Percy e Luke-Guerra entre Deuses e Semideuses escrita por LanaX


Capítulo 19
Capitulo 18 - Somos traídos por aqueles que menos esperamos...


Notas iniciais do capítulo

Holaaaa = D = D

Demorei, mas aqui estou eu kkkkk = >

Aproveitem, desculpem os erros ortográficos e espero que gostem ❤❤❤



 

 

(P.O.V Luke)

 -Hey! –Me aproximei da cama dela assim que seus olhos se abriram. –Como está se sentindo?

  Thalia me olhou confusa, ela estava com profundas olheiras e uma expressão abatida, sua pele pálida dava a impressão que cada gesto seu poderia quebra-la a qualquer momento.

 -Ontem uma febre a atingiu junto com alguns outros campistas, mas Tainara e Edvine já estão dando um jeito...

 -Luke. –A olhei e vi que ela fazia um enorme esforço para dizer essas simples palavras. –Do... que você... –Ela respirou fundo e segurei sua mão por impulso.

 -Poupe sua energia. –Sorri de forma acolhedora. –Ontem à noite enquanto estávamos na colina, você ficou pálida e desmaiou. –Ela arregalou os olhos, mas não a deixei falar. –Nos tele transportei até a enfermaria e quando cheguei descobri que mais alguns campistas haviam tido a mesma reação.

  Thalia parecia estar assimilando todas aquelas informações e quando finalmente compreendeu ela mexeu os lábios sem emitir som

  “Quem”?  

 -Annabeth... –Ela fechou os olhos por alguns instantes. –Rachel passou para avisar que ela está na mesma sala que Percy, já acordou e agora está brigando com todos por não a deixarem se levantar.

  Um sorriso fraco brotou dos lábios de Thalia. –É bem a cara dela mesmo...

 -Vocês duas são difíceis de ficar paradas.

  Provoquei e ela me fulminou com o olhar, com seu antigo brilho, o que me deixou um pouco mais calmo. Thalia se mexeu e levantei em um salto da cadeira.

 -O que está fazendo?

 -Quero me sentar! –Sua voz estava um pouco mais firme e deixava claro que não iria discutir.

 -Certo.

  Me aproximei tocando em seus braços, então a puxei da forma mais delicada possível, ajeitando seu travesseiro e a cobrindo da cintura para baixo, já que sabia que ela não gostava de se sentir sufocada.

 -Obrigada.

  Beijei sua testa e acariciei sua bochecha a fazendo sorrir. –Estou à sua disposição, sempre.

  Thalia me olhou e a cor parecia estar voltando, então peguei um copo com néctar que estava no criado mudo ao lado da cama e levei até sua boca.

 -Tainara mandou tomar assim que parecesse um pouco mais... ativa

  Ela sorveu o liquido e depois de tomar quase tudo me encarou séria. -Will também foi pego né?

  Concordei lentamente. -Ele estava aproveitando a noite de folga quando Nico avisou que ele havia desmaiado e o levou para seu chalé, logo em seguida o garoto também caiu e o internaram.

 -Anne, Nico e Will… -Ela parecia pensativa como se estivesse montando um quebra-cabeça. -Leo e Calipso também?

  Concordei com a cabeça. -Póllux e Kenedy ficaram doentes durante a noite.

 -Todos os escolhidos para as missões… -Thalia balançou a cabeça. -Mas porque você não…

 -Essa é a parte estranha. -Confessei me aproximando mais. -Melyssa também não possui sinais de doença.

 -Quem quer que tenha feito isso descobriu os nossos planos e pretende incriminar você…

 -Não acho que Melyssa é quem procuramos.

  Thalia me olhou com as sobrancelhas franzidas. -Eu não disse que…

 -Eu te conheço, sei que você desconfia dela desde o dia em que a trouxemos, mas o espião está no acampamento a muito mais tempo e sabemos que os deuses e seus capachos não são tão burros a ponto de lançar um tipo de arma desse porte e ao menos não fingir que a pessoa também fora atingida.

 -Tá. Mas porque só vocês dois não foram pegos? –Ela parecia irritada e me limitei a dar de ombros sem ter uma resposta.

 -Apenas eu e você sabíamos que ela iria ir, então o espião não teria como ter essa informação.

  Ela concordou não muito convencida, então outro pensamento passou por sua cabeça e seus olhos me encararam como se quisesse que suas dúvidas estivessem erradas.

 -Hazel... Frank e... os outros que viriam para se juntar a nós... eles...

 -Conseguiram chegar no acampamento antes da doença pegá-los.

 -E os que iam se encontrar com a equipe de Leo?

 -Reyna entrou em contato com a gente essa manhã e disse que não conseguiu se comunicar com nenhum deles desde que saíram do acampamento Júpiter.

  Thalia respirou fundo e segurei sua mão tentando passar um pouco da esperança que me restava. –Nós vamos sair dessa, nenhum obstáculo conseguiu nos impedir até agora e não é uma gripe que fará isso.

  Ela sorriu e seus olhos brilharam novamente. –Eu tenho certeza disso.

  Me aproximei ainda mais, a minha vontade era de beijá-la naquele momento, mas ela desviou assim que nossos lábios estavam prestes a se tocar, a encarei confuso; então Thalia entrelaçou nossas mãos e depositou um beijo na minha.

 -Não sabemos o nível dessa gripe e quero que esteja bem caso qualquer coisa aconteça...

  Senti o alerta por trás de suas palavras e beijei sua testa como sinal de que havia entendido o recado.

 -Descanse um pouco, vou ver se precisam de mim e volto antes mesmo de dar tempo de sentir minha falta. –Pisquei com um sorriso de escarnio.

 -Então pode sumir pelo resto do dia. –Ela imitou minha expressão.

  Fiquei sério e me aproximei de repente dela a deixando surpresa; alguns segundos passaram enquanto sentia sua respiração vacilar, então encostei os lábios próximos a seu ouvido.

 -Você tem sorte de estar nessa maca... se não estivesse doente...

  Vi seu corpo se arrepiar e sorri satisfeito, então sai de perto indo em direção a saída. 

 

 

 

 

—Como elas estão? –Júlio perguntou assim que me sentei na mesa do chalé 23.

 -Muito melhores do que durante a madrugada, mas enquanto não sabermos a causa disso não tem como fazer um antidoto...

 -Eu e Edvine estamos trabalhando nisso, mas como você mesmo ressaltou, o motivo é desconhecido e não podemos testar remédios nos pacientes sem saber se irá prejudicar ou não.

  Tainara remexia em seu prato frustrada; ela passara a noite em claro assim como todos nós, mas não parou por um segundo sequer, já que com Will doente era a responsável.

 -Por falar nisso, preciso da ajuda de vocês. –Peguei um dos copos mágicos e pensei em Coca-Cola.

 -Se for para se meter em confusão, estou dentro. –Júlio terminou de comer com entusiasmo. –Já faz tempo que não fazemos isso mesmo.

 -Na verdade a única confusão que pretendo arrumar é para esse espião que já nos trouxe muito atraso. –Bebi um pouco de refri.

  Tainara ficou empolgada. –O que tem em mente?

  Dei de ombros. –Só uma pequena investigação para encontrarmos os espiões.

 -Acha que tem mais de um?

  Júlio respondeu por mim. –Para o tanto de problemas que se foi infligido em ambos os acampamentos não ficaria surpreso se tivesse pelo menos uns dez.

  A indígena arregalou os olhos, mas tive que concordar com ele. –Infelizmente qualquer um pode estar do outro lado, e depois dessa doença que infectou justo os que iam participar de uma missão secreta, os suspeitos diminuíram...

 -E você é um deles!

  Aquilo não era uma pergunta e meu silêncio foi o suficiente para ambos; Tainara balançou a cabeça.

 -Mas como depois de tudo ainda podem acusa-lo?

 -Ninguém fez isso diretamente.

 -Ainda! –Júlio concluiu e concordei de novo.

 -Além do mais eu fiz muito mais estrago do que vocês pensam na guerra contra Cronos, sem contar que os enganei logo no primeiro mês em que cheguei...

 -Mas provou sua lealdade milhares de vezes!

 -Três meses nem sempre é o suficiente para esquecer atos de uma vida inteira...

  Nenhum dos dois respondeu, e sabia que naquele momento pensavam em seus próprios atos e todos que nem mesmo tiveram a chance de tentar se desculpar.

 -Então. –Júlio quebrou o silêncio e se ajeitou no banco de forma despreocupada. -Qual é o plano?

  Sorri com o canto dos lábios e tomei o resto da coca em um único gole. –Vamos surpreender esse espião. 

 

 

 

 

—Conseguiram? –Perguntei assim que eles apareceram no chalé 23.

  Tainara sorria com uma tonelada de papeis na mão. –Todos os arquivos dos semideuses estavam no escritório da Annabeth como você dissera.

 -Mas os originais ainda estão lá não é?

  Júlio sorriu com escárnio. –E desde quando deixamos um serviço pela metade cara.

  Concordei pegando os papéis e os espalhando no chão, havia tantos nomes e fotos que nem mesmo sabia por onde começar.

 -Que tal separarmos em ordem alfabética? –Tainara se sentou ao meu lado. –Você fica com os nomes de A a I; eu com os de J a R e Júlio de S a Z.

 -Opa, vou ficar com menos que vocês, já gostei.

  Rimos e ele se sentou ao nosso lado. –Desses nomes separem por chalés e depois por personalidade, tipo aqueles mais propícios a serem comprados facilmente...

 -Devo colocar os filhos de Hermes como principais suspeitos? –Júlio provocou e lhe lancei um olhar irritado o que o fez rir e levantar as mãos para o alto. –Calma cara, mas temos que concordar que as aparências enganam.

 -Tainara, pegue a minha ficha por favor.

  A garota encontrou rapidamente e me deu, mostrei para Júlio a parte das características físicas e psicológicas, o garoto leu.

 -Ok, aqui diz que você é um pouco temperamental, está aprendendo a controlar a raiva, e pode ser muito ardiloso quando quer, porém, tem histórico de lealdade, inteligência e estratégia. –Ele me olhou como se não precisasse ler para saber daquilo. –Aonde quer chegar?

 -Quantos anos essa ficha tem e quais as assinaturas que estão nela?

 -Seis anos e foi assinada pelo diretor de atividades Quiron e pelo líder do acampamento Sr.D.

 -Se eles na época suspeitassem de algum espião e resolvessem analisar os semideuses por suas fichas, eu teria sido um dos suspeitos, mesmo tendo histórico de lealdade.

  Júlio parecia pensativo. –Essa não é uma técnica muito ruim e geralmente para escalar soldados também se analisa a ficha deles, mas não podemos generalizar, e se acabarmos deixando algum deles passar despercebido porque resolvemos que não representava perigo?

 -Não podemos seguir todos os semideuses do acampamento e essa é a nossa única escolha.

 -Mas não teve nenhum semideus que mudou de lado sem ter características parecidas? –Tainara perguntou enquanto analisava as fichas.

 -Bom, teve uma. –Pensei na garota que seduzi para me passar as informações que precisava. –Silena Beauregard, mas em seu caso, tínhamos um interesse em comum, sem contar que infelizmente ela era facilmente manipulável...

 -Então nossas buscas aumentaram para semideuses de personalidade influenciável. –Júlio começou a estudar suas fichas.

  Respirei fundo sabendo que aquele era um plano cheio de falhas, mas não tinha muitas outras ideias no momento e nosso tempo era curto.

  Depois do que pareceram horas já tínhamos nossos principais suspeitos, alguns foram descartados logo de cara, após um pouco de conversa nossa, mas outros concordamos que poderíamos investigar mais.

 -Certo. -Me levantei com a ficha de Sherman Yang, filho de Ares, e Jason Grace, apesar de ainda me sentir receoso de suspeitar dele, mas os argumentos de Júlio eram mais do que válidos e sua mudança de comportamento, segundo Thalia, não eram muito favoráveis. –Vamos voltar a nossas rotinas para não desconfiarem e amanhã começamos a segui-los.

  Tainara recolheu o restante das fichas e separou a de Natália Strider, do chalé 6 e de Sinara Raquel, filha de Nemesis. –Vou passar o resto da tarde no hospital para trocar de turno com Edvine, qualquer coisa me avisem.

  Ela escondeu as duas fichas em baixo de um assoalho solto de seu chalé e depois entregou as outras para Júlio, então nos abraçou e saiu em disparada do quarto.

 -Devo me livrar delas? –Júlio apontou para os papeis e hesitei.

 -Você conseguiria fazer mais delas sem precisarmos das originais novamente?

  O garoto sorriu e depois de falar algumas palavras, seus olhos brilharam na cor roxa e as mãos assumiram um tom verde, então um mini escâner apareceu, depois disso ele incinerou todos os arquivos de uma só vez.

 -Feito. –Júlio pegou o chaveiro que sempre levava para onde quer que fosse e o ampliou até Celpet aparecer, então guardou o aparelho na mochila depois fez a mesma voltar a um chaveiro. –Vou treinar um pouco de magia com meus “meio irmãos” e depois irei tentar ajudar Tainara e Edvine a descobrir um antidoto, nos encontramos no jantar.

  Ele pegou a ficha de Pedro Miller, filho de Nique e de Isabela Freitas, do chalé de Hécate, como o garoto convivia com ela, sabia que podia ser bem influenciada quando deixava. Então nos despedimos com o nosso toque e ele ficou invisível me deixando sozinho no chalé de Perséfone.

 

 

 

 

—Pensei que tinha levado a sério a parte de sumir pelo resto do dia. –Thalia falou assim que entrei e não pude deixar de sorrir.

 -Sentiu minha falta? –Perguntei com escárnio.

  Ela revirou os olhos, mas não discordou, na verdade quem respondeu foi Annabeth que estava sentada ao seu lado na cama do chalé 1.

 -Na verdade não parou de falar de você por horas, foi pior que escutar as filhas de Afrodite suspirando e tagarelando.

  Thalia bateu nela com o travesseiro o que a fez rir descontroladamente, então Hazel também entrou na brincadeira.

 -Nunca pensei que viveria para conhecer esse lado de Thalia Grace a líder mais temida das caçadoras.

 -Ex-líder. –Will falou com um sorriso meio pálido. –Não vamos nos esquecer que ela largou tudo para ficar com seu “amor verdadeiro”, palavras dela claro; tudo bem que por um amor desse eu também largava...

  A última parte ele falou tão baixo que nem mesmo sei se havia entendido direito, mas pela risada alta de Annabeth, Hazel, Calipso e pelo rosto extremamente corado de Thalia poderia dizer que se não isso, fora quase as mesmas palavras, na verdade até mesmo Leo e Frank riram, o único que pareceu não gostar fora Nico que olhou para o loiro com o canto dos olhos.

 -Mas o que o traz aqui em nosso esconderijo de doentes? –Leo perguntou com os braços abertos dando uma pequena tosse no final como que para enfatizar.

  -Na verdade não sei nem mesmo porque você veio. –Thalia me censurou apesar de saber que ela estava feliz em me ver.

  Dei de ombros com um meio sorriso. –Edvine me falou que vocês haviam fugido da enfermaria e então segui os rastros que me trouxe até meu grande amor verdadeiro. —Pisquei e ela ficou extremamente vermelha.

 -Se continuar fazendo isso com a menina ela vai ter que ser internada depois de ter um infarto. –Annabeth brincou e todos riram novamente.

  Thalia lhe agrediu com o travesseiro mais duas vezes e ambas começaram a rir, mas então as risadas se tornaram uma tosse seca; corri ao encontro de ambas, porém a loira fez sinal para não me aproximar.

 -Não sei se é contagioso, mas estamos bem.

 -Certo... –Voltei para a entrada do quarto. –Precisam de alguma coisa?

 -Uma cura, e rápido. –Leo falou. –De preferência que acabe com essa dor enorme.

 -Leo! –Calipso o repreendeu e o garoto levantou os braços para o alto.

 -O que? Vai me dizer que gosta de ficar doente? Porque eu particularmente não gosto...

 -Não se preocupem. –Falei tentando parecer confiante. –Tainara é a melhor médica que já conheci, sem ofensas Will. –O garoto balançou a cabeça sem se importar. –E Júlio é o maior feiticeiro do Mundo, sem exagero, sei que os dois vão conseguir fabricar um antidoto.

 -Sabemos disso. –Frank sorriu. –É que Leo só é meio apressado, mas confiamos em vocês.

  Concordei com a cabeça e depois de me despedir de todos, olhei diretamente para Thalia. –Use toda aquela vontade de hoje de manhã para se manter forte, vamos conseguir, eu prometo.

  Ela acenou com a cabeça e lhe disse as palavras que me segurava a muito tempo para repeti-las milhares de vezes.

  “Eu te amo”.

  Thalia arregalou os olhos e ficou atônita por alguns segundos, sorri para ela e acrescentei

  “Fique bem”.

  Sai do chalé feliz por saber que estavam ao menos todos juntos. Nunca conversei muito com o pretor, principalmente porque ele geralmente está quase sempre mais no outro acampamento, mas ouvir aquelas palavras de sua boca fizeram minhas esperanças aumentarem significativamente, ele confiava em mim também! Mesmo eu não tendo dado muita prova disso...

   Eles confiavam em mim!

  E não iria decepcioná-los!

***

—Segui Pedro e Isabela de novo hoje, mas não vi nada de tão impressionante que os tornasse suspeitos. –Júlio cruzou os braços tentando esconder a frustração.

 -Tainara? –A olhei esperançosa.

 -Natália parecia muito nervosa ontem e hoje, mas além de conversar de vez em quando com Jason nas aulas que eles tinham juntos, não vi nada demais, sem contar que ela conversou com vários outros semideuses...

 -E Sinara?

 -No primeiro dia ela parecia bem nervosa e também a vi conversando com Jason, mas igual a Natália, e hoje ela foi mandada para a área médica por ter ficado doente, então não consegui segui-la sem ser como médica e a garota estava debilitada demais para parecer suspeita...

  Sentei na cadeira apoiando a mão no queixo. –Sherman ficou doente ontem e como Quiron resolveu isolar o hospital para a infecção não espalhar fiquei sem pistas.

 -E Jason? –Júlio perguntou.

 -De todos ele é o que pareceu mais inocente. –Confessei para o desânimo do soldado. –Como o outro foi para a enfermaria, segui o loiro em cada passo seu e tirando pelas pequenas conversas com as meninas e o fato de não parecer estar muito preocupado com a situação, não achei nada que pudesse condená-lo.

 -Então voltamos a estaca zero! –Júlio cerrou os punhos.

 -Precisamos de outro plano.

 -Poderíamos rever as fichas, mas isso levaria um tempo que não temos.

 -Já fazem dois dias e também não tivemos sucesso com a cura. –Tainara se sentou ao lado de Júlio na cama.

 -Não podemos desanimar! –Tentei parecer confiante, mas estava se tornando cada vez mais difícil, principalmente agora que não podia nem mesmo ver os outros. –Já tentaram recolher o sangue dos infectados para ver se achavam algo?

 -Sim, mas seja lá o que tenham usado se misturou na corrente sanguínea.

 -Os curandeiros do acampamento Júpiter estão na mesma. –Júlio cruzou os braços e se recostou na parede.

  Cocei a cabeça e passei a mão no rosto frustrado, ficamos em silêncio, todos emergidos em uma forma de sair daquela incógnita.

  “HAHAHA, isso ainda não acabou...”

  Tentei clarear a mente.

  “Vou matar todos os que você ama”!

 “Eles confiam em mim”!

  Levantei em um salto e olhei para Tainara. –Você acha que consegue me infiltrar no hospital?

 -Todos os médicos devem entrar uniformizados com roupa de proteção para evitar qualquer contágio, mas posso conseguir isso para você sem problemas,

 -Ótimo, assim que eu entrar quero que volte para cá e prepare as coisas de extração de sangue e roupas de proteção para os dois.

  A garota concordou meio receosa com meu plano, olhei para Júlio que me encarava esperançoso.

 -Assim que eu me tele transportar para cá isole o chalé.

  O garoto concordou. –Eu já sei, mas preciso ter certeza de que está mesmo louco. –Júlio levantou sério. –Qual é o plano?

  Sorri para ele de forma conspiratória. –Trazer o fator responsável para onde podemos achar uma cura.

***

(P.O.V Thalia)

“Eu estou chegandooo…”

 “Há um espião no acampamento…”

 “Ele sempre vai te trair”!

 “Vou destruir todos os que você ama…”

  Tentei me levantar, mas imediatamente uma queimação subiu por todo o meu corpo, gemi e abri os olhos lentamente.

 -Como está se sentindo?

  A voz de Hazel estava fraca, mas a garota mantinha um sorriso no rosto enquanto me encarava de sua maca.

 -Sinto como se tivesse sido atropelada por um time inteiro de futebol americano.

 -Então está melhor!

  Tentei sorrir. -Eu disse que eles eram gigantes?

  Hazel riu fracamente antes de um acesso de tosse, quando parou tomou pequenos goles de néctar.

 -Nem acredito que finalmente sai para uma missão e sou confinada a um hospital!

 -Não foi uma das melhores viagens suas né…

  Ela deu de ombros. -Ja tivemos muito piores.

  Me sentei de forma mais ereta. -Na sua opinião, qual foi a pior missão que já enfrentou?

 -Entre qual das guerras? Porque foram tantas que não saberia escolher uma só.

  Ri concordando e então levei a mão ao queixo pensativa. -Ja sei que você foi uma das sete semideusas da penúltima Graaande Profecia. -Levantei o braço fingindo encenar algo grande a fazendo rir. -Naquele tempo em que esteve no Argo II com todos os outros, qual foi a pior missão de vocês?

  -Deixe-me ver… -Seu rosto parecia ter voltado um pouco da cor então a conversa estava ajudando. -Entre polvos de cinquenta metros, robôs assassinos, deuses apaixonados por música, encruzilhadas que levavam a morte, doninhas peidorreiras… -Não pude deixar de rir nessa última parte e ela me acompanhou. -Ah, sem contar os tritões viciados em brownie que não quiseram conhecer o Percy. -Ri de novo lembrando da história que eles haviam contado, então ela me encarou com seus olhos dourados como se tivesse lembrado de algo. -Acho que dentre todas as missões, ter que lavar o pé de um semideus nojento e asqueroso foi a pior.

  Não parei de rir lembrando da história deles. -Realmente não deve ter sido uma experiência muito… agradável…

 -Nem me fale, principalmente porque não era muito próxima da minha dupla… -Hazel arregalou os olhos e me olhou. -Não que ele não fosse bom eu só…

 -Sei disso. -Ri a tranquilizando, mas então um pensamento me veio a cabeça. -Hazel… como ele era antes de Hera pegar a memória dele e toda a confusão acontecer?

 -Sinceramente… Jason foi um dos poucos a me acolher na quinta legião, e sempre fora bom comigo, mas sua postura autoconfiante me dava um pouco de medo no começo…

  Concordei me lembrando de quando o vi naquela montanha pela primeira vez depois de achar que ele morrera quando éramos crianças. -Mas ele alguma vez deu indícios de não estar muito feliz com o modo como as coisas são…?

  Hazel franziu a sobrancelha, mas não demorou muito para entender a minha pergunta e ao analisar a expressão de receio misturada com medo estampada na minha face, se acomodou mais em sua maca.

 -Sei que ele é seu irmão e que vocês foram separados quando ainda eram crianças e apesar de tudo só começaram a se aproximar de verdade durante essa terceira Grande Profecia e o comportamento dele tem sido um pouco estranho nesses últimos três meses… mas não acho que Jason seria capaz de trair seus amigos, tudo bem, ele desertou sua moradia em Roma para ficar no acampamento meio-sangue, porém eu e Frank possuímos cargos nos dois, mas não significa que preferimos mais um do que outro. -Ela fez uma pausa. –Às vezes seu comportamento é só por conta do estresse extra que todos estamos tendo e sabemos que cada um lida do jeito que sabe... mas confio minha vida a ele sem pensar duas vezes. 

  Concordei com a cabeça e falei um Obrigada fraco sentindo o cansaço tomar conta novamente, ela sorriu; então voltou a deitar também parecendo sentir que o esforço a exauria. Não demorou muito para ver sua respiração se tornar mais lenta conforme pegava no sono.

  Encarei o teto do lugar tentando ocupar a mente com qualquer coisa que não fosse nossa situação, mas é claro que as circunstâncias não ajudavam muito, principalmente pelo fato de ficar confinada neste hospital a quase 48 horas.

  As palavras de Hazel me reconfortaram um pouco, mas infelizmente Jason dava cada vez mais motivos para desconfiar dele; o estopim foi quando, enquanto conversava com os outros em meu chalé, descobri que Jason vinha evitando Leo com a desculpa de que tinha que seguir com suas tarefas e ajudar eu e Annabeth a cuidar de Percy e confortar seus pais; mas cerca de três dias antes ele me dissera que estava ocupado ajudando os dois a descobrir um meio de trazer os desaparecidos de volta...

  Fechei os olhos e respirei fundo me arrependendo logo em seguida, mas passos na porta me deixaram alerta.

 -Se veio aqui para me dar mais uma rodada de remédios naturais é bom ficar sabendo que oficialmente falando ainda sou a líder das caçadoras, então a não ser que queira continuar com seus dedos nem ouse se aproximar.

  Os passos sessaram. –Me lembre de nunca tentar lhe dar remédios! 

  Aquela voz...

Me sentei novamente tentando focar a vista, e não acreditando no que via. –Luke!

  Ele fez sinal de silêncio e imediatamente olhei para Hazel que se acomodou em sua maca, mas não pareceu ter despertado, então fui surpreendida por um beijo seu, o afastei com um empurrão ao mesmo tempo em que tentava limpar sua boca.

 -O que está fazendo? –Gritei meio que cochichando.

  Ele sorriu retirando completamente a máscara. –Já faz tanto tempo que estava me esquecendo de como é seu beijo.

  O encarei ainda séria, aquilo não fazia nenhum sentido. –Luke. O que está fazendo aqui? Só de respirar o mesmo ar que a gente pode se infectar, a intensão é diminuir o número de doentes e não aumentar!

 -Eu sei e é por isso que estou aqui!

  Comecei a entender seu plano e neguei com a cabeça. –Não!

 -Thalia me escute...

 -Eu falei não! –O encarei irritada. –Como pode achar que eu concordaria com uma coisa dessas? É muito arriscado e as chances de dar certo são quase 0. Só um cabeça oca para pensar em uma ideia tão sem noção!

  Luke ainda sorria, mas estava brava e não deixaria que ele fizesse isso. –Sabe que o que mais gosto em você é conseguir juntar seu jeito rabugento com seu lado protetor, é simplesmente incrível...

  Franzi as sobrancelhas. –Luke. Falo sério, não vamos arriscar nenhuma outra vida, sairemos dessa de outra forma.

  Ele comprimiu os lábios. –É o que estamos fazendo desde que descobrimos da doença, você sabe disso, mas nada está funcionando e nem adianta dizer o contrário porque Tainara fala comigo e vejo seu desânimo... –Luke passou a mão no cabelo parecendo realmente preocupado. –Estamos ficando sem tempo Thalia e se não tomarmos uma atitude o quanto antes a doença pode chegar ao seu estado terminal e só de pensar eu...

  Ele parou, sua respiração estava pesada, seus punhos cerrados, então me encarou e todo o seu corpo pareceu relaxar, um sorriso fraco brotou de seus lábios enquanto voltava a se aproximar, mas novamente fiz sinal para que parasse, porém, antes de começar a falar um acesso de tosse tomou conta de mim.

  Luke quebrou a distância com um único passo, ele segurou meus braços quando tentei impedi-lo, então passou a mão delicadamente pela minha bochecha sem cor e imediatamente a tosse parou.

 -Lembra-se que te falei para pegar aquela vontade e usar como força? –Balancei a cabeça fixando naqueles olhos azuis que brilhavam a luz fraca. –Aguente firme mais um pouquinho... eu prometi que sairíamos dessa, e vamos... mas para isso preciso que confie em mim!

  Ele estava tão perto que nossas respirações pareciam se misturar, infelizmente sabia que não poderia impedi-lo, só o fato de estar lá já o condenava e por pior que fosse a situação, precisava dele, nem que só por alguns segundos.

Uma lágrima involuntária escorreu dos meus olhos, mas não me importei, segurei seu rosto em minhas mãos sentindo a cicatriz que atravessava sua face, aquilo o fez querer recuar um pouco, mas não deixei e o puxei encostando seus lábios aos meus.

  Luke subiu na cama e me deitou delicadamente no meio do beijo, não paramos nem mesmo quando ele puxou a coberta de cima de mim, deixando minha camisola a mostra, ou quando seus braços envolveram minha cintura e agarrei seu pescoço passando a mão por todo seu cabelo; assim que a falta de ar se tornou extremamente alarmante, seus lábios foram de encontro a meu pescoço, passando para meus ombros de forma delicada fazendo com que todo o meu corpo se arrepiasse. Ele continuou a me beijar até chegar as pontas dos meus dedos e não pude evitar o riso.

  Foi o barulho de movimentos na maca da outra ponta que nos fizeram lembrar que tinha mais pessoas no quarto. Esperamos para ter certeza de que Hazel ainda dormia, então Luke se ajeitou do meu lado e passou o braço por cima dos meus ombros me puxando para mais perto e depositando um beijo em meus cabelos.

  Entrelacei nossas mãos e comecei a brincar com seu colar de contas, só haviam três pingentes nele, a dos primeiros anos dele aqui antes da Guerra de Cronos; ele me dissera uma vez que a levou consigo em sua morte e a guardou até mesmo nos campos da punição. Me voltei para encará-lo e vi que ele fazia o mesmo; fixei em sua cicatriz, já a tocara antes, quando nos beijamos é impossível não acontecer, já que muitas vezes passo a mão por seu rosto, mas nunca fora proposital e quando o fiz a pouco tempo Luke pareceu ter medo de que eu recuasse caso sentisse sua pele deformada.

  Continuei a encará-lo enquanto me aproximava lentamente de sua cicatriz, senti sua respiração ficar um pouco acelerada, estávamos tão perto que podia escutar cada pulsação sua.

  Passei o dedo delicadamente por toda a extensão dela, desde a parte superior dos cílios até o início do pescoço, senti seu corpo se arrepiar com o toque, mas não recuei; de todas as suas mudanças desde que éramos fugitivos lutando por nossas vidas, sua cicatriz foi a que mais me encantou, mesmo quando sua lealdade já não era mais com sua família, ou quando tivemos que lutar até a “morte”.... Para mim era um sinal eterno de que todo ato deixa uma marca, não importa o quão grande ou pequena seja, e essa marca sempre trará consigo as escolhas que fizemos...

 -Thalia...

  Tirei minha atenção da cicatriz e o encarei, seus olhos pareciam receosos, podia sentir o medo de que eu me tocasse do que estava fazendo e sentisse nojo dele, mas sorri da forma mais sincera possível, então levei meus lábios refazendo todo o trajeto do antigo ferimento, me aproximando do ouvido logo em seguida.

 -Saiba que te amo Luke Castellan e amo absolutamente tudo em você...  

  Antes mesmo que eu pudesse perceber estávamos nos beijando novamente, Luke possuía um ardor tão grande que todos os meus pensamentos foram direcionados apenas a ele, cada traço e gosto seu estava gravado em minha memória e a sensação de tê-lo junto a mim me dava uma energia renovadora.

 -Eu te amo. Eu te amo. Eu te amo!

  Luke me olhava com os olhos brilhando e suas palavras me fizeram rir de felicidade; então ele beijou cada lado da minha bochecha, passando para a ponta do nariz e então falou com a maior sinceridade que já escutara.

 -Sou loucamente apaixonado por você Thalia Grace!

  Selei nossos lábios novamente desejando não precisarmos nos afastar nunca mais.

 “Ele sempre vai te trair”!

Parei sentindo uma tontura repentina, Luke me olhou preocupado.

 -Você está bem?

  Queria dizer que sim, mas minha cabeça começou a girar e tive que recostar na cama lembrando da febre.

 -Luke!

  Ambos olhamos para a porta e fiquei surpresa com quem estava lá; Hazel também acordou neste exato momento.

 -Jason? –A garota ficou meio confusa e só piorou quando viu quem estava na minha cama. –Luke? O que vocês estão fazendo aqui? Podem acabar...

 -Júlio me deu um imunizador temporário e precisava falar com Thalia. –Luke se levantou da cama. –Mas já estava de saída, não queria tê-la acordado, sinto muito.

 -Não me acordou. –Ela sorriu como se já tivesse nos escutando a um tempo e corei violentamente. –Mas e você?

  Jason estava com o uniforme dos médicos completo, inclusive com a máscara protetora que cobria metade de sua cara.

 -Quiron me permitiu uma visitinha rápida a minha irmã. –Ele piscou para mim e não pude deixar de sorrir.

 -É melhor eu ir. –Luke me olhou uma última vez dizendo aquelas palavras novamente em voz baixa, então olhou para Hazel. –Até logo, espero que fiquem melhores logo, e mandem lembranças para os outros por mim.

 -Pode deixar. –Hazel piscou e de novo senti que ela sabia mais do que demonstrava.

 –Hey cara, você quer uma? –Jason ofereceu a outra latinha de coca que estava em sua mão. –Eu trouxe para Thalia, mas a enfermeira de plantão me disse que os pacientes não podem tomar nada que não esteja em seus relatórios. –Ele revirou os olhos depois olhou para mim. –Foi mal mana.

  Sorri de boca fechada ao ouvir o modo como ele me chamara... não lembrava quando fora a última vez que fizera isso.

  Luke pareceu hesitar, mas acabou pegando a lata e Jason fez sinal de brinde com a própria coca. –Saúde.

  Ele abriu a latinha e brindou com Jason, ambos sorriram e tomaram juntos; me senti um pouco melhor de ver meu irmão falando normal com Luke, mas por algum motivo essa sensação foi substituída por receio. 

 “Eu estou chegandooo...”!

—Até o jantar cara!

  Luke acenou e imediatamente se tele transportou. Hazel levantou com um pouco de dificuldade.

 -Ver vocês dois me fez lembrar que tenho um namorado e que ele deve estar sendo atazanado por Leo, então volto logo.

  Eu ri acenando para Hazel que saiu a passos lentos, porém tentando manter a pose ereta.

 -Então... –Jason virou o resto da coca e a jogou no lixo. –Como você está se sentindo?

  Dei de ombros me sentando totalmente na cama. –Estou mais cansada do que gostaria e as vezes sinto dores em diversos lugares do corpo que demoram mais para desaparecer do que...

 -E do que você e Luke conversavam?

  O olhei com a frase morrendo no meio da garganta, mas Jason parecia indiferente a primeira resposta e até se sentou ao meu lado na esperança de me incentivar a contar. Fingi tossir algumas vezes para ganhar tempo, mas acabei tossindo de verdade. Olhei para o copo de néctar ao lado dele e esperei que se tocasse e me oferecesse, porém o garoto possuía uma expressão impassível e notei que até havia se afastado um pouco. Respirei fundo antes de encará-lo.

 -Nada demais. –Me estiquei por cima dele para pegar o copo e vi quando prendeu a respiração; voltei a me ajeitar sorvendo o liquido demoradamente. -Na verdade ele havia chegado pouco antes de você.

 -Mas não falaram de nada em especial?

  O olhei de forma travessa. –Você não me fala sobre suas conversas com Piper...

  Jason expressou um sorriso não muito natural, mas disfarçou perfeitamente. –Você tem razão.

 -Eu sempre tenho razão. –Fiz pose de convencida e dessa vez sua risada foi verdadeira.

 -Então quer dizer que você e ele...

  Dei de ombros mantendo o mistério. –Quem sabe...

  Jason me analisou por alguns segundos, mas antes que tivesse a chance de dizer qualquer coisa uma gritaria vinda de fora chamou a nossa atenção; nos olhamos com as sobrancelhas franzidas e corremos para a janela, na verdade Jason correu enquanto eu levantava com dificuldade e mancava até lá.

 -O que está acontecendo? –Havia um pequeno aglomerado de pessoas em uma roda, todos gritavam e jogavam coisas no centro do círculo.

 -Não sei, mas seja o que for não vamos descobrir aqui!

  Concordei e novamente ele correu porta a fora; continuei olhando pela janela para tentar ver qualquer coisa que me preparasse para o que enfrentaríamos; um dos semideuses jogou um pedaço de caco de vidro e gritou em alto e bom som.

 -TRAIDOR!

  Imediatamente criei forças para correr, passei em disparada pelos quartos onde mais doentes e enfermeiros saiam por conta do barulho, ninguém se importou em respeitar as regras naquele momento.

 -Você sabe porque estão lá fora? –Annabeth apareceu ao meu lado também correndo.

 -Não... mas tenho minhas suspeitas.

  Assim que saímos pude ver que o caos estava muito maior do que parecia; a roda de semideuses estava desorganizada e se estendia por quase todo o campo aberto, mais campistas apareciam, alguns com coisas para jogar e outros tão confusos quanto nós.

  Trocamos olhares e ambas seguiram em direções diferentes, comecei a abrir passagem empurrando com a maior delicadeza possível, dei de encontro com Tainara que parecia desesperadamente querer chegar ao centro; a garota gritava com Ellis Wakefield mandando que ele saísse da sua frente; pude ver que mais filhos de Ares impediam a passagem de outros como Connor, Travis, Katie, Frank, Hazel e Júlio...

  Arregalei os olhos rezando para qualquer deus que ainda estivesse do nosso lado de que não fosse o que eu estava pensando.

 -Saia da frente ou eu mesma te mandarei direto para o Tártaro. -Falei de forma ameaçadora com os olhos eletrizando de raiva.  

 Ellis engoliu em seco e nem pensou duas vezes antes de mover sua estrutura exageradamente grande para o lado...

  Só percebi que estava perdendo a consciência quando senti os braços de Tainara me mantendo firme no lugar, apesar dela também parecer querer desabar mantinha a postura gritando para que parassem e afastando outros agressores com raízes e folhas que os impediam de se aproximar; enquanto Júlio arrancava Sherman Yang de cima de um garoto de cabelos loiros sujos de terra e sangue.

  Me soltei dela e corri para ajudar, mas dessa vez Annabeth me segurou.

 -Temos que ajudar!

 -Se você entrar lá e acabar caindo como acha que Júlio irá proteger os dois?

  Apesar de tudo Annabeth tentava se manter calma, porém via o desespero em seu olhar por não poder nem mesmo ordenar nada.

 -Se encostarem mais um dedo nele vou me esquecer do meu treinamento e fazer a justiça que mais gosto, a minha!

  Júlio gritou para todos ali ouvirem, mas de uma forma tão autoritária que parecia algo natural, o que de certa forma era verdade; o silêncio pairou no ar. Todos se afastaram dando espaço para que Tainara e Connor corressem até um Luke quase que inconsciente com o rosto virado para a terra; queria poder ir até ele, mas Annabeth ainda segurava minha mão tentando me manter em pé.

  Sherman estava parado com os punhos cerrados, ele não parecia tão doente quanto aquela manhã agora.

 -QUEM VOCÊ PENSA QUE É PARA DEFENDER ESSE TRAIDOR?

 -E em que direto você acha que se encontra de decidir a sentença de alguém de acordo com seu próprio julgamento?

 -EU FIZ O QUE JÁ DEVIAMOS TER FEITO A MUITO TEMPO!

 -Sabe, ouvi falar uma vez que o mínimo da educação humana é ao menos saber dialogar de forma respeitosa com alguém. –Júlio se aproximou. –E aqueles que não são considerados capazes são mandados para lugares onde não precisem interagir socialmente, eu já vi locais assim e posso te garantir que não são legais e que, isso, claro, é um chute de uns cinquenta anos atrás. –Ele deu de ombros rindo de si mesmo, mas até sua risada continha um pouco de ameaça. -Dos quatro que conseguem sair de lá, não tem um que volte igual a antes. 

Uma pausa um pouco longa demais aconteceu antes que continuasse e parecia que até o ar havia paralisado.

 –Vou te explicar uma única vez, mas não se preocupe que falarei calmamente para que até você com sua compreensão limitada entenda. –Sua expressão estava calma, porém sua postura de sargento e o olhar fixo deixava claro que as consequências seriam graves para quem o contrariasse. –Vamos fazer um acordo, certo?

  Sherman hesitou sem saber se deveria responder ou não, mas o olhar cortante de Júlio o fez optar pelo melhor para ele, para a minha infelicidade.

 -Certo...

 -Você tem duas escolhas. –Ele mostrou dois dedos. –E sim, só duas porque já enjoei do número três. –Mais uma pausa. –Primeira, como te acho um cara legal vou leva-lo ainda hoje para um desses centros que conheço lá no Afeganistão que para a sua sorte está sempre librando vagas, e te deixo lá por um tempinho enquanto pensa no que fez, isso, é claro, caso resolva continuar gritando e ignorando a educação maravilhosa que devem ter te dado. –Júlio baixou um dos dedos. –Ou a segunda opção é se afastar como todos os seus outros amiguinhos sensatos fizeram, se desculpar pelo enorme transtorno causado, e permanecer em silêncio no seu lugar até que o diretor chegue e pergunte a sua versão do ataque. –Ele cruzou os braços. –Exatamente nessa ordem, e dou um segundo para escolher.

 -A segunda! –Sherman falou rapidamente parecendo querer controlar sua raiva e medo.

  Um sorriso sombrio brotou dos lábios de Júlio. –Estou esperando.

  O filho de Ares hesitou olhando para os lados na esperança de conseguir ajuda, mas ninguém parecia mais interessado em brigar. Sherman saiu do centro tentando manter a postura, mas dava para notar que tremia, então virou-se para Júlio que permanecia imóvel.

 -O que houve senhor Yang? Quer que te lembre a ordem a seguir?

  O garoto pareceu surpreso por Júlio saber seu sobrenome, então respirou fundo e falou o mais alto que seu nervosismo permitiu. –Peço desculpas pelo transtorno que causei!

  Júlio acenou com a cabeça. –Agora me faça o favor de não me dar mais a honra de escutar a sua voz até que eu peça, sim?

  Sherman novamente endureceu, mas respondeu. –Sim...

  Ele então olhou em volta encarando o restante dos campistas. –Quanto a vocês, como estou perdendo a paciência irei pular as opções e escolher eu mesmo a primeira para qualquer um que não esteja realmente envolvido na história e continuar aqui pelos próximos... –Júlio olhou em seu relógio que eu nem sabia que tinha. –Cinco segundos.

  A multidão se dispersou, os doentes e médicos voltaram para o hospital e os campistas retornaram a passos largos para seus chalés ou para o refeitório, até mesmo as ninfas e sátiros obedeceram.

  Estava atordoada demais para assimilar tudo o que ocorrera, aquela discussão pareceu levar horas e me vi sentando no chão com a respiração pesada desejando poder ir até Luke, mas conseguindo apenas observar enquanto Tainara o levantava com dificuldade e Connor lhe dava cubos de ambrosia, quase perdi o chão ao ver seu rosto todo ensanguentado e o olhos tingidos de um vermelho fraco.

  Sherman permaneceu lá, assim como Annabeth, Hazel, Frank, Jason, Nico, Leo, Calipso e Douglas Edson, um dos campistas de 13 anos que Percy dava aula de esgrima e meio-irmão de Luke; achei estranho o garoto permanecer lá, mas ele segurava algo contra o peito e parecia muito nervoso.

 -O que aconteceu aqui?

  Quiron finalmente apareceu trotando, seu cabelo estava bagunçado e a cara inchada como se ele tivesse dormindo como nunca dormira antes. Will apareceu logo atrás com uma expressão cansada e assustada, era possível ver a doença o corroendo de dentro para fora.

  Tentei ficar de pé, mas Frank precisou me ajudar, agradeci baixinho e observei enquanto Annabeth ia de encontro ao centauro e passava um relatório rápido e resumido a ele; quando terminou, Quiron olhou para Júlio parecendo impressionado com sua atitude.

 -Certo, quem ainda está aqui é porque tem coisas para me contar, então porque não começamos pelo causador de tudo... Sherman?

  O garoto olhou de relance para Júlio que acenou levemente com a cabeça. –Quiron eu...

 -Não vamos voltar ao assunto da educação né? –Júlio perguntou indiferente e Sherman se corrigiu. 

 -Senhor Quiron, eu estava na janela do meu quarto do hospital quando vi Douglas correndo desesperadamente falando coisas sem sentido, então o chamei...

 -Mesmo sabendo que seria perigoso ele ser contaminado? –O centauro censurou.

 -Confesso que não pensei muito na hora, mas quando ele chegou me contou que havia descoberto quem era o espião.

  Quiron se virou para o menino. –Douglas?

  Ele hesitou ainda assustado, então deu um passo a frente e mostrou um pequeno frasco com um liquido branco pela metade que tinha em suas mãos.

 -O que é isso? –Annabeth perguntou, mas foi Tainara quem respondeu com os olhos arregalados.

 -White Snakeroot!

  Todos a olharam intrigados, exceto por Annabeth, Júlio e eu, pois nas viagens que fazia com as caçadoras já havia me deparado diversas vezes com aquela planta; comprimi os lábios.

 -É uma das flores mais venenosas do Mundo. –Falei sentindo o peso daquelas palavras.

 -Antigamente muitas pessoas morriam acidentalmente por ela ao ingerir carne ou beber leite de gado infectado. –Annabeth completou.

 -E é claro que quando misturado ao alimento, em pequenas gotas sua reação pode demorar mais, porém traz o mesmo resultado. –Júlio falou firmemente.

 -Que é a morte. –Terminei o que ninguém queria.

  O silêncio se prolongou por um tempo até que Nico finalmente falou. –Onde você encontrou isso?

  Douglas hesitou de novo, mas quando falou parecia um pouco irritado. –Dentro das coisas de Luke!

  Encarei Luke fixamente tentando encontrar em meio a todo aquele sangue, algo que mostrasse que era mentira, não tinha como ser verdade, ele jamais faria isso.

 -Quem garante que não implantaram nas coisas dele?

  Falei ainda o encarando, mas Luke negou com a cabeça ficando ereto sozinho de repente.

 -Ele está falando a verdade!

  Aquilo paralisou todos e senti minha cabeça girar, Quiron pareceu hesitar.

 -Luke?

 -Fui em quem envenenei a comida dos campistas que iam na missão. –Ele apontava para si mesmo com a voz sem emoção alguma. –Eu sou o espião!

  Dessa vez não havia ninguém para me segurar, e senti toda a força que tentei carregar desaparecendo como se nunca tivesse existido, perdi a consciência com aquelas últimas palavras gravadas em minha mente.

 “Ele sempre irá te trair”!

 



Notas finais do capítulo

Será que Luke nos enganou esse tempo todo? = o = o
O que vai acontecer com todos os doentes? = =
Como eles vão sair dessa agora? =
Luke conseguirá mesmo manter a promessa a Thalia?
Curiosos? = } = }

Então não deixem de acompanhar, favoritar e comentar porque não fazem ideia o quanto AMO cada manifestação de vocês, mesmo que só o acompanhamento já me deixa muito feliz de verdade = > ❤❤❤

Obrigada por não me abandonarem mesmo com o meu sumiço e por continuarem me incentivando ❤.

★♡★



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