Confissões de uma Odiadora Compulsiva escrita por Lybruma


Capítulo 4
Odeio enfermarias


Notas iniciais do capítulo

Olá pessoas =3 desculpa pela demora.
Não revisei muito bem a história, então me desculpem por qualquer erro.



A primeira coisa que eu vi foi uma luz no meu olho direito. Depois, no esquerdo. E por fim, uma enfermeira.

— Maria Clara? — ouvi uma voz distante e feminina chamando — Maria? — e senti um toque no meu ombro.

Consegui responder com uns múrmuros. Eu estava meio sonolenta e com um gosto meio amargo na boca.

— Maria? — a voz continuava insistindo, e ia chegando cada vez mais perto.

Finalmente me esforcei para sentar na cama e olhar mais ao redor.

Tobias estava no canto da enfermaria, em pé, me olhando com preocupação. A enfermeira da escola estava do meu lado, segurando um termômetro e uma bandeja com algumas bolachinhas e uma maçã.

— O que aconteceu? — perguntei, piscando lentamente e tentando evitar o fato de que tinha um Tobias me observando.

A enfermeira (uma mulher de uns 50 anos, chata e estranha) apenas empurrou a bandeja para mim, fez um sinal para o Tobias e saiu andando.

Claramente o tratamento da enfermaria daquela escola não merecia uma mensalidade tão cara.

Tobias se aproximou rapidamente.

— Você está melhor? — perguntou, aproximando sua mão da minha testa. Eu empurrei-a na mesma hora.

— Sim, eu tô melhor. O que foi que aconteceu?

— Você levou uma bolada na cabeça e desmaiou. Você não tinha comido nada na hora do almoço e juntou com o ocorrido… — ele não terminou a frase, apenas deixou no ar. — Por isso essa bandeja com coisas. Acho melhor você comer tudo.

E foi isso.

“acho melhor você comer tudo”

Eu ia, mas só porque você falou não vou mais”, pensei. Bem criança mesmo. Mas, pensamento infantil ou não, eu não era obrigada.

Tobias viu que eu não mexi um dedo e pareceu não gostar nada.

— Você não vai comer? — ele perguntou, indignado, enquanto o sotaque carioca ficava mais forte (e eu nem imaginava que fosse possível).

Sem respostas de minha parte.

Um minuto de silêncio dele.

Zero movimentação minha.

Movimentação dele, pegando um pacotinho de bolacha e abrindo.

— Abre a boca, Maria Clara.

— Não mesmo— eu ia completar a frase mas, no meio dela, Tobias enfiou a bolacha na minha boca.

ISSO MESMO.

E aquilo foi a gota de tudo pra mim.

Olhei para o carioca metido a besta no olho. Bem no fundo. Com toda a intensidade do mundo. Estava com a mão prontinha para um maravilhoso tapa, que ia deixar a marca dos meus cinco dedos naquela bochecha douradinha de sol…

...quando a enfermeira entrou na sala.

— Ei, ei, ei. Que encaração é essa? Aqui não é lugar de namorar! — a enfermeira repreendeu, achando que estávamos nos encarando para um possível beijo. Ha, ha — Srta. Maria, termine sua refeição. Você já está liberada, suas aulas já acabaram por hoje. Aconselho seu namorado a te levar de carro para casa, não é muito seguro andar de ônibus em suas atuais condições. — e foi embora de novo.

Ah, ótimo, agora eu tinha uma enfermeira achando que Tobias era meu namorado.

— Por que ela acha que você é meu namorado? — perguntei, esquecendo brevemente da bolacha.

— Porque eu cheguei aqui com você no colo e não saí até ter certeza de que você estava bem.

Encarei ele por alguns segundos.

— Hm… okay. Eu estou bem. Pode ir embora agora. — respondi, me levantando. Minha mochila estava encostada na lateral da maca e a dele também — Aliás, de nada por te livrar da aula de educação física.

Ele deu uma risadinha

— Ah, hm, meu pai vai te dar uma carona.

Foi minha vez de dar uma risadinha.

— Rá! Não mesmo. Eu vou sozinha. Relaxa. Não vai dar nad— e mais uma vez fui interrompida naquela tarde. Dessa vez, por uma quase queda na tentativa de decida da maca.

Os reflexos de Tobias eram ótimos, porque ele me segurou como se já soubesse que aquilo ia acontecer.

Ele riu, me levantou e me colocou na maca.

— O que você dizia, Maria? — ele perguntou, sorrindo, enquanto tirava o celular do bolso e digitava alguma coisa nele. — Okay, meu pai acabou de chegar. Vamos?

Pensei um pouco sobre a situação; eu não estava bem e não queria pegar um ônibus lotado.

Eu podia odiar Tobias com todas as minhas forças, mas eu não era idiota ao ponto de recusar uma coisa para o meu benefício (a história da bolacha não conta).

Eu suspirei e, por fim, respondi um “vamos” e desci daquela merda de maca sentindo que estava indo para o abatedouro.

 

Tobias

Quando eu cheguei com Maria nos braços, a enfermeira me olhou assustada. Ela me apontou uma salinha, onde eu entrei e deixei ela em uma maca.

— Okay… O que aconteceu com a mocinha? — a enfermeira chegou perto de mim. Ela tinha uma prancheta em mãos.

— Ela levou uma bolada na cabeça na educação física e desmaiou.

— Qual o nome dela? E você sabe se ela se alimentou adequadamente na hora do almoço?

—Maria Clara e… não, não sei. — a mulher fez algumas anotações na folha que estava presa na prancheta e, por fim, fez uma última pergunta:

— Você é o que dela?

E, dentre todas as opções de resposta que eu poderia ter dado, eu escolhi a mais impossível de todas:

— Namorado.

A enfermeira me olhou estranho.

— E você não sabe se ela almoçou?

Ok. Um furo na história. Sem querer, fiquei vermelho e sem jeito, tentando me explicar.

Só que a moça entendeu outra coisa.

— Pff… esses jovens de hoje em dia. Preferem ficar se beijando do que almoçar…

E, então, foi para perto da Maria, tirando uma lanterninha do bolso e uma seringa (sem agulha), também. O conteúdo da seringa ela despejou na boca dela e, com a lanterna, iluminou os olhos.

 

Maria Clara

O pai de Tobias tinha o sotaque mais estranho do mundo.

E ele não parava de falar, igualzinho o filho.

Era um homem incrivelmente alto, loiro, olhos azuis e branco. Muito, muito branco — provavelmente quando ele ia para a praia deixava no mínimo umas cinco pessoas cegas.

— Olá! Você deve ser a amiga do meu filho, Maria. Que nome lindo! Ah, e você é descendente de chineses??

— Ah, não, de japoneses — respondi, meio sem graça.

— Uau, que legal! Quem da sua família veio para o Brasil? Você fala japonês?

— Meus pais. Já faz 20 anos. Hm, falo sim. — e, nessa hora, Tobias e o pai dele viraram a cabeça como se eu tivesse dito a coisa mais incrível do mundo.

— Isso é muito incrível! Eu vim da Rússia faz 20 anos também! — isso explicava o sotaque estranho. Agora eu sabia que era uma mistura de russo com carioquês — Mas, infelizmente, meu Tobias nunca se interessou muito pela língua e acabou não aprendendo. Diferente do inglês… — o homem ficou com um olhar distante nessa hora. Se eu pudesse chutar, diria que ele não era muito fã de estadunidenses — Mas você aprendeu japonês, deve ser muito legal saber falar essa língua!

Eu estava um pouquinho em choque com tanta coisa sendo despejada naquela sotaque enrolado.

— Ah, Maria, onde você mora, mesmo? Perto da Liberdade, né?

— Moro sim. Ah, pode virar aqui. Isso. Agora na segunda esquerda — pausa — Isso. Chegamos. Muito obrigada pela carona, senhor…

— Nikolai Volkov. Foi um prazer! Até mais, Maria!

Agradeci mais uma vez e abri a porta do carro e, nessa hora, Tobias falou pela primeira vez em todo aquele tempo.

— Maria, você deve estar cansada e tal, mas já que eu estou aqui, posso entrar e discutimos sobre o trabalho?

Nessa hora, eu fiquei levemente confusa.

— Mas é só ler dois livros. E eu já tenho seu número de telefone. Podemos fazer até por ligação. Eu acho que eu melhor eu almoçar e deitar um pouco, desculpa. Até amanhã na escola. — e eu quase acrescentei um “e agradece que eu consegui ser no mínimo sociável com você hoje. A minha cota de bom humor de um ano foi gasta em um dia por sua causa

E, por fim, saí do carro e entrei em casa.



Notas finais do capítulo

E é isso. Espero que tenham gostado!
Obrigada por ler e não se esqueça de deixar um comentário!



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