Fehu escrita por Leanan Moriartti


Capítulo 2
Capítulo 1 - O Dragão de Núria


Notas iniciais do capítulo

Para um melhor senso de localização, sugiro uma olhada no mapa:

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Mellyora havia chegado à fronteira de Núria com sua tripulação pouco depois da chegada da realeza. Os cabelos brancos e raspados da Capitã estava enfeitados com gotículas do mar salgado. O cheiro da maresia ainda envolvia suas narinas.

Muito respeitada por sua tripulação, Mellyora era conhecida como “A Bruxa do Mar”, os olhos azuis revelavam sua origem de Nessteron. Como se já não bastasse ser pirata, ainda era uma elementar da água que servia à Rainha do Fogo, algo mais comercial do que político. A tripulação da bruxa do mar tratava-se de piratas mercenários, trabalhavam para quem pagasse melhor, e em tempos como aquele, os nurianos eram os mais ricos. Pagavam em ouro, jóias e tecidos finos. Mellyora não seria boba de negar tal proposta. Fora convocada ali pela própria Rainha, não podia negar que estava um tanto hesitante, afinal ficou sabendo do que acontecera em Néring, suspeitava de que Vênus não estaria nos seus dias amigáveis.

A fronteira de Núria com Nessteron era muito conhecida pelas inúmeras fontes termais, um ponto turístico muito visitado pelos piratas, e um lugar onde muitas sereias exóticas caçavam.

Quando pôs seus pés nos desertos de Núria, soube que algo incomodava o Reino. O balanço do mar ainda incomodava suas pernas enquanto ia andando até o palácio.

O calor daquele lugar lhe irritava, secava sua pele, que rapidamente começava a se descascar, por sorte Mellyora não era da raça abyssal, assim ela podia respirar fora d'água. Naturalmente, por estar fora sentia-se daquela forma, mas como uma viajante, já estava acostumada.

Sempre que via o palácio da fronteira, a Capitã perdia o fôlego. Era exageradamente grande e espaçoso, haviam cinco torres principais que apontava para o céu, três na frente, sendo a do meio maior que as outras, e duas atrás. Nenhum vigilante ou soldado rondava o palácio. Não que fosse preciso, afinal ninguém, pelo menos nenhum nuriano ou simpatizante gostaria de enfrentar a fúria do Rei ou da Rainha. Os ladrões se mantinham longe daquelas terras. Afinal, os elementais do fogo, era conhecidos por serem muito… esquentadinhos. Tinham um gosto estranho pelas guerras, e eram os que mais as causavam, pelos vários motivos banais.

Exagerado não era só o tamanho, mas também a decoração, podia-se dizer que a rainha tinha um fetiche por tudo que reluzia no sol, tudo que fosse de ouro. O fato mais chocante era todo o castelo ser feito de ouro maciço e as paredes cravejadas de rubis. No interior, o chão era composto de rocha ígnea, não como aquelas encontradas em torno dos vulcões, essa era polida e brilhante como mármore. Na entrada, um tapete vermelho se estendia dividindo o grande salão em dois e mostrando o caminho até o trono, apenas um trono, embora existisse um Rei e uma Rainha em Núria.

Graças ao chão de pedra, os passos de Mellyora não faziam barulho. Sua visão ia direto para as pessoas à sua frente. Vênus estava sentada no trono de ouro. E seu Rei, Aodh, escorado no braço do trono.

Enquanto Vênus era uma híbrida entre fênix e draconianos, Aodh era um draconiano de linhagem pura. Os cabelos eram dourados, um tom mais claro que sua pele, as escamas em torno de seus olhos eram negras, o que destacava seus olhos dourados com pupilas finas e verticais. O olhar era frio como se estivesse pronto para atacar a qualquer momento. Aquilo mostrava-se muito mais calculista do que sua fêmea.

—Se perdeu no deserto, peixinho?— brincou Aodh.

Mellyora riu.

—Soube que apanharam de Raemos.— respondeu a Capitã para a provocação.

Aodh fez um sinal para que não brincasse com aquilo. Mas Vênus levantou os olhos carmesins para a pirata.

—Por que não arranja algo para fazer?— rosnou a Rainha rubra.

—Pois é isso que vim buscar aqui, afinal fora você quem me chamou aqui, vossa majestade.— ironizou.

Vênus, irritada não segurou sua transformação, por sorte, o salão era grande o bastante para tal ato. A transição de elementar para dragão era gloriosa, o efeito era algo incandescente que subia pela pele da mulher, e esta gritava a cada modificação, afinal, sentia seus ossos sendo esticados e mudando de formato. Mas o Dragão no qual se transformava era tão belo quanto sua forma normal. As escamas vermelhas mesclavam-se com penas negras no final. Os olhos eram do mais brilhante vermelho, parecendo brasas acesas.

Mellyora ficou cara a cara com Vênus, encarando o enorme dragão nos olhos, sem recuar um passo, não podia mostrar medo perante um predador. Aodh apenas assistia com um sorriso sarcástico nos lábios, raramente mostrava sua forma bestial para as pessoas, Vênus é que era a descontrolada.

—Traga-me a cabeça da Domadora em uma bandeja de ouro.— disse o Dragão-Fênix.

A capitã engoliu em seco, Vênus estava ficando louca se achava que uma simples  elementar da água poderia derrotar uma lenda como aquela. Disfarçando seu nervosismo, Mellyora olhou para os lados, percebeu que haviam muitos tesouros jogados pelo salão, tudo de ouro ou rubi. Oferendas para agradar o dragão de Nuria.

Por fim, a Capitã respirou fundo, a sensação da pele ressecando já estava lhe incomodando muito, temia ficar sem pele se começasse a  se coçar.

—Como quiser, vossa majestade.— Mas fez questão de não fazer uma reverência, apenas virou as costas e saiu andando, desconfiando que Vênus a queimaram viva.

Iria avisar sua tripulação para aproveitarem o dia, pois quando a noite virasse voltariam para o mar. E enquanto isso, ela pensaria em algo, para pelo menos tentar realizar a “missão” que lhe foi jogada. Não podia se dar ao luxo de perder sua fama, tinha que ao menos tentar.

 

***



O navio sacudia sobre as ondas agressivas do mar quente de Núria, os tripulantes mal conseguiam se manter equilibrados graças aos movimentos das ondas. O objetivo de Mellyora era chegar em Hellum, seria mais fácil se tivessem ido caminhando atravessando Núria, mas a Capitã não queria mais nenhum segundo naquele deserto escaldante. Preferia o caminho mais longo, o mar. Pegou poucos tripulantes, afinal não precisava de muitos para morrer.

Tentaria informações com os mais sábios de Thea, elementais das trevas. Não era fácil conseguir qualquer coisa deles, mas era sua única chance, pois o que sabia sobre a Domadora era tudo o que dizia nos livros das lendas antigas, coisas sobre sua glória e heroísmo.

Mellyora ainda não entendia o que uma criatura tão pura como aquela fora parar nas mãos do Rei louco, Raemos, o rei que baniu a magia no próprio reino. Muitos acreditavam que Raemos banira a magia, porque ele não a possuía, afinal era um humarin. Uma linhagem amaldiçoada pelos deuses. O fato era que, segundo as lendas, a Domadora, fora a responsável por levar magia a Thea. Bani-lá depois de tantos séculos não fazia sentido.

Ao lembrar disso, algo passou pelos olhos de Mellyora, a Domadora era uma besta impossível de vencer, ela conseguia dominar por completo os quatro elementos. E a capitã duvidava que seu  manipulamento sobre o sangue fosse fazer efeito em uma espécie daquela. Mas se ela fosse direto na origem, acreditava que algo estava manipulando a mulher lendária, Raemos, era possível, afinal Raemos antes de ser tornar louco era um rei sábio, fora casado como uma das Elementais da terra mais forte, embora ninguém soubesse o que havia acontecido entre eles. Não era hora pra desenterrar o passado, primeiro teria que ter informações sobre com o que estava indo lidar.

Enfim, uma motivação para prosseguir com aquela missão suicida.

—E então? Onde estamos indo?— perguntou o braço direito da Capitã.

—Para Hellum.— respondeu ela sem dar detalhes.

—E o que você quer em Hellum?— insistiu ele.

—Merlim.





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