Sonhos de Grãos de Areia escrita por LaviniaCrist


Capítulo 12
Presente


Notas iniciais do capítulo

Aconselho a lerem enquanto ouvem Stay in Memory de Yiruma.



 

Uma pequena garotinha corria pela casa, indo em direção a cozinha. Ela havia guardado lá alguns doces e, como queria dar algo especial para uma pessoa especial, iria os entregaria ainda pela manhã.

A garotinha não os encontrou no mesmo lugar em que havia deixado, procurou perto, dentro de alguns potes e gavetas, porém não os encontrou em lugar algum...

— Kankuro, você viu aqueles doces que eu comprei ontem? — ela encarou o irmão, sentado à mesa, brincando com uma pequena marionete.

— Vi...

— E então? — ela foi até ele, ansiosa pela resposta.

— Estavam gostosos — ele sorriu, se levantando.

— Kan-ku-ro... — ela silabou de forma irritada.

— Ninguém mandou deixar eles jogados por ai! — o garoto disse risonho, correndo em seguida antes que levasse um corretivo da irmã.

Temari até correu atrás dele, mas assim que viu o pai passando pelo corredor achou melhor se aquietar e pensar em outro presente ou um outro jeito de dar uma lição em Kankuro, o que viesse primeiro.

Agora ela estava em um quarto repleto de brinquedos, sentada no chão e cercada por lápis de cor e folhas de papeis. Se dar doces não havia dado certo, ela faria um desenho bonito acompanhado de uma cartinha.

— Temari... — o irmão caçula a cutucou de leve no ombro — Brincar?

— Não, Gaara... Não estou brincando. — ela continuou focada em seu desenho, já quase terminado.

— Depois? — o pequeno ruivo se sentou ao lado dela, sem se importar de ficar em cima de algumas das folhas e lápis.

— Isso, só depois. — a loira tentou não se irritar, afinal, ele não entendia muitas coisas ainda e provavelmente não sabia que estava atrapalhando ela.

— Temari...

— O que é? — ela estufou as bochechas e encarou o irmão, já incomodada de ser interrompida a todo momento.

— Isso? — ele rabiscou o desenho que a irmã estava fazendo, tentando imita-la.

— Eu não acredito que você fez isso, Gaara! — ela tentou empurrar a mão do irmão e salvar alguma parte do desenho, mas os rabiscos coloridos já haviam tomado conta da maior parte — Por que você não se enterra no meio dos ursos, heim!?

— Tá! — o ruivo sorriu e se levantou, correndo para o lugar onde estavam as pelúcias.

A loira apenas respirou fundo, balançou a cabeça e se levantou. Precisaria agora pensar em um novo presente, em uma maneira de se vingar de Kankuro e uma outra de se vingar de Gaara... Talvez só de Kankuro, já que o caçula não fez exatamente por mal, mas mesmo assim iria ter um castigo.

Andando pelos corredores, desanimada e sem a menor ideia do que fazer, a pequena Temari notou Yashamaru andando apressado e sem o avental com o símbolo de Suna que comumente usava. Curiosa, ela foi atrás.

O tio entrou em uma sala em uma parte em que ela nunca teve vontade de ir, por saber que provavelmente seria proibida a sua entrada. Yashamaru havia deixado a porta entreaberta e, como ela não viu nada demais no que estava fazendo, Temari entrou logo em seguida.

— Yashamaru... — ela falou baixo.

— Sabe que não pode entrar aqui, não sabe? — ele nem sequer olhou para ela, parecia ocupado demais procurando algo em um armário.

— Eu só queria perguntar...

— Temari, podemos conversar depois? Preciso sair e... — sem querer, o mais velho derrubou um pequeno vaso de plantas no chão. Depois de respirar muito e se controlar para não xingar na frente de uma criança, ele continuou — E eu já estou atrasado.

— Seu avental?

— Isso! No avental!

Yashamaru caminhou apressadamente até uma bancada onde seu antigo acessório estava jogado, jogou-o em qualquer outro lugar e pegou um pequeno frasco que estava embaixo dele. Enquanto isso, Temari foi ver o que havia sido derrubado antes: era uma planta um tanto murcha, mas com algumas flores ainda bonitas.

— Temari, vamos?

— Ah... — ela pegou as tais flores e escondeu dentro da roupa, indo até o tio em seguida — Queria ver mais coisas aqui dentro... — isso não foi apenas uma desculpa, a garotinha realmente ficou interessada pelas várias vidrarias coloridas que tinha lá dentro.

— Talvez em um dia que eu não esteja atrasado, tá? — enquanto falava, o mais velho fazia um esforço enorme para segurar o frasco e conseguir trancar a porta, sendo atrapalhado pela pressa.

— Tudo bem, eu também preciso fazer uma coisa! — a loira sorriu e seguiu saltitante pelo corredor.

Pegar aquelas flores até poderia ser errado, mas deixa-las lá para morrer seria mais errado ainda. Talvez, a melhor coisa a fazer seria dá-las de presente! Quem não iria adorar aquelas pequeninas e perfumadas flores brancas de miolo amarelo?

Decidida quanto ao que fazer, Temari seguiu até a cozinha, onde tudo havia começado. Lá, começando a preparar o almoço, estava Kurara. Distraída com a escolha de temperos, a mais velha não notou a presença da filha até que o avental foi puxado cuidadosamente pela mesma.

— Mamãe...

— Temari? — ela sorriu docemente — Algo de errado, querida?

— Para você! — ela estendeu o arranjo improvisado, com uma fitinha amarrando todas as flores.

A mãe sorriu e pegou o presente cuidadosamente, olhando cada detalhe. Em seguida, ela passou a mão em algumas pétalas e depois na bochecha da filha.

— Nardos são tão perfumados... Você escolheu sozinha?

— ... — os olhos verdes de Temari foram de um lado ao outro — Digamos que sim! — ela riu.

Sem conseguir controlar as risadas, Karura também começou a rir. Aquele fim de manhã terminou de um jeito tão bom que Temari se esqueceu completamente dos irmãos.

Só foi uma pena quando a pequenina despertou daquele sonho tão adorável. Ainda com esperanças, ela correu até a cozinha e começou a procurar pelos doces que havia comprado no dia anterior.

— Ei, Kankuro... — ela encarou o irmão sentado à mesa, mexendo em uma pequena marionete — Viu onde estão os meus doces? — ela chegava a ter os olhos brilhando, cheia de esperanças.

— Vi...

— E então?

— Estão onde você sempre esconde, no fundo da penúltima gaveta...

— Não, Kankuro! — a pequena disse irritada, chamando a atenção do irmão — Você deveria ter comido eles!

— Eu não! Se eu tivesse comido, você ia brigar comigo! — ele deixou a marionete de lado e se levantou.

— Mas dessa vez era pra ter comido eles!

— Pra que!?

— Não importa, só come eles logo e finge que eu não sei!

— Que gritaria é essa? — a voz séria de Rasa fez com que ambas as crianças parassem de discutir.

— A Temari ficou louca... — ele fez uma careta para a irmã.

— Você que é um idiota... — respondendo a altura, ela mostrou a língua.

— Não interessa, não quero mais gritaria e nem um ofendendo ao outro! — o olhar sério do pai fez com que os dois acalmassem os ânimos, antes que ficassem de castigo.

Satisfeito com o silencio, Rasa saiu e deixou as crianças sozinhas de novo.

— Temari...

— Hun?

— Ainda quer que eu coma os doces? — Kankuro sorriu, indo até a gaveta.

— Não, deixa pra lá...

— Mas...

— Já disse para deixar meus doces quietinhos — ela bateu o pé.

— Temari... Doce? — Gaara perguntou da porta, curioso sobre o que os mais velhos estariam fazendo.

— Você também não... — ela suspirou.

— Doce, doce, doce... — o caçula ficou andando em volta dela, repetindo a mesma palavra.

Vendo que a irmã estava começando a se irritar de novo, Kankuro fez a mesma coisa que Gaara e começou a andar em volta de Temari enquanto repetiam a palavra “doce”.

Se estressar procurando um bom presente para a mãe poderia ter feito parte apenas de um sonho, mas se estressar com os dois irmãos mais novos se esforçando para incomodarem ela era mais do que real. Ao menos ela poderia se lembrar daquele sonho para se acalmar.



Notas finais do capítulo

Música: https://www.youtube.com/watch?v=d2EPSJ_-prw
Espero que tenham gostado!
Sugestões para próximos capítulos, dicas, críticas e observações são muito bem-vindas.



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