Memórias da Nossa Infância escrita por Enma, Thaliiahelena


Capítulo 5
Fico Assim Sem Você


Notas iniciais do capítulo

Olá, depois de tanto tempo estamos voltando com essa lindeza de fanfic, espero que gostem do capítulo que deu o maior trabalho para ser desenvolvido, mas nós trabalhamos nele com muito carinho.

Sem mais delongas, vamos ao que interessa ;)



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Sasuke se considerava extremamente maduro e adulto em comparação as demais crianças, costumava argumentar que apesar de ser baixinho ainda, já tinha sete anos e meio. E por isso não entendia porque sua mãe não queria deixa-lo ver Naruto naquele momento, como se ele não entendesse o que é estar doente! 

Era justamente por Naruto estar doente que queria visita-lo, queria ajudar de alguma forma, fosse servindo sopa ou só conversando com ele até que se sentisse melhor, porém sua mãe, que não entende nada, decidiu que Sasuke ficaria longe de Naruto até que ele melhorasse da gripe. 

Mikoto era o tipo de mãe super protetora, em alguns momentos costumava exagerar demais, principalmente quando se tratava de proibi-lo de ver o amigo só porque ele estava gripado. Por causa disso Sasuke tinha bolado um plano, que envolvia sua tia favorita no mundo todo: Kushina. 

Depois de receber o decimo "Não" de sua mãe, e do pai não querer se meter no que sua mãe decidia. Ele ligou para Kushina, do celular de Itachi, e contou a ela o que estava acontecendo. 

—Se o Naruto tá mal eu quero ajudar, tia – insistiu Sasuke - Não quero que ele pense que eu não me importo com ele... 

—Tenho certeza que o Naru não pensa isso, Sasuke – a voz soava em uma completa calmaria  

—Eu vou me comportar direitinho, prometo. 

—Está bem, vou conversar com a sua mãe. 

Sasuke deu o maior dos sorrisos. 

—Valeu tia! Você é a melhor – comemorou. 

—Sei, a gente só é boa quando faz as vontades – Kushina revirou os olhos – Ai ai crianças... 

Após a conversa, Sasuke esperou ansioso por Kushina, queria ver se sua mãe deixaria depois de conversar com ela. A ruiva não era só sua tia do coração, também era a melhor amiga de sua mãe, e por tanto, ao menos para Sasuke, fazia sentido ela ver que está errada por que a amiga está dizendo. 

Quando Kushina veio falar com Mikoto, Sasuke nem estava em casa, pois ela esperou até o dia seguinte, quando o menino estaria na escola para falar com Mikoto. Havia aproveitado que Naruto dormiu para passar na casa do lado, não sem antes deixar um recado avisando o pequeno caso ele acordasse antes do seu retorno.  

A ruiva não queria que Sasuke saísse prejudicado por ter ido procura-la mesmo sabendo que 'não' era não. 

—Mikoto, eles são crianças que passam quase que vinte e quatro horas do dia juntos desde que vocês se mudaram para cá – Kushina estava apoiada no arco da cozinha vendo Mikoto preparar o almoço - É difícil para eles ficarem separados assim. 

—Kushina, se o Sasuke ficar doente não vai poder ir para escola, vou ter que obrigá-lo a tomar o remédio a força porque ele odeia tomar remédio, além de ficar preocupada vinte quatro horas porque meu filho tá espirrando até não aguentar mais e com febre. 

—Mas acontece que eles são crianças, não adianta tentar por ele em uma redoma de vidro, mesmo que você não queira ele vai ficar doente, vai cair e se machucar porque faz parte do desenvolvimento natural deles, ou vai me dizer que quando você era criança deixava de brincar em poças de água por medo de gripe? Além do que Sasuke está sofrendo com essa distância, ele pensa que Naruto está triste com ele por não ir visitá-lo. 

MIkoto suspirou olhando para Kushina com aquele olhar, ela estava ganha. 

—Vamos Mikoto, já tem dois dias que eles não se veem.  

—Tudo bem, tudo bem! Vocês venceram. Hoje quando ele chegar da escola deixo ele ir. 

Kushina animada levantou os braços e agarrou a amiga, lhe dando um afetuoso beijo na bochecha, as duas riram e então foram terminar o almoço.  

 ~~xx~~ 

Quando Itachi soube que sua escola estava organizando um evento do Dia da Profissão, logo se animou, sentia muito orgulho dos pais e queria muito contar para toda a sala como a mãe era uma ótima chefe de cozinha, sabia fazer vários pratos deliciosos e comidas diferentes, o que mais amava era o bolo de nozes. 

—Minha mãe pode cozinhar qualquer coisa que fica muito bom, ela tem até um restaurante e todo muno gosta de ir comer lá - Itachi gesticulava animado, abrindo os braços demonstrando visualmente a proporção que imaginava, quando chegou a vez de falar sobre o que seu pai fazia, acabou se atrapalhando por não se lembrar o nome de quem contava dinheiro.  

—Contador – corrigiu o professor, sorrindo ao vê-lo apresentar a entrevista que fez com seus pais. 

—Isso, ele é muito bom com matemática e sabe fazer contas muito difíceis de cabeça. O que eu mais gosto nisso é que quando eu não entendo alguma coisa, posso perguntar pra ele, porque ele sabe de tudo que envolve números. 

Todos os colegas bateram palmas pro moreno, enquanto ele ia se sentar e Shisui, que sentava atrás dele se levantou a pedido do professor, já era sua fez de apresentar a profissão dos pais. 

—Bom, meus pais salvam vidas – explicou o menino – E apesar de eu achar isso muito legal eu sempre fico com medo. Meu pai é bombeiro, ele tá sempre resgatando pessoas de algum lugar ou de algum acidente, e isso me deixa bem nervoso porque e se ele se machucar também? – Shisui cerrou o punho controlando o nervosismo só por pensar em seu pai correndo perigo – E minha mãe é cirurgiã, ela tipo... Costura pessoas – Shisui fez uma careta enojado – Ela não corre risco de se machucar, não como meu pai, mas também não gostaria de ser como ela – deu de ombros – Sempre que ela perde um paciente ela fica muito mal, e eu não quero que a vida de ninguém dependa de mim, não mesmo! 

O professor balançou a cabeça positivamente mostrando compreender a situação. 

— E seus pais sabem disso? 

—Sabem – Shisui se sentou novamente – Eles não se incomodam, falam que o trabalho deles é bem difícil mesmo. 

— E você já sabe o que você quer ser? – o professor perguntou curioso. 

Todos da sala encararam Shisui com expectativa, era muito comum pra idade querer ser como seus pais ou inventar uma profissão que provavelmente você não vai seguir como: Astronauta, Cowboy ou piloto de corrida. Shisui não se via fazendo nenhuma dessas coisas. 

—Eu... Ainda não sei – Shisui coçou a nuca meio desconfortável – Eu quero fazer algo que me deixe fazer coisas legais como ir ao cinema, ou passar mais tempo com a minha família e com Itachi... 

O professor sorriu, provavelmente Shisui mantinha aquele pensamento pois seus pais não lhe dedicavam tanto tempo quanto ele gostaria. Era muito comum que os pais deixassem de fazer programas com os filhos por questões de trabalho, por mais triste que fosse. 

—Bem, tenho certeza que vai encontrar algo – encorajou. 

Itachi por sua vez tinha ficado muito feliz por Shisui desejar ter mais tempo para passar perto dele. Se sentia querido e não havia sensação melhor do que está. 

— Também quero poder passar mais tempo com você, Sui. 

 ~~xx~~ 

Já era a décima quinta vez que Sasuke suspirava entediado.  

Todos os seus colegas brincavam normalmente no parquinho ou com alguma outra coisa ao redor, enquanto que ele, diferente dos outros recreios em que sempre esteve com Naruto, estava agora sentado próximo a porta da sala em uma mesa sozinho e sem dividir o lanche com ninguém, já era hábito seu dar um pouco do que trazia para o melhor amigo e ele lhe retribuir, agora nem isso ele podia fazer. 

Pensando bem, nem se recordava se alguma vez havia passado algum recreio sozinho, pois todas as suas recordações estavam repletas de Naruto. 

“Aguentaria até a faladeira chata dele dos novos episódios das Meninas Super Poderosas” 

O professor Iruka que observava a turma brincar pousou o olhar sobre Sasuke e ponderou sobre ir ou não falar com o menino, afinal o pequeno lhe parecia o tipo de criança que não via problema em ficar sozinha, porém sua amizade com Naruto forçou uma interação social a Sasuke que talvez nem ele mesmo achasse ser possível, e agora com o amigo doente talvez estivesse se sentindo solitário. 

Caminhou até o aluno sentando-se ao seu lado. Sorriu simpático quando os olhos do menino pousaram em si curiosos. 

—Não vai brincar com seus amigos, Sasuke? – Iruka ousou perguntar. 

O Uchiha permaneceu calado e para evitar dialogar colocou o sanduíche que a mãe havia feito na boca e mastigou bem devagar, talvez se ele demorasse o professor se tocaria de que não estava muito afim de conversar e fosse embora, mas este aguardou pacientemente até que o menino terminasse de comer. 

—Olha Sasuke, deve estar sendo difícil ficar sem o Naruto – ponderou – Mas não precisa ficar aqui sozinho só porque ele não está aqui. 

—E o que você sabe? – virou-se para o professor de maneira irritadiça – Eu tô cansado de adultos chatos me dizendo o que fazer!  

—Acalme-se Sasuke, em momento algum... – o professor tentou argumentar. 

O garoto já estava em seu limite. Fazia dois dias que não via Naruto e tudo que ele ouvia eram os “nãos” da mãe ou outros adultos falando o que era melhor para ele. Sasuke estava cansado, ele só queria Naruto de volta. 

—Eu tô com saudade do Naru – se levantou para deixar o professor sozinho – Não tô afim de brincar de nada nem com ninguém. 

Os amigos de Sasuke e seu professor viram o pequeno se afastar do pátio e ir na direção do banheiro onde permaneceu até o final do intervalo. Iruka até tentou dizer alguma coisa em sala para tentar acalma-lo, mas não havia muito o que fazer, Sasuke estava triste como qualquer criança ao ser privada de ver o melhor amigo. 

Quando o sinal da saída tocou Sasuke foi o primeiro a sair da sala, com a velocidade em que ele saiu o restante dos alunos ficaram curiosos. Foi Lee quem o alcançou para perguntar onde ele ia com tanta pressa, a única coisa que Sasuke respondeu foi: 

—Para casa. 

Deixando Lee ainda mais confuso, porém Sasuke estava esperançoso. Deseja que a tia Kushina tivesse convencido sua mãe e que ele pudesse finalmente ver seu amigo, os adultos não entendem de nada! Estão sempre ocupados com trabalho e dinheiro, achem que eles sabem de tudo e mais um pouco finalmente pudesse ver Naruto. 

“Mas eu não vou ser sempre assim, eu vou crescer, vou ser um adulto também e aí ninguém vai poder me tirar de perto do Naruto” 

O pequeno encontrou seu pai no meio do caminho, este vinha lhe buscar e ficou espantado ao ver seu filho andando com a mochila nas costas, de passos apertados e uma cara séria. 

—Hei, mocinho! Por que não esperou o papai na escola? Sabe que é perigoso vir sozinho? - questionou Fugaku indo até seu pequeno, pegou a mochila dele a apoiando nos ombros antes de se abaixar para encarar o filho nos olhos. 

—Pai, eu quero ir pra casa. Preciso saber se eu posso ver o Naru. 

—Eu entendo que esteja com saudades do Naruto, mas mesmo assim o que fez foi errado – olhou de forma séria para o pequeno que inflou as bochechas. 

—Me desculpa papai, não faço de novo... Olha se quiser me deixar de castigo, tudo bem... Só me deixa ver o Naruto. 

—Eu vou deixar passar dessa vez, mas que isso não se repita. Estamos entendidos? 

—Sim – o moreninho levantou os braços dando um caloroso abraço em seu pai – obrigado papai. 

Fugaku tomou a mão do pequeno e juntos foram caminhando para casa, o Uchiha mais velho por muitas vezes teve que segurar o passo, pois o pequeno mais corria do que andava. 

Assim que chegaram em casa Sasuke correu para o banho, Mikoto mal fora cumprimentada pelo filho, que apenas lhe deu um beijo e logo subiu as escadas, ela olhou para seu marido em busca de explicação e este apenas deu de ombros. 

—Ele quer ver o Naruto, Mikoto, acho que você poderia deixar... Encontrei ele no meio do caminho voltando pra casa sozinho. Não brigue com ele, eu já conversei e disse que iria perdoá-lo dessa vez, mas que não se repetisse. 

—Tudo bem, o professor dele me ligou hoje dizendo que ele estava isolado na hora do recreio. Esses dois não se separam por nada no mundo, né?  

Mikoto sorriu para Fugaku que a abraçou pela cintura dando-lhe um caloroso beijo, quando a mulher passou os braços pelo pescoço do homem ouviu o barulho das escadas, os dois se soltaram rápido momentos antes de Sasuke entrar no campo de visão. 

—Mamãe eu ‘tô pronto, posso ir ver o Naruto agora? 

A matriarca sorriu para o pequeno se abaixando para abraçá-lo de forma protetora. 

—Parece que o meu pequeno já cresceu bastante, se preocupando assim. Estou muito orgulhosa de você, cuida do Naruto direitinho viu? 

Sasuke corou com o elogio da mãe, abraçando-a também, adorava sentir o cheiro que desprendia dos cabelos longos, sua mãe era realmente muito bonita e cheirosa. 

—Pode deixar, eu vou cuidar sim! 

... 

Kushina atendeu a porta, logo sorriu vendo um Sasuke parado segurando uma garrafa térmica. 

—Oi Tia, eu trouxe chocolate quente, minha mãe disse que quando a gente tá doente tomar chocolate quente ajuda... E o Naruto ama chocolate. 

A ruiva sorriu, aqueles dois eram tão bonitinhos juntos. Se abaixou para depositar um beijo em sua cabeça e abriu espaço para o pequeno entrar, assim que passou para dentro olhou Fugaku. 

—Esses dois não tem jeito – comentou. 

—Não mesmo, fico feliz que ele tenha uma amizade tão bonita com Naruto. 

~~//~~ 

Quando deu por volta de cinco e meia da tarde Mikoto saiu de casa rumo a escola de seu filho mais velho e sobrinho para buscá-los. Chegou pontualmente às seis no estacionamento, o trânsito até o prédio era insuportável. 

Deu a volta no prédio esperando os garotos no portão da frente. Assim que os viu se surpreendeu, pois Itachi carregava um enorme sorriso no rosto, enquanto Shisui tinha as bochechas rosadas e tentava disfarçar. Sorriu, era bom ver seus meninos assim. 

—Oi meus amores – beijou a testa dos dois – Por que estamos tão felizes, hm? 

—Mãe, o Sui falou que quer passar mais tempo comigo – Itachi comemorou – E quando crescer ele vai trabalhar em alguma coisa que a gente possa se ver sempre. 

—Jura? E vocês já pensaram em que? 

Ambos se entreolharam e deram de ombros. 

—Ainda não – Shisui respondeu – Mas não quero ter o emprego dos meus pais, disso eu sei. 

— E você já tem algum hobbie que gostaria de ganhar dinheiro – Mikoto pensou um pouco – tipo desenhar, escrever, cozinhar? 

Shisui pensou um pouco depois balançou a cabeça negativamente. 

—Não, eu apenas brinco de desenhar, só invento história para os meus bonecos de ação – deu de ombros – Mas eu vou achar alguma coisa. 

—Claro que vai, querido – apertou a bochecha do sobrinho que reclamou – Agora que tal se formos tomar um sorvete. 

—Eba! – gritaram os dois. 

Mikoto segurou na mão de Itachi de um lado e na de Shisui do outro, atravessando a rua com ambos, eles amavam a sorveteria que ficava do outro lado da rua. Itachi escolheu o sabor de morango e Shisui de caramelo, confeitaram com bolinhas de chocolate e calda indo se sentar na mesa, Mikoto se dirigiu ao caixa para pagar e quando voltou-se para a mesa sorriu ao ver Shisui levar uma colher de sorvete na boca de Itachi. 

—Tá muito bom Sui, mas o meu é melhor. Prova! - fez o mesmo com o sorvete de morango. 

Mikoto sorriu perante aquela doce visão, e pensar que os dois já estavam conversando sobre o que querem ser quando crescerem, o tempo passava muito rápido mesmo, em breve seus dois filhos estariam casados e construindo suas vidas. Só de pensar nisso já apertava seu coração de mãe frágil, mas como dizia a música “Depois que cresce filho vira passarinho e quer voar”.  

—Não exagerem no sorvete, pois vocês ainda vão jantar hoje! – alertou Mikoto. 

—Sim senhora. 

Ambos prosseguiram contando sobre o dia que tiveram na escola para a matriarca e se empolgando em falar sobre a profissão dos pais dos colegas de turma. Estavam mesmo empolgados nessa coisa de futuro. 

Quando retornaram a casa Mikoto os viu subir até o quarto de Itachi e voltarem com um caderno e uma caneta em mãos. A senhora os olhou curiosa sobre o que ambos iriam aprontar. 

—Muito bem, Shisui – começou Itachi – Nós temos até a hora de dormir para ver se conseguimos achar algo que te interesse. 

—E que não ocupe muito o tempo. 

—Isso – o menino sorriu – Já podemos riscar bombeiro e cirurgiã da lista. 

Itachi escrevia em seu caderno possíveis trabalhos para Shisui, o primeiro deles foi de Chef como sua mãe. 

—Você poderia ser Chef como minha mãe, assim poderíamos trabalhar juntos no restaurante dela! – empolgou-se com a própria ideia.  

— Não sei se tenho...Hã...Habilidade? Não, como é a palavra...? 

—Vocação – sugeriu Mikoto. 

—Isso mesmo – Shisui estalou os dedos – Vocação para isso. 

—Bom, podemos fazer o jantar de hoje! O que acha mãe? 

Mikoto mordeu o lábio um pouco apreensiva, não queria nenhum deles mexendo com facas, ou com fogo, ou bagunçando sua linda cozinha. 

—Bem, podem, mas somente com a minha supervisão! – decretou ainda um pouco incerta sobre ser uma boa ideia. 

—Vamos mandar ver neste jantar! – Itachi se animou ainda mais. 

—Vai ser o melhor de todos! – completou Shisui. 

~~//~~ 

Sasuke estava muito empolgado. 

Assim que chegou na casa de Naruto seu desejo era ir vê-lo, mas Kushina o convenceu a fazer uma surpresa para o amigo. Então ambos passaram a tarde toda preparando uma sopa com macarrão, carne e alguns legumes para que o loiro voltasse a ficar forte e saudável logo. 

Sasuke se empenhou bastante em ajudar a ruiva, porque queria que Naruto gostasse muito da sopa para que a surpresa fosse boa. Kushina lhe disse que guardaria o chocolate quente para que Naruto tomasse um pouco depois da janta. 

Quando finalizaram, lá pelas sete da noite, Kushina foi com todo cuidado colocar uma porção da sopa em um pote especial pra sopa e não ter perigo de Sasuke derramar nele ou pelo caminho. Entregou ao menino o pote com um pano para que o mesmo não se queimasse caso este estivesse quente e sorriu ao ver a maneira como o pequeno Uchiha estava sendo cuidadoso. 

—Vai lá, Sasuke – Kushina esfregou o cabelo dele – Ele vai ficar muito feliz. 

—Espero que sim, tia – Sasuke disse encarando a sopa em suas mãos. 

Ele foi calmamente até o quarto de Naruto, estava um pouco nervoso pois parecia que não via o amigo há séculos, sendo que faziam apenas dois dias, esperava que Naruto já estivesse se sentindo um pouco melhor, odiava a tal gripe que Naruto havia pego. 

Abriu a porta que estava apenas encostada com o pé e com muito cuidado e assim que entrou os olhos azuis que tanto sentira falta ficaram em si e lhe presentearam junto ao lindo e largo sorriso que Naruto estampará assim que lhe viu, não conseguiu não sorrir também. Droga, sentia muita a falta dele. 

Foi até Naruto depositando a sopa com cuidado no espaço vago do criado mudo e em seguida se debruçando para abraçar o amigo, não podia haver uma resposta diferente do que Naruto o abraçar de volta ainda mais forte, afinal Sasuke não estava doente. 

—Oi dobe – Sasuke estava quase chorando de emoção – Você já tá melhor? Eu senti sua falta – disparou sem nem se importar com o que Naruto pensaria disso. 

As palavras de Sasuke fizeram Naruto sorrir ainda mais se é que era possível, ele apertou um pouco mais forte o moreno no abraço. 

—Também senti saudades, Teme – a voz de Naruto estava um pouco mais rouca por causa da gripe – Já estou um pouco melhor sim, mas estava triste por não conseguir te ver – revelou – Minha mãe me falou que tia Mikoto não queria deixar você vir. 

Sasuke se afastou com um pouco de relutância ao Naruto mencionar sua mãe, sabia que se ficasse o tempo todo grudado nele poderia pegar a gripe e isso resultaria em sua mãe furiosa falando um monte pra ele. 

—Sabe como a minha mãe é – Sasuke revirou os olhos – As vezes ela é muito chata. 

—Ah Sasuke, ela só não queria você espirrando igual eu – Naruto riu da cara de emburrado do amigo, já estava com saudade da cara de bravo do Uchiha – Ficar o dia todo espirrando e tomando remédio é muito chato!  

—É verdade, mas agora você tem que tomar sua sopa... Eu trouxe uma surpresa pra você, mas só pode ver depois que comer tudinho – disse o moreno sorrindo abertamente para Naruto, este ainda ficava encantado todas as vezes que o moreninho sorria daquela forma, ele possuía o sorriso mais bonito que já tinha visto. 

Naruto encarou o conteúdo do pote e fez uma careta, certamente que sopa não era sua coisa preferida no mundo, mas se Sasuke pediu para que ele tomasse, então ele faria, ainda que obrigado por si mesmo. 

Sasuke acompanhou às colheradas sorrindo discretamente, conhecia Naruto há muito tempo para saber que tomar a sopa não era algo fácil pra ele, ainda bem que ao menos o resfriado serve para que o amigo comesse coisas mais saudáveis, as vezes lhe parecia que o loiro só se entupia de besteiras. 

Secretamente se preocupava com isso, sua mãe sempre falava da importância de comer coisas saudáveis para crescer forte. 

—Sabe, eu ajudei a tia Kushina a fazer a sopa – comentou dando de ombros, como quem não queria nada, mas na verdade ver o loiro comer algo que ele havia feito o deixava tão orgulhoso e feliz. 

Quando Naruto finalizou a sopa sorriu todo contente mostrando o pote “limpo” para Sasuke. O Uchiha revirou os olhos enquanto sorria recolhendo a louça.  

—Obrigado pela sopa – Naruto agradeceu de coração – Foi muito legal você ter ajudado minha mãe – declarou ainda sorrindo lindamente. 

—Eu fico feliz que você tenha comido, dobe – Sasuke deu de ombros – Só come porcaria. 

—Ei! – Naruto lhe mostrou a língua – Eu não como porcaria. 

—Come sim! Chocolate não alimenta, nem lámen! 

—Isso não é porcaria, é delicioso e faz muito bem sim! Me deixa muito feliz  

—Bom, trato é trato – Sasuke deu de ombros – Você comeu a sopa, e agora vou buscar sua surpresa. 

Naruto voltou a se empolgar ao ouvir novamente sobre a surpresa e se acomodou melhor na cama para recebê-la . Sasuke saiu do quarto com a louça e foi em direção a cozinha. 

Kushina sorriu ao ver Sasuke tão feliz, aquecia seu coração ver o pequeno tão alegre, muito melhor do que a criança tristonha de horas atrás. 

—Como foi? – perguntou curiosa. 

—Ele comeu tudinho, tia – Sasuke mostrou o pote vazio animado  - Já pode preparar o chocolate! 

E pensar que ela tinha que inventar mil histórias para convencer seu pequeno arteiro a tomar uma sopa de legumes... Talvez chamar Sasuke fosse a alternativa mais fácil e menos trabalhosa.  

—Que bom, querido – Kushina pegou o pote das mãos de Sasuke e o colocou na pia – Então vamos prepará-lo! 

~~//~~ 

Shisui e Itachi ajudaram Mikoto na cozinha com as tarefas para o jantar, com a supervisão da mais velha eles picaram alguns legumes, esquentaram água e até mexeram no arroz, mas é claro que entre um afazer e outro conversas paralelas surgiram. 

Shisui e Itachi ficaram discutindo sobre variadas profissões, até  Shisui lembrar -se de sua série favorita e foi como se um click destacasse sua mente. 

—Sabe, eu podia ser detetive, Tachi. Adoro investigar coisas, então eu quero ser o Sherlock Holmes, você podia ser que nem o Detetive Watson ai a gente ia resolver os mistérios juntos. 

—Ah, mas eu não sei se quero fazer isso Sui. 

—Pensa Tachi, a gente ia poder usar aquelas lupas e... E eu ainda vou ter um chapéu maneiro. 

Mikoto estava adorando ouvir toda aquela conversa do filho e do sobrinho, se lembrava quando tinha exatamente aquela idade e já sonhava em ser chef de cozinha. 

"Que saudade dessa época" pensou, saudosa dos muitos amigos e das brincadeiras. 

... 

Com a mesa posta para o jantar e todos os Uchihas sentados Mikoto começou a conversar animadamente com o marido sobre o dia, revelou que os meninos a ajudaram com o jantar e Fugaku agradeceu dizendo que estava uma delícia, deixando -os muito felizes. 

A ausência de Sasuke não surpreendeu ninguém, e se Mikoto deixasse era até provável que o pequeno dormisse por lá, iria buscá-lo um pouco mais tarde. Deixaria o filho aproveitar o tempo com o amigo. 

—Esses dois já querem saber o que vão fazer quando crescer, eles crescem muito rápido - Mikoto resmungou um pouco tristonha – Tomara que não esqueçam da velha aqui. 

Itachi e Shisui riram da atitude da mulher.  

—Não vou te esquecer nunca, mãe - Itachi levantou da cadeira para ir dar um beijo estalado na bochecha da matriarca – E você não é velha coisa nenhuma. 

—Eu também não vou, tia – Shisui fez o mesmo beijando o outro lado da bochecha. 

Mikoto abraçou ambos os meninos dando vários beijinhos em cada um. 

—Meus amores, eu amo tanto vocês - falou os apertando no abraço - Vão ser sempre meus menininhos – olhou para o marido – Lembra Fugaku, quando eles corriam pela casa sem frauda, mal sabendo andar... 

Fugaku riu, adorava os momentos em família como este. 

—Claro, ou das vezes em que os dois brincavam de lutinha e acabavam estabanados no chão chorando porque ralaram o joelho – negou com a cabeça - E mesmo assim continuavam brincando de lutinha! Só criança mesmo. 

Mikoto sorriu. Homens tinham lembranças estranhas sobre a infância dos filhos, como lutas e escorregões no futebol. 

—E agora os dois vão ser detetives! - falou piscando para o marido. 

—Detetives? - Fugaku disse confuso. 

—Sim! - Shisui disse empolgado - Nós vamos ser Sherlock e Watson! Investigando crimes, né Tachi? 

—Isso mesmo – Itachi balançou a cabeça repetidas vezes concordando – Assim vamos passar mais tempo juntos e ter um emprego legal. 

Fugaku e Mikoto se entreolharam risonhos. 

—Ah é? -a voz do homem soava em desafio – Pois eu quero ver, depois do jantar vamos jogar detetive. 

—Isso! - gritaram os dois animados. 

—Mas só se comerem tudo e irem escovar os dentes – alertou Mikoto - Ninguém vai resolver casos de barriga vazia. 

—Sim senhora – responderam os dois batendo continência e voltando para suas cadeiras. 

—-- 

Fugaku abriu a caixa e separou as cartas, enquanto que Itachi explicava como o aplicativo funcionava para a mãe. 

—Olha só, mãe, na última vez que jogamos eu e o Sui colocamos a cozinha gravada como restaurante e o quarto de vocês como hotel – explicava – O cemitério é o jardim, ai você pode ir a esses locais quando for a sua vez e escolher a arma e acusar quem você acha que é o criminoso. 

—Que horror! - Mikoto disse descrente – Mas como eu vou saber se está certo? 

—O próximo jogador tem que te mostrar se ele tiver algum dos itens, o lugar, a arma, ou a pessoa, se ele não tiver vai perguntando para o próximo até que se complete os jogadores, se ninguém tiver significa que você ganhou o jogo. 

—Hm, entendi!  

—No aplicativo você preenche com as suas cartas e com as novas informações na ficha disponível. 

—Certo – Mikoto balançou a cabeça mostrando que havia compreendido. 

—Vamos de zerinho ou um pra ver quem começa - disse Shisui e todos se posicionaram em um círculo – Zerinho ou um! 

Fugaku e Itachi colocaram um, teriam que ir de novo. 

—Zerinho ou um! 

Dessa vez Mikoto foi a única a pôr um. Jogaram de novo até que Itachi ficou sendo o próximo. Shisui e Fugaku tiraram no par ou ímpar e Shisui ganhou.  

—Então a ordem é tia Mikoto, Tachi, eu e tio Fugaku - explicou – Pode começar tia. 

—Certo. 

 Mikoto olhou para sua ficha no celular e começou a andar em direção a cozinha. Mostrou pela câmera do celular o local no aplicativo. 

—Eu quero restaurante, com a senhorita Rosa e a faca! 

Itachi que vinha depois dela clicou no botão do local no aplicativo e mostrou virtualmente sua carta para a mãe. Essa fez uma expressão pensativa e anotou. 

—Sua vez, Tachi – disse Shisui. 

—-- 

Todos corriam em direção ao jardim, nesta altura do jogo não importava mais a ordem, era quem chegasse primeiro ao local. 

Shisui quase tropeçou no caminho, mas foi o primeiro a chegar no jardim, pulou comemorando e disse em alto e bom som. 

—Cemitério, mordomo e soco inglês!  

Nem precisaram conferir, só suspiraram, pois, Shisui tinha chegado primeiro ao local. O celular de todos vibrou mostrando que Shisui havia ganho a partida. 

—Parabéns Sui – Itachi o abraçou - Você é o melhor detetive! 

—É mesmo – Mikoto apertou as bochechas do sobrinho – Muito bom detetive. 

—Ai tia –reclamou afagando a bochecha. 

—Nossa fazia tempo que eu não corria assim – Fugaku ofegava se apoiando nos próprios joelhos – estou ficando velho. 

—Tá na hora de voltar pra academia, meu velho – Mikoto riu - Vou buscar Sasuke, já está ficando tarde. 

—Tudo bem – Fugaku disse assim que recuperou o folego – E você detetives mirins já podem ir para a cama, amanhã tem aula. 

~~//~~ 

Mikoto tocou a campainha e prontamente foi atendida por Minato que sorriu para ela dando espaço para que adentrasse a casa. 

—Como estão as coisas por aqui? - perguntou. 

—Tranquilas, Naruto e Sasuke estão lá em cima com Kushina, estão ouvindo ela ler Harry Potter. 

—Ah sim, eu vim buscar o meu pequeno. 

—Pode subir Mikoto, sabe que é da casa né? Não precisa de formalidades – Minato sorriu voltando para a cozinha, estava terminando de lavar a louça do jantar. 

Mikoto subiu as escadas com calma, se aproximando do tão conhecido quarto de Naruto e encontrou Kushina com um livro nas mãos e os dois pequenos sentados, cada um de um lado no tapete, ouvindo atentamente. 

—Mamãe - Sasuke correu para os braços da Uchiha mais velha sendo recebido com amor. 

—Como foi o dia de vocês? - perguntou se abaixando para retribuir o abraço do pequeno. 

—Foi super legal, eu ajudei a Tia a fazer uma sopa saudável pro Naruto e ele tá melhorando já. 

—Ah, isso é muito bom. Quando eu tiver doente você vai fazer sopa pra mim também? 

—Claro que sim, prometo que faço e levo até na cama.  

—Eu vou adorar, meu pequeno, agora vamos para casa? Já esta tarde, pro Naruto melhorar ele tem que dormir também. 

—Sim, mas antes, você podia me emprestar seu celular um pouco? Eu quero mostrar a música daquele desenho novo que eu assisti ontem. 

Mikoto sorriu entregando o aparelho ao pequeno, que sorriu e agradeceu indo se sentar na poltrona, sendo seguido por Naruto que passou as perninhas por cima da dele segurando uma caneca de chocolate quente, o mesmo que Sasuke havia trazido. 

—Esses dias eu vi um desenho muito legal na Netflix – Sasuke tocava no aparelho pra achar o vídeo que queria – Se chama Steven Universo. 

O loiro parou para pensar um pouco e se lembrou que já tinha ouvido falar do desenho. 

—Eu já ouvi falar, já vi um comercial dele no canal que passa Pokémon. 

—É muito legal! - Sasuke falou empolgado – Tem muitas músicas, ouve essa aqui. 

Sasuke colocou "Mulher Gigante" pra tocar, não foi difícil para Naruto pegar a letra e logo ambos estavam rindo e cantando: 

—Tudo que eu quero é ver vocês virarem uma mulher gigante... MULHER GIGANTE! – gritaram igual ao Steven. 

As mães começaram a rir da forma animada como os dois interagindo. 

—Com o Sasuke por perto Naruto nem parece que está doente – comentou Kushina – Eles fazem um bem danado um ao outro. 

Mikoto viu seu filho sorrindo como não via há cerca de dois dias que para ela parecia uma eternidade. Vê-lo feliz aqueceu seu coração e balançou a cabeça concordando com a ruiva. 

—Você tem razão. Acho bom que eles nunca mais se separem! 

~~xx~~ 

As batidas na porta eram incessantemente insistentes. 

Dentro do banheiro o jovem assoviava no ritmo de uma música pop qualquer, enquanto fazia a barba. Com toda calma do mundo e ignorando a força das batidas da pessoa atrás da porta, começou a ajeitar seu cabelo até estar apresentável. 

—Anda logo! - gritou o homem atrás da porta – Eu vou me atrasar para a faculdade, será que toda manhã vai ser assim, Sasuke? 

Revirou os olhos para impaciência do irmão. 

—Já vou, Itachi – abriu a porta – Vai logo tomar seu banho e para de me encher o saco. 

—Por que é que você demora tanto no banheiro, hein! 

—Você reclama de mim, mas passa mais tempo aí suspirando pelo Shisui do que eu me arrumando para ir pra escola – zombou. 

Itachi bateu a porta na cara do irmão mais novo, francamente as vezes esses adolescentes o faziam perder completamente a paciência. 

Sasuke desceu as escadas e foi até a cozinha, deu um beijo em sua mãe assim que a viu a cumprimentado junto a um bom dia. 

—Bom dia, filho – Mikoto o olhou dos pés à cabeça - Nossa que arrumado. 

Sasuke estava com o penteado que sempre usava, mas estava usando suas calças jeans novas que deixavam sua bunda mais firme e a camiseta de banda que ganhou de presente de Naruto no seu aniversário de dezesseis anos. 

—Nem tô. 

—Isso tudo é para impressionar certo alguém - Mikoto sorriu brincalhona – Certo vizinho loiro de olhos azuis? 

—Não tem nada haver tá, e eu vou nessa que já estou atrasado – pegou uma maçã no cesto de frutas e mordeu – Te vejo mais tarde, mãe - falou já indo em direção a porta. 

—Juizo! - gritou Mikoto – Essas crianças vão me deixar louca. 

Sasuke passou pela porta da frente e olhou em direção a casa de Naruto e lá estava ele com um maldito casaco berrante laranja, uma camiseta preta por baixo uma velha calça jeans e ainda assim conseguia ser a pessoa mais bonita que Sasuke já vira na vida. 

Naruto estava recostado em seu carro e abriu um sorriso ao ver Sasuke, como todas as outras manhãs. 

—Eai Teme, pronto para o primeiro dia de aula? - perguntou dando a volta no carro para sentar no banco do motorista. 

Sasuke suspirou e abriu a porta do banco carona se sentando. 

—Mais pronto impossível. 


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Notas finais do capítulo

É isso, espero que tenham gostado e que a demora pra atualização valha a pena ;)

Mais uma vez Nos visitem na Aliança UchiMaki



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