Hello There 2 escrita por Weirno


Capítulo 18
Segundo Interlúdio – Home Sweet Home


Notas iniciais do capítulo

Estamos de volta com a trama do Robin! O que acham que vai acontecer agora que ele chegou em Oakfield? Só posso dizer que terá muitas tretas pela frente haha Espero que gostem, nos vemos no final.



ALGUMAS HORAS ANTES DA MORTE DE ZOE CONWAY

 

A lembrança mais fiel que Robin tinha daquele lugar era a do silêncio ensurdecedor. Cada passo era um pensamento diferente, uma angústia inevitável, um medo desesperador de algo que parecia ter acontecido há muito tempo, mas, historicamente, não era tanto assim.

Oakfield estava bastante diferente. Haviam mais prédios do que antes, e os estabelecimentos de café e lugares de recreação cultural pareciam ter duplicado três vezes. As pessoas também eram diferentes, de certa forma. Após alguns instantes, ele notou que não eram as pessoas ou o lugar em si, mas sim o clima, o peso que recaía sobre todos e sobre ele mesmo. Era mais calmo, menos pesado. Era o de se esperar, afinal, o passado havia sido deixado para trás.

Ritter lembrava-se apenas do medo de virar nas esquinas, e talvez tivesse se acostumado com ele. Agora, com toda a população parecendo mais calma do que o normal, era estranho. De uma forma bem horrível, era como se o desastre tivesse de fazer parte da cidade para que ela tornasse-se normal.

Mas não estava ali para admirar a vista. Havia se segurado a noite toda, de olhos estalados, apenas para que pudesse fazer uma única coisa no dia seguinte. Não tinha dormido nada. Chegou depois da meia-noite, não lembrava-se exatamente a que hora. Por sorte, sua reserva estava guardada e foi preciso apenas uma troca rápida de informações para que conseguisse a chave de seu quarto. Subiu com pressa, pensando que cairia num dos mais profundos sonos, mas acabou ficando acordado a noite toda e presenciou o momento em que o sol clareou o quarto. Havia, até mesmo, deixado o celular grudado em sua mão durante a noite, para caso fosse morto enquanto dormia, quem o encontrasse também acharia seu vídeo gravado horas antes e ficaria a par da situação.

Estava ali pelo mesmo motivo de antes, e não se arrependia tanto, agora que o sol iluminava seu caminho. Parecia menos perigoso, mesmo que de dia tornasse-se mais exposto. Robin achava estranho andar entre todos como um qualquer, pois o pensamento de que uma dessas pessoas poderia ser o assassino não deixava sua cabeça. Não conhecia ninguém ali, seria fácil que um daqueles rostos inocentes fosse um assassino cruel. Além do mais, Ritter percebia que alguns indivíduos reconheciam-lhe. Sabiam que era um dos sobreviventes. Chance de morte elevada.

Naquele momento em específico, estava diante da delegacia de Oakfield. Ficava em um lugar diferente, e precisou de alguns minutos de pesquisa para encontrar a nova localização, ficando um pouco surpreso ao encontrar uma sorveteria no antigo endereço. Robin tinha em mente procurar pelas sobreviventes, como já era óbvio, e a primeira forma que encontrou foi falando com alguma autoridade e tentar convencê-la a lhe dar alguma informação sobre o paradeiro de Emily e Jordana.

Haviam alguns policiais espalhados na parte da frente, alguns mexendo no celular, outros tomando café e uns apenas garantindo a segurança do lugar. Parado ali na frente, apenas encarando o lugar, do outro lado da rua, Robin percebeu que deveria ser menos esquisito e parar de ficar olhando diretamente para lá, desde que poderia ser confundido facilmente com alguém pronto para explodir uma bomba lá dentro. Assim, mexeu nos bolsos até encontrar o celular e puxou-o para fora. Não estava brincando ao dizer que gravaria toda a ação dos dias seguintes, e por isso ligou a câmera. Disfarçadamente, fingiu mexer no aparelho, quando, na verdade, abria a câmera frontal.

Na tela, sua face um pouco nervosa aparecia quase como uma sombra na frente da luz fraca do sol, quase inteiramente escondido atrás das nuvens. Era praticamente impossível de vê-lo, mas Ritter não se importou. O que deveria ser possível de obter com facilidade era o áudio, de qualquer jeito. Deu uma olhada ao redor, até que ninguém estivesse passando, e apertou o botão de gravar.

— Hoje é dia 15 de julho, onze da manhã, aproximadamente. Como havia dito antes, eu vou começar a procurar pela Emily e pela Jordana hoje. Não tenho nenhuma ideia além de ir até a delegacia da cidade e tentar dar uma desculpa para conseguir o endereço das duas… E se você estiver achando que é fácil encontrar tal informação, saiba que é extremamente difícil saber o paradeiro de alguém que está sob o alvo de um lunático, altamente protegida pela polícia. – Deu uma pausa quando uma moça passou atrás de si. – Mas eu vou tentar, de qualquer jeito. Se não conseguir, bem… Vou ter que me virar de outro jeito. Pelo menos encontrar o telefone delas, talvez.

“Não vou ficar de muita enrolação aqui… Tempo é algo precioso em uma situação como essa, e eu não quero esperar mais, também. Bom, vamos lá.”

Colocou o celular, ainda gravando, dentro do bolso da calça, e atravessou a rua rapidamente. Passou direto pelos oficiais fardados e subiu os poucos degraus que antecediam a porta de entrada. O nervosismo apenas se aflorou em seu corpo quando empurrou a placa de vidro e entrou, sendo abatido pela forte onde de vozes e passos, assim como o som de telefones tocando. Não estava tão cheio como parecia, no entanto. Era apenas o caos de um massacre deixando os poucos funcionários loucos em seus ambientes de trabalho, como já era de se esperar.

Robin olhou ao redor, procurando por algum tipo de recepção. Resolveu tentar a sorte com um rapaz sentado atrás de uma mesa à frente. Ele tinha cara de recepcionista, ou, pelo menos, de alguém que poderia ajudá-lo.

Um pouco tímido, Ritter se aproximou, coçando a garganta antes de dizer:

— Oi… Boa tarde, estou precisando de ajuda. – Seus olhos estavam dançando pela mesa em frente ao policial, sem motivo certo.

O homem levantou a cabeça e, com muito bom grado, gentilmente, respondeu:

— Claro, senhor. Como posso ajudá-lo? Aconteceu alguma coisa? – Um tom de alerta vinha da voz dele. Talvez pensasse que o sobrevivente estivesse em algum tipo de perigo.

— Não é nada de ruim – disse. – Não precisa ficar preocupado. – Riu de lado, e o oficial pareceu ficar mais relaxado, deixando algumas anotações de lado e ficando mais largado na cadeira, encarando Ritter enquanto esperava ele continuar. – Bem, meu nome é Kenny Lockwood, e sou um estudante de cinema. Nesse próximo semestre, um dos projetos é documentar algum assunto de seu interesse e fazer uma espécie de documentário sobre isso… E a situação de Oakfield me chamou a atenção.

Pelas expressões de Dean Marshal, como dizia em seu crachá grudado no peito, ele não havia reconhecido Robin – o que era um dos medos e perigos de mentir sobre seu nome, afinal, se soubessem que ele não era o tal de Kenny Lockwood, poderia ser suspeito por tentar esconder seu nome. O moreno suspirou disfarçadamente, aliviado.

— E do que você precisa, exatamente? – questionou Dean.

— Apenas algumas informações… Relatos de quem está passando por isso, talvez até mesmo de uma das sobreviventes do massacre anterior.

— Então você estudou bastante o assunto, não é?

— Sim, sim… Antes de vir para cá, passei muitas noites pesquisando sobre. Estou por dentro do que houve no passado, quase como se tivesse participado daquilo tudo. – Riu de lado, nervoso. Imbecil, pensou para si mesmo, só o que falta o cara perceber quem eu sou.

— Você quer me entrevistar, então?

Hesitou antes de responder, pensando se diria logo de cara que estava a procura de Emily e Jordana, mas apenas para ser amigável e gentil – também por querer satisfazer Dean, desde que o mesmo parecia um pouco empolgado pela entrevista –, concordou:

— Isso, claro… Você se importa?

— Nem um pouco, Sr. Lockwood. O que precisa saber? É só perguntar.

— Bom… – Remexeu-se por inteiro, agarrando um bloco de notas do bolso traseiro da calça. Além de não poder usar seu celular por conta do mesmo estar gravando tudo aquilo, Robin preferia mil vezes fazer anotações com lápis e papel em vez de fazer uso da tecnologia. Também pegou uma caneta, colocada no mesmo bolso. – Como está sendo fazer parte dessas investigações?

O rapaz pensou por alguns instantes. Sendo bastante jovem, o policial parecia bem imaturo, de alguma forma, indo de um lado para o outro com a cadeira giratória, mas sempre mantendo-se diante do moreno.

— É empolgante… Mas um pouco assustador, sabe? – respondeu Marshal. – Ficar lidando com um assassino em série é bem perigoso. Mas encarar esse perigo todos os dias é excitante, de certa forma. Quando me formei, pensei que só atenderia caso de invasões domiciliares e coisas assim e nem poderia fazer uso de tudo o que aprendi na faculdade, mas é bom saber que um caso tão grande como esse surgiu na minha vida. Pra eu mostrar meu potencial. – Ritter fingia anotar as informações no bloco de notas, mesmo que a caneta não encostasse na folha. Estava a procura de informações importantes. – Não que o que está acontecendo seja bom… É horrível, na verdade, e s-

— Entendi o que quis dizer, não se preocupe – cortou-o, não querendo enrolação. – E você já teve algum contato com as pessoas que estão participando disso? Digo, os alvos selecionados pelo assassino? Pelas minhas pesquisas, os psicopatas do passado tinham uma lista bem grande de quem estava na mira deles. Isso está se repetindo hoje?

— Nós ainda não fomos capazes de localizar todo mundo que esse assassino está atrás. É bem difícil encontrá-los antes de estarem mortos. Mas estamos trabalhando nisso, tentando fazer alguma ligação entre as vítimas e seus amigos e familiares mais próximos. Desse jeito, somos capazes de traçar uma linha e, talvez, conseguir alguma informação de quem está correndo perigo. – Dean deu uma pausa. – Em questão de contato com esses alvos, eu atendi a dois chamados a alguns dias atrás… Eu era um dos membros da equipe que encontrou quatro das vítimas… Três delas na lanchonete na saída da cidade e outra do rapaz que foi morto ontem.

Robin teve um estalo. Não sabia que mais alguém havia sido morto no dia anterior. Congelou por alguns instantes, suando frio. Temeu ter demonstrado essas reações.

— Houve relatos de alguém que saiu com vida dos ataques do assassino?

— Uma professora foi hospitalizada com alguns cortes pelo corpo a alguns dias, dizendo que foi atacado pelo maníaco. Pelo que me lembro agora, também teve uma das antigas sobreviventes… Se não me engano, foi a albina.– O coração de Ritter começou a bater mais rápido. – Como era mesmo o nome dela? – Marshal tinha dificuldades em lembrar, mas Robin tinha a resposta na ponta da língua:

— Jordana Brammall.

— Isso! Essa mesma.

— Pode me dar mais informações sobre isso?

Indiferente, o rapaz continuou:

— Não sabemos de muito e, na verdade, a gente só desconfia de que ela tenha sido atacada pelo assassino. É um caso meio estranho… Disseram que a casa havia sido invadida por um assaltante, mas quando interrogamos a Srta. Brammall no hospital, ela parecia chocada e assustada demais para que aquilo fosse apenas um ladrão. E como é uma das sobreviventes, há grandes chances de ter sido mesmo o assassino mascarado. – Ele suspirou fundo. – Mas não podemos fazer nada. Ela disse que foi um ladrão e não mudou nenhuma palavra do relato, e não podemos ficar forçando-a a dizer as coisas. Foi isso, basicamente. O que importa é que agora ela está bem.

Robin engoliu em seco, levemente paralisado. Mal notou que havia escrito uma coisa no papel. “Jordana foi atacada”. Voltou ao normal, mais nervoso do que antes.

— Pode me dizer onde ela se encontra? Gostaria de ter um relato das duas sobreviventes, para o meu documentário. Ajudaria muito saber alguma coisa pelas palavras de alguém que passou por tudo aquilo.

Marshal pensou um pouco, franzindo o cenho e olhando para a mesa.

— Não posso te dar essa informação, Sr. Lockwood. É medida preventiva de segurança. Com a situação da cidade, não há muito que possamos fazer para estranhos.

O sobrevivente ficou decepcionado, mas resolveu não insistir naquilo.

— Não, é claro – concordou. – Entendo plenamente. Talvez seja para o melhor.

— Com certeza. Sempre é.

— Bom, muito obrigado pelo seu tempo, oficial Marshal.

— O prazer foi todo meu, Kenny. Me mande uma cópia do documentário quando ele sair.

— Pode deixar. – Riu por alguns segundos, dando as costas para o policial.

De cara fechada, tentando disfarçar sua derrota, Ritter deixou a delegacia. Abriu a porta e saiu para o lado de fora. Estava pegando o celular do bolso para encerrar a gravação que não serviria de nada, enquanto descia os degraus da frente, quando uma voz o chamou:

— Ei! Você aí, de camiseta vermelha!

Dando uma vistoria ao redor, percebeu que era o único a usar uma camisa vermelha, e virou-se na direção do som. Os olhos demoraram para se ajustar, até que percebeu um rapaz mais ou menos da sua idade, vindo em sua direção de forma um pouco frenética. Era um policial também, todo fardado, mas não o mesmo da sua entrevista. Tinha a pele negra e os cabelos um pouco raspados nas laterais da cabeça. Seu crachá o nomeava como Kai Conway.

— Está falando comigo? – perguntou, indo até ele também.

— Sim, estou.

— Precisa de alguma coisa? – questionou, gentilmente.

— Você não é quem diz ser – disse Kai, parando diante dele.

Robin sentiu a bile subir pela garganta e obrigou as mãos a não tremerem, voltando a colocar o celular, ainda gravando, dentro do bolso.

— Como?

— Eu te reconheci logo que entrou na delegacia. A maioria dos caras lá dentro não faz ideia do que aconteceu a sete anos atrás, aqui mesmo em Oakfield, mas logo que sabemos que era um segundo massacre, eu fiz a minha pesquisa. – Conway deu uma pausa, olhando no fundo dos olhos do moreno. – Você é Robin Ritter, um dos sobreviventes.

O sobrevivente nada disse, apenas ficou encarando-o. Ficou com medo de ser preso por ocultação de identidade ou que tivesse de ir para algum tipo de interrogatório por ter mentido para um oficial e ser tratado como suspeito. No entanto, pela forma como Kai o guiou para longe das pessoas dali da frente, levando-o um pouco para a lateral, ao lado de alguns arbustos, ficou claro que o negro não tinha intenções de dedá-lo ou coisa assim.

— Não precisa se preocupar, eu não vou voltar lá e dizer pro Dean quem você é. Pode ficar tranquilo.

— O que vai fazer, então?

— Só perguntar o que você está fazendo aqui.

Robin olhou ao redor, nervoso e indeciso entre contar e não contar para ele. Era, de fato, estranho que Kai viesse falar com ele, e Ritter não deixou de pensar que o rapaz era capacitado de ser o autor das mortes.

— Está com a Emily e a Jordana? – tornou o policial.

— Não… Na verdade, vim aqui para tentar me encontrar com elas.

— Ainda não conseguiu?

— Não.

— E por que quer isso?

— Eu sei o que está acontecendo aqui. Sei que a história está se repetindo para elas e… Simplesmente não posso deixá-las passar por isso sozinhas.

— Que cavalheiro.

Dessa vez, foi Conway quem olhou ao redor, um pouco desconfiado.

— Eu não vou te contar onde elas moram, Robin.

— Já imaginava isso.

— E vou ser sincero em dizer que eu não confio em você. – Ritter ficou um pouco ofendido. – Quer dizer, você não pode me culpar, não é? Um dos únicos sobreviventes que voltou para a cidade sem mais nem menos, com uma desculpa nenhum pouco convincente, dizendo que está atrás das outras duas únicas sobreviventes? Isso é muito suspeito.

— Eu sei que é, e por isso não queria que ninguém me reconhecesse.

— Só para que pudesse fazer tudo escondido?

— Para que não tivesse de passar por situações como essa.

Os dois ficaram em silêncio por alguns segundos, até que Robin perguntou:

— Você conhece elas?

— Só de rosto.

— Já falou com elas?

— Já.

— E como elas estão?

— Dizer que estão bem seria mentira, afinal, ninguém ficaria bem na situação delas. Mas… Elas estão permanecendo fortes, sabe? Seguindo em frente, por assim dizer.

Robin concordou, até que teve um estalo e percebeu que não deveria estar falando daquele jeito e que deveria tentar, novamente, descobrir o paradeiro das duas.

— Olha, eu sei que o que eu estou fazendo é muito suspeito, e você tem razão de desconfiar de mim, mas eu juro que sou só um amigo tentando ajudar. – As expressões de Kai permaneceram as mesmas. – Eu preciso muito falar com elas, tentar ajudá-las.

— Mesmo que eu não desconfiasse de você, seria crime dizer o paradeiro delas. Não estamos dando qualquer tipo de informação sobre elas para ninguém. – Deu uma pausa. – Sabe quantas vezes por dia aparecem curiosos aqui perguntando onde as duas estão? E sabe em quantas pessoas temos de ficar de olho por causa disso?

O moreno ficou impressionado pelas palavras do negro, realmente não sabia que tal situação era possível de acontecer.

— Se você achar que está correndo algum sinal de perigo pelo assassino, podemos até mesmo colocar alguma espécie de vigilância sobre você, mas, por enquanto, todos são suspeitos.

— Claro – concordou, mais aborrecido ainda.

— Quer um conselho? Deixe isso para lá. Entendo que se importe com elas, mas você não tem nada a ver com isso. Volte para sua família, se tiver uma, e fique seguro lá. As garotas vão ficar bem, nós não vamos deixar que nada aconteça com elas.

Ritter encarou profundamente Conway.

— O antigo xerife havia prometido a mesma coisa para todos os dez adolescentes que hoje estão mortos. Acredite, eu não acredito mais nisso. Mas obrigado por ter falado essas coisas.

— Espero que entenda – disse Kai, um pouco receoso por conta das palavras de Robin. Havia visto a situação com outros olhos. – Tenho que voltar para lá agora.

Kai virou-se, voltando na direção da delegacia.

— Eu não sou o assassino – Ritter ainda disse para ele.

Conway virou-se.

— Certo – foi a única coisa que saiu da boca do policial, antes dele dar as costas por completo e desaparecer pelas portas.

 

1

 

Robin deu mais um gole de seu café. Havia parado em uma cafeteria para fazer mais algumas pesquisas. Afinal, já tinha notado que não conseguiria nada com as pessoas, então sua próxima opção era a internet. Poderia conseguir alguma coisa depois de uma boa pesquisada. Por isso, passou no hotel onde estava ficando e pegou seu laptop.

Naquele momento, estava sentado em uma das mesas do fundo do estabelecimento, com o aparelho aberto diante de si e uma xícara de café quente nas mãos. O ambiente era agradável, uma música moderna tocava pelos alto-falantes, a risada de alguns adolescentes ressoavam e era só isso. Não haviam coisas que pudessem atrapalhá-lo ou tirar sua concentração de seu objetivo.

No computador, uma única aba estava aberta. Era um site chamado “serialkillersintheworld.com”. Desde que ficou sabendo sobre a situação de Oakfield, Robin não tinha tomado medidas extremas para saber sobre o que estava acontecendo. De fato, havia pesquisado apenas quantos já haviam sido mortos e se o culpado já havia sido pego, mas nada além disso. Agora, tinha em mente fazer uma busca pelas vítimas e tentar encontrar ligações de pessoas próximas a elas, que poderiam ser um dos alvos. Ele achava estranho que encontrar os outros alvos era mais fácil do que encontrar as duas sobreviventes. De certa forma, Robin sentia que menos proteção era colocada sobre os outros, e o foco em cima de Brammall e Hayes.

A angústia de não saber onde elas estavam era grande demais. O sobrevivente nunca havia se sentido tão desesperado – talvez somente quando foi sequestrado a sete anos atrás, e torturado em uma cadeira na casa da rua Neibolt. Céus, nem sei se esse lugar ainda existe. Se Deus quiser, já foi destruído a muito tempo, pensou, suspirando fundo.

Outra coisa veio na sua cabeça naquele instante: não sabia o que faria caso encontrasse as antigas amigas. De fato, seria uma surpresa para elas, poderiam colocar o papo em dia se desse tempo, mas deveriam ir logo no motivo do garoto ter voltado para lá. Ele não sabia se as duas estavam focadas que nem ele em por fim àquilo tudo, mas se assim estivessem, Robin seria uma força a mais colocada ao grupo.

Aquele pensamento não deixou sua cabeça. Como deveria se encontrar com elas? O que deveria dizer? Obviamente um “oi Emily e Jordana, se lembram de mim?” causaria um espanto gigante nelas e ele não queria isso. Decidiu que uma coisa menos formal e dez vezes mais feliz cairia melhor naquela situação. Talvez pudesse encontrá-las em algum lugar e fazer algum tipo de piada, como “poderia me passar aquilo ali?” ou “esse corte de cabelo realmente ficou muito bom em você”. Riu sozinho, abobado. O medo fazia aquilo com ele.

Ritter abanou a cabeça e colocou os pensamentos em ordem, voltando a atenção para a página aberta no laptop. O site tinha um design bem obscuro, todo preto. Era bonito, contudo. O garoto rolou para baixo, encontrando uma curta informação sobre o que aquilo se tratava.

 

O MASSACRE DE OAKFIELD O PASSADO SEMPRE RETORNA?

Como todos sabem, ou deveriam saber, uma onda de mortes inexplicáveis e assustadoras acometeu a cidade de Oakfield, no interior de Ohio, a sete anos atrás. A notícia repercutiu pelo mundo inteiro. CNN, FOX e todas as outras grandes emissoras faziam, a cada dia, um novo programa revelando as aterrorizantes notícias. E ponha aterrorizante nisso, pois o que pareceu ser uma singular morte acabou ceifando a vida de mais quinze pessoas dentre elas, doze estudantes de Oakfield High.

Para os curiosos de plantão, o crime acabou sendo obra de dois adolescentes psicopatas (ambos parte do grupo de amigos mortos), onde um deles, alvo de uma obsessão psicopata por um dos garotos, acabou pagando um assassino profissional para lhe ajudar no trabalho e o fez se infiltrar entre todos. Pelo que nos foi divulgado, Julia Moss nome de um dos responsáveis fez tudo aquilo para se vingar de uma dos quatro sobreviventes da chacina, Emily Hayes, que havia “tirado” de si o amor de Sean Thompson, outro sobrevivente.

A história controversa de uma psicopata acabou em sua morte, junto de a de seu parceiro, Connor McGrath, e quatro únicos sobreviventes: Emily Hayes, Jordana Brammall, Sean Thompson e Robin Ritter.”

 

Robin sentiu um arrepio diferente percorrer seu corpo. Ler seu nome ali era algo estranho e assustador, por algum motivo. De qualquer forma, continuou a leitura:

 

Mas nós não viemos aqui para relembrar o passado, e sim para esclarecer o futuro.

Novas informações, vindas diretas da cidade de Oakfield e retirada do Twitter dos moradores de lá, afirmam que uma nova onda de mortes voltou para a cidade, junto com o retorno de duas sobreviventes, Jordana Brammall e a fatídica Emily Hayes.

A identidade do assassino ainda é um mistério, afinal, o que pode ser uma nova grande onda de mortes está apenas começando. Até o momento, temos seis vítimas confirmadas. O motivo ainda também permanece escondido. O número de pessoas a serem mortas até o final disso tudo, apenas em nossas mentes.

A polícia afirma…”

 

O sobrevivente foi mais para baixo. Não estava interessado naquilo que já sabia, e foi a procura de sua informação preciosa, até encontrar um agrupado de imagens e parar, voltando um pouco para cima, até atingir o texto sobre elas.

 

Por sorte ou deveria ser por azar? temos em mãos os nomes e informações das vítimas desse assassino cruel. Foi um pouco difícil de achar veracidade nos fatos encontrados pela internet, mas enfim conseguimos uma boa base para trazer isso para vocês. Se for corajoso o suficiente, ou até mesmo apenas curioso, fique à vontade para ler o próximo parágrafo.

As primeiras três vítimas foram encontradas mortas dentro de uma lanchonete 24hrs, intitulada Springwood Diner, às sete da manhã de uma quarta-feira, dia 09 de Julho. Entre elas estavam Allysson Horsdal (41), a gerente do lugar, Clary Chambers (21), uma das garçonetes, e Toby Fray (26), um cliente e namorado de Chambers. A forma da morte ainda é muito especulada na mídia, mas foi revelado que Fray tinha mais de sete marcas de perfuração nas costas e tórax, enquanto Chambers sangrou até a morte por uma fenda na garganta. O que trouxe fim à vida de Horsdal ainda é um mistério.

Duas noites depois, a atriz de teatro April Green (31) foi encontrada morta em seu camarim no Teatro Tyson Maslany, por volta das 21:00, no dia 11 de Julho, sexta-feira, momentos antes de ter sido rejeitada para sua própria peça como revela o relato de um dos funcionários do local. Pelo pescoço quebrado, muitos constataram que ela havia se suicidado em uma forca ou que havia sido acidental o fato de ter acabado de ser tirada de uma de suas peças mais importantes também ajuda nessa hipótese —, mas uma facada em seu corpo provou o contrário, assim como o registro em seu celular de uma ligação vinda de um número desconhecido, momentos antes da hora estimada do óbito.

A terceira vítima se chamava Logan Bates (39), encontrado morto em sua própria clínica veterinária (House & Pet’s Clinic) após a polícia receber o chamado de um dos vizinhos. Não sabemos a causa do óbito (nada de muito bonito, provavelmente). O horário da morte ainda é desconhecido, mas o crime ocorreu na noite do dia 12 de Julho.

A última vítima era um corretor de imóveis. Lincoln Davis (36) foi morto por uma serra circular (item usado por muitas construtoras no feitio das construções), na tarde do dia 14 de Julho. No tempo livre, ele ainda ajudava sua noiva, Samantha Winters, na Galeria de Artes de Samantha Winters, onde os dois trabalhavam juntos, com Winters sendo uma pintora.”

 

A última informação foi a que mais chamou a atenção de Robin. Ele focou nela por alguns minutos, observando a imagem de cada um dos mortos na parte de baixo. Não haviam imagens de Samantha Winters, mesmo que essa informação fosse a mais valiosa de todo o texto. Não se importou de terminar a leitura, apenas deu uma olhada ao redor e voltou a encarar o computador. Rapidamente, Ritter abriu uma nova guia e escreveu na barra de pesquisa: “galeria de artes de samantha winters oakfield”. Apertou “ENTER”.

A tela demorou um pouco para carregar os resultados, pois o Wi-Fi da cafeteria não era dos melhores, e o moreno aproveitou esse tempo para dar mais alguns goles do café. Assim que a página em branco transformou-se em uma grande quantidade de links, Robin deixou a xícara de lado e começou a caçar entre eles. Para sua sorte, o primeiro resultado já era o que ele queria. Ali estava o site da galeria. Clicou nele, observando o design chique vindo do mesmo. Era um amontoado de fotos dos quadros que haviam no lugar, com algumas imagens de Samantha Winters ao fundo, posando para uma sessão de fotos profissionais.

Não deu muita bola para aquilo, e levou os olhos para a parte superior do site, onde uma das opções escrevia “Onde encontrar?”. O rapaz clicou em cima, até que a página mudou e ele se deparou com um mapa de Oakfield, todo feito a mão e decorado para ter as mesmas cores e estilos do restante do site, branco e verde. Era um mapa bastante amplo, até, e em um dos pontos uma setinha vermelha estava localizada, com as escrituras abaixo dizendo que era a localização do lugar.

Robin pegou o celular ao lado e agilmente foi até o gravador de voz. Não hesitou em apertar o botão e começar a gravar.

—Hoje é dia 15 de Julho. Acabei de encontrar a localização de um dos alvos, possivelmente. Bem, a mulher se chama Samantha, é uma pintora e era noiva de uma das vítimas, um rapaz chamado Lincoln. Eu sei onde ela trabalha, mesmo não tendo ideia se o lugar ainda está aberto. – Sua voz estava baixa, para não chamar a atenção de ninguém. – Não sei se devo ir até lá, na verdade. De certa forma, eu tenho que ir para conseguir a chance de encontrar a Emily e a Jordana, pois essa Samantha pode me dar a localização delas, se a conhecer. Mas ainda existe o risco dela ser a responsável pelo massacre.

“Eu não sei, não estou confiando em ninguém. É perigoso, muito perigoso. Estou correndo o risco de ficar muito exposto aqui na cidade. A coisa que eu menos quero é que eu seja notado, e se essa mulher for a assassina, vai ser a pior escolha que eu possa fazer.”

Encerrou a gravação e ficou apenas sentado ali, pensando. Não sabia se deveria ir atrás da mulher, mesmo que fosse uma das únicas opções do momento. De qualquer forma, deveria encontrar o paradeiro das sobreviventes logo, e sair andando não era uma opção.

 



Notas finais do capítulo

Gostaram? Posso revelar que essa trama do Robin vai ser cheia de investigação e de momentos em que tudo parece dar certo, mas na verdade dá errado. Espero que estejam gostando, e me digam o que acharam desse capítulo! Que decisão acham que ele vai tomar agora? Vai se encontrar com a Sam? E gostaram da aparição do Kai? Me digam, adorarei ler seus comentário sz Até mais!



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