Fehu escrita por Leanan Moriartti


Capítulo 3
Capítulo 2 - A Bruxa do mar


Notas iniciais do capítulo

Mapa para um melhor entendimento de lugares: https://imgur.com/a/zwqpP



 

Nessteron era um reino dividido em dois que poucos estrangeiros tinham acesso a divisão principal, um beleza desperdiçada pelo simples fato de ser submerso. Ainda assim, muitas pessoas o procuravam para encontrar curas, de corpo e mente. O comércio de Nessteron era voltado à cura, grande parte dos nesterinos tinham poderes relacionados ao sangue e se referindo à magia selvagem, a água era o principal elemento da cura, além de terem acesso a muitos minérios com propriedades curandeiras.

Nesterinos eram sereias, cecaelias, ninfas do mar, tritões e outros seres perigosos, pouco confiáveis, era ironia dos deuses que eles carregassem o dom da cura, como sempre dificultando o que teria de ser fácil. Alguns eram de espécie Abyssal, que era uma zona mais abaixo do Reino Submerso, não eram a outra metade da divisão da realeza, mas também tinham sua importância na construção de Nessteron.

O lado expostos do Reino, encontrava-se nas Ilhas de Sentina, não era um castelo tão exuberante, mas tinha seu encanto. A estrutura era construída com mármore branco, manchado em lazuli. Uma elegância simples. Apenas uma torre no centro da frente que era longa e pontiaguda. Apenas representantes do rei ficavam no castelo quando era preciso, na maioria das vezes encontrava-se vazio. Para contatar o rei era preciso jogar uma garrafa com a carta no mar. Se a carta não estivesse bem especificada sobre assunto, motivo e valores, o rei não se preocupava em responder.

A metade submersa de Nessteron provava a beleza exótica dos nesterinos. Constituía-se de um castelo todo feito de Ametul, tratava-se de um minério encontrado nas profundezas, este fora trazido pelos abyssais, o ametul era como ametista fundida com topázio. A cor era ainda mais peculiar que sua existência, um intenso azul cobalto encontrava-se no centro e espalhava-se pelas bordas em tom turquesa, mas fora da água, as pequenas pedras mostravam-se lilás, confundido os que a procuravam. O castelo de Ametul, era como um castelo de vidro que brilhava em azul e não podia ser destruído por nada.

Era ali que realeza ficava, a família real da qual Mellyora fugira, eles não se importavam muito com o fato de ela ter fugido, mas sim com o fato de ter se tornado pirata, e ainda mais com o fato de ter servido muitas vezes à Nuria. Esses dois reinos opostos eram inimigos naturais, água nunca se acertou muito bem com fogo, e vice e versa. Era uma richa antiga, mesmo dividindo fronteiras algumas brigas ainda aconteciam. Mellyora estava banida de andar pelas águas de Nessteron, não que ela respeitasse isso, pois ali estava ela atravessando seu antigo lar para chegar em Hellum.

As ondas eram agressivas e altas, sacudiam o navio mercenário. Por ironia, Mellyora escolhera para seu navio, as cores de todos os reinos, azul, vermelho, verde, branco e preto e obviamente os detalhes em dourado tinham a forma de cada elemento, ondas, folhas, chamas e arabescos. Uma votação feita pela tripulação decidiu que o nome do navio seria Cecaelia. O motivo, só eles sabiam.

Não havia um tripulante seco naquele navio, todos estavam encharcados pelas águas salgadas. A luta entre piratas e o mar era intensa e brutal, nenhum lado mostrava piedade. A bruxa do mar gritava comandos aos seus subordinados. Gritava honrando a posição que tinha naquele navio. Honrando tudo que construiu para chegar até ali. Água salgada descia pelos rosto da Capitã não podia esconder seu descontentamento para com suas irmãs, mas entendia que não era culpa delas. Uma ordem ainda era uma ordem. E seu pai ficaria irritado quando descobrisse que ela andava por suas águas sem uma permissão. Seu pai podia ser muitas coisas, compressivo não estava na lista.

As sirenas começaram a atacar o navio, os tripulantes atacavam as quais conseguiam com suas espadas, entretanto elementais simples não tinham como competir com os puros, muitos paravam de atacar ao se deparar com tanta beleza, verdadeiras sedutoras, que nem sequer abriam a boca para que pudessem ouvir suas vozes hipnotizantes. Mellyora tirava todas que encontrava em seu caminho usando seu Dom do sangue, fazia suas irmãs se contorcer enquanto fervia-lhe os sangue, fazendo transbordar sangue pelos orifícoios, lágrimas sangrentas manchavam a pureza do mar. Eram como carrapatos grudando em seu navio e levando seus homens embora. Por sorte havia levado poucos tripulantes consigo, assim não perderia tantos, embora ainda se sentisse triste por perder verdadeiros irmãos de guerra. Honraria-os quando chegasse a hora, quando saissem das águas de Nessteron.

Começou a se arrepender da decisão de não levar tantos quando viu um navio desconhecido se aproximar. Provavelmente seu pai havia adaptado as alianças e se rendido aos piratas. Mellyora percebeu isso quando viu a bandeira de Nessteron presa ao mastro do navio inimigo. Uma bandeira azul claro com entornos dourados, no centro, tentáculos se levantavam da margem, tentáculos dourados. Mellyora franziu o cenho com a raiva que sentia, suas mãos se fechavam em volta do mastro que segurava, quase quebrando-o. O tanto que sofreu por decidir ser pirata, para que no fim seu pai contratasse piratas.

Seus subordinados a olhavam em pânico, não sabiam o que fazer. Não esperavam aquele ataque. Apenas doze homens perdidos em meio a um ataque de sirenas, piratas e a ira do mar. Talvez não tenha sido uma boa ideia ir pelo caminho mais longo. De qualquer forma, era melhor do que desidratar no sol de Núria.

— CARREGUEM OS CANHÕES. VAMOS FAZER CHOVER EM CIMA DELES!— gritou Mellyora aos piratas, que gritaram em êxtase logo em seguida.

Não era à toa que eram mercenários, o aroma do sangue os agradava e uma luta era sempre um motivo para um massacre. Cheiro de pólvora misturou-se ao salgado da maresia, um sentimento familiar aos ali presentes, os tiros de canhões só serviriam para o navio inimigo. As sirenas usariam as ondas como escudo. Mellyora não conseguia manipular a água, mas sabia domar o sangue dos seres e isso ajudava-a como podia. Era assim que se livraria de suas irmãs, não hesitava em se debater com um simples movimento de mão.

Os sons eram uma mistura agressiva de estouro e barulho das ondas, gritos de adrenalina, dor e ódio.  A bruxa do mar havia especificado uma ordem para atirarem primeiro na bandeira, como uma mensagem, seus fiéis sem questionarem, assim o fizeram, deviam isso à ela.

O belo pedaço de pano que antes alertava o motivo de estar ali, agora estava estraçalhado, assim como os mastros que o seguravam.

Mesmo tão entusiasmados por uma boa luta, os poucos mercenários ali presentes não aguentariam tanto ataque. Eram como cães loucos por brigas, se quisessem fugir já o teriam feito. Aceitavam o fato de morrer pela Capitã se assim fosse preciso.

Enquanto seus homens lideravam o ataque atrás dos canhões, Mellyora mergulhou no mar aberto, junto de suas irmãs. Mostraria o motivo de lhe chamarem respeitosamente de A Bruxa do Mar.

Embora sua bravura tenha encantado seus homens, suas irmãs não facilitariam a demonstração. Quando sentiram seu cheiro no mar, todas que antes atacavam os tripulantes, agora afundavam Mellyora para o enorme cemitério, que era o mar. O ataque em conjunto atordoou a Capitã, que mal conseguira conjurar suas guelras.

As sirenas cobriam o pescoço dela com as mãos, para que dificultasse a respiração. Seguravam seus braços e pernas para que não lutasse. Debatia-se acertando alguns golpes em algumas, mas cada vez que se libertava de uma, outra substituia. Teve que se deixar levar para poder se concentrar, a agitação e pânico só a destruia cada vez mais, estava sendo afogada em sua própria natureza, mas o destino lhe mostrou um pouco de piedade quando uma das sirenas arrancou o colar que Mellyora carregava. O colar era o responsável por manter a transformação da capitã em cima de pernas normais, afinal não iria conseguir sair da água em sua forma original.

Foi quando o colar fora-lhe arrancado que os enormes tentáculos da bruxa do mar se revelaram. Eram oito tentáculos com ventosas resistentes, cada membro tinha metade do tamanho de um navio grande. Foi mais fácil enrolar suas irmãs nos tentáculos e esmagá-las até os ossos espetarem suas ventosas.

Sangue manchou a água e subiu até a superfície, deixando os tripulantes de Mellyora apavorados, achando que sua Capitã havia morrido. Estavam desistindo de atirar e abandonando seus canhões quando os tentáculos colossais emergiram das ondas e começaram a envolver o navio inimigo. Os gritos dos homens daquele navio foram mais altos que as ondas, alguns pulavam do navio, salvando-se como podiam. E os tentáculos não descansaram até torcer o navio inimigo como um pano sendo enxugado. Investiam nas ondas, agitando ainda mais a água.

A Bruxa do mar, mostrara suas garras. Uma forma que não gostava muito de lembrar, mas que era útil em momento como aquele. Mellyora Mcness era uma cecaelia épica, poucos sabiam de sua verdadeira origem, mas o problema agora era voltar a forma com duas pernas, perdera seu colar durante ao ataque, e não caberia no navio com aquele tamanho.

A tripulação olhava no mar, ainda agitado, os destroços do navio confrontado. Pedaços de madeira e pessoa se mesclavam nas espumas da água. Os tentáculos haviam ido para debaixo deles. acompanhando a viagem. Não precisavam perguntar à sua Capitã sobre como proceder.

Apenas tiraram os falecidos colegas do navio, jogando-os no mar. Mantiveram os canhões expostos. Estariam protegidos com Mellyora assumindo sua forma de Bruxa do Mar.

A capitã ainda tinha a expressão irritada no rosto enquanto escoltava seu navio, que gentilmente carregava o nome de sua espécie, da qual fora o motivo de exclusão causada por sua família, enquanto suas irmãs tinham belas caudas coloridas, Mellyora tinha seus tentáculos de ébano, que cresceram mais do que deviam e serviam apenas para a destruição.





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