O Garoto da Porta ao Lado escrita por G a b i


Capítulo 2
Noite de Natal: Preso no banheiro com o garoto da porta ao lado


Notas iniciais do capítulo

Oi :)
Mais um capítulo pra vocês.
Espero que gostem. Boa leitura!



"Por que você está aí?" 

"Estou ouvindo seus batimentos cardíacos." 

  

Era dia de Natal e nenhum dos garotos tinha planos para essa data.  

A família de Taehyung estava no Japão e ele não tinha feito amigos desde que mudara de Daegu para Seul. Já Yoongi, ele também não tinha amigos, só colegas de profissão. E o loiro não era o tipo de pessoa que comemoraria o Natal com eles. Tampouco com sua família, a qual nunca apoiou seus sonhos relacionados à música. 

Anoiteceu e Taehyung ligou as luzinhas coloridas de uma pequena árvore que conseguira montar para decorar aquele minúsculo apartamento. 

Yoongi nem se dera o trabalho de decorar qualquer coisa. Estava no banheiro, fazendo as suas necessidades, quando pôde ouvir Taehyung reclamando do outro lado.  

— Aish, qual o problema com essa porta? — O mais novo fazia barulho forçando algo que Yoongi julgou ser a maçaneta.  

O loiro revirou os olhos. Por que o outro tinha de ser tão barulhento? Malditas paredes finas!  

Taehyung desistiu da maçaneta frouxa e fechou a porta de qualquer jeito. Mesmo que morasse sozinho e fosse apenas passar um creme no rosto, ele ainda tinha a mania de fechar a porta do banheiro. 

Yoongi, depois de fazer suas necessidades, lavou as mãos e voltou a pegar seu celular que estava sobre a pia. 

Distraído com o aparelho em mãos, Yoongi fez questão de escorregar no piso molhado do próprio banheiro. O loiro caiu para trás, o celular voando de sua mão e caindo dentro do vaso sanitário. Foi um tombo feio. As costas de Yoongi bateram fortemente contra o chão. Ele soltou um grunhido de dor e ali onde caiu, permaneceu. Deitado, olhando para o teto, imóvel e sentindo dor. Droga

— Yoongi hyung? — Taehyung arregalou os olhos e parou de passar o creme no rosto. — Aconteceu alguma coisa? — O mais novo podia jurar que a parede estremecera quando ouviu o vizinho grunhir do outro lado. 

— Taehyung, você consegue me ouvir? — Perguntou do chão, ainda sem se mover. 

— Sim, hyung. 

— Ótimo. Então, eu machuquei minhas costas e preciso que você ligue para os paramédicos. Não acho que consigo me levantar sozinho. 

Taehyung voltou a arregalar os olhos, preocupado. 

— Tudo bem. Eu vou ligar. Só preciso sair daqui e pegar meu celular que está no quarto. 

Só que a maçaneta da porta do banheiro de Taehyung estava com problema, e é claro que quando ele forçou a porta para abri-la, a mesma fez questão de emperrar. 

— Aish! — O mais novo forçava a porta sem parar, impaciente. — Por que essa droga não abre? — Sua voz já atingindo um tom choroso. 

— Taehyung!  

— Hyung... — O mais novo estava visivelmente frustrado. — Desculpa, mas eu estou preso no meu próprio banheiro. 

Yoongi queria morrer. Ele estava com dor, deitado no chão de seu banheiro, sem conseguir levantar e, pior, sem ninguém que pudesse ajudá-lo. 

— Yoongi hyung? — Taehyung sentou no chão do banheiro e apoiou as costas no pequeno armário. — Devemos apenas gritar por socorro? Alguém deve nos ouvir e vir nos ajudar! 

— Não acho que tenho forças para gritar...  

Taehyung mal pôde ouvir a resposta que veio do cômodo ao lado. Então ele começou a gritar sozinho.  

"Socorro", "alguém nos ajude", "estamos presos", "tem alguém nesse andar?" e "por favor, precisamos de ajuda!" foram só algumas das frases que Taehyung gritou, mas nada funcionou. Parecia que já não havia mais ninguém naquele andar além dele mesmo e seu vizinho do 302. Era noite de Natal, e eles estavam dentro de seus respectivos banheiros, sem ter como sair. 

Taehyung cansou de gritar por ajuda e acabou adormecendo sentado no chão. A cabeça apoiada no armário. Quando acordou, sentiu seu estômago roncar. Não sabia ao certo quanto tempo se passara. Quase duas horas, talvez? 

— Yoongi hyung?  

— O quê? 

— Estou com fome. 

Yoongi revirou os olhos. 

— E eu estou com dor nas costas, ainda deitado no chão e com medo de me levantar sozinho. 

— Eu sinto muito... — Taehyung queria chorar.  

— Isso é uma merda. — Yoongi reclamou. 

— Eu quero frango frito. — O mais novo passou a mão sobre a barriga e levantou do chão. 

— Frango temperado. — Yoongi também estava com fome. 

— Frango frito, bem temperado. Com molho de soja. 

Yoongi grunhiu do outro lado. 

— Hyung, eu vou arrombar a porta.  

Taehyung pegou todo o impulso que conseguiu em um espaço tão pequeno e jogou toda a sua força sobre a porta. Uma vez. Duas. Três. Na quarta vez ele sentiu uma dor tão forte que questionou se seu ombro direito havia saído do lugar. 

A porta do banheiro estava aberta. 

Ele saiu correndo em direção a porta do apartamento ao lado. 

Taehyung tinha certeza de que precisaria de um braço direito novo, porque ele arrombou a porta do 302 também. 

Arregalou os olhos quando adentrou o banheiro de Yoongi e viu o mesmo no chão, os olhos fechados. 

— Hyung! — O mais novo se ajoelhou no chão e deitou sua cabeça de lado sobre o peito do loiro. — Ah... tão quentinho. — Ele murmurou, já se distraindo. Estava praticamente com metade do corpo sobre o de Yoongi. Um dos braços sobre a cintura dele.  

O loiro abriu os olhos, meio sonolento, e deu de cara com Taehyung em cima de seu peito, o encarando. 

— O que está fazendo aí? — Ele franziu o cenho. 

— Estou ouvindo seus batimentos cardíacos. — Taehyung sorriu. 

— Sai. Agora. 

*** 

Com a ajuda de Taehyung, Yoongi conseguiu chegar até a sua cama. O mais novo colocou dois travesseiros apoiados na parede para que o loiro pudesse se escorar e logo depois o fez tomar dois comprimidos para dor que encontrara no armário de seu apartamento quando foi buscar o celular. 

Como um milagre de Natal, Taehyung até conseguiu encontrar um lugar que entregou frango frito e refrigerantes no apartamento 302. 

Havia uma pequena mesinha em cima da cama de Yoongi, na qual estava toda a comida e as latinhas de refrigerante que haviam comprado. 

Taehyung estava sentado de frente para Yoongi, as pernas em cima do colchão; a mesinha com a comida entre eles. 

— Então, como estão as suas costas? — O mais novo perguntou ao mesmo tempo em que mergulhava uma coxinha de frango frito no molho de soja. 

— A dor está diminuindo agora. — Yoongi esboçou um pequeno sorriso e deu uma mordida no seu frango. — E o seu braço? 

— Ah — Taehyung esfregou o mesmo por uns segundos — Acho que vai ficar melhor logo. 

Yoongi assentiu. 

— Então, hyung, eu 'tava pensando e... — O mais novo deu um gole em seu refrigerante — Eu te salvei e agora você está deixando eu ficar aqui e comer, sentado na sua cama. — Ele riu. — Acho que devemos ser mesmo amigos? 

— Sim. — Yoongi respondeu automaticamente enquanto terminava de comer sua terceira coxinha de frango frito. — Devemos, sim. — Ele concordou, mas não estava de fato prestando atenção na pergunta de Taehyung. O loiro estava pensando em seu celular, que ainda estava dentro do vaso sanitário e provavelmente não teria mais conserto. A não ser que acontecesse outro milagre de Natal. 

Taehyung abriu um sorriso gigante. Yoongi queria mesmo ser seu amigo.  

O mais novo foi colocar a mão dentro da bacia de frango para pegar mais uma coxinha, quando Yoongi também resolveu fazer o mesmo. Suas mãos esbarraram uma na outra e, tão rápido quanto seus olhares se cruzaram, eles afastaram suas mãos de dentro da bacia. 

Novamente, como naquela vez no restaurante com o último pedaço de carne, nenhum dos garotos tinha coragem para tentar um próximo movimento. 

Yoongi deu um gole em seu refrigerante. E Taehyung começou a sentir um calor tomando conta de todo o seu corpo, mesmo que fosse uma noite fria de inverno. 



Notas finais do capítulo

Oi, de novo!
Se você leu até aqui, desde já muito obrigada pelo seu interesse e pela sua paciência. Que tal deixar um comentário dizendo o que achou desse capítulo? Eu ficaria ainda mais agradecida :)

Até logo õ/

Xoxo,
G a b i.
(14/03/2018)



Hey! Que tal deixar um comentário na história?
Por não receberem novos comentários em suas histórias, muitos autores desanimam e param de postar. Não deixe a história "O Garoto da Porta ao Lado" morrer!
Para comentar e incentivar o autor, cadastre-se ou entre em sua conta.