O Garoto da Porta ao Lado escrita por G a b i


Capítulo 15
Os garotos da porta ao lado


Notas iniciais do capítulo

Oie~
Antes de tudo, Nat Rodrigues, muito obrigada por recomendar a fanfic! Eu adorei a sua recomendação e fiquei muito feliz ♡
Talvez eu esteja trollando vocês com o título do capítulo e as frases iniciais, ou talvez não. Só lendo para saber *risos*
Agora sim, esse é o último capítulo da fanfic. Espero do fundo do meu kokoro que vocês aprovem esse desfecho.
Aproveitem essas mais de 4.000 palavras! Boa leitura :)



"Então... isso quer dizer que você não será mais o garoto da porta ao lado." 

"Isso mesmo. E você também não."  

 

Taehyung ainda não conseguia entender como Yoongi podia estar tão calmo diante de tudo o que acontecera. O incêndio no apartamento 302 não fora apenas um pequeno incêndio — ao contrário daquele que acontecera no apartamento de Taehyung um mês atrás. Yoongi perdeu alguns de seus móveis, algumas roupas e o apartamento ao lado estava praticamente em ruínas. Taehyung realmente não conseguia entender como Min Yoongi — logo ele — ainda não surtara. 

— Hyung, tem certeza de que está tudo bem? — O mais novo perguntou, virando o rosto para encarar o loiro sentado ao seu lado. 

Eles estavam sobre a cama de solteiro de Taehyung, descansando após todo o esforço de terem carregado as coisas de Yoongi para o apartamento 301.  

O loiro riu. 

— Lembra quando eu reclamava que o apartamento era tão pequeno que o seu colchão no chão nem me deixava andar direito pelo lugar? Agora olha só pra isso! — Apontou para o pequeno cômodo. — Trouxemos só o que restou das minhas coisas para cá e eu já tenho certeza que será impossível para andarmos aqui dentro. 

— Hyung, eu não me importo que suas coisas estejam espalhadas aqui. Não me importo que isso faça desse cômodo ainda mais apertado do que já é. Eu só quero saber se você está bem com tudo isso. — Taehyung segurou a mão esquerda de Yoongi e entrelaçou seus dedos aos dele, dando um sorriso fraco. — Eu tô feliz de você ter que morar aqui comigo. Mas não tô feliz pelo modo como isso aconteceu. Quero dizer... Até o seu piano pegou fogo. Você está realmente bem com tudo isso? 

Yoongi respirou fundo, apertando a mão de Taehyung ainda mais contra a sua. 

O loiro abriu um pequeno sorriso. 

— Acho que o incêndio teve mais pontos positivos do que negativos. Eu vejo como um recomeço. — Yoongi foi sincero. — Foi bom que aquele piano tenha pegado fogo e sido destruído. 

Taehyung arregalou os olhos em um misto de surpresa e confusão. 

— Eu não estou entendendo nada, hyung. 

— Lembra daquela vez quando me pediu para tocar piano pra você e eu hesitei? 

— Você disse "quem sabe algum dia", ou algo assim. — Taehyung começou a acariciar a mão de Yoongi com o polegar. — Eu achei sua atitude um pouco estranha, mas não quis entrar em detalhes. 

Yoongi assentiu. 

— Quer saber o que realmente aconteceu?  

— Hyung, você não precisa contar, se não quiser. 

Yoongi sorriu. 

— Está tudo bem, eu quero contar. Preciso contar. 

Taehyung se aproximou e selou os lábios do loiro com carinho. Uma forma de demonstrar seu apoio seja para qualquer que fosse a história que Min Yoongi estivesse prestes a lhe contar. 

E então o mais velho contou tudo. 

Contou sobre aquele piano marrom sempre servir de decoração na sala de estar da casa de seus pais, em Daegu. E contou sobre quando tinha apenas 5 anos e resolveu que aquelas teclas eram para ser tocadas; e era isso o que ele faria. 

No início seus pais acharam fofo o filho se interessar pelo instrumento. Pagaram as aulas e uma professora particular; e assim Yoongi logo fez com que aquele piano marrom deixasse de ser apenas um objeto de decoração na casa dos Min. 

Foi quando fez 14 anos que as coisas mudaram. Seus pais perceberam que aquilo não era apenas um hobby passageiro. Yoongi levava o piano muito a sério. Amava a música por si só; e já naquela época, decidira que era aquilo que queria para o resto da sua vida. O piano; a música. 

E mesmo que fosse notável Yoongi ser um prodígio, seus pais eram totalmente contra seu filho mais novo querer seguir uma carreira musical. 

Eles foram controlando Yoongi conforme podiam. Começaram pagando menos aulas de piano, indo menos vezes nas apresentações musicais do filho na escola; queriam a todo custo fazer com que Yoongi desistisse do piano, da música. 

Mas ele não desistiu. Nem mesmo quando completou o ensino médio e comunicou aos pais que faria faculdade de música mesmo contra a vontade deles, que tinham certeza de que ser músico não traria um bom futuro ao seu filho. 

— Eles não me apoiaram. Não apoiaram a mim e meu sonho. Disseram que eu era louco e que poderia ir embora de casa, levando aquela coisa velha e marrom comigo. — Yoongi riu sem qualquer humor. — A coisa velha e marrom era o piano, é claro. 

— Hyung... — Taehyung murmurou, acariciando a bochecha dele. — Eu sinto muito. De verdade. 

— Depois do dia em que eu fui embora de casa e vim para Seul, nunca mais toquei piano na frente de ninguém. Quero dizer, eu sei que você já ouviu e me viu testando algumas notas e melodias para algumas composições antes, mas, eu nunca mais toquei piano na frente de ninguém. Pelo menos não uma música inteira. 

— Aquele piano fazia você lembrar dos seus pais... — Taehyung deduziu. — Agora eu entendo. 

— Sim. Mas tudo bem, aquela coisa velha virou cinzas. — Yoongi riu. — E amanhã eu vou receber o dinheiro da indenização pelo incêndio. Vou me mudar desse prédio velho e comprar um piano novo. 

— O quê? — Taehyung arregalou os olhos, soltando a mão de Yoongi. 

— Eu venho pensando em me mudar desde que o seu apartamento pegou fogo. — Confessou. — Esse lugar é velho, os apartamentos têm um só cômodo que serve como sala, quarto e cozinha. É pequeno demais, assim como o banheiro e a lavanderia. Sem contar as paredes que parecem feitas de isopor e o grave problema com a parte elétrica. É perigoso demais morar aqui, Taehyung. — Yoongi explicou. 

O mais novo sentiu um nó se formar em sua garganta. Yoongi pretendia se mudar... 

— Hyung, você vai mesmo se mudar? — Perguntou enquanto encarava os próprios pés. 

— Sim. Com o dinheiro que tenho guardado na poupança para emergências, mais a indenização pelo incêndio, posso cancelar o contrato de aluguel e sair desse lugar. Já tinha conversado com Namjoon sobre isso. Ele ficou de me ajudar com um novo apartamento. 

Taehyung não conseguia olhar para Yoongi. Tinha certeza de que começaria a chorar se fizesse isso. 

— Então... isso quer dizer que você não será mais o garoto da porta ao lado. — Murmurou. 

Yoongi riu, segurando o queixo do mais novo para fazê-lo olhar para si. 

— Isso mesmo. E você também não. 

— Então por que está rindo? — Um bico se formou nos lábios do garoto. — Isso não é engraçado. Eu não quero ficar longe de você, hyung. 

— E não vai. — Yoongi sorriu, acariciando os cabelos de Taehyung. 

O mais novo franziu o cenho. 

— Não estou entendendo nada. 

— Eu não serei mais o garoto da porta ao lado. Você também não será mais o garoto da porta ao lado. Nós vamos morar na mesma porta. — Yoongi riu, dando um selinho no garoto. — Eu quero que você se mude comigo, Tae. Quero morar com você em um novo apartamento. — Explicou. 

— O QUÊ? — Taehyung gritou, levantando da cama, os olhos arregalados. — Hyung... 

— Ok, eu tô sendo precipitado, não é? Nós começamos sendo vizinhos que não trocaram uma palavra sequer durante dois meses. Depois, por mais um mês e uma semana, só nos encontrávamos na sacada e trocávamos poucas palavras. Então moramos juntos por um mês no meu apartamento. Somando tudo isso... Apenas um pouco mais do que quatro meses que sabemos da existência um do outro... — Yoongi coçou a nuca, nervoso. 

Taehyung continuava de pé no meio do apartamento; uma expressão de choque em seu rosto enquanto o mais velho tagarelava sem parar. 

— Você não quer. Eu já entendi. Não faz muito tempo que nos conhecemos e começamos a namorar hoje. Literalmente. Eu te assustei. Desculpa. Não quero te pressionar, Tae. Eu juro. 

Taehyung abriu e fechou a boca duas vezes; e então sua ficha pareceu ter finalmente caído. 

— Yoongi hyung, eu... acho que te amo? — Taehyung riu e se jogou sobre o loiro, o abraçando apertado.  

Eles caíram sobre a cama de solteiro. Taehyung distribuindo beijinhos por todo o rosto de Yoongi, que não conseguia controlar a própria risada diante das ações do Kim. 

— Isso tudo quer dizer um sim? — Yoongi finalmente conseguiu perguntar. — Você quer morar comigo em um apartamento novo? 

— Hyung, com você eu vou pra qualquer lugar. — Taehyung sorriu, ainda por cima de Yoongi. 

— Eu... acho que te amo também? — O loiro riu, puxando Taehyung para si e selando seus lábios aos dele. 

— Hyung... — O mais novo estava ofegante após o beijo. Deixou seu corpo cair para o lado, se espremendo com Yoongi na cama de solteiro. — Eu sinto falta da sua cama de casal.  

Yoongi riu enquanto Taehyung o puxava para mais perto de seu corpo para que escorasse a cabeça em seu peito. 

— Eu gosto da sua cama de solteiro. Assim a gente fica ainda mais perto um do outro? — O loiro voltou a rir. 

— É bom ficar coladinho em você, hyung. Mas essa cama é muito pequena pra tentar outras coisas... 

Yoongi inclinou a cabeça para cima para que pudesse encarar o rosto do mais novo. 

— Você tem razão. Adicione uma cama de casal enorme à nossa lista de compras. — Yoongi sorriu, mostrando as gengivas. 

Taehyung beijou a ponta do nariz do loiro, que revirou os olhos. 

— Eu devo mesmo amar muito você pra deixar que faça esse tipo de coisa. 

Agora foi a vez de Taehyung rir. 

— Sabe, hyung... Eu... meio que tô com medo de dormir aqui hoje? 

Yoongi levantou da cama, sentando-se sobre ela. O cenho franzido. 

— Tem medo que aconteça outro incêndio, não é? — O loiro passou os dedos por entre os fios de cabelos castanhos do garoto, que logo fechou os olhos, aproveitando o carinho que recebia. 

Taehyung suspirou. 

— Uhum. 

— Eu também não estou muito confortável com isso. Tenho medo que a parede desabe ou algo assim, mas... 

— Hyung, isso não 'tá fazendo eu me sentir melhor! — Taehyung protestou, abrindo os olhos e encarando o loiro. Um bico se formara em seus lábios. 

— Desculpa. Eu não sou bom em consolar as pessoas. 

Taehyung riu e levantou da cama, sentando-se sobre ela também. 

— Eu deveria ligar para o Jin hyung? O celular 'tá em cima do criado mudo. 

Yoongi assentiu, esticando o braço e pegando o aparelho telefônico de Taehyung, que logo começou a vibrar em sua mão. 

— Acho que ele é vidente? — Yoongi riu, encarando o nome que aparecia na tela do celular. — Atenda, é o Jin hyung.  

— Alô? 

— Kim Taehyung! Por que você não me ligou? Eu fiquei sabendo de tudo pelo Hoseok! Você está bem? O Yoongi está bem? Onde vocês estão agora? — Seokjin quase nem respirava, emendando uma pergunta à outra e praticamente gritando ao telefone. Yoongi até conseguia ouvir o interrogatório. 

— Hyung... — Taehyung murmurou. — Nós estamos bem. Estamos no meu apartamento. Eu não quis ligar pra você por causa do seu trabalho... 

Yoongi conseguiu ouvir o suspiro do mais velho do outro lado da linha. 

— Meu expediente já acabou. Eu já falei com o Namjoon e nós estamos indo buscar vocês de carro. Coloquem o que precisarem em suas mochilas. Vocês vão ficar no apartamento do Namjoon. 

— Mas, hyung... 

— Kim Taehyung, não discuta comigo! Esse lugar é perigoso. Em 20 minutos Namjoon e eu estaremos aí. 

Taehyung não conseguiu conter o riso diante das atitudes um pouco exageradas de Seokjin. 

— Tudo bem, hyung. Obrigado. 

— Não precisa agradecer. E não esquece a escova de dentes. Até logo. 

Taehyung riu alto e encerrou a chamada, logo entregando o celular para que Yoongi voltasse a colocá-lo sobre o criado mudo. 

— Ele age como se fosse sua mãe. — Yoongi riu. 

Taehyung assentiu. 

— Eu fico feliz que a nossa relação evoluiu a esse ponto. Agora posso dizer que tenho amigos. E o Jin hyung é o melhor. — Ele sorriu. 

— Posso dizer o mesmo em relação ao Namjoon. Na verdade, esse dois são as melhores pessoas que já conheci. 

— Eu também. — Taehyung concordou. — Mas vamos logo arrumar as coisas. Jin hyung disse que eles chegam em 20 minutos. 

*** 

— A senha para abrir a porta é o dia e o mês do meu aniversário. — Jin contou.  

Taehyung e Yoongi, que já estavam na calçada, se entreolharam e riram. 

— Qual a graça? — Namjoon questionou. — Eu precisava de uma senha que nunca vou esquecer. 

Taehyung gargalhou. 

Yoongi revirou os olhos enquanto arrumava a mochila sobre os ombros. 

Jin abaixou mais o vidro do carro. 

— Viram só? Isso é o quanto eu sou importante aqui. — Ele riu. — Agora podem ir. Namjoon vai ficar no meu apartamento. 

— Não. Esperem. Tem mais uma coisinha. — Namjoon esticou o corpo sobre o de Jin para que pudesse encarar os garotos na calçada.  

— O que foi? — Yoongi questionou. 

— Taehyung, nem pense em fazer qualquer gracinha com ele na minha cama de casal! 

— Hyung! — Taehyung arregalou os olhos, constrangido.  

Jin e Yoongi caíram na gargalhada. 

— É sério. Só durmam, ok? 

Jin deu um tapa no braço do namorado como se estivesse o repreendendo. 

— Eu não conseguiria usar a sua cama para outras coisas, hyung. — Taehyung acabou rindo, mas ainda estava um pouco envergonhado. 

— 0412. Abram e fechem a porta direitinho. Yoongi já sabe qual o apartamento. Ah, e tem comida na geladeira. Boa noite. — Jin sorriu e fechou o vidro do carro. 

Taehyung e Yoongi acenaram da calçada, enquanto Namjoon dava partida com o carro. 

*** 

Demorou três dias para que Yoongi enfim recebesse o dinheiro da indenização pelo incêndio; e a primeira coisa que o loiro fez após isso foi cancelar o contrato de aluguel dele e de Taehyung. 

No mesmo dia os garotos já estavam empacotando todas as suas coisas para se mudar. Porque, ao que parecia, o Universo finalmente resolvera conspirar a favor dos garotos. Ainda pela manhã, Namjoon mandara uma mensagem avisando que o contrato de aluguel do novo apartamento que encontrara para os amigos já estava pronto e bastava a assinatura de Yoongi. 

Os garotos não perderam tempo em terminar de empacotar o resto das coisas e arranjar um caminhão de mudança que pudesse levá-las para o novo apartamento — que ficava há três quadras do restaurante onde Seokjin trabalhava e próximo ao karaokê que havia no bairro. 

Taehyung passou dois dias sem trabalhar no seu jogo apenas para se dedicar à mudança, enquanto Yoongi contava com a ajuda de Namjoon para fazer seu trabalho na gravadora, já que pedira dois dias de folga para tratar das coisas da mudança também. 

Taehyung e Yoongi compraram a maior cama de casal que encontraram na loja; bem como um piano marrom, que segundo Taehyung era o oposto daquele que fora destruído pelo incêndio. Ainda era um piano marrom, mas agora era novo, bonito e brilhante. Assim como o recomeço de Yoongi seria. 

*** 

Taehyung admirava cada canto do apartamento já mobiliado e parcialmente organizado enquanto Yoongi se despedia do corretor de imóveis. 

Quando o loiro enfim fechou a porta do apartamento novo, não pôde evitar sorrir ao notar Kim Taehyung na sacada do apartamento — onde já estava seu telescópio —, girando em torno si próprio com os braços abertos. 

Yoongi foi até o garoto e o fez parar de girar. 

— Você vai ficar tonto desse jeito, Tae. 

— Essa sacada é enorme! — Abriu aquele sorriso retangular que Yoongi achava tão único e bonito. 

— Você gostou?  

— Claro que sim! O apartamento inteiro é ótimo. Agora temos espaço suficiente pra andar, temos quarto, sala, cozinha, banheiro e lavanderia. Não é mais tudo praticamente em um cômodo só, e... — Taehyung sorriu ainda mais, colocando as mãos em volta da cintura de Yoongi, puxando o loiro para mais perto. 

— E...? — Yoongi continuou, rindo. 

— O número do nosso apartamento é 603, hyung! — Taehyung beijou os lábios do loiro rapidamente. 

Yoongi franziu o cenho. 

— E por que tanta felicidade? Por acaso 603 é seu número da sorte ou algo assim? 

Taehyung revirou os olhos. 

— 301 e 302 eram os números dos nossos antigos apartamentos. Você acha que a soma desses números ser o número do nosso novo apartamento é apenas uma coincidência?  

Yoongi arregalou os olhos, surpreso. Ele não tinha reparado nesse detalhe até então. 

— Estava tudo destinado? — Ele riu. 

— Claro que sim, hyung! Isso tudo não é coincidência. É o Universo enfim conspirando a nosso favor!  

Yoongi não conseguiu controlar o riso, logo roubando um selinho do garoto a sua frente. Kim Taehyung era mesmo único. E encantador. 

*** 

Yoongi estava terminando de tomar banho enquanto Taehyung — que já estava de banho tomado — secava os cabelos com o secador. O garoto só foi ouvir a campainha tocando no que deveria ser o terceiro ou quarto toque. 

— Já vai! — Ele gritou do quarto, passando pela sala e enfim chegando até a porta de entrada.  

Conferiu quem era no monitor que ficava preso à parede. 

Dois garotos. Um deles tinha os cabelos pretos e era alto. O outro, um pouco mais baixo e com cabelos castanho-claro, segurava o que Taehyung julgara ser um prato com algo comestível, já que estava coberto com um guardanapo xadrez nas cores vermelho e branco. 

Taehyung digitou 0930, que era o dia do aniversário de Yoongi seguido do seu próprio e enfim destravou a porta. 

— Olá. — Taehyung sorriu para os garotos, tinha a impressão de já tê-los visto antes, mas não lembrava onde. 

— Nós somos os garotos da porta ao lado. — O mais baixo riu. — Trouxemos bolinhos de arroz para dar as boas-vindas. — Ele abriu um sorriso fofo que fez seus olhos adquirirem um formato meia-lua. 

— Sou Jeon Jungkook. — O de cabelos pretos se curvou em um cumprimento. 

— E eu sou Park Jimin. — Ele estendeu o prato com os bolinhos para Taehyung, que prontamente pegou. 

— Sou Kim Taehyung. — Ele sorriu para os garotos. — E meu namorado é Min Yoongi, ele está no banho nesse momento. — Riu. — Mas muito obrigado pelas boas-vindas. E pelos bolinhos. 

— Nós moramos no 604. Espero que possamos nos dar bem. — Jungkook sorriu. 

— Com certeza. — Taehyung voltou a sorrir. — Mas... eu sinto que já vi vocês dois antes? 

Jimin riu. 

— Você costuma frequentar o karaokê aqui perto? Porque a gente trabalha lá. 

— Ah, é isso mesmo! Vocês são os garotos do balcão! — Taehyung exclamou. 

Jungkook e Jimin riram, assentindo. 

— Desculpa não lembrar de você, é que são muitos clientes. — Jungkook voltou a rir. 

— Eu entendo. — Taehyung sorriu. — Eu poderia convidar vocês pra entrar, mas acho que meu hyung não gostaria disso, já que o apartamento ainda está um pouco bagunçado. 

— Não se preocupe. Nós já estamos saindo para o karaokê, de qualquer forma. — Jimin sorriu. — Podemos marcar qualquer coisa, um dia desses. 

— Claro que sim. E mais uma vez, obrigado pelas boas-vindas. — Taehyung sorriu, erguendo o prato com os bolinhos de arroz. 

— Até qualquer hora, então. — Jungkook acenou enquanto entrelaçava sua mão a do namorado. 

— Tchau, Taehyung! — Jimin também acenou, se despedindo. 

*** 

— Com quem você 'tava falando? 

Yoongi chegou na sala. E Taehyung deu graças aos deuses por já ter largado aquele prato com bolinhos de arroz sobre a mesa, porque ele provavelmente o teria derrubado. 

Min Yoongi acabara de sair do banho. O cheiro de menta de seus cabelos loiros recém-lavados e secos invadindo o cômodo. A pele ainda mais branquinha e lisa do que nunca. 

Taehyung parecia ter congelado no lugar enquanto observava o namorado dos pés à cabeça. 

Yoongi vestia uma blusa branca grossa de mangas compridas, calça de sarja na cor caqui e tênis brancos da Puma. Não era uma roupa chique, mas também não era algo que Yoongi costumava usar no dia-a-dia e, céus, o loiro estava mais lindo do que nunca, fazendo Taehyung esquecer como respirar, como se mover, como falar. 

— Taehyung? — Yoongi se aproximou do garoto, estalando seus dedos em frente ao rosto dele. 

— Hyung... — Taehyung murmurou, ainda sofrendo do Efeito Min Yoongi. — Por que você está assim tão lindo?  

— Eu tô? — O loiro riu. 

Taehyung assentiu, o puxando para um abraço, assim podendo colocar o nariz no pescoço do outro e sentir seu cheiro doce. 

— Você 'tá lindo, hyung. E cheiroso como sempre. — Taehyung o beijou na bochecha, logo se afastando para encarar aquele rosto tão bonito mais uma vez. 

Yoongi não conseguiu evitar sorrir. 

— Eu tenho uma surpresa pra você. — Confessou. 

Taehyung arregalou os olhos, empolgado. 

— E o que é? 

— Antes você tem que me contar com quem 'tava conversando enquanto eu estava saindo do banho. — Yoongi cruzou os braços, curioso. 

— Ah, era só com os garotos da porta ao lado. Você acredita que eles são aqueles mesmos do karaokê? Jimin e Jungkook. Eles vieram trazer bolinhos de arroz para dar as boas-vindas. — Taehyung contou, sorridente. 

— Isso sim foi uma coincidência. — Yoongi riu. — Cadê os bolinhos? 

— Por sorte eu coloquei o prato em cima da mesa da cozinha. Senão já estaria espatifado aqui no chão no momento em que você apareceu assim tão lindo, hyung. 

Yoongi voltou a rir e segurou a mão de Taehyung, o puxando em direção ao piano. 

— Você 'tá me elogiando tanto, que eu acho mesmo que merece a surpresa que planejei. 

Taehyung franziu o cenho, confuso. 

— E qual é a surpresa, hyung? 

— Eu vou tocar piano pra você. 

Os olhos de Taehyung brilharam tanto em empolgação e ele sorriu tão abertamente, que poderia até cegar alguém. 

— É sério mesmo, hyung? 

— Você sabe, melhor do que ninguém, que eu odeio mentiras. — O loiro riu. — Vem, senta aqui do meu lado e apenas ouça. 

E assim Taehyung o fez. 

E a melodia começou num ritmo lento, baixo e espaçado. As notas musicais preenchendo os ouvidos de Taehyung com delicadeza. Ele encarando o perfil de Yoongi sentado ao seu lado sobre aquele banco de madeira em um tom de verniz avermelhado. O nariz bonito, o maxilar levemente trincado devido à concentração. Os ombros levemente inclinados para frente, seus braços em direção ao piano. As mãos bonitas e branquinhas; os dedos finos sobre as teclas nas cores preto e branco daquele novo piano marrom.  

A delicadeza com que Yoongi deslizava seus dedos sobre as teclas, a música ganhando cada vez mais intensidade. Era uma melodia progressiva; as notas que foram ficando mais rápidas. Os dedos ágeis de Yoongi ganhando mais velocidade sobre aquelas teclas, a música mais alta, mais agressiva. 

O coração de Taehyung batendo mais rápido, sentindo a emoção através daquela música. Um sentimento bom; algo crescendo dentro de si assim como a melodia progressiva que Yoongi tocava. Um sentimento de euforia. 

Taehyung conseguia sentir que aquilo era a vida de Yoongi; a música. O loiro fechando os olhos, os dedos habilidosos deslizando por aquelas teclas. 

Não era só a beleza daquela música, não era só o talento de Min Yoongi. Era ele por inteiro; e não apenas seu corpo, era também sua alma. 

Taehyung não tinha mais dúvidas de que a cada nova nota tocada por Yoongi, ele se apaixonava ainda mais por aquele garoto. Por aquela música.  

As notas voltaram a ser espaçadas e mais baixas. Uma melodia mais calma como começara anteriormente. E então Taehyung foi possuído por uma sensação de bem-estar. E ficou sem fôlego quando Yoongi voltou a percorrer os dedos rapidamente pelas teclas. Novamente o som alto, a progressão. A melodia intensa, rápida e profunda estava lá mais uma vez, preenchendo o cômodo inteiro e o coração de Taehyung também. 

Yoongi franziu o cenho levemente. A música voltou a ficar baixa, as notas espaçadas. A delicadeza com que percorria os dedos pelas teclas daquele piano. 

Um suspiro profundo; calmo. A última nota que ecoou pela sala de estar. 

Taehyung boquiaberto por perceber que fora tomado por tantas emoções diferentes através daquela música. Seus batimentos cardíacos voltando ao normal aos poucos. Aquela sensação de calmaria após toda a euforia causada por notas e melodias tão distintas e intensas. 

Yoongi tirou as mãos de sobre as teclas do piano, virou para o lado e olhou no fundo dos olhos de Taehyung. 

O loiro abriu aquele sorriso que Taehyung achava tão adorável. Um sorriso sincero e bonito, que mostrava suas gengivas e seus dentes brancos. 

Os olhos de Taehyung tinham um brilho diferente. O garoto estava sério. A boca parcialmente aberta, não sabia o que fazer ou falar. Fora entorpecido pela beleza de Min Yoongi e sua música. 

— Posso te pedir uma coisa? — Yoongi perguntou, segurando ambas as mãos de Taehyung. 

O mais novo suspirou. 

— Tudo o que você quiser, hyung. — Finalmente conseguiu sair de seu torpor, sorrindo. 

Yoongi entrelaçou seus dedos aos do mais novo. 

— Nunca solte a minha mão. — Ele apertou mais as mãos de Taehyung contra as suas. — Eu nunca soltarei a sua. 

Taehyung assentiu, abrindo aquele sorriso retangular tão único e bonito. 

— Não soltarei, hyung. Nunca. — Ele se inclinou para frente e beijou os lábios de Yoongi com carinho, logo se afastando para encarar aquele rosto tão bonito a sua frente. — Eu te amo, Yoongi hyung. 

O loiro sentiu seu coração acelerar e suas bochechas esquentarem. Não tinha dúvida de que tomara a decisão certa. 

— Foi a primeira vez que toquei essa música pra alguém. Você gostou? 

— Eu... — Taehyung não sabia o que dizer. Fora tudo tão incrível. — Eu só sei que foi uma das melhores sensações que eu já tive na vida.  

Yoongi sorriu em satisfação. 

— Sabe, essa música ainda não tinha um nome. Até agora. — Confessou. 

Taehyung acariciava uma das mãos do loiro com o polegar, seus olhos demonstrando sua excitação e expectativa. 

— E você quer me contar o nome da música, hyung? 

Yoongi assentiu. 

— First Love. — Ele disse. 

Porque era isso mesmo. O primeiro amor. Fazia jus àquela música. Uma montanha russa de emoções, altos e baixos, uma melodia progressiva e de tirar o fôlego. Uma sensação de calmaria, bem-estar; euforia.  

Taehyung riu. 

— Primeiro amor, hyung? 

Yoongi assentiu. 

— É o que você é pra mim. E essa música é pra você. Toda sua. E, sim, eu também te amo. — Finalmente confessou. 

Taehyung sorriu ainda mais. 

— Eu definitivamente nunca vou soltar a sua mão, Yoongi hyung.  

E depois disso, as bocas dos garotos se encaixaram perfeitamente; com as línguas dançando em sincronia, como se ainda estivessem ao som daquela melodia que era calma e ao mesmo tempo intensa. 

E Taehyung e Yoongi estavam (re)começando bem. Seria a primeira noite deles juntos no apartamento novo. 

First Love. 



Notas finais do capítulo

Algumas explicações:
* Sim, o Yoongi tocou First Love no piano, mas não cantou. Foi só a melodia mesmo (instrumental), porque se tem uma coisa que eu acho linda de se ouvir e que me causa mil e uma sensações diferentes, essa coisa é First Love no piano, apenas a melodia. É incrível.
* Apesar de aqui o Yoongi não ter cantado, eu usei algumas frases de First Love (aquela parte sobre não soltar a mão existe na letra da música, por isso eu quis trazer isso pra cá, porque Taegi tem mesmo um lance sobre ficar de mãos dadas, não soltar as mãos. Uma coisa que acho que toda Taegi shipper sabe da onde vem e o significado disso pra eles. Algo que o Yoongi começou lá na segunda temporada do Bon Voyage).
Então, dadas as explicações...
A fanfic chegou ao fim com esse capítulo. Mas sempre dá tempo de comentar, favoritar e/ou quem sabe recomendar. Estejam à vontade *risos*
Obrigada a todos que leram e um obrigada ainda maior a quem comentou :) 
Espero que tenham gostado da fanfic!

Xoxo,
G a b i. 
(De 09/03/2018 à 11/05/2018)

P.S.: Pra quem também gosta/shippa Yoonkook, muito em breve estarei postando uma One Shot desse ship! Então fiquem ligados ;)



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