Percy e Luke-Guerra entre Deuses e Semideuses escrita por LanaX


Capítulo 14
Capitulo treze. -Luke e Thalia -Laços de Família...Part.II


Notas iniciais do capítulo

Aproveitem a parte II com muito amor e carinho para vocês meus queridos semideuses ❤; D❤



 

(P.O.V Luke)

  Enquanto conversávamos, por meio de códigos, com os outros, o que Annabeth dissera não saiu da minha mente....

  Elas nunca deixaram de se importar...

  Mesmo depois de tudo o que fiz...

  Elas nunca deixaram de se importar... comigo!

 -Pronto garoto não tão másculo? –Júlio apareceu do meu lado com um sorriso sarcástico.

  Lhe dei um soco no braço. –O que acha de você calar a boca, fazer a sua parte e parar de encher o saco? –O encarei com um sorriso falso o fazendo rir.

 -Pode ter certeza que minha parte está ótima, mas qual seria a graça disso tudo se não pudesse tirar onda com a sua cara?

  Estava prestes a responde-lo quando Thalia apareceu na nossa frente com os bracinhos cruzados e o canto da boca sujo de chocolate.

 -Parem de brigar se não bato nos dois em.

  Júlio arregalou os olhos levantando as mãos para o ar em rendição. –Foi mala Thalia...

 -É Thalia Grace para você mocinho!

 -Desculpe, Thalia Grace...

  Ela concordou com a cabeça e foi para perto de Annabeth e Calipso que riam da cena.

  Júlio me encarou abismado. -Cara! Para uma garotinha de cinco anos ela é bem esquentadinha.

  Sorri enquanto observava as duas tomando a “poção” feita pelos dois feiticeiros. –Você não viu nada!

 -E nem quero. –Ele fez o sinal de proteção. –Deixo só para você mesmo.

 -É que você já tem a sua própria esquentadinha para se preocupar né?

  Sorri malicioso o deixando levemente vermelho, mas antes que tivesse a chance de me acertar igual fiz com ele, corri para onde os outros estavam chamando Thalia e Annabeth.

 -Prontas para acabar com aqueles comedores de vegetais ridículos? –Perguntei olhando para Thalia que concordou séria. –Então vamos.

  Ela agarrou minha mão e depois que Annabeth desapareceu, graças a Júlio, caminhei até o corredor, encarando a última porta com um suspiro pesado.

  Senti um leve apertar na minha mão e vi que ela me encarava. –Não se preocupe, vamos salvar sua mamãe daqueles comedores de vegetais nojentos, eu prometo por todos os brownies que me deu!

  Me ajoelhei de frente para ela e a abracei forte, coisa que a muito não fazia com a Thalia mais velha; senti seus bracinhos envolverem meu pescoço, me fazendo lembrar de sua atual situação e sussurrei em seu ouvido.

 -Você não faz ideia do quanto eu te amo Thalia Grace... nunca esqueça disso.

  Ela balançou a cabeça e suspirei cansado... ela provavelmente não lembraria de nada quando voltasse...

  O corredor nunca pareceu tão comprido como naquele momento, mas não diminuímos o passo momento algum, mesmo suas perninhas sendo muito menores que as minhas.

  Assim que nos aproximamos da última porta, fiz com que ficássemos transparentes e, juntos, atravessamos a madeira desgastada indo parar direto do outro lado sem que a porta nem mesmo rangesse.

 -Hora, hora, hora... o que temos aqui? –Hebe estava no centro da sala com os braços cruzados, seu olhar passou de mim para Thalia. –Vejo que meu feitiço encontrou um alvo... e a julgar por estar sozinho, tenho certeza de que os outros estejam na mesma situação. –Ela fez uma pausa ainda olhando para Thalia. –Junte-se a mim, minha querida menina...

  Senti o aperto se afrouxar e custei a deixa-la ir... pois nem sua provocação ou mudança de voz foram o suficiente para me fazer desviar da figura atrás dela escoltada por dois mortais de olhos e expressões brancas.

  Imediatamente senti um aperto no peito ao vê-la daquela forma, e precisei de um grande incentivo da poção de Júlio para que voltasse a me concentrar em Hebe, a qual já notara e tirava proveito disso.

 -Convidei sua mãe para esse encontro. –Ela segurou Thalia pelos ombros, porém a garota não moveu um musculo. -Espero que não se importe... mas deve ser muito fácil para você fazer isso com as pessoas que te amam.

  Elas nunca deixaram de se importar comigo...

  Mantive a expressão neutra. –Vamos pular a conversa fiada que sabe muito bem que os deuses não são bons nisso e ir direto ao ponto.

  Um sorriso macabro brotou de seus lábios. —Quer dizer que não estava com saudades de nossas conversas, Luke Castellan?

 -De tudo no Mundo Inferior é o que eu menos sinto falta. E pelo que me lembro, você não conseguia nada além de ficar mais irritado, então vamos poupar ambos disso.

 -Você sabe o que quero e que vou conseguir.

  Levantei a sobrancelha. –Continua tão confiante e babaca quanto a última vez que o vi, qual vai ser a diferença dessas para as outras? –Levei a mão ao queixo entrando no jogo. –Deixa eu adivinhar... pretende mostrar sua cara feia hoje?

  Um rosnado curto porem mortal, mas então o sorriso voltou. —Porque seus amigos estão fazendo o mesmo neste exato momento!    

  Tentei manter a expressão neutra, mas aquilo não estava sendo fácil e é claro que ela notou.

 -Mas como estou paciente, vou lhe propor um acordo...

  Com um estralar de dedos uma espada se materializou em sua mão, ela possuía um acabamento perfeito e tinha um lado de cada cor... bronze para os “monstros” e prata para os mortais!

 -Mordecostas... –Sussurrei e ela sorriu.

 -Tenho todos os seus amigos e sua mãe ao meu lado de livre e espontânea vontade, mas mesmo assim te ofereço uma oportunidade única de livrá-los, desde que se junte a mim e aceite o cargo como meu braço direito. –Ela alisou a espada que refletiu em sua mão. –Além, é claro das pequenas vantagens...

  Não podia acreditar no que ela falava, tinha quase certeza que um acordo como aquele custaria minha vida, mas aquela coisa me queria junto dele... se eu aceitasse, meus amigos estariam livres e poderia descobrir os planos dos deuses e destroça-los por dentro...

  Elas nunca deixaram de se importar comigo...

  Pisquei algumas vezes, então com o canto dos olhos pude ver que Thalia aguardava o sinal, o neutralizador de Calipso deu certo.

  Dei tanta risada que senti minha cicatriz sendo repuxada pelo rosto, mas não me importei, pois sabia o quanto aquilo deixava tudo ainda mais sinistro.

 -É... devo acrescentar mais uma coisa ás minhas informações sobre você, seu grande idiota.... A cada encontro compreendo e aprendo um pouco mais e estou simplesmente adorando isso! –Alarguei o sorriso. –Obrigado pela oferta, mas não estou tão paciente quanto você hoje... então devo me despedir e espero que da próxima vez escolha um deus mais útil do que o da limpeza que enfeitiça mortais para lutar!

  Hebe estava prestes a retrucar e provavelmente me ameaçar sobre a grande burrada que fizera, mas Thalia não deu tempo nem mesmo dela processar.

  Em um piscar de olhos, os dois mortais foram presos em uma bolha com gás gigante que simplesmente desapareceu no ar e, com sorte, foram mandados para as suas casas. No mesmo segundo, Annabeth apareceu dando uma rasteira em Hebe e um soco certeiro no nariz.

 -ARGH!

  Aproveitei a situação para pegar mordecostas do chão e sem pensar duas vezes, atravessar a barriga da deusa que urrou de dor, um som tão horrível, que todo o meu corpo tremeu e soltei a espada dentro dela.

 -Agora!

  Gritei e imediatamente todos nós, incluindo Hebe, aparecemos na sala de estar onde os outros dois esperavam com um dos Valdelipso extras de Leo.

  Annabeth arrancou do pescoço o pingente em formato de folha de carvalho prata, que ela ganhou como despojo na missão para salvar seus pais, e o entregou a Júlio, a qual proferiu algumas palavras estranhas enquanto Calipso tocava o instrumento do namorado, que descobrimos desde que voltaram, ser um dos ingredientes para aprisionar os deuses.

  Não demorou muito para a folha assumir uma cor branca com detalhes azuis... iguais ao vestido de Hebe.

 -Sabe o que fazer. –Júlio me entregou o pingente que pulsava em minha mão, aquela ainda não era a prisão a qual queríamos, mas seria o suficiente por hora.

 -ESPERE! -Hebe gritou me fazendo parar no ar. –Se fizer isso, nunca saberá como salvar sua mãe...

  Foi necessário grande esforço para continuar mantendo o contato e não me virar em busca de minha mãe. -Cale essa boca!

 -Hermes me pediu uma vez, mas me recusei a ajuda-lo porque estávamos brigados na época. –Ele continuou se esforçando para tirar a espada de sua barriga. –Sou a única que pode reverter o efeito de tentar portar o oráculo...

  “Não há nada que possamos fazer meu filho...”

  Meus braços fraquejaram e segurei o pingente com força. –Não podemos fazer nada!

  Ela se permitiu um sorriso fraco que mais pareceu uma careta. –Isso foi o que o seu pai disse porque não aceitei ajuda-lo, mas eu sei como podemos fazer para que sua mãe tenha uma vida normal novamente... sem esse peso e assombro que consomem a alma dela a cada dia, até que não sobre nada...

 “Eles disseram que nunca iria voltar, mas eu sabia que não iria descumprir sua promessa...”

 -Está blefando! –Pisei no cabo da espada a fazendo gemer. –Não existe cura!

  “Nunca em todos os meus séculos de vida vi alguém na situação de sua mãe e infelizmente os deuses tem razão...”

 -Sei de que ser que precisa para reverter aquilo, mas se prefere arriscar a única chance que tem de fazer uma vez na vida algo bom para a sua mãe... fique à vontade.

“Você irá voltar para o almoço não é mesmo”?

 -Luke? –Olhei com o canto dos olhos para Júlio que mantinha uma expressão séria no rosto. –Podemos resolver isso...

“Colegas de fuga”?

 -HÁ! Não há outro jeito, só há uma coisa capaz de manusear aquilo.

 Elas nunca deixaram de se importar comigo...

“Eu te amo muito meu filho... Luke... meu filho...”

 -Confie em mim. –Seu olhar era determinado e quase indecifrável.

Elas nunca deixaram de se importar comigo...

“Até o fim de nossa segunda vida cara”.

Elas nunca deixaram de se importar comigo...

“Vamos enfrentar isso juntos, como uma família...”

Elas nunca deixaram de se importar comigo...

  Soltei o ar e afrouxei o pingente em minha mão...

Elas nunca deixaram de se importar comigo...

“Família...”

  A última coisa que vi foi o olhar espantado e aterrorizado de Hebe antes de um enorme clarão tomar conta de tudo.

***

(P.O.V Thalia)

  A pior coisa que não se lembrar de absolutamente nada que aconteceu é descobrir que se transformou em uma criança de cinco anos que acabou por ser mais útil do que você mesma... e para a minha sorte, havia me encontrado em ambas as situações hoje.

 -Tudo bem aí? –Annabeth se aproximou do sofá com um copo de água.

 -Ainda não acredito que perdi toda a ação... –Passei as mãos em todo o cumprimento do meu cabelo desfazendo alguns nós... estava na hora de cortá-los um pouco...

 -Bom. –Ela se sentou ao meu lado oferecendo o copo. –A Thalia criança fez um belo de um estrago com os brownies e ainda ajudou a libertar os mortais, e levando em consideração que ela tinha o temperamento idêntico ao seu...

  Virei o copo em um único gole e me curvei passando o dedo em volta da boca do mesmo enquanto pensava. –Mas não me lembro de nada...

 -Júlio avisou que esse seria um dos efeitos, mas aos poucos a memória voltará. –Ela deu de ombros.

 -O será que uma menina de cinco anos ficou pensando naquela hora?

 -Ela só comeu os doces para vencer dos garotos e aceitou ajudar porque achou que Hebe era um mostro comedor de vegetais... –Rimos enquanto eu imaginava uma versão minha menor fazendo algo assim. –Ah, e porque Luke pediu também...

  A olhei séria, mas ela balançou as mãos como se não fosse importante e antes que eu tivesse a chance de questioná-la, Calipso voltou de um dos quartos; a cumprimentamos e ela sentou.

 -Como ela está?

 -Depois de três doses do calmante natural, finalmente pegou no sono. –Ela sorriu um pouco cansada. –Acho que nunca dormiu tão bem assim...

 -E os meninos?

 -Eles foram para fora desde que aprisionamos Hebe e não voltaram mais.

 -Júlio falou sobre os mortais que ainda estavam lá no depósito. –Annabeth comentou. –Acho que ele queria conversar com Luke sobre a proposta de Hebe...

  Franzi a sobrancelha. -Que proposta?

  Nenhuma das duas teve a chance de me contar, pois bem na hora, Júlio apareceu com sua típica expressão neutra. –Ele quis pensar um pouco...

  Ambas concordaram e os encarei séria querendo saber do que se tratava; Annabeth foi a primeira a notar e me contou sobre o que Hebe oferecera para Luke se aliar a ela e qual foi a resposta dele.

 -Ele está pensando em aceitar? –Perguntei incrédula sem saber o porquê de eles não terem feito nada.

 -Claro que não. –Júlio respondeu. –Vocês já ouviram falar do mito de Moros?

 -O deus do destino? –Annabeth franziu a sobrancelha.

 -Contam que ele roubou três flechas de Eros como vingança por alguma briga idiota entre deuses, depois de regá-las, as enfeitiçou para que qualquer pessoa que fosse atingida por uma delas tivesse a memória completamente reiniciada. –Júlio fez uma pausa para que compreendêssemos. –Porém descobriu uma falha em seu plano, as flechas ainda eram de propriedade do cupido, e apenas ele podia utilizá-las; então Moros resolveu escondê-las em três arvores diferentes no mundo todo. –Ele caminhou até Celpet e tirou um chaveiro de lá. –Há umas décadas atrás, eu encontrei um desses locais porque estava convencido de que isso me ajudaria em meu plano contra os deuses, mas acabei descobrindo ser inútil se eu não tinha Eros para me ajudar, então resolvi transformá-lo em um acessório para que pudesse usá-lo futuramente, e não é que veio a calhar...

  Sorriu convencido enquanto deixava a flecha em seu tamanho real; uma arma de quase 1metro de cumprimento, com a ponta extremamente afiada da cor negra com detalhes vermelho sangue, ela chegava até a reluzir em meio ao cômodo...

  Antes mesmo que eu percebesse, estava com a flecha nas mãos; era muito mais bonita de perto, com detalhes e um acabamento simplesmente perfeitos, além de seu peso ser balanceado...

 -É linda... –Suspirei ainda encarando a arma em minha mão... uma flecha que qualquer caçadora morreria para ter, nem mesmo as de Artêmis eram tão perfeitas assim.

 -Acha mesmo que ela pode ajudar? –Annabeth também ficou de pé.

 -Pelas minhas “pesquisas” é dela que precisamos, mas não é 100% de certeza.

  Franzi a sobrancelha focando na conversa. –De quem estão falando? Você disse que apenas Eros poderia usá-las.

 -Sim, mas levando em conta seus poderes e toda a história, acredito que um descendente seu poderia fazer o papel tão bem quanto o próprio deus... principalmente caso represente o imortal e um mortal...

 -Um semideus... –Arregalei os olhos compreendendo aonde eles queriam chegar.

 -Exatamente, e para a nossa sorte temos uma candidata perfeita para o cargo.

  Júlio tirou um saquinho de plástico de dentro da bolsa com várias folhas, achei que iria transformá-las em dinheiro como fez uma vez [(PJNP Cap.10)]; mas ele tirou apenas uma, guardando o resto e entregando aquela a Calipso.

 -Precisarei de toda a minha força para o próximo feitiço, então poderia por favor fazer a transformação?

 -Claro.

  Calipso cobriu a folha com as mãos e começou a cantar uma cantiga; não demorou muito para aparecer um fio de cabelo completamente negro no lugar da mesma.

 -Perfeito! –Júlio agradeceu e pegou o fio da mão da garota que sorriu tão satisfeita quanto ele com o resultado.

  Eu e Annabeth nos entre olhamos sem entender nada; porém Júlio estava mais preocupado em instruir Calipso a fazer um feitiço de localização e não deu muita bola para nós duas.

  Nos aproximamos para ver a imagem que saiu de dentro do copo de água, era uma casa simples, porém um pouco destruída. Annabeth enrijeceu antes mesmo do zoom diminuir e revelar um jardim coberto de neve com pelo menos sete pessoas juntas em posição de luta, encarando um oitavo de jaqueta de couro que acabara de ser atacado por outro... um clarão apareceu na imagem...

  Ambas arfamos enquanto esperávamos que tudo voltasse, apesar de não haver muita necessidade, já que sabíamos exatamente quem eram... estavam todos lá... exceto por Piper que acabara de desaparecer...

 -Precisamos tirá-los de lá. –Annabeth e eu falamos ao mesmo tempo.

 -O que eles estão fazendo ali... –Júlio se aproximou para tentar localizar todos, mas sabia quem ele estava procurando, porém não a encontrou. –Calipso, preciso que mantenha a imagem por mais alguns segundos.

 -Certo. –Ela fechou os olhos e continuou cantando a cantiga.

  Júlio pegou seu livro e o abriu em uma página em branco (apesar de saber que aquilo era apenas uma proteção), então jogou todas as folhas do saquinho em cima do livro, dando início a uma série de palavras sem sentido.

  Aos poucos as folhas foram se transformando em mini estatuetas, mas ele não parou e as palavras só se intensificaram, em questão de segundos toda a sala estava coberta por uma neblina verde escura quase negra que se intensificava cada vez mais conforme eles desapareciam na imagem refletida...

  Primeiro os pais de Percy... Leo e meu irmão... Grover... uma garota de cabelos negros que provavelmente era quem eles procuravam... até que sobrou apenas Percy que caiu de joelhos deixando que a névoa o encobrisse... e a imagem sumisse.

 -Para onde eles foram?

  Dessa vez, foram nós três que perguntamos juntas a Júlio, mas o garoto ainda estava concentrado no feitiço que deixavam o cabelo e olhos dele de castanho para verde e roxo.

  Olhei para as estatuetas em cima do livro e vi que havia sobrado apenas uma que também começava a desaparecer.

 -Estão aqui...

  Olhei ao redor, para aquela neblina que começava a diminuir deixando algumas formas aparecerem... sete sombras se materializaram deixando todas surpresas e felizes demais.

 -Percy! –Annabeth correu para os braços do namorado que estava extremamente confuso.

 -Leo! –A cena se repetiu.

  Não hesitei em correr até Jason e abraça-lo fortemente. –Pelos céus, o que estava fazendo naquele lugar?

 -Haaaa... –Ele estava tão atordoado como os outros e me analisava de um jeito estranho.

 -O que vocês estão fazendo aqui? –Percy se soltou de Annabeth a encarando sério e preocupado. –Não me digam que também foram pegos.

 -Pegos por quem? –Calipso perguntou ao ver que Leo estava da mesma forma.

 -Por Ares e sua neblina assustador! –Leo respondeu.

  Olhei para Annabeth que sorriu beijando o namorado, a outra fez o mesmo e não pude evitar abraçar Jason novamente.

 -Não se preocupe cabeça de algas, vamos explicar tudinho...

 -É... dane-se o Grover...

  Só então reparei no sátiro ao lado dos pais de Percy; corri para lhe dar um tapa de leve na cabeça e depois abraça-lo. Annabeth também foi de encontro aos sogros.

 -É bom vê-lo de novo garoto-bode!

  A alegria foi geral por mais alguns minutos enquanto explicávamos extremamente rápido o plano; foram eles que demoraram um pouco mais para relatar o que ocorrera com Melyssa no acampamento, a missão relâmpago que eles resolveram fazer para salvar Sally e Paul e o sacrifício de Piper para dar tempo aos outros...

  Um silêncio perturbador se alastrou depois disso... ninguém conseguia acreditar que Piper realmente desaparecera... o único consolo que tínhamos é que ela não estava morta, mas todos sabemos que existem coisas muito piores do que a morte... alguns até já experimentamos isso...

  Luke ainda não voltara e Júlio estava um pouco fraco devido ao grande esforço de transportar todos juntos; e como os outros também não estavam muito bem por conta da própria missão, principalmente Melyssa que ainda tentava entender o porquê de ser tão importante... na verdade nem eu gostei muito da ideia, mas era pela Sra. May e não deixaria essa raiva irracional que tenho dela atrapalhar...

  “As lembranças, mesmo que falsas, podem se tornar reais quando a gente menos espera...”

  Ainda não conseguia esquecer o que ela dissera à Luke na noite da missão... estava indo para o meu chalé quando vi os dois conversando e por algum motivo que não entendo resolvi que o melhor a fazer era segui-los, mas claro que me arrependi quase que imediatamente, principalmente depois da cena entre eles...

“Queria um pouco mais de calma...”

  Essas foram as palavras dele naquela mesma manhã... quando estava prestes a deixar tudo de lado e me entregar a algo que pensei que ele também sentia, afinal de contas, três meses antes havíamos nos beijado na colina do acampamento e nossa relação só melhorara desde então... pelo menos era o que eu pensava...

 -Todos vocês me ajudaram quando eu precisei. –Melyssa tinha um meio sorriso. –Principalmente Luke, então é só me dizer o que tenho que fazer.

  Cerrei os punhos e tentei controlar a respiração, se eles tinham ou não alguma coisa, não era problema meu... estávamos em missão agora e havia uma vida em jogo.

 -Muito obrigado. –Júlio sorriu. –Precisamos apenas da resposta de Luke...

 -Ele está demorando muito... –Percy comentou.

  Annabeth e eu trocamos olhares, no meio de tudo isso havia me esquecido que a vida em risco é da mãe dele e o quão difícil deve estar sendo tomar uma decisão que vai destruir a única chance que ele tem de se reconciliar com ela...

 -Vou falar com ele!

  Minhas palavras saíram antes mesmo que eu notasse, assim como meus passos que se encaminhavam para fora sem dar a chance de ninguém questionar.

  O encontrei em um banco ao lado do depósito, a neve havia se acumulado em seus ombros e o olhar estava distante. Me sentei em silêncio, sabendo que ele falaria se quisesse.

 -Logo que ela se mudou para cá, resolveu trazer um pouco de suas ideias junto... –Ele começou. –O projeto da feira foi criado pela minha mãe com a intenção de ajudar todos os necessitados... um bairro de cada vez... e era isso que as pessoas mais admiravam e gostavam nela, seus planos não só ajudava as pessoas como também mostrava para elas que é possível conseguirmos o que queremos se batalharmos.

 -E ela conseguiu, pois mesmo depois de anos as pessoas continuam o que sua mãe começou.

  Luke esboçou um pequeno sorriso e me encarou, seus olhos azuis penetraram nos meus e não pude muito menos quis desviar.

 -Quando eu era criança, tudo o que mais queria era que ele aparecesse e me tirasse daquele lugar... me levasse para minha verdadeira casa... o lar que ela sempre prometeu... –Sua voz voltou a se distanciar, mas não a visão. -Até que um dia simplesmente cansei de esperar e resolvi procurar por mim mesmo...

 -Luke...

 -E eu não me arrependo! –Algumas lágrimas ameaçavam sair, mas ele as segurava. –Foi graças ao que fiz que encontrei vocês... que entendi o verdadeiro significado de família... ao menos que ela pode estar sempre se multiplicando e nunca diminuindo. -Ele sorriu sem mostrar os dentes. –Só queria ter notado isso antes...     

  Segurei sua mão com força, ainda mantendo o contato. –Mas nunca é tarde para corrigirmos nossos erros e você vem fazendo isso muito antes de voltar para o acampamento... –Não deixei que falasse e continuei. -Quando optou por salvar a vida de Tainara ao invés de ir embora... quando deixou de lado suas próprias vontades para acompanhar seus amigos... sem contar tudo o que fez disfarçado de Tobias e depois com a sua própria aparência! –Fiz uma pausa. –A questão nem sempre é quanto tempo levamos para voltar atrás, e sim se quando acontece, estamos realmente arrependidos e dispostos a mudar.

  Naquele momento, Luke me encarava tão intensamente que poderia chegar a ser constrangedor se fosse outra pessoa, mas não ele....

  Luke tinha um lugar no meu coração que ninguém jamais seria capaz de ocupar, nem mesmo se eu quisesse (e olha que tentei em), aquele cantinho onde deixamos separados para o nosso amor mais profundo e aconchegante, que não importa quanto tempo passe, ou a distância aumente... ele sempre está lá, tão intacto quanto no começo, as vezes por baixo de algumas camadas negativas, mas nunca deixa de permanecer no mesmo lugar...

 -Thalia, eu...

  Não sou do tipo de garota romântica que fica suspirando pelos corredores e espera o menino se declarar para então cair em seus braços e toda aquela baboseira; muito menos gosto de ser tapeada só porque o garoto não tem coragem de acabar logo com a distância.

  Por isso, no momento em que ele se aproximou, tomei as rédeas de tudo e o puxei para um beijo tão longo e maravilhoso que minhas veias pulsaram sentindo uma carga de raios se apoderando delas.

  Luke me puxou para o seu colo e agarrou minha cintura enquanto minhas mãos voavam pelo seu cabelo, em nenhum momento nos soltamos, mesmo quando a falta de ar quase gritava. Ficamos daquele jeito até que nossos pulmões arderam e a boca formigar.

  Encostei a testa em seu ombro desejando que tivéssemos mais tempo; Luke beijou meu pescoço e me abraçou com um suspiro. Fiquei completamente perdida sem saber quanto tempo se passou até que ele falasse novamente.

—Minha mãe sempre pensou grande demais... nunca se contentou com ideias pequenas... ela acreditava que podíamos ultrapassar nossos limites, mas para isso precisávamos começar de baixo... –Me ajeitei em seu colo, para que pudesse encará-lo. –Pelo menos era o que eu ouvia das pessoas... e as vezes, quando olhava para ela, era meio difícil de acreditar nisso... –Ele enrolava as pontas do meu cabelo. -Mas lá no fundo, por trás da sombra do oráculo, ainda podia enxergar um pouco do que ela foi... de sua antiga vida... queria tê-la conhecido antes...

 -E você pode... –Minha voz estava calma. –Depois que tudo isso acabar, quando nenhum de nós estiver mais correndo perigo, podemos vir visita-la, até virarmos amigos dela se quiser...

  Um sorriso enorme brotou de seus lábios e seus olhos brilharam quando me beijou com um ardor maior do que antes! 

***

(P.O.V Luke)

  Milhares de coisas se passavam na minha cabeça, mas nunca me sentira tão vazio em todas as minhas vidas e morte (até no Tártaro tinha a dor para me distrair); com todos ainda lá dentro terminando de limpar a bagunça/organização de Hebe e minha escolha de deixa-la livre... o frio cortante e a neve em meu rosto eram as únicas coisas relevantes naquele momento, mas nem mesmo isso me fazia sentir algo...

  A noite já havia caído fazia horas e os filhos de Zeus tiveram que ligar a energia de outra forma; ao longe conseguia enxergar a casa a qual fugi minha vida inteira, mas que agora não desejava nada além de poder voltar...

  Ainda não entendi muito bem como foi que Percy e os outros chegaram, mas sei que Melyssa era a peça que faltava e seria ela quem iria acertar minha mãe com a flecha, não sabia como agradecê-la por aceitar, mas estava em dívida com a garota. Além de Júlio e Calipso que fariam o feitiço da nova vida dela, sem absolutamente nenhum ligamento com nada de grego, romano ou qualquer outra personificação de seres míticos.... Sem contar os outros que não apenas me ajudaram na missão, como estavam lá dentro agora junto dela, não a deixando ficar perdida ou sozinha; principalmente Thalia...

  Thalia...

  Consegui esboçar um pequeno sorriso com a lembrança do que ocorrera... quando olhei no fundo de seus olhos, dessa vez encontrei o que tanto almejava... ela era minha e eu dela, como sempre fui e sempre serei...

  O colar e o anel esquentaram em minha mão e os olhei permitindo mais um sorriso...

  Um dia essa guerra vai acabar... e o resultado irá depender das nossas escolhas, não só as anteriores como as de agora também...

  Estava na hora de criarmos nossas próprias histórias!



Notas finais do capítulo

O que acharam?
O que querem que aconteça?
O que acham que vai acontecer?
Curiosos?

Então não deixem de acompanhar, comentar e favoritar ❤ ❤ ❤

Bom final de semana e até a próxima ; D
★♡★



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