Dark Traces escrita por karollabele


Capítulo 43
Verdadeira Face




Lisa acordou em uma cama um pouco confusa. Ela olhou em volta e o quarto era branco, muito bem decorado, havendo um móvel marrom na frente da cama e umas cadeiras e almofadas floridas. A cabeça de Lisa doía. Ela tentou se levantar da cama, inutilmente, caindo no chão, enquanto tentava se lembrava do que tinha acontecido. 

Lisa, com muito esforço, se encostou nos objetos e se moveu para fora do quarto. Lisa mal conseguia andar, ainda estava muito fraca. Enquanto Lisa caminhava pelo corredor, ela viu uma garota deitada em uma cama, com os braços e pernas amarrados por cordas. Lisa entrou no carro e a garota olhou para ela.

— Por favor, me ajude. - Implorou a garota

— Voce é Brienne Washington? - Perguntou Lisa, se aproximando da garota

A garota apenas assentiu.

— Não se preocupe. Eu vou tirar voce daqui. Eu estava procurando por voce.

Lisa tocou nas cordas, começando a desamarra-las, mas logo foi interrompida ao sentir a ponta de uma arma na sua cabeça.

— Acho melhor voce não fazer isso. - Disse Theodore, serio

Lisa olhou para ele. Tudo o que ela podia sentir era nojo. Um nojo muito grande que ela não conseguia imaginar. Theodore olhava para ela, com seus óculos transparentes. 

— Theodore.

— Por que voce não volta para o nosso quarto, amor? Deve estar cansada da viagem.

— Eu não vou com voce.

— Voce não tem muita escolha, não é mesmo? Faça o que eu estou falando. Volte para o nosso quarto. - Disse Theodore com a mão no gatilho 

Lisa, contra a vontade, caminhou na frente de Theodore, que andava atrás dela apontando uma arma. Lisa quase caiu ao chegar na porta do quarto, mas Theodore a segurou.

— Não me toque! - Protestou Lisa

— Voce ainda não percebeu? Voce é minha posse. Voce estando aqui, eu posso fazer o que eu quiser com voce.

Lisa arregalou os olhos. Theodore começou a gargalhar.

Enquanto isso, no contêiner, Donavan olhava para as mascaras de bonecas e maquiagens quando Matt tinha chegado ofegante. Donavan se virou e olhou para ele.

— Voce está atrasado.

— Não enche o saco, Donavan. Fui fazer o que voce me pediu.

— E então, de quem é o contêiner?

— Eu ainda não sei. Mandei um policial fazer e vim aqui o mais rapido possivel.

— Terceirizando o trabalho. Que gracinha, Matt. - Ironizou Donavan

— Não enche o saco. Já falei.

— Ui, está de mal humor. O que aconteceu? Onde está Lisa?

— Foi viajar com o doutorzinho.

— Ah, isso explica o seu mal humor. 

— O que são todas essas coisas?

— É isso que estou tentando descobrir. Mas tenho um palpite. Acho que seja do assassino.

— O que? - Perguntou Matt, surpreso

— Isso mesmo. Olhe as coisas? Mascaras de bonecas, maquiagens, e tem um quadro do departamento e fotos nossas. Esse cara deve ser mais doente do que estamos pensando.

— Eu preciso ligar para Lisa. Ela tem que vir aqui.

— É uma ótima desculpa para chamar sua namoradinha.

Matt revirou os olhos e discou o numero de Lisa.

Na casa, um telefone no bolso de Theodore começou a tocar. Ele pegou o celular, olhou a tela e desligou logo em seguida.

— É o Matt. Cara insuportável, não? Eu devia ter matado ele quando tive a chance.

— Deixe Matt em paz!

— Não se preocupe, Lisa. Sempre haverão outras oportunidades. - Theodore sorriu

— Por que? Por que voce não me prendeu nas cordas como Brienne? - Perguntou Lisa, sentada na cama

— Não vi necessidade de fazer isso, até porque eu posso doma-la quando quiser. Além disso, nós somos praticamente casados, nao é?

— Voce é louco.

— Não. Eu te trouxe para essa viagem para termos uma vida juntos.

— Uma vida juntos? Eu odeio voce. Eu me mataria antes de querer ter uma vida com voce.

Theodore olhou para ela, irritado. Ele se aproximou dela e lhe deu um  forte tapa no rosto. Lisa se surpreendeu e colocou a mão no rosto.

— Mulher ingrata! Tudo o que eu estou fazendo é por nós! Eu vejo que temos uma grande chance de termos um futuro juntos!

— Um futuro? Voce matou todas aquelas mulheres! Voce é um assassino, Theodore! Voce é um monstro!

— Não! O que eu fiz foi uma obra de arte! Elas eram as mais belas peças! 

— Voce é louco. - Disse Lisa, enojada 

— E voce, meu amor, é a peça mais valiosa de todas. - Theodore riu histericamente

— Vai me matar e me transformar em uma das suas obras?

— Esse era o plano no inicio, confesso. Mas entao eu percebi que voce poderia ser muito mais. Nós poderíamos ser muito mais. Um artista sempre tem sua musa, e voce Lisa, é minha musa. Nós podemos ter uma vida juntos.

 - O que te fez mudar de ideia?

— Voce se parece com ela.

Theodore gesticulou para uma foto que estava no móvel marrom em frente da cama. Lisa olhou para foto e viu uma mulher loira, de olhos verdes e expressão severa. 

— Quem é ela?

— Minha mãe.

Lisa olhou para o lado.

Enquanto isso, Matt estava inquieto. Donavan o observava.

— O que foi?

— Nada. Só uma sensação.. Deixa para lá. Vamos até o policial, ele já deve ter achado algo.

— Ótimo. Vamos nessa. 

Matt e Donavan saíram do contêiner. Matt olhou para trás. 

Na casa, Lisa estava pensativa. Ela olhou para Theodore, e tentou assimilar Theodore amável e gentil que ela havia conhecido, para esse Theodore, cruel e insano. 

— Voce é doente.

— Não. Voce me lembra da minha mãe, e eu sinto muita falta dela. Mas eu me apaixonei por voce por tudo o que voce é. Voce era diferente dela em muitos aspectos. Voce é amável, gentil, carinhosa, algo que ela nunca foi comigo. Voce foi a primeira pessoa, na verdade.

— Se sua mãe não era boa para voce, por que sente tanta falta dela?

— Ela era tudo o que eu tinha. Meu pai me abandonou quando eu era pequeno, eu nao tinha nada, era só eu e ela. Mas o sonho da minha mãe era ter uma menina, uma linda bonequinha. Ela era tão obcecada por bonecas que vivia me dando bonecas em meus aniversários ou em outras datas comemorativas. Sua obsessão por bonecas era tanta que ela começou a me vestir com vestidos e fazer meu cabelo com bonecas exatamente iguais a essa. - Disse Theodore mostrando a boneca que Lisa tinha colocado no carro

— Que horror..

— Minha mãe me batia por tudo. Eu nao podia ser um menino, se eu fosse, eu apanhava cruelmente. Minha função era ser sua bonequinha, e eu me acostumei a isso. Quando ela morreu a alguns anos, eu fiquei desnorteado porque eu nao tinha nada, ela era o meu mundo. As bonecas são apenas uma marca, uma marca dela, do meu repudio, e de mim mesmo.

Lisa olhava para ele em silencio. Theodore sorriu para ela.

— E por isso,  agora eu tenho a chance de ter um lar que nunca tive, nem que eu tenha que trancafia-la aqui. 

Theodore sorriu para ela. Lisa olhou para o lado.

Enquanto isso, Matt e Donavan entraram no departamento. Eles se aproximaram do balcão onde um policial estava.

— Voce achou as informações que eu pedi? - Perguntou Matt

— Achei sim. O proprietário o contêiner 115 é Theodore Pitterson.

Matt e Donavan arregalaram os olhos. Matt ficou pálido.

— Isso só significa uma coisa: Lisa foi sequestrada.

Matt olhou para frente seriamente.

 

 

 





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