Vida após a Morte escrita por Caty Bolton


Capítulo 2
Não é como se eu tivesse salvo a sua vida!


Notas iniciais do capítulo

Demorei, perdão, mas aqui está ♥
Não consigo ficar sem escrever fanfics com o Pip.



 

Pip já tinha imaginado muitas coisas sobre o Inferno, muito fogo, rios de lava e pessoas sofrendo eternamente, tudo que foi ensinado a acreditar desde pequeno. Também pensou que o príncipe das trevas vivesse em um castelo, ou qualquer coisa nesse nível, e fosse cruel, terrível, aterrorizador…

Mas nunca passou pela sua cabeça que pudesse estar tão errado sobre tantas coisas.

A casa era esquisita e muito mais confortável do que parecia. Apesar de as parede e o teto serem daquela pedra vermelha irregular, os móveis, o sofá florido, o abajur, a televisão antiga, a sala de modo geral, deixava o ambiente muito mais simpático do que uma caverna normalmente era. Um lugar simples, com coisas simples e agradável o tanto que poderia ser. Essa era a morada de Satã, o senhor do Inferno e pai de Damien. O estilo da casa fazia um contraste quase ridículo com o seu dono, que era um demônio grande de mais de dois metros e meio de altura, vermelho, com cascos e grandes chifres. Ainda mais estranhamente, combinava.

Era esquisito pensar sobre isso, ver a verdade e enfrentar todas aquelas quebras de expectativa mas, sinceramente, o menino estava meio aliviado por o tão temido príncipe das trevas ser do jeito que era, aliviado por ele estar repreendendo o filho por ter condenado Pip ao Inferno. Não que o pequeno anticristo estivesse muito conformado com o que o pai falava…

Sentado no sofá, o britânico observava quieto o desenrolar da discussão.

— Isso — Damien apontou para Pip, como se ele fosse algum tipo de animal, não um ser humano. — não é problema meu!

— Lógico que é. — Satã insistiu pela quarta ou quinta vez, vendo o filho se controlar para não fazer birra. — Você condenou um inocente, filho, o mínimo da sua obrigação agora é ajudá-lo.

— Mas por que… — Por um segundo o anticristo parou para pensar em algum  argumento. — Não tem como só “desamaldiçoar” ele?

— Não funciona assim, ele já morreu. — Pip recebeu um olhar de Satã, cheio de pena e compaixão. Nunca pensou que ele, de todas as pessoas, realmente todas, lhe olharia daquela forma tão humana. — Sinto muito garoto, mas você vai ter que ficar aqui.

Pip estava intimidado, com medo e ainda em choque, não sabia o que falar mas sentia que deveria pelo menos tentar:

— N-não existe a possibilidade de, realmente-

Isso até que é interrompido por um Damien muito impaciente e zangado, olhando na sua direção como se não visse nada mais que uma pedra no sapato. O loiro estava acostumado àqueles olhares, estava mesmo, em vida a maioria das pessoas que conheceu lhe encaravam de um jeito bem semelhante, mas meio que ainda machucava.

— Não! — O outro menino rosnou, deixando toda a sua insatisfação sobre a situação bastante clara. — Você não escutou? É surdo por acaso!?

Philip se encolheu no sofá diante do olhar mortal de Damien, claro que ele lhe culpava por toda a situação, mas logo Satã tratou de conter o filho:

— Eu tenho trabalho para fazer, Damien, e você vai ajudar esse garoto. — Disse severo e o garoto demônio murchou diante da ordem. — Ajude ele a achar uma casa, se instalar em um lugar seguro.

— Mas pai-!

— Eu estou mandando.

Com aquela ordem, definitiva e sem espaço para argumentos, o anticristo finalmente ficou quieto. Também não houve mais nenhuma palavra de Satã antes dele sair de casa e deixar os dois garotos sozinhos, naquela situação em que nenhum dos dois gostaria de estar. Damien olhou para Pip e eles se encararam em silêncio por longos e desconfortáveis segundos, o ar pesou e atmosfera do cômodo parecer mais tensa. Pip não sabia o que deveria fazer ou falar agora, estava apreensivo, e Damien apenas parecia bem irritado.

— Eu não deveria ter te tirado do limbo. — O demônio foi quem falou primeiro, irritado e estava arrependido daquele jeito ruim, arrependido de ter ajudado o loiro, com as mãos abaixadas e fechadas em punhos. — Acho que ainda dá tempo de te mandar de volta-

— Não!

Diante disso Pip permitiu-se ficar irritado, se alterar. Isso porque apenas a vaga ideia de voltar para o que Damien chamou de limbo fez um tipo de desespero surgir de dentro do seu peito. A solidão, o silêncio, não era uma experiência que gostaria de repetir por nada nesse mundo.

Eu já estou morto mesmo, que se foda.

— Você não pode me mandar de volta para lá!

Aquela foi a primeira vez que viu o anticristo sorrir desde que chegaram no Inferno, mas estava longe de ser um sorriso amigável, a irritação ainda era presente e a resposta que recebeu se parecia muito com uma ameaça:

Não posso? Apenas veja…

Assim que Damien fez menção de se aproximar Phillip foi mais rápido e levantou-se. Primeiro tentou se afastar, mas o sofá estava logo atrás, então, por isso, assim que o garoto demônio chegou perto o suficiente, Pip o empurrou com toda as forças que seus braços magros tinham e foi o suficiente para que ele caísse no chão, atordoado, e o loiro corresse para o outro lado do cômodo, já visando a rota de fuga mais próxima. Mas Damien se levantou do chão com um rosnado, mais rápido do que previu, e mais zangado do que antes - os seus punhos em chamas definitivamente significava alguma coisa ruim.

Era bastante estranho que o loiro temesse pela sua vida, mesmo morto o instinto de sobrevivência não tinha desaparecido. Correu para a porta sem olhar para trás e fechou assim que saiu, por muito pouco Damien não lhe acertou com as chamas e acabou colocando fogo na madeira.

Do lado de fora era quente, um inferno - realmente o Inferno - se comparado a dentro da casa, e tudo tinha aquelas cores meio avermelhadas e escuras, uma aparência claustrofóbica de cavernas dentro de cavernas, Pip só não conseguiu prestar muita atenção pois Damien não tinha desistido e o principal agora era fugir dele e não se queimar.

Quando os arredores começaram a se parecer muito com um labirinto disforme, Pip não fazia ideia se andava em círculos ou não e Damien estava perigosamente perto foi quando lhe puxaram pelo braço para dentro de um buraco, um tipo de caverna menor. Nos primeiros três segundos tentou se soltar, mas parou, com os olhos arregalados de medo e tremendo, quando a rajada de chamas se projetou para dentro, a pouquíssimos centímetros do seu rosto. Sentiu que havia entrado em um forno, viu algumas pedras mudando de cor para um laranja vivo e derretendo pelas paredes irregulares.

Não durou mais que quinze segundos, mais que o suficiente para lhe matar uma segunda vez se não estivesse escondido. Quando olhou para o lado, também escondido e encostado na parede, viu um antigo conhecido que sempre achou que nunca mais veria, Pocket. Tentou falar com ele, mas o ruivo foi mais rápido e cobriu a sua boca fazendo aquele gesto de silêncio com a mão livre. Ao redor muitas pedras ainda estavam laranja incandescente e Pip conseguiu escutar passos se afastando, se Deus fosse bom eram os passos de Damien, até não escutar mais nada. Pip sentiu que poderia chorar de alívio e Pocket tirou a mão da sua boca, respirou fundo e deu um sorriso:

— Eu não esperava te encontrar desta forma, companheiro.

Ele era o mesmo, exatamente o mesmo, até nas roupas, do Pocket que conheceu com nove anos de idade durante o último ano que morou na Inglaterra. Quis abraçá-lo, mas se conteve, e, de repente, percebeu que não sabia que ele tinha falecido:

— Nem eu…! — Falou um pouco chocado. Haviam, na mente de Pip, muitas coisas que ele gostaria de perguntar, mas poderia deixar para depois. — Mas, a propósito, muito obrigado...

— Não por isso, não é como se eu tivesse salvo a sua vida!

O ruivo soltou um riso descontraído e Pip forçou um sorriso, ainda bem tenso por causa da situação que havia acabado há apenas três minutos, mas não queria ser rude. Pocket saiu lhe puxando pelo braço para fora daquela caverna e o loiro respirou fundo o ar, bastante agradável se comparado ao forno de momentos atrás. Estava suando, cansado e precisava urgentemente de um banho, Pocket apenas pareceu adivinhar tudo isso:

— Vamos, você deve estar cansado.

Não se importou o suficiente para perguntar onde, nada poderia ser pior do que o momento que teve com Damien.

— Certo.





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