O Ministro da Magia - Dramione escrita por Annie Malfoy


Capítulo 5
Capítulo V - O convite


Notas iniciais do capítulo

Oi! Fico muito feliz em saber que muitos leitores têm gostado da estória. Dedico esse capítulo às queridas leitoras que comentaram e me motivaram a escrever mais um capítulo!



21 de setembro de 2019

Fazia alguns meses desde que não visitava meus pais. Precisava pagar a enfermeira. Hoje mais cedo eu havia recebido o convite de casamento. Bem, até isso Pansy Parkinson escolheu no meu lugar. Segundo ela, eles precisavam ser entregues rapidamente. Mas o que Donalvan disse foi algo totalmente diferente. O assistente me informou de que Pansy Parkinson já guardava o modelo dos convites… Só não tinha nome e data.

E bem, eu acredito nele graças à rapidez da garota em conseguir produzir e enviar os quinhentos convites que ela mesma exigiu.

Não tive coragem de abrir o envelope. Apertei a campainha da casa que havia comprado para meus pais após a aposentadoria dos mesmos. Mamãe sempre disse que não aguentava mais o aluguel, então comprei-a a casa em que nasci, e que ela e meu pai viveram nos últimos 40 anos.

Minha mãe, senhora de cabelos grisalhos que ainda dispunham de alguns fios castanhos, abriu a porta. Eu sorri, e ela sorriu de volta, mesmo com um semblante um pouco abalado.

— Querida! Quanto tempo. - Me abraçou. - Sentimos sua falta. - Reclamou risonha, liberando entrada.

— Também senti a falta de vocês, mãe. - Afaguei seu cabelo.

— Vamos entrar, está frio aqui fora, filha. - Ela me puxou para dentro sem me dar o direito de responder. Coloquei a mão no bolso, puxando os dois envelopes que carregava comigo.

O cheiro de casa sempre é bom. O sobrado em que cresci cheirava aos bolos que minha mãe costumava a fazer, mas hoje cheiram apenas ao amaciante de roupas da lavanderia. Ultimamente minha mãe não tem feito muita coisa a não ser ir ao banco receber pensão e cuidar do meu pai.

— Onde está papai? - Perguntei.

— Ah, querida. Hoje é o dia da terapia. Pedi para a senhora Lavine o acompanhar, pois estava muito indisposta. - Lamentou minha mãe.

— Entendi, mãe. Como estão as coisas? - Perguntei enquanto sentava na mesa.

Ela simplesmente me olhou. Pegou o bule de chá e derramou o líquido quente nas duas xícaras e as levou até a mesa. Peguei a minha já tradicional xícara rosa, enquanto ela sentava e dava uma golada na sua xicarada.

— Estão bem. Seu pai está um pouco melhor, mas os médicos ainda estão preocupados com quanto tempo ele ficará conosco. O governo suspendeu metade da pensão, graças à crise. Eu estou um pouco gripada, mas me recupero rapidamente. Como está? Ronald parou de lhe importunar?

— Sim, na verdade… Vim falar sobre isso. - Comecei, pousando a xícara sobre a mesa. - Vou casar de novo.

Minha mãe me fitou, um pouco confusa.

— Certo. - Balançou a cabeça. - Está certa disso? É a melhor escolha a se fazer depois de tudo que enfrentou com esse divórcio? Há quanto tempo se conhecem, Hermione? Você acha que está pronta para compartilhar a vida com outra pessoa? Quem é esse homem, Hermione?

Engoli em seco. É difícil mentir para minha mãe, principalmente quando sei que a única pessoa que não entenderia a verdade, seria ela. Ela acredita assim como eu, que no casamento há de existir amor.

— Tenho certeza de minha escolha. Ele não é como Ronald, mãe. Ele é gentil comigo, e ele vai pagar todo o tratamento do papai. Meu noivo tem dinheiro, mãe. Ele…

Comecei a falar, mas fui interrompida.

— Querida, assistimos House of Cards quando você era mais nova. Você não lembra o que Frank disse na série? - Questionou-me. Fiquei sem entender. - “Dinheiro é mansão no bairro errado, que começa a desmoronar após dez anos. Poder é o velho edifício de pedra, que se mantém de pé por séculos. Não respeito quem não sabe distinguir os dois.” - Minha mãe citou, o que me incomodou.

— Pois bem, ele tem os dois. Eu sei muito bem distinguir os dois, mãe. Ele é candidato a Ministro da Magia.

Ela franziu o cenho.

— Qual o nome desse homem, Hermione?

— Draco Malfoy.

Minha mãe pareceu um pouco perturbada, olhou-me incrédula.

— Não é o garoto que você conheceu antes de ir à Hogwarts, mas chegando lá viu que era um grande idiota?

Concordei com a cabeça.

— O que você faz com ele, querida? Tsc. O destino é incrível, hein?

Apanhei o envelope que havia colocado sobre minhas coxas, pousando o maior sobre a mesa.

— Ele mudou, mãe. Assim como eu. - Ela se aproximou e agarrou o envelope graciosamente, parecia um pouco confusa.

Sentei do seu lado. Abrimos juntas o convite, que de fato era muito bonito. Pansy Parkinson podia ter as feições de um Buldogue, podia ter uma voz irritante e também ser incrivelmente escrota, mas de fato tinha bom gosto.




"Sr. Granger                                                                    Sr. Malfoy

Sra. Granger                                                                 Sra. Malfoy

Convidam para a cerimônia de casamento de seus filhos

Draco Lucius Malfoy & Hermione Jane Granger

A realizar-se dia 19 de outubro de 2019 às 6:00 PM no Salão de Festas principal da Mansão Malfoy, situada no condado não-metropolitano de Wiltshire, sudoeste Inglês.

Contamos com a sua ilustre presença.”

É, definitivamente Pansy Parkinson deveria gostar muito de Malfoy.

— Querida, olhe! - Minha mãe apontou para o convite. - As palavras somem e aparecem. É tão bonito, vocês tiveram bom gosto. - Completou risonha.

— Sim, sim. Também achei bonito.

— É, realmente é um convite mágico. - Ela debochou. - Ba dum tss.

Ri um pouco por dentro, confesso. Minha mãe ainda se sentia em 2012.

— É mãe, você ainda está em 2012.

— Fala sério, Hermione. Você é quem não tem senso de humor. - Reclamou. - Você parece ser mais velha que eu, ranzinza desse jeito. Tsc. - Balançou a cabeça para os lados. - Mas falando sério, quando é que seu querido noivo irá vir aqui? Eu e seu pai contamos com a ilustre presença dele. - Ironizou ela, repetindo as palavras que estavam escritas no convite.

De fato, minha mãe é bem mais humorada do que eu. Percebe-se que quando cheguei, estava um pouco sofrida. Mas agora, está bem mais feliz. Acredito que ela se sente muito sozinha aqui.

— Bem… Vocês não poderiam conhecê-lo no dia do casamento?

— Querida, quem você acha que eu e seu pai somos? - Apoiou os cotovelos na mesa.

— É que você sabe como está corrido… E também convencer Draco a vir no mundo trouxa é um pouco complicado, mãe.

— Então você não vai nos ver lá, Hermione. A partir de hoje você não tem mais pais. Pronto, tá decidido.

Revirei os olhos. Ela sempre dizia isso quando não conseguia algo. Definitivamente toda mãe é igual, pois fazia o mesmo com Rose e Hugo quando me desobedeciam. É o primeiro ano de Hugo em Hogwarts. Como não os vejo, sinto como se voltasse à minha vida de solteira. Sem preocupações ou brigas por causa da bagunça em casa.

— Mãe… Quando você está brava, fala tudo o que pensa e depois se arrepende. Sei que isso não vai acontecer.

— Ah meu amor, se eu falasse tudo que penso, nem parentes eu tinha mais. - Apontou o dedo para mim. Você acha que é fácil aceitar todo esse mundo bruxo mesmo depois de quarenta anos, Hermione? Você acha que é fácil ser trouxa? Não é assim não. Tem que nascer pra isso. Nesse seu mundo o noivo pode até conhecer os pais da noiva no casamento, mas no mundo de trouxas como nós, tem que conhecer antes sim. - Completou batendo a mão contra a mesa de madeira.

É, mãe. Eu entendi a piada. E também entendi o recado.

— Ok, mãe. Vou dar um jeito. - Olhei para a janela.

— Ótimo minha filha, estou tão feliz por você! Finalmente se livrou daquele ruivo. Nos últimos anos ele ficou fedido, por isso que todo ano no aniversário dele, o dei desodorantes e perfumes. - Ela franziu os lábios enquanto balançava a cabeça em sinal afirmativo.

Realmente, nos últimos três anos no aniversário de Ronald Weasley, minha mãe fazia questão de dar algum Kit relacionado à higiene pessoal.

— É, também achei que o cheiro dele mudou… Assim como a personalidade. - Suspirei.

Sinto falta de Weasley. Não de quem ele se tornou, mas do homem com quem me casei e tive dois filhos incríveis. A primeira vez em que descobri uma traição de Ronald, foi há exatos dois anos. Ele não pareceu se importar muito, mas falou que não continuaria com ela, que era uma funcionária do ministério Francês, que estava temporariamente no país. E não continuou.

No ano seguinte, no dia do meu aniversário, o flagrei com Lilá Brown, sua ex-namorada do colégio. E então quis o divórcio. E lá veio a primeira ameaça. E então, outra vez com Lilá Brown. E ai sim me divorciei, independente do que ele dissesse.

— O que a senhora vai querer almoçar? Podemos ir onde a senhora quiser. Eu pago. - Falei depois de minutos pensativa.

— Posso escolher qualquer coisa? - Ela perguntou com brilho nos olhos. Concordei com a cabeça. - Posso trazer uma marmita para seu pai?

— Pode sim. - A respondi, sorrindo.

— Mesmo, Hermione? Você tem condições para pagar? - Preocupou-se.

— Mesmo, mamãe. Recebi um dinheiro extra no trabalho. Equivale mais ou menos a duas mil libras.

Ela se assustou. Naquela manhã a cara de Buldogue Parkinson também havia deixado junto à minha correspondência um envelope menor que o do convite. Quando o abri, havia uma carta e um cartão de crédito que convertia automaticamente galeões para libras. No bilhete dizia para eu usar quando quisesse algo. Pelo visto a família de Malfoy, mesmo odiando o mundo trouxa, tinham um grupo empresarial e de investimentos. Hipócritas. Não havia apenas duas mil libras ali. Mas é claro, nunca deixaria minha mãe saber disso.

— Duas mil libras? - Continuou incrédula. - Quero ir no Gordom Ramsay!

Ok, me arrependi de ter dito que poderíamos ir à qualquer lugar. Gordon Ramsay é um chef, dono de restaurante e personalidade de televisão muito conhecido no mundo trouxa. Ele tem um programa chamado Hell’s Kitchen, e minha mãe sempre foi viciada desde que estreou, me obrigando a assistir com ela. Antes do meu pai adoecer, ele economizou durante dois meses para realizar o sonho de minha mãe: Conhecer Gordom e provar de sua comida. Foram no aniversário de casamento deles, em 2015.

— Certo, mãe. Se é o que a senhora quer, iremos. - Respondi e ela vibrou.

— Tenho de ir me trocar e arrumar o cabelo! Preciso estar bonita para quando ver Gordom! Ajude-me a escolher uma roupa, querida! - Levantou-se da mesa e me puxou junto, seguindo para o quarto no térreo. - Ah, acho que minhas roupas mais bonitas estão no quarto de cima. - Falou, me deixando um pouco triste.

Ela teve de mudar para o quarto de hóspedes, que não tinha muito espaço, para meu pai ficar mais confortável no térreo.

— Vamos buscá-las, então. - Segurei sua mão e a ajudei a subir as escadas.

Eu finalmente tenho a oportunidade de levá-la lá novamente. E com certeza traremos o mesmo prato que meu pai comeu há quatro anos. Talvez isso o deixe feliz.



Notas finais do capítulo

Espero que tenham gostado! Todos os dias capítulos novos! ♥ Por favor, comentem o que esperam do rumo da fic, e também o que gostaram. Agradeço muito!