Hello There 2 escrita por Lucas André


Capítulo 21
S02EP19 – The Moment After


Notas iniciais do capítulo

Depois Daquilo

Emily e Sam recuperam-se das consequências do ataque. Megan é pega de surpresa por uma informação que decidirá seu futuro. Garrett lida com o luto em uma visita dos sobreviventes.



A primeira coisa que Emily sentiu quanto retomou a consciência foi a maciez sob si. As costas e os braços estavam doloridos, percebeu, mas era claro que estava deitada em um colchão. Essa foi a primeira coisa que estranhou. Abriu os olhos, recebendo a forte luz neles. Fechou-os e só voltou a abri-los quando se acostumou com a luminosidade. Estava no hospital. As paredes brancas, a maca onde estava deitada, os monitores médicos ao lado e o fraco som de telefones tocando, pessoas conversando e da agitação habitual de um ambiente como aquele deixaram claro isso. Sentiu-se aliviada.

Demorou poucos segundos para notar a presença ao seu lado. Era Archie, com uma expressão preocupada, encarando-a de volta. Quando notou que estava acordada, respirou fundo, agradecendo a Deus. Os braços dele agarravam a grade de segurança da maca com força. Estava apreensivo, percebeu Hayes.

— O que aconteceu? – foi capaz de perguntar, a voz fraca e a garganta arranhando. Só agora sentia uma forte dor na parte de trás da cabeça, assim como a sensação de que algo tampava aquela região. Pensou se tratar de um curativo cobrindo o corte formado quando caiu.

— Os policiais encontraram você desmaiada na frente da galeria da Sam – respondeu o garoto, calmo. – Disseram que tava um caos lá.

Aos poucos, Emily foi recobrando a memória. Lembrou-se de sua caminhada noturna até o hospital, da mensagem recebida, de lutar contra o assassino com Sam e, por último, da loira fugindo enquanto ela era deixada com o assassino, segundos antes de cair e desmaiar.

Grunhiu, a cabeça martelando e latejando. Usava um avental hospitalar, notou. Não sabia quanto tempo tinha se passado, mas, pela janela ao lado, ficava claro que era noite.

— A Jordana foi contatada e eu e a Ellen viemos junto – concluiu Archie. A sobrevivente lembrou-se que os primos já estavam no hospital com Molly.

— Foi alguma coisa séria? – perguntou, agora com a voz mais forte.

— Não, não foi – disse Brammall, parecendo com pena. – Foi só uma pancada que te fez desmaiar. Já fizeram uma tomografia pra confirmar. Não precisa se preocupar. O médico disse que você poderia ser liberada assim que acordasse, já que não foi grave.

— Isso é bom – resmungou, olhando ao redor. Não havia mais ninguém além dele no quarto.

Então, a porta se abriu e Jordana e Ellen passaram por ela, ambas se aproximando. Automaticamente, ao verem a morena acordada, estamparam longos sorrisos no rosto.

— Emily! – exclamou a albina, extasiada. – Você acordou! Ai, meu Deus, eu fiquei tão preocupada…

— Não precisa ficar mais, eu tô bem – disse, forçando um sorriso que fazia sua cabeça doer. Nunca foi boa com consolos, então foi a única coisa que disse para tentar fazer a amiga se sentir melhor.

Enquanto Jordana foi ao lado de Archie, Ellen posicionou-se do lado oposto.

— O que aconteceu? – perguntou a psicóloga, posicionando uma mão acolhedora no ombro de Emily, encarando-a um pouco mais séria do que antes.

— O assassino apareceu e atacou eu e a Sam na galeria dela – respondeu, deixando que os três ficassem sérios e preocupados, um tanto chocados, mesmo que já tivessem pensado nessa opção. – Até onde eu sei, ela conseguiu fugir, mas… Eu fiquei pra trás, e o assassino me pegou. – Percebeu como os olhos de Jordana e Archie se arregalaram. – Apaguei quando ele me empurrou e eu caí. Não faço ideia do por quê continuo viva.

Eles se mantiveram em silêncio por alguns segundos, pensativos. Ellen se arrependia de ter feito a pergunta – mesmo que ela fosse surgir hora ou outra –, pois só serviu para deixá-la mais nervosa e apreensiva. Eles formulavam suas teorias mentalmente, cada um pensando num motivo por Hayes continuar viva quando, obviamente, era um alvo fácil.

— Talvez os policiais tenham chegado antes dele fazer alguma coisa – disse Archie.

Ninguém respondeu, articulando algum pensamento sobre aquilo.

— É melhor a gente não se preocupar com isso agora – Jordana disse. – O que importa é que a Emily tá viva e bem. – Deu uma olhada geral nos amigos, tentando passar uma confiança que não tinha. – A Sam também deve estar bem – acrescentou. – Eu vou ligar pra ela. Ela não deu notícia nenhuma. Nem sabíamos que estava envolvida.

— Eu posso ligar pra ela – disse Ellen. – É melhor você ficar aqui com a Emily, Jordana. E eu tava com a Sam hoje à tarde… Quando ela disse que iria desistir de lutar. – Tinha a mandíbula rígida, encarando os outros. Todos estavam curiosos.

— “Desistir de lutar”? – perguntou Archie.

— Isso explica o motivo dela ter ficado sozinha – comentou Emily.

— Um alvo fácil – concluiu a albina.

Os três concordaram, tremendo sobre suas pernas.

— Eu vou ligar pra ela – alertou Ellen. – Estou realmente nervosa.

— Tudo bem – concordou Hayes.

— E eu vou chamar o médico, Em – disse Archie. – É melhor ele te examinar antes de você sair. – Quando concordou, ele e Ferrer se retiraram pela porta, deixando Jordana e Emily sozinhas.

Elas ficaram em silêncio por um tempo, um peso inconsciente caindo entre elas. De repente, Jordana disse:

— Eu conversei com o médico da Molly enquanto estava aqui. – Emily virou a cabeça para ela. – Ele disse que tinha te chamado pra conversar. Por que não ligou pra eu te buscar?

— Não queria incomodar. E você tava com a Molly, não queria atrapalhar.

Brammall deu um meio sorriso, continuando:

— Enfim, ele disse que vai remarcar o encontro com você, depois que ficou sabendo do que aconteceu contigo.

A morena só assentiu, não se importando muito com isso, para falar a verdade.

— Ela tá no andar debaixo – continuou Jordana.

— Eu queria ver ela – disse Hayes. – Não falo com ela desde que foi atacada no supermercado. Quero ver como ela tá.

— Vou conversar com ele. Mas acho que dá sim, ela tá aberta à visitas.

— Como ela está?

— Ela diz que tá bem, mas dá pra ver que não. Está deprimida, sabe? Perdeu metade de um braço… Vai ter que viver com isso pro resto da vida. – Deu uma pausa, olhando para baixo, abalada. – A Molly ainda me disse que preferia estar morta do que viver desse jeito. – Emily abriu a boca em espanto, impressionada. – Está apavorada.

— Espero que tudo fique bem. Pra ela e pra nós.

— E vai – concordou Brammall.

Voltaram a ficar em silêncio. Emily tinha pena de Merriman. Ela, assim como ninguém, não deveria ter passado pelo que passou. Sentia-se mais nervosa quando pensava no assunto. Igualmente Jordana, que havia presenciado a situação de Molly e tinha na pele a sensação indescritível de desconforto ao vê-la daquele jeito. Era horrível só de pensar.

— Está com fome? – perguntou a albina.

— Faminta – respondeu Emily, só então notando que estavam realmente com fome. Lembrava-se de ter comido apenas antes de sair de casa, a sabe-se lá quantas horas atrás. Era estranho que não soubesse quantas horas tinham se passado desde o ataque, mesmo que tivesse certeza de que continuava na mesma noite.

— Vou buscar alguma coisa pra você, tá?

Concordou com a cabeça, sorrindo de lado. Jordana saiu pela porta, deixando-a sozinha com seus pensamentos. Voltou a ficar séria, não sendo capaz de manter o sorriso no rosto. Uma única coisa não saía de sua cabeça: por que diabos continuava viva? Poderia haver muitos motivos, mas nenhum parecia se encaixar na situação. Se o objetivo do assassino era vê-la morta depois de sofrer com a morte de outros, por que não a finalizou ali mesmo? Ainda haviam pessoas a serem mortas? Ele tinha outros planos para o futuro de Emily? Não era a hora certa? Talvez Sam tenha voltado para salvá-la e ele se ocupou com ela…

O simples receio dessa última opção fez Emily quase não perceber que seu celular tocava no criado-mudo ao lado. Virou o rosto, antes não notando o aparelho ali. De certa forma, não foi surpresa quando o remetente tratou de ser o assassino. Ela atendeu, ouvindo a voz quando ela disse:

Hello there, Emily. Curtindo a estadia?

Fechou os olhos momentaneamente, absorvendo a raiva. Por algum motivo, a irritação se estendia quando era ela mesma o alvo da vez, quando era sua pessoa que tinha acabado de ser atacada.

— Você fez alguma coisa com a Sam? – perguntou, não conseguindo se segurar.

A vadia conseguiu fugir depois do seu ato heroico. Sorte a dela, não? – Após uma pausa, ele prosseguiu: – Saiba, Hayes, que essa noite não era sua. Sam deveria estar morta agora se não fosse por você.

— Parece que se enganou ao meu respeito, não é? Mas aquela mensagem me avisando que ela estava em perigo não foi enviada sozinha, foi?

Nunca imaginei que você chegaria a tempo. Como poderia saber que não estava em casa?

— Que pena pra você – debochou.

O objetivo era que a mensagem tornasse-se um peso na sua consciência quando Sam fosse morta e você percebesse que não conseguiu salvá-la.

— Muito esperto da sua parte, mas já passamos da fase em que os seus joguinhos funcionam.

Uma risada sádica se prosseguiu por alguns segundos, até que o assassino disse, irônico:

Com certeza funcionou quando eu tentei pegar a Ellen na sua casa, e ainda vai funcionar quando eu for atrás de mais um dos seus amiguinhos. Ou devo dizer… “Conhecidos”? Imagino que não conheça metade dos meus escolhidos, então não vai importar se eu passar a faca neles, vai?

— Eu não sei… – respondeu, com o mesmo tom irônico. – Você vai se importar quando eu passar a faca em você?

Perigosa… É assim que eu gosto, um jogo justo. Vamos ver quem consegue primeiro, então.

— Tá apostado, filho da puta.

Quando a chamada se aproximou de um possível fim, ainda dividida se acreditava ou não que Sam havia realmente escapado, não conseguiu deixar de perguntar:

— Por que você me deixou viva?

Quase como se estivesse esperando pela pergunta, o assassino respondeu rapidamente:

Você não acha que eu ia acabar com você rápido assim, não é? Por um lado, você ainda não pode morrer porque nosso jogo não chegou ao final… E mesmo que pudesse, acabar com você de uma forma tão broxante assim não seria nada emocionante. – A voz do remetente estava decidida àquelas palavras, fazendo Hayes fechar o punho em raiva. – Imagino uma cena de luta épica entre nós dois no término dessa grande história, onde no final eu corto a sua garganta. – Em seguida, o tom tornou-se mais irritado, como se o assassino rangesse os dentes. – Mas você desmaiou, como a pessoa fraca que é, e eu tive que me mandar. Eu quero ver a vida saindo dos seus olhos, enquanto você encara os meus.— O suspiro dado por ele fez Emily vibrar. – Acabou com a festa, Emily, parabéns.

— Fico mais do que lisonjeada em fazer você se foder — respondeu, tentando demonstrar que não estava intimidada pelas palavras do outro. Sozinha naquele quarto, sua voz ecoava pelas paredes brancas. — E aliás, você descreveu a cena da forma errada.

Como? — tornou ele, confuso.

— No final da história, sou eu que corto a sua garganta — concluiu.

Sem esperar uma resposta, Emily desligou a chamada.

 

1

 

A porta do banheiro do hospital bateu atrás de Ellen após ela entrar. O lugar estava aparentemente vazio, o que era melhor. Aproximou-se da pia, já tirando o celular da bolsa. Deu uma olhada nas cabines, que tinham todas as portas fechadas, de forma que parecia não haver ninguém nelas por conta do modo similar que se encontravam. Depois disso, apoiou-se com uma mão na pia, de frente ao grande espelho que tomava toda a parede. A outra mão já levava o celular ao ouvido, assim que discou para Sam.

Estava nervosa, sem sombra de dúvidas. Ficou tudo bem quando soube que Emily estava bem, mas as coisas se complicaram a partir do momento em que Sam foi incluída na história. Pior ainda quando ninguém sabia onde ela estava, com quem estava e se estava bem. Depois da conversa tida com a artista naquela tarde, Ferrer não sabia exatamente no que pensar. Foi uma ação extremamente perigosa tomada por Winters e Ellen estava realmente decepcionada com ela, por não ter seguido seus conselhos de se manter segura.

Tamborilando a pia de mármore com as unhas, a loira tinha o cenho franzido enquanto encarava o próprio reflexo no espelho, esperando que a chamada fosse atendida. Para sua sorte, após três toques, a voz de Sam surgiu na linha:

Ellen?

A onda de alívio que cobriu seu corpo foi indescritível. Sentiu as pernas vibrarem, até.

— Sam?! Pelo amor de Deus, onde você tá? – perguntou, eufórica.

Eu… Eu tô bem, Ellen. — A outra parecia surpresa pela notícia ter se espalhado tão rápido, ao mesmo tempo que parecia nervosa pelo que a psicóloga falaria. – Tá tudo bem.

— Meu Deus… Você quase matou todo mundo do coração. – Sua voz ecoava pelo banheiro vazio. – Encontraram a Emily desmaiada na frente da sua galeria. Ela tá bem agora, tá aqui no hospital… Mas ninguém ficou sabendo nada de você. O que aconteceu?

Um grunhido arrependido surgiu do outro lado da linha.

Droga… Eu não deveria ter corrido, deveria ter ficado pra ajudar ela — lamentou Winters para uma Ellen extremamente perdida na situação. Samantha pareceu perceber isso, e continuou: – A Emily disse pra gente tirar a máscara do assassino, mas eu tava assustada… Não raciocinei direito e ela só me mandou fugir…

— Tirar a máscara?! – Ela ficou tão chocada pela informação que nem se importou com a última frase ou com o fato de Sam ter, praticamente, deixado Hayes para morrer.

A Emily conseguiu nocautear o assassino — explicou. – Mas por minha causa ele se levantou antes que a gente pudesse ter a chance de descobrir quem era. — Ela estava, percebeu Ferrer, extremamente arrependida.

— Oh… – expeliu, surpresa, levemente impressionada pela capacidade de Emily de ter feito aquilo. Ainda se perguntou exatamente o que havia acontecido, e de que forma Sam impediu que o assassino fosse desmascarado. No entanto, se segurou e não perguntou, decidindo não tocar no assunto e focar em coisas mais importantes. Dessa forma, questionou: – E onde você tá agora? Voltou pra sua casa? Quer que eu vá aí?

A artista pareceu igualmente perdida em pensamentos, tanto que sofreu um atraso para responder, mas então disse:

Ah, eu estou na casa do Tommy.

— Tommy? – perguntou, estranhando.

É… — Sam disse. – Era a casa mais perto e… Eu e ele passamos por muita coisa juntos… — Por alguns instantes, Ellen tinha quase se esquecido do incidente com carne humana.

— Certo… – concordou. – Precisa de alguma coisa ou coisa assim?

Não, Ellen — respondeu, com a maior carga de gratidão que tinha. – A gente vai ficar bem, sério. Não precisa se preocupar comigo mais. Ele vai me levar embora mais tarde. — Uma pausa depois, Sam completou: – E por favor, diga pra todo mundo que eu tô perfeitamente bem. Nunca foi a minha intenção preocupar a todos. Diz pra Emily que eu sinto muito, também. Fico feliz que ela esteja bem.

— Pode deixar.

Aquele seria o momento perfeito para encerrar a ligação, mas Ellen tinha mais uma coisa para falar. Sam também pareceu perceber isso e ficou em silêncio, sabendo o que estava por vir.

— E, Sam… – Ferrer disse. – Sobre a nossa conversa de hoje à tarde… – Ouviu-se uma suspiração do outro lado da linha. – Estou decepcionada com você. – Não dizia aquilo para fazer com que Winters se sentisse mal, mas sim como um puxão de orelha, deixando claro que Sam não pôs em perigo somente ela mesma, mas sim todos os outros que se preocupavam com ela.

Se você tá assim, imagina eu — foi o que disse, a voz fraca. – Eu sinto muito, Ellen. Não sei o que tinha passado pela minha cabeça, mas eu prometo que não vai se repetir.

— Tá tudo bem, Sam. Fico feliz que esteja bem, mesmo. E espero de coração que você nunca mais faça isso. Assustou todos nós.

Eu não vou.

Um sorriso se formou na cara de Ellen, apoiada na pia do banheiro. Resolveu não tocar mais no assunto. Percebeu o remorso na voz da amiga, e sabia, mesmo sem precisar perguntar, que Sam estava pensando em Lincoln – o verdadeiro motivo por ter feito o que fez. Sabia o quanto ele era importante para ela, sabia que ela ainda sofria pelo luto. Não queria trazer o assunto a tona, para que a loira se sentisse bem novamente.

— Certo… Então se cuida, Sam – disse. – Eu vou ter ver amanhã, tá?

Tudo bem. Obrigada, Ellen. Não sei como agradecer pelo suporte que você tá me dando.

— Não preciso de nada em troca. Até mais.

Até.

Finalmente, tirou o celular do ouvido e desligou. Deu uma forte suspirada, encarando a si mesma, e lavou as mãos como força do hábito por estar em um banheiro. Pelo menos, um peso na consciência tinha sido retirado. Sam estava bem e acompanhada, longe do perigo. Agora levaria essa notícia para Emily, ela obviamente ficaria mais do que feliz em saber.

Mas então, quando jogou o papel toalha no lixo e terminou de colocar o celular na bolsa, uma das cabines atrás de si se abriu, e por ela saiu Megan, enquanto o som de uma descarga se dissipava ao fundo. Com estranhamento, Ellen a encarou. A advogada estivera ali o tempo todo desde que entrou, e não seria surpresa ter ouvido a conversa toda que tivera com Sam. Pela forma silenciosa que o banheiro estava o tempo todo, parecia quase proposital que Steinfield esperasse saber o que Ferrer faria ao entrar.

No entanto, Megan fingiu não reconhecê-la, indo até a pia e lavando as mãos. A expressão no rosto dela era de indiferença, o andar casual.

— Costuma escutar conversas alheias? – perguntou a psicóloga, empertigada. As duas se conheciam, e só fez a pergunta por conta disso. Do contrário, provavelmente não daria bola.

A morena virou a cabeça para ela enquanto colocava as mãos embaixo da água corrente, franzindo o cenho e respondendo em tom de deboche:

— Mijar virou crime agora?

Ellen riu, um pouco irritada por não ser levada a sério. Era sempre assim com Megan. Se esperava uma conversa boa e fluída, tinha começado a falar com a pessoa errada. Dessa forma, decidiu não insistir. A advogada não representava perigo algum e, de qualquer forma, o assunto tratado no telefone não era nada confidencial.

Deu as costas, indo até a porta, até que a voz de Steinfield intercedeu seu caminho:

— Foi outro ataque?

Ferrer se virou, encarando-a. Repentinamente, lembrou-se de Peter Cambridge, o recém-morto estagiário que trabalhava com a morena, alguém de quem ela parecia muito apegada e amiga. Foi gentil ao responder:

— Sim. – Sentiu o sangue gelar com a resposta. Continuava sendo estranho revelar em voz alta qualquer ação do assassino.

— Não me surpreende – disse Megan, nada abalada. – Com quem foi?

— Emily e Sam – respondeu depois de pensar duas vezes se deveria. E aproveitando o possível bom humor da outra, continuou: – Por que ficou tão quieta ali dentro? – Apontou para a cabine do banheiro. – Se te conhecesse melhor, diria que estava querendo ouvir a minha conversa.

— De fato – Steinfield disse. – Quem não se interessa quando alguém chega falando sobre assassinos e perseguições? – Tinha o tom debochado de sempre e a expressão de que não estava com medo de falar o que pensa.

Ellen revirou os olhos sem que ela visse.

— Não precisa ser cruel o tempo todo, sabia?

— É o meu hobbie.

Depois de um segundo de hesitação, Ellen disse:

— Sinto muito pelo que aconteceu.

Disse para tentar amolecer a advogada, ver um lado dela que jamais seria revelado. Megan permaneceu firme, no entanto. No fundo, Ferrer quase viu uma pitada de tristeza. E ela estava triste, de fato. Apenas tentava passar a imagem de alguém forte, como sempre fazia. Era um trabalho difícil, mas no fim das contas, sempre funcionava e ela continuava sendo a mesma Megan de sempre.

— Obrigada – respondeu Steinfield, a voz rouca e num tom seco. Disse de forma rápida pois estava quase se engasgando com o choro trancado na garganta.

A psicóloga olhou ao redor mais uma vez, até que uma dúvida surgiu.

— O que está fazendo aqui no hospital, afinal de contas? – questionou.

— Também gosta de cuidar da vida alheia? – rebateu de volta.

Não pôde dizer nada, e Megan passou ao seu lado, saindo rapidamente pela porta do banheiro.

 

2

 

Tommy estava sentado sobre o sofá de sua casa, assistindo TV. Apoiada com a cabeça em seu ombro, Sam. A moça vestia roupas largas, entregues por Howard logo depois de ter tomado um longo banho que a ajudou a espairecer, pertencentes ao rapaz. O cabelo preso em um rabo de cavalo dourado pinicava o queixo dele, mas ele não se importou. Diferente disso, mal conseguia sentir outra coisa a não ser angústia. Queria poder ajudar Sam, mas não teve experiências o bastante para descobrir como. Obviamente o incêndio do prédio a anos atrás o fez lidar com o próprio luto e arrependimento – o que de fato foi um grande fator após a morte de Logan –, mas nada em relação aos outros. Merda, até mesmo nisso pareço egoísta, pensou, suspirando fundo.

O loiro não tinha entendido literalmente nada do que Winters disse ter acontecido quando ela apareceu em sua porta desamparada, ofegante e suada. Só foi conseguir idealizar a situação após a mesma se acalmar um pouco e descrever com detalhes cada segundo passado minutos antes. E foi dessa forma que a angústia de Tommy começou, acompanhada de compaixão, pena e do incensante medo. Mal havia se recuperado da morte do namorado, então não sabia o que seria de si se perdesse a nova melhor amiga.

Esse pensamento se aflorava ainda mais quando ele pensava que, além de não saber tratar alguém que acabou de passar por uma situação como aquela, Samantha precisava de ajuda com suas emoções. Do contrário, pensava Tommy, a loira teria um surto histérico.

— Não tá mesmo com fome? – perguntou Howard, sem tirar os olhos da TV, repetindo uma questão antiga. – Posso pedir comida japonesa. É a sua preferida, não é?

Sam quase sorriu, mas os lábios não se levantaram o bastante para nomear a ação como um sorriso. O amigo não pôde ver, no entanto.

— Não precisa, Tom – respondeu ela educadamente. – Não tô com fome, mesmo. Só quero reunir minhas energias pra voltar pra casa – continuou, respirando fundo.

— Você pode dormir aqui, já te disse – disse Tommy, repetindo a pergunta pela segunda vez na noite. – Eu durmo no sofá, você fica com meu quarto. Você, com certeza, não está em condições de ficar sozinha num momento como esse.

A artista ficou quieta por curtos segundos. O simples pensamento de ficar sozinha já lhe arrepiava toda. Contudo, nunca gostou de folgar com as pessoas. Não gostava de ser um peso nas costas delas, muito menos de fazê-las sentir pena de si a ponto de lhe oferecer seu quarto.

— Sabe o quanto eu agradeço por isso, Tommy, mas eu acho que realmente preciso ficar sozinha – mentiu. – Eu vou ficar bem em casa… Com todas as portas e janelas trancadas, o alarme ligado, o telefone do meu lado e o taco de beisebol embaixo da cama. – Meu Deus, aquele taco de beisebol está lá desde sempre, pensou ela, assustada. Lincoln ainda era vivo quando o comprei.

Mesmo falando sério, a frase foi capaz de tirar um riso de Howard. Ele se sentiu culpado por não ser capaz de convencê-la, mas decidiu deixar assim. Se não fosse capaz de fazê-la ficar para a noite, pelo menos a enrolaria numa conversa até o sol nascer e ser dificilmente perigoso andar pelas ruas, desde que haveriam muitas pessoas ao redor.

— Eu poderia insistir mais – disse ele, tirando os pensamentos da cabeça. –, mas sei que você nunca vai aceitar, de qualquer jeito. É forte demais para ficar sob a guarda de alguém.

— Talvez você me conheça melhor do que eu mesma – afirmou Sam, rindo.

Por alguns segundos, Tommy sentiu-se tremendamente feliz por ter tirado um riso dela. Pelo menos era algo além de pavor e tensão.

— De qualquer jeito, eu vou pedir comida japonesa. Tô morrendo de fome – alertou o rapaz, levantando-se do sofá rapidamente. Winters sorriu, revirando os olhos, e se afastou enquanto era tirada do ombro do amigo, sentando-se confortavelmente, apoiada no braço do sofá. – E você também vai comer, querendo ou não. Essa decisão sou eu quem faço, mocinha.

Os dois riram, encarando-se enquanto ele caminhava até o cômodo à direita. Samantha admitia que estava com fome, mas não sabia ao certo o motivo de negar aquilo, de negar para si mesma que estava. Preguiça de comer, talvez.

— Sou grande demais para ser chamada assim – comentou a loira enquanto o rapaz desaparecia pela passagem que levava à cozinha, sendo obstruído por uma parede.

Tommy já podia ver o celular colocado sobre o balcão. Decidiu deixá-lo de lado para ter toda sua atenção em Sam, então o aparelho estava ali por sabe-se lá quanto tempo. Pegou-o nas mãos, desbloqueando a tela. A quantidade de mensagens não lidas era imensurável. Aparentemente noventa e quatro. Era de um único remetente: Olivia Ree. A grande quantidade de chamadas perdidas também chamava atenção – por volta de doze – e isso fez o coração de Howard bater mais rápido. E se uma tragédia tivesse acontecido?

De repente, o aparelho vibrou em suas mãos. Era Olivia ligando. Ele encarou-o por alguns instantes, até que foi até a abertura que dava para a sala e olhou para Sam estirada no sofá.

— Vou falar com uma pessoa antes, tá? – avisou o loiro, percebendo que seria mais sensato deixá-la avisada do que demorar e deixá-la esperando.

— Tá – respondeu Winters, desinteressada.

Voltou para o interior da cozinha, indo para a parte mais longínqua dela. Atendeu o telefone e procurou falar baixo. Sabia ele que não seria nenhum assunto do qual gostaria que Sam ouvisse.

— Olivia, aconteceu alguma coisa? – questionou, nervoso.

Nossa, Thomas, é tão difícil atender o telefone? — rebateu a voz da asiática na outra linha, parecendo irritada. – Sabe quantas mensagens te enviei?

— Desculpa, O – disse, tranquilizante. – Eu tava com a Sam aqui e nem vi o celular. – Antes que Ree pudesse responder e, muito provavelmente, lhe xingar, Tommy continuou: – Mas então, sobre o que você queria conversar?

Olivia pareceu suspirar, mas respondeu mesmo assim:

Nada de específico. Só queria conversar. — O tom dela já havia diminuído, e a seguinte frase surgiu tão rápida que ela parecia impedir que o outro dissesse algo como “estou ocupado, agora não dá”: – Como foi?

Tommy suspirou fundo. Sua expressão logo mudou, ficando quase entristecida, arrependida.

— Foi bom na hora – respondeu. –, mas depois me senti horrível. Como sempre.

Espero que o momento em que você perceba que não tem nada de ruim nisso chegue — disse a garota, um pouco mais alterada.

— Nada de ruim?! – disse retoricamente, tentando não aumentar o tom de voz. Não sabia como as palavras tinham saído da boca de Olivia. – Isso é praticamente traição! Eu tô traindo todo mundo, não só eu mesmo. Já foi difícil demais quando o Logan tava vivo, e agora é mais difícil ainda por ele estar morto.

A morte dele só ajudou, Thomas — explicou ela num tom de uma mãe que dá um sermão no filho. – Ajudou você a se soltar mais. Agora não tem literalmente nada atrapalhando a gente. E eu ainda tô em outra cidade pra ajudar nisso, então nós dois temos desculpas. Eu tenho a mudança de cidade e você o noivo morto. Ninguém nunca vai descobrir, Thomas. Aliás, você não fez nada de mal em relação a ele.

— Nada de mal?!

De certa forma, não. Ele não precisava ficar entre nós e nossos planos.

Tommy engoliu em seco. A súbita mudança de assunto – ele e Sam na sala, agora ele e Olivia ao telefone – trouxe uma estranha sensação no corpo do rapaz. Howard estava apreensivo, como sempre ficava quando o assunto vinha a tona.

— Eu não sei, acho melhor a gente parar. Isso já foi longe demais, O – disse, calmo.

Não tem como parar agora que estamos tão longe assim, Thomas! Temos que ir até o fim com isso — argumentou Olivia, com a voz rígida e um tanto irritada, mas mantendo o tom natural de falar.

— E com “até o fim” você quer dizer o quê? – tornou o loiro, argumentando de volta.

Até que não tenha mais ninguém no nosso caminho, lindinho— Olivia coçou a garganta, ficando mais calma. – Confia em mim, vai dar tudo certo. No final, vamos estar juntos e felizes. — Uma pausa, até que voltou: – Aliás, o que aconteceria se parássemos com tudo agora? Não tem como fazer isso sozinha! — Ree riu. – Eu penso nas coisas, você bota os planos em ação.

— Eu sempre fico com o trabalho sujo, é isso o que quer dizer – respondeu, corrigindo-a.

Você é o homem da dupla! — explicou-se Olivia. – Você tem que fazer isso. Afinal, eu sou delicada, magrinha… Não posso me esforçar tanto assim.

— E isso significa que sempre é eu que tenho que fazer tudo?

Ué… Na verdade, é exatamente isso — disse de forma óbvia, não grosseira.

— Acho que a gente devia variar um pouco, Olivia. Tá ficando suspeito demais pra mim. Toda vez, sempre eu. – Engoliu em seco. – As pessoas notam, sabia?

A gente pode tentar uma vez, se quiser. Só pra testar — disse ela, tentando fazê-lo mudar de ideia. – Mas aí vai perceber que eu sou um desastre e você é quem sabe fazer as coisas direito.

— Foi você que começou tudo isso, não pode me deixar na mão. – Parecia desapontado, ainda falando quase em sussurros.

Não estou deixando ninguém na mão, Thomas. É só como tem que ser se quisermos que tudo dê certo. — Olivia pareceu pensar. – E queremos que dê certo, não queremos?

O momento em que Tommy passou pensando na resposta pareceu durar meses, mas não passou mais do que quinze segundos. Em seguida, disse:

É claro… — Bufou. – É claro que queremos.

 

3

 

O quarto onde Molly estava era igual ao seu, percebeu Emily. Pequeno e extremamente branco, tanto que chegava a machucar os olhos se encarasse as paredes por muito tempo. Estava vazio, no entanto. Se não fosse por Merriman sentada na maca, poderia se dizer que o cômodo estava pronto para um novo paciente. Havia uma poltrona cinza colocada ao lado da cama dela. Em cima da maca, um quadrado de vidro exibia a noite nublada do lado de fora, com nuvens iluminadas pela lua, cobrindo as estrelas.

A primeira coisa que Hayes notou ao aparecer na porta foi a bandagem no braço de Merriman. Não foi a expressão dela, não foi o quarto. Ao menos pensou no que diria, apenas ficou ali por menos de cinco segundos, encarando o que antes era o braço de Molly. Obviamente estava coberto pelo gaze e não dava para ver o estrago de suturas, mas, mesmo assim, deixava claro que grande parte havia sido perdida. O rolo de curativos cobria toda a extensão do toco, pouco acima do cotovelo. Desviou os olhos antes que Molly pudesse perceber que ela encarava, e sorriu.

— Emily! – animou-se Merriman, estampando um longo sorriso no rosto. Ao fazê-lo, o membro decepado se mexeu um pouco para cima, fazendo Hayes querer vomitar. Provavelmente foi tudo o que os cirurgiões conseguiram salvar. – Eu sinto muto – continuou ela antes que a sobrevivente pudesse respondeu. – Archie me contou o que aconteceu com você.

Antes de dizer alguma coisa, a morena se sentou na poltrona, ao lado da amiga. Sua face estava relaxada, sem o sorriso, quase triste.

— A única coisa que você não deve sentir agora é pena de mim – respondeu, tentando soar o mais gentil possível. – Eu é que lhe devo desculpas, Molly. Por minha causa você tá nessa situação.

— Você também não pode falar isso – disse a outra, sorrindo de lado. – Pode ter feito isso comigo, ou até mesmo desconfiar de mim… Mas, Emily, eu realmente gosto de você. Não te culpo. Então pare de dizer que é sua culpa disso ter acontecido – Apontou para o braço – ou por tudo isso estar acontecendo, porque não é. Ninguém pode controlar esse psicopata.

Emily abaixou a cabeça e riu, satisfeita. Nunca parou para pensar nesse sentido: o assassino realmente não poderia ser controlado. Se não fosse por sua causa, ele provavelmente arranjaria outro jeito de começar a matar pessoas, independente de qualquer coisa.

— Vamos falar de outra coisa – disse Hayes, olhando para ela. – Chega desse assunto por hoje. – Molly sorriu sem mostrar os dentes, parecendo empolgada. – Como está se sentindo?

— Ah, eu tô melhor do que todos acham que tô – respondeu, encarando o próprio toco. – Nem dói mais. Só coça às vezes.

A morena sentiu-se desconfortável.

— Eu sei o que acabei de dizer – começou Emily. –, mas você viu alguma coisa naquela noite que evidenciasse quem é o assassino?

— Não… – respondeu Molly, entristecida. – Foi uma loucura de correria, facas e gritos… Não lembrava nem quem era eu mesma quando cheguei aqui no hospital, muito menos tinha lembranças do assassino. Mas a gente vai desmascarar ele, Em. Acho que essa é uma das poucas certezas que a gente tem.

— É pra isso que eu rezo todas as noites. – Riu de lado, voltando a desviar o olhar de Molly. – Sabe quando vai ser liberada?

— Em, no máximo, dois ou três dias. Eles só querem ter certeza de que não vai infeccionar, tão esperando cicatrizar por completo antes de eu sair.

Emily assentiu, voltando a ficar em silêncio. Não esperava que Molly estivesse tão bem e, após ter sua conversa com ela concedida pelos médicos, imaginou que teria de implorar por perdão, ou que teriam de começar a lidar com uma pessoa extremamente depressiva e assustada. Mas não, Merriman não apresentava sinais de cansaço. Diferente disso, parecia mais determinada do que nunca.

— Acha que eu possa ser útil daqui de dentro? – questionou Molly, quebrando o silêncio. – Sabe, é meio chato ficar sem fazer nada. Se quiser, eu posso tentar investigar alguma coisa pelo meu laptop.

A sobrevivente voltou a encará-la, com uma expressão de discordância.

— Completamente não! – respondeu, exaltada. – Molly, você tem que ficar o mais longe da situação possível. Descanse, e não se preocupe com a gente. – A menina fez uma expressão de culpa, quase que com medo. – O que foi?

— Na verdade, eu só perguntei pra ver a sua reação… Pra ver se eu deveria contar o que descobri.

— Do que você tá falando?

— Eu não tenho nada pra fazer aqui – explicou-se. –, então comecei a investigar por conta própria.

— Molly, você tem que parar! Sabe o quanto é perigoso fazer uma coisa dessas?

— Espere – disse, cortando-a antes que pudesse continuar. Merriman se abaixou para o outro lado da maca, voltando com um laptop cinza em mãos. Segurava-o apenas com uma das mãos, impossibilitada de usar a outra. Continuou, enquanto abria o aparelho: – Eu encontrei um site que rastreia número de telefones. Não fiquei tão certa de que conseguiria alguma coisa, mas acabei encontrando um lugar quando tentei com o número do assassino. Foi difícil encontrar o número em si, mas depois que um amigo meu descodificou, eu consegui colocar aqui.

Emily abaixou a bola, acalmando a voz e escutando-a, por fim.

— Onde? – perguntou, curiosa.

— Não sei onde é exatamente, mas tenho o endereço e o número.

Molly digitou algumas coisas, tendo tanta dificuldade para tal que Hayes se segurou para não oferecer ajuda. Em seguida, virou a tela do computador em sua direção. Nela, tinha um site de rastreamento, de fato. Um mapa de Oakfield inteira era exibido, com uma seta vermelha em cima de uma localização ao norte da cidade.

— Acha que é onde ele se esconde? – tornou Merriman repentinamente, assustada.

— Eu não sei – respondeu, encarando a tela e tentando entender onde era aquilo. – Mas não importa tanto, Molly. A polícia já deve ter feito a mesma coisa e revirado o lugar. E pela situação que tá, não encontraram nada de importante.

— Isso que eu ia dizer agora mesmo – disse Molly. – Eu não rastreei uma única vez. O mapa mostra a localização em tempo real. Esse lugar aqui – Colocou o dedo sobre a setinha. – é onde o maníaco tá nesse exato momento… Ou, pelo menos, o celular que ele usa pra fazer as ligações. Mas ontem eu fiz esse mesmo procedimento várias vezes, Em. Rastreei o número umas cinco ou seis vezes, e a cada vez o pontinho aparecia em um lugar diferente.

— Você rastreou várias vezes… Mas em que horários?

— Não foi em horários próximos. Com um intervalo de cinco horas, mais ou menos. Mas o fato é que, de todas as vezes que eu fiz isso, esse ponto aqui foi o que mais apareceu.

— Evidencia que o assassino estava nesse lugar várias vezes – concluiu Emily, percebendo que fazia total sentido. – Se a polícia descobriu alguma coisa ali, o assassino foi esperto o bastante para sair a tempo e tirar qualquer evidência de que esteve ali.

— Exatamente. Ele mudava de lugar quando percebia que estava em perigo, mas seu ponto principal é esse aqui… Ele sempre volta pra ele. – Coçou a garganta e deu uma pausa. – Acredito que a polícia não fez esse procedimento mais de três vezes, então não devem ter percebido o padrão e, provavelmente, não voltaram para lá. E nem vão. Considerando o tempo que já devem ter feito isso, é mais provável ainda que já tenham pego tudo que havia nesse lugar, com intenção de não voltar mais.

— Então o assassino tá em vantagem, pois vai ficar num lugar que sabe que a polícia nunca mais vai aparecer. A polícia em si pode achar que ele não vai voltar pra lá, com medo de que possa ser pego. Mas ele é esperto e sabe que isso não vai acontecer. Molly… Isso é muito bom.

Merriman sorriu, orgulhosa de si.

— Obrigada, mas… O que vamos fazer com isso?

— A gente pode ir até lá. Investigar.

Como se tivesse levado um choque, Molly ficou séria, apreensiva.

— Eu também acho que a gente deva fazer isso – disse ela. – Mas é seguro?

— Nunca é – respondeu, encarando-a.

 

4

 

A algumas salas ao lado, Megan estava sentada sobre a cadeira, em frente a mesa do doutor. As mãos unidas no colo, a bolsa pendurada no ombro e as pernas tremendo evidenciavam seu nervosismo. Encarava com intensidade os próprios dedos, mordendo os lábios. Os cabelos negros e curtos faziam cócegas na nuca, mas ela não se importou. Sua mente estava em outro lugar, mesmo que continuasse diante do senhor de idade sentado do outro lado da mesa, quase se esquecendo da presença dele.

— Não tem nada mesmo que possamos fazer além disso? – perguntou Steinfield, voltando a olhar para ele. Os olhos estavam aguados. Era estranho vê-la daquele jeito, tão exposta. Assustada.

— Infelizmente, não – respondeu o homem, com um grande nível de solidariedade. Os olhos meigos dele deixavam claro a pena em relação a ela. – Como disse, Megan… O seu tumor é maligno, não há nada que possamos fazer para curá-lo. Mas com a quimioterapia feita regularmente duas vezes por semana, você pode ter mais algumas semanas. Senão meses ou anos.

Ela engoliu em seco, trancando o choro na garganta. O que está fazendo aqui no hospital, afinal de contas?, lembrou-se de Ellen perguntando no banheiro momento antes. A garganta coçou para dar uma resposta sincera, não aguentava mais guardar aquilo para si. Até mesmo Peter morreu antes que pudesse dizer a ele – era a única pessoa da qual ela tinha intimidade o bastante para contar. Ser má o tempo todo tinha suas consequências, afinal. Steinfield se via aprisionada com aquela informação, ninguém ao seu redor capaz de compreendê-la ou de ser digno da revelação.

Quando descobriu que estava doente e decidiu ir ao médico, já era tarde demais. O câncer no estômago foi herdado de sua própria mãe, muito provavelmente. Ela havia morrido da mesma forma anos atrás. Agora, o tumor já estava em seu estado mais avançado. Seria questão de dias para que o cabelo começasse a cair e Megan não tivesse forças nem para se levantar da cama.

— Não – disse, engolindo em seco. – Eu não vou passar por essa tortura que vocês chamam de tratamento. Eu vi minha mãe, o jeito que ela ficou. Prefiro morrer logo.

— Eu não posso te obrigar a nada, Megan – respondeu o senhor de idade. – Não tenho esse direito. Mas você sabe o que a quimioterapia pode fazer, como pode te beneficiar.

A advogada concordou com a cabeça, pensativa. Não estava indecisa, realmente não queria passar pela quimioterapia. Se lembrava de como sua mãe ficava, cada dia pior. É um benefício, eles diziam, mas onde está o benefício quando você sabe que nada funciona e que sua vida está para acabar, independente do que fizer?

— Quanto tempo eu tenho sem o tratamento? – perguntou, curiosa.

— No melhor dos casos, três meses.

Uma lágrima desceu pelo rosto. A morte nunca foi algo do qual Steinfield ansiava. Gostava da sua vida, da sua carreira, tinha condições boas, uma vida boa. Bem, mesmo que Peter – seu único amigo de verdade, independente da forma como o tratava – tivesse morrido, era uma vida da qual se orgulhar. Conseguiu tudo por conta própria e com o próprio dinheiro. No entanto, sem ninguém ao seu redor, tornava-se difícil. Nunca se sentiu tão sozinha.

— Obrigado pelo seu tempo, doutor – agradeceu, segurando o choro, mesmo que algumas lágrimas já manchassem as bochechas. – Te agradeço de todo o meu coração por ter me ajudado, por ter me atendido.

O médico nada disse, e assistiu enquanto ela se levantava e saía pela porta.

 

5

 

Como dito horas antes, Emily seria liberada naquela mesma noite. E foi o que aconteceu, quando ela, Archie e Ellen saíram do hospital e entraram no carro. Jordana tinha ficado para dar assistência à Molly – a albina realmente estava gostando de passar um tempo ao lado dela, dando suporte. Após alguns segundos, a psicóloga e o primo de sua melhor amiga finalmente concordaram em fazer o que Emily pedia: visitar Garrett.

Hayes não o via desde a morte do Peter, e poderia dizer o quão profundamente triste ele estava mesmo não o conhecendo tão bem assim e mesmo sem vê-lo. O pouco tempo que teve de amizade com os dois deixava isso claro – Garrett cuidava de Peter, e Peter cuidava de Garrett. Era como uma relação mutualista de coragem, lealdade e amor. Por isso, a sobrevivente gostaria de ver como ele estava, de poder ser necessária para sua recuperação, prestar algumas palavras. E Archie e Ellen concordaram com isso, notando que não haviam pensado em DeLucca depois da morte de Cambridge e, muito menos, pensado em como ele estaria. Por fim, os três concordaram, e lá estavam, indo até a tatuadora do rapaz, após Ferrer ter dito que o encontrariam lá.

— Como tá a Sam, Ellen? Conseguiu encontrar ela? – perguntou Archie, fazendo a própria Emily perceber que ao menos tinha se lembrado dela nos momentos que se passaram.

— Sim, consegui – respondeu a loira, no banco de trás. Brammall suspirou aliviado sobre o volante. – Ela tá com o Tommy, na casa dele. Provavelmente vai passar a noite lá.

— Deus… Que alívio ouvir isso – disse Hayes, fechando os olhos em uma respirada profunda. As ruas vazias e os estabelecimentos fechados faziam sua espinha arrepiar. – O bom é que os dois se aproximaram bastante depois da morte do Lincoln e do Logan. Ela vai ficar bem lá.

— Com certeza – concordou Ellen. – Não consigo parar de pensar no que ela disse pra mim hoje à tarde. Sobre querer morrer, não aguentar mais tudo isso… – Balançou a cabeça, nervosa. – Me senti completamente mal quando você disse que ela tomou uma medida tão drástica, Emily.

— Ninguém nunca está preparado para morrer. Mesmo que queira, quando um ser humano é colocado diante de uma situação de perigo, o primeiro instinto e sair vivo dela – respondeu a sobrevivente de imediato. – Ela deve ter se redimido consigo mesma, percebido que não é aquilo que queria.

— E pelo que passou, é notável que estivesse se sentindo desse jeito – disse Archie. – Perdeu o marido e ainda por cima foi obrigada a comer carne humana.

— Concordo com você – disse Ferrer. – Fico feliz que ela já esteja se recuperado disso. É melhor pra todo mundo.

Nenhum deles respondeu. Ficaram em silêncio pelo restante do caminho, até que o rapaz parou o carro diante da tatuadora.

— Chegamos – disse ele.

Então, as portas se abriram e os três desceram. Ficaram lado a lado na calçada, olhando para o lugar. Estava escuro, e apenas uma luz podia ser vista ao fundo. Deixava claro que havia alguém lá dentro, mas também que a tatuadora estava fechada.

— O que vai falar pra ele? – perguntou Brammall, olhando para Emily.

— Só vou prestar os pêsames e perguntar se ele precisa de alguma coisa – respondeu ela. – Podem ficar aqui enquanto eu vou lá? Acho que o Garrett não vai gostar de todo mundo em cima dele. – Tentou soar o menos grossa possível.

— Claro – concordou Ellen. Em seguida, ela e Archie ficaram encostados no carro, olhando pela vitrine da tatuadora.

Emily se pôs a andar, ainda com uma bandagem discreta no topo da cabeça. O corpo doía um pouco, mas nada que fosse impedir suas vontades. Os braços estavam ralados em certos pontos, e as mãos ainda ardiam pelos cortes dos cacos de vidro. Naquele momento, ela tentou tirar de si todos os problemas seus, e prestar atenção em DeLucca e no que falaria para ele. A última coisa que queria era que a situação se tornasse sobre ela mesma.

Parou por alguns segundos, olhando através da porta de vidro. Tentava encontrar algum movimento no interior, mas a única coisa que viu foi a lâmpada clara cintilando ao fundo. Engoliu em seco, hesitando por alguns segundos antes de bater. Momentos depois, Garrett surgiu pelo corredor, um pouco curioso por ver Hayes ali. Ele tinha feições acabadas. Os olhos estavam vermelhos, olheiras grandes abaixo deles. Os cabelos pretos e encaracolados estavam desarrumados, caindo sobre a testa depois de muito tempo sem cortar. As roupas em si estavam amarrotadas, até mesmo com algumas manchas de sujeira em certos pontos.

No entanto, mesmo com tais feições, ele abriu a porta para recepcioná-la.

— Emily? – perguntou, surpreso por vê-la ali tão tarde da noite. Garrett ainda olhou atrás dela, onde Archie e Ellen estavam apoiados um do lado do outro no carro, sorrindo e acenando generosamente para ele. A expressão do rapaz ficou mais séria, mais dura. – O que tá fazendo aqui?

A forma direta como ele questionou fez Hayes repensar duas vezes se deveria incomodá-lo. Algumas pessoas lidam com o luto de diferentes formas, e uma delas é ficando frio e irritado. Se esse fosse o caso de Garrett, a morena não tinha certeza de que queria se intrometer.

— Eu vim ver como você tá – respondeu ela. – As coisas não devem estar sendo fáceis.

— É, realmente não estão – disse ele, com um tom de que não queria conversar.

— Posso entrar? A gente pode conversar. Você vai se sentir melhor.

Mesmo sem esperar a resposta, Emily deu uma investida para dentro da tatuadora, e foi parada quando DeLucca colocou a mão rudemente em seu ombro, afastando-a com grosseria. Ela deu uma olhada constrangida para trás, vendo os amigos a alguns metros, que não fizeram nada, observando curiosos.

— Desculpa, mas eu realmente quero ficar sozinho.

— Eu só quero prestar alguma ajuda, Garrett – explicou-se.

O rapaz revirou os olhos e bufou, fazendo a sobrevivente sentir o forte cheiro de álcool vindo dele. Estava bêbado, e isso explicava muita coisa.

— Que parte do “eu quero ficar sozinho” você não entendeu? – perguntou ele, rude. Emily tremeu com a frase, percebendo que deveria ir embora e deixá-lo sozinho. – Você tá surda, por acaso? A porra do massacre que você tá causando também comprometeu a merda do seu ouvido? – Sua voz foi ficando mais alta gradualmente.

Ao fundo, Archie notou a forma como Hayes recuou diante das palavras inaudíveis pela distância. Seguido disso, Garrett aproximou-se ainda mais, demonstrando sua tremenda altura avantajada sobre a sobrevivente, que continuou recuando enquanto ele a seguia e continuava a falar. Sem esperar qualquer tipo de sinal, Archie se desencostou do carro e começou a ir até lá, com Ellen, sem outra escolha, logo atrás.

— Porque você é a merda de uma vadia imunda que tá causando a morte de todo mundo. Você já percebeu isso, não é? – continuou DeLucca, irritado. A face dele demonstrava toda a ira mantida sobre Emily, ficando vermelha e com os olhos vidrados. O hálito azedo de vodca caía em cima dela. – Pessoas inocentes morrendo pra satisfazer a ira de um assassino que não tem nada contra elas, a não ser contra você.

— Me desculpa, Garrett – disse Emily, nervosa. – Eu realmente não deveria ter vindo aqui. Vou te deixar sozinho, tudo bem?

Os pés de Hayes estavam recuando, a figura do moreno em cima de si. Como uma forma de dizer adeus, ela pousou a mão no ombro dele, os olhos assustados. Imediatamente, a mão pesada de DeLucca agarrou seu punho e o puxou para longe. Levada pelo susto, Emily deu um gritinho, e foi quando Archie e Ellen finalmente se aproximaram o bastante, apressando o passo.

— Ei! – indagou Brammall, enfurecido pela ação de Garrett.

— Que ótimo! – exaltou o tatuador, saindo de cima de Emily, que tinha o pulso recolhido sobre o peito. – Trouxe mais gente com você, Emily? Mais dois que você vai fazer serem mortos?

— O que deu em você?! – gritou Hayes, mais decepcionada do que raivosa.

— Meu melhor amigo acabou de morrer por uma coisa que você começou! – disse ele, queimando em raiva. – Isso é motivo o suficiente por eu estar assim?!

Ellen, indignada, parecendo uma formiga no meio da situação, gritou enfurecida:

— Por que não mexe com alguém do seu tamanho, cuzão?!

Não dando a mínima para o grito da psicóloga, Garrett apontou o dedo para a cara de Hayes diante de si, cuspindo as palavras:

— Nunca mais se aproxime de mim…

Aquilo foi a gota d’água para Archie, que avançou para cima de DeLucca, agarrando-o pelos ombros. Os dois foram de encontro ao batente da porta da tatuadora, enquanto Ellen se juntava à Hayes e as duas recuavam. Os rapazes bateram na madeira, o corpo de Brammall prensando o tatuador contra a parede. A expressão retorcida de Archie deixava claro que ele estava próximo de socar Garrett na cara. Este, por outro lado, parecia achar graça da situação, rindo enquanto dizia:

— Imagino o que faria se fosse a sua priminha que tivesse morrido. Garanto que ia ficar mais puto do que eu, Archie. – As palavras foram tão sussurradas que somente o outro foi capaz de ouvir.

Ao fundo, Ellen gritou, estagnada, não esperando tal comportamento:

— É você, não é? – Os olhos voltaram-se para ela. – Você é o assassino! Não existe nenhuma outra coisa que explique esse comportamento. – Respirou fundo, percebendo que Garrett pareceu finalmente ser atingido pelas palavras. – O que foi? A sua mente psicopata não conseguiu se segurar mais?

No momento da distração, Garrett foi capaz de dar um soco na face de Archie, que rodopiou para longe. Mas diferente do imaginado, ele não avançou mais, ficando parado diante da porta, os olhos aguados e vermelhos. Parecia arrependido, mesmo que não estivesse próximo de fazer um pedido de desculpas.

— Caiam fora daqui! – gritou ele. – Antes que as coisas se compliquem!

— Isso foi uma ameaça? – perguntou Ellen, mexendo com a mente dele. Ao lado, Emily auxiliava Archie, que tocava o ponto acertado pelo murro do moreno. – Pois se for, você tá muito ferrado.

Não houve resposta. DeLucca apenas a encarou por alguns instantes, até que se virou e entrou na tatuadora, batendo a porta e desaparecendo ao fundo. Os amigos se encararam por alguns segundos, pensando em que fazer. Então, voltaram juntos para o carro.

— A gente tem que denunciar isso – disse Ferrer, no banco de trás, enquanto os outros dois fechavam a porta.

Archie estava enfurecido. A dor no queixo ao menos importava. Sua fúria, no entanto, não estava ali pelo soco levado, e sim por Garrett ter ferido Emily moralmente. Podia ver no olhar da sobrevivente a decepção e o medo. Ela tinha sido tão gentil com ele esse tempo todo, e agora Brammall poderia simplesmente acabar com a raça de DeLucca por isso.

— É sério, gente – continuava Ellen, fora de si. – Ele machucou a Emily fisicamente e moralmente, ameaçou a gente e pode muito bem ser o assassino!

Como se tivesse tido um estalo, Emily levantou os olhos e franziu o cenho. Ele pode muito bem ser o assassino!, as palavras da loira retumbaram na mente dela. Foi tirada do choque da situação e levada a outra linha de pensamento. Por alguns instantes, sua mente foi levada para alguns dias atrás, quando ela e Ellen estavam na cozinha de sua casa…

— O que o Carrasco falou?

— Ele me fez uma proposta – respondeu, firme, fungando.

— Que proposta? – Não conseguia conter a curiosidade.

— Uma em que… Ou eu me juntava a ele, trabalhava com ele, ou eu morria.

— E o que você disse? – perguntou.

— É óbvio que eu não aceitei! – Ferrer parecia indignada pela pergunta de Hayes. – Eu nunca aceitaria uma coisa dessas… É uma escolha de pessoas covardes e… Eu não sou covarde, acredite no que digo. – Deu uma pausa e tomou mais da água com açúcar. – O problema é que agora sou uma mulher morta.

Mas você continua viva, Ellen, pensou consigo mesma. Sentiu um aperto no peito, uma desconfiança descomunal fechando-se ao redor do seu corpo. Lentamente, virou a cabeça para Ellen, que ainda despejava sua indignação em relação à Garrett nos ouvidos dos dois. Tinha a expressão relaxada, assustada, apenas encarando a psicóloga que, por tanto tempo, abrigou dentro de sua casa… E só agora percebia o quão errada foi essa escolha.



Notas finais do capítulo

E aí, o que acharam? Gostaram da conclusão? A conversa do Tommy com a Olivia deixou vocês curiosos? O que pensam disso? E sobre a Megan? Pois é, ela tem um tumor... Será que vai viver o bastante para ser morta por ele, ou a faca do assassino será mais rápida? Lembrem-se que muitas das suspeitas estão sobre ela depois da morte do Peter. E sobre o Garrett, o que têm a dizer?
Aliás, o caso da Ellen voltou a tona! Aposto que tinham se esquecido dele, não tinham? Pois é, agora a lealdade da nossa queria psicóloga vai ser posta em jogo... E vocês que ela é inocente ou tem um motivo para ter continuado viva? E sobre o que a Molly descobriu no hospital? Creem que possa ser algo útil?
(Jesus, aconteceu um monte de coisa nesse capítulo)
Esse foi um capítulo bem calmo, com o que no coube no último. Foi mais pra estabelecer as relações entre eles, e ainda contaria com uma conversa entre a Jordana e o Archie, mas eu resolvi tirar porque já ficou muito grande sem ela. Enfim, me digam suas opiniões, teorias e etc, vou ficar extremamente feliz em saber!
Por sinal, o Garrett já está melhor fisicamente, saiu da cama, não sente do dor e no máximo toma alguns remédios hahaha Por isso ele tava ali bem desse jeito.



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