Hello There 2 escrita por Lucas André


Capítulo 41
Epilogue


Notas iniciais do capítulo

É o epílogo galera. Nos vemos na próxima!



OITO MESES DEPOIS

 

Passou pelo casal que chorava como loucos e seguiu adiante. Queria não se aproximar de qualquer fonte de tristeza naquele momento. A única coisa que gostaria de sentir, era alívio.

Emily seguiu adiante, caminhando pelo pátio de concreto que se estendia até onde os olhos alcançavam, acabando num grande prédio ao longe. Ao redor, cercas de metal envolviam toda a prisão, com arame farpado criando uma camada perigosa sobre o ferro e impedindo que qualquer prisioneiro tentasse uma fuga. Seu objetivo, no entanto, ficava longe das extremidades do local, e se mostrava a alguns metros, onde uma fila de pessoas entrava aos poucos num pequeno ônibus branco, enquanto um policial conferia os documentos entregues para si.

A sobrevivente enfiou as mãos nos bolsos do sobretudo beje que usava, deixando que os saltos estalassem no concreto. Fazia frio e os cabelos eram constantemente levados pelo vento, batendo no rosto de maneira violenta. As luzes dos holofotes chegavam a cegar de tão fortes que eram. Atrás de si, mais uma ou duas pessoas seguiam o mesmo caminho depois de passar pela portaria, o que provava que havia chegado atrasada. Por sorte, não perderia o show.

Acabou ficando no fim da fila. Emily esperou pacientemente atrás de um rapaz alto e barbudo, já sentindo seu RG e CPF dentro do bolso do sobretudo. Não tinha pressa alguma, desde que tudo se desenrolaria independente de qualquer coisa. Mas não pôde negar que encheu-se de ansiedade quando chegou sua vez e entregou os documentos para o policial.

— Emily Hayes — disse ele, checando tudo e riscando um dos nomes na lista. — Pode ir.

Após pegar os documentos de novo, Emily subiu no ônibus, passando pelos degraus de ferro e seguindo pelo estreito corredor entre as poltronas. Preferiu ficar sozinha – tanto que não trouxe ninguém consigo – e sentou-se ao fundo, do lado direito. O banco de couro esfriou suas costas e Emily se pôs a olhar pela janela, na direção do presídio iluminado ao longe. Não podia ver o local em que aconteceria a execução, então parou de tentar.

Lembrava-se do casal chorando na entrada. Eram os pais de Sam, sabia Emily. Havia pesquisado a fundo sobre a vida da assassina durante todo aquele tempo. Inclusive acabou tomando um café com os pais da moça, onde eles se desculparam intensamente pelas ações da filha e alegaram nunca ter sabido da condição sobre qual Sam vivia. Emily não os culpava. Era difícil controlar um filho psicopata, podia ter certeza. Acabou que eles se despediram e nunca mais voltaram a se falar. Naquele momento, decidiu nem cumprimentá-los. Seria difícil explicar que estava ali para assistir – com bastante prazer – a morte de sua filha.

Se livrou do pensamento quando o ônibus começou a andar, dando um tranco. Havia apenas uma dúzia de pessoas ali dentro, todas isoladas em bancos distintos, não conversando. Sentiu curiosidade em saber o motivo de estarem ali. Não conseguia reconhecer nenhuma delas, mesmo que todas lhe conhecessem, mas achava que pelo menos uma parte delas era parente das vítimas do massacre e, assim como ela, estavam ali para se livrar daquele peso da tristeza.

Não era a primeira vez que ia até o lugar. Durante os oito meses que se prosseguiram desde o julgamento de Sam, Emily havia viajado até o Michigan no mínimo cinco vezes para falar com a assassina. Não tinham um assunto certo para conversar, e com o tempo tornou-se um vício. Sentavam-se lá, frente a frente, e tinham conversas iguais à que tiveram no hospital de Oakfield, quando Sam ainda estava internada. E por falar na loira, ela havia se acostumado muito bem com a vida na cadeia. Melhor do que Emily imaginava, por sinal.

Lembrava-se de uma vez em que havia ido até ali para sua visita mensal e viu, pela cerca que circundava a área de lazer dos detentos, Sam numa partida de basquete com outras presidiárias. Ficava claro a maneira como as outras mulheres se esquivavam da assassina em série, com medo dela e do que ela seria capaz de fazer. Isso foi explicado mais tarde por um dos guardas. Ele disse que Sam havia formado sua própria quadrilha e era praticamente glorificada por todas as detentas, liderando o Bloco C, que era onde vivia.

A viagem demorou menos de dez minutos, cruzando todo o presídio, e acabaram chegando a um prediozinho medíocre na parte de trás dele. Daquele lado, não era possível ver o restante da cidade. O Michigan era muito grande, o que tornava isso estranho. Mas Emily não se importou, apenas esperou a ordem para que pudessem descer e, quando ela veio, assim o fez.

Bateu com os saltos no asfalto e esperou pelas instruções do policial que lhe acompanhava, entre todas aquelas pessoas em silêncio, sendo abatida pelo vento frio que atravessa a noite escura e estrelada. A lua brilhava no céu, um brilho fosco e sem graça. Desviou os olhos da paisagem quando um chamado foi dado e, então, começou a andar com o restante do grupo para dentro do prédio à frente, passando pelas portas abertas e seguindo o policial que ia liderando todos eles, até chegar a uma sala no segundo andar, onde foram deixados.

O cômodo era pequeno e dividido em dois por uma parede. No lado em que foram colocados, diversas cadeiras estavam enfileiradas uma ao lado da outra, viradas diante de um grande painel de vidro acrílico que exibia a sala ao lado. Nela, a cadeira elétrica de madeira era vista vazia, junto de um grande refletor de luz e armários metálicos. Uma porta podia ser enxergada num dos cantos. O lugar era quase como um cinema, percebeu Emily. Sentavam-se ali e assistiam alguma coisa. No caso, a morte de uma pessoa.

Acabou sentando-se na primeira fileira, para ter uma boa visão do show que se desenrolaria ali, logo em sua frente. Cruzou as pernas, colocou a bolsa sobre o colo e esperou.

Linda e Owen haviam se recusado a lhe acompanhar, o que deixou Emily feliz. Aquele era um momento bastante íntimo, e ir sozinha seria bem melhor para colocar os pensamentos em ordem e pensar em tudo o que aconteceria e o que aquilo significava. A morte de Sam marcava um ponto importante em sua vida e em sua história. Era uma nova conquista, uma vitória. Esperou por aquele momento por tanto tempo, e agora estava finalmente acontecendo.

Os três sobreviventes conviviam juntos agora. Emily e Linda foram aceitas na Universidade de Winchester, onde lecionavam juntas e até mesmo tinham aulas com Owen na turma. Foi uma das melhores decisões que tomaram. Ter algo para fazer, um trabalho, as distraíam o bastante para que a normalidade voltasse à tona. Desde três meses antes — que foi quando começaram a trabalhar lá —, as visões e os pesadelos tinham diminuído gradativamente, mesmo que tivessem aumentado a intensidade nos últimos dias, provavelmente por causa daquele evento em específico que aconteceria agora. Era como uma mensagem de seu corpo, um lembrete.

De qualquer jeito, o ponto é que estava melhor. Emily se recuperava de todo aquele trauma, ainda tendo consultas com seu terapeuta toda semana e vivendo a base de remédios. A paz havia sido finalmente restaurada e poderia ter uma vida normal de novo.

Foi quando a porta da sala à frente se abriu e quatro pessoas passaram por ela. Um policial veio na frente, abrindo passagem para dois homens uniformizados de médicos e, por fim, Sam amarrada contra uma camisa de força, debatendo-se como louca. No entanto, não foi o comportamento animalesco da assassina que chamou a atenção de Emily, e sim, a cabeça raspada dela, sem nenhum fio de cabelo para contar história. Aquela cabeleira loira brilhante e volumosa tão bonita tinha sido tirada e dado espaço para a careca brilhante da moça.

Emily havia pesquisado bastante sobre o procedimento e sabia o motivo de terem feito aquilo. Todos os pelos do corpo da moça teriam de ser depilados para evitar que pegassem fogo devido à alta-tensão do choque que seria desferido em seu corpo.

Sam chorava muito. Lágrimas desciam pelo seu rosto sem parar e ela soluçava como louca. Isso piorou ainda mais quando os médicos começaram a tirar a camisa de força dela, desamarrando as cordas. Sendo segurada pelo policial, a assassina debatia-se e gritava, tentando se ver livre do aperto ao que, finalmente, havia percebido que estava para morrer.

No final, todo seu esforço foi em vão, e quando se deu por si, já estava sentada na cadeira elétrica, vestida de uma camisa velha roxa e calças grossas, com os braços e as pernas depilados amarrados nos encostos do assento por cintas fortes. Mesmo assim, ela ainda se debatia e chorava.

— Por favor, me solta! — gritava. — Eu não quero morrer! Não, não, não…

Uma cinta de couro foi passada pela barriga dela, prendendo-a ainda mais. Ninguém na salinha dizia nada, tendo como trilha sonora os gritos desesperados de Sam. Emily engoliu em seco, sentindo o coração batendo rápido no peito. Aquilo não era tão prazeroso quanto imaginava. Era assustador de se ver, na verdade. Sentia-se desconfortável naquela situação, mas não saiu dali por causa disso, apenas afundou as unhas na palma das mãos.

Já amarrada e impedida de escapar, Sam continuou gritando. O policial se pôs diante da porta fechada, tomando guarda da situação. Um dos médicos foi até a mesinha cirúrgica colocada ao lado e pegou uma bandeja sobre ela, enquanto o outro colocava as luvas e a máscara diante do rosto. Em seguida, o mais velho — que aparentemente era quem tomava as rédeas da situação — pegou uns objetos circulares feitos de papel com bolinhas de metal no meio e começou a colocar na careca de Sam. Depois disso, colocou-os nas pernas da assassina também. Eram eletrodos embebidos em solução salina, posicionados da cabeça aos pés para fechar o circuito do choque que seria desferido dali alguns segundos.

Pela forma como a loira nem direcionava o olhar para Emily, ficava claro que não a via ali. Provavelmente o vidro estava coberto por insulfilme, de modo que um lado poderia ver o outro, mas o contrário não acontecia. Era até melhor, pensava a sobrevivente.

A vista da assassina foi obstruída por uma venda preta que o médico posicionou sobre seus olhos, tampando as lágrimas que ainda escorriam enquanto ela se debatia, ao mesmo tempo que prendia a cabeça de Sam contra o encosto da cadeira. Ela não parou de se debater. Diferente disso, pareceu aumentar a intensidade dos puxões nos braços, provavelmente por agora estar sem noção nenhuma do que acontecia ao redor.

Mas apenas a alguns metros, Emily via muito bem tudo o que acontecia. Aqueles fios que ligavam o corpo da psicopata à cadeira estavam todos embaraçados, vindos da cabeça aos pés. O que veio a seguir foi a última parte antes das coisas realmente acontecerem, quando o rapaz pegou um grande capacete de ferro e colocou-o na cabeça de Sam. Era tão pesado que ela até pendeu o pescoço para frente por um instante, mas logo se recuperou e voltou a espernear. Aquilo servia para conduzir a corrente elétrica pelo corpo da detenta.

Os segundos se arrastaram a partir dali. Ninguém que assistia aquilo falava algo. A respiração pesada dos presentes era a única coisa que podia ser ouvida. Emily tinha o coração na boca e estava ofegante, de olhos estalados, encarando o que acontecia diante de si. O médico que carregava a bandeja deixou-a em cima da mesinha e foi para uma das paredes do cômodo, onde um painel grande de ferro se mostrava, com uma alavanca erguida. Ele encarou os companheiros após clicar em alguns botões do painel, e em seguida, trouxe a alavanca para baixo.

Um estouro alto foi ouvido no momento em que o grito de Sam cessou. A assassina deu um pulo na cadeira e todos seus membros vibraram. Os dedos das mãos se esticaram e a cabeça foi jogada para trás violentamente, por pouco não quebrando o pescoço. A boca dela se abriu e um grito rouco saiu enquanto todo o corpo tremia, levado por aqueles dois mil volts que percorreram seu corpo de um segundo para o outro.

A própria Emily deu um pulo no lugar, desconfortável com a cena. Virou o rosto depois de dez segundos encarando, repensando em sua ida até ali. Do outro lado do vidro, o médico voltou a erguer a alavanca e Sam parou de vibrar. O choque tinha sido cessado e ela permaneceu mole na cadeira, com a cabeça tombada para frente. Mas não acabou por ali. Mais uma vez, a alavanca foi levada para baixo e o corpo da psicopata pulou novamente num tranco brutal em que, imediatamente, os membros voltaram a tremer freneticamente. A boca continuou aberta naquele som gutural que em partes era um grito, e em partes um urro animalesco.

A cabeça de Sam ia e vinha contra o encosto da cadeira, levada pelo choque elétrico. Bam! Bam! Bam! Não parava nem por um segundo. Os dedos esticados traziam uma aflição para Emily, que continuou assistindo a cena com grande espanto e medo. Já ofegante, a sobrevivente apenas rezava para que aquilo terminasse logo. Não gostava nada do que via.

Tudo acabou quando a alavanca foi puxada para cima e o corpo pendeu mole sobre a cadeira. O coração da mulher havia parado. Ela estava morta, definitivamente.

O médico se aproximou e retirou o capacete de ferro da cabeça da assassina, soltando-o com rapidez na bandeja, evidenciando que estava quente. Mas o que apavorou Emily não foi a reação do doutor, e sim, a visão da face de Sam, que trazia traços em preto, partes queimadas de seu rosto devido ao intenso choque do qual foi alvo. A sobrevivente não podia ter certeza, mas achava que um fiozinho de fumaça subia da cabeça da loira.

Apenas engoliu em seco.

O que Emily não pôde ver, no entanto, foi a pessoa encapuzada que estava no canto da sala, sentada num dos bancos mais afastados do vidro, tão coberta pela escuridão daquele lado do cômodo que sua face ficava oculta pelo capuz que cobria sua cabeça.

— Não conseguimos na primeira tentativa… Não conseguimos na segunda… Mas na terceira, vamos conseguir. Eu vou acertar as coisas para você, Sam. Para todos nós — foi a única coisa que a figura disse para si mesma, antes de dar as costas para a situação e sair da sala ao ver que o show havia acabado.



Notas finais do capítulo

Quem estava ali hein?

CURIOSIDADES E CENAS ALTERNATIVAS DE HELLO THERE 2:

— Originalmente, os assassinos seriam Olivia e Tommy, tanto que eu até usei a motivação deles nessa história através da teoria da Linda.

— Muitos, mas MUITOS mesmo, personagens foram descartados para a história. Alguns deles serão reaproveitados para Hello There 3, mas alguns exemplos são:

*Lori Chase, uma médium taxada como louca que trabalhava numa floricultura e que era mãe de Garrett e ajudava ele secretamente a cometer os crimes;

*Frankie e Carrie Davidson, pai e filha que tinham relação com Linda e Owen e Max, consecutivamente. Carrie é uma garota rebelde e melhor amiga de Owen e Max, e Frankie seria o melhor amigo de Linda que tinha um crush nela. Por sinal, a cena em que a Linda vê todas as fotos dela e do Owen transando na escola aconteceria com ele, o que traria tretas para os dois e ele até mesmo impediria Carrie de continuar andando com o Owen.

*Daisy Vinson, uma bailarina melhor amiga de April. Uma garota bem tímida e reclusa, que é facilmente manipulada pelos outros e feita de idiota.

*Joe Eagle, um açougueiro que todo mundo odiaria pois é machista, misógino e simplesmente a pessoa que mais seria odiada na história.

— A história passaria numa Universidade e traria de volta todos os sobreviventes da primeira. Aliás, na ideia original a Hannah sobreviveria ao primeiro massacre e seria ela que morreria na cena inicial.

— Ellen se chamaria Alexis e Linda se chamaria Raven.

— Ellen seria morta em sua casa no primeiro capítulo, abrindo a história.

— No capítulo 24 (Over My Dead Body), a cena em que Molly, Sam e Garrett estão no carro de Garrett e Molly encontra o celular de Peter ali, na verdade seria uma cena do ataque do assassino contra os três, no estacionamento. Como os três assassinos estão ali, quem estaria por baixo da máscara seria Ellen, a mando deles mesmo, desde que Sam e Garrett pensavam que Molly era inocente, e o ataque seria uma forma deles se passarem de inocentes na frente dela.

— Megan seria morta num cemitério enquanto visitava o túmulo de seu falecido filho.

— Um plot não usado é o de que Linda teria matado seu ex-marido num ataque de raiva em que o pegou traindo-lhe, mas eu descartei isso porque é bem parecido com o plot da Emma de Hello There 1.

— Em Hello There 2, já existe uma pista de quem é o assassino em Hello There 3.

— O capítulo 26 (Jeepers Creepers) se passaria no funeral de Max e teria uma interação entre todos os sobreviventes que ainda restavam.

— Molly e Kai também sobreviveriam, sendo que na ideia original a Molly não era a assassina.

— Vou ressaltar que a história do Robin vai ter bastante importância em Hello There 3.

— Olivia seria morta ainda dentro do hotel, numa perseguição pelos corredores, onde teria o facão enfiado em sua face logo antes de ser atirada por uma das janelas.


(com o tempo vou lembrando de mais coisas e atualizando essa lista haha)

até a próxima! amo vocês sz



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