Hello There 2 escrita por Lucas André


Capítulo 32
Quarto Interlúdio – In a Lonely Place


Notas iniciais do capítulo

Vamos segurar o suspense da revelação da identidade do assassino mais um pouco hahaha Enquanto isso, vamos ver o que aconteceu com o Robin após ele descobrir onde Emily e Jordana moram, e o que ele fez com a descoberta!



DIA DA MORTE DE JORDANA BRAMMALL

 

O caminho era seguido com certo receio. Robin se perguntava, pela primeira vez, se era uma boa ideia se reencontrar com Jordana e Emily. Poderia ser um risco se juntar a elas. Desde que chegou, o assassino não deu sinais de que tinha reconhecimento de sua presença em Oakfield, e ir até as sobreviventes era a certeza que teria para finalmente saber que estava fazendo parte de tudo aquilo. Estava com medo. Valeria a pena, afinal de contas?

O rapaz dava passos contidos pela calçada, de cabeça erguida. Preferiu ir a pé, tanto para pensar, quanto por não ter lembrado de pegar um táxi e, quando se deu por si, já estava caminhando. O sol aparecia de vez em quando atrás das nuvens escuras, deixando claro que não haveria pancadas de chuva naquele dia. O vento frio açoitava seu corpo e levava sua camisa, que grudava na parte da frente do peito. Robin fechava os olhos em meio ao vento que balançava seus cabelos, com o corpo em um lugar, e a mente em outro.

Rua Elm, número 420 – lembrava-se da loira na cafeteria minutos antes, lhe contando. Esperava, a cada segundo, encontrar uma placa com o nome da rua. Até aquele momento, não houve sucesso, mas Ritter não estava pronto para desistir. Pelo menos por enquanto.

Após sair da cafeteria, alguns minutos após começar a andar, foi que aquele pensamento preencheu sua cabeça. Não sabia se estava fazendo a escolha certa. Robin se arrependia, bem no fundo, de ter voltado para a cidade. Deveria ter deixado as coisas seguirem como deveria. Emily e Jordana eram fortes o bastante para derrotar o assassino, ele sabia, e a polícia de Oakfield provavelmente tinha se aprimorado ao longo dos anos, então elas também estariam seguras. Estando ali, estava apenas colocando sua vida em risco e arriscando deixar sua esposa viúva e sua filha sem um pai. E isso era inaceitável.

Anne e Violet eram as coisas mais importantes na vida de Robin. Ele não sabia o que faria sem elas. Tinha vários amigos, mas a sua preocupação maior era o que aconteceria com elas caso morresse. Provavelmente Anne se colocaria em um luto eterno do qual jamais conseguiria se recuperar totalmente, e Violet se tornaria a filha rebelde com uma mãe que não liga muito para seu bem-estar e acabaria se drogando com um bando de adolescentes do mesmo tipo, até que fosse encontrada morta por overdose em algum beco qualquer. Apenas por pensar nisso, um arrepio percorria seu corpo e uma fraca náusea lhe abalava.

Mas então, outro pensamento surgiu: Emily e Jordana também eram importantes. Obviamente, não tanto quanto sua família, mas, mesmo assim, ainda eram conectados. Passaram por todo um inferno juntos, superaram os traumas lado a lado, e só se separaram pois a vida lhes obrigou a isso. Seguiram seus caminhos e nunca mais voltaram a se falar, a não ser por mensagens casuais que aconteceram durante os dois primeiros anos que se mudaram para outras cidades e as poucas entrevistas nacionais que eram submetidos de vez em quando. Robin se arrependia tremendamente de ter dado essas entrevistas. Elas somente ajudaram-lhe a ficar mais reconhecido e ter de lidar com os olhares estranhos na faculdade.

De uma forma muito resumida, ele devia aquilo às duas. Não envolveria Sean, pois aquilo era uma escolha feita somente por ele. Não precisaria colocar mais ninguém naquela situação. Então, teria de enfrentar sozinho, imaginando se seria de alguma utilidade no caso. Não poderia deixá-las de lado para lidarem com aquilo por conta própria. Aquele novo assassino só estava ali pelo que aconteceu a sete anos, e o que aconteceu a sete anos foi o que os uniu. Foi o que fez com que saíssem sobreviventes e com um elo indescritível que os ligaria para sempre.

Mas Robin ainda achava que seria estranho reencontrá-las. Depois de tanto tempo sem se verem, seria constrangedor. E também havia o ponto da desconfiança. Tinha uma grande chance de Emily e Jordana desconfiarem de si. Pois, bem, outras pessoas já desconfiaram, então seria mais do que normal e esperado que as duas garotas que mais estavam envolvidas naquilo não tivessem um pingo de pudor em mandá-lo cair fora. Isso o assustava. Seria uma reação decepcionante para Ritter. O que mais queria era ajudar, e não sabia o que faria caso fosse rejeitado.

Mesmo assim, continuou andando.

Chegou num ponto em que os estabelecimentos sumiram e as casas tomaram as ruas. Sabia que estava próximo. Provavelmente havia entrado na vizinhança das sobreviventes. Árvores surgiam na calçada com espaços grandes umas das outras e, ao fundo, bem ao longe, os pinheiros que envolviam a cidade apareciam, coisa que não era visível antes, quando estava no centro. Isso era, de certa forma, aliviante. Sempre gostou da natureza e daquela áurea que cercava Oakfield, com suas árvores grandes e o cheiro de pinha no ar. A única coisa ruim era o clima metereológico.

A cena na cafeteria ainda o incomodava, também. Ellen, Garrett e Owen, como se lembrava dos nomes do grupo que encontrou, pareciam numa situação pior do que a sua. Bem, Robin tinha sido sequestrado, torturado, mantido em cativeiro e ainda levou à morte de Connor McGrath, um dos assassinos. Mas, mesmo assim, depois de tanto tempo, essas situações pareciam perder um pouco de seu peso e qualquer coisinha de nada era capaz de fazê-lo pensar que superavam tudo o que passou a alguns anos. Não estava ali o tempo todo – muito menos sendo um alvo direto do novo assassino –, mas algo lhe dizia que, agora, as coisas estavam um nível mais alto.

Claramente, era o que acontecia: o novo assassino inspirava-se nos antigos e evoluía as coisas. Ele teve sete anos para preparar tudo aquilo, e provavelmente estava dando o melhor de si. Não repetiria os mesmos joguinhos ou faria as mesmas escolhas, muito menos os mesmos erros, e isso era preocupante. Se o que passou já era horrível, mal podia imaginar que tipo de atrocidades estavam acontecendo agora. Por um lado, gostava de não saber disso.

Voltou à realidade quando uma placa surgiu em sua frente. Em escritos brancos, as palavras que fizeram seu corpo se sentir aliviado exibiam-se: “RUA ELM”.

Robin engoliu em seco, vendo uma rua como todas as outras. Número 420, repetiu para si mesmo, olhando nos números de todas as residências ao redor, ansioso e nervoso. Agora não tinha mais tempo de fugir ou se arrepender. Estava literalmente a alguns passos de reencontrar suas antigas amigas e, se as coisas saíssem diferente do que pensava e elas dispensassem sua ajuda, o rapaz tomaria o rumo de volta para casa e diria para Anne que infelizmente teve de voltar mais cedo. Isso seria o bastante para fazê-la acreditar e Robin esperava que ela nunca chegasse a ler, mais tarde em algum site qualquer, a notícia de que tinha aparecido na cidade. Isso seria um desastre.

As mãos tremiam ao lado do corpo, os músculos tensos. O calor do corpo era aliviado com o vento frio, mas nem isso impedia o suor de descer pela nuca. Robin estava com a boca seca após tantas engolidas de saliva e nada ajudava seu coração a bater mais devagar. E foi quando, após algumas casas deixadas para trás, ele encontrou a de número 420.

Parou na calçada, sério. Esperava que nenhum vizinho delatasse o sujeito estranho que estava parado encarando a residência, mas não olhou ao redor para se certificar disso. Em vez disso, sua cabeça foi preenchida pelas diversas teorias de como Emily e Jordana estavam hoje em dia. Pelo que se lembrava de ter visto no site que visitou minutos antes na cafeteria, as características físicas não se distanciavam muito do que se lembrava, a não ser pelos traços menos joviais nas duas, e o fato de Emily ter abandonado os óculos e tingido o cabelo de um castanho claro, deixando para trás o preto brilhante de antes.

No entanto, não era sobre essas características que ele pensava, e sim as de personalidade. Achava que não tinham mudado muito. A cara delas nas fotos continuavam como se lembrava e isso parecia motivo o bastante para pensar assim. Jordana continuava doce e afiada, e Emily decidida e sagaz. Esperava que estivesse certo.

A casa era grande, toda feita de madeira. No andar de baixo, com a varanda circundando a parte da frente, duas janelas colocavam-se em cada extremidade, com uma porta grande no meio. As cortinas estavam fechadas e não era possível ver o interior. No andar de cima, mais duas janelas, de cortinas abertas. Era possível ver apenas o ventilador de teto numa delas. Nada além disso. No geral, ela parecia vazia. Não tinha nenhum carro estacionado na frente, nem sinal de presença no restante da rua. Robin ficou indeciso se deveria prosseguir com aquilo. Se não encontrasse ninguém, usaria isso como uma desculpa para sair da cidade. Mas se encontrasse, teria a temida conversa que por tanto tempo mapeou em sua cabeça.

Respirou fundo e entrou no quintal, tenso. Os músculos estavam retesados por todo o corpo. Uma veia gorda e roxa saltava da têmpora direita e da garganta. Ritter engoliu em seco, tentando controlar o coração, seguindo pelo quintal sem tirar os olhos da porta. Seus sapatos esmagavam a grama. Sapatos que tinha acabado de comprar, por sinal.

Estava tão imerso em seus pensamentos que mal pôde escutar o som de passos que surgiu por trás. Robin só reparou no barulho quando ele estava próximo demais, e assim que se virou na direção dele, de olhos estalados pelo susto e pela vontade de que fosse Emily ou Jordana, teve sua surpresa ao se reparar com o Carrasco, na luz do dia, no meio da manhã, onde qualquer um poderia ver: ali estava o assassino mascarado, a centímetros de si, perto o bastante para que Robin nada pudesse fazer, a não ser tentar correr com o coração na boca e o corpo gelado pelo susto que lhe aflorou naquele momento.

Grunhiu qualquer coisa que tivesse saído de sua boca e tentou se virar, mas já era tarde demais. O maníaco já estava em cima de si, agarrando-o pela cintura num aperto forte, antes de jogá-lo no chão. Robin abraçou a grama verde e fria, sem ser capaz de pedir por socorro no estado de choque que se encontrava. Apenas esperava que aquilo não fosse real. Mas parecia ser mais real do que parecia. O assassino realmente tinha lhe encontrado. Talvez a bastante tempo, e o rapaz vivia na ilusão de que estava passando despercebido. Não tinha como saber. Muito menos agora, onde a luta pela sobrevivência era a única prioridade.

Debatia os braços enquanto a figura subia sobre si. Robin teve o relance do momento em que um dos braços se ergueu, sendo preso no gramado pelas pernas do psicopata, e veio em sua cara. Deu um pulo maior do que esperava, pensando que seria acertado pela faca ou alguma arma qualquer, mas a única coisa que sentiu foi o pano molhado no nariz, e imediatamente as lembranças vieram como um filme em sua cabeça: à sete anos atrás, ele mesmo seguindo o assassino pelas ruelas escuras de uma Oakfield deserta, logo após o plano que havia montado com os sobreviventes ter sido um fiasco, até que entrou na casa da rua Neibolt, onde foi sequestrado pelo mascarado, que o enganou mais uma vez. Aquilo não poderia acontecer de novo.

Quando Robin pensou em gritar, a mão enluvada já cobria sua boca com aquele pano úmido e macio. Suas pernas se debatiam forte o bastante para que, na ação, um de seus sapatos saísse do pé. Ritter sentiu o vendo gelado do dia acertar o pé descalço, estalando os olhos em meio às inspiradas profundas de desespero, sua boca impedida de ser aberta soltando apenas resquícios do que poderia ser um grito forte. Acima de si, a expressão impassível do Carrasco continuava tão aterrorizante quando Robin se lembrava. A máscara e o disfarce eram os mesmos. Os olhos gelados e cortantes também. A intensidade e o perigo nele presentes, maior ainda.

E antes que pudesse fazer qualquer coisa, tentando agarrar os pulsos do assassino para se ver livre dele, a inconsciência surgiu. Robin sentiu quando o corpo amoleceu, o cansaço se abateu, os olhos começaram a se fechar, a garganta ardeu e, por fim, tudo sumiu, sendo levado por uma forte onda de horror, e pelo destino impiedoso que o aguardava.



Notas finais do capítulo

Hmmm.. E agora? Pra onde o Robin foi levado? Quais são as intenções do assassino com ele? Vocês já devem ter pegado a charada e já sabem umas das coisas que o Robin fez depois de ser pego pelo assassino, mas para aqueles que ainda não perceberam, me contem suas teorias do futuro do nosso sobrevivente! Espero que tenham gostado. O próximo capítulo será a esperada revelação do nosso querido Carrasco haha Quais são suas teorias e apostas? Já adianto que o capítulo será MUUUITO grande, e eu resolvi não cortar ele. Então pegue sua pipoca e seu refri e senta no sofá pra ler ele quando lançar! Espero encontrar todos vocês lá! Até mais sz



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