Percy e Luke-Guerra entre Deuses e Semideuses escrita por LanaX


Capítulo 24
Cap. 22 - Enfrentamos a Personificação do mal... só que em miniatura Part. II


Notas iniciais do capítulo

APROVEITEM!!! ; D ; ) = P


PS: Imaginem a pessoa da capa com roupas normais do CHB não com a armadura kkkkkk



 

 

 

(P.O.V Luke)

  “Por que você não mostra a sua verdadeira identidade ao invés de se esconder nas sombras? Tem medo de me enfrentar”?

  “HAHAHAHA. Eu conheço seus joguinhos Luke e não irei aparecer agora, pois não é a hora...”

  Depois de todo esse tempo... na minha cabeça... em todos os meus pensamentos... e principalmente me fazendo companhia nos campos de Punição... finalmente ele se revelou... e estava prestes a concretizar o seu plano...

  É bom ter forma novamente!

  Tártaro flexionou os braços e os ombros levando alguns monstros que estavam próximos a se afastarem; comecei a procurar por Thalia e vi que ela continuava na parte da frente mantendo os olhos fixos em Jason e ignorando a grande ameaça a apenas alguns metros dela.

  Apesar de não ser exatamente do tamanho certo...

  Seu elmo virou na direção de Jason como se estivesse um pouco irritado, mas o garoto, ou era muito louco, ou.... Não! Só um louco mesmo para dar de ombros com o tom de ameaça de Tártaro.

 -Eu disse que deveríamos manter a garota por perto.

  Eu já lhe avisei que não me importo com o que você ou qualquer outro ser inferior tem a me dizer. A ameaça era cada vez mais nítida em sua voz, mas apesar de tudo fiquei com medo pelo irmão de Thalia. E caso queira continuar nessa forma é melhor manter a boca fechada!

  Jason foi inteligente o bastante para concordar e se afastar um pouco mais. Tentava pensar em algo que não fosse a própria personificação do mal em minha frente prestes a nos matar... algum plano... qualquer coisa! Mas ele irradiava tanto medo que eu simplesmente não conseguia...

  Ele vai nos matar... a qualquer momento... não há mais o que fazer...

  Ah meu velho amigo!

  Tártaro se voltou para a multidão parecendo focar em mim e levando alguns campistas que estavam na frente a se afastarem até eu, Júlio, Annabeth e Percy ficarmos na frente.

  Eu disse que nos veríamos em breve. Mas mesmo assim sinto por tê-lo feito esperar!

  Tártaro produziu um som estranho como o de mil almas sendo torturadas me lembrando um pouco dos campos e fazendo com que todo o meu corpo se arrepiasse.

  Queria responde-lo, dizer qualquer coisa, mas NENHUMA parte do meu corpo me obedecia e ele parecia estar apreciando muito isso.

  Lembro-me que você dizia que havia vencido e que eu era fraco por não me mostrar em nossas conversas... Ele levou a mão ao redemoinho onde deveria estar seu rosto a fazendo desaparecer por um instante, então pegou e deu de ombros. Bom, acho que até os traidores e mentirosos erram!

 -A prova disso está bem na nossa frente!

  Fechei os olhos aliviado e ao mesmo tempo com medo por Júlio ter atraído a atenção do guerreiro para ele.

  Ora, ora, ora. Se este não é o soldado renegado que desintegrou todo o seu pelotão, levou a própria mãe a morte, o pai a loucura eterna e fez sua noiva preferir se juntar ao um monte de garotas a ficar ao seu lado!  

  Me forcei a olhar na direção de Júlio e vi que apesar de tudo o garoto mantinha uma pose quase que descontraída, porém o leve brilho que se formava em suas mãos dava sinal de que logo perderia o controle como a muito não fazia...

  Quando os derrotei naquela floresta em Nova Orleans você havia dito que não me levaria a sério com apenas meio centímetro de altura.... Tártaro balançou a cabeça como se desaprovasse o garoto. Bom... QUEM TEM MEIO CENTIMETRO AGORA SEU VERME?

  Monstros, traidores e semideuses (sob encanto) bradaram em alegria ao escutar aquela voz que fez o chão tremer novamente. Com o canto dos olhos vi que alguns dos nossos tremiam descontroladamente, mas não conseguiam desviar do enorme guerreiro a nossa frente.

 -É. –Júlio encontrou a voz. –Sua hibernação foi muito boa, mas acho que deveria continuar para ficar maior.

  Tártaro soltou uma espécie de rosnado misturado com algum tipo de risada maligna, aquele definitivamente não era o momento para Júlio usar o sarcasmo, principalmente porque ainda não conseguia fazer com que eu me movesse ou pensasse o suficiente para criar um plano.

  Como disse, esse tamanho é o suficiente para acabar com toda essa raça imprestável que vive se intrometendo onde não deve.

 -Se é tão bom assim então porque precisa de um exército?

  Não pense que se eu quisesse já não teria acabado com você seu projétil de mortal imundo, conheço todos os seus joguinhos e não lhes devo satisfação de absolutamente nada... além do mais, a maioria nem mesmo ira viver o bastante para usufruir de tais informações...

  Júlio estava preste a dizer mais alguma coisa, porém ele soltou um grito alto e caiu de joelhos com ambas as mãos na cabeça.

 -Júlio!

  Tainara gritou, mas não fez muito mais além disso, já que Tártaro virou em sua direção a paralisando no lugar. Cerrei os punhos começando a sentir meu corpo novamente.

  Achou que eu havia me esquecido de você pequena prole patética, fraca e egoísta que permitiu que toda a sua aldeia fosse destruída apenas para tentar impedir a própria irmã de ser livre?

  Tainara fechou ambas as mãos e pude ver que tentava segurar as lágrimas, aquilo cortou meu coração e consegui dar um passo à frente, porém foi como se estivesse arrastando 20 toneladas junto comigo.

  Não se preocupe que o seu está guardado, mas antes... Tártaro se voltou para nossa direção. Gostaria de botar o papo em dia com os três semideuses que foram os primeiros a terem a grande e estupida audácia de literalmente andar sob meu corpo e ainda voltarem com vida!

  Percy e Annabeth estremeceram ao meu lado e pude ver que Nico não estava muito distante e reagiu da mesma forma.

 -Hãaa.. não precisa se incomodar com isso... –Percy falou com os olhos extremamente arregalados.

  Tártaro soltou novamente aquele som de milhares de almas e puxou de seu cinto uma enorme espada de ferro negro com o cabo que parecia ser feito de desenhos macabros de rostos retorcidos com expressões de medo.

  Todos os semideuses (sem exceção) e monstros deram um passo para trás com o ato do guerreiro.

  Lembro-me de você ter dito a mesma coisa um tempo atrás... engraçado como as histórias se repetem. Mas o que está faltando para ser igual... Ele levou a mão no que provavelmente seria seu queixo, então estralou o dedo como se tivesse lembrado. Ah! É mesmo! Dessa vez não terão nenhum titã ou gigante para condenar no lugar de vocês!

  Então Tártaro passou a mão livre em frente à sua armadura mostrando os diversos rostos de monstros de todos os tipos que pareciam estarem sofrendo uma espécie de tormento eterno.

 -NÃO!

  Havia tantas faces diferentes que não consegui identificar para quem exatamente Tártaro apontava, mas pelo suspiro alto de Nico, os punhos cerrados de Percy e o grito de Annabeth soube que ele acertara os alvos.

  Ah sim Annabeth Chase! Esse é o preço que aqueles que ficam do lado de vocês são obrigados a pagar! Mas não precisam se preocupar, estão prestes a se juntar a eles!

  Dito isso os três caíram de joelho ficando na mesma posição de Júlio. Meus olhos queimavam de raiva.

  E antes que os patéticos tentem qualquer coisa...

  Tainara também caiu, senti um enorme formigamento e imagens começaram a piscar em minha mente, desde a minha missão para o jardim das Hespérides até às correntes envenenadas dos campos de punição….

  Cada momento...

  As brigas, a tortura e minhas traições vieram como um rojão para a minha mente…

  Se fosse antes isso teria me destruído de dentro para fora, mas aprendi a viver com os meus arrependimentos e a dor era tão comum que nada daquilo me afetava…

 -Não encoste nela!

  Abri os olhos vendo que Connor fora o primeiro a se mover partindo ao meio um centimano que estava prestes a usar todas as suas mãos contra Tainara.

  Arregalei os olhos me xingando mentalmente por ter sido tão fraco.

  Quer bancar o herói garoto?

  Tártaro parecia estar se divertindo cada vez mais enquanto observava Connor agarrado ao corpo trêmulo e encolhido de Tainara.

 -Não ouse se aproximar dela!

 Ora, mas não há necessidade de me aproximar, os dois ficarão juntos por toda a eternidade...

Aquilo foi a gota d'água, antes mesmo que eu notasse o que fazia, simplesmente me tele transportei parando na frente deles e surpreendendo a todos, então os agarrei e sumi novamente.

  Assim que aterrissamos no chão um pouco úmido cambaleei para trás meio zonzo.

 -Luke? 

  A voz de Tainara ecoou pelo lugar, mas a pouca iluminação me impedia de vê-la com clareza. Esfreguei os olhos tentando localizá-la. 

—Estou aqui! Vocês estão bem?

 -Um pouco desnorteados, mas sim. –Ela respondeu e fiquei mais aliviado.

 -Tudo bem, mas aonde é exatamente aqui? –Connor questionou meio assustado.

  Analisei o ambiente gélido e passei a mão na parede rochosa ao meu lado, então fiquei surpreso por minha mente ter puxado uma lembrança tão distante assim e o fato de eu ter sido capaz de nos tele transportar.

 -Aqui é...

 -Sim. –Respondi antes que Tainara terminasse.

 -Nunca pensei que veria este lugar novamente... –A garota suspirou e concordei apesar de saber que ela não veria.

 -Preciso voltar e ver como estão os outros e se possível trazê-los para cá também....

 -Não se preocupe que eu e Connor arrumaremos tudo. –Tainara voltara a ficar confiante. –Apenas tome cuidado.

  Saltei imaginando o acampamento e no segundo seguinte havia retornado para perto da colina onde Tártaro gritava descontroladamente com todos os seus lacaios que atacavam sem piedade os campistas a qual se defendiam da melhor forma possível.

  Olhei para o lado vendo três campistas em formação lutando contra uma dúzia de Mirmidões. Pulei no meio da luta os surpreendendo, então agarrei a mão do mais próximo que vi ser Cecil Markowitz.

—Segure-se todos!

  Dei apenas um segundo para que formassem uma corrente e então nos tele transportei, os deixei na caverna aos cuidados de Tainara e Connor e voltei para o acampamento.

  Fiquei invisível e comecei a correr por entre os monstros, os acertando até localizar algum grupo de campistas; encontrei mais quatro sendo liderados por Pólux em um ataque contra um centimano.

  Saltei por cima do monstro cortando sua cabeça e o transformando em poeira dourada, então voltei a ficar visível na frente deles.

 -Segurem suas mãos e fechem bem os olhos!

  Ninguém discutiu, agarrei o ombro de Pólux e nos puxei para o vácuo que se transformou no chão da caverna logo em seguida.

  Assim como da primeira vez, os deixei e voltei.

  Consegui fazer isso mais duas vezes, com grupos cada vez maiores, antes de começar a sentir uma pontada no peito...

  Olhei em volta vendo que a batalha se tornara ainda mais sangrenta, os monstros possuíam uma força renovadora por ter a presença de Tártaro que sugava com sua armadura qualquer um que estivesse perto demais, é claro que por sorte isso levava mais dos dele do que dos campistas, mas mesmo assim nem todos escapavam.

  Jason parecia querer impressionar o guerreiro, já que resolveu entrar na batalha, lutando mais especificamente com Percy.

  Olhei em volta localizando Nico e sua irmã. Resolvi poupar energia abrindo caminho até eles com mordecostas, nem sempre era a minha primeira opção e se não fosse por insistência de Thalia nem mesmo voltaria a usá-la, mas levando em conta contra quem estávamos lutando, ela seria útil.

 -Nico!

  Me aproximei os ajudando com os Mirmidões, basíliscos e o ciclope que atacavam com toda a fúria eles e os soldados esqueletos do garoto.

 -Para onde você foi? –Ele me olhou um pouco surpreso.

 -Para o mesmo lugar que preciso que você e Hazel levem o máximo de campistas que conseguirem!

  O garoto ergueu uma barreira de ossos entre nós três e a luta, então sua irmã me encarou parecendo extremamente cansada.

 -Topo qualquer coisa para tirar todos daqui!

  Balancei a cabeça e lhes passei a localização, então Nico desfez a barreira ao ver que seus soldados haviam acabado com os monstros próximos e agora atacavam os desprevenidos balançando seus esqueletos a cada passo que davam, se não estivesse no meio de uma batalha poderia ter rido da cena...

  Hazel invocou um soldado feito inteiramente de pedras preciosas e o mandou abrir caminho; fiquei impressionado com a extensão de seu poder, mas não conseguimos conversar, já que ainda havia muito a ser feito.

  A garota me deu um de seus cantis de néctar antes de nos separarmos. Sorvi um longo gole do liquido sentindo um pouco das energias voltando, então entrei no modo automático.

  Encontrar um grupo de campistas; tele transporte; deixá-los lá; saltar; e fazer tudo de novo. 

A cada dez ou doze viagens eu parava para tomar um pouco do cantil, mas estava ficando cada vez mais desesperado ao não encontrar Júlio, Thalia, Annabeth e os outros.

  Ás vezes conseguia ver os irmãos aparecendo próximos dos campistas e os envolvendo na névoa, mas me limitei a manter todo o foco em minha missão!

  Localizei Leo e Calipso sobrevoando toda a extensão da batalha a procura de feridos. Respirei fundo e dei um salto indo parar na cabeça de Festus que não ficou nem um pouco contente e quase me fez cair!

 -WOU!

  Agarrei as orelhas de bronze do dragão.

 -Luke? –Leo franziu a sobrancelha e tentei encará-lo com os olhos semiabertos devido ao vento e medo de cair.

 -Eai! –Esbocei um meio sorriso.

 -Como chegou até aqui? –O garoto gritou para escutá-lo.

 -PRECISAMOS POUSAR NO HOSPITAL!

  Ele olhou para Calipso que sustentava alguns campistas extremamente feridos, então se voltou para mim limitando-se a balançar a cabeça.

  Pensei em me mover, mas aquela não era uma das melhores opções, então agarrei as orelhas de Festus com mais força e fiquei naquela posição nada confortável até aterrissarmos com direito a uma rajada de fogo do dragão para afastar os monstros.

  Praticamente cai de sua enorme cabeça com um baque surdo na grama e um gemido de dor.

 -Foi mal. –Leo se aproximou estendendo a mão. –Geralmente as viagens dele tendem a ser mais confortáveis.

  Gemi novamente quando estiquei o braço para aceitar sua ajuda. –Acho que quebrei alguma coisa.

 -Você não é o único. –Leo apontou para os diversos semideuses mais novos que corriam com macas para socorrer os campistas que eles trouxeram.

  Um deles se aproximou com dois cantis de néctar e nos entregou, agradecemos enquanto dávamos a ele os nossos vazios. Apreciei o gosto de coca por alguns segundos esperando que isso fosse o suficiente para aguentar o tempo que fosse necessário, pois não podia exagerar.

 -O que o fez saltar até nós em pleno ar? E como! Por todos os mecânicos do mundo! Vocês conseguiram escapar da armadura aspiradora de coisas do grandão???

  Tampei o cantil o pendurando na cintura. –Primeiro, você viu os outro?

  Leo olhou a redor com um suspiro, o garoto estava suado e com cortes feios por todo o corpo, mas sua expressão de preocupação foi o que mais me atingiu.

 -Com exceção de Frank que está fazendo o mesmo que a gente, não os vejo desde que você “sumiu” e Tártaro autorizou o massacre.

  O desespero aumentou, precisava encontra-los, tinha que saber se estavam vivos... se alguma coisa acontecesse com eles...

 -Hazel e Nico estão levando os campistas para a Croácia.

  O garoto enrugou a testa. –Croácia? Como...

 -Foi para lá que mandei Tainara e Connor, mais especificamente para a cidade de Split, eles e todos os outros campistas que consegui!

  Leo coçou a cabeça e cruzou os braços ainda tentando entender. –Aonde quer chegar?

  Passei a mão no cabelo desgrudando ele da testa, então o encarei sério. –Preciso que você e Frank levem todos os campistas do hospital para lá o quanto antes, estamos perdendo território cada vez mais rápido e é só questão de tempo até que...

 -Certo! –Ele ergueu o braço. –Mesmo que a gente consiga reunir todos os campistas em Festus e Frank como dragão, e ainda saia daqui sem sofrer nenhum ataque, seriam centenas de semideuses em um único local, sem contar o tempo que levaríamos para atravessar o oceano Atlântico e chegar na Croácia! Quer dizer, quando foi apenas eu e Calipso levamos um ano para chegar ao acampamento com o mínimo de paradas possíveis! 

 -Na verdade preciso que Festus se transforme em outro tipo de transporte. –Falei o fazendo franzir a sobrancelha novamente. –Quanto a Fran...

  Antes que terminasse um enorme dragão completamente roxo pousou a alguns metros com vários campistas feridos e Annabeth no meio deles...

  Corri em disparada sem pensar duas vezes com o coração batendo descontroladamente.

  Só parei ao ver que ela fora a primeira a descer e comandava os semideuses mais novos a pegarem os feridos.

 -Annabeth! –A surpreendi com um enorme abraço extremamente aliviado por vê-la bem e muito feliz quando ela retribuiu.

 -Pelos céus, Luke! –Ela começou a me analisar parecendo tão aliviada quanto eu. –Nem acredito que está vivo! Achamos que Tártaro havia sugado os três para...

 -Consegui nos tele transportar a tempo! –Falei com um sorriso tranquilizador. –Mas e os outros?

  Annabeth comprimiu os lábios. –Júlio liberou tanto poder quando viu vocês desaparecendo que quase todos foram arremessados para lugares diferentes, inclusive Tártaro que ficou ainda mais irritado e ordenou o ataque novamente, tentei procurar por eles, mas ainda não encontrei todos...

 -Thalia? –Minha boca ficou seca de repente principalmente depois do balançar de cabeça dela.

 -Nem Nico, Hazel, Júlio ou Travis.

  Leo e Frank apareceram naquele instante.

 –Tá legal! –Leo começou. –Se você tem algum plano, melhor falar agora.

  Olhei para o restante da batalha e vi que ela estava cada vez pior, e agora Tártaro resolveu explorar o território ao invés de apenas dar ordens.

 -Certo. –Olhei para o grandão. –Preciso que se transforme em um lobo gigante e me leve até Júlio. –Frank concordou e me voltei para Leo. –Quero que faça Festus virar um veículo grande o bastante para caber todos os campistas que estão neste hospital!

  O garoto sorriu já se afastando, então olhei para Annabeth, mas antes que pudesse falar ela já havia compreendido o plano. 

 -Vou reunir eles e dar cobertura!

  Concordei lhe desejando boa sorte, ela fez o mesmo antes de correr para dentro da enorme casa. Voltei a atenção para o lugar onde antes Frank estava e agora um animal me aguardava.

  Montei em suas costas e ele saiu em disparada logo em seguida, me segurei firme em seus pelos vendo as coisas passarem como um borrão; alcançamos Júlio no exato momento em que o garoto causava uma enorme explosão desintegrando centenas de monstros de uma só vez.

 -Júlio! –Gritei chamando sua atenção.

  O garoto virou com os olhos completamente roxos e arregalados, o cabelo verde brilhante e as mãos com ambas as cores misturadas.

  Frank parou a uma distância segura, desci fazendo o grandão voltar ao normal e encarei meu amigo.

 -Está tudo bem cara! –Me aproximei vendo que suas mãos perdiam um pouco do brilho.

 -Luke? Você está vivo?

  Sorri convencido. –Sabe que precisam de muito mais do que um gigante que exala o medo por onde passa para me matar!

  Com isso Júlio voltou completamente ao normal, mas ainda estava sério. –E Tainara?

 -Está em Split.

  Ele franziu as sobrancelhas, mas imediatamente compreendeu o que eu queria dizer e fazer. –Quantos?

 -Todos os pacientes e campistas que estão no hospital!

  Júlio estralou o pescoço e os dedos da mão. –Moleza!

  Revirei os olhos, mas não pude deixar de sorrir ainda aliviado. Frank nos deu outra carona.

  Assim que chegamos vi que Annabeth e Calipso levavam as pessoas até o enorme navio de guerra com a cabeça de um dragão na ponta que soltava fogo nos monstros que tentavam se aproximar.

  Frank correu para ajuda-las; então olhei para Júlio. –Confio em você, sei que consegue leva-los em segurança, mas assim que chegar na caverna não quero que volte está me ouvindo? Não abuse dessa vez!

  Júlio cruzou os braços tentando ficar sério, mas podia ver o brilho em seus olhos. –Até parece que não sei a hora de parar!

  Ergui uma das sobrancelhas. –Você sabe de muitas coisas, mas essa definitivamente não é uma delas, suas cicatrizes estão aí para provar.

  Júlio me fulminou com o olhar, mas o sustentei tão sério quanto, aquela era uma decisão da qual não voltaria atrás e ele sabia disso.

 -E devo supor que você não irá com a gente.

  Balancei a cabeça. -Ainda consigo fazer as viagens, e precisamos acabar logo com isso antes que não tenha mais ninguém para salvar...

  Júlio ficou alguns segundos em silêncio olhando ao redor e observando o grande estrago, não havíamos conseguido salvar o nosso lar, mas ainda tinha esperança de que as pessoas sim...

 -Certo! Apenas escute o seu próprio conselho uma vez na vida e saiba a hora de parar. –Ele falou esticando a mão para fazermos o nosso toque.

  O encarei com um meio sorriso enquanto fazíamos o cumprimento. –Não se preocupe quanto a isso. Agora vá!

  Ele também sorriu. –Elas estão perto da colina!

  O encarei sério, surpreso e um pouco aliviado –Obrigado.

  Ele finalizou o nosso toque com um abraço e um empurrão de leve na minha cabeça, o que me fez rir.

 -Isso não é um adeus!

  O encarei com a maior confiança que pude. –Colegas de fuga?

  Júlio fez o mesmo, mas com um toque desafiador. –Até o fim de nossa segunda vida cara!

  Dito isso Júlio correu em disparada até o navio onde a maioria das pessoas já haviam embarcado, vi que Annabeth dera um jeito de trazer os sátiros e ninfas também.

  Mas a informação dele foi como uma descarga de energia em meu corpo; me tele transportei quase que imediatamente parando a apenas alguns metros do pinheiro.

  A localizei liderando um ataque, na verdade mais um massacre contra os monstros que estavam mais próximos de Tártaro que continuava a fazer o seu trajeto, mais como uma caminhada, pelo acampamento, pisando e sugando tudo e todos que estavam em seu caminho.

  Sabia o que ela pretendia fazer e corri em disparada ficando invisível para alcança-la antes que Tártaro percebesse (isso se já não tivesse notado) o pequeno grupo que pretendia ataca-lo.

  Assim que a alcancei segurei seu pulso a impedindo de disparar uma flecha. –Mas quem... -Voltei a aparecer deixando Thalia completamente surpresa e assustada. –Luke?

 –Não faça isso. Precisamos sair daqui!

   -Luke?

  Seus olhos começaram a ficar marejados, queria abraça-la e nunca mais soltá-la tamanho era o meu alivio, porém, a minha aparição repentina fez todos ao redor pararem e isso poderia chamar a atenção de um guerreiro indesejado.

 -Sim sou eu, mas não tenho tempo de explicar. Apenas segurem-se todas e não se soltem por nada!

  Thalia piscou algumas vezes, mas fez exatamente o que falei, segurando firme a mão de Andressa que segurou a de Edvine e assim uma a uma das caçadoras baixaram a guarda e se juntaram as outras; os monstros estavam prestes a aproveitarem a situação, mas agarrei com força a cintura de Thalia e nos tele transportei.

 Segundos depois estávamos no centro da caverna. Lacy e Valentina do chalé 10 correram até nós.

 -Tainara pediu que os escoltássemos até a ala maior que está sendo usada como hospital. –Lacy falou ajudando algumas caçadoras.

 -Algum navio de guerra já apareceu? –Ambas franziram a testa e entendi como um não. –Avisem Tainara que Júlio irá trazer muitos pacientes e não é para atacarem o navio que aparecer.

  Elas concordaram e começaram a levar as garotas com pressa, olhei para Thalia que me encarava fixamente e só então notei que ainda a segurava; mas ao invés de soltá-la a puxei para um abraço forte.

 -Você não faz ideia como estou feliz de...

  Thalia me empurrou com tudo e a encarei confuso. –Feliz? Feliz? Como pode estar feliz depois de ter feito todo mundo pensar que estava morto? DE NOVO! –Ela disparou irritada. –E não só aparece DO NADA, como me impede de acertar aquele brutamontes que eu achava ter te matado e nos manda para um lugar estranho onde descubro que Tainara, e espero que Connor, estão vivos e ainda por cima fala de Júlio trazendo um navio de GUERRA para cá! E trate de tirar esse sorriso bobo dos lábios Luke, pois...

  A puxei para os meus braços fazendo com que ela parasse de falar imediatamente, então olhei fundo em seus olhos completamente azuis e tempestuosos e não pude evitar de sorrir ainda mais.

 -Eu te amo muito!

  Antes que ela tivesse a chance de se soltar a beijei, e não demorou muito para Thalia corresponder, sentir seus lábios de encontro aos meus novamente era muito melhor do que qualquer remédio, todo o meu corpo se arrepiou quando ela passou as mãos em meu cabelo e pulo em meu colo aprofundando ainda mais o beijo.

  Pelo tempo que durou o beijo me esqueci de tudo, mas infelizmente a realidade ainda era dura e havia muito trabalho a ser feito; me afastei com um enorme arrependimento a colocando no chão novamente e depositando um beijo em sua testa.

 -Ainda há muitos para virem...

 -É por isso que precisam de você lá e não comigo. –Sua voz era doce e me segurei para não beijá-la de novo. –Mas escute bem, se demorar demais para voltar juro por tudo dessa vida que...

 -Anotado! –Sorri roubando um selinho dela. –Agora tenho que ir.

  Comecei a me afastar, mas antes que saltasse, Thalia me encarou com um enorme sorriso. –Também te amo seu ladrãozinho idiota!

  Ela e toda a caverna desapareceram dando lugar ao campo de batalha, desviei de um mirmidão o golpeando pelas costas e o transformando em pó, fiquei invisível e comecei a analisar a cena ao redor.

  Quase não haviam mais campistas e torci que fosse graças a Nico e Hazel, porém tinha tantos corpos que nunca imaginei ver algo do tipo, senti meu estômago revirar e evitei olhar nas faces das pessoas, já era ruim do jeito como as coisas estavam indo.

  Prendi a respiração ao ver o avanço de Tártaro. O navio de guerra de Leo estava completamente cercado por monstros que balançavam a embarcação de um lado para o outro tentando derrubá-la, enquanto o guerreiro estava a apenas alguns passos de distância com a enorme espada pronta para golpeá-los!

  Comecei a correr sem saber o que exatamente iria fazer quando chegasse, mas parei bruscamente ao ver o navio simplesmente desaparecer diante dos olhos de todos no momento exato em que Tártaro estava prestes a romper a rampa de embarque.

  Sorri aliviado ao ver a frustração dele e de seus lacaios, mas então notei algo... o seu principal lacaio não estava com eles!

  Voltei a correr decapitando os monstros que encontrava, acabei passando por uma garota que rastejava toda ensanguentada para longe de um grupo de empousais que riam da cara dela vendo-a morrer lentamente.

  Meu sangue começou a ferver, puxei o canivete da cintura e arremessei na direção da primeira que desapareceu com um berro, assustando as demais. A minha vontade era de acabar com todas de uma vez, mas não sabia quanto tempo a garota ainda teria.

  Aproveitei a distração e me ajoelhei ao lado da menina voltando ao normal, ela soltou um gritinho de dor quando toquei em seu braço, mas tentei acalmá-la.

 -Está tudo bem, sou eu. Luke. Vou tirá-la daqui.

  Ela me encarou com os olhos cheios de medo e por um momento travei ao ver de quem se tratava.

 -Peguem ele!

  Aquilo foi o suficiente para que eu voltasse ao foco e nos tele transportasse no momento exato em que uma delas estava se aproximando com as garras prontas.

  Apareci na caverna e vi que não havia ninguém esperando, provavelmente estavam ocupados ajudando os que chegaram com o navio, peguei a garota no colo e ela respondeu com um gemido de dor.

 -Calma, está tudo bem agora.

 -Luke! Já voltou? –Um dos irmãos de Annabeth apareceu.

 -Tive um imprevisto. –Olhei para Luccas e depois para a menina quase que inconsciente em meus braços.

  Luccas arregalou os olhos ao ver quem era. –Minha nossa, é a Drew?

  Concordei com a cabeça. –Preciso que a leve para a ala médica urgente.

  Ele a pegou com cuidado ainda perplexo por ver a garota mais arrogante de todo o acampamento resumida a trapos e muito sangue.

  Assim que Luccas sustentou todo o peso, dei um passo para trás e saltei aparecendo em uma parte diferente do acampamento, mais especificamente a alguns centímetros de Tártaro e seu exército.

  Dessa vez não tive tempo de ficar invisível ou me esconder antes que um ciclope me agarrasse por trás.

 -EU O PEGUEI! –Ele gritou tão alto que achei que meus tímpanos iriam explodir. –CHEFE PEGUEI A ISCA!

  Tentei me soltar ou golpeá-lo, mas finalmente, depois de uma noite e provavelmente uma manhã inteira lutando, o meu corpo começou a berrar por descanso e simplesmente perdeu a força ou vontade de escapar.

Um silêncio se alastrou por toda a horda, ainda havia um pequeno e distante som de batalha, porém mantinha os olhos fixos no guerreiro que se virara e agora caminhava lentamente em minha direção.

  De repente todo aquele esforço pareceu em vão, não havia mais o que fazer, eu tinha apenas adiado o inevitável...

  Aquele seria definitivamente o meu fim!

  Cada canto do meu corpo doía, e sentia meus músculos retesarem a cada aperto do ciclope, que acabou me derrubando quando Tártaro se aproximou o suficiente para suga-lo caso desejasse. Porém ao invés disso ele diminuiu ainda mais ficando do tamanho de um homem normal.

Ele precisava de metade do seu tamanho anterior para acabar comigo... e isso não é nem um pouco reconfortante...

  Cai com um baque surdo no chão e comecei a tossir descontroladamente cuspindo sangue junto, então tive certeza de que quebrara alguma coisa, apesar de saber que isso era irrelevante agora...

  Como sempre tentou ser o herói de novo não é mesmo Castellan?

  Sentia cada fibra minha prestes a ser sugada com um único comando dele. Me obriguei a encará-lo, apesar de ser apenas um redemoinho de desesperança e medo, ele parecia estar sorrindo para mim naquele momento.

  Mas eu lhe disse uma vez meu caro amigo, os heróis sempre caem!

  Os monstros foram à loucura com aquela declaração, e gritaram ainda mais quando Tártaro resolveu provar o que disse pegando sua espada (que também encolhera) e a raspando de leve em minha perna.

  Gritei de dor sentindo uma enorme queimação. O guerreiro se afastou um pouco fazendo sinal para que se calassem e imediatamente todos os monstros ficaram quietos.

  Estava absolutamente cansado de tudo, então simplesmente o encarei tentando ao máximo ignorar a dor e tontura, pois não daria esse gostinho a ele.

 -Você não vai me matar! –Tinha tanta certeza disso quanto achava que iria morrer alguns minutos atrás.

  Juntei as últimas energias que tinha para ficar de pé, o que não foi uma ideia tão genial, já que se tornou quase impossível esconder a tontura. Porém Tártaro se divertia cada mais, pois deixou que eu fosse até o fim.

 -“Alguns ainda são relevantes”. –Falei me lembrando do que muitos de seus lacaios falavam. –Por enquanto sou mais útil para você vivo do que morto, mas não preciso estar necessariamente inteiro...

  Minha boca ficou seca ao proferir minha própria sentença, mas sabia que era verdade e melhor eu aceitar aquilo logo de uma vez do que tentar adiar ainda mais o inevitável. 

  Sempre soube que você era o mais inteligente dentre todos dessa espécie miserável. Tártaro começou a andar em círculos a minha volta, mesmo em tamanho menor sua voz continuava a me causar calafrios. E tem razão. Você é valioso demais para entrega-lo tão facilmente assim a morte. Mas não se esqueça Castellan...

  Ele parou de frente para mim novamente, seu elmo cada vez menos aterrorizante...

  Fiquei tão surpreso com a minha própria constatação que quase não escutei o que ele falou em seguida.

  Ninguém é insubstituível!

  Minha perna latejava descontroladamente, mas mantive a expressão neutra ao máximo.

 -Até capturar os outros eu não sou!

  Minha voz saiu mais trêmula do que eu desejava, porém causou exatamente o efeito que eu esperava.

 Acertou de novo!

  Tártaro desferiu um golpe certeiro na minha outra perna me fazendo desabar no chão com um grito de dor. A queimação voltou dez vezes pior dos dois lados, então ele encostou sua espada em meu queixo queimando o local e me obrigando a olhá-lo, apesar de começar a vê-lo embaçado, assim como tudo ao meu redor...

  Mas acredite que não iria querer estar tão certo das coisas se soubesse tudo que tenho planejado para você meu... amigo!

 

 



Notas finais do capítulo

Aguardo a manifestação de vocês ansiosamente meus semideuses preferidos = ) ; D


★♡★



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