Hello There 2 escrita por Weirno


Capítulo 7
S02EP07 - Another One Bites the Dust


Notas iniciais do capítulo

Mais um Bate as Botas

Desavenças acontecem entre Olivia e Logan enquanto o perigo se mostra mais próximo do que nunca para os sobreviventes.



Após ter sido atendida no hospital, Jordana e Emily decidiram que não queriam passar o resto do dia em sua casa. Archie havia conversado com Kai Conway e, após isso, foi até a delegacia para prestar um boletim de ocorrência, ver se adiantava de algo, mesmo pensando que, provavelmente, não. Ele também tentaria trazer alguma segurança para as duas, como dois seguranças particulares providenciados pelo xerife, contanto ao que passava na cidade e o passado delas. Era de se esperar, mesmo para quem não soubesse o que elas passavam, alguma compreensão sobre o caso. Enquanto isso, sem Archie, as garotas passariam o dia fora, andando pela cidade, conversando e fazendo qualquer coisa que não fosse voltar para a residência. Contudo, Brammall havia esquecido seu celular dentro da casa, e agora estava pronta para buscá-lo.

Emily parou o carro na frente da casa. Do lado de fora, estava como sempre foi, grande e bonita. Apenas de lembrar do sufoco de horas atrás sentia um estranho arrepio lhe percorrer o corpo. Buster continuava na casa, o que não era um problema para ninguém. As duas se pegaram olhando para as janelas, esperando alguma movimentação no interior. Como o esperado, não havia nada de ameaçador. Pelo que parecia, sem mais ataques naquele dia.

— Quer que eu vá junto com você? – perguntou Hayes, fazendo Jordana se virar para si. Ainda tinha os olhos inchados e fracos arranhões por toda a cara. Estava abalada.

— Não precisa – respondeu a outra. – Eu me viro.

Concordando com a cabeça, a morena via a amiga abrir a porta do carro e sair, hesitando por alguns segundos antes de começar a caminhar na direção da porta da frente. Sentia um estranho incômodo em ver Brammall daquela forma. Parecia que sentia a angustia da amiga e o medo, mas sem de fato conseguir, pois tudo o que realmente sentia era ódio. Queria pegar o desgraçado antes que fosse tarde demais, e mesmo que estivesse zelando mais pela própria vida, não queria que o jogo chegasse à altura do de sete anos atrás. Não sabia se poderia aguentar tudo aquilo de novo.

A albina, por sua vez, sentia-se amedrontada. Uma força invisível parecia pressionar seu estômago e chacoalhar seu coração toda vez que se lembrava dos minutos de terror vividos a algumas horas, uma sensação de exposição, como se não estivesse segura em lugar nenhum. Algo que, por um lado, era verdade. O ataque, para ela, era obviamente um aviso de que estava acontecendo de novo, ficava claro agora. Um aviso do mascarado na tentativa dele mostrar a ela que algo do passado estava inacabado, que as duas deixaram alguma ponta solta que desencadeou a ira de um novo assassino. Ponta solta essa que nenhuma das duas sabia localizar. E claramente teria de existir um motivo, as ligações deixaram isso claro.

O som da grama sendo esmagada encheu seus ouvidos enquanto a varanda se aproximava. Brammall sentia o peso do olhar da amiga nos ombros, tendo certeza de que estava sendo observada atentamente, como se Hayes fosse sua segurança pessoal, uma coisa que não era de tão mal assim, pois Jordana via na sobrevivente a fúria e a determinação em encontrar a resposta, e se Emily continuasse daquela forma, era um sinal de que poderia e iria se proteger quando fosse necessário, estando, assim, dentro desse território seguro, sendo que não desgrudaria da amiga.

Sabia que a porta estaria fechada, e por isso havia se prevenido e pegado a chave antes de sair do carro, com essa chacoalhando e tilintando em sua mão direita. Subiu os poucos degraus de madeira e logo pisava no piso de mesmo material, que mesmo sendo novo e bem tratado, parecia que cederia ao menor dos pesos contanto a todos os estalos provindos dele. Parou diante da passagem e selecionou a chave, virando-a na fechadura logo em seguida. Com certo receio, virou a maçaneta e abriu a porta lentamente, encarando o interior vazio da residência e deixando que uma corrente de ar envolvesse seu corpo. Estava arrepiada de tensão.

Engoliu em seco, dizendo para si mesma que não havia perigo lá dentro. O mascarado havia sido espantado com a chegada de Emily e era isso. Jordana suspirou profundamente e entrou de uma só vez, fazendo questão de deixar a porta aberta no caminho. Parou no hall de entrada, percebendo a ausência de Buster, que normalmente vinha recebê-la com lambidas e latidos. Colocou o molho de chaves na bancada ao lado, dentro de um pote de cerâmica, sabendo que levaria algum tempo até encontrar seu celular. O mesmo havia sido perdido durante a perseguição, e tinham grandes chances de estar, até mesmo, no porão. A albina não se lembrava de onde o vira pela última vez.

— Buster! – chamou, não obtendo nenhum ruído como reposta. – Buster?

Pensou onde seguiria para encontrar o cão e chegou a conclusão de que procuraria na cozinha, onde aproveitaria e tomaria um copo de água com açúcar para acalmar os nervos. Ao longe, Hayes ainda prestava atenção na amiga, continuando sentada no banco do motorista. Ela viu quando Brammall passou pela passagem da cozinha e desapareceu, sentindo-se levemente temerosa.

Jordana entrou na cozinha e olhou ao redor. Ainda nada. O pensamento de que Archie havia levado o animal consigo depois da confusão passou por sua cabeça, ou até mesmo que Molly houvesse ido até lá buscá-lo após um pedido de Emily ou Archie. De qualquer forma, as duas opções eram improváveis, desde que ambos iriam avisá-la caso algo assim chegasse a acontecer e, como já previsto, a albina não sabia sobre o paradeiro de Buster.

Começou a caminhar até o outro lado da bancada, na direção da pia de metal, tendo vista para o exterior pela grande janela, e foi quando, na metade do caminho, o chão de repente ficou escorregadio. A sobrevivente não teve tempo de segurar em algo ou se equilibrar, a alternação do solo foi tão abrupta que nada foi capaz de prepará-la para o escorregão. No momento seguinte, sentiu o corpo despencando enquanto uma das pernas voou para a frente, caindo de bunda no chão sem emitir um ruído além de um suspiro de susto. O coração mantinha-se acelerado no peito, não estava preparada para aquilo. Sentia a parte atingida doer pelo impacto, gemendo de dor.

Pronta para se levantar e ver o que seria o motivo de tal atrocidade, levou uma das mãos para cima, apoiando-a na bancada de madeira, e foi só então que percebeu a consistência vermelha que a preenchia.

A garota encarou a palma de sua mão com curiosidade, vendo as mesclas carmesim, e levou menos de dez segundos para perceber que era sangue. Sem que percebesse, começou a ofegar. Uma tontura lhe abalou. Então, ao chegar a conclusão de que havia escorregado em um bocado de sangue, olhou para baixo, apenas para testemunhar o horror que ali havia.

— Não… Não… – sussurrou, choramingando.

Diante de si, estirado no chão atrás do balcão, estava o corpo sem vida de Buster, o cãozinho inocente, acompanhado de suas tripas vermelhas e que pingavam sangue, saídas do grande buraco aberto em sua barriga, vindo de cima para baixo e espalhando todo o líquido pelo chão. Os intestinos se embrenhavam uns nos outros de forma que Brammall quase vomitou, sentindo a bile subir pela garganta enquanto observava os pelos sedosos do animal manchados da mesma consistência. Ela colocou uma das mãos sobre a boca, não se importando com estarem sujas, e em tal estado de choque não percebeu que havia outra coisa junto ao corpo.

Moveu as pernas com um pouco de repulsa, espalhando o sangue com o movimento e sentindo-o sujando as calças. De repente, a sujeira deixou de ser sujeira, e Jordana não se importou em ficar completamente manchada de vermelho, pois ficou de quatro, apoiando as mãos sobre a poça, e começou a engatinhar na direção do cachorro. Podia sentir uma lágrima escorrendo pelos olhos. Não via como aquilo fazia sentido, Buster era apenas um animal. Um animal inocente, por sinal. As palmas das mãos foram tomadas pelo líquido enquanto se aproximava da faca cravada nas costelas do cão, prendendo a ele um pedaço de papel.

A albina esticou uma das mãos, os joelhos e pernas ficando sujos, e com um pouco de hesitação e medo, agarrou o cabo da faca. Percebeu que era a mesma com a qual quase havia sido morta, e logo ficou claro que aquilo foi mesmo um ato do assassino. Desenterrou a lâmina com a garganta presa, fazendo-a deslizar para fora do animal. Um som de sucção se espalhou pelo ar enquanto mais linhas tortuosas de sangue saíam dele. O papel foi tirado junto, e quando a arma finalmente foi retirada, o mesmo escorreu pelos pelos e caiu na poça. Brammall atirou a faca de sobrevivência para o lado, fazendo-a tilintar no chão, e então pegou a tira de papel.

Virou-o com dificuldade contanto a sua falta de força para a situação, manchando-o ainda mais com o sangue de suas mãos. Caindo aos prantos, leu o que ali estava escrito com uma caneta preta, deixando claro que o fato havia sido uma punição pela sua sobrevivência: “Nova vida?”.

 

1

 

Springwood Dinner havia finalmente voltado à ativa. Bem, não à ativa de fato, mas as portas haviam voltado a ser abertas para os clientes, mesmo que não houvesse nenhum, pois, é claro, ninguém gostaria de comer no lugar onde três pessoas foram brutalmente assassinadas. Sem gerência ou dono, a lanchonete havia ficado nas mãos da prefeitura de Oakfield, e a não que alguém comprasse-a ou que os negócios voltassem a serem bons, seria fechada e o lote vendido. Era até estranho a morbidez do lugar, com todos os assentos vazios e a jukebox novinha em folha trazendo alegria para ninguém além dos fantasmas que habitavam o lugar, com sua música antiga ressoando pelo ar sem surtir efeito algum sobre a única pessoa que ali estava presente.

Olivia havia ficado realmente surpresa por ser a única pessoa a ter ido trabalhar naquele dia. Talvez fosse porque era o primeiro dia da reabertura, ou nenhum jovem voltaria a pôr os pés sobre o estabelecimento após os acontecimentos. Para ser franco, ela havia ido apenas para encontrar alguns rostos conhecidos, pensando que, juntos, ela e os amigos que também trabalhavam ali poderiam se apoiar, desde que não tinha nenhum familiar na cidade e era a mais próxima das vítimas, procurando por um ombro no qual poderia afogar suas mágoas. Tommy havia sido bem útil no dia após o ataque, quando lhe contou o que havia acontecido, mas depois sumiu sem dar notícias, abandonando-a, praticamente.

Ela e Clary tinham um grande passado, estudaram juntas e se mudaram juntas. Ree foi como a vela da relação dela e Toby por muito, muito tempo, e era realmente grata de ter amigos tão leais e confiáveis quanto eles. Agora, no entanto, estava tudo perdido. Havia perdido os melhores amigos e, possivelmente, o emprego, e só lhe restava pedir ajuda aos pais ou encontrar um novo lugar para trabalhar. Haviam alguns dias desde a morte dos dois, mas Olivia se sentia igualmente abalada por todo esse tempo, mal conseguindo acreditar que conseguiu sair da cama e pôr seu uniforme. Todo o esforço apenas para encarar a vazia lanchonete, isolada e sem ninguém por perto.

Apoiada na bancada, observava o exterior de Springwood Dinner com desinteresse, quase chorando ao se recordar dos momentos passados com Clary naquele mesmo lugar. O estacionamento ensolarado estava vazio, e a rua em frente a ele mantinha-se nada movimentada, com um ou dois carros passando vez ou outra. Sentia-se assustada, também. O estabelecimento era grande e ficar sozinha ali não era nada agradável. O celular sem internet não exibia nenhuma nova mensagem ou notificação, e o tédio lhe preenchia. Olivia engoliu em seco ao olhar ao redor e só então percebeu como estava com sede. A solução mais lógica seria tomar um copo de água, mas quando ficava triste mantinha uma estranha obsessão e vontade por doces, e por isso decidiu usar umas das máquinas atrás de si.

Virou-se lentamente, se dirigindo a uma delas. Pegou um dos copos ao lado e levantou a alavanca, preparando um cappuccino. Era uma regra do lugar que nenhum funcionário deveria desfrutar dos alimentos e bebidas em horário de trabalho, mas já que não tinha mais uma chefe e ninguém rejeitaria algo para uma garota que acabou de perder a melhor amiga, Ree decidiu arriscar. E foi enquanto via a espuma marrom preencher a xícara pega que a oriental escutou o sininho sobre a porta chacoalhar, alertando a abertura das portas e a chegada de um novo cliente. Contudo, esperou que sua xícara estivesse completa antes de se virar, escutando os passos se aproximando.

Assim que virou o corpo se deparou com Logan, que a encarava de volta seriamente. Eles se conheciam, e uma certa tensão sempre pairava no ar quando estavam juntos contanto ao passado da garçonete e Tommy, o atual namorado de Bates. De qualquer forma, sempre mantinham a normalidade e a serenidade, mesmo que suas mentes estivessem nervosas.

— Esse lugar está realmente diferente agora – disse o homem, olhando ao redor com curiosidade, sério. Ele parecia nervoso, quase assustado. O acontecimento havia mexido com todos e com qualquer um que passasse por aquelas portas. Era como se uma aura sombria pairasse sobre Springwood Dinner.

Olivia olhou ao redor e se lembrou de tudo, tentando desviar o pensamento enquanto tomava um gole em sua xícara. Então, quando engoliu, voltou-se à Bates e perguntou, colocando a caneca na bancada:

— O que deseja?

— Um café para viagem, por favor – respondeu ele, educadamente.

A oriental sorriu de lado e começou a fazer o pedido, virando-se de costas para ele. Mesmo depois de tanto tempo, ainda era estranho estar na presença do moço.

Como não haviam clientes, ela não se deu ao trabalho de fazer café, e por isso agarrou a cafeteira e iniciou o procedimento, enchendo-a de água quente de uma das máquinas dali. O único problema era que o meio tempo que levaria para preparar a bebida seria o suficiente para deixar que o constrangimento crescesse no ar e que Logan, mais uma vez, usasse de sua grande curiosidade.

E foi exatamente o que aconteceu, pois enquanto enchia a cafeteira de água, escutou o outro perguntar atrás de si:

— Como está sendo trabalhar aqui? – Houve uma pausa, em que Olivia se manteve quieta. – Você era bem amiga da garota que foi assassinada, não era? E mais duas pessoas também foram mortas aqui…

Ree virou-se para ele, trazendo a garrafa cheia em mãos. Abriu uma das gavetas para pegar o pó de café enquanto respondia:

— Nada fácil. – Tentou ser gentil com a resposta, mesmo que não quisesse entrar naquele assunto mais uma vez. – E pior quando eu penso que nós duas havíamos trocado de turno.

— Trocado de turno? – questionou Bates, as mãos nos bolsos.

— Uhum – respondeu, sem manter contato visual. – É horrível pensar que… Poderia ser eu, sabe? – Ela olhou para ele, nervosa. – Sinto que sou culpada por isso… A escolha foi dela, mas mesmo assim…

— Eu sinto muito, Olivia – disse, com a maior quantidade de compaixão na voz que conseguia. Após muito tempo, a ação ainda era um pouco estranha. Por muitos anos apenas prezou o mal para a asiática, até que percebeu que ela realmente se arrependia de tudo o que havia feito. Tal ódio também se aplicava ao próprio namorado, do qual se aproximou apenas com a intenção de puni-lo por seus atos, mas que, no final, acabou se apaixonando. – Não posso imaginar como deve ser… Não sei se conseguiria suportar tanta dor.

— Espero que nunca tenha que descobrir, Logan. – Ela tinha os olhos marejados, uma fina camada de lágrimas quase escapando para fora. – Obrigada pelas palavras.

Olhou para baixo, percebendo o café quase pronto. Metade da garrafa estava cheia.

— Tommy me disse que te encontrou… Bem, no dia depois do que aconteceu – continuou Bates, demonstrando que não queria acabar com o papo ainda. Era até estranho para Olivia o quanto ele matutava sua cabeça com aquilo.

— Pois é… – concordou, suspirando. – Ele me contou sobre o que tinha acontecido.

— Você não sabia antes?

— Não, por isso cheguei toda uniformizada. Até que vi todas as viaturas e as pessoas.

— Nossa…

Mais um longo silêncio se prosseguiu. A garota apenas rezava para que o momento desconfortável acabasse, e o moço sentia-se levemente raivoso por não estar conseguindo o que queria.

— E mais uma foi morta – voltou ele. – Ficou sabendo?

— É, fiquei. – Revirou os olhos enquanto se virava para o outro lado, posicionando a cafeteira ao lado das máquinas de café expresso após tirar a garrafa de seu interior. Obviamente sabia das notícias da morte de uma atriz em seu camarim, um assassinato, e em como as pessoas julgavam aquilo, interligando o fato à morte de Clary, Toby e Ally, como o ataque de um novo serial killer que assolaria a cidade. Ela, pessoalmente, não achava ser verdade, mas não conseguia deixar de pensar no assunto, temendo a opção toda vez que pensava nela.

Pegou o copo que antes havia posicionado logo ao lado e o encheu de café, fechando-o firmemente com a tampa e o estendendo à Logan.

— Fica três dólares.

O veterinário sorriu e pegou o café, tirando a carteira do bolso no mesmo instante, enquanto vasculhava seu interior na procura por uma nota. Enquanto isso, do outro lado do balcão, dando graças a Deus por finalmente poder se ver livre do homem, Olivia sentiu uma vibração no bolso da frente do avental. Olhou para baixo e puxou de lá o celular, que vibrava, indicando uma ligação. Via que o remetente era um número desconhecido, mas, mesmo assim, atendeu, deslizando o dedo pela tela e apertando o aparelho contra sua orelha.

— Alô? – perguntou, chamando a atenção de Logan, que ainda não tinha percebido a situação. Ele fingiu desinteresse, abaixando os olhos, mas ficando atento ao que iria se prosseguir.

Hello there, Olivia – respondeu a voz.

— Quem é? – Estava curiosa, mas indiferente àquilo.

Deve ser realmente difícil estar de volta… Mas é como dizem: os retornos são sempre necessários para o acerto de contas.

Franziu o cenho. Bates enrolava para pegar o dinheiro, com um leve pensamento de que sabia quem a ligava. Engoliu em seco.

— O quê? – perguntou, não entendendo.

Principalmente quando está no lugar em que acabou de perder a melhor amiga – continuou o indivíduo, indecifrável. – Como consegue se perdoar por ter matado a Clary, Olivia? – Sentiu um peso invisível lhe pressionar o peito, a respiração ficando entrecortada. – Você gostou? Porque, sabe, sempre achei que vocês duas tinham uma espécie de rivalidade.

— O que você quer? – disse, assustada, tendo uma leve certeza de quem era. Todos os boatos voltaram à sua cabeça. Estava apavorada.

Clary tinha a vida perfeita, não tinha? – dizia a voz, sem se importar com o comentário dela. – Um belo namorado, um bom trabalho, bons amigos… E você, o que tinha? Apenas ela e aquela espelunca que chama de casa. – Uma pausa. – Você deve ter apreciado… Passado e repassado a cena em sua mente milhões de vezes…

— Pare de dizer essas coisas…

Do outro lado, Logan levantou os olhos, bebendo um gole do café enquanto colocava o dinheiro sobre o balcão. Observava-a diretamente nos olhos.

Ou então você está realmente triste… Já pensou em se matar ou essa opção ainda não lhe chegou a mente? A vida não é nada fácil, e agora que perdeu literalmente tudo o que tinha, deve estar sendo um peso continuar vivendo. – Uma lágrima escorreu pelo rosto de Ree enquanto ela ofegava, amedrontada, ao menos percebendo que Bates continuava a sua frente. – Mas não se preocupe, Olivia, talvez sua vida seja perdida antes mesmo que pense em tomar alguma providência como essa… E eu ficarei mais do que honrado em ser o feitor disso!

Não aguentou. A última frase, a ameaça de morte, a fizeram entrar em colapso. Incrível o fato de como, de um momento para o outro, a asiática se tornou outra pessoa. O coração palpitava como se tivesse percorrido uma maratona. Olhou ao redor, desesperada, e voltou a perceber o homem diante de si, encarando-a de forma entretida. Largou o celular sem finalizar a chamada e mal pôde escutar quando ele bateu com força de encontro ao chão.

— Aconteceu alguma coisa? – perguntou o moreno, mesmo que Ree não pudesse ouvir, pois todos os sons ao seu redor ficaram longínquos, como se estivesse embaixo da água. Além disso, a falta de ar lhe assolava. Não tinha um ataque como aquele a muito tempo, mas não era surpresa, também. Depois do caos do incêndio no prédio, Olivia havia ficado cada vez mais transtornada, de modo que qualquer tipo de situação pesada poderia mexer com seu psicológico e fazê-la entrar em pânico. – Olivia? – questionou de novo ao não obter resposta.

A garota nada fez além de contornar o balcão. Agora soluçava, completamente apavorada. Sentia-se observada, ameaçada. Tinha certeza de que a ligação fora feita pelo assassino de sua amiga, e possivelmente pelo assassino de April Green, e se dessa forma fosse, só havia uma explicação plausível para ter recebido-a: era uma das vítimas.

Passou como um flash de luz ao lado do moreno, que a observou com preocupação por alguns segundos, vendo-a avançar sem hesitar até as portas duplas. Escutava os soluços dela, via os ombros subindo e descendo com o choro. Mesmo de costas o temor era decifrável. No momento seguinte, Olivia escancarou as duas portas de vidro de forma teatral, saindo para o exterior da lanchonete sem pensar em suas responsabilidades ou nas consequências de fugir de seu horário de trabalho, vendo à frente o estacionamento vazio. O que não pôde ver, no entanto, era o sorriso que se formava no rosto de Logan enquanto ele observava a asiática correr para longe.

 

2

 

O homossexual estava entretido com a conversa que levava ao telefone. Estava de noite, agora. A escuridão silenciosa trouxe para os cidadãos de Oakfield um pouco de paz, enfim, e era no interior da clínica veterinária que Logan papeava com Tommy ao telefone, caminhando pelo corredor do lugar, em direção a uma das salas, com um punhado de gazes nas mãos.

— Ah, amor, mas não foi nada – dizia. – Eu achei que ela estava envolvida, só isso.

Envolvida com os assassinatos, Logan?! – respondeu Howard, um pouco bravo. – Você está louco? Como pode pensar uma coisa dessas?

— Calma, querido, ela não percebeu – disse de forma animada. – Não tem problema algum.

Não, amor, não é isso que eu tô querendo dizer, e sim que você pode ser preso se alguém desconfiar ou denunciar.

Revirou os olhos, não dando bola para as palavras do namorado. Orgulhoso como era, achava sempre estar certo e continuava confiante de suas ações, não percebendo o quão pejorativas elas poderiam ser. Antes que pudesse responder, parou diante de uma das portas do corredor. Estava iluminado o bastante para que o veterinário percebesse se tratar da correta, e por isso virou a maçaneta, abrindo-a e entrando no cômodo.

— Ninguém percebeu, fique tranquilo. Eu sei me cuidar, além de tudo. – Sorriu de lado. – E sim, eu fiquei um pouco desconfiado dela.

Poderia me dizer o motivo, pelo menos? – O loiro parecia ter se amansado do outro lado da linha, abaixando o tom de voz após suspirar profundamente, estando disposto a ouvir o namorado.

— Primeiro que uma das primeiras vítimas era melhor amiga dela, tinham uma conexão. Você nunca assistiu aos filmes? Todo assassino é amigo de alguém, Tommy. – Estendeu um dos braços para o lado e apertou o interruptor, acendendo a luz do cômodo. – Olivia poderia ter tido um ataque de raiva, ciúmes ou medo, sei lá, e matou a Clary naquela noite. Assim, para ocultar as suspeitas sobre si, matou Ally e Toby também, para que a polícia achasse que foi um assassino aleatório.

Mas isso não faz sentido. Se ela quisesse mesmo passar despercebida, não faz sentido ela ter matado três pessoas com as quais ela tinha contato todo dia.

— É exatamente disso que eu estou falando! – Animou-se, caminhando até uma prateleira metálica no canto do quartinho, usado para o mantimento dos medicamentos. – A polícia, com certeza, acharia alguma ligação entre a Olivia e os três cadáveres, seria a primeira pessoa a ser interrogada por manter tanta ligação, mas eles logo perceberiam que seria estúpido da parte dela matar os três sem ocultar as evidências ou tentar mascarar sua culpa.

Eles também não sabem se ela é esperta o bastante para fazer isso – continuava Howard, insistindo em discordar do outro. Era de se esperar tal protegimento por conta do loiro, que já tinha um passado com Ree. Contudo, mesmo que trágico, os dois comentavam sobre o assunto como se fossem duas pessoas completamente diferentes, e ao contrário do que acontecia quando os três estavam unidos, sem a presença de Olivia, Logan e Tommy conversavam sobre sem o mínimo dos problemas ou tensão. – Aceita, Logan, o que você diz não tem sentido.

Abriu a portinhola da estante, que era feita de vidro, e jogou os gazes de qualquer forma lá dentro, não se importando para a ordem, sabendo que os outros funcionários desorganizariam depois, de qualquer forma. Fechou-a e virou de costas para ela, dizendo:

— Tudo bem, amor, acredite no que quiser, mas já sabe que não vai mudar o que penso.

Cer…

Howard começou a falar, mas foi bruscamente interrompido pelo moreno, que gritou:

— Não! Me deixe terminar de falar e eu talvez te convença. – Um suspiro forte foi ouvido do outro lado, mas o namorado não respondeu. – Tudo bem… Como eu ia dizendo, além de ter esse pensamento extremamente esperto, ela tinha acesso à lanchonete. Ela trabalha lá, com certeza tem uma chave, poderia entrar no lugar facilmente, sem que ninguém ao menos percebesse.

Tá, isso faz um pouco de sentido, mas não justifica você ficar apontando dedos, tudo bem? – Houve uma pausa. – Olha, Logan, eu não sei se isso é uma coisa pessoal entre você e ela, se sente algum ciúme ou coisa assim – Franziu o cenho, perplexo pela acusação. –, mas não é certo você ficar fazendo isso. É sério. É uma acusação muito forte dizer que alguém é um assassino.

Engoliu em seco, mal se lembrando de que continuava na clínica.

— A próxima coisa que eu ia dizer, é que eu estou brincando com você. Olivia conseguiu provar sua inocência. – Sorriu de lado, satisfeito. Tommy nada disse. – Depois de eu tentar tirar alguma informação dela…

Não acredito que tentou fazer isso…

— O que? Achou que eu tinha ido até lá só para olhar pra ela? Eu sou um homem de ação, meu querido Thomas. – Ainda mantinha um sorriso bobo no rosto. Adorava mentir para o namorado e depois surpreendê-lo com o contrário do que havia dito, como havia feito. – Estou convencido de que ela não é assassina nenhuma.

Como ela provou a inocência, então?

— Ela recebeu uma ligação. Igual aquela que a Ellen recebeu hoje cedo, lembra?

Foi possível ouvir a respiração ofegante do loiro antes dele dizer:

Logan, como pode ficar calmo com isso? Aquilo que a Ellen recebeu foi uma ameaça! – Ele gaguejou e continuou: – O assassino ligou para a nossa amiga hoje cedo, deixando claro que ela corria perigo, e se a Olivia também recebeu uma ligação daquelas… Ela também pode estar encrencada.

— Bom, pelo menos nada de ruim aconteceu com nenhuma das duas, então pode ser um bom sinal, não pode? Talvez os que recebem ligações ficam imunes do assassino. – Estava com um pé atrás contanto ao comentário.

Não sei… E nem quero saber. – Ele deu uma pausa, onde houve o som de alguma coisa se mexendo. – Eu vou tomar um banho agora, tudo bem? Você chega que horas em casa?

— Vou terminar de arrumar algumas coisas aqui na clínica e já vou.

Okey, então. Só… Me prometa que não vai mais se envolver nisso. Deixa o caso com a polícia, antes que fique muito envolvido e acabe se dando mal.

— Tudo bem, amor, pode deixar.

Obrigado. Até mais.

— Tchau…

Desligou a chamada e, diferente do normal, pegou-se pensativo. As palavras de Howard realmente mexeram com seu ponto de vista, mesmo que não houvesse demonstrado isso na ligação, para manter sua confiança. Não sabia se queria se envolver naquilo tudo, parecia horrível demais, devido a todos os testemunhos de Emily, Jordana e os outros sobreviventes. Era um homem frágil, apesar de seu jeito de ser, e parecia fora de seus limites lutar pela vida. Talvez deixar de suspeitar das pessoas realmente fosse a melhor coisa a se fazer. Se arrependia agora da decisão de ter ido conversar com Ree mais cedo naquele dia, e de como sentiu-se feliz em vê-la correr do lugar após a ligação, assim que percebeu que ela era inocente e já tinha uma suspeita tirada da lista.

Suspirou profundamente, um pouco triste, e foi quando escutou um som ressoar pelo estabelecimento. Percebeu se tratar da porta da frente sendo aberta, um ranger de leve seguido por um baque alto. Revirou os olhos, gritando dali mesmo enquanto guardava o celular no bolso e se preparava para sair:

— Estamos fechados!

Não houve resposta, apenas silêncio. No momento seguinte, um barulho agudo chegou aos ouvidos de Logan. Ele franziu o cenho, percebendo se tratar da sineta que ficava sobre o balcão da frente. Tratou de caminhar naquela direção, voltando a avisar:

— Já disse que estamos fechados! Volte amanhã e te daremos o melhor atendimento que pudermos! – Além da hora de fechamento ter sido atingido a alguns minutos, Bates estava completamente cansado, exausto. Não sabia se aguentaria atender mais um cliente naquele dia.

Andava pelo corredor, na direção do hall de entrada, quando um pensamento circulou sua mente, fazendo seu coração acelerar, ao mesmo tempo que ficou curioso. Eu tranquei a porta da frente.

Acelerou o passo sem pensar duas vezes, quase correndo. Não sabia como alguém poderia ter entrado, pois tinha certeza de que havia trancado-a. Virou numa curva e então entrou em outro corredor, logo atingindo seu objetivo. Encontrou o lugar vazio, assim como havia deixado-o pela última vez. Era quadrado e fechado, com apenas duas direções a serem seguidas: sair pela porta da frente ou entrar ainda mais na clínica através do corredor de onde acabava de sair. O hall também tinha as luzes apagadas, das quais Logan não tratou de acender por preguiça de ir do outro lado do cômodo. Diferente disso, ao perceber nenhum sinal de presença, foi até a porta da frente.

A vitrine esticava-se pelas duas paredes ao lado da porta, e a mesma tinha o centro feito completamente de vidro, com as laterais finas de madeira, como uma moldura. O veterinário conseguia enxergar todo o exterior do estabelecimento por ali, olhando para a rua deserta e a praça central ao longe, com todos os postes à vista acesos. Ao se aproximar mais, percebeu que uma fresta se fazia entre a madeira da porta e o batente. Franziu o cenho, um pouco assustado. Talvez tivesse espantado o cliente com seu aviso e o mesmo deixou a porta aberta, mas o fato dele ter trancado-a ainda martelava a mente do moreno. Só havia três respostas para isso: ela havia sido aberta por dentro, o que significava que havia mais alguém consigo ou que essa pessoa havia conseguido sair após ser trancada ali dentro e não ter dito nada ou procurado alguém por medo de uma possível bronca; alguém tinha a chave da porta, o que não podia ser verdade pois havia apenas uma cópia, e ela pertencia à Bates; a mesma havia sido aberta com alguma técnica.

Tocou a maçaneta e a abriu, escancarando-a para dentro. Deu um passo para fora, sentindo o ar frio da noite lhe abater o rosto. Engoliu em seco e olhou para os lados, mas não encontrou ninguém.

— Tem alguém aqui? – perguntou, mas não houve resposta.

Com isso, voltou a fechar a porta e pegou a chave em seu bolso traseiro, onde sempre a deixava, trancando-a. Dessa vez, tratou de ter certeza de que estava trancada, e o resultado foi positivo. Forçou sua mente a acreditar que a primeira hipótese era a correta, que alguém havia entrado e ido embora, pois também havia ouvido a porta ser fechada. Ou talvez eu já tenha me envolvido demais, e agora o assassino está aqui para me matar.

Só falta algumas caixas, e então você vai embora… – disse para si mesmo, voltando ao corredor.

Então, caminhando por ele, com o silêncio parecendo crescer a cada segundo, ao passar pela porta do banheiro, Logan pôde escutar uma descarga sendo ativada. O som da pressão da água foi o bastante para fazê-lo parar. Mas ainda tentava manter-se calmo, pois a primeira opção de resposta para o que havia acontecido ainda era viável: a pessoa apenas sentiu vontade de ir ao banheiro e ao passar diante da clínica viu a luz do corredor acesa, tentou abrir a porta, falhou e então abriu-a com um clipe ou coisa assim. Agora, teria de expulsar o intruso.

Assim, abriu a porta do banheiro sem exitar, esperando se encontrar com alguém, mas diferente disso ele também estava vazio, como se o som de descarga fosse uma mera invenção de sua mente. Mas Bates tinha certeza de ter ouvido aquilo, e então se aproximou da primeira cabine. O lugar era grande e retangular, com as paredes cobertas por azulejos cinza e uma delas preenchida por um grande espelho. Do lado paralelo a ele, cinco cabines ficavam lado a lado, feitas todas de plástico cinza e sujo pela falta de limpeza, com uma grande fissura na parte de baixo que facilitava a vista do interior e, se houvesse alguém, das pernas do sujeito.

Primeiramente, no entanto, foi até a primeira e tocou na porta.

— Tem alguém aí dentro?

Não obteve resposta, e assim empurrou-a com lentidão, abrindo o pedaço de plástico. Quando este se arreganhou por completo, Logan pôde ver que não havia ninguém ali. Então, como se tivesse um estalo, atrelou a falta de respostas e a óbvia presença de um indivíduo no banheiro com o fato dele não querer ser descoberto, e se não queria ser descoberto, possivelmente tinha um bom motivo para isso. A partir dali, começou a tomar mais cuidado. Em vez de empurrar as portas, então, se abaixou, ficando de joelhos, e praticamente deitou o torso no chão, espiando por baixo da segunda cabine. Para sua surpresa, não achando que a descoberta seria tão rápida assim, pôde observar um par de pés calçados de coturnos negros no interior dela, apontados para sua direção.

Engoliu em seco e, antes que pudesse fazer alguma coisa, percebeu com o canto dos olhos quando a porta começou a ser aberta. Lentamente, o pedaço de plástico ia entrando no interior do cubículo, fazendo o coração de Bates acelerar a cada ranger. Levantava o olhar e girava a cabeça de leve ao fazê-lo, acompanhando o ritmo da abertura. Logo, quando foi aberta por completo, Logan encarou a figura do Carrasco, que, do lado de dentro, o encarava de cima para baixo, observando o moço com a cara da presa inocente que realmente era.

Inocente, o veterinário demorou demais para se lembrar de que o mascarado diante de si era o mesmo que se espalhava pelas notícias dos jornais, e quando finalmente se deu conta do perigo que corria, uma das pernas do outro se ergueu e se lançou na direção de sua face como um vulto negro. De quatro diante dele, o moreno foi atingido diretamente no rosto por um forte chute, capaz de tirar de si um grunhido rouco de dor enquanto era lançado para trás pela força do golpe, caindo de costas no chão frio e logo trazendo os dois braços na direção da área atingida numa tentativa falha de amenizar a dor. Sem que pudesse ver, o psicopata saía da cabine e se aproximava.

— Ai… – gemia de dor, revirando-se no chão, a face inteira queimando e formigando com força, como milhões de agulhas sendo pressionadas contra sua carne. Quando tirou a mão do rosto e percebeu a figura diante de si, foi possível ver a extrema vermelhidão por toda a extensão de sua cabeça. – Não! – gritou, assim que o próximo golpe veio.

O assassino tentou desferir mais um chute para anestesiar Logan, erguendo a perna mais uma vez, mas antes que pudesse acertá-lo no alto do estômago, o rapaz teve um reflexo ágil de empurrar o corpo ainda mais para trás com os antebraços e as pernas, desviando do coturno do Carrasco enquanto este golpeava inutilmente o ar. Pôde sentir um estranho comichar na área que deveria ser atingida. Os olhos arregalados e lacrimejantes esboçavam seu medo diante da situação, a face ainda vermelho sangue, com alguns pontos começando a exibir as marcas da sola do calçado.

Ali, vendo que o maníaco parecia ter percebido o erro e levou alguns segundos para distinguir onde sua vítima estava, Bates tratou de se levantar e começar a correr. Endireitou as pernas e ficou em pé, apoiando com os braços na pia acima de si, onde quase bateu com a cabeça. Teve um relance do agressor antes de forçar as pernas a correr para fora do banheiro, soltando seu primeiro pedido de ajuda:

— Socorro! – O grito foi fraco, no entanto, não sendo capaz de atingir a distância desejada.

Logan segurou no batente e olhou ao redor, não obtendo tempo para pensar muito, ainda atordoado pelo chute na cara e zonzo, com a visão se resumindo a pontos negros dançantes e se acostumando com o ambiente, virando, em seguida, para a direita, onde achou ter melhores chances de sobrevivência. Não teria tempo de pegar o celular e ligar para alguém, muito menos de destrancar a porta da frente, e seu plano no momento era de se abrigar em alguma sala e chamar pela emergência, esperando por ajuda até lá. A primeira opção foi a sala usada como seu escritório.

Impulsionou ainda mais as pernas, seguindo em disparada pelo longo corredor. Correndo, o lugar parecia ficar cada vez mais longo, o objetivo mais distante. Percebia como outros passos se sobressaíam aos seus.

— Socorro! – berrou, olhando para trás, apenas para ver o Carrasco avançando em sua direção, com a faca afiada balançando ao lado do corpo. – Por favor, não faz isso!

Retomou sua atenção à frente, recordando-se do caminho na própria mente. Pelos seus cálculos, teria de virar à esquerda e atingir a primeira porta à direita. Mas não tinha certeza, o desnorteamento do golpe sofrido havia tirado toda a sua noção de tempo e espaço. Era como um corpo primitivo sem consciência fazendo a única coisa pela qual era alienado a aprender: sobreviver. Contudo, naquela situação, a simples ideia de fugir de outro ser humano era absurda demais. Era como se o mascarado que seguia ao seu encalço fosse maior e mais poderoso, deixando-o inferior a ele. O assustador traje também ajudava nisso.

Mesmo que o medo enrijecesse todos os músculos de seu corpo, deixasse sua respiração acelerada para que a troca de gases fosse mais rápida e o coração mais acelerado para irrigar os músculos, num instinto de luta e fuga involuntário, tudo o que Bates conseguia sentir era a anestesia por todo seu corpo. Sua mente trabalhava diferente do restante do corpo, não deixando-o pensar direito. Mas para sua sorte, no entanto, a curva do corredor já estava logo ali.

Lançou o corpo de uma vez só, sabendo que mantinha uma distância de cinco a seis metros do mascarado e que teria tempo o bastante para abrir a porta e entrar antes que fosse alcançado, batendo com o torso na madeira abruptamente. Toda a estrutura tremeu e vibrou, quase parecendo que fosse se partir por um momento. As mãos suadas e trêmulas dançaram diante do corpo e atingiram a maçaneta, virando-a no momento seguinte. Foi com o coração gelado que Logan percebeu que a porta estava trancada, assim que virou o metal e ele apenas estalou, não liberando a passagem. Como um filme, a lembrança dele mesmo trancando a sala antes de ligar para Tommy surgiu em sua mente. Sua vontade de sobrevivência tiraram dele sua única chance de continuar vivo.

Atrás de si, o mascarado já vinha. Não haveria tempo agora. Sua única chance era a de entrar no escritório e se trancar dentro dele, mas foi impedido disso. A pausa na corrida tirou de Bates o distanciamento do assassino, e mesmo que pudesse voltar a correr, nunca estaria separado dele o bastante para conseguir entrar em algum lugar e se abrigar dentro dele. Chances de sair vivo daquilo: zero. No entanto, não desistiria de lutar. Era seu lema lutar até o fim, nunca perder uma batalha sem tentar vencê-la. Por isso, olhou para trás, calculando quanto tempo ainda lhe sobrava, e teve o vislumbre do braço erguido do Carrasco, com aquela faca afiada e ameaçadora apontada em sua direção, avançando como um trem desgovernado enquanto o maldito chegava mais perto.

Tão perto que o único instinto de Logan foi se abaixar com um grito, desviando do golpe e praticamente caindo de bunda no chão com um baque, assim como o que saiu da madeira da porta quando a lâmina a atingiu, entrando na estrutura por uns cinco centímetros, fazendo a porta vibrar de novo, encostada nas costas do veterinário. Bates olhou para cima em pânico, vendo que estava justamente sob o mascarado. Tinha de ser rápido antes que aquela faca se desprendesse da madeira e a corrida pela sobrevivência recomeçasse. E pela forma como o Carrasco puxava os braços para trás na tentativa de arrancar a arma dali, teria tempo o suficiente para se afastar o bastante.

Assim o fez, sem perder tempo. Arrastou-se com as pernas para o lado, saindo de baixo do maníaco. Estava livre do sufoco de estar sob seu assassino. Levantou-se da forma que conseguiu, virando-se para correr de novo. Não pensou duas vezes e entrou pelas portas duplas que levavam à área de cirurgia. Lá, pelo menos, haviam coisas pontiagudas para contra-atacar. Enquanto corria para a primeira porta que chegou ao seu campo de visão, pôde escutar, sob o som pesado de sua respiração e o silêncio de nenhum pedido de socorro inútil que não soltava para não gastar ar, um estalo alto de metal, evidenciando que a lâmina da faca havia saído da porta e, agora, o mascarado poderia continuar sua caçada.

Empurrou a porta branca de plástico com os braços e atingiu o interior. A luz estava acesa, todas as luzes daquela área ficavam acesas durante o período que haviam pessoas na clínica, para que ganhassem tempo caso alguma urgência animal surgisse. Olhou ao redor, reparando em uma maca vazia e metálica no centro do cômodo, presa com parafusos no chão de um material amarronzado. Nas paredes, armários de ferro e com portas de vidro guardavam instrumentos cirúrgicos. Um ou dois carrinhos cirúrgicos, utilizados para o transporte de tais instrumentos, estavam espalhados aleatoriamente pela sala. Junto da maca, um equipamento de luz também estava posto, com um fio elétrico grosso ligando-o a uma das paredes.

Com o coração batendo forte no peito, quase explodindo seu tórax, e a respiração castigando seus pulmões e a garganta, que já doíam e queimavam, Logan tinha gotas de suor escorrendo por toda a face. Até mesmo sua camisa cinza já apresentava manchas de suor abaixo das axilas e em partes das costas. A face ainda estava vermelha e formigando, com grande parte da dor do chute tendo se dissipado, contendo apenas a leve ardência e as marcas quadriculadas da sola do calçado, também com a coloração forte. Além disso, o temor preenchia seu corpo, aterrorizado. Não pensava que iria ser morto daquele jeito, o que era algo que estava com quase total certeza de que aconteceria.

A ideia de que tal coisa aconteceu pois havia tentado investigar Olivia surgiu em sua mente, mas também poderia ter sido um dos alvos desde o início. Agora não importava, afinal, era tarde demais para qualquer pergunta.

Bates se virou de supetão quando os sons de passos pesados se aproximaram, correndo. Não houve erro, o mascarado entrou na primeira porta que viu, exatamente onde Logan estava. Mais uma vez, a porta foi arregaçada para dentro, liberando a passagem do psicopata. O moço pensou que haveria algum momento de hesitação por parte do outro, e se condenou por não ter procurado por uma arma antes, estando completamente exposto, mas o que aconteceu foi o contrário, pois no exato momento em que o maníaco colocou os pés no interior da sala cirúrgica, Bates foi alvo de um novo chute assim que a perna do outro se ergueu diante do corpo, voltando com a fúria de mil demônios em sua direção e atingindo-o no centro do peito.

A queimação foi instantânea, mesmo que o moreno não pudesse sentir toda a dor completamente, sendo que sua mente estava concentrada em outra coisa. Mal viu a figura diante de si, e logo ela desapareceu, porque perdeu a estabilidade das pernas com o golpe. Levado pelo impulso do chute, o corpo foi praticamente lançado para trás, junto de um grunhido dele que se seguiu enquanto despencava no chão, os braços sendo lançados para frente. No caminho, a cintura bateu de encontro a um dos carrinhos cirúrgicos, que, contendo rodinhas nas quatro pernas metálicas, deslizou com força para a outra direção, chiando enquanto o fazia e batendo na parede, vibrando todo. Logan, por sua vez, terminou de cair e o corpo todo tremeu no encontro ao chão.

O assassino se aproximou a passos largos, observando-o de cima mais uma vez. Atordoado pelo novo chute, sentindo a dor tomar conta do tórax, como se houvesse caído sobre uma fogueira, Bates só teve tempo de remexer o corpo, tentando se afastar da figura embaçada que vinha até si rapidamente. Os pés facilmente o levaram para trás e o corpo virou, ficando de bruços, com os braços desleixados tentando puxá-lo ainda mais para longe. Grunhidos de esforço escapavam de seus lábios tortos, parcas lágrimas desciam pela face. A derrota parecia ter preenchido-o.

Acima dele, o Carrasco se abaixou antes que o homem pudesse fazer alguma coisa de útil, segurando-o pela gola da camisa fortemente. Usou forças para levantá-lo. Logan era bastante alto e robusto, e foi um trabalho difícil tirá-lo do chão, mas quando finalmente aconteceu, fez-se ter certeza de que nenhum ataque viria. Puxou-o sala adentro, vendo os joelhos dele se arrastarem pelo chão. Os braços faziam um fútil esforço para retroceder, não obtendo sucesso. Então, quando o psicopata atingiu a maca metálica ali presente, ergueu o torso de Bates de uma vez só, agarrando a parte de trás de sua cabeça e empurrando-a com força na direção da quina do ferro. Um som metálico se espalhou pelo cômodo, algo se quebrando também. Quando a face dele voltou para trás, linhas de sangue espesso escorriam pelas narinas do veterinário, enquanto essas se resumiam a bolos de massa avermelhada, cobertas pela pele. Os olhos ao menos esboçavam vontade de continuar lutando pela vida.

Foi jogado no chão de novo, largado, praticamente, caindo com os braços e pernas abertos, a cabeça um pouco erguida. O assassino subiu sobre suas costas e agarrou a primeira coisa que apareceu em sua frente, deixando a faca de lado. As mãos enluvadas agarraram o cabo elétrico que acendia o suporte de luz ao lado da maca, aproximando-a da garganta de Logan. O fio grosso e negro foi pressionado contra seu pescoço com força. O homem emitiu o desespero e a falta de ar de um segundo para o outro, estalando os olhos e deixando que o sangue entrasse em sua boca. Quase vomitou com o gosto. A cabeça erguida para trás tentava se soltar da mira do cabo, enquanto os braços começaram a apertar o objeto, tentando trazê-lo para o outro lado e diminuir a pressão.

Sons de engasgo se espalharam enquanto a sufocação se prosseguia. Os braços enrijecidos do mascarado tremiam no ar, tamanha era sua força. Logan lutava pela vida no desespero de ter a caminhada do ar até seus pulmões impedida, a garantia de vida se esvaindo. Suas mãos fracas ao menos adiantavam de algo. A face já vermelha se intensificava, quase ficando roxa. Então, enquanto a visão começava a oscilar, teve a ideia de atingir aquele que estava sobre si, as pernas ao lado de suas cinturas. Por isso, usou suas últimas forças e levantou o braço direito, fazendo o maior esforço possível para dar uma cotovelada forte no queixo do mascarado. Um grunhido surgiu daquele por baixo da máscara ao ser atingido e, tão concentrado em sufocar sua vítima, foi surpreendido pelo golpe, aliviando a pressão do aperto e caindo para o lado, com seus dedos deslizando pelo cabo antes de soltá-lo, deixando-o cair no chão de volta.

Uma inspirada de ar forte veio de Bates enquanto ele recuperava o fôlego, sentindo os pulmões arderem por alguns segundos, ofegando com força, o peito subindo e descendo freneticamente, ainda caído. O assassino se levantou em uma fração de segundos, estava disposto a acabar com aquilo. Por isso, agarrou-o de novo pela gola da camisa e tornou a arrastá-lo, dessa vez na direção oposta. Com a cabeça caída e voltada para baixo, Logan não podia ver para onde estava sendo levado, e quando finalmente ergueu-a, enxergou a quina de um dos carrinhos cirúrgicos. Foi tarde demais para qualquer forma de luta ou relutância. De um momento para o outro, enquanto abria os lábios para dar seu último grito, a quina metálica do carrinho, que antes havia sido arrastado para o canto da sala, entrou-lhe diretamente pela boca.

Logan sentiu o gosto de ferro na língua antes da parte pontuda pressionar sua garganta. A bile subiu e ele não pôde evitar de vomitar. O líquido amarelado saiu de seu orifício e manchou todo o chão sob si entre engasgos. Os olhos estavam apertados com a dor, pois a quina havia pressionado sua pele do interior da cabeça, cortando-a intensamente e liberando mais uma enxurrada de sangue. Junto de seu vômito, o espesso líquido espirrou para fora da boca enquanto grunhidos de socorro saíam de si e as pernas e braços se debatiam ao lado do corpo, sem poder algum sobre a situação. Atrás de si, o assassino preparava-se para dar o golpe final.

Vendo que ele havia ficado preso no ferro, praticamente pendurado por ele em estado de agonia, o Carrasco deu distância do corpo. Inspecionou a situação e atacou segundos depois, não dando tempo de Bates ao menos perceber o que havia lhe atingido. Agilmente, avançou com rapidez na direção do rapaz, erguendo sua perna na altura da cintura, onde a cabeça do veterinário estava presa na quina. A sola do sapato chutou-lhe com força no topo da cabeça, dando impulso para que ela fosse para frente e, dessa forma, que a quina do carrinho cirúrgico fosse forçada ainda mais para o interior de si. Era de forma retangular, e a mandíbula se abriu com a pressão, os dentes raspando no ferro. Alguns deles não tiveram sorte, e com a força do chute se quebraram de uma única vez. Os pequenos quadrículos brancos se soltaram das gengivas e escorreram junto do sangue.

A carne de sua nuca foi comprometida pela quina de ferro, que afundou-se com facilidade e abriu uma fenda, chegando próxima de tocar o osso da coluna. O sangue nunca foi tão abundante, escorrendo pela camisa do rapaz e caindo em cascatas líquidas no chão, onde uma poça de tamanho inimaginável se formava, com os dentes arrancados salpicando o vermelho. O rapaz gritava em agonia e dor, mas não viveu o bastante para continuar o ato, pois mais um chute veio do mascarado, no exato mesmo lugar.

A dor no topo da cabeça, local do chute, não se comparava com a da mandíbula sendo quebrada. O segundo chute a abriu muito, e em um estalo alto foi partida, ficando quase completamente na vertical, as bochechas intensamente esticadas, tanto que pareciam que quase iam rasgar de uma vez só. Por sorte, se é que se pode dizer isso, Logan não viveu para sentir a dor de uma mandíbula quebrada. A quina do carrinho comprometeu todo o interior de sua nuca, e aquilo foi o bastante para acabar com sua vida. O grito parou. Uma linha de sangue escorria do topo da cabeça, o líquido ainda pingando da boca aberta. Suas expressões relaxaram, os olhos voltaram à posição original, e Bates finalmente pôde descansar.

 

3

 

Não levou nem trinta minutos, e logo a multidão se aglomerou ao redor da clínica. No meio da noite escura, luzes vermelhas e azuis piscavam intensamente, clareando a visão dos presentes. Como de costume, uma faixa amarela separava os curiosos de plantão da cena do crime. Policiais entravam e saíam pela porta aberta da entrada do lugar. Os latidos dos cães eram ouvidos do lado de fora, todos em extremo pânico, desesperados. Luzes das casas e prédios ao redor se acendiam ao que os moradores começavam a notar a confusão, e então portas se abriam e pessoas de pijama encaravam o frio do exterior, tudo pela procura de informação.

Entre essas pessoas, Zoe observava tudo de garganta trancada. Havia acabado de chegar. Como sempre, Kai havia ido buscá-la no bar em que trabalhava e, enquanto voltavam para casa, um chamado foi recebido pelo gêmeo. Não obtendo outra opção, os dois foram para lá dentro da viatura do garoto, e Zoe foi deixada esperando do lado de fora enquanto ele resolvia o que deveria ser resolvido. Contudo, não sabia de tudo. O chamado pelo rádio do carro apenas dizia que moradores reportaram gritos vindos do interior da clínica veterinária, e que deviam investigar. Kai estava próximo, e por isso se habilitou a explorar o que estava acontecendo. Pelo azar do rapaz, encontrou o corpo de Logan Bates estendido em uma sala cirúrgica, a mandíbula quebrada e uma grande roxidão na parte da nuca, vinda, possivelmente, do lado de dentro. Muito sangue, além de tudo.

No entanto, a possível explicação da negra estava logo à frente, vestindo um casaco marrom e com as mãos nos bolsos, os cabelos curtos esvoaçando ao vento. Se aproximou, pensando no que iria perguntar, mas não demorou muito para que a resposta viesse em sua mente.

— O que aconteceu? – questionou, parando ao lado da moça, continuando a observar o tumulto diante de si.

Megan virou a cabeça para Zoe, que não a encarou. Suspirou profundamente, séria, levemente irritada por ter sido tirada de seu sono.

— Mais uma pessoa foi encontrada morta – respondeu, deixando que a preocupação ultrapassasse sua seriedade.

— Foi Logan Bates? – perguntou, nervosa.

Sem que precisasse perguntar de novo, Steinfield concordou com a cabeça, o cenho franzido, tremendo os braços pelo frio da noite. Bolas de vapor cresciam diante da boca das pessoas que cochichavam ao redor. O frio estava intenso, e por sorte Zoe usava uma jaqueta dada por Kai mais cedo, com o logo da polícia de Oakfield estampado no topo das mangas. O som de passos ressoou ao longe e então as vozes se intensificaram. Flashes de luz vindos de câmeras de celular piscaram quando uma maca apareceu na porta, saindo do interior do lugar, carregando o cadáver de Bates, no interior de um saco negro. As duas tremeram com a visão.

Desviando o olhar do corpo enquanto ele era colocado em um furgão, Zoe pôde perceber, ao longe, a figura de Tommy parada, sozinho. Estreitou os olhos, pensando se via certo. E sim, era realmente ele, não esboçando qualquer expressão de tristeza, com a face séria de sempre, sem os olhos inchados de chorar e muito menos pretendendo fazê-lo. Ele encarava o corpo sendo retirado, a mandíbula rígida, talvez pela angústia e o medo, os olhos cerrados. Algumas pessoas ao seu redor o encaravam também, todas estranhando.

Virou-se para Megan de novo e perguntou:

— Não acha estranho o Tommy não estar fazendo um escândalo?

A advogada virou o rosto, encarando o rapaz ao longe, a uns quinze metros delas, quase oculto pelos outros corpos se não fosse por sua altura.

— Por que?

— Ele e o Logan eram… Inseparáveis. – Conway estranhou o questionamento de Steinfield, como se ela já estivesse habituada a isso. Talvez realmente estivesse, trabalhando no campo da advocacia poderia se encontrar todo tipo de caso e todo tipo de pessoa. – Me parece estranho.

A morena encarou Zoe diretamente nos olhos, dizendo de forma firme:

— Algumas pessoas expressam seus sentimentos das mais estranhas maneiras, Zoe.

A negra não respondeu, decidindo não persistir no assunto, mas não deixou de pensar em como a situação de Tommy Howard era estranha, em como a situação de Oakfield era estranha. O que poderia estar acarretando a morte de todas aquelas pessoas? Quem seria o lunático capaz de fazer tal atrocidade? De uma forma ou de outra, nada poderia fazer, desde que a contagem de corpos continuaria a crescer… Mais uma vez.



Notas finais do capítulo

Eita, another one bites the dust... Adeus Logan! Gostavam dele ou apreciaram a morte? Não sei se ficou muito bom a descrição da cena, mas me digam se meu trabalho deu certo haha Mas basicamente o assassino fincou uma quina de uma mesa de metal na boca dele, o que comprometeu a garganta do Logan e, assim, o osso da nuca e do pescoço. E o que acharam desse final do Tommy? É só o jeito dele ou tem mais coisas por trás? Até mais!



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