Complexo 01 escrita por Melissa Salvatore


Capítulo 2
Bruxa sem regras.


Notas iniciais do capítulo

*E aqui estou eu de novo, o bom filho a casa retorna...
*Desculpa a imensa, gigantesca demora, não prometo nada, mas vou tentar atualizar sempre, afinal já tem bastante coisa escrita.
*Vamos ao capitulo



Este capítulo também está disponível no +Fiction: plusfiction.com/book/756161/chapter/2

Depois de tudo

Depois de correr, Olivia se materializou em frente a uma casa, a sua antiga casa. Fugir do complexo não tinha sido fácil, e olhar pra Ethan e saber que ele iria ficar, menos ainda, mas aquela era a sua casa, da sua família a saudades era tanta que apertava o peito, embaraçava os olhos, não via a hora de abraçar seus pais, ou seus dois irmãos mais novo, gêmeos. Apesar de ser uma bruxa, ela tinha sentimentos. TINHA.

Tomou coragem e abriu a porta, assim que entrou em casa, estranhou o mesmo estranho silencio estava lá. Ignorou. Procurou na sala, cozinha, quintal, sala de estar, ninguém, não tinha achado ninguém, decidiu então subir as escadas, talvez estivessem dormindo. Afinal que horas eram?! Subiu, gritou pelos seus nomes, mas nada, absolutamente nada, começando a ficar desesperada, Olivia decidiu então ver os quartos, pior decisão tomada. O quarto dos gêmeos era azul claro, o mesmo azul do seu quarto no complexo, tinha uma prateleira com bonecos, guarda-roupas, típico quarto de meninos de 5 anos. Bom nem tão típico, tinha sangue por todas as paredes escorrendo como se tivesse sido jogado, e tinha. O chão era repleto de sangue e pedaços de carne, e nas camas dos gêmeos seus corpos, ou o que sobrou deles. Assustada Olivia seguiu para o quarto dos pais, pensava que era só um pesadelo e logo acordaria. Doce engano.

O quarto dos pais, estava uma verdadeira zona de guerra, sua mãe, estirada no chão, com olhos abertos e a barriga dilacerada, a boca formava uma linha rígida, mas Liv ainda era capaz de ouvir os gritos sufocantes dela. O pai era quase impossível de reconhecer, estava perto da porta da varanda que o quarto possuía, mas seu braço direito estava jogado na direção oposta. Seus olhos refletiam medo. O sangue assim como dos gêmeos estava espalhado pelas paredes e chão. Jamais se esqueceria.

Ela desceu as escadas o mais rápido que conseguia, parou na cozinha, pegou num copo e encheu de água. Bebeu. Mas ainda estava com a garganta seca, chegou a conclusão de que não era sede de água, era desespero. Gritou. E gritou de novo, mas assustadoramente o silencio não mudava. Não ia mudar. Não tinha ninguém vivo ali, exceto ela. Ate que palmas foram ouvidas, vinha da soleira da porta da cozinha. Em um rompante Oliva se virou, os olhos banhados por lagrimas, as bochechas coradas, e o peito subia e descia. Quem quer fosse não parou de aplaudir.

“Então é assim que a grande e forte Olivia reage?!”

“Marcos”

Não era surpresa, se alguém sabia ser sarcástico ate naquele momento, esse alguém seria Marcos. 19 anos, 1.75, olhos verdes, cabelos castanhos, musculoso, era sua definição física, agora mental, não tinha como definir. Ele era o único que entendia e sabia sobre Olivia ser uma bruxa, afinal ele também era um bruxo, não tão poderoso como ela... Se conheceram ocasionalmente, um passeio de Olivia com os irmãos, um deles acabou derrubando Marcos e a partir  dai tanto ele como Olivia mantiveram contato, viraram amigos, ate confidentes. Ate que Olivia foi levada.

“Então não vai responder?!”

“O que quer Marcos?! Que eu sorria, que eu pule de alegria, eu sou sequestrada, presa por muito muito tempo, e quando volto encontro minha família assim, a pelo amor né!”

“Admito que fui longe, mas você já viu o escritório?”

Sem falar nada Olivia foi ate o escritório, a porta estava entreaberta, mas o cheiro já denunciava que não tinha nada de bom lá dentro. Abriu a porta, a primeira coisa que viu foi a parede central do cômodo, com uma bela escrita, em sangue. Não aguentou entrar. Fechou a porta e voltou pra cozinha.

“Você já tinha visto, Marcos?”

“Não, mas pelo cheiro deduzi, na verdade eu venho de dois em dois dias saber se você tinha voltado. Quando cheguei hoje estava tudo fechado, então esperei sentado nos degraus da casa em frente, vi você entrar, mas decidi lhe dar seu tempo com sua família, se soubesse que era isso que ia ver eu... Eu...... Me desculpe”

“Desculpe?! Marcos não foi você não e?” Com um aceno de cabeça o garoto disse que não. “Então não há com que se desculpar, saia quero ficar sozinha, acho que entende”

Outro aceno dizendo que sim, ele saiu, mas Olivia sabia que ele ia esperar do lado de fora por ela, decidiu subir de novo, dessa vez foi no seu quarto. Estava tudo do jeito que se lembrava, as fotos, os desenhos, as palavras dos feitiços, colocadas encima da cômoda, a cama feita, estava com seu jogo de lençol preferido. Decidiu deixar a nostalgia, foi no armário pegou uma bolsa grande, estilo de fazer academia, colocou umas roupas, seu caderno de desenho, estojo, dois sapatos, e deixou tudo encima da cama. Rumou ao banheiro.

Quando se viu no espelho não se reconheceu, via uma garota pálida, de cabelos negros, e olhos mel, com olheiras, e manchas de sangue pela roupa, não sabia se era seu ou de sua família. Tomou um banhou, de cabelos molhados, colocou uma calca preta, regata, e jaquetas pretas, procurou pelas suas amadas botas e as colocou. Pegou sua bolsa, pos seus pertences de higiene, pegou as fotos com que estavam na cômoda, aquilo seria a única lembrança de sua família, a chaves da casa, a chave do carro, sua carteira, dinheiro, enfim tudo que ia precisar. Saiu. Fechou a porta do seu quarto, fez o mesmo com os outros, desceu as escadas e olhou uma última vez para a casa, aquilo fora o seu lar. Apenas fora.

Um sussurro e tudo era cinzas e fumaça. Uro, fora o que Olivia disse, “queime”, e aquela casa, os corpos, o sangue, tudo, já não passa de uma lembrança, sendo levada pelo vento.  Feito isso, ela saiu, entrou no carro, jogou a bolsa no banco de trás e assoviou pra Marcos, que levantou a cabeça, para olha-la, não espera ver ou ouvir aquilo.

“Vem, vamos sair daqui, temos muito oque fazer” A garota dizia com um sorriso nos lábios, não era o sorriso de sempre, era misterioso, traiçoeiro, seus olhos brilhavam, não por conta das lagrimas, mas sim por outra coisa. Ódio. Vingança. Sem dizer nada Marcos, subiu no carro.

“Não tenho nada aqui, estou sem.....”

Com um estalar de dedos Olivia fez um bolsa assim como a dela  aparecer no colo de Marcos, que a olhou surpreso, mas com uma pitada de repreensão.

“Liv, já conversamos sobre isso”

“Eu sei Marcos, mas o que que tem, eu era outra Liv, agora estou mudada, aquelas regras não se aplicam a mim, não mais”

Conformado o garoto se ajeitou no banco do passageiro.

“Pra onde vamos?”

“Não importa, não agora, mas garanto que vai ser divertido”

E com uma longa risada, Olivia deu partida no carro, colocando o óculos de sol, e acelerando em direção ao seu único objetivo: vingança. Não importava mais Ethan, não importava complexo, não importava sentimentos, o que importava era sangue, morte, vingança. Já não era mais a Liv do complexo que Ethan conhecera, nem mesmo a Olivia de Marcos, era Liv, a garota sem coração, a bruxa sem regras.

A única coisa que importava era a frase do escritório.

“ELES JÁ FORAM, FALTA VOCÊ, E NÃO PENSE QUE VAI ESCAPAR.

1 x 0 OLÍVIA, CUIDADO” 


Não quer ver anúncios?

Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no Nyah e em seu sucessor, o +Fiction, durante 1 ano!

Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!




Hey! Que tal deixar um comentário na história?
Por não receberem novos comentários em suas histórias, muitos autores desanimam e param de postar. Não deixe a história "Complexo 01" morrer!
Para comentar e incentivar o autor, cadastre-se ou entre em sua conta.