Percy e Luke-Guerra entre Deuses e Semideuses escrita por LanaX


Capítulo 20
Capitulo 19 - A Cura!


Notas iniciais do capítulo

olaaa = D = D

Ansiosos pelo capítulo? = P = }

Então sem mais delongas boa leitura a todos, desculpem os erros ortográficos e até as Notas Finais ; D ❤❤❤


★♡★



 (P.O.V Tainara)

 –Sou o espião!

  Depois disso, as coisas aconteceram rápido demais, primeiro, a exclamação de surpresas de todos ali presentes, depois Thalia e Annabeth tiraram a nossa atenção de Luke com a queda repentina de ambas; a loira ainda teve sorte, pois o centauro a segurou jogando-a em seu lombo logo em seguida, mas não poderia dizer o mesmo da ex-caçadora que caiu com um baque surdo no chão.

  Luke não fez um único movimento, mantendo-se parado enquanto via sua namorada estirada podendo até mesmo ter quebrado alguma parte do corpo, cerrei os punhos, ainda sem conseguir me mexer...

  A que ponto chegamos?

  As coisas ficarão muito piores HAHAHA

  Nico a pegou com delicadeza do chão, analisando com os olhos para ter certeza de que não ocorrera nada de grave; Jason apareceu ao seu lado logo em seguida, com uma expressão preocupada e dolorida; Hazel e Frank também apareceram, já Connor, Leo, Calipso e Will foram para o lado de Quiron para ver Annabeth.

  Júlio permaneceu imóvel com os braços cruzados tentando esconder a incredulidade por Luke não só ter deixado que quase o matassem como também pela sua confissão; podia ver com o canto dos olhos que o menino chamado Douglas parecia petrificado em seu lugar, enquanto Sherman mantinha a pose inalterada.

  Queria invocar plantas e o cobrir da cabeça aos pés até que o garoto sufocasse, mas tentava me manter sob controle e voltei a encarar Luke que parecia respirar com dificuldade, havia um grande corte feito por um dos cacos que o acertara indo do ombro até quase metade de suas costas; sem contar os milhares hematomas por todo o seu corpo... segurei o soluço.

  Por que Luke... Porquê?

  Eu estou voltaandooo...

—Levem-na de volta ao hospital, peçam que lhe deem um pouco de ambrosia e não deixem que levantem da cama até amanhã. –Quiron entregou Annabeth a Will que concordou se juntando a Nico. –E tratem de descansarem também, amanhã faremos uma reunião com todos os lideres bem cedo, pedirei que tragam um videoescudo para que acompanhem.

 -Não sei porque ainda vamos desperdiçar tempo com reuniões! –Sherman se pronunciou assim que eles saíram. –Ele acabou de admitir que é culpado!

  Fulminei o garoto com o olhar começando a fazer com que as plantas surgissem a seus pés, mas a manifestação de Connor me fez parar.

 -Cara, você realmente acha que Júlio estava brincando quando te ameaçou né? –Ele ainda tinha um pouco do olhar travesso, mas estava escondido no meio da surpresa e incredulidade. –E até onde eu sei, nem líder você é, então, não se intrometa!

  Não pude deixar de sorrir, mas não durou muito quando Luke resolveu falar novamente.

 -Ele... tem razão. –Sua cabeça pendeu para baixo como se o mínimo esforço de falar o tivesse exaurido. –Eu sou o trai...

 -Cale-se! –Júlio falou irritado olhando diretamente para Luke. –Você perdeu o direito de falar quando começou a soltar um monte de merda pela boca! Agora apenas faça o que eles mandarem e não ouse dizer mais absolutamente nada.

  Os joelhos de Luke fraquejaram e pude ver que não tinha mais forças; dei um passo à frente para segurá-lo, porém Sherman entrou em meu campo de visão tão rápido quanto achei que seu pesado corpo conseguiria.

 -Acho melhor não mocinha...

  Aquilo foi a gota d’água, antes que qualquer um tivesse tempo de se aproximar, Sherman estava gritando com o corpo completamente enrolado, podia sentir sua pulsação através das raízes, mas não queria parar, queria fazê-lo sofrer como fizera com Luke.

 -Tainara... –Escutei a voz de Júlio, mas ela parecia distante. –Você é muito melhor que isso...   

  Isso mesmo, mostre a todos o monstro que fora condenado à punição eterna.

  Senti o aperto afrouxar, mas ainda me sentia dividida pelo ódio e bom senso. Mãos tocaram meus ombros.

 -Eu estou aqui... –Olhei de relance para trás e pude ver aqueles olhos claros me encarando como se não houvesse mais nada nem ninguém a nossa volta. –Vai ficar tudo bem...

  Soltei Sherman que caiu no chão e puxou uma considerável quantidade de ar. Todos estavam em silencio e olhando diretamente para mim. Júlio sustentava Luke que estava praticamente desacordado enquanto balbuciava consigo mesmo sobre ter cometido e mesmo erro de novo.

—Sua louca! –Sherman finalmente reagiu, mas continuou de joelhos.

 -Cuidado como fala... –Frank o censurou e pude ver que estava com os braços cruzados.

  O semideus o olhou incrédulo. –Ela tentou me matar!

 -E não vai ser a única se você continuar! –Jason estava sério e o encarava firmemente. –Já temos problemas demais aqui para querer nos dar mais dor de cabeça!

 -Falou e disse cara. –Leo entrou na conversa. -Como Connor mesmo ressaltou, você está longe de ser o líder e ajudar a tomar decisões.

 -Já chega! –Quiron finalmente se pronunciou; não conhecia muito bem o centauro, mas sabia que aquela expressão de cansado estava muito pior do que o normal. –Amanhã decidiremos o que fazer, verei quem vai participar da reunião, estamos entendidos?

  Todos murmuraram um sim e ele pareceu relaxar um pouco, então olhou para Jason e Leo.

 -Levem Luke para o porão da casa Grande e depois quero que voltem para onde estavam antes de tudo isso.

  Os dois se direcionaram até Júlio, mas o garoto pareceu hesitar. –Será que eu poderia ao menos acompanhá-los?

 -Não se preocupe que os dois darão conta, quanto ao restante de vocês, voltem para a enfermaria ou para seus chalés que amanhã o dia será muito longo...

Quiron suspirou pesadamente antes de se virar e ir embora, todos fizeram o que ele mandou, mas o único que parecia realmente aliviado era Douglas.

  Calipso, Hazel e Frank começaram a caminhar até o hospital, com seus murmúrios sumindo conforme se afastavam, capitei algumas palavras como “Não acredito que ele fez isso”, ou “Como ele pode trai-las de novo”.

  Olhei para Júlio que também me encarava e ambos levamos a mão a orelha da forma mais discreta possível, marcando um encontro para mais tarde; então ele também se afastou indo em direção aos chalés, suas mãos e roupas estavam ensanguentadas por ter segurado Luke. Sherman e Douglas saíram um pouco depois, ambos indo para seus quartos também.

 -Tainara...

  Olhei para o lado surpresa por Connor ainda estar lá, tentei sorrir, mas simplesmente não consegui, sentindo que finalmente as lágrimas começavam a escapar. Ele me envolveu em um abraço forte e acolhedor, suspirei sentindo o enorme peso de tudo.

 -Eu estou aqui...

  Enterrei a cabeça em seu ombro e desabei, não sendo capaz de me segurar por nenhum segundo a mais; a última vez que chorara tanto foi antes de descobrir quem eu era de verdade, quando vi toda a minha família e vida sendo tiradas de mim consumidas pelas chamas...

  Aquelas imagens voltaram à tona se misturando com as de Luke apanhando até quase a morte enquanto jogavam coisas nele como se fosse um animal... mas a pior parte foi relembrar suas palavras... palavras que mudariam todo o curso das coisas de um jeito ou de outro.

  Connor permaneceu em silêncio enquanto as lágrimas caiam livremente, sempre que achava que haviam acabado mais surgiam para substitui-las. Quando finalmente me recompus o suficiente para controlar o choro o abracei ainda mais forte, então sussurrei em seu ouvido.

 -Obrigada...

  Connor segurou meu rosto fazendo com que nossos olhares se encontrassem, havia algo diferente neles, um brilho a mais que não soube identificar, porém que me traziam uma paz indescritível; acariciou minha bochecha e, quando falou, sua voz saiu suave, porém, firme.

 -Eu te amo...

  Três palavras!

  Três palavras que, assim como anteriormente, mudariam completamente o rumo das coisas...

  Três palavras que me causaram um terrível medo e uma enorme alegria ao mesmo tempo...

  Três palavras que traziam inúmeras possibilidade...

  Três palavras que me deixariam acordada muito tempo depois que Júlio se encontrasse comigo...

  Três palavras!

  Miseras Três palavras que destruíram uma enorme barreira em meu coração que apenas Luke e Júlio podiam ultrapassar!

***

   (P.O.V Percy)

—A guerra está só começando!

  Dor...

  Meu corpo em chamas...

  Gritos...

  Escuridão...

  “HAHAHA você é meu”!

  Um rosto... muito familiar...

  Estacas e correntes em meu corpo...

 “Não tem como escapar”!

  Vozes...

 -Finalmente, depois de todos esses anos... terei minha vingança.

  Lembranças...

  Dor...

 “HUHUHUUUM... eu estou voltando…”

 -Queria... mata-lo... mas... tem planos... você!

  Um rosto... aquele rosto!

 -Olho por olho Perceu Jackson, olho por olho...

  Vazio... tudo se apagando aos poucos... não sobrando nada além de um extremo e completo.... Vazio!

 

 

 

 

  Uma palavra...

 -TRAIDOR!

 

 

  Sons de passos…

  Escuridão...

 

 

 

 

  Vozes cochichando...

 -Como… pode… isso… elas…

 -Não… conhecia… atitude… estranha...

Minha consciência indo embora...

 

 

 

 

  Um ruído.

  Um misero ruído me fez voltar!

Tentei abrir os olhos para ver de onde aquele barulho vinha, mas só aquele esforço já me exauria, nunca sentira uma dor tão intensa quanto aquela; era como se alguém estivesse jogando um balde de ácido gota por gota em todo o meu corpo enquanto um trator ia e voltava de forma lenta e constante. 

  Agora, segurar o céu, cair no tártaro, beber fogo liquido, enfrentar uma horda de gigantes, monstros, titãs e deuses; absolutamente qualquer tipo de dor que já sentira antes não chegavam nem aos pés da que tomava conta de mim.

  Queria fazer alguma coisa, qualquer coisa que me tirasse daquela situação, mas até pensar era um meio de tortura. Senti algo penetrando em minha pele fazendo com que minha cabeça latejasse; porém logo em seguida, um pequeno alivio relaxou meus músculos.

  Quando finalmente abri os olhos, desejei não tê-lo feito. Havia uma espécie de monstro me encarando com um corpo verde, nariz enorme e redondo cheio de furos fazendo com que sua respiração fosse entrecortada e lenta; os olhos eram de um negro intenso como se todo o céu noturno tivesse se compactado e virado dois globos oculares.

  Procurei minha caneta no bolso, mas só então percebi que meu corpo também ficara verde e enrugado, o pânico me dominou por completo enquanto pensava em um modo de me livrar daquela situação, mas tudo o que fazia era dolorido.

  Vamos seu cabeça de algas. Mexa-se! 

O monstro ainda me encarava, agora seus olhos estavam arregalados e a respiração ficou ainda mais lenta, não conseguia ver a horrenda boca, mas pelo seu semblante parecia até que… sorria?

 -Percy! -A voz era forte, mas delicada ao mesmo tempo e não se parecia nem um pouco com a de um monstro. -Você está vivo!

  Franzi a sobrancelhas. -Hãaa e você… Huumm -Minha voz estava rouca e seca como se não a utilizasse a dias. -Não… vai me matar?

  Foi sua vez de ficar confusa. -O que? Matá-lo?

  O monstro fêmea (pelo menos acho que era) arregalou os olhos de novo e começou a rir, mas devido a seu nariz a risada saiu tão assustadora que se fosse em outras circunstâncias diria que o Darth Vader poderia ter umas aulinhas com ela.

 -Ora Percy, sou eu. Edvine!

  Foi então que a ficha caiu!

  Aquilo não era a pele e sim uma roupa de médico um pouco mais equipada, estilo as usadas em filmes quando há alguma infecção contagi...

  Arregalei os olhos tentando me levantar para ver melhor, foi então que meu coração disparou ao notar a outra presença na sala.

  Ela estava lá… com uma sonda sob seu nariz e uma agulha injetada em suas veias; o cabelo loiro parecia estar sem um pouco do brilho, assim como a pele, mas sua expressão era serena e tranquila.

 -Não se preocupe, ela está apenas dormindo. -A voz de Edvine era calma, mas parecia distante. -Tivemos que lhe dar um pouco de sedativo na noite passada para que conseguisse descansar, há dias que não dormia...

  Não conseguia desviar os olhos de Annabeth tentando imaginar e assimilar as coisas, mas sem quase informação alguma. Então algo que Edvine dissera me chamou a atenção, custei a desviar o olhar.

 -Por quantos dias estive inconsciente?

 -Hoje fariam cinco dias.

 -Cinco?

  Arregalei os olhos e quase sentei com a informação, mas imediatamente me arrependi de ter me movimentando. A dor bateu em cheio e precisei de alguns minutos para que minha cabeça parasse de rodar, foi então que percebi que tinha um nariz igual ao da caçadora, o toquei de leve gemendo com a queimação que subiu pelos meus braços. Edvine aguardava em silêncio.

 -O que foi que aconteceu por aqui?

 -Olha só quem finalmente acordou!

  Aquela voz me era familiar, então olhei para o lado me deparando com um Nico ainda mais pálido que o normal com olheiras fundas, mas um sorriso raro de se ver nos lábios.

 -Não era para estar de repouso senhor Di Ângelo?

  Ele olhou para Edvine e deu de ombros. -Não sou muito de obedecer.

  Nico não usava a mesma roupa que a gente, e a julgar pela conversa de ambos algo muito errado tinha acontecido, tive que usar toda a minha força para me sentar o que fez com que começasse a ver pontos vermelhos a minha volta.

 -Uou, uou, uou! -Nico se aproximou com os olhos em alerta. -Você ficou quatro dias em coma, vai com calma.

 -Vai com calma vocês! Porque só eu e ela estamos com essa roupa esquisita aqui? -Apontei para mim. -E porque você tinha que ficar de repouso? E por que Annabeth está deitada com um monte de aparelhos como se sua vida…

  Parei. Não era capaz de imaginar um Mundo sem a minha sabidinha, se havia acordado do coma só para isso então que nem tivesse me dado ao trabalho.

  Respirei algumas vezes tentando me recompor, minha cabeça parecia que ia explodir e aquela máscara só piorava as coisas.

  -Ou me contam agora ou irei até Qui… -Os olhei com receio. -Quiron está bem?

  Edvine enfim falou. -Tirando o estresse, ele está muito melhor do que os outros.

  Senti um nó na garganta, para mim já havia escutado o suficiente, precisava de respostas e iria conseguir de um jeito ou de outro.

  Ignorei os avisos do meu corpo e do aparelho ligado a ele e comecei a me levantar determinado a sair de lá.

 -Pelos céus o que pensa que está fazendo?

  Olhei para Will que havia acabado de entrar, sua expressão tão doentia quanto a de Nico e notei que era a primeira vez que o via sem o uniforme em meses, mas não foi sua advertência que me fez parar, e sim os resmungos na cama ao lado.

 -Annabeth!

  Mudei de direção de imediato querendo chegar até sua cama, mesmo vendo que ela ainda dormia, mas duas mãos me seguraram e tive que olhar para Nico.

 -Percy. Sei que está confuso e irritado e vou explicar tudo o mais detalhado possível, mas preciso que fique em silêncio e economize forças para mais tarde Ok?

  Custei a responder, mas meu corpo clamava para que voltasse a uma posição confortável, e o olhar determinado de Nico me fez recuar e voltar a sentar na cama. O garoto puxou uma cadeira.

  -Enquanto conversam vou trazer café para os três. -Edvine falou já saindo da sala. -Principalmente para Percy que se alimentou com a sonda durante quatro dias.

  Agradecemos e voltei a encarar Nico que depois de respirar fundo começou a falar.

 -Tudo começou quando aquela marca de folha de carvalho apareceu em você….

 

 

 

 

Deixei a água escorrer enquanto assimilava tudo o que Nico e Will contaram. Em quatro dias nosso mundo tinha virado de ponta cabeça... em menos de 12 horas tudo que acreditávamos se desfez com algumas palavras…

  Respirei fundo, o café havia restaurado um pouco minhas energias e aquele banho também ajudava, mas todas aquelas informações ao mesmo tempo acabavam com o pouco do bem-estar que conseguira.

  Olhei para a marca em minha barriga, ela não era tão grande quanto pensei, mas seu formato era nítido.

  “O perdoado e o marcado”

  Achava que o perdoado seria Luke devido a tudo o que aconteceu, mas sua revelação… não só destruía toda a confiança que depositamos nele como também acabava com qualquer esperança que tivéssemos. Luke sabia de todos os planos, cada detalhe e estratégia, ele ajudara a orquestrar e agora estávamos de volta à estaca zero!

  “Finalmente, depois de todos esses anos... terei minha vingança”.

  Será que as vozes que escutei no coma eram dele?

  Nico dissera que ele as vezes vinha me visitar sem a presença das meninas, mas sempre achavam que era a pedido delas…

  “Olho por olho Perceu Jackson, olho por olho...”

  O que aquilo significava?

  Tentei recobrar mais da minha memória, mas as cenas eram confusas e não se encaixavam; tudo que me lembrava era da dor que sentia enquanto monstros me atacavam, vozes… aquela voz… a mesma que sempre me assombrara em todos os lugares para onde vou…. E um rosto…

  Forcei mais para saber de quem era e tudo o que consegui foram detalhes… o cabelo loiro… expressão de raiva misturada com um pouco de medo… as mãos em punhos enquanto desferia ameaças em minha direção… alguma coisa dourada… e… uma cicatriz…

  A água ainda escorria, mas já não dava a mesma sensação, o esforço me causava tontura e uma queimação bem acima daquela marca lembrava que estava em outra profecia como um dos escolhidos para destruir ou não as coisas…

—Percy? -Era Nico do outro lado da porta. -Hãa sei que está tomando banho, mas é que Annabeth acordou e achei que gostaria de saber…

  Antes que o garoto terminasse já havia desligado o chuveiro e me vestido às pressas enquanto usava meu poder para fazer com que a água evaporasse do meu corpo. Abri a porta com tudo e sai a passos largos voltando para o quarto onde ficara em coma.

 -Ja disse que estou melhor, agora precisamos nos apressar que a reu…

  Ela parou. Eu parei.

  Nossos olhares se encontraram, era como se não a visse a semanas, seu semblante que segundos atrás demonstrava raiva, agora não era nada além de um poço de emoções.

  Então nós dois corremos, joguei a máscara no chão sem me importar de ser infectado, tudo que queria era ela...

 -Anne… 

Nossos braços estavam prestes a se tocar, mas então ela parou como se saísse de um transe; fiz o mesmo e a encarei confuso.

 -Perceu Jackson! Você quase me matou no seu primeiro coma e agora quer ficar de cama de novo?

  A voz estava um pouco fraca, mas com o tom autoritário de sempre. Continuei a encará-la. Céus como sentia falta daquela voz!

 -Você não tem ideia do que quero fazer com você neste momento. -Um brilho rápido passou por seus olhos. -Mas não podemos arriscar então ponha a máscara de volta.

  Um sorriso brotou dos meus lábios enquanto a analisava. -Pelo menos dessa vez não fui arremessado ao chão.

  Toda a sua pose de dura se desvaneceu e um lindo sorriso apareceu, mas mesmo assim não se moveu.

 -Aqui está. -Edvine me entregou a máscara e agradeci enquanto colocava ela de novo.

 -E então?

 Perguntei olhando para Annabeth, mas antes que eu tivesse notado, ela já me agarrara em um abraço apertado, porém muito breve.

 -Estava com saudades cabeça de algas.

  Ela piscou e então se afastou indo para a sua cama novamente.

 -Quiron soube que você despertou e resolveu adiar a reunião até que estivesse pronto. -Will falou.

 -Podemos começar. -Falei me sentindo um pouco revigorado. -O quanto antes terminarmos aqui mais rápido posso ajudar a achar uma cura desse negócio.

  Os quatro me encararam, mas nada disseram e por suas expressões sabia que já haviam tentado de tudo, tentei argumentar.

 -Vocês falaram que agora temos a causa do veneno então já progredimos bastante, tenho certeza que até amanhã teremos o antídoto.

  Annabeth concordou tentando parecer positiva, então Will bateu as mãos para chamar nossa atenção.

 -Então é isso. Os outros estão nos esperando na sala principal do hospital, há um videoescudo lá para acompanharmos a reunião. Vamos?

  Todos acenamos com a cabeça e o seguimos para fora.

 

 

 

 

Fiquei aliviado por não ter que participar de outra votação sobre o destino de Luke, havia acabado de acordar e a última coisa que queria era lidar com isso. Douglas, o campista que encontrara aquilo nas coisas do loiro, assim como Sherman foram autorizados a participar, mas só falavam quando eram solicitados, principalmente o filho de Ares, o que não me deixou surpreso depois da intimada que Júlio dera nele na noite anterior (de acordo com Nico). Tainara e Júlio também foram chamados, mas se recusaram a participar e ficaram em seus chalés durante todo o tempo.

  Me sentia culpado por eles, não fazia nem três meses que foram colocados na mesma situação, com os campistas duvidando de sua lealdade e muitos querendo que fossem presos também, mesmo depois de só terem sido úteis era difícil imaginar de que lado ficariam quando se tratava de Luke, mas a julgar por suas reações noite passada estavam tão surpresos quanto nós...

  Outro ponto levantado foi o fato de Quiron demorar tanto para aparecer durante a briga, todos os campistas estavam lá (exceto eu e Grover) e escutaram a gritaria; Will comentou que encontrou o centauro no escritório dormindo na cadeira e demorou para conseguir acordá-lo; o diretor confessou que não pegava no sono daquele jeito a décadas e não entendeu como seu café lhe deu tanto cansaço.

  Houve discussões quanto a isso, muitos acreditavam que Luke planejava algo para aquela noite e dera um jeito de dopar Quiron com a ajuda de seus aliados, Júlio e Tainara; uma briga quase se alastrou, mas logo foi silenciada pelo diretor e por Annabeth que mesmo se comunicando apenas por gestos mostrou sua posição.

 Porém, com exceção desses poucos manifestos ela e Thalia se mantiveram caladas, ambas imersas em seus próprios pensamentos… não fiquei muito diferente, todas aquelas informações ainda estavam confusas em minha mente e, apesar de tudo, não podia acreditar que Luke faria algo assim, principalmente depois de descobrir (por meio de Edvine) que a ex-caçadora e o loiro começaram a namorar…

  Aquilo não fazia sentido e daria um jeito de descobrir a verdade, não importa o que tivesse que fazer para isso!

 

 

 

 

—Graças a Deus você está bem!

  Fui pego por um abraço apertado de minha mãe assim que sai do limite da área de quarentena que Quiron havia ordenado que os filhos de Hécate fizessem como outra precaução depois da noite passada.

 -Mãe!

  A abracei fortemente extremamente feliz por ver que estavam bem, ela me beijava e desferia um monte de frases sobre como ficara preocupada e que não os deixaram mais me visitar depois da infecção.

 -Hey, não tome o tempo dele só para você. -Paul falou em tom de brincadeira.

  Ela enfim se desvencilhou com um sorriso genuíno nos lábios, a analisei por alguns segundos vendo que não mudara nada, exceto pelos fios de cabelo branco que apareciam um pouquinho mais.

 -Tudo bem, lhe dou um segundo com ele.

  Nós três rimos e Paul me puxou para outro abraço apertado, retribui na mesma intensidade enquanto ele dava tapinhas nas minhas costas.

 -É bom vê-lo de novo, eu e sua mãe ficamos preocupados.

  Nos soltamos e vi que ela lhe direcionava um olhar acusatória, porém falou com tom de brincadeira.

 -Eu fiquei preocupada, já o professor aqui parecia que ia ter um ataque nervoso a cada dia em que ficava de coma.

  Não pude deixar de rir o que levou os dois a fazerem o mesmo, com tudo aquilo acontecendo quase me esqueci que trouxera os dois para um mundo completamente complicado e os deixei a pura sorte para se adaptarem… não que tivesse muita escolha quanto a isso…

 -Annabeth me expulsou da enfermaria e preciso resolver algumas coisas… -Olhei no relógio vendo que estava quase na hora do almoço e meu estômago reclamou por mais coisas sólidas. -Mas o que acham de antes almoçarmos juntos?

  Os sorrisos que se abriram fizeram com que eu me esquecesse de tudo que estava acontecendo, e fiquei feliz de poder passar ao menos um tempo com eles.

  Depois de tanto tempo sendo alimentado por sondas, o filé de frango com arroz de forno nunca esteve tão suculento; tomei três copos de coca para acompanhar enquanto descobria como meus pais estavam levando a vida lá; não fiquei surpreso ao ver como se adaptaram rápido. É claro que Annabeth dera uma ajudazinha… graças a isso Paul agora dava aula para algumas turmas na nossa escola e a tarde se revezava entre aprender um pouco de esgrima e ajudar nas tarefas diárias do acampamento. Enquanto minha mãe resolveu explorar ainda mais seus dons culinários ajudando as ninfas a preparar refeições e em seu tempo livre ficava com as crianças mais novas do acampamento lhes contando histórias que não tinham nada a ver com mitologia grega e muito mais adequadas para aqueles semideuses.

  Infelizmente o tempo passou muito mais rápido do que gostaria e quando dei por mim a concha já havia soado e tive que voltar ao mundo real. Os dois não ficaram tão decepcionados, já que conseguimos ter uma refeição agradável juntos e precisavam voltar às suas próprias obrigações.

 

 

 

 

 “Tem certeza disso”?

  “Por que eu mentiria sobre algo assim”?

  A frustração nos gestos de Annabeth eram nítidas.

 “Por que Quiron não me esperou como falou que faria”?

  “Sherman o estava enchendo desde que a reunião acabou e ele viu que você havia ido almoçar com seus pais então resolveu ir sozinho”.

  “E com o videoescudo para vocês duas verem tudo né”.

  Tentei não soar tão magoado, mas não podia acreditar que Quiron interrogara Luke sem mim.

 “Sei que você não quer perder mais nenhum acontecimento, mas ele deve ter tido seus motivos”.

  “O que foi estranho mesmo foram as atitudes de Luke”.

  Thalia finalmente entrou na conversa deixando claro sua raiva e suspeita a cada gesto.

  Concordei com ela.

  “Posso ter apagado por quatro dias, mas não acho que Luke mudaria tanto a ponto de rir na nossa cara depois de admitir milhares de vezes ser o culpado…”

  “Tem alguma coisa muito estranha acontecendo e precisamos descobrir o que é o quanto antes”.

  “Vocês duas precisam descansar”!

  Ambas levantaram as sobrancelhas em resposta, mas não recuei.

  “Leo falou que o relógio estaria pronto ainda essa tarde e enquanto isso vou me encontrar com os filhos de Hécate e Apolo para ver se já tiveram sucesso com a cura”.

  “Mas e…”

  Não deixei que Annabeth terminasse. “Resolvemos isso depois, Quiron já deixou claro qual é a nossa prioridade; vocês estão infectadas a mais de dois dias e Lucas falou que o prazo para a doença entrar em estado terminal era de no máximo quatro ou cinco”.

  “Só porque ele é médico precisamos acreditar”?

  Olhei para Thalia sabendo que ela não falara sério, porém sabia o quão frustrada estava.

  “Escutem, precisamos ir com calma, vamos resolver um problema de cada vez, tenho certeza que encontraremos mais respostas dessa forma”.

  Ambas concordaram relutantes, era possível ver o cansaço e dor que tomava cada vez mais conta do corpo delas, não conseguia suportar o fato de estarem lá, não apenas elas como todos os meus amigos, e eu não poder nem mesmo me aproximar, limitando nossas conversas a vídeoescudos…

  “Darei notícias assim que conseguir, agora vão deitar”.

  Olhei para Annabeth que apesar de tudo sorria abertamente, nossos olhares fixos um no outro, custei a dizer adeus.

  “Eu te amo minha sabidinha…”

  “Eu também te amo cabeça de algas… até logo”.

  A imagem desapareceu e me recostei na cadeira do meu escritório com um suspiro cansado. Mal acordara e meu corpo clamava por um descanso, podia sentir a dor querendo voltar assim como aquelas vagas lembranças…

—Queria... mata-lo... mas... tem planos... você!

  Aquela voz… o rosto…

  “HUHUHUUUM... eu estou voltando…”

  Passei a mão no cabelo frustrado. Não ia permitir que quem quer que estivesse por trás disso ganhasse, não depois de tudo o que enfrentamos…

  “O que carrega a marca dos titãs a todos irá trair…”

  As profecias nunca mentem, mas podem ser interpretadas de maneira errada, aprendi isso dá pior forma possível… e não cometeria os mesmos erros novamente!

***

 (P.O. Júlio)

—E o que faremos agora?

  Apertei um botão para que meu besouro voltasse da sala de reuniões.

 -Eles pretendem mandar o máximo de semideuses que não estão infectados para as missões, isso não vai acabar bem.

  Tainara concordou. –Além de dispersar ainda mais os campistas, pode ser um plano dos espiões para nos deixar vulneráveis. -Ela fez uma pausa. –Acha que consegue falar com Reyna?

  Balancei a cabeça. –Nós conversamos ontem à noite depois que falei com você, mas concordamos que se entrarmos em contato agora, só irá levantar suspeitas para ela também...

 -Realmente, eles deixaram claro que não confiam em nós...

 -Nem todos...

 -Connor, Travis e Katie não contam!

  A olhei confuso. –E por que não? O fato de termos três aliados conosco ali dentro, mesmo que um seja seu namorado, já nos ajuda a não sermos condenados; sem contar que Thalia, Percy e Annabeth também pareciam não concordar com os outros líderes.

  Tainara ficou pensativa. –E então?

—Só nos resta seguir com o plano e os convencer de nos deixarem conversar com ele.

 -Vamos torcer para se apressarem logo antes que os doentes piorem... 

 

 

 

 

Me remexi na cama, todos os meus colegas de chalé foram dormir, alguns olhavam de canto para mim, mas a maioria me ignorou completamente, o que foi muito melhor, pois não estava afim de brigas naquele momento.

  Minha cabeça girava tentando arrumar um jeito de sairmos daquela situação. Luke passara dos limites com aquilo tudo, mas precisávamos dar um jeito de falar com ele, apesar dele ter provocado a briga não seria capaz de deixa-lo morrer pelos ferimentos naquela cela estupida...

  “Eu estou chegandooo...”

  Abri os olhos sem notar que já havia amanhecido, a maioria dos campistas ainda dormia, mas era possível ver movimentos pelo chalé. Me levantei indo direto para o banheiro feliz pelos box de chuveiros serem separados por paredes.

  Assim que sai dei de cara com Lou Ellen me encarando.

 -Posso ajudá-lo?

 -Se você não está do lado daquele traidor então porque não nos ajuda com a cura?

  Levantei a sobrancelha. –Adoro começar o dia com conversas diretas.

  Pude ver com o canto dos olhos que alguns campistas disfarçavam tentando ver o que ia acontecer.

  O garoto deu de ombros. –Desculpe, mas estamos com pressa, convivi com você durante três meses e sei que não é um cara de enrolação, então o fato de estarem fazendo esse joguinho deve ter alguma explicação e duvido que seja o que a maioria  pensa

  Me recostei na parede e cruzei os braços. –Que seria?

  Ele repetiu o gesto anterior. –Se realmente fossem espiões já teriam dado continuidade nas coisas que Luke estava planejando para aquela noite...

 -E como tem certeza que não demos?

 -Sei que não deram.

 -Conheço Luke a muito mais tempo do que convivo com vocês, como pode ter tanta certeza de que não viemos para cá justamente com o propósito de espioná-los e destruí-los por dentro?

  Minha expressão era impassível, de todos os meus colegas de chalé, Lou era o qual eu mais me identificava, porém precisava saber quem tanto acreditava na história mais fácil e realista.

  O garoto não perdeu a confiança e cruzou os braços tentando parecer indiferente. -Você e Tainara pensam por si sós e sua lealdade não é ligada a ninguém de forma tão drástica a ponto de seguir a pessoa cegamente. Então sei que não são os outros espiões que procuramos.

  Não mudei de expressão, apesar de ficar impressionado com sua convicção; o chalé ficara em silêncio e pude ver com o canto dos olhos que muitos pareciam concordar com seu líder.

 -Ok, então qual é a sua teoria?

 -Mesmo que não apoiem Luke, também não concordam totalmente com o nosso sistema e querem barganhar a ajuda de vocês…

  Um leve sorriso formou em meus lábios. -Não é uma lógica tão ruim.

 -E então?

  Levantei a sobrancelha. -Se chegou tão longe com a sua dedução tenho certeza de que sabe o que queremos.

 -Eu sei!

  A resposta veio da porta do chalé, todos olharam assustados para Percy que estava recostado com um sorriso de escárnio no rosto e os braços cruzados como se apreciasse a cena a um tempo. O garoto olhava diretamente para mim e aproveitou o espanto geral para continuar.

 -E posso levá-los lá agora mesmo se quiser.

 

 

 

 

—Certo. –O garoto se virou em nossa direção assim que chegamos a porta do porão. –Vocês têm dez minutos!

 -Por que se deu ao trabalho de convencer Quiron de nos deixar vir aqui? –Tainara se pronunciou pela primeira vez desde que fomos busca-la em seu chalé. –Sei que ficou em coma durante todo esse tempo, mas tenho certeza que seus amigos contaram o que aconteceu.

  Um leve sorriso brotou de seus lábios. –Sim, eles explicaram. –Ele levou instintivamente a mão para o local exato onde sua nova cicatriz deveria estar. –Mas gosto de ter meu próprio ponto de vista das coisas antes tomar uma decisão.

  Percy deu de ombros como se fosse irrelevante, mas algo me dizia que apesar de tudo era ele quem geralmente dava uma das palavras finais, e depois desses quatro meses sabia que era verdade.

 -E devo supor que isso é uma espécie de acordo? –Perguntei.

 -Na verdade é mais uma forma de agradecer por todos os serviços que vocês prestaram a ambos os acampamentos sem obrigação ou vinculo algum. –Um sorriso amigável surgiu em seu semblante. –Temos campistas capacitados e inteligentes a ponto de encontrarem uma cura, na verdade estão todos trabalhando duro para isso e tenho certeza de que estamos quase lá, já que não somos de desistir tão fácil, principalmente da nossa família.

  Um brilho perspicaz passou por seus olhos, ele estava nos analisando, tentando encontrar qualquer coisa que mostrasse de que lado estamos; sua técnica era boa e sabia que não era a primeira vez que ele fazia algo do tipo.

 -Obrigada. –Tainara falou e eu concordei com a cabeça.

 -Não me agradeçam ainda. -Percy abriu a porta ainda sorrindo. –Agora vão antes que Sherman volte da pequena obrigação que Quiron deu a ele.

  O olhei confuso. –Pensei que ele estivesse sob quarentena.

  Algo em sua expressão mudou, mas foi tão rápido que não dava para ter certeza de que realmente estivera lá.

 -Ele não parece estar doente, mas pedirei a um dos médicos que o examine.

  Concordei com a cabeça e entrei; a porta se fechou logo atrás de mim e senti um calafrio por todo o meu corpo, aquele lugar não mudara desde a última vez em que estivemos lá como prisioneiros. Tainara me esperava um pouco mais a frente e ambos caminhamos juntos até a pequena jaula no final do porão.

 -Minha nossa!

  Tainara sussurrou prendendo a respiração, segurei sua mão para tentar reconforta-la, mas a cena a minha frente era realmente difícil de acreditar.

  Havia pus em todos os cortes, o fedor de ferrugem tomou conta do lugar, suas roupas rasgadas e o cabelo todo sujo deixavam claro que ele fora mandado para lá sem cuidado algum.

 -Pensei que não deixariam vocês virem.

  Sua voz estava irreconhecível e quando se virou para nós quase não podia acreditar que aquele era o mesmo Luke. Havia um corte profundo em seu peito que não reparara na noite da luta; um dos olhos praticamente não abria, enquanto acima do outro, um corte quase o deixara cego; tinha hematomas roxo esverdeados em ambas as bochechas e o lábio estava tão inchado que era impossível ele estar conseguindo falar.

 -Júlio... faça...

  Com um movimento dos dedos a jaula se abriu com um chiado baixo; o rosto de Luke se contorceu em confusão.

 -O que vocês...

 -Está com ele?

  Peguei meu chaveiro do bolso e entreguei a Tainara que já sabia o mecanismo certo para fazer com que Celpet ficasse maior; ela entrou naquele pequeno quadrado mandando que Luke ficasse quieto duas vezes enquanto retirava um kit de primeiros socorros da mochila.

  O único som que se ouvia eram os resmungos de dor de Luke conforme a indígena fazia seu trabalho; havia sentado em uma das caixas mais próximas incapaz de desviar da cena; o ódio apenas crescendo por quem fizera isso com ele e pelo garoto ter dado a chance de o fazerem.

  “As coisas só vão piorar...”

—Ótima hora para ele acordar não acham?

  Nenhum de nós o respondeu, ela provavelmente havia falado de Percy. Sabia que nosso tempo era mínimo, mas tudo que conseguia fazer era mexer no cabelo; esfregar o rosto algumas vezes; e olhar para todos os lados e direções possíveis tentando afastar a sensação de estarmos sendo observados. As vezes simplesmente desistia de me mexer e apenas observava os movimentos de Luke e Tainara.

  Ela fez o melhor que pode com o tempo e os equipamentos, mas ao menos era possível reconhece-lo; demos uma muda de roupa limpa também.

 -Obrigada gente... de verdade. –Luke fez uma pausa se recostando nas grades com um gemido. –Eu... não sei o que deu em mim... todos devem me odiar... e a vocês também por me ajudarem...

 -Já estamos acostumados com esse sentimento. –Dei de ombros e uma espécie de sorriso surgiu em seu rosto quase todo enfaixado.

 -Nunca tivemos uma boa reputação não é mesmo?

 -Por isso foi tão fácil acreditarem que você é o espião. –Tainara concordou se sentando ao seu lado.

 -Como elas...

 -Não sabemos. –Respondi. –Ficamos em nossos chalés desde que você foi trago para cá.

  Ele enterrou a mão no rosto envergonhado. –Eu realmente não entendo porque fiz aquilo...

 -Você foi controlado! -Olhamos para Tainara que continuou. –Estava com as minhas dúvidas, mas enquanto limpava seus ferimentos e fazia uma análise pude ver que apresentou os sintomas de um feitiço que Júlio nos mostrou uma vez sobre controle mental.

  Fiquei pensativo por alguns segundos ligando os fatos. –Mas se for mesmo esse encanto então precisariam ter feito você ingerir algo que simbolizasse a deusa primordial...

 -Para terem todo esse trabalho comigo então quem garante que não é o mesmo que estão fazendo com os deuses e semideuses?

  Ficamos em silêncio, o pensamento voando para tudo que aquilo poderia significar e como utilizar essa informação a nosso favor...

 -Isso não importa agora, eles jamais acreditariam na gente, precisamos focar no principal que são os doentes.

 -Devo lembra-lo que você é um deles e provavelmente por estarmos aqui sem proteção também fomos infectados.

 -A doença se espalha no ar, a essa altura todos do acampamento a possuem, mesmo com as precauções de Quiron. –Tainara respondeu.

 -Mais um motivo para ajuda-los a encontrarem um antidoto antes que a situação piore.

 -Sabe que esse é o único motivo de você ainda não estar sendo julgado né?

 -Se alguém morrer... então nada do que fizemos vai ter valido a pena, preciso que confiem em mim e me prometam que irão ajudar.

  Eu e Tainara nos entreolhamos e concordamos, então como se fosse uma deixa, alguém abriu a porta e Percy adentrou no porão.

 -Tentei deixá-los o máximo que consegui, mas precisamos... –Ele parou analisando a cena, se demorando na jaula aberta com Tainara dentro, mas pregando os olhos em Luke, com muitos dos curativos já cobertos de sangue. –É melhor irmos.

 

 

 

 

Não foi tão difícil quanto pensei convencer Quiron a aceitar nossa proposta, é óbvio que ajudaríamos a encontrarem uma cura, mas saber que Luke agora seria liberado da jaula, mesmo que sendo mantido sob vigília a todo instante, era uma vitória a mais; o fato de Lucas aparecer com a notícia de que Will sucumbira a doença mais rápido do que o previsto e fora induzido ao coma para mantê-lo vivo foi um incentivo em tanto, para ambos os lados.

  No dia seguinte já tínhamos um antidoto pronto para os testes; Will acabou sendo como locado como voluntário sem que ninguém se opusesse. Tainara e Edvine quem fizeram as honras de injetar o protótipo nas veias do garoto, ele foi mandado para outra área isolada do hospital para vermos quanto tempo levaria.

  Porém, o tempo era curto e Percy propôs que injetássemos em todos os que ficaram doentes logo no primeiro dia, como Annabeth, Thalia e os outros integrantes das equipes. Foi um pouco mais difícil de convencer o diretor, levando em conta tudo o que poderia acontecer, mas a situação deles era lastimável, com um entrando em coma após o outro e aquela era a única saída.

  Naquela noite, enquanto saia do hospital depois de ficar observando com Tainara a reação de todos os “voluntários”, vi quando Nathalia Strider saiu às pressas com uma caixa nas mãos indo em direção à praia.

  Fiquei invisível e a segui; havia mais seis campistas esperando por ela, sabia o nome de todos, assim como sabia também que aqueles eram os escolhidos para continuarem a missão.

 -Tem certeza de que foram reservadas para a gente? –A caçadora Allyssa perguntou.

 -Mas é claro que sim. –Ela respondeu. –Eles estão com receio de que a infecção possa ter se espalhado para todo o acampamento e Thalia me pediu para garantir que vocês não partam doentes.

 -Pensei que estivesse sob quarentena. –Lincoln, filho de Iris questionou.

  Nathalia revirou os olhos. –Os que já tomaram o antidoto estão melhorando e quando fui visitar Annabeth a ex-líder das caçadoras me pediu que fizesse isso, e estou apenas fazendo um favor e pelos deuses, nós nos conhecemos a anos, mas se quiserem arriscar ou perder mais tempo discutindo fiquem à vontade... 

 -Certo! –Paulo e Paola Montes, os gêmeos brasileiros filhos de Hebe que Grover trouxera pouco depois de chegarmos ao acampamento (PJNP Cap. 15) falaram juntos. 

  Ela sorriu e pegou uma das seringas. –Quem vai ser o primeiro?

  Observei enquanto um por um dos campistas recebia o antidoto com uma leve expressão de dor; continuei observando com uma sensação de que algo estava errado, mas permaneci em silêncio.

 -Obrigada. –Mariana, filha de Éolo falou assim que recebeu a dela.

 -Com tanta coisa acontecendo não podemos nos dar ao luxo de perder mais ninguém... –Nathalia sorriu tristemente.

 -Você está certa. –Buner, um dos sátiros tocou em seu braço. –Por isso faremos o possível para não falhar nessa missão.

 -Contamos com vocês.

 -Agora precisamos ir.

  Allyssa e os outros se despediram, então Mariana fez uma enorme ventania que os levou para fora da vista. Nathalia os observou com um sorriso no rosto, então pegou a caixa do chão e a jogou no mar; franzi a sobrancelha enquanto observava a menina se afastar como se nada tivesse acontecido. 



Notas finais do capítulo

Antes de mais nada, quero falar para vocês duas coisas que esqueci de mencionar nas Notas Finais do capitulo anterior =´D

Primeiro, sei que tinha dito que o capítulo 13 seria a metade da história e por isso foi dividido em dois, mas vocês sabem que me empolgo um pouco né kkkk =´D; sem contar que inclui alguns detalhes a mais... então vão ter pelo menos 30 capítulos ao invés de só 27 = D = D
Segundo, eu pretendia tornar os faunos mais uteis para as missões e enquanto pesquisava sobre eles,descobri que nas Provações de Apolo (pelo menos eu acho que é nessa saga) teve um fauno que se inspirou em Grover para incentivar os outros a se esforçarem mais, então resolvi juntar as duas informações na história = > ; D

Agora que já dei os recados, de volta a programação normal kkkkk ; D

Então o que acharam?
O que querem que aconteça?
O que acham que vai acontecer?

Curiosos = }.

Então não deixem de acompanhar, comentar e favoritar para me incentivar ainda mais a continuar = > ; D. Muito obrigada por todo o apoio que vocês me dão e por nunca desistirem ❤❤❤

★♡★



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