Hello There 2 escrita por Lucas André


Capítulo 27
S02EP24 – Over My Dead Body


Notas iniciais do capítulo

Por Cima do Meu Cadáver

Tentando lidar com a descoberta da morte de uma importante figura em sua vida, Emily é colocada diante de uma nova ameaça, e aterrorizantes revelações.



O elevador do hospital descia lentamente. Molly encarava o visor com a esperança nos olhos, uma ansiedade gigantesca no corpo. Ao seu lado, Sam parecia indiferente, quase entediada por ter que passar aqueles longos trinta segundos dentro da caixa metálica. Do lado oposto a ela, Garrett mantinha-se nervoso. Estava nesse estado desde a discussão com Emily, alguns dias antes. Até então, não teve a oportunidade de se desculpar com ela, e isso era um dos motivos de sua angústia. As garotas, alheias a isso, continuaram conversando.

Molly estava com uma camisa de manga longa cobrindo o braço amputado, tendo o pano amarrado ao redor do toco num nó apertado. Estava tão extasiada por finalmente ter sido liberada que mal se dava conta do pesadelo para qual estava indo.

— Mas é possível trancar uma conta de luz e água assim? – perguntou Sam.

— Se você pedir pra prefeitura e der um bom motivo, é possível, sim – respondeu Merriman.

Sam olhou para o lado e encarou Garrett. Notou como ele parecia nervoso e, até mesmo, arrependido.

— Aconteceu alguma coisa? – perguntou Winters, fazendo o tatuador virar a cabeça em sua direção, surpreso pela pergunta.

Molly olhou para eles e prestou atenção na conversa.

— Não, nada. Eu só… Fiz umas merdas aí – disse ele.

— Coisa séria? – tornou a loira.

— É, um pouco.

Ficaram em silêncio por alguns instantes. A pergunta pairava no ar, circulando pela cabeça das garotas. Então, Molly finalmente disse:

— Não vai contar o que aconteceu?

Garrett suspirou fundo.

— Eu disse umas coisas bem pesadas pra Emily – respondeu.

— Que tipo de coisas? – perguntou Merriman, interessada.

— Do tipo “Isso tudo tá acontecendo por sua causa, maldita!”.

Sam estalou os olhos e olhou para ele com a face retorcida em uma expressão que diz “sério que você pôde ter sido tão imbecil assim?”. Mas não disse nada, apenas revirou os olhos. Molly desaprovou a situação com balançadas negativas de cabeça. De qualquer forma, tentaria dar suporte à DeLucca, desde que ele parecia arrependido.

— Algum motivo especial pra ter feito isso? – perguntou ela.

— Eu tava bêbado, e o Peter tinha acabado de ser morto. – Dizia com certo receio.

— Sinto muito – disse Sam. A morena concordou com a cabeça.

Os três se mantiveram em um silêncio constrangedor pelo resto da viagem de elevador – coisa que não demorou muito tempo. Dez segundos depois, as portas se abriram diante deles, exibindo o estacionamento amplo e cheio de carros. Coberto por todos os lados, era iluminado pelas luzes LED e pela luz solar que atravessava as aberturas nas laterais. Pilares de concreto sustentavam o teto. Ao fundo, uma ou duas pessoas passavam. O único som presente era o do elevador voltando a se fechar atrás deles, quando finalmente saíram.

— Eu vou buscar o carro – disse Garrett, apressando-se a sair dali antes que fosse mais julgado do que já estava sendo. Caminhou de cabeça baixa para longe, desaparecendo atrás de uma caminhonete e virando à esquerda.

Sam e Molly ficaram sozinhas, próximas ao elevador. De braços cruzados, a loira virou o rosto para a amiga quando ela perguntou:

— Já sabia que ele tinha feito isso?

— Não, não sabia – respondeu, balançando a cabeça. – Mas não culpo ele, por um lado. – Molly olhou para ela, erguendo a cabeça. – As pessoas lidam com o luto de maneiras diferentes. Sempre estranhei isso. Eu… Bem, chorei pra caramba. O Garrett se embebedou e falou coisas que não devia.

— Pode ter sido uma forma dele fugir da situação, também – disse Merriman. – Sem o Peter aqui, imagino que ele não tenha mais ninguém de confiança e… Ninguém pra ajudá-lo.

— Exatamente.

— Coitado. Me sinto mal por ele.

— Se soubesse disso, teria sido mais prestativa com ele. – Sam suspirou, olhando para os carros, pensativa. – Talvez ele nem tivesse chegado a falar as coisas pra Emily.

— Mas ela não parece abalada – respondeu Molly. – Ela veio falar comigo hoje cedo e tava bem pra caramba. – Engoliu em seco, lembrando da conversa que tiveram. – Já deve ter esquecido ou perdoado ele.

A lembrança da conversa com Hayes também lhe fez lembrar da ligação de Olivia. Sentiu o coração apertar no desejo de que a asiática estivesse bem. Era angustiante pensar que não foi capaz de ajudá-la. Sentia-se horrível.

— Isso é bom – continuou Sam. – A última coisa que precisamos é ficar separados.

— Concordo com você, amiga.

Sem assunto, se silenciaram. Então, um motor foi ouvido e o carro de Garrett surgiu, descendo uma rampinha ao longe. As duas começaram a ir até ele para encurtar o caminho. Quando finalmente chegaram, Molly entrou na frente e Sam atrás. No volante, DeLucca parecia já ter esquecido o assunto e estava pronto para se animar e conversar sobre outra coisa.

— Qual vai ser a primeira coisa que vai fazer, Molly? – perguntou ele enquanto as duas botavam o cinto e o carro voltava a andar.

— Ah, eu tô louca pra tomar banho sozinha. Lá dentro era sempre com uma enfermeira acompanhando, e tinha tempo limite. Só quero deitar na banheira e relaxar – respondeu ela, animada e ansiosa.

— Achei que só davam banho de lenço umedecido nos hospitais – comentou Winters, no banco de trás.

— Esse aí é só pros pacientes que não podem sair da cama – respondeu Merriman, vendo os carros estacionados passando ao seu lado.

— Nossa, isso já seria demais – disse Garrett, rindo. – Imagina, passar não sei quantos dias lá, só passando lenço umedecido no corpo.

— Né. – Molly riu. – Ia tá cheia de crosta de sujeira. Ugh.

— Desculpa aí, entendedores de banho hospitalar – debochou Sam, rindo.

Garrett franziu o cenho. Uma mancha horrível de sujeira estava no para-brisas. Molhou o dedo com saliva e tentou se livrar dela, mas não obteve êxito.

— Viu, Molly, pega o pano que tá aí no porta-luvas, por favor? – pediu.

A garota concordou com a cabeça e se esticou para frente, o cinto apertando-a. Abriu o compartimento diante de seus joelhos e, para sua surpresa, um celular pingou lá de dentro. Franziu o cenho. Era um iPhone preto simples, uma das versões mais antigas e quadrangulares. Não era de Garrett, pois o dele estava sobre o painel. Olhou para ele, estranhando. Pegou o aparelho e encostou-se no banco, clicando no botãozinho na lateral. Imediatamente, a tela se iluminou e, como imagem de fundo, exibiu-se Peter, uma selfie dele. Era o celular de Peter.

Garrett virou o rosto e viu-a segurando-o, uma expressão séria substituindo o sorriso no rosto. Sam, estranhando o fato dos amigos terem parado de rir subitamente, inclinou-se para frente, curiosa, e quando viu o celular nas mãos de Molly, ficou séria também.

— Garrett, o que é isso? – perguntou Merriman, nervosa.

Sam ainda não entendia o motivo de tanto alarde, ou por que um clima terrível se instalou no carro. Não havia chegado no raciocínio de Molly ainda. A outra, no entanto, sabia que o celular de Peter tinha sido pego pelos policiais e levado para a delegacia, afinal, foi a partir dele que descobriram que Megan tinha enviado mensagens para Peter na noite em que foi morto, um dos motivos pelo qual a advogada foi alvo de suspeitas por um tempo. Dessa forma, como poderia estar ali, no carro de DeLucca? Só havia uma pessoa, segundo Molly, que tinha conhecimento e capacidade o bastante para roubar alguma coisa da delegacia.

— Ah, isso não é nada – respondeu o tatuador, sem fazer contato visual com as garotas.

— Não, isso é alguma coisa, sim – insistiu a morena. – Por que você tá com o celular do Peter?

— Verdade. Não tava com a polícia? – perguntou Sam, finalmente raciocinando.

Com um súbito susto, ele virou-se para Winters, no banco de trás, encarando-a com choque. Ela apenas balançou a cabeça como quem diz “vamos lá, responda”.

— É, tava, mas… – começou ele. – O que tem?

— Garrett, isso tem tudo, amigo – disse Sam. – Você tá com o celular de uma pessoa que morreu, quando ele deveria estar com a polícia. Como conseguiu?

— Não é o que parece, né? – perguntou Molly. – Você não… Roubou ele, certo? – Ela tentava não deixar claro toda a sua linha de pensamento, não demonstrar que desconfiava dele.

— Vocês tão brincando, né? – disse ele, rindo de nervoso. – Eu ia contar pra alguém sobre isso. Só… Não achei o momento certo.

— Então… O que aconteceu? – perguntou a artista.

As duas pensavam a mesma coisa, esperando explicações capazes de fazê-las mudar de ideia. Garrett agarrava o volante com força, suando. Não olhava para elas. Ele quase tremia. Estava tremendamente nervoso, com medo. Alguma coisa o perturbava, e muito.

— Foi… Foi o assassino – disse ele, por fim.

— Como assim? – questionou Merriman, o celular ainda em mãos.

— O assassino? – perguntou Winters, ao mesmo tempo.

— Foi naquela noite… Naquela maldita noite – explicou Garrett. – Céus, nem sei como tantas coisas puderam acontecer numa única noite. – Ele continha as lágrimas, estava claro.

— Qual noite? – Sam disse.

— A noite em que você foi atacada, em que eu gritei com a Emily… Essa noite.

— Ah… – disse Molly. – Mas o que aconteceu?

DeLucca respirou fundo e disse:

— Eu tava na tatuadora e… Eu escutei um barulho vindo da frente. Já tínhamos fechado, eu tava tentando me manter sóbrio porque tinha me embebedado na noite anterior e acordei com uma ressaca fodida no outro dia, então… Eu tava tentando aguentar a morte do Peter sozinho, assistindo filmes. Mas o barulho surgiu, e eu fui atrás. E quando cheguei lá na frente, a porta tava aberta. Escancarada. A fechadura tinha sido arrombada.

Sam escutava tudo com muita atenção, olhando de forma estática para ele. Molly fazia o mesmo, o cenho ainda franzido, sentindo pena de Garrett por um instante. O carro continuava andando, agora mais lentamente. Estavam quase atingindo o exterior do estacionamento.

— O celular tava lá, jogado no chão – continuou ele, o choro embargado, os olhos cheios de lágrimas. A voz falhava. – Eu peguei, vasculhei e… Não bastava ser do Peter, como também tinha uma foto dele. Morto. A cabeça estourada.

A loira suspirou fundo e encostou-se no banco. O mal-estar a consumia, a pena. Molly deixou de encará-lo como forma de respeito, e virou o rosto para frente. Uma lágrima desceu pelo rosto de Garrett, seus olhos presos na direção. Os braços rígidos tremiam, a boca se contraindo para não chorar. Era realmente difícil se lembrar daquilo.

—Depois disso, eu não consegui. Bebi o quanto podia, sem pensar — continuou. – Eu bebi enquanto consertava a porta, não vi o tempo passar nem o quanto a garrafa esvaziava. Eu tava puto, muito puto. O desgraçado matou o meu melhor amigo e ainda esfregou a porra do acontecimento na minha cara. Eu não tava ligando pra nada. — Deu uma pausa, respirou fundo, segurando-se para não socar o volante. – E foi um momento terrível pra Emily decidir me prestar os pêsames. Eu me odeio por ter tratado ela daquele jeito, mas no momento eu não tava pensando em nada, só queria socar a cara do desgraçado que tá matando todo mundo. Mas… Eu acabei descontando nela. — Balançou a cabeça, arrependido. — Simplesmente lembrei que ela é o motivo disso tudo, e de repente tava puto com ela. Agora eu sei que não. Mesmo que ela seja, a Emily não merece ser tratada daquele jeito. Não é culpa dela, ela não fez nada disso por querer. E agora que tudo isso aconteceu, que a Jordana tá desaparecida e…

—A Jordana tá desaparecida? — perguntou Molly, levando um susto.

— É, tá — respondeu Garrett. Sam também estava chocada no banco de trás. — Vocês não ficaram sabendo? — As duas discordaram com a cabeça. — Eu fiquei sabendo hoje de manhã. O Kai me contou quando encontrei com ele mais cedo. Ninguém sabe onde ela tá, nem quando saiu.

— Oh, meu Deus… — disse Sam, levemente desesperada.

— Mas como eu ia dizendo — tornou DeLucca. — Agora, com essa situação, duvido que eu vá conseguir achar tempo e oportunidade pra me desculpar com a Emily. — Respirou fundo e concluiu: — É por isso que eu tenho o celular do Peter. Porque não consigo olhar pra ele, mas, ao mesmo tempo, não tenho coragem de jogar fora.

Ficaram em silêncio de novo. Um peso invisível caía sobre o carro.

— Por que você não devolve pra polícia? — perguntou Sam.

— Pra eles acharem que fui eu que peguei? — respondeu o rapaz.

— O Kai vai acreditar em você — insistiu ela.

— Duvido muito.

— Seria muito ridículo dele não acreditar em você – disse Molly. – Você ajudou ele quando a Zoe morreu, lembra?

— É, mas antes era diferente. Agora, até eu desconfiaria dele se isso tivesse acontecido com ele – Garrett disse.

Tornaram a não dizer nada. Winters nem Merriman insistiriam naquilo. Era melhor que deixassem a situação estabilizada e boa de novo. Por isso, Sam disse:

— Olha, Garrett, tá tudo bem. Sério mesmo. A gente tá aqui pra você, ok?

— É, com certeza — concordou Molly. — Nós somos suas amigas. Pode confiar na gente.

— Obrigado — agradeceu ele. — E desculpa por não ter contado antes. Eu… Não sabia como.

— Não, não precisa — disse Merriman. — A gente te entende. Tá tudo bem.

Ele concordou com a cabeça, limpando as lágrimas do rosto. Sam apoiou-se na porta, olhando para fora. Não tinha mais nada a dizer. Molly, eletrizada pelo que acabou de ser revelado, fez o mesmo. Estava muito pensativa, sentindo muita pena. Garrett sentia-se um pouco mais leve por ter dito aquelas coisas, como se um fardo fosse tirado de seu ombro. Era uma coisa a menos para se preocupar, agora.

Merriman colocou o celular de Peter de volta no porta-luvas e fechou-o. Ninguém se importou com a mancha no para-brisas. De repente, seu vibrou em seu bolso. A garota remexeu-se e tirou-o de lá. Era Emily quem ligava. Atendeu.

— Oi, Em — disse. — Tudo bem?

 

1

 

—Molly?! Ai, meu Deus, você tem que me ajudar! — gritou.

Continuava no hotel. O chão parecia ter cedido sob seus pés. A desorientação tinha tirado a respiração do modo automático e agora estava entrecortada, ofegante e desesperada. As lágrimas entupiam os olhos e, compartilhadas com a escuridão, não deixavam Emily ver nada. Mesmo assim, nada parecia certo.

A mente da sobrevivente vagava por todos os lugares, menos os sensatos e reais. Pontadas violentas acometeram sua cabeça. No entanto, a maior parte da dor não vinha na forma física, e sim na psicológica. De todos os golpes que a vida lhe dera, aquele era o mais forte

Ainda se lembrava de Hannah, Emma e Patrick quando acordava de manhã, pessoas incríveis que um dia compartilharam de sua amizade. Mas tornava-se mais fácil chorar ao lado de alguém que sofria da mesma dor, Sean. Agora, no entanto, estava sozinha, e não poderia fazer nada. Jordana estava morta, e nada do que fizesse seria capaz de trazê-la de volta. Não importava o quanto chorasse, Jordana continuaria morta amanhã, e depois de amanhã, e no dia depois desse.

E além de tudo, seria Emily quem teria de explicar aos pais dela o que aconteceu. Seria Emily quem acordaria sem sua melhor amiga dando bom dia. Seria Emily quem sentiria o peso de sua morte pelo resto da vida. Seria Emily quem jamais se perdoaria por um dia tê-la colocado naquela situação.

— Emily, o que aconteceu? — perguntou Molly, a voz falhando por conta do sinal ruim. Aquela era a décima primeira ligação que fazia para Merriman, desde que todas as outras foram tentativas falhas pela falta de sinal. Era um milagre que tivesse conseguido, mesmo que pouco.

— É a Jordana, Molly… Ela… Ela… — Nem conseguia terminar a frase e já se embargava no choro e nos soluços. O peito doía, literalmente e metaforicamente.

Olhou ao redor. A entrada de onde veio parecia a quilômetros de distância. Tentava não encarar o corpo de Jordana. Ele continuava ali, jogado como um manequim com partes faltando. Forçou as pernas para se levantar, usando uma das mãos para se apoiar numa mesa atrás de si. Mal tinha percebido que havia caído.

Hayes nunca se sentira tão desorientada. Os segundos que se passaram após a descoberta do cadáver eram totalmente negros. Não se lembrava. Recordava apenas de estar com o celular nas mãos, depois de ter chamado pela polícia — outra coisa da qual não se controlou e só percebia agora.

A mesa velha rangeu e tremeu quando apoiou-se nela, ficando em pé numa posição torta. Tentou dar um passo adiante, mas as pernas amoleceram e Emily quase caiu de novo.

— Emily, eu não tô… Conse… Ouv… Direito — disse Molly, entrecortada. — Ela quem?

Era notório como Merriman já começava a entrar em leve desespero. Mas Emily não percebeu isso ou se importou. Estava afogada em seus próprios lamentos e suas próprias tristezas, tentando escapar daquele inferno. Seguiu em frente, passando a palma da mão na mesa áspera e escorregadia de sangue. Os pés arratavam-se no chão.

— Eu chamei a polícia, mas… — começou. — Eu preciso de ajuda. — A saliva e o choro se acumulavam. — Eu preciso de alguém aqui… Ela tá… Ela tá… Ela tá morta!

— Quem tá morta?! — questionou Molly, pela primeira vez ouvindo com clareza.

A simples afirmação de Merriman fez Emily sucumbir ao chão mais uma vez. Os joelhos foram de encontro ao concreto, o braço livre tentando manter-se firme na mesa. Seus soluços e grunhidos ecoavam por todo o ambiente, os olhos fixos na luz ao longe.

— A Jordana! — gritou, sentindo a boca entortando-se ao dizer o nome da amiga. — A Jordana tá morta, Molly! Ela morreu!

A revelação perdeu-se em mais soluços quando a linha ficou em silêncio por alguns instantes. Hayes pensou que a ligação tinha caído, mas era somente o choque de Molly, absorvendo a situação de sua própria maneira. Escutou sussurros, como se ela falasse com alguém.

Sem opções, a sobrevivente ficou em pé de novo, com as pernas mais estabilizadas agora, e foi capaz de dar alguns passos para frente. Com o canto dos olhos, percebeu que o corpo já não estava mais ao seu lado. De qualquer forma, jamais se esqueceria da imagem de Jordana, sem a cabeça e uma das mãos.

Ligar para Molly foi uma decisão sensata. Mesmo que a polícia estivesse vindo, Emily não conseguiria passar por aquilo sozinha. Precisaria de ajuda, e Merriman era quem mais lhe era próxima naquela situação. Em relação a ligar para as autoridades, foi realmente fácil. Para discagens de emergência, não é necessário uma rede disponível, dependendo da área. E como estava praticamente perto da cidade, o sinal captado era de uma operadora próxima.

— Emily… Você… — tornou Molly. — A Jordana morreu? — A tristeza explícita na voz de Merriman fez Emily derreter mais uma vez.

Como contaria aos outros que Jordana estava morta? A família dela, os amigos fora de Oakfield… Seria tudo responsabilidade de Hayes. E não sabia se seria capaz de passar por isso uma segunda vez. Os olhares de choque ao início, e então o choro. Porque era óbvio que seria o que aconteceria com todos da cidade. Todos os sobreviventes. Fora os olhares de pena.

— É, Molly! Ela tá morta… Eu encontrei o corpo dela! Ela tá morta! — gaguejou, seguindo em frente. A abertura tornava-se cada vez mais próxima a cada passo dado. Sentia o rosto gelado pelas lágrimas, o vento batendo nelas. — Eu preciso de você, Molly. Eu preciso de alguém aqui comigo… Por favor… Eu não consigo passar por isso sozinha. Não consigo!

Realmente precisava de apoio, e não tinha vergonha de pedir por ele. Ninguém deveria ser obrigado a passar por uma situação como aquela sozinho. Estivera ali quando Sam descobriu sobre Lincoln, ou quando Tommy descobriu sobre Logan. Sabia o que era o luto e o que ele fazia com uma pessoa. Viu ao vivo como ele deteriorava alguém, de dentro para fora, e antes que pudesse ser impedido, esse alguém já não mais existia, e tornava-se apenas o vazio.

— Pelo amor de Deus, Emily, onde você tá?! — O choro mostrou-se presente em sua voz, a linha falhando constantemente e transformando-a num robô disléxico.

— Eu tô… — tentou dizer, seu choro gritado ecoando pelas paredes. — A floresta…

Na floresta? Onde, Emily?

— A trilha…

Emily tinha suor e lágrimas escorrendo pelo rosto, o cabelo entrando na boca e grudando na testa. As roupas estavam empapadas de suor e sangue, de quando caiu aos pés da mesa ensaguentada e tateou ao redor em busca de seu telefone. A mão estava melada pela consistência também, e isso tornava-se mais nauseante quando reparava na sensação oleosa nos dedos. Agora não tinha mesa a qual se apoiar, e as possibilidades de cair eram imensas. Andava no total breu, desorientada, tentando não tirar a vista da abertura ao fundo para não se perder.

O corpo queimava. Parecia que as portas do inferno haviam se aberto e o fogo escaldante estava para pegá-la e queimá-la por toda a eternidade. Pensava em como seria o inferno, pois, com certeza, iria para lá, por conta da culpa de ter colocado tantas pessoas naquela situação, de tê-las matado, mesmo que indiretamente. Imaginava se o fogo que a envolveria seria azul e brilhante, como em tantas séries e filmes que já tinha assistido, e se o diabo teria mesmo chifres e um grande rabo avermelhado. Provavelmente não. O diabo andava entre eles, todos os dias, e não era nada além de um humano comum, um lobo no meio dos cordeiros, a besta entre todos.

Tudo aquilo parecia impossível. Hayes nunca pensou que aquilo seria algo que chegaria a acontecer. Jamais pensou que Jordana poderia morrer. Imaginava que tudo aquilo acabaria como antes: uma pilha de cadáver e poucos sobreviventes, Jordana entre eles. Mas não. Aquele era um jogo diferente, o segundo nível do que presenciou no passado. Não haveriam erros ou hesitações. Era matar ou morrer, independente de quem você fosse.

— Na floresta? Emily, não se preocupe — avisou Molly. — Eu tô indo, tá bom? Aguenta firme.

Quando os bips invadiram seu ouvido, Hayes não se importou em abrir os dedos e deixar o celular escorregar de suas mãos, atingindo o solo com força. Continuou em frente. A bolsa tinha se perdido em algum local dali.

Teria de aguentar os próximos minutos sozinha, como antes. O silêncio era avassalador. Nem seu choro alto e constante era capaz de cobrir o doce som da morte. Pelo menos, a ajuda estava a caminho.

Continuou andando com as pernas tortas e mancando. As lágrimas embaçavam a vista. Passava por rochas e pedras, desviava de móveis e tentava não escorregar na trilha de sangue que continuava ali, orientando-a na direção da saída. Quando chegou ao aclive, diante do forte vento refrescante e das árvores que balançavam com ele, demorou mais tempo do que antes para subi-lo. Por diversas vezes, caía na metade do caminho e ficava chorando, para então se erguer e continuar. Mas assim que atingiu o exterior, envolta pelo verde da floresta e do céu acinzentado sobre si, foi aliviante. Parecia que tinha atingido a porta do céu, saído do inferno.

E realmente tinha. Havia deixado para trás seu pesadelo, mesmo que parte dele fosse continuar consigo para todo o sempre. Não tentou ir mais longe do que aquilo. Após alguns passos, ficando a uma boa distância do hotel, Emily despencou e abraçou a grama, ficando daquele jeito até que as sirenes fossem ouvidas e as luzes começassem a piscar. Cinco viaturas estacionaram ao redor e policiais cobriram a área. Tentaram acalmá-la enquanto exploravam o interior do local, mas Hayes só foi sair dali quando um novo carro surgiu e, de dentro dele, saíram Garrett, Sam e Molly.

Correu até Merriman e a abraçou como se sua vida dependesse daquilo.

 

2

 

Owen e Max ainda caminhavam pela cidade. Lado a lado, os dois seguiam pela calçada depois de terem almoçado numa das lanchonetes próximas do centro. Com dinheiro nos bolsos, eles iam para as compras, para passar a noite juntos, na casa de Max. Os pais de Langdon passariam a noite fora, em Capeside, para o casamento de dois amigos de longa data. A escolha do local foi de última hora, uma troca de igrejas para se prevenir do horror de Oakfield, e como eram padrinhos, o Sr. e a Sra. Langdon não foram capazes de recusar o convite. E desde que Max não compareceria por antigos problemas envolvendo o filho dos noivos, para ficar com menos peso na consciência de deixar seu filho adolescente sozinho em casa enquanto um lunático está a solta, os pais do garoto pediram para que ele convidasse Owen para passar a noite com ele.

A confiança em cima de Cambpell era muito grande. Ele era o amigo de seu filho que amavam tanto, sempre um bom garoto. Max não reclamou. Owen era como seu irmão. Se conheciam desde o fundamental, e agora eram como unha e carne, inseparáveis, lado a lado nos melhores e nos piores momentos.

Estavam na missão de comprar mantimentos. A ideia de dar uma festa não saía da cabeça de Max, mas ele sabia o quanto a vizinha da frente era fofoqueira, e o quanto seria xingado pelos pais quando eles voltassem. Já tinha pedido permissão, mas foi-lhe negado. Dar às escondidas não era uma opção, portanto. Tinha se tornado um filho mais obediente. Principalmente nos últimos dias. Com toda a situação da cidade, Langdon tinha aprendido a se importar mais com os outros e amadurecer, deixando as piadas e brincadeiras de lado.

Ele olhava ao redor. O clima estava como sempre: frio, mas sem ameaça de chuva. Os dois usavam moletons quentes. Com a chegada do massacre, Oakfield pareceu se adequar ao clima ideal para deixar as coisas ainda mais sombrias. Era quase como se o Carrasco fosse um deus. Não bastava controlar suas vítimas, como também toda a cidade.

Owen, ao lado, não tinha nada em mente. Estava um pouco assustado por ter de passar a noite fora, sozinho, apenas com o amigo, tinha de admitir. Sempre fora muito medroso, mas nunca demonstrou isso. Max, por outro lado, era o tipo de adolescente que gosta de se colocar em risco e acha graça disso. Campbell não via motivo para isso. Gostava de viver sossegado. E sabia que se dissesse algo, se demonstrasse seu temor, seria alvo de piadas.

Com o tempo, ele foi capaz de saber quando deveria dizer alguma coisa ou não. Não que se importasse com as piadas de Max ou coisa assim – ele amava o amigo e o amigo amava ele, mesmo que também não dissessem em voz alta – mas às vezes simplesmente não queria aumentar a lista de coisas de que poderia ser zoado.

— Será que vai chover? – perguntou Max, repentinamente. Ele não tinha a mesma capacidade de Owen de analisar o clima.

— Não – respondeu o outro, olhando para o céu. – Acho que não.

— Espero que não. Se chover o sinal da TV vai ficar uma merda.

— E isso seria o apocalipse – debochou Owen, rindo.

— Se você não quiser perder a maratona de Premonição que vai ter na HBO, então não. Mas eu não quero – respondeu ele, com o mesmo tom debochado. – Prefiro que o assassino me mate, do que perder a gata da Mary Elizabeth-Winstead. – Tudo bem, talvez ele não tenha deixado todas as piadas de lado, nem amadurecido tanto assim.

— Credo, nem brinca com essas coisas – disse Campbell, numa bela imitação de um senhor de idade.

— Ah, vai me dizer que cê tá com medo de ficar sozinho lá em casa? – Sorriu.

— Quê? Nem falei nada, louco – reclamou Owen, desviando os olhos para a rua.

— Mas tá?

Pensou antes de responder, então deu de ombros.

— Medo, medo, não – disse. – Mas eu fico meio assim, sabe? Não deixa de ser perigoso.

— Relaxa, cara. Não vai acontecer nada – falou de forma amigável para ele, mais sensato. O outro sorriu para o amigo, constrangido.

Chegaram onde queriam. A rua ia para ambos os lados. Pararam numa das esquinas. Max olhou para Owen e disse:

— Beleza. Vai alugar uns filmes enquanto eu compro as comidas. Qualquer coisa te encontro na locadora.

— Beleza.

Enquanto Owen se distanciava, Max virou-se, andou alguns metros, e entrou no mercadinho. Era um lugar pequeno, quadrado. De um lado, as máquinas de sorvete, e do outro, as de bebidas. Algumas prateleiras estavam a disposição, baixas e pequenas, de forma que alcançavam somente até os ombros de quem estivesse ao lado. Estava vazio. Langdon sentiu o frio do interior quando passou pelas portas de vidro e foi atingido pela lufada de ar gelado vindo do ar-condicionado acima da entrada. Com um aceno de cabeça, cumprimentou o caixista desinteressado atrás do balcão e seguiu adiante, pegando uma cesta.

Ao passar entre as prateleiras, Max enchia a cestinha com tudo o que lhe agradava os olhos. Biscoitos, salgadinhos, chocolates, doces. Parou diante das geladeiras ao fundo e pegou alguns refrigerantes. Em seguida, bateu os olhos nas garrafas de cerveja. Encarou o caixista ao fundo. Seria fácil fingir ser maior de idade, já tinha feito isso antes. Por isso, pegou sete delas e colocou sobre todos os outros itens. A cesta já pesava na mão.

Estava para voltar quando seu celular vibrou no bolso. Desajeitado, o garoto pendeu para o lado e colocou a cesta no chão, livrando-se dela para ser capaz de pegar o aparelho. Virou a tela para si, encarando a chamada de “Número Desconhecido”. Franziu o cenho, curioso.

— Alô? – atendeu, não vendo problema naquilo.

Hello there, Max – disse a voz eletrônica e grave.

Parado naquele corredorzinho, olhando para o exterior através da vitrine à frente, Max estranhou um pouco.

— Quem é? – perguntou, pronto para pegar seus mantimentos e sair dali.

Vai dar uma festa e não me convidou? – continuou o indivíduo, fazendo-o parar no meio do caminho e voltar a ficar ereto.

Max riu de lado, respondendo:

— Festa? Do que tá falando? Não vai ser uma festa.

Mas você até pegou cerveja.

Olhou ao redor, levemente assustado. Em vista, apenas o caixa e a porta dos fundos estranhamente entreaberta. Virou para a rua, onde uma grande quantidade de pessoas passava. Com certo receio, notou que a pessoa com quem falava sabia que passaria a noite com Owen.

— Quem tá falando, serião? – tornou.

Alguém muito bravo por não ter sido convidado para a sua festa, Max – disse o assassino. – Mas não se preocupe. Tenho fama de entrar de penetra.

— Eu vou desligar, beleza?

Estava pronto para virar o celular e encerrar a chamada, mas então a voz disse algo que aguçou a sua curiosidade e, mais ainda, seu medo.

Mas eu posso ajudar! Eu posso levar o sangue, se não se importar.

Aos poucos, foi percebendo quem poderia ser. Isso o fez vibrar.

Muitos, muitos litros de sangue – disse o assassino.

— Quem é você? – perguntou, trêmulo.

Eu iria deixar a surpresa para essa noite, mas já que perguntou… – respondeu o mascarado. – Acho que sabe muito bem quem eu sou.

— Você tá zoando, né? Não pode ser. – Tentava enganar a si mesmo, mas o resultado não era o esperado. – Owen, é você, né? Tá tirando com a minha cara. Muito engraçado.

— Ah, o Owen… – comentou a voz. – O Owen é o meu preferido. É ele quem eu pretendo deixar vivo. Mas você, Max, você é quem vai morrer e ninguém vai dar a mínima porque você é o amigo babaca que morre primeiro. O dushbag da turma, aquele que ninguém lembra o nome quando tudo acaba.

— Você não sabe de merda nenhuma pra falar desse jeito, sacou? – Tentava impor certa autoridade, mas também não dava certo. Sua voz já tremia o bastante para demonstrar seu medo.

Parado no centro daquele corredor, Max já conseguia chamar a atenção do caixista, que virava para ele com um olhar curioso.

Eu fiz bem a minha pesquisa. Eu sei muito bem sobre você.

— Eu não sou o amigo babaca… – sussurrou para si mesmo, um pouco ofendido.

Para alguns, você é. Acredite no que digo.

— Não, não acredito. Porque você não sabe de nada. Não tem direito a nada.

No meu jogo, eu tenho todos os direitos que preciso. E você, Max? Você não tem nada. É só um peão prestes a ser jogado fora. Sua validade já expirou, rapazinho.

— Cala a boca! – gritou, fazendo o caixista empertigar-se.

O assassino apenas riu.

Foi bom ter conversado com você, Max – disse ele. – Acredito que tenho uma segunda opinião sobre você. Mas, felizmente, o show tem que continuar, e agora é tarde demais para voltar atrás e refazer os planos. Queria poder dizer que sinto muito.

A chamada foi encerrada antes que o garoto fosse capaz de dizer mais alguma coisa. Os bips preencheram a linha e ele tirou o celular do ouvido, encarando-o por alguns segundos. Mal percebia que ofegava, o coração explodindo no peito. Voltou à realidade, pagou por suas coisas e saiu dali o mais rápido que podia.

 

3

 

Depois de muitas horas na delegacia, Emily finalmente tinha sido liberada. Além de ser investigada por Jordana, também questionaram-na sobre Archie. Os primos mortos. Isso a fazia sentir uma onda de tremores passando pela espinha: uma família perder não só um, como dois parentes. O luto seria duplo, e Emily, a culpada. Os pais de Jordana, que um dia a amaram como se fosse sua própria filha, começariam a evitá-la e odiá-la, era inevitável.

Sua casa já tinha sido liberada pela polícia, mesmo que ela pudesse ir até lá quando quisesse para procurar por novas evidências. Continuava cercada por faixas amarelas, mas a entrada dos moradores – no caso, Emily e Ellen – era permitida. De qualquer jeito, Hayes não conseguiria dormir lá por algum tempo. Só de saber que o assassino tinha estado lá e colocado um corpo num dos quartos, a fazia perder toda a vontade de continuar sendo dona do lugar. Foi Molly quem cedeu um dos lados de sua cama para a sobrevivente.

Estavam lá desde que voltaram da delegacia. Molly tinha estado com Emily o tempo todo, esperando-a junto de Garrett e Sam. DeLucca ainda não tinha sido capaz de conversar com ela, o que era estranhamente difícil de observar, mesmo que nenhuma das garotas fosse capaz de ajudar no caso. Não queriam cutucar Emily, apenas dar suporte. Elas foram deixadas lá pelo moço, que se despediu com um “tchau, tchau. Fiquem bem”.

Para Merriman, a situação era difícil demais de suportar. Não tinha derramado uma lágrima ainda, provavelmente pelo choque. Molly tinha sido a primeira pessoa com a qual Jordana havia falado quando chegou na cidade, e aquilo fazia com que a morena pensasse que tinham uma espécie de ligação. Nenhuma gota nos olhos, apenas a imensa tristeza que assolava seu peito e trancava a garganta. E não era somente Jordana que passava por sua mente, como também Archie. Emily provavelmente não estava dando a mínima para o garoto, mas Molly sim. Ele era seu melhor amigo desde muito tempo, e quando foi para a cidade, era como se estivesse reassistindo um filme que gostava muito quando era criança. Agora, a vida o tirou de si.

Estar com Hayes era desconfortável, além de tudo. Não sabia o que fazer exatamente, mas achava que apenas ficar ao lado era ajuda o bastante. Provavelmente Ellen também passaria a noite ali – desde que não tinha retornado para sua casa desde a ligação do assassino e preferia manter-se em bando –, então Molly não tinha muito com o que se preocupar, pois Ferrer era uma psicóloga, basicamente treinada para lidar com casos como aquele. Mas ela ainda não tinha chegado do trabalho. Merriman achava que estivesse evitando o momento em que ficaria de frente a Emily de novo, as duas que tiveram grande contato com Jordana durante todo aquele tempo.

Passavam das 20hrs. Emily continuava jogada no sofá com as roupas que lhe foram entregues na delegacia, as que não estavam com sangue. Um moletom cinza e calças jeans largas demais. Os cabelos estavam emaranhados, a cara inchada de tanto chorar, os olhos vermelhos. Estava acabada, em todos os sentidos da palavra.

— Precisa de alguma coisa? – perguntou Molly, sentada logo ao lado, tentando ser prestativa.

A garota deu um gole de seu chá enquanto Hayes virava a cabeça para si. A sobrevivente tinha rejeitado o chá de camomila. Não estava com fome ou sede, muito menos vontade de se acalmar. A raiva que sentia no momento era boa, a deixava mais apta a lutar contra o Carrasco.

— Não, Molly, obrigada – respondeu, com gentileza, voltando a olhar para a TV.

O braço amputado balançou quando voltou a abaixar a cabeça, o vapor quente do chá esquentando o rosto. Soprou-o e deu um gole. Emily odiava estar daquele jeito, parecendo que não ligava para a hospitalidade da amiga. Mas, na verdade, era muito diferente. Não conseguiria expressar em palavras a gratidão que sentia por Molly, e também não tinha força para fazê-lo. Provavelmente deixaria para depois, quando estivesse mais capaz de fazer isso.

De repente, Merriman lembrou-se de algo, e pensou que seria um bom momento para trazer o assunto a tona.

— Você se lembra de quando eu tava no hospital, e rastreei o celular do assassino? – disse.

Emily concordou com um “uhum”, desinteressada.

— O que tem? – perguntou a sobrevivente.

— Você pensou no assunto depois que conversamos? Disse que poderíamos investigar, mas não voltou a falar sobre…

— Eu não mudei de ideia, se é isso que tá pensando. Ainda acho que a gente deva investigar. Eu… Tinha me esquecido disso, mas agora que você falou… Sim, vamos, sim.

Molly concordou com a cabeça.

— Mas precisamos esperar a situação se estabilizar primeiro – continuou Hayes, a voz fraca. – Porque a gente tem que pegar o assassino desprevenido, quando formos atrás do lugar que você rastreou.

— Você acha que ele vai tá lá quando a gente for? – questionou, apreensiva, virando a cabeça para encará-la.

— Não. Provavelmente não. É que eu prefiro que ele não saiba que a gente vai.

Molly não respondeu, bebendo de seu chá. Emily respirou fundo.

— Bom, chega desse assunto por hoje – disse Hayes. – Eu vou dormir um pouco, se você não se importar, Molly. Estou exausta. – Começou a se erguer do sofá.

— Não, imagina. Você deveria mesmo.

Em pé, a sobrevivente olhou ao redor. A casa era pequena, mas muito aconchegante. Franziu o cenho, sob o olhar da amiga.

— Você viu a minha bolsa? – perguntou Emily.

— Não… – respondeu, inspecionando a sala.

— Merda, acho que eu deixei no hotel. – Vibrou, lembrando-se de Jordana.

— Os policiais levaram tudo que encontraram pra delegacia – informou Molly.

Hayes imaginou no que pensariam ao encontrar sua pistola dentro da bolsa, mesmo que não tivesse problema, já que tinha uma licença. De qualquer forma, não gostaria de ficar sem a arma agora. Jordana estava morta e isso significava que o assassino não estava hesitando em matar as sobreviventes. Ele estava próximo do fim e, dessa forma, Emily corria mais risco do que antes. A morte poderia bater à porta a qualquer instante agora. Precisava daquela arma.

— Eu tenho que pegá-la – disse, alcançando o celular na mesinha de centro.

— Agora? – questionou Molly, surpresa.

— É. Eu tenho muita coisa naquela bolsa que eu não posso ficar sem.

— Tudo bem. Eu chamo um Uber.

— Obrigada, Molly.

Merriman levantou-se e foi até a cozinha, no final do corredor. Emily resolveu não esperar por ela. Gostaria de ir sozinha. A amiga tinha lhe sufocado desde que se encontraram na floresta, e não era disso que ela estava a procura agora. Talvez Molly tivesse levado suas palavras da ligação longe demais. O suporte era apenas para aquele momento. Agora poderia lhe dar mais espaço. E de qualquer jeito, Ellen chegaria dali alguns minutos, então não estaria deixando Molly em perigo por estar sozinha.

Seguiu adiante e saiu pela porta da frente sem fazer barulho. Esperaria pelo carro do lado de fora, e por sorte Molly levaria tempo o suficiente para colocar um sapato até que o carro chegasse e Emily pudesse ir sem ela, com a desculpa de que achou que não viria junto.

O vento frio era refrescante, diferente do interior abafado da casa. Emily caminhou pelo quintal da frente até chegar na calçada. Olhou de um lado para o outro, apenas para ter certeza de que não estava em perigo. A rua estava vazia, os postes iluminando o bastante para que deixasse de ser um ambiente ameaçador. As casas estavam todas acesas, mas ninguém do lado de fora. O único som era o de sua própria respiração. Hayes via os becos entre as casas e tremia; esses eram os pontos mais assustadores do local. Desviou os olhos e tentou pensar em outra coisa que não fosse sua atual situação de perigo.

Com os cabelos chacoalhando, a sobrevivente olhou para a esquerda, adiante na rua. Ao longe, estava sua casa, faixas amarelas ao redor, tudo apagado. Se não conhecesse, diria que era o lugar onde drogados e mendigos dormiam a noite. A casa estava morta, praticamente. Morta como Jordana, morta como Archie, morta como o interior de Emily. Ficou olhando por alguns segundos, então virou o rosto, para que não voltasse a chorar, na direção da casa de Molly. Ela ainda não tinha se dado conta de que havia saído. Voltou-se para frente, erguendo o celular. A tela acendeu e iluminou seu rosto. Checou as mensagens, as redes sociais.

Cruzou os braços. O vento frio finalmente surtiu efeito, e agora Hayes ansiava por calor. De repente, o celular vibrou em sua mão. Sobressaltada, a garota encarou a tela, e no mesmo instante seu corpo queimou com a pura raiva e o puro ódio, a face avermelhando tanto que parecia que estava prestes a explodir. Era o assassino quem lhe ligava, obviamente. “Número Desconhecido” brilhava na tela como o último brilho dos olhos das vítimas do Carrasco.

A sobrevivente pensou muito antes de tomar alguma ação. Nada disse e nada fez, além de encarar a tela. Então, atendeu, não se contendo com a ideia de xingá-lo o máximo que pudesse.

— Ligou pra se vangloriar? – não se segurou em dizer.

Que isso. Apenas para ouvir o seu sofrimento mais um pouco – debochou o mascarado.

— Eu juro que vou acabar com você – rugiu. – Eu vou matar você, e vou observar enquanto morre. E eu vou estar sorrindo quando isso acontecer, pois acredite, eu nunca quis tanto uma coisa na minha vida, quanto eu quero te ver morto.

Não acho que isso chegará a acontecer, Emily –  respondeu ele, rindo. – Te garanto que a Jordana queria a mesma coisa, e as coisas não saíram como o esperado para ela, não é? Não é a sua intuição em me matar que vai levar isso a realmente acontecer.

Ela fechou os olhos e suprimiu um grito de ódio, rangendo os dentes. A face estava franzida e vermelha, o ódio mortal borbulhando em seu corpo. Odiava quando as conversas com ele não saíam de acordo, como se o maldito sempre tivesse a resposta na ponta da língua.

— Mas da próxima vez que tentar, você vai morrer. Você vai perder, seu filho da puta.

Essa vitória já é minha e você é muito idiota se ainda não sabe disso.

— Vai perder, assim como a Julia perdeu, assim como o Connor perdeu. É o que sempre acontece: o vilão morre. No seu caso, morre de uma forma bem lenta e dolorosa. Vou me certificar de que seja assim.

Houve um segundo de silêncio, como se a menção do nome dos assassinos tivesse despertado algum sentimento ou reação no Carrasco. Emily percebeu qual era o seu ponto fraco.

Não dessa vez, Emily Hayes – disse ele. – Julia e Connor eram dois adolescentes que não calcularam certo as coisas, mas eu não sou. Sei muito bem que jogadas fazer para chegar ao seu game over. Eu sei o que faço, quando faço e como faço. E não, não existem erros no meu jogo. Tudo sai como foi planejado.

— É mesmo um coitado por achar isso, porque eu vou te pegar, entendeu? – respondeu, não se deixando intimidar pelas palavras do maníaco. – Você vai se arrepender de cada vida que tirou quando eu colocar as minhas mãos em você.

Assassinos não costumam morrer para sempre, Emily. Sempre tem uma sequência.

— O maior erro de vocês é achar que são imortais.

— Não somos imortais, mas trabalhamos em equipe.

Emily parou por um momento, encarando o asfalto. Não pode ser.

— O quê? – perguntou, quase retoricamente. – O que quer dizer com isso?

Você entendeu muito bem, Emily. Não se faça de sonsa – respondeu o assassino. Um segundo de silêncio. – Que foi? Ficou mais assustada agora? Tirei toda a sua coragem? – dizia em tom de gozação. – Não achou que eu não tivesse reforços, achou?

— Eu não ligo pra quantos psicopatas filhos da puta vocês são! – gritou. – Eu vou acabar com todos vocês!

E vai fazer isso sozinha? Porque vai ser a única que sobrará quando o grande momento chegar.

— É tão covarde que vai matar todo mundo porque tem medo de perder? Ah, é claro, só tem que sobrar eu, porque aí o seu joguinho vai continuar sendo injusto. Um contra… O quê? Dois? Três? Quatro? Em quantos você tá? O meu palpite é dois, só pra se manter firme ao original.

Você está brincando com fogo, garota. Nunca ouviu falar que quem mexe com fogo, sempre se dá mal?

— Eu mexi com fogo a minha vida inteira. E sabe o que aconteceu? Eu queimei meus inimigos com ele. Eu queimei Julia e Connor com ele!

E o que você sabe sobre eles, hein?! – irritou-se o mascarado, gritando ao seu ouvido.

— Ficou bravo? Tem algo a me dizer? – Deixou de lado um pouco da raiva e ficou com a voz séria por um instante, nervosa. – Isso tudo tem alguma coisa a ver com eles?

Ah, pode acreditar que sim – respondeu o mascarado, para sua surpresa. – Achou que tinha acabado, Emily? Achou que a história tinha sido finalizada a sete anos atrás e que nenhuma ponta solta foi deixada? Que você tinha derrotado todos os seus demônios? – Houve uma curta pausa, e então a voz dele surgiu mais uma vez, carregada de uma raiva visceral que fez todos os ossos da sobrevivente tremerem: – Julia Moss ainda clama por vingança…

Foi como um soco no estômago. Emily sentiu o peito inflar com força. O motivo havia sido entregue em suas mãos: a vingança. A boa e velha vingança. Feita por quem? Ela não fazia ideia. Quem poderia estar em busca de vingança por Julia Moss?

Virou o rosto com tudo quando um movimento suspeito surgiu à direita, sendo retirada de seus pensamentos. Só ali percebeu que a ligação tinha sido encerrada. Abaixou o celular. Sentiu o corpo vibrar. Agora, encarava o ponto a alguns metros da casa de Molly, e a visão que tinha, era a última que esperaria encontrar: o Carrasco estava parado na boca de um beco escuro que surgia entre uma casa e um barzinho fechado, o sobretudo negro, igualando-se à escuridão atrás dele, agitando-se com o vento forte, e a faca afiada em riste ao lado do corpo, quase como uma extensão natural de seu braço.

A imagem fez a visão de Emily se entortar e ela quase foi ao chão pela tontura que lhe abalou. A bile subiu pela garganta. Mas não foi o medo que lhe proporcionou isso, e sim o ódio, a raiva esclarecida, o choque, a pura fúria de quando se é colocada diante de seu maior inimigo, de quem está frente a frente com o assassino de sua melhor amiga.

E naquele momento, separados um do outro por pouco mais de quinze metros, Hayes fez a primeira coisa que surgiu em sua mente, talvez numa ação completamente imprudente: correu para ele, para a direção do mascarado. Não hesitou, não pensou duas vezes. Se era vingança que ele queria, pois soubesse que era vingança que a sobrevivente também desejava.

A expressão demoníaca em seu rosto preenchia sua face. Seus passos eram abafados pela grama verde enquanto a garota cruzava o quintal daquelas casas numa reta longa. Não tinha nada em mãos, apenas o celular, mas nem por isso parou. E o psicopata, por alguns segundos, manteve-se parado, olhando para ela, estático. O próximo movimento dele estava claro, e sinceramente Emily achava uma escolha estúpida.

O cabelo voava para trás com o vento, o corpo quente pela adrenalina. Não sentia cansaço nem nada disso. Estava pronta para combatê-lo, deixando de sentir medo, deixando de ser uma garotinha assustada que perdeu a amiga. Logo, quando estava na metade do caminho, o Carrasco se virou e entrou no beco, sumindo de vista ao envolver-se nas sombras.

Demorou menos de cinco segundos para a sobrevivente chegar à entrada. Parou ali, hesitando por um instante. Escutou o som de sua respiração pesada. De olhos vermelhos, Emily olhou para dentro daquele corredor extenso e fechado. As paredes de concreto estavam mais limpas do que o habitual, mas o chão continha jornais rasgados, garrafas quebradas e todo tipo de condimento nojento que poderia se encontrar. Uma caçamba de lixo era colocada à esquerda. O beco desembocava em uma grade, que levaria para o beco seguinte se não existisse. Naquele caso, a grade era alta demais para ser pulada e impedia que o caminho fosse seguido em linha reta. No entanto, virando à esquerda, era possível notar um segundo corredor. Provavelmente o mascarado seguiu por ali.

Pensou mais um pouco. Estava escuro, a única luz sendo a do poste atrás de si, a muitos metros. A única coisa que queria era vingança por Jordana. Queria arrancar a maldita máscara e envolver o pescoço do assassino num aperto forte, e estaria sorrindo quando a vida finalmente deixasse seu corpo. Mais do que isso, estaria satisfeita.

Suspirou fundo e foi para frente.

O ar entre as paredes era abafado, quente. O vento chacoalhou seus cabelos. Emily voltou a correr, tentando não tropeçar em nada que surgisse em seu caminho. O assassino estava fugindo de si, e com esse pensamento, gritou:

— Volta aqui, seu covarde de merda!

A adrenalina corria pelas veias, o coração nunca batendo tão rápido. A escuridão envolveu-a como braços negros. Não conseguia enxergar os próprios pés. Tinha como ponto de referência a luz que surgia após a grade de ferro, a alguns metros. Mas Hayes não parou. Estava decidida demais para isso. Naquele momento, estava disposta a se arriscar se fosse para conseguir o que queria.

Os pés frenéticos atingiam o concreto, e logo os braços acertaram a grade, quando foi freada bruscamente por ela. O ferro chacoalhou em um guizo metálico e alto. Olhou para trás, para a direção de onde veio. Nada. Então, virou-se para a única outra direção que poderia seguir, logo ao lado. Era um beco bem menor, de no máximo cinco metros. A garota percebeu que ele acabava em uma espécie de clareira. Emily foi até lá, dessa vez não correndo, mas andando rápido. Chegou em menos de dois segundos, e virou o rosto para todas as direções, reconhecendo a área.

Era um quadrado. Bem pequeno, por sinal. Mais caçambas verdes espalhavam-se e, na parede da esquerda, uma portinha de ferro era acompanhada de alguns degraus, deixando claro que ali era os fundos do barzinho da rua. Uma lâmpada acesa iluminava o local acima dessa porta. Dos dois lados, paredes a prendiam. Mas era diante de si que a coisa realmente interessante se mostrava. A quarta e última parede era mais uma grade alta de ferro. Ela não só impedia a sua passagem para o outro lado, como também a do Carrasco, parado ali, de costas para ela.

Quase sentiu o coração parar de bater. Os ombros do assassino subiam e desciam. Ele também estava ofegante após a corrida. Emily arfava, sem ar. O tinha pego. O maníaco estava preso, sem saída. A sobrevivente estava bloqueando a única direção pela qual ele poderia seguir.

Voltou a olhar ao redor antes de fazer qualquer movimento mais brusco. O mascarado obviamente já tinha notado a sua presença, mas parecia que não faria nada até que ela tomasse as rédeas da situação. E para sua sorte, ao lado da passagem de onde tinha acabado de sair, havia uma caixa de madeira quebrada, grandes pedaços de tábuas espalhados no concreto. Decidida, Hayes deu passos agitados para trás e agarrou um dos pedaços.

Voltou-se para o maníaco. Ele continuava parado, de costas. Queria tanto ver seu rosto… Para sua sorte, estava próxima disso. Ergueu a tábua em frente ao peito, preparada para golpear se precisasse. Com a raiva queimando no peito, disse, séria, a voz firme:

— Vire-se. Agora.

Não houve movimento nos poucos segundos que se passaram, mas então o psicopata começou a virar em sua direção, lentamente. O sobretudo esvoaçou, e logo eles estavam um de frente para o outro. O mundo pareceu parar. Estava realmente acontecendo, e Emily não era capaz de crer. Engoliu em seco, nervosa. Ainda era um perigo estar diante dele, assim como a faca entendida deixava bem claro.

O mascarado não esboçou reação ao vê-la ali, armada e preparada.

— Tire a máscara – ordenou.

O maldito não fez o que lhe foi mandado, apenas inclinou a cabeça de leve. Aqueles olhos mortais pareciam encarar diretamente sua alma.

— Eu mandei tirar a porra da máscara! – gritou, sua voz ecoando.

Estava próxima de mandar mais uma série de xingamentos, quando algo aconteceu. Não soube como, mas de um momento para o outro, abraçava o concreto frio e sujo, a placa de madeira longe de suas mãos. A cabeça estava virada para o lado, o peito colado ao chão. A tontura a fez não perceber o que acontecia à sua volta, impedindo-a de raciocinar. Escutava somente um apito contínuo que tomava seus ouvidos. Foi quando uma linha de sangue escorreu por sua nuca, que Emily finalmente sentiu a dor lancinante na parte de trás da cabeça.

Tinha sido atingida por trás.

Seu erro foi não ter se lembrado das palavras do maníaco ao telefone: não somos imortais, mas trabalhamos em equipe.

Enrijeceu o braço e grunhiu na tentativa de se levantar. Não obteve êxito. Raspou a ponta dos dedos no asfalto. Tentava abrir os olhos, mas também era difícil. Quando conseguia, somente enxergava a parede embaçada. Não tentou se erguer de novo. Doía demais. E foi quando um par de botas surgiu diante de seus olhos, sob o leve balançar do sobretudo negro do assassino.

Não conseguiu levantar os olhos para encarar a figura em toda a sua assombrosa forma, e por isso apenas esperou pela morte em silêncio, sem ser capaz de lutar. Com a mente acesa e o corpo apagado, a sobrevivente conseguiu perceber uma última coisa antes de ser levada completamente pela inconsciência: um fraco e curto sussurro abafado em seu ouvido, que surgiu tão rápido quanto se foi. E com leve temor, Emily percebeu que aquela era a voz do assassino. Não a voz mecânica das ligações, a voz real.

— Da próxima vez que eu vier atrás de você, será a última – disse ele. – E é aí que você vai ter que se preocupar, final girl.



Notas finais do capítulo

Pois é, galera, como o habitual, tem mais de um assassino hahaha Suas apostas e teorias mudaram? Me contem! O que acharam da leve perseguição da Emily? Essa garota é posta em tantas situações de vida ou morte que daqui a pouco nem vai se importar mais hahaha E a cabeça dela, tudo fudida de tantas pancadas que já levou hahaha E onde acham que vai dar essa "noite dos garotos" do Owen e do Max? Coisa boa que não é rsrs
Me digam suas opiniões sobre o capítulo! O que acharam do Garrett e seu arrependimento, das ações do Max, da forma como a Emily lidou com o luto e, obviamente, o que acharam do final. O assassino não tá de brincadeira, hein? Haha Até a próxima!



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