Jungle Guards School - INTERATIVA escrita por Giovanna


Capítulo 35
Epílogo


Notas iniciais do capítulo

Nem acredito que chegamos até aqui, mas como um amigo meu gosta de dizer: "Parte da jornada é o fim."
Espero que vocês tenham aproveitado a viagem,
Boa última leitura.



 

[Sete anos depois...]

Tribunal de Justiça

9:34 AM

— Caso número 3000. – O policial do tribunal anunciou fazendo todos os presentes ouvirem. – O Estado contra Ikky Ezra.

O Juiz Strauss seguiu o velho amigo com os olhos, os anos na prisão de Protetores haviam lhe proporcionado uma magreza visível e uma barba mal-feita. Derek sentiu o suor descer por sua roupa preta, em seu segundo ano como Juiz da cidade pegava logo esse caso.

Ikky andava com dificuldade por estar amarrado por correntes pesadas e ser empurrado pelo oficial atrás de si, há anos não via uma única alma viva e agora aqui estava, fora da cela e cercado de câmeras e pessoas de seu passado. Os olhos claros de Derek o encaravam e ele sentia o pesar ao ambos se lembrarem dos amigos perdidos naquele dia na ilha.

Depois de 15 anos tendo o comportamento de um prisioneiro perfeito, era dado a Ikky uma segunda chance. Se o júri aprovasse a sua melhora ele estaria livre. Liberdade. Ikky não conseguia imaginar o quanto essa palavra era importante pra si. Passar mais de uma década atrás das grades havia mudado sua cabeça.

Apesar de sua estadia na ilha ter mostrado isso, ele era jovem e estúpido, nunca devia ter se envolvido com o bando de Claire. Katastrophy havia sido o maior erro de sua vida e não desejava nunca olhar para aquele passado, ele se sentou e seu advogado se levantou para defendê-lo.

— Meritíssimo, meu cliente está detido há quinze anos e mostrou o melhor comportamento da década em sua cela, estou aqui para pedir que o estado revogue sua sentença e conceda liberdade condicional ao meu cliente. – O advogado se aproximou do juiz e do juri querendo clamar por misericórdia. – Esse rapaz cometeu um grave erro em sua adolescência, mas está disposto a reparar seus danos a sociedade.

Ikky fitava Derek. Ele parecia tão diferente, nunca imaginou que o veria nessa situação, sentado naquela cadeira enquanto o castanho usava um roupão laranja, o futuro é imprevisível e surpreendente.

Derek respirou fundo e observou o advogado do estado se levantar e tentar destruir qualquer esperança que Ikky tinha de sair da prisão, pois segundo o governo, seu erro era irreparável e eles deviam ficar na cadeia para sempre. Ele era um perigo para a sociedade, o advogado repetia, mas Derek não conseguia ver qualquer sinal de perigo vindo de Ikky, ele estava quebrado.

Ikky passou anos com seus próprios pensamentos e culpa na cabeça, a morte de seus amigos o deixando acordado todas as noites, a vontade de se suicidar era real, mas ele sabia que precisava sofrer pelos seus atos. Sua mente não o deixava em paz e ele só queria ouvir que era inocente, ele só queria se livrar dos 15 anos de culpa impregnados em seu ser.

O júri demorou a deliberar sobre o caso, o que com certeza era um sinal ruim. Derek teve um descanso enquanto esperavam pela resposta, agarrando seu celular o mais rápido que podia, escreveu sobre o que estava acontecendo para os amigos. Nenhum deles estava ali, eles queriam se livrar do peso de ter qualquer ligação com o grupo terrorista, aqueles eram anos que preferiam esquecer.

— Vossa Excelência, imaginei que gostaria de um pouco de companhia. – A voz de Jordan fez o castanho sorrir.

— Papai! – uma menina africana abraçou o juiz. – Qual é o lance da capa, você é tipo o Super-man?

— Bem que eu gostaria, Abeni. – Derek beijou o rosto da filha.

— Seu pai tem super-poderes e uma capa, mas ele é bem diferente do super-man, anjinho. – Jordan a pegou no colo.

Derek e Jordan haviam adotado a menina no ano passado, três anos depois de seu casamento. Abeni era uma órfã que havia sido resgatada das guerras na África, revelar a verdade sobre os Protetores havia virado motivo de guerra.

Os seres humanos não aceitavam o fato de que alguns entre eles eram diferentes da grande maioria, que eles eram mais fortes e desenvolvidos, que estavam lutando para salvar o planeta Terra. Todo o tema havia dividido a sociedade, apesar da violência ser o auge em alguns lugares, Derek ainda se sentia seguro onde estava, eles tinham o apoio de seu país e faziam de tudo para que os outros também entendessem.

— Como estão indo as coisas? – Jordan se referiu ao antigo amigo do marido.

— Ele parece tão arrependido, Dan, mesmo que tenha sido manipulado, ele sente que tudo isso é culpa dele. – Derek se mantinha perplexo sobre a situação.

— Culpado ou não, ele merece uma segunda chance. – Jordan sorriu para o marido. – Vamos estar te esperando lá fora.

Abeni se despediu do pai com um beijo na testa e pediu gentilmente que eles fossem comer batata frita saindo dali, Derek não conteve o riso ao ver traços de seu primeiro amor na menina. Ele imaginava como seria possível Abeni lhe lembrar tanto de Somchai, que nem mesmo tivera a chance de conhece-la.

— Meritíssimo, o jurí se decidiu.

Derek acompanhou o policial para fora de sua sala, era isso, eles finalmente saberiam se Ikky merecia uma última chance. Por mais que tivesse perdido de tudo naquele dia, ele desejava que o velho amigo tivesse a esperança de um futuro brilhando em seus olhos novamente.

— O júri deliberou e nós declaramos Ikky Ezra inocente.

Ikky se levantou da cadeira desacreditado, ele estava livre. Liberdade. Ao sentir o vento daquela manhã atingir seu rosto fora do tribunal, era algo completamente novo, tudo parecia mais vivo e colorido.

Inocente. Ikky nunca sonhou que isso poderia ser verdade, ele estava ali, sem correntes para lhe prender dessa vez. Ao olhar para o lado, viu o antigo amigo com o que parecia sua família, ele sorriu ao ver que Derek havia seguido em frente.

Derek olhou para Ikky uma última vez aquele dia, era possível que nunca mais se encontrassem, por isso sorriu. Ele precisava saber que estava perdoado, Derek sentia a felicidade de se ter uma família a sua volta, ele só queria que o amigo pudesse sentir o mesmo.

[Edifício Haid, cobertura, 10:10 AM]

Aurora observava o movimento da cidade abaixo de si em sua sacada, um copo de vinho descansava em sua mão. Seus pés descalços entrando em contato com o tablado cinza da sacada em sua cobertura, o clima quente da primavera aquecendo seu corpo.

Na televisão eles anunciavam que Ikky Ezra era inocente e agora voltava a se integrar a sociedade, Aurora temia por Ikky, a sociedade não era mais a mesma. Os casos que ouvia de seus empregados em sua empresa eram assustadores, os humanos podiam ser realmente nefastos quando desejavam... Mas nem todos eles.

—Sabia que te encontraria aqui. – Alice envolveu a namorada em um abraço protetor pelas costas. – Preocupada com a notícia?

— O Ezra é passado. – Aurora se virou para a loira. – A única coisa que me preocupa é o futuro.

— Baby, você criou um império do ar, isso não devia te preocupar. – Alice buscou os olhos de Aurora, queria mostrar a admiração que sentia pela jovem, para que ela pudesse se enxergar do modo como à via.

— Isso não deixa de ser assustador, Alice. – Aurora envolveu seus braços na cintura de Alice. – Ele me quer como vice-presidente, isso é o sonho mais ambicioso que eu já tive.

—Aurora, ele podia ter oferecido a vaga para qualquer pessoa. – Alice tombou a cabeça para a namorada. – Mas o presidente em pessoa veio te convocar para essa missão, se você não fosse a mais capacitada para o cargo, ele não se incomodaria.

— Eu dirijo empresas, Alice. – Aurora deixou transparecer a sua preocupação. – Não um país inteiro.

— Você consegue. – Alice sorriu. – Você é uma Weeber, pelo amor de Deus, esse é o único desafio a sua altura.

Aurora sorriu pelo desafio, a ideia de ser a vice-presidente do país lhe tirava o sono, mas ainda assim era a única coisa que ela conseguia desejar com todo seu coração. Suas empresas podiam ser seu xodózinho, mas o desafio não era tão grande. Na política, ela poderia ser tudo, seus olhos brilhavam de excitação só de pensar em tudo o que poderia fazer.

— Esse é o brilho que eu gosto de ver. – Alice beijou-a. – Você é maravilhosa, meu bem.

— Aprendi isso com você.

Aurora trouxe a namorada para mais perto sentindo o cheiro de lavanda que Alice tinha, seu cheiro preferido. Ela a beijou, sentindo a loira se desmanchar de prazer em seus braços a fazendo sorrir. Ela a amava, todo o seu mundo se abrilhantava perto de Alice, o mais simples toque parecia mágico e Alice a entendi melhor do que ninguém.

A loira teve dificuldade em se aproximar de Aurora no início, a castanha acreditava que seu sistema de escolha era falho, mas Alice a mostrou que ela só não havia conhecido a pessoa certa ainda. Em três anos, Aurora sentiu seu mundo girar cada vez mais rápido, assim como as batidas de seu coração, todos os dias se apaixonava ainda mais por Alice e não conseguia imaginar uma vida sem ela.

— Vamos, você precisa se arrumar, hoje é seu primeiro dia de férias. – Alice comentou empolgada. – Nada de atender a chamados da empresa, hoje você é só minha.

— Eu prometo, hoje sou só sua.

Aurora selou seus lábios mais uma vez e saiu da sacada subindo as escadas para o banheiro. Seu celular como de costume não parava de vibrar, mas ela simplesmente ignorou, somente por hoje se retiraria dos problemas alheios e se concentraria em si mesma, ela precisava disso.

As ruas da cidade se mantinham movimentadas, o dia dos namorados se aproximava e todos queriam fazer algo especial para seus pares, inclusive Aurora. A semana de férias tirada do trabalho tinha lá o seu propósito, pedir Alice em casamento.

Aos 30 anos, Aurora se sentia preparada para entrar de cabeça em um relacionamento duradouro com a loira, ela era tudo que um dia Aurora chegou a imaginar. Alice apontava encantada para as flores que nasciam em meio à cidade, sempre tão detalhista e delicada, uma das coisas que Aurora mais gostava.

O apaixonado casal se manteve ocupado durante todo o dia. Um café da manhã em sua padaria preferida, uma ida a livraria e ao cinema, passeando pela parque até voltarem para casa. Aurora se sentia leve, seu sorriso não saia do rosto e seu coração batia tão forte.

Entretanto uma surpresa a aguardava.

— Quem é você? – Alice esbravejou pegando uma faca no faqueiro ao olhar para a sacada e a visão de uma mulher lhe causar arrepios.

Aurora instantaneamente rodeou a sua vítima de abelhas, mas a intrusa não se moveu.

— Não queria assustar, mas eu preciso falar com você.

Aurora sentiu o coração falhar, era ela. Claire Meyer estava em sua varanda. As abelhas se dissiparam e Aurora baixou a faca das mãos da namorada, pedindo um minuto para a mesma.

— Vou para o banho. – Alice olhou desconfiada para a castanha que não deixava de encarar Aurora por um segundo. – Da próxima vez faça como pessoas normais e toque a campainha.

Aurora observou Alice subir enfezada, nenhuma delas esperava ter uma visita aquela tarde.

— Eu apertei. – Claire chamou a atenção de Aurora. – A campainha, eu apertei.

— O que você está fazendo aqui? – Aurora desconsiderou qualquer brincadeira que a outra tentou iniciar. – Você ainda é procurada pelo governo sabia?

— Estou bem familiarizada com os cachorros que eles colocaram atrás de mim. – Claire incitou. – Desde que Lucian começou a ajudar Penélope a me procurar, ficou muito mais difícil se esconder.

— Achei que eles tinham te pegado.

— Duas vezes. – Claire estremeceu ao relembrar.  – mas eu sou boa demais para ficar presa por muito tempo.

— Então se você ainda está foragida, o que está fazendo aqui? – Aurora indagou mais uma vez.

— Eu vim me despedir. – Claire esclareceu. – Propriamente dessa vez.

— Suas cartas eram despedidas o suficiente, Claire.

— Achei que você não as tinha lido. – Claire sorriu surpresa.

Desde a primeira vez que havia sido pega pelos Anjos da Lei, Claire descobriu o endereço da asiática e dedicou alguns momentos de sua vida de fugitiva para lhe mandar notícias. Aurora era o mais perto do que ela tinha de uma família agora.

Os pais de Claire a abandonaram depois de saber o que acontecia debaixo de seus narizes, ela percebeu que não tinha amigos ou ela não queria ir atrás deles, era muito arriscado. Por mais monstruosa que Claire pudesse ser, em quinze anos ela viu a vida passar diante dos seus olhos e não aproveitar nada.

Ela tinha se cansado disso.

— Achei que podia ter alguma informação importante nelas. – Aurora revelou.

— Imaginei que você me entregaria se eu colocasse alguma informação de onde eu estava. – Claire deu de ombros. – Parece que eu estava certa.

— Eu já te deixei me enrolar uma vez, isso não ia acontecer de novo.

— Nos quase morremos lutando contra o Storm, isso não te deixou com menos raiva de mim? – Claire tentou amenizar o ritmo da conversa. – Enfim, isso não importa agora, eu vou me entregar.

— Por quê? – Aurora questionou praguejando por se importar.

— Isso que eu venho fazendo, não é viver. – Claire suspirou cansada, o tempo não havia sido gentil com ela. – A situação pros Protetores está feia por ai a fora, logo o lugar mais seguro será uma cela de prisão. Só estou adiantando o meu futuro.

— Altruísta como sempre. – Aurora cruzou os braços.

— Só me escuta. – Claire suplicou. – Esquece a raiva que você tem de mim por um minuto e me escuta, se ninguém não fizer nada, todos os Protetores vão morrer, sem exceção.

— Você está delirando, Claire.

— Eu vi coisas que mais ninguém se importava para prestar atenção, Aurora. Eu sei o que o futuro nos aguarda e não é um mar de rosas. – Claire mantinha seus olhos fixos nos de Aurora, ela parecia à beira de um colapso nervoso. – Eu sei que o presidente está atrás de você, se você aceitar o trabalho, faça alguma coisa, ou todos nós vamos morrer.

Aurora engoliu em seco, ela parecia tão real. O medo em sua voz era tão vivido, ela realmente estava mudada. Ela se importava sinceramente com o futuro de algo, ela parecia desesperada para que acreditassem nela.

— Eu vou tentar. – Aurora disse, só queria se livrar de Claire o quanto antes, mas algo em sua mente a incomodava.

E se isso fosse verdade?

Claire respirou mais aliviada, sentia que havia entregado sua tarefa nas mãos de uma pessoa competente, que realmente salvaria o futuro de todos, alguém que estava sempre disposta a se sacrificar pelo bem maior.

— Então isso é um adeus. – Claire estendeu o braço para Aurora. – Foi bom te conhecer.

[Paris, 12:00 PM]

Os raios de sol daquele dia perturbavam o sono de Heather, talvez devesse ter fechado melhor as cortinas pela noite, mas ela sabia que não pararia de beijar o marido para se preocupar com as malditas cortinas naquela madrugada.

A ruiva se enrolou nos lençóis de seda e tateou a cama a procura do marido, ela queria sentir seu cheiro pela manhã. Não demorou muito para que fortes braços a envolvessem pela cintura e a trouxessem para perto dele.

Bonjour.— Lucian cumprimentou a esposa enquanto abria os olhos.

— Bom dia, querido. – Ela sorriu enquanto acariciava o rosto dele. – Perdeu o caminho de casa?

— Acredito que eu encontrei uma cama muito melhor do que a minha para dormir. – Ele brincou enquanto selava seus lábios.

— Espera só até sua esposa saber disso. – Heather balançou a cabeça negativamente.

— Oh, ela sabe. – Lucian se remexeu na cama ficando por cima de Heather. – Por isso tive que dar um diamante muito maior para ela dessa vez.

Heather gargalhou ao sentir o marido lhe fazer cócegas, ela agarrou o pescoço do homem enquanto admirava sua segunda aliança, que realmente tinha um diamante muito grande nele.

— Nunca imaginei que eu estaria tão feliz me casando de novo com você. – Ela comentou enquanto ele a analisava.

— Espero que não precisemos casar uma terceira. – Lucian sorriu. – Casamentos são caros.

— Assim como luas de mel. – Heather se defendeu. – mas ainda assim você quis vir para Paris.

— Se íamos casar de novo, precisava ser no melhor estilo.

Depois de seis anos separados, o destino provou que Heather e Lucian mereciam ficar juntos. Eles só precisavam de tempo para crescer, o que realmente aconteceu. Heather era a obstetra mais famosa do país, mães e pais viajavam o mundo inteiro para vê-la. Lucian havia se tornado um espião dos Anjos da Lei, desistindo do cargo administrativo de ser chefe para poder programar sua vida.

Às vezes precisamos perder algumas coisas para saber o que é prioridade em nossas vidas.

Se sentindo mais realizada profissionalmente do que no início do casamento, Heather não conseguiu segurar os instintos ao rever o ex-marido em uma festa de gala ao qual um parceiro de Lucian a havia convidado. Lucian sentiu seu ego ferido por ver Heather na festa com outro homem, mas voltou a planar nas nuvens quando a teve mais uma vez em seus braços.

Era inevitável, eles estavam destinados a ficarem juntos.

— Com certeza foi. – Os olhos apaixonados de Heather observavam o marido. – Você precisa escovar os dentes, querido.

— E você não? – Ele a olhou rindo. – Sei que você é linda quando acorda, mas o bafinho matinal também te persegue.

Aproveitando a sua segunda lua de mel, os pombinhos tomaram banho e puderem colocar roupas, o destino de hoje era a Torre Eiffel. O barulho do corredor chamou a atenção de Lucian.

— Eles estão chegando. – Lucian se preparou, assim como Heather e um estrondo de risos e correria surgiu pela porta.

— Hey, animaizinhos. – Lucian agarrou Jasmin pelos braços a levantando para um abraço. – Dormiram bem, macaquinhos?

— O Max não fechou o bico até meia-noite. – Jasmin entregou. – Ele não para de falar da torre.

— Então alguém está ansioso para ver a Torre Eiffel de pertinho. – Heather que era abraçada pelo filho mais velho o viu sinalizar com a cabeça.

— Já vou avisando, nada de se pendurar na Torre. – Lucian olhou sério para o filho.

— Mas pai! – Max fez um bico, esse era o único motivo de querer ver a Torre de perto.

Maximus conseguia controlar as formigas com a mente, mas além disso, ele produzia teias como as aranhas, era um pesadelo quando ele ficava grudado no teto e ninguém conseguia tira-lo dali, ele gostava de se aventurar e tudo o que ele podia se pendurar ela lucro.

Jasmin mostrou a língua para o irmão mais velho o vendo dedurar para o pai. Jasmin ainda não havia despertado nenhum poder o que a deixava desapontada, mas seus pais faziam o maior esforço para que ela não se sentisse diminuída pelo irmão.

Heather sorriu vendo a cena, tudo isso era ainda melhor tendo o marido por perto. Ela se lembrava da decepção nos olhos dos filhos ao saberem que o pai não viria busca-los para o fim de semana, mas Lucian realmente havia se empenhado nos últimos 4 anos para ser o mais presente possível na vida dos filhos, deixando Heather muito orgulhosa.

— Tirem esses pijamas e tomem um banho, ou vão ficar sem sorvete. – Heather alertou vendo os dois pequenos se retirarem dali em um pulo.

— O Max vai se pendurar naquela Torre não vai? – Lucian a abraçou enquanto riam.

— Ele ainda vai nos deixar loucos. – Heather respondeu. – Mas sinceramente, é até que legal ter o nosso próprio homem-aranha em casa.

— É bom estar em casa.

[Mansão dos Nivans, 15:24 PM]

Natalia desceu do carro, o cascalho embaixo de seus tênis a machucavam. Talvez simplesmente estar de volta a aquela mansão a machucava. A castanha carregava os papéis do divorcio em sua mão, ela precisava fazer isso.

Andou até as imponentes portas da mansão, estavam iguais a quando a havia deixado. A única coisa diferente era a situação em que se encontravam, ela se lembrava de ter fugido da mansão para a casa da mãe precisando de consolo porque encontrou o marido bêbado transando com outra mulher em sua cama.

Mas agora 2 anos depois, ela estava reconstruída. Não conseguia mais imaginar como havia sido aquela mulher cega por tanto tempo. Pietro estava destruído por dentro, a constante bebedeira só se intensificou com os anos, as brigas dentro e fora de casa pioraram e tudo porque ele se sentia responsável pelo o que havia acontecido ao James.

Era inegável que a culpa que Pietro carregava por sete anos de ver seu melhor amigo em coma era compreensível, mas nada justificava seu comportamento diante disso. Nem mesmo ter sido fraco o suficiente para trair a única pessoa que o havia apoiado em todo esse tempo.

A castanha apertou a campainha, o mordomo da casa atendeu. Estando familiarizado com a mulher, ele a deixou entrar. Até mesmo se atrevia a dizer que sentia saudade de Natalia naquela casa.

— Ele está no escritório. – O mordomo indicou.

— Que surpresa. – Ela ironizou tirando um sorriso do homem. – Obrigada.

Natalia subiu as escadas que tão bem conhecia, todo o lugar continuava do mesmo jeito. Desde as cortinas aos quadros, tudo era igual. Natalia viu sua imagem em um quadro ao lado de Pietro, ele nem mesmo havia retirado o quadro. Ela bufou diante seu desprezo. Ao lado do casal havia a foto dos pais de Pietro. Natalia sentiu o coração doer.

Ambos haviam morrido em um acidente de carro. Perder a mãe somente enlouqueceu ainda mais o ruivo, ele se agarrou na raiva e no trabalho para continuar vivendo e nesse meio tempo machucou a única coisa que realmente o importava, sua mulher.

Natalia bateu a porta do escritório do atual ex-marido e o ouvi dizer:

— Não quero receber visitas hoje, Frederick. – Seu tom era mórbido e cansado.

Ignorando o pedido de Pietro, Natalia abriu a porta. Pietro se encontrava sentado em sua poltrona de frente para a televisão, um copo de leite descansava no porta copos, sua gravata estava frouxa e os botões de sua camisa abertos, ele realmente não estava esperando visitas.

— É só por um minuto. – ela se pronunciou para que ele notasse sua presença.

— Natalia. – Pietro se levantou no mesmo instante querendo abraça-la, vê-la ali sem realmente aproveitar do que um dia já havia sido dela, partia seu coração.

Ele havia sido burro o suficiente para perder a única coisa que sempre o manteve são. A única pessoa com quem realmente se importava e estava viva. Pietro sentiu o coração se apertar ao ver o papel pardo nas mãos da esposa, ou no caso, ex-esposa.

— Eu só vim entregar esses papéis. – Ela os deixou na mesa próximo a si. – Acabou agora.

Pietro não conseguia fazer nada além de sentir a perda o consumi-lo. Era isso, ele havia perdido tudo. Não conseguia achar forças para se levantar dessa vez, não havia ninguém para lhe ajudar.

— Você deve estar feliz. – ele abriu os olhos para vê-la uma última vez.

— Na verdade, estou. – Ela respirou fundo. – Eu o amava, Pietro, de verdade. Mas os seus problemas engoliram tudo a sua volta. Eles são as únicas coisas que te sobraram.

O silêncio perdurou pelos minutos seguintes, Natalia tinha razão e Pietro sabia disso, mas ainda assim ele não se sentia bem em desistir dos dois.

— Eu parei de beber. – Apontou para o copo de lei atrás de si. – Ou pelo menos estou tentando.

— Fico feliz por você. – ela o olhou, ele estava um caco, mas já não era mais seu problema ter que levanta-lo. – Espero que você supere essa, Pietro, você merece recomeçar.

Eles se abraçaram uma ultima vez, Pietro sentiu o cheiro da amada instalado em si novamente, só para senti-la se distanciar e ir embora. O carro de Natalia partiu, o deixando sozinho com seus pensamentos.

Pietro pegou o celular vendo uma mensagem de Derek, Ikky havia sido libertado. O ruivo olhou para a TV e viu o velho amigo sendo declarado inocente, ele estava diferente, parecia estar mais maduro, seu tom era de mudança... exatamente o que Pietro precisava no momento.

Discando o número de sua secretária, Pietro ordenou.

— Amélia, procure o Sr. Ezra, estou precisando de um novo amigo.

[Jungle High School, sala do diretor, 19:03 PM]

James rolava o feed de seu Instagram vendo as fotos de Heather em Paris, Maximus estava pendurado na Torre Eiffel em uma delas, aquele menino era uma figura. Derek e Jordan estavam comendo batatinhas com Abeni em algum lugar da cidade. Aurora tentava marcar um encontro com o amigo em sua primeira semana de férias em anos, ela parecia urgente em querer conversar.

O loiro notava o sumiço da aliança no dedo de Natalia, apesar de Pietro continuar a usando. Penélope praticamente surtava em suas mensagens dizendo que Claire havia concordado em se entregar se dessem a ela alguns minutos para conversar com alguém especial, ela não conseguia acreditar que na terceira vez conseguiriam manter ela em cana.

E a notícia de que Ikky era inocente não parava de ser repassada naquele dia. Por mais estranho que aquilo pudesse ser, ele sentia que Ikky nem mesmo devia ter sido preso, ele atingia empresas, mas nunca chegou a machucar nenhum deles de verdade.

Ver como todos estavam transformados assustava James. Imaginar que havia perdido parte dessa transformação o deixava ainda mais aflito. Acordar em um dia e saber que sete anos haviam se passado era mais difícil do que ele podia imaginar.

Em sete anos, seus amigos estavam noivos ou casados, seu pai estava se casando, sua amiga havia tido 2 filhos e metade das pessoas que considerava como amigos estavam mortos.

Era de se imaginar que James estivesse traumatizado em relação a mudanças. Tudo estava acontecendo enquanto ele tirava o maior cochilo de sua vida e quando acordou, desejou que tivesse morrido.

Perder Kenai o havia arrasado, ele gostava do ursão e se arrependia do outro ter se sacrificado achando que James havia morrido. Sacrifício. James ainda tinha pesadelos com a morte de Somchai, ele sabia que ao usar o poder da manada estaria matando o seu amigo, mas para que os outros sobrevivessem ele preferiu que fosse dessa forma.

James se considerava um assassino e nada além disso, ele queria estar na prisão no lugar de Ikky. Mas ele havia perdido tanto tempo, que era embaraçoso. Terminar o ensino médio com 24 anos não era algo que ele se orgulhava ou nunca ter arranjado um emprego, as responsabilidades de sua idade batiam a sua porta, por mais que ele ainda se sentisse como um garoto de 17 anos.

James sofreu para se adaptar a sua nova realidade, a depressão o abateu com força total nos primeiros anos. A faculdade parecia sufocante e a vergonha de ser transformado do aluno mais avançado em sua turma para o mais atrasado o consumia.

Ele sabia que teria cometido suicídio se não tivesse em quem se apoiar. Porque querendo ou não, isso é o mais importante. Família, amigos, alguém com quem contar.

Sete anos depois, James não conseguia acreditar que Derek realmente era pai ou que Aurora seria a vice-presidente do país. Tudo parecia tão diferente do que havia imaginado, a realidade tende a ser surpreendente se você se permite observar.

— Diretor Carpenter? – um dos alunos de James bateu a porta.

— O que deseja, Tim? – James olhou para o menino parado em sua porta e abaixou o celular.

— Será que você pode vir jantar com a gente hoje? – Timothy perguntou.

— Um único dia não vai fazer mal. – James se levantou de sua cadeira arrumando a roupa social. – O que teremos hoje?

— Pizza. – O jovem loiro olhou para o pai adotivo. – Todos estão lá.

— Todos? – James se impressionou. – Achei que vocês não se suportavam.

— A gente faz um esforço as vezes.

Chegando a sala X, James sentiu antigas memórias adentrarem sua mente, os tempos com os amigos eram repletos de risadas e como ele gostava daquilo. Mas a imagem que encarava ainda era bela.

Cinco crianças sentadas ao redor de duas pizzas tamanho família esperando por eles.

— Vocês realmente esperaram para comer. – James se surpreendeu. – Isso é uma honra e tanto.

— Ah, pai. – Uma jovem japonesa rolou os olhos. – Nem foi tão difícil assim.

— A gente só quer comer com você pra variar. – Laura focou seus olhos roxos e um sorriso simpático no homem de terno.

— Se livra desse paletó, coroa. – Jason arrumou os óculos no rosto. – Ta quente pra caramba.

James se sentou junto dos 5 filhos no chão e começou a comer a pizza, Zoe engatinhou até o colo do pai e ficou brincando com sua barba enquanto chupava chupeta. James havia adotado todos eles, com idades diferentes, etnias diferentes, mas com o único objetivo de ama-los.

A única coisa que nos mantém em sã consciência, são as pessoas. Sejam elas seus vizinhos irritantes, seu namorado, sua mãe ou seus filhos. Todos precisam se sentir amados e amar de volta, é isso que dá sentido a vida. O amor a ser compartilhado.

James nunca foi tão feliz em cinco anos quanto imaginou que seria, ele era pai de 5 maravilhosos filhos, mas também era professor de 3000 alunos e tinha orgulho de todos os seus amigos. Seus pai e padrasto o visitavam sempre que podiam, felizes em verem a casa sempre tão cheia.

O atual diretor não era cego, ele via todo o problema que os humanos causavam a sua espécie, mas quanto mais baderna os humanos faziam, mais os Protetores se manifestavam. A escola nunca esteve tão cheia como naqueles dias, com os alunos mais aplicados que podia imaginar.

Uma nova geração de Protetores estava nascendo e não importava onde ou quando, eles sempre teriam com quem contar. Aquela era a geração da revolução e James nunca se sentiu tão feliz em liderar uma guerra. Se os humanos estavam no clima de ataque, James estava mais do que pronto para mostrar que as diferenças não eram uma ameaça para sua rustica espécie.

Sem se importar com o passado perdido, James mantinha os olhos no futuro, pois aquele era o seu mundo e por ele todos iriam lutar. Pois a única verdade da vida é: Ninguém se mete com a Mãe Natureza.



Notas finais do capítulo

Pra quem não entendeu, entender: Na imagem temos as versões mais velhas dos heróis, Derek, James, Heather, Lucian, Ikky, Natalia, Aurora e Pietro.

ACABOOOOU!
Finalmente vocês estão livres de mim, mas eu vou sentir muita saudade de vocês.
Obrigada a todos que leram até aqui e espero que vocês tenham aproveitado essa viagem maluca pela selva tanto quanto eu.
Vocês são os melhores. Amo vocês.

Beijinhos



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