Say you won't let go escrita por Fe Damin


Capítulo 6
Capítulo 05


Notas iniciais do capítulo

Pensaram que eu tinha desistido da história?? Pois aqui estou eu de novo com mais um capítulo pra vcs.... prometo fortes emoções.
Espero que gostem :)



O rapaz loiro dormia profundamente na cama pequena que ocupava quase o total do espaço do quarto em que se encontravam. Algo mantinha Astória ainda com os olhos presos nele, o rosto tão mais sereno do que nos momentos de consciência.

Ela só podia ter ficado louca.

Precisava sair dali imediatamente, caso contrário, a desculpa idiota que inventara para transportar um paciente dormindo até seus aposentos começaria a soar ainda mais ridícula. Num último impulso, um dos vários que a acometeram naquele dia, ela puxou a manta que se encontrava aos pés dele para cobri-lo, fazendo - sem querer - com que sua mão esbarrasse de leve no rosto do garoto quando foi se afastar. Ela mal se mexeu, com medo de que ele fosse acordar e encontrá-la nessa situação que só podia ser chamada de embaraçosa, porém Draco apenas moveu a cabeça de leve e deixou um suspiro baixo escapar do lábios.

Os olhos de Astória se fixaram na boca dele e imediatamente ela soube que fora um erro. Mais um para a lista. Lembrou de quão perto sua própria boca estivera da dele, da vontade de saber se o gosto continuava o mesmo… As palavras de sua amiga dizendo que ele devia ter ficado gostosinho ecoaram em sua mente. Hoje ela tivera certeza não só com os olhos, mas com o corpo todo.

Hora de ir embora, Astória! A moça se repreendeu e partiu antes que a próxima besteira fosse irreparável. Ainda tinha um pouco de trabalho a fazer no escritório, mas não conseguiria se concentrar em mais nada, iria embora e pronto. Pegou todas as suas coisas, vestiu seu casaco, sentindo ainda partes úmidas do tecido da sua blusa onde manteve os olhos de Draco perto de si.

Ela não queria ir para casa. Sentia que só iria se afundar no sofá e em pensamentos que variariam de como estava sendo irresponsável e todos os sentimentos inapropriados que tivera naquela sessão. Fora um diálogo intenso e complicado. Primeiro ele admitira que se lembrava dela, mentira por todo esse tempo e ela não sabia o que sentir em relação a isso. Sua reação inicial foi de raiva, mas não podia simplesmente explodir com ele, não seria nem um pouco profissional. No entanto, ele continuou falando, e ela foi percebendo cada um dos pontos fracos que ele nunca queria mostrar, a raiva acabou sumindo e deixando no lugar algo muito mais inquietante… Astória estava feliz. Por mais que soubesse que não deveria, ela gostou de saber que não era a única com memória da festa particular que dividiram.

Ela não deveria ter feito tantas outras coisas também… mas foram acontecendo em um sucessão difícil demais de parar. Quando percebeu já o estava confortando, cada um dos soluços sentidos, doendo nela também. Foi naquele momento que ela viu de verdade o menino perdido que ainda vivia debaixo de toda pose de desinteresse que ele fazia. Draco até podia querer acreditar que sua vida não valia mais nada, que ele não gostaria de sentir, mas ela via que não era verdade e aquilo apertou seu coração.

Quando ele se afastou, ela já tinha deixado a mente vagar por tantas besteiras que quase se chutou ao deixar escapar que preferia os olhos dele da maneira que os via naquele momento. Foi a primeira vez que via de verdade alguma vida neles, o prateado não estava mais um metal frio e fantasmagórico. Se sentiu idiota ao ficar desconcertada com o elogio que ele fez, mas naquele momento ela estava pensando no que faria se ele a tivesse puxado para si de novo.

Aquilo estava ficando perigoso, muito perigoso.

Não saberia dizer que loucura a possuiu para aceitar ficar mais tempo ali com ele, ainda mais sentar-se tão perto para que ele deixasse a cabeça em seu colo e, pior ainda, ela não apresentasse nenhuma objeção. Porém, a maneira como ele a olhava, os defesas finalmente desarmadas a deixaram sem ação, não seria capaz de deixá-lo ali sozinho quando ele pedia que ficasse, afinal que mal teria?

Astória sabia que estava nadando em águas bem turbulentas e só uma pessoa a ajudaria a não se afogar. Procurou nos bolsos do casaco pelo aparelho que sua melhor amiga a ensinara a usar, um tipo de mágica à parte que pertencia aos trouxas.

—Nyssa? É a Tory, está em casa? - ela nem esperou direito que a amiga atendesse para perguntar.

—Meio cedo para estar em casa, ainda vou demorar um pouco, aconteceu alguma coisa?

—Podemos nos ver mais tarde então?

—Claro, mas você está me deixando preocupada, Tory, o que foi? - a nota de alarme na voz da amiga era clara.

—Não aconteceu nada de mais, Nyssa, mais tarde conversamos, estou indo pra casa agora.

—Tudo bem, vou direto para lá assim que eu me liberar aqui do Ministério, nada de se encrencar sem mim!

As duas desligaram e Astória não demorou muito a chegar em seu apartamento, onde trocou de roupa para algo mais confortável e foi ocupar a mente com alguma coisa na cozinha até que a amiga chegasse.

—Já estou aqui, pode ir contando a emergência - Nyssa entrou direto na cozinha, já que a porta havia ficado aberta, onde Astória separava os biscoitos que acabara de fazer.

Levou os petiscos em um pote até a sala, onde se sentaram no sofá antes que a loira pudesse disparar todos os acontecimentos do dia para análise da amiga.

—Acho que estou fazendo besteira, Nyssa, isso não está dando certo - Astória respirou fundo e esfregou as mãos no rosto.

—Do que você está falando, Tory?

—Do Draco, não vai terminar bem….

—Por quê? - a sobrancelha levantada denunciava que toda a atenção da morena estava em Astória.

—Hoje…. eu consegui, Nyssa, finalmente fiz uma rachadura na barreira dele. Ele estava tão vulnerável e eu… - a garota acabou se interrompendo.

—O que você fez? - pela expressão na cara da amiga, ou ela achava que Astória tinha agarrado ele, ou ateado fogo no menino, a loira até riria se não estivesse tão consternada.

—Eu o abracei enquanto ele chorava e praticamente embalei o sono dele, que tinha a cabeça deitada no meu colo, mas não é só isso… - Astória abaixou a cabeça apoiando-a nas mãos, como se pudesse se esconder de seus próprios pensamentos.

—Ainda tem mais? - Nyssa parou o biscoito a meio caminho da boca, surpresa com tudo que a amiga dizia.

—O tempo todo eu só pensava que queria beijar ele de novo para saber se era a mesma coisa depois desses anos todos - não precisava de muito para ver que Astória se sentia profundamente perturbada com o que admitia.

—Isso não está me parecendo muito bom mesmo…

—Eu falei.

—Mas foi só o momento, muitas emoções - Nyssa argumentou, tentando acalmar a amiga - tenho certeza que você não vai sair agarrando um paciente. Não combina com você.

—O problema é se ele não for só um paciente… ele admitiu que lembra de mim.

—Eu sabia! Quem ia esquecer dessa carinha linda? - a cara de satisfação da morena ao constatar que estava certa foi impagável, trouxe até um sorrisinho tímido aos lábios de Astória.

—E o jeito que ele me olhou….

—Tori, você é muito responsável, não vai fazer nenhuma besteira, só dá um jeito de terminar isso o mais rápido possível. Você e Draco Malfoy não é uma boa ideia.

—Você tem razão - era isso que ela faria, escutaria sua amiga. Terminaria seu trabalho rapidamente e daria um fim nessa história que já estava saindo do controle. Era para para ajudar a decidir para onde ele iria, não para ficar pensando e beijos e abraços.

Claro que tudo era mais fácil de ser dito do que feito. Foi difícil manter o loiro longe de seus pensamentos pelos próximos dias e Astória quase deu graças quando um imprevisto com outros casos a fez ter que faltar em suas duas sessões seguintes com o Malfoy. No fundo, ela sabia que poderia muito bem ter contornado a situação de outra forma para que não precisasse ter se ausentado, mas tinha consciência também de que um pouco de distância não faria mal a nenhum dos dois.

Ela não sabia bem como o encontraria da próxima vez que se vissem e não conseguia dizer se seria pior encontrá-lo novamente fechado ou receptivo ao seu contato. Uma das opções seria melhor para o progresso do seu trabalho, mas, definitivamente, mais difícil para ela mesma.

 

~~~~~~~~~~~~

 

Quando acordou, Draco se surpreendeu por estar em sua cama. A última coisa que se lembrava era de estar deitado no colo de Astória, os dedos da garota fazendo carinho em sua cabeça. Não dormia tão bem há dias. A última conversa com a dona dos olhos violeta que ele conhecia de cor fora cheia de turbulências, ele nunca tinha se permitido desabar daquela forma na frente de ninguém. O que o deixava mais aturdido, era o fato de não estar se sentindo mal com isso... não sabia muito bem como agir da próxima vez que se encontrassem, mas não negaria que fizeram bem a ele colocar tudo para fora.

Foi com um misto de ansiedade e apreensão que ele aguardou o horário da próxima sessão, porém tudo o que obteve foi um aviso da funcionária que sempre o acompanhava que a Dra Greengrass se encontrava em um imprevisto e, portanto, impossibilitada de comparecer naquele dia. O mesmo se repetiu na sexta feira. Logo de cara ele se sentiu inseguro, será que ela desistira de ajudá-lo como falou que faria? Imagens e sensações da última conversa dos dois não paravam de repetir em sua mente, ele ainda sentia as mãos dela em si, o perfume gostoso, as curvas do corpo que ele abraçou em retorno ao conforto que recebera.

No entanto, as desconfianças de sempre foram se infiltrando em sua mente, dizendo que não deveria se prender a nada daquilo, que ela nem apareceria mais. Ela provavelmente desistira de ajudá-lo, chagara à conclusão que ele mesmo tinha de que não valia de nada. Draco Malfoy era e sempre seria um caso perdido.

Ele ficou remoendo suas poucas esperanças jogadas fora durante todo o final de semana e mal pode conter a surpresa quando foi levado no horário de sempre para sua consulta e a encontrou já o esperando.

Ela tinha seu jeito descontraído de sempre, porém o garoto podia jurar que ela estava sentada mais reta do que o normal na cadeira, quase como se fosse uma estátua. Draco deu a volta na mesa, não perdendo a oportunidade de observá-la sem ser encarado e tomou seu lugar. Tinha mil perguntas em sua cabeça, queria saber o que ela achava dele, o porquê de ter sumido por dias, mas não queria se colocar numa situação pior do que a da última vez.

Um silêncio pairou entre eles, o que ironicamente soou estranho, quase constrangedor. Não era comum que ela não dissesse nada, a garota apenas o olhava e isso o estava incomodando.

—Como você está? - ela perguntou por fim e ele estranhou a falta do tom leve de sempre, nada de gracinhas ali.

Draco deu de ombros.

—Já passamos dessa fase, loirinho, use palavras - ela insistiu.

—Me sentindo um porcaria, que tal? - a frase saiu mais agressiva do que ele esperava e ela levantou a sobrancelha, aparentemente o garoto estava mais chateado com ela do que imaginava.

—Já é alguma coisa…

—Onde você esteve? - ele perguntou sem pensar, precisava saber se ela o evitara de propósito, mas qual seria a probabilidade dela admitir se fosse verdade.

—O que?

—Você não apareceu, dois dias… - ele diminuiu um pouco a voz, se arrependendo de aparecer tão nervoso, era difícil para ele lidar com aquela ansiedade.

—Ah, sim. Eu tive problemas sérios com um outro paciente, mas já está tudo resolvido - ela chacoalhou a mão, dispensando o assunto e mesmo não se convencendo inteiramente, Draco resolveu, por seu próprio bem, que acreditaria nela.

—Agora voltando a você, o que o faria se sentir melhor? - ela descansou a cabeça nas mãos que estavam apoiadas pelos cotovelos sobre a mesa, finalmente parecendo a Astória de sempre.

—Não sei… - Draco sentiu um pouco de pena de si ao se dar conta de que realmente não sabia a resposta, nem se conhecia mais a ponto de saber o que o faria feliz.

—Vou te dar um exemplo, sempre que estou triste, eu gosto de me trancar no meu escritório em casa e tocar o meu piano o mais alto que consigo. Me acalma e me deixa feliz - ela assumiu uma expressão satisfeita que ele adorou ver, anotou mentalmente que deveria ser uma visão e tanto uma Astória despreocupada dedilhando tranquila no piano - O que você gosta de fazer?

—Eu…

—Vamos lá, um esforcinho - ela insistiu.

Então ele tentou. Voltou anos e anos em sua memória, buscando por aquelas que tinham sido as últimas a gerar algum tipo de felicidade e foi aí que se lembrou.

—Eu adoro voar, sempre me senti feliz em cima de uma vassoura! - foi uma sensação de conquista que o invadiu ao ser capaz de responder, por mais patético que isso pudesse soar a qualquer pessoa.

—Que legal! - Astória sorriu em sua direção e ele sentiu algo dando um pulinho em seu peito - Sou péssima nisso e morro de medo, não sei nem qual foi a última vez que estive perto de uma… provavelmente nas aulas de voo da escola.

—Não acredito! - ele respondeu incrédulo, tentando ignorar as reações que estava sentindo apenas de olhar para ela - Você precisa tentar, é a melhor sensação, uma liberdade sem tamanho.

Aquela conversa nem parecia estar sendo entre as mesmas pessoas que sempre se encontravam naquela sala. Draco não saberia dizer o que o estava fazendo responder, parecia que tinham se transportado de volta para o dia que se conheceram, onde conversaram facilmente a noite inteira sobre tudo e nada.

—Acho que eu só acabaria me machucando - a loira ponderou.

—Pena que não tem como aqui, senão eu te levaria para uma volta, tenho certeza que mudaria sua opinião - apenas depois de falar foi que Draco se deu conta da implicação do que tinha dito, os dois ficam ligeiramente sem jeito, alguns segundos de silêncio se instalando antes que Astória pudesse contornar a situação.

—E… que tal livros? Lembro que a biblioteca da sua casa era maravilhosa! É algo que pode ser arranjado.

—Tem alguns que eu gosto, mas nunca fui muito fã - ele deu de ombros, mas interessado no fato de que ela ainda se lembrava da biblioteca de sua casa.

—Então é porque não achou algo que o interessasse, já tentou ler livros trouxas? São fantásticos!

—Livros trouxas? - ele franziu o cenho estranhando a pergunta.

—Você tem algum problema real com isso?

Ele ficou quieto alguns instantes pensando no assunto.

—Fui ensinado a vida toda que trouxas e aqueles sem sangue puro eram pessoas inferiores…. existiu uma guerra toda por causa disso. Acho que no fim das contas era tudo besteira, não me orgulho de ter acreditado nisso - o garoto estava impressionando a si mesmo com a quantidade de honestidade que estava exibindo naquele dia.

—O importante é que você não acredita mais - claro que a loira viria sempre com seu lado otimista da história, ele poderia até ter brincado sobre isso se não estivesse se sentindo afetado pelo assunto.

—Insultei várias pessoas por causa disso…

—Sempre tem tempo para se desculpar.

—Como se alguma delas fosse querer me ouvir - ele revirou os olhos, tomando por ingenuidade aquela insistência dela.

—As pessoas não são tão intransigentes quanto você imagina, Draco - a garota rebateu, sem dar o braço a torcer.

—E nem todas são tão gentis como você! - mais uma vez ele falara sem pensar.

Imediatamente ele a viu desviar o olhar, será que a tinha deixado desconfortável?

—Dançar - ela falou do nada, deixando o garoto confuso.

—O que?

—É outra coisa que me deixa feliz - ele podia estar enganado, mas ela parecia ansiosa por mudar de assunto.

—Ah, sim, eu me lembro - ele quase sorriu ao lembrar da maneira como ela o puxou para dançar antes de fazer uma outra coisa que ele não podia negar que não lhe saía da cabeça há alguns dias.

Draco sabia que não estava fazendo algo que pudesse ser considerado exatamente, certo. Na verdade as chances de terminar em alguma merda eram bem grandes, mas ele não conseguiu se impedir de perguntar:

—Gostaria de dançar?

—Aqui? - ela arregalou os olhos e ele assentiu - Agora? Com você?

—Não precisa se não quiser - ele completou, porém já tinha levantado e estava ao lado dela que ficou alguns instantes o encarando até decidir aceitar.

Ele puxou-a pela mão até que estivessem frente à frente. Draco estava usando toda a dose de coragem que devia ter acumulado sua vida inteira, não saberia dizer o que o fizera entoar o convite. Talvez fosse a vontade de voltar para aquela noite de tantos anos atrás.

—Também não tem música dessa vez… - ela observou.

—Não tenho minha varinha para fazer o mesmo feitiço que você usou, e acho que chamaria a atenção dos guardas.

Draco não precisou trazê-la para perto, seus braços se envolveram com naturalidade e ele percebeu, satisfeito, que ela cabia ainda melhor em seu abraço do que da última vez, a cabeça dela batendo na altura de seu ombro. Com os corpos colados, eles começaram a se mover ao som de uma música inaudível.

Poderiam parecer tolos para qualquer um que olhasse de fora, mas para eles a cena tinha um significado completamente diferente. Draco se deliciava com a sensação da proximidade dela, com o perfume que enebriava seu nariz.

—Astória… - ele chamou baixinho, a boca quase no ouvido da loira.

—Sim?

—Você já dançou com algum dos seus outros pacientes? - alguma coisa idiota dentro dele quis saber se ele era especial.

—Claro que não! - ela se afastou ligeiramente sem, no entanto, terminar o contato entre eles -  Isso seria totalmente errado e inapropriado e…

—Então por que estamos dançando? - ele a interrompeu, sentindo uma certa esperança ao ver que ela parecia perturbada com as perguntas dele, talvez ele não fosse o único afetado pela proximidade.

—Porque é você…

—Isso faz alguma diferença? - ele precisava saber mais.

—Onde você quer chegar, loirinho? - dessa vez ela deu um passo para trás, se desvencilhando dele que sentiu um vazio no local que ela antes ocupava.

—Eu também nunca dancei com nenhum dos outros funcionários daqui - não foram palavras diretas, mas eles entenderam o significado. Nenhum dos dois estava agindo em seu normal, ambos saíram do “protocolo” um pelo outro.

—Isso não está certo - ela declarou por fim, balançando a cabeça.

—Não - ele confirmou, dando um passo à frente e ficando feliz ao ver que ela não se mexera - mas é culpa sua.

—Minha? - ele agora estava novamente a centímetros de distância e pode escutar cara uma das notas trêmulas da voz dela, o que não era nada normal para ela.

—Insistiu muito para que eu pensasse no que me deixa feliz - sem dizer ou pensar mais nada, ele se inclinou para frente e eliminou a distância entre eles, capturando os lábios pequenos nos seus, terminando a dança da mesma forma que a garota havia feito da outra vez, no entanto não foi nem um pouco o beijo desajeitado de anos antes.

O contato foi eletrizante, dessa vez Draco sabia bem o que fazer e assim que sentiu os braços dela se enroscarem em sua nuca, levou suas mãos aos cabelos dela - aprofundando o beijo - e notando que ainda eram tão macios quanto antes. Escorregou uma das mãos pelas costas dela, puxando-a para mais perto, ao mesmo tempo que prendia o lábio inferior da garota entre os dentes, arrancando um gemido lascivo.

—Draco! - ela suspirou enquanto ele traçava uma linha de beijos de sua boca até o pescoço alvo onde ele a provocou com a língua.

O loiro não tinha ideia do que tomara conta de si para dar vazão ao que queria, sabia apenas que agora precisava de mais. Astória puxou o rosto dele de volta ao encontro do seu e, sem se desgrudar dela, Draco levou as mãos até as coxas da garota, suspendendo-a com mais facilidade do que lembrava antes. Sentiu as pernas dela se fechando em torno de si, o que arrancou um gemido baixo de sua garganta, cada parte do seu corpo completamente consciente da presença dela. A nova altura permitiu mais acesso ao corpo dela, mas Draco precisava de suas mãos livres para satisfazer a curiosidade de explorar mais do que já tinha tocado.

Não havia outras opções, então ele a colocou sobre a mesa, conseguindo se esgueirar por entre a cadeira que deixara abandonada. Assim que se acomodou, Astória afastou as pernas, dando todo o espaço que ele queria para se encaixar ali. Draco a encarou por alguns segundos absorvendo cada detalhe hipnotizante do momento. A garota tinha os cabelos bagunçados que a deixavam com aparência de mais nova ainda, o rosto afogueado que, juntamente com a respiração entrecortada, faziam o pulso dele acelerar ainda mais. Porém o ponto alto eram os olhos, a maneira como eles pegavam fogo ao encará-lo parecia dizer que ele não sairia dali, de jeito nenhum, sem se queimar na brincadeira. Não que ele quisesse.

Foi a garota que interrompeu a contemplação dele, enroscando os dedos em seus cabelos e exigindo, mais uma vez, atenção de sua boca. As línguas se enroscavam numa dança prazerosa e dessa vez ele tinha as mãos livres. Draco não perdeu tempo em contornar as curvas do corpo dela até chegar às coxas, onde apertou a carne macia, sentindo satisfação ao sentir a respiração dela falhando. Com as mãos apoiadas na bunda dela, ele a puxou de encontro a si, no mesmo momento em que ela lhe mordia o lábio.

Aquela mulher estava deixando-o louco.

Sentia seu corpo inteiro alerta ao toque das mãos pequenas e queria mais, precisava de mais.

—Astoria…. - ele gemeu ao sentir as mãos dela por debaixo de sua camisa.

—O que estamos fazendo? - ela perguntou baixinho em seu ouvido, a voz entrecortada pelo fôlego ofegante.

—Não sei - ele sussurrara, pois era a mais pura verdade.

Não tinha mais como negar que a desejava, e muito. Mesmo que tentasse, seu corpo era prova do contrário. Embora, lá no fundo de sua mente, Draco soubesse que aquilo era completamente inapropriado, que poderia colocar os dois em um situação complicada, era como se tivessem se envolvido num feitiço do qual não conseguiam sair.

—Nem eu… -  ela respondeu antes dos dedos ágeis abrirem os botões da camisa dele.

Astória puxou o tecido para trás, abandonando-o na cadeira e Draco não fez nenhuma objeção, louco para sentir o contato daquelas mãos em sua pele. Arrepiou-se com a forma como ela espalmou ambas as mãos em seu peito, deslizando os dedos até sua barriga. Ele conseguia sentir o sorriso dela por entre os beijos e lhe dava ainda mais senso de prazer saber que ela estava gostando daquilo tanto quanto ele, por mais loucura que fosse.

Draco também queria Astória com menos tecido entre eles, porém se ela não o impedisse, onde iriam parar? Sozinho ele não conseguiria se impedir de querer mais e mais. Ele conteve um gemido mais alto quando sentiu a boca dela mordendo sua orelha, de repente se lembrando que alguém de fora poderia escutar se a sala não fosse enfeitiçada. Porém tirou logo o pensamento da cabeça e se focou em tentar descobrir como a blusa que ela usava era amarrada.

No entanto, ao se afastar para ver onde estava o laço que precisava puxar para ter acesso ao que queria, Draco acabou esbarrando na cadeira atrás de si e fazendo um barulho que pareceu estourar a bolha de loucura no qual se encontravam. Astória empurrou-o pelos ombros para longe de si, os olhos arregalados.

—Não podemos fazer isso! - ela pulou da cadeira, passando a mão nos cabelos e tentando realinhar as roupas - você é meu paciente e…

—Astória, espera - Draco pegou a mão dela, não querendo que ela fosse embora tão de repente.

—Desculpa, não posso… - ela chacoalhou a cabeça e o garoto viu o quão confusa a loira estava, não teve o que fazer além de vê-la partir.

Ficou para trás, ainda sem fôlego, com o coração batendo a mil e a sensação do corpo dela junto ao seu. Tudo tinha acontecido muito rápido, mas se tivesse que sintetizar em uma palavra como se sentia, Draco teria que dizer: feliz. Se virou para pegar a camisa que estava jogada e se vestir antes que alguém o encontrasse assim, seriam explicações complicadas de dar. O pensamento reviveu mais uma vez os momentos e sua mente e trouxe um sorriso aos seus lábios, o primeiro em anos.



Notas finais do capítulo

As coisas acabaram de ficar bem mais complicadas, não é?
Os dois lindinhos não conseguiram ficar longe um do outro, mas como será que vão lidar com isso??
A fic já está no finalzinho... espero que vcs estejam gostando! Não deixem de me dizer nos comentários o que acharam.
Bjus



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