Sonhos de Grãos de Areia escrita por LaviniaCrist


Capítulo 7
Encantador


Notas iniciais do capítulo

Eu aconselho para lerem enquanto ouvem a Silence de Beethoven.
Link: https://www.youtube.com/watch?v=YFD2PPAqNbw



 

Temari acordou em seus aposentos, sentindo uma leve brisa da primavera tocar seu rosto. Ela sentou-se na cama e olhou em volta, estranhando o ar tão fresco àquela hora da manhã. Não demorou até que a garota se levantasse assustada.

Ela não reconheceu aquele lugar como Suna, nem aquele quarto como seu e muito menos as vestimentas que usava como suas roupas. Parecia mais com um ambiente de conto de fadas.

Apesar de tudo ser estranho demais, ela abriu um grande armário que tinha no comodo em busca de alguma coisa que a ajudasse a sair dali ou ao menos entender o que havia acontecido, ficando decepcionada. O que tinha dentro daquele móvel de madeira maciça eram roupas volumosas, coisas que ela jamais pensou em ter ou vestir, já que só iriam atrapalhar em sua locomoção.

“Isso é uma brincadeira, né? ”

Ela pensou, bufando e passando as mãos no rosto.

Em passos impacientes, ela caminhou até uma grande janela que havia ocupando quase toda uma parede daquele quarto estranho. Tentando ser o mais delicada que a situação permitia, Temari afastou gentilmente a cortina de rendas e babados para poder ter uma visão melhor do local em que estava.

Era alto...

Bem alto.

Alto demais!

Era uma altura em que ela jamais imaginou ser possível estar, já que abaixo daquela janela podia-se ver as nuvens. Aquele lugar com certeza não era Sunagakure e aquela vista estava a deixando com vertigens.

“O jeito vai ser usar a saída tradicional...“

Toda sua experiência em missões a alertava que o lugar menos seguro de sair de um ambiente desconhecido é a saída propriamente dita. Ela poderia estar sendo cercada por inimigos, poderiam ter armadilhas atrás da grande porta decorada que ela encarava.

Coisas demais para pensar.

Ações de menos para fazer.

A garota tomou folego, se preparou e correu em disparada para se chocar contra a porta e abri-la, afinal, quem precisa de uma chave mestra quando se tem a força do vento ao seu lado? Só havia um problema: ela não estava mais controlando o vento.

O choque foi breve e forte. A porta, que mais parecia ser feita de isopor, se partiu em pedaços fazendo com que a Sabaku caísse do lado de fora e, por milímetros, não saísse rolando escada abaixo.

A jovem se levantou, bateu a poeira e olhou em volta.

Como se já não bastasse acordar em um lugar bizarro como aquele quarto, tudo só ficava ainda mais estranho a medida que ela tentava olhar para onde davam as escadas. Parecia o fundo de um poço profundo, com a escadaria em espiral grudada nas paredes e sem apoio do outro lado.

Temari começou a descer, degrau por degrau, lentamente.

Passou-se bastante tempo e ela já não conseguia enxergar mais nada a sua frente devido à escuridão, tendo que se apoiar nas paredes de rocha áspera para continuar a decida.

Os únicos sons que ela ouvia eram do próprio caminhar.

A cada passo, era ainda mais difícil de desgrudar o pé do chão e depois apoia-lo de forma firme, os degraus estavam pegajosos devido ao musgo e a umidade.

— Essa droga só fica mais grudenta! — Temari bradou, irritada, o que fez com que a frase ecoasse algumas vezes até o silencio ser restaurado.

Os passos pegajosos continuaram, até que ela escorregou e caiu sentada.

— Mas que... Argh! — a loira tentou se levantar, acabando por cair novamente, dois degraus mais à frente.

Desta vez, além do som de sua queda, ela pode ouvir uma risada baixa e abafada.

— Quem está ai!? — olhar em volta foi em vão, nada podia ser visto no meio daquela penumbra.

Ela continuou sua descida, tentando ser o mais ágil possível, até que foi interrompida por alguma coisa parada em sua frente.

As risadas recomeçaram, agora bem mais altas.

— O-o que... Quem está ai!?

A risada só aumentou de intensidade, enquanto a tal “barreira” a segurou e a prendeu pela cintura.

— Irmãzinha, você deveria estar de castigo no quarto, jaan... — e, novamente, as risadas recomeçaram.

— Kankuro... — a voz saiu irritada — Sabia que essa brincadeira idiota tinha seu dedo!

— Que brincadeira? — o irmão, que estava alguns degraus a frente dela na escada, estalou os dedos e todas as velas posicionadas ao longo das paredes da torre se acenderam.

— Esse lugar! Essas escadas sem fim! Essa... Essa sua roupa idiota! — agora as risadas eram dela.

Kankuro nunca teve um senso estético comum, mas também nunca foi tão exótico. Ele estava vestido com grande sobretudo preto com detalhes em um roxo brilhoso, um chapéu pontudo e usava um braço de marionete como se fosse um cajado. Isso tudo sem contar na pintura facial, que pareciam rabiscos feitos feita por uma criancinha.

— Qual a graça!? — o rapaz perguntou irritado, cruzando os braços e fazendo com que o “cajado” ficasse com a mão no queixo dele, em uma pose de pensador.

— Você está tão ridículo quanto as suas marionetes! — ela riu ainda mais, se soltando de Kuroari, a barreira que a segurava, e empurrando Karasu para que saísse de sua frente, ambas as marionetes estavam com os mesmos trapos de sempre.

— Temari... — a voz de Kankuro saiu em um rosnado — Nós não somos ridículos! — ele respondeu dramático, passando por ela nas escadas e indo até suas marionetes amadas. — Não liguem para ela, tá? — ele abraçou Karasu enquanto fazia carinho no cabelo de Kuroari com seu "cajado".

— Claro que não são ridículos... — ela olhou-o, sorrindo de canto — são patéticos! — ela riu novamente, aproveitando a passagem livre e iluminada para continuar seu caminho.

A descida até o final da escadaria foi bem mais curto do que se poderia imaginar. Em poucos minutos ela já havia chego ao corredor na base da escada. Era um lugar extenso e vazio, no qual ela permaneceu andando em busca da saída.

A momento algum o corredor fazia curvas ou mudava em algo, até que ela notou uma grande porta em seu final. Era ainda maior do que a porta do quarto e, por experiência, ela decidiu tentar abrir antes de tentar arrombar.

Ao ser aberta, as madeiras da porta rangeram e alertaram que algo adentrava o comodo amplo e com uma iluminação fraca. Temari conseguiu notar grandes pilhas com algo dourado e brilhoso, provavelmente pó de ouro, em todo o lugar...

— Quem ousa entrar aqui? — a voz rouca de Gaara era inconfundível.

— Gaara... — ela sorriu, um pouco mais animada, até que se deparou com o rapaz com parte do corpo transformada no Shukaku. — O-O que houve?

— Você não deveria estar aqui... — o olhar dele era irritado, enquanto uma das grandes patas do guaxinim se moveram em uma tentativa de ataque — Eu sou o guardião deste lugar e não vou deixar ninguém passar!

— Ei, Gaara! — ela desviou do ataque com maestria — Sou eu, lembra!? A Temari, sua irmãzinha preferida!

— Não você! — ele disse irritado, atacando o mesmo lugar de novo, mesmo que ela já não estivesse lá e ele só chocasse a pata contra uma pilha de pó de ouro — Quem ousa me desafiar assim!?

— Droga, fui descoberto tão fácil!? — no meio da poeira de ouro, surgiu uma silhueta esguia e um tanto atrapalhada, tentando fugir do próximo ataque — Eu sou Daimaru da Nuvem Vermelha da Poeira! — enquanto falava, ele deu um sorriso galanteador para Temari e lançou um beijo ao ar — Vim salvar a bela princesa!

“Logo... Você...”

— Jamais permitirei! — dessa vez Shukaku se apossou mais ainda do corpo de Gaara, enquanto tentava alcançar Daimaru com suas patas.

— Eu também não permito! — Temari apontou para onde o seu “príncipe encantado” tentava se esconder.

De todas as pessoas que ela poderia pensar em participar daquele sonho louco, Daimaru nem de longe era o cogitado para o papel de seu salvador. Falando em salvação, ela precisava descobrir aonde o seu belo adormecido estava e se precisaria salvar ele...

Aproveitando a distração de Gaara e Shukaku em uma perseguição atrás do príncipe errôneo, Temari conseguiu achar uma pequena saída daquela sala que mais parecia um cofre gigantesco. A porta era pequena e escondida, sorte a dela não ter vestido aquelas roupas que achou no armário, caso contrário não teria conseguido sair.

O lado de fora parecia um mundo perfeito e mágico onde a grama era em um verde intenso, as plantas se enroscavam umas nas outras e mesclavam suas cores vibrantes, os raios do sol iluminavam tudo e a brisa fresca acariciava a pele. E, dormindo como já era de se esperar, um rapaz de cabelos negros estava no meio de um descampado. Parecia ter pego no sono enquanto observava as nuvens do céu, da forma mais tranquila que se poderia imaginar.

A loira se aproximou lentamente até que se sentou ao lado do rapaz e apertou levemente a bochecha dele, falando risonha:

— Acorda, belo adormecido. Sua cavaleira chegou!

— Pode esperar mais um pouco? — ele bocejou, se aconchegando melhor na grama.

A heroína riu e se deitou ao lado dele, olhando as nuvens.

— Acho que cinco minutos não vão fazer mal... — ela disse em um tom preguiçoso, fechando os olhos e se aconchegando perto de Shikamaru.

Quando finalmente acordou, Temari se deu conta de que estava dormindo no sofá de sua casa, que seu “belo adormecido” estava passando a ponta dos dedos gentilmente em sua testa e ela ainda segurava um livro de contos infantis que tinha começado a ler momentos antes.

— Acha que o Shikadai vai gostar dessa historinha? — o Nara perguntou gentilmente, mantendo os carinhos.

“A história do livro que compramos para ele...”.

Temari se recordou de onde saíram as ideias daquele sonho estranho.

— Tanto quanto eu gostei, não... — a loira sorriu.

— Como assim? — o olhar deixava claro o quão desentendido do assunto ele estava, chegando a afastar a mão dela.

— O meu final foi mais divertido! — a resposta foi acompanhada de um sorriso largo e alegre, como só ela poderia dar.

Apesar de não entender bem a resposta, Shikamaru sorriu assim como sua esposa e voltou aos carinhos.

 



Notas finais do capítulo

Lembram-se daquela semana em que eu não coloquei um capítulo? Agora está tudo em ordem, ;)
Espero que tenham gostado!
Sugestões para próximos capítulos, dicas, críticas e observações são muito bem-vindas.



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