas de madeira, meio tortas e claramente feitas por alguém amador. Mas nem por isso menos caprichoso.
Eles entraram no espaço de cultivo. Hinata aproveitou para colher algumas cenouras que já estavam no ponto. Se juntasse com os nabos, beterrabas e outros legumes que já colheu, poderia fazer um prato delicioso!

— Venham jantar comigo — ela pediu sorrindo de leve — Vou cozinhar oden!

Kiba salivou em antecipação! Naruto não ficou atrás.

— Sim! — ambos responderam ao mesmo tempo.

Hinata deixou as cenouras enfileiradas no cantinho da cerca, pensando em pegá-las na volta. Dali seguiram direto para o pomar.

E Kiba encontrou outro cenário de tirar o fôlego. O pomar, na verdade, não perdia em nada para a floresta na qual se embrenhou mais cedo naquele dia mesmo. Muitas e diferenciadas árvores que se estendiam a perder de vista. A grande maioria carregadinha de frutas maravilhosas. Grandes tangerinas, maçãs, figos, pêssegos, ameixas... além de frutas que Kiba nem conhecia!

— Caralho! — exclamou maravilhado. Então balançou a cabeça e espantou a alegria. Okay, aquele era um lugar exótico e bem abastecido. Mas nada no mundo mudava o fato de ser uma prisão para o qual foi levado contra a sua vontade. Não se deixaria enganar com a sensação paradisíaca que reinava ali.

O que não o impediu de comer duas tangerinas, uma banana, seis cerejas e algumas carambolas.

Enquanto comia, pensou que estavam ali só pelas frutas. Mas enganou-se. E descobriu o malfadado engano do pior jeito possível.

Foi ao subir no pé de uma árvore, para experimentar uma fruta que nunca tinha visto na vida, que levou um susto memorável. Mal ajeitou-se no grande galho e estendeu o braço para pegar um dos frutos quando ouviu:

— Ainda estão verdes.

Kiba quase caiu da árvore.

— CARALHO! — exclamou ao desequilibrar-se e manter-se seguro a custo. Ouviu Naruto gargalhando lá embaixo e adivinhou fácil que ele já esperava algo nesse sentido. Olhou ao redor e logo descobriu quem falava consigo. Um garoto pouca coisa mais velho, talvez da mesma idade de Naruto, estava deitado preguiçosamente no galho, quase camuflado. O rapaz tinha olhos estreitos, castanhos tão escuros que pareciam negros. E cabelos igualmente escuros, presos em um rabo de cavalo que apontava para o alto.

— Yo — ele cumprimentou antes de bocejar.

— Yo — Kiba sentou-se no galho, curioso.
Em segundos tanto Naruto quanto Hinata se acomodavam em galhos próximos, com agilidade impressionante que fez o queixo de Kiba cair um pouco. Aqueles dois, visivelmente, eram excelentes em seus movimentos. Tão bons quanto ninjas de classe alta em Konoha. Muito melhores do que o próprio Kiba se sabia capaz.

A surpresa o calou por alguns segundos. Foi o rapaz preguiçoso que quebrou o clima estranho.

— Esse é o novato? Vi a casa que apareceu ontem a noite.

— Sim — Naruto respondeu com um sorrisão — O nome dele é Kiba! 

— Olá, Kiba. Meu nome é Shikamaru — foi a apresentação mais morna que Kiba já teve na vida.

— Olá! — respondeu tentando livrar-se da sensação de surpresa pela perícia demonstrada pelos outros dois. Principalmente por Hinata, a quem julgou com preconceito.

— Seja bem vindo, espero que aprecie a estadia, seja feliz, vamos ser amigos, blá, blá, blá — bocejou.

— Não se surpreenda! — Naruto coçou a orelha — Shikamaru faz a linha preguiçosa.

— Não sou preguiçoso — o rapaz rebateu mais do que depressa — Gosto de evitar situações problemáticas. Só isso.

— Ah — Kiba sorriu — Eu sou um shifter! Bem, sou meio shifter e meio humano! E você?

— Ele é meio esfinge! — Naruto se meteu, fazendo a revelação antes que Shikamaru pudesse responder.

Kiba quase caiu da árvore, segurando-se a custo bem a tempo. Esfinge? Esfinge?! ESFINGE?!! Aquelas criaturas enormes feitas de areia, que ficavam a espreita no caminho, prontas para desafiar os viajantes distraídos e propor um enigma, cuja resposta equivocada podia matar as vítimas?!!

— Caralho, cara!! Como isso é possível? — Kiba soou tão chocado quanto estava.

— Não entendi — Shikamaru soou confuso. A bem da verdade, nem Naruto nem Hinata compreenderam a reação de Kiba. Já tinham falado de youkais e medusas… ele próprio é um shifter lobo. Falavam de criaturas místicas ali, muito surpreendentes.

— Não sabia que esfinges podem fazer sexo… — Kiba limpou a garganta, nem se dando conta do rubor que coloriu as bochechas de Hinata.

— Ah — Naruto coçou o nariz, subitamente interessado na resposta.

Shikamaru coçou a nuca.

— Que problemático. Claro que meu pai pode assumir a forma humana, garoto. Esfinges vivem entre os humanos, aprendendo sobre seus hábitos e costumes para criar os enigmas. Não é como se vivessem na forma sobrenatural o tempo todo.

O sorriso de alívio de Kiba foi tão grande, mas tão grande, que os outros três se perguntaram que tipo de pensamento bizarro ia pela mente daquela criança…

— Entendi! Assim faz mais sentido. Tá na cara, né? Shifters, medusas, youkais… as criaturas têm uma forma humana e uma não humana! — então se entristeceu — Pena que nem todos os mestiços são assim. Eu não consigo me transformar em lobo.

— E meus cabelos não viram cobras, Kiba-kun — Hinata tentou animá-lo. Funcionou bem.

Ele virou-se para Shikamaru, confortavelmente deitado no galho, e lançou:

— Você se transforma em esfinge? — a ansiedade revelada na pergunta era contagiante.

— Não, eu não me transformo em esfinge.

— Ah — nem fez questão de esconder a decepção — E os enigmas de vida e morte? Você faz? Manda um aí! Eu vou adivinhar todos!

Shikamaru ergueu uma sobrancelha, enviando um olhar entediado na direção de Kiba. Que garoto cansativo! Bem quando Naruto pareceu se acalmar, vinha um novato igualmente inquieto.

— Eu também não faço enigmas mortais, só os comuns.

Os lábios de Kiba se juntaram em um bico de pura chateação.

— E o que você faz de especial?!

— Durmo de olhos abertos.

A afirmação veio com tanta seriedade que enganou Kiba. Por segundos ele ficou maravilhado. Dormir de olhos abertos devia ser uma coisa incrível e ele quis muito ser capaz de… dormir… de… olhos abertos…

— Caralho! — esbravejou ao se compreender vítima de uma piada.

Naruto gargalhou. Até mesmo Hinata sorriu um pouco mais.

— A vida tem dessas coisas — o meio youkai tentou consolar o jovem amigo — Mas mesmo assim mestiços de humanos e esfinges são raros, tendo características sobrenaturais.

Kiba balançou a cabeça, menos decepcionado.

— Você também treina na arena? — perguntou querendo saber se aquele rapaz era tão habilidoso quanto Naruto e Hinata.

— De vez em quando.

— Shika prefere ficar lendo. Ele cuida da biblioteca! Tem milhares de livros por lá. Nunca li nenhum, mas acho impressionante.

A informação não interessou Kiba. Ele só lia os livros da escola porque era obrigado.

— De qualquer jeito, seja bem vindo — Shikamaru falou com sinceridade. Pelo jeito l novo “item da coleção” era tão enérgico e hiperativo quanto Naruto. Reclamava e reclamava, mas no fundo sabia que ajudava a salvar do tédio.

— Obrigado! Mas não pretendo ficar muito tempo. Vou obrigar o Colecionador a me mandar para casa!

Daquela vez Shikamaru ergueu as duas sobrancelhas. Mas ao invés de expor (ainda mais) sua incredulidade, apenas aquiesceu.

— Claro.

— Prazer em te conhecer! As circunstâncias são ruins, mas vocês são legais. Depois que eu acabar com o Colecionador todos também vão poder sair daqui.

— Prazer em te conhecer — respondeu com educação. Estava ali há anos o bastante para não se contagiar com a esperança que Kiba sentia, aprendeu que não havia saída da propriedade que o Colecionador criou. Porém descobriu isso com a dor da experiência, tentou e tentou ainda que os outros insistissem que era impossível conseguir a liberdade.

Fracassou vez após vez, até se conformar com a vida em cativeiro. O mínimo que podia fazer era permitir que o garoto shifter tentasse algo assim, lutando para fugir, percebendo por si só que não tinham escolha.

— Vamos continuar? — Naruto perguntou.

— Sim! — Kiba sorriu exibindo os dentinhos afiados. Estava anoitecendo, queria aproveitar o máximo que pudesse.

Não admitia nem para si, mas sentia certo receio de entrar na tal casa que supostamente era sua.

— Hora de ir conhecer a Ino. Ela mora no lago.

— Parece interessante… — Kiba foi falando, mas caiu em si — O… o monstro do lago??

— Ah, você já conheceu ela? — Naruto saltou da árvore, sendo seguido por Hinata.

Kiba hesitou um pouco, lembrando-se do susto que levou ao saciar sua sede no lago. A última coisa que queria era encontrar aquilo outra vez!!



Notas finais do capítulo

Semana que vem... o monstro do lago Ness

Hohohohoh

Amanhã tem "Marcas da Paixão", oloko, é "Marcas da Solidão", mas tem paixão por lá também :3



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