Os Guardiões do Tempo: Agentes da Ordem - Parte II escrita por R G Assis


Capítulo 17
Capítulo 15 - Vidas cruzadas




Sabia que o momento havia chegado assim que viu a jovem Melanie e Ben saírem com seus cavalos em direção a clareira, onde seriam atacados pelo exército saxão e iniciariam a carreira de eventos daquele dia, o que incluía a morte de Dom.

Melanie não os seguiu, entretanto, decidiu ficar no castelo, se encontrava agora sozinha na sala de feitiços, Merlin já havia saído há algum tempo sem lhe dizer exatamente o que faria, deixando-a com seus pensamentos. Melanie achava que o pior seria esperar pelos acontecimentos, mas quando ouviu o sino tocar alto, percebeu que a ansiedade da espera não era nada comparada ao medo de não saber o que fazer.

Colocando a capa sobre os ombros e o capuz sobre a cabeça, saiu às pressas da sala, com toda a movimentação ocorrendo no castelo, ninguém prestaria atenção em Melanie, na verdade, talvez não restasse ninguém para nota-la, pois todos já estavam sendo levados para as salas escondidas pelo castelo.

Decidida, Melanie seguiu para seu antigo quarto, ainda não sabia o que faria, esperaria para ver Dom para se decidir, sua versão jovem ainda não chegara, ficou esperando no corredor longe da vista, em poucos minutos a jovem Melanie chegava correndo batendo com tudo na porta, Melanie chegou a sentir a dor em seu ombro direito, esperou um pouco mais, logo depois Dom vinha em direção ao quarto, entrou e saiu segurando a jovem Melanie pelo braço, a arrastando corredor a fora.

Melanie os seguiu pelos corredores, não tinha certeza ainda do que faria, pensou em distrair os saxões, pensou em desvia-los em outros corredores, mas não teve tempo, logo encontrariam Dom, pensou em todas as conversas que tivera com Merlin, de como não poderiam mudar a linha temporal, Melanie lhe contou sobre a morte de Dom e Merlin recomendou que Melanie nada fizesse, se na linha temporal original ele morrera, assim deveria ser. Mas Merlin não estava lá naquele momento, em um momento em que Melanie precisava de sua presença.

Se escondeu assim que viu os saxões vindo em sua direção, eles passaram por ela rápido, seguindo em direção a Dom e a jovem Melanie, Melanie não se moveu, não conseguiria ver, quando ouviu o primeiro retinir de espadas, se decidiu.

Correu em direção aos sons de luta, uma espada tinha rolado pelo corredor, pegou-a e virou a tempo de ver um saxão pronto para apunhalar Dom, sem pensar, Melanie cravou sua espada nas costas do homem a frente, fazendo a espada desviar do peio de Dom e passar pelo espaço entre suas costelas e seu braço direito, causando um pequeno ferimento superficial.

Olhou o homem caído a sua frente, percebendo em choque que aquela fora a primeira vez que tivera de tirar a vida de alguém, deixou cair a espada de suas mãos tremulas, encarou o rosto severo de Dom que já com sua espada em mãos apontou a lamina em direção a Melanie perfurando o corpo que a atacava por trás, o último dos saxões que os havia atacado.

Olhando para Dom que abaixou a espada observando ao redor o que tinha feito, de repente sua imagem despertou algo nas lembranças de Melanie, a postura, o sangue espirrado nas vestes escuras, o olhar, não pode ser! Melanie não entendia como não havia pensado nisso antes, agora começava a compreender cada vez mais o seu papel como Teresa, pois acabara de salvar aquele que seria o novo líder saxão, afinal, Dom era irmão de seu marido.

***

Já fora do castelo, voltando ao estábulo para pegar seus cavalos, Arthur não gostava de exigir tanto assim de Dama mesmo não podendo evitar, Dario e Ben seguiam a frente, nenhum deles ainda tinha dito uma palavra sequer, seguiam em silêncio absoluto.

Naquela hora, perto do anoitecer, quase se via o crepúsculo no horizonte, ninguém se encontrava nos estábulos, além de é claro, um único tratador que os alimentava e limpava, os outros não estavam lá. Os três seguiram cada um à sua respectiva montaria para arrumar suas selas, o que não era um costume comum entre nobres, onde estes gostavam de montar em cavalos já preparados, mas na corte do rei Arthur não, todos cuidavam de seu próprio cavalo.

Antes que pudesse preparar Dama, Dario aconselhou Arthur a ir com Sagaz, o corcel negro de Dom, pois se sairiam a noite, Dama chamaria muita atenção, Arthur concordou e somente depois de terem arrumado todos os preparativos foi que Dario os chamou para uma pequena reunião de estratégia.

"Antes de irmos, preciso ter uma ideia da área, Ben você espionou para... e sabe onde os saxões estão montando acampamento, certo?"

Ben acenou afirmativamente, todos meio tensos com a simples menção ao nome de Dom.

"Tudo bem, é uma área de fácil acesso?"

"Isso depende de pôr qual entrada iremos."

"A mais rápida."

Cortou Arthur. Dario suspirou.

"Nesse caso entraríamos pela direita do acampamento, em uma área da floresta mais fechada, com um pequeno morro para escalar, mas é o único lugar que eles parecem não se preocupar em vigiar. Da última vez que chequei se encontravam a uma distância equivalente do vale até o castelo, estavam fundo na floresta, acho que ainda estão, mesmo agora que tiveram de fazer um ataque rápido duvido que tenham mudado o acampamento de lugar, eles não arriscariam estar tão próximos de nós ou perder tanto tempo trocando de lugar."

Dario continuou.

"E como é constituído o acampamento, onde estão posicionados os sentinelas, as tendas, tudo?"

Mesmo sabendo que tudo aquilo era necessário, Arthur estava inquieto e ansioso, queria sair logo dali, sentir a sensação de estar ao menos tentando fazer algo para ajudar, algo para salvá-la.

"Certo, analisando a área por onde entraremos, à frente estão montadas as forjas junto com fogueiras que também servem para o preparo de alimentos, do lado esquerdo parece que estão os alojamentos, do direito não sei ao certo. As sentinelas andam ao redor, tendo pelo menos, quatro no meio das árvores. Também não temos como saber onde eles colocariam um prisioneiro. "

A última palavra soou com uma intensidade diferente, que foi sentida por todos.

"Mulheres e crianças?"

"Vi algumas sim, também tem jovens que não devem chegar aos 13 anos."

Dario considerou todas as informações, era assim que ele agia, sempre analisando todas as opções para assim criar a melhor estratégia possível, de preferência uma que não causasse baixas em ambos os lados, ele era um exímio estrategista.

"Então nesse caso teríamos de nos separar, não é a minha estratégia favorita, não gosto da ideia de entrarmos sozinhos sem nenhum tipo de reforço, mas infelizmente não vejo o que mais poderíamos fazer."

Dario olhou para os dois confirmando se estavam de acordo. Eles assentiram, Dario prosseguiu.

"Não poderemos os três entrar ao mesmo, Arthur e Ben, vocês se infiltrarão, enquanto eu ficarei ao redor observando para ajudar caso precise causar alguma distração ou algo do tipo. Ben como você é o melhor de nós se tratando de infiltração, você irá primeiro pelo lado mais aberto do acampamento, Arthur tentará seguir pelo lado que seja mais fácil de se ocultar. Não poderemos cometer erros, não poderemos ser vistos, vocês sabem o que está em jogo."

Seu olhar era intenso, como o pai parecia conter certa fúria, Arthur não podia culpá-lo, também não poderia culpar Ben de sorrir de satisfação naquele momento, parecia que ele estava pronto para esmagar um exército com as próprias mãos, já Arthur ainda não sabia como se sentir, aquele torpor continuava a tomar conta dele, vez ou outra o deixando tonto, respirou fundo tentando se concentrar no que tinha de fazer.

Dario olhou para o céu.

"Vamos esperar até o anoitecer para sair..."

Percebendo que Arthur e Ben protestariam, logo completou.

"Para não corrermos o risco de sermos vistos."

Arthur concordou finalmente olhando para Sagaz, seria bom ir com Sagaz, seria como ir com uma parte de Dom os acompanhando, sorriu pensando na ideia de ter o irmão ao seu lado.

***

Na escuridão que se seguia, podia sentir tudo novamente, os cortes, os hematomas, a dor, sentia seu olhar em suas costas, se pudesse vê-lo, tinha certeza da expressão consternada que estaria estampada em sua face, respirou fundo para o que tinha de fazer, sabia que tempos difíceis estavam por vir e mesmo assim também sabia que não fraquejaria, ela sabia que nunca estaria sozinha, não quando estava cercada das pessoas que ama, não quando sabia que lutaria até o fim, os protegendo, sempre.

Melanie se escondia entre as árvores vigiando o acampamento junto a Dom, no momento em que o salvara tivera de lhe contar a verdade, revelou sua aparência para conseguir convencê-lo mais rápido, assim que a viu, Dom deu alguns passos para trás sem entender.

"Melanie... como é possível? Eu acabei de manda-la embora... além disso, você, você está."

"Velha? Sim Dom, sou eu, sinto muito não ter tempo para explicar, somente peço que por favor, confie em mim, temos de sair daqui agora."

Explicou para Dom o pouco que conseguiu no tempo em que se aproximava de um dos corpos espalhados pelo chão e o transformava, fazendo-o assumir a aparência de Dom. Praticamente o arrastou dali depois e continuou com as explicações, pelo menos aquilo que Dom conseguiria entender, enquanto pegavam os cavalos e seguiam em direção ao acampamento saxão.

Dom não aceito no começo que deveria fingir sua morte, mas confiou em Melanie e ficou ainda mais convencido, quando no momento em que se esconderem na floresta, viram o corpo jovem de Melanie ser cruelmente arrastado por um cavalo pela floresta, deixando um rastro de sangue.

Dom lamentou tanto por tudo que Melanie tivera que passar, jurou que a ajudaria, faria o que fosse preciso, inclusive, ficar longe da família para poder ajuda-la, Melanie nunca se sentira tão grata, não só soubera que Teresa salvará Dom desde a primeira vez que estivera aqui, como também agora podia ter esperanças de salvar a si mesmo no final.

 





Hey! Que tal deixar um comentário na história?
Por não receberem novos comentários em suas histórias, muitos autores desanimam e param de postar. Não deixe a história "Os Guardiões do Tempo: Agentes da Ordem - Parte II" morrer!
Para comentar e incentivar o autor, cadastre-se ou entre em sua conta.