Jungle Guards School - INTERATIVA escrita por Giovanna


Capítulo 28
Clocks


Notas iniciais do capítulo

Olá, Olá!
Particularmente sou fã do capítulo de hoje. Adorei o resultado, espero que vocês gostem desse também.
Boa Leitura!



[Local desconhecido, dias atrás, horário indefinido]

James abriu os olhos lentamente, as pálpebras estavam pesadas e sua visão estava escura. O loiro estava confuso, sua cabeça doía intensamente e seu corpo estava frio. Por algum estranho motivo ele sentia o cheiro do mar e isso lhe dava enjoo. Ele apoiou o corpo encolhido nos braços para poder se levantar, não conseguia reconhecer onde estava e não havia luz para que ele enxergasse o suficiente.

O elefante andou alguns passos até perceber que seu pé estava preso a uma corrente, James tentou puxar a corrente, mas foi em vão. Mesmo com sua superforça, a corrente aguentou. O sentimento de desespero começou a subir pela garganta de James, onde ele poderia estar? Sua ultima lembrança era de estar indo até uma lanchonete comprar comida para o jantar e simplesmente apagar.

Os batimentos cardíacos do loiro aumentaram, assim como sua respiração, o som constante da água do mar batendo agressivamente contra as rochas não ajudava em nada. Ele sentia que estava prestes a ser devorado a qualquer instante. O frio se intensificou, o medo tomou conta de seus pensamentos e James se encolheu no canto da sala imaginando o que poderia estar do outro lado.

— Eu vou morrer aqui... – ele começou a repetir para si mesmo. - ...ninguém vai vir me salvar.

Seu olhar perdeu o brilho que um dia possuiu. Seu rosto ficou petrificado e sua mente enlouqueceu.

— Pare com isso! – James batia a cabeça contra o ferro frio da cadeira. – Eu não vou dizer onde ela fica!

Os olhos felinos desviaram sua atenção do menino sessando a ilusão ao qual James estava sendo torturado por dias a fio. James havia perdido as contas de quantos sonhos já haviam se misturado com ilusões e se tornado pesadelos, quantas vezes havia sofrido mais do que podia imaginar. Tudo por uma informação da qual ele morreria para proteger.

— Você é esperto. – O felino elogiou o menino. – Mas se causar mais uma concussão a si mesmo, não acho que você volte à vida.

James o encarou. Sempre que chegava próximo a ceder, obrigava seu corpo a se machucar para voltar a si mesmo. As concussões eram as formas mais rápidas de voltar ao controle, porém eram as mais perigosas para o seu corpo. Uma fileta de sangue desceu do nariz de James no mesmo instante, o felino sorriu e saiu da sala com iluminação azul.

O sangue escorria por seu nariz, boca e queixo para pingar em suas roupas. O emblema da Jungle estava vermelho, assim como empoeirado. James se deixou respirar fundo por um instante, tentando relaxar as juntas que estavam amarradas. Ele provavelmente seria morto para que aquele homem soubesse a localização do colégio, mas James jamais daria essa informação para ele, o jovem queria acreditar que seus amigos e familiares estavam bolando um plano para resgata-lo, mas a cada dia que passava a esperança diminuía.

[Local desconhecido, dia do sequestro do Ikky, 23:59 PM]

— Me tira daqui! – Ikky tentava se soltar do saco que estava sendo carregado.

— Calma passarinho. – O felino riu do desespero do parceiro enquanto abria a bolsa. – Não há o que temer.

Ikky nem mesmo parou para pensar, seu instinto foi atacar o que viu pela frente. Em sua velocidade total, foi em direção ao alvo, que ao encara-lo como se estivesse em câmera lenta deu meio passo para o lado e desviu do ataque. Ikky deu de cara com várias caixas empilhadas, caindo sobre elas.

Não demorou muito para que ficasse de pé mais uma vez e seu oponente continuasse o esperando de pé, com as mãos entrelaçadas em frente ao corpo, numa postura polida em seu corpo alto e magro. Ikky balançou a cabeça diversas vezes, o impacto devia ter mexido com sua cabeça, ele com certeza devia estar vendo coisas. Ele conhecia aquele cara.

— Mas eu conheço você. – ele falou desconcertado.

— Conhece. – O felino confirmou com um sorriso doce.

— Como? – ele se sentia muito confuso. – Porque?

— Simples meu caro, amigo. – ele se aproximou. – Eu só quero um novo começo, para todos nós. Que os malfeitores paguem por seus pecados e os protetores tenham seu lugar ao mundo. Sem divisões, um mundo unido.

— Você vai fazer isso obrigando a gente? – Ikky questionou incrédulo.

— Não, bobinho. – Ele ajudou Ikky a se levantar. – É a lei básica da oferta e da procura. Você cria o melhor preço para o melhor produto.

Eles caminhavam entre diversos corredores que aquela única mansão daquela remota ilha particular parecia ter. Ikky não entendia o que ele queria dizer, qual era o produto que ele colocaria a venda?

— Mas o que você vai vender?

— Você não entendeu ainda? – O felino pareceu desapontado ao abrir a porta de um quarto para o jovem. Era similar ao quarto de seus sonhos. – Vocês são a minha moeda de troca.

Ikky arranhou o rosto do felino com suas unhas de águia para correr de volta pelo corredor. Ele precisava arranjar um modo de sair dali e contar para seus amigos do que ele era capaz, eles não estavam a salvo, ele precisava contar toda a verdade.

Ikky reprimiu um grito ao sentir o dente afiado de um gato perfurar suas costelas, como se ele fosse um passarinho. O gato em tamanho gigante andou com Ikky em sua boca até o quarto que havia se transformado em uma masmorra, ele o jogou ali, fazendo o jovem guinchar pelo impacto de dor.

— Eu espero que você cure rápido ou terei que lidar com outro corpo. – O felino retomou seu corpo humano de volta e fechou a porta trancando-a.

Ikky sentia a dor perfurando seus ossos, seu fator de cura demoraria semanas para fazer efeito completo em uma ferida como aquela. Ele precisava de ajuda e rápido.

[Ilha remota, mansão, dia do sequestro da Heather, horário indefinido]

— Porque você está fazendo isso? – Heather gritava a plenos pulmões. – Somchai! Me escuta!

Heather se debatia para tentar escapar da calda do escorpião, entretanto, quanto mais se mexia, mais Somchai fazia questão de apertar. Ela não conseguia entender. Eles estudavam juntos, ele era o vilão esse tempo todo?

Nada disso fazia sentido. Como um garoto podia estar trabalhando com o governo? Ou ter algum envolvimento no sumiço do James e do Ikky? Ele havia ajudado a bombardear a escola mesmo estando nela? Como ele podia fazer tudo isso com os próprios entes queridos? Como ele podia estar ajudando a estudar os espíritos dos protetores sendo que sua própria família corria esse risco?

Somchai largou Heather sobre a neve fofinha. O impacto não foi grande, apesar da distância entre o ar e o chão. Heather estava com roupas quentes e seu espírito animal a ajudava a se manter aquecida, por isso o gelo não era um problema ainda.

A ruiva ficou em silenciou observando tudo a sua volta. A água do mar trazia uma brisa fria, eles com certeza estavam no meio do nada, ela não conseguia ver terra firme no horizonte. Havia neve no lugar da areia e uma mansão enorme um pouco afastada deles. Havia alguns instrumentos de teste explodidos, carros desmontados e árvores caídas, tudo aquilo parecia um local de teste.

— Somchai, onde estamos?

— Receio que ele não saiba responder essa pergunta. – Uma voz masculina saiu de dentro da mansão. O homem era alto e magro, sua pele era branca e seus cabelos castanhos, havia sangue em seus lábios. – Eu estava jantando, sinto muito faze-la esperar por tanto tempo.

— Quem é você?

— Sinto muito, mas essa informação eu não posso te dar. – Ele colocou a mão no peito ressentido. – Entretanto, estava ansioso para conhece-la, Heather Evil Lancaster.

— Como você me conhece? – Heather franziu o cenho com medo se levantando e se afastando dele.

— Ora quem você acha que mandou o Sr. Uttanum lhe trazer até aqui? – ele sorriu.

— O que você quer comigo? – Os olhos de Heather brilharam num intenso vermelho escuro. – Não brinque comigo ou eu corto você em dois.

O felino suspirou excitado ao ver a cor viva nos olhos da ruiva. Era exatamente isso que ele procurava, esse poder seria a chave para seus problemas. Ele levantou os braços em rendição.

— Não estou aqui para te machucar, Heather. – Ele tentou se aproximar, mas ela rosnou. – Confesso que me excita imaginar você me rasgando em dois, mas o Sr. Uttanum está aqui exatamente para que isso não aconteça.

Somchai olhava para os dois de forma vidrada, suas pupilas estavam dilatadas e douradas, brilhando intensamente na escuridão de seus olhos negros. Sua respiração era tão fraca e sua pele estava tão pálida que poderia ser confundido com a neve, a brisa do mar podia arrasta-lo se deseja-se, entretanto o Herdeiro das Trevas mantinha seu hospedeiro de pé pronto para o ataque.

— E respondendo a sua pergunta, minha jovem. – O felino continuou. – Eu estou interessado em duas coisas. Em você e nesse lindo bebê que você está carregando.

Heather rugiu instintivamente para proteger seu filhote, ela correu dali em direção a floresta que ficava atrás da mansão, provavelmente o único lugar em que teria exito em se esconder. Mas Somchai realmente estava ali para trabalhar para o felino, ela sentiu a calda dele junto de sua perna a trazendo para o chão. Heather mordeu a calda do escorpião que gritou ao ver um pedaço de sua calda ser arrancada pela boca da leoa.

A calda se soltou da perna de Heather, porém o veneno de Somchai invadiu sua boca fazendo com que ela tivesse vertigens e sentisse seu corpo começar a se debater na neve, ela estava convulsionando. Seu ultimo pensamento foi o desejo de morrer para que o homem alto e magro não pudesse por as mãos em seu filho.

[Ilha remota, Mansão, lago congelado, logo após a convulsão da Heather]

Somchai mantinha os braços para trás, mas seus olhos não saiam de Heather.

Seu corpo pendia preso pelos pulsos e ombros encima de um lago congelado. Sua cabeça estava torta, seus cabelos caiam para todas as direções, ela se assemelhava a Jesus Cristo na crucificação. Até mesmo a pouca quantidade de roupa.

Encarando a barriga avantajada da leoa, Somchai se questionava como não havia percebido antes. Estava ali por 4 meses ou 5 e ele nunca havia notado e agora quase havia matado ela e o bebê de uma vez só.

— Sr. Uttanum. – Somchai ouviu sua voz. – Que esplendido trabalho.

O felino elogiou chegando perto do escorpião. Somchai se esforçou para fazer um rosto neutro novamente e não pular em cima dele ali mesmo, ele não sabia o que aquele homem louco tinha planejado. Ele precisava descobrir tudo antes de acabar com aquela farsa.

Quando Heather arrancou um pedaço de sua calda, a dor foi tamanha que o Herdeiro das Trevas cedeu por alguns minutos, deixando Somchai retomar o controle de sua mente. Ele se lembrava de ter sido de certa forma hipnotizado pelo olhos de gato, ele só precisava evitar que o mais velho descobrisse a verdade e estaria a salvo.

— Se me permite perguntar senhor, o que pretende fazer com Heather? – Somchai perguntou.

— Ela é um espírito perfeito, num corpo perfeito. Conheço muitos homens que dariam tudo para te-la para si. – Ele explicou observando a loira. – Entretanto, meus olhos não me enganam. Essa criança que ela carrega é muito especial, igual à meia-irmã dela, Jocelyn.

— Ela é uma relíquia também?

— Sim. – Ele confirmou. – E não há nada melhor do que o sangue de uma relíquia pura. Com o sangue desse bebê, eu posso criar um exército de Protetores tão poderosos que quando o Governo e os atuais Protetores tiverem se destruído, o mundo será meu e eu poderei reconstruí-lo.

Somchai sentiu o alarde crescer dentro do peito, ele precisava acabar com esse maníaco, mas precisava de ajuda. Ele andou até a beira da água, onde um escorpião estava. Ele mordeu o escorpião pensando na mensagem que queria passar.

Com toda a força que tinha, jogou o escorpião no fundo do mar.

— Herdeiro! – O felino percebeu o que ele havia feito. – Tule Takaisin!

As pupilas brilharam douradas novamente.



Notas finais do capítulo

Agora sabemos que aqueles que sumiram estão sofrendo também.
Dei bastante dicas de quem é o vilão de verdade e do seu plano, mas no próximo capítulo eu revelo o rostinho dele.

As palavras do final significam "Volte" que é um comando para o Herdeiro voltar ao comando do seu hospedeiro.

Até!



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