Percy e Luke-Guerra entre Deuses e Semideuses escrita por LanaX


Capítulo 13
Annabeth e Luke -Laços de Família... Part.1


Notas iniciais do capítulo

Oiiii = D = D

Para compensar pelo atraso resolvi trazer uma surpresinha especial para todos vocês
Como devem ter visto no titulo do capitulo, essa será a parte 1, porque como sabem que as vezes me empolgo muito enquanto estou digitando acabei deixando o capitulo 13 MUITO grande =´D

Então sem mais delongas, aproveitem, desculpem os erros e até as Notas Finais
; D ❤



 

 (P.O.V Annabeth)

 -Hebe está prestes a enfrentar a nossa fúria! Cambio.

  Milhares de coisas passaram pela minha cabeça no tempo que levou para chegarmos até a casa de Luke; e a grande maioria delas não seria muito educado pronunciar em voz alta... mas em meio a isso, consegui encontrar algumas formas de escapar, o que já era alguma coisa.

  Abaixamos em meio aos arbustos cobertos de neve da casa vizinha, optamos por roupas brancas para nos camuflarmos melhor no ambiente.

 -Avise-os!

  Luke pegou o alque-toque, e enquanto dava a ordem para iniciarmos a segunda fase, com pequenas alterações com base na nova informação, comecei a analisar cada centímetro da casa quase caindo aos pedaços, porém pelo incrível que pareça não estava tão bagunçada quanto da última vez que vim... cerca de onze anos atrás...

 -Estão a postos!

  Concordei com a cabeça e limpei a neve que começara a se acumular em meus olhos; uma nevasca estava prestes a chegar e tínhamos sorte de Calipso possuir roupas térmicas extras.

  Nos aproximamos mais alguns metros; tudo que ouvíamos era o som de nossas respirações, quando cheguei a quinta, pude ver uma luz fraca piscar no fundo da casa, foi rápido e quase que imperceptível, mas o suficiente para que Luke agarrasse minha mão e nos tele transportasse até lá.

  A grande maioria dos filhos de Hermes tem capacidade de se transportar de forma extremamente rápida pelos locais e ambientes, esse poder é muito parecido com o que Nico e Hazel fazem para viajar nas sombras, porém são poucos os semideuses que conseguem controlar isso; Connor e Travis são especialistas, principalmente para fugir de suas pegadinhas; só vi Luke usar esse poder poucas vezes quando ainda éramos crianças e queríamos nos afastar das pessoas...
  De acordo com ele, desde que voltou dos mortos, não conseguia mais; porém, acabou adquirindo outros poderes, como ficar invisível e atravessar as coisas, mas nos últimos três meses suas antigas habilidades foram retornando, inclusive o transporte...

 -Até que enfim resolveram se juntar a festa! –Júlio falou sem se virar com duas pessoas amordaçadas a sua frente.

 -Mas o que... –Comecei, porém Thalia apareceu na minha frente.

 -Esses dois mortais estavam aqui no depósito arrumando a bagunça, então tivemos que dar um jeito neles.

 -Então no total são oito mortais?

 -Sim, mas Júlio já está revertendo o feitiço que Hebe colocou, sendo assim, continuamos com seis mortais obcecados por limpeza a ativa. -Ela colocou um papel em cima de uma mesinha de canto recém concertada. –Júlio e eu fizemos um esboço rápido da planta da casa...

 -Não. –Júlio interrompeu. –Você lembrou de cada detalhe do lugar e desenhou, Luke pode confirmar que sou péssimo desenhista, meu pelotão quem o diga...

 -Que seja!

  Thalia balançou a mão como se fosse irrelevante, mas sabia o motivo dela se lembrar da casa... eu também recordava cada detalhe daquele lugar....

 -Tem dois logo na entrada “arrumando” a sala. –Ela apontou para o pequeno cômodo desenhado com detalhes perfeitos. -Mais um na cozinha; o corredor que dá para os quartos está vazio, mas tenho certeza que ela deve ter colocado alguma espécie de alarme para alertá-la. –Thalia fez uma careta com essa possibilidade. -Tem um no primeiro; e a Sra. Castellan, Hebe e os outros dois estão no antigo quarto de Luke...

 -Não vamos esquecer do sr. e sra. Chang aqui. –Júlio apontou para o casal um tanto quanto desnorteados que Calipso conversava.

 -Sim, claro, tem esses dois também. –Thalia balançou a cabeça ainda focada no mapa. –Já conseguiu fazê-los falar?

 -Estamos falando de mim né. –O garoto arrastou sua cadeira se afastando dos três e se aproximando de nós. –Eles são vizinhos da sra. Castellan e ouviram um barulho estranho na casa, então como bons vizinhos xeretas vieram ver o que era e não se lembram de mais nada.

 -A quanto tempo isso aconteceu? –Perguntei.

 -A sra. Chang disse que era dia de feira... –Júlio deu de ombros com a informação irrelevante.

 -É uma feira beneficente que acontecia cinco dias antes do natal aqui no bairro; todas as famílias reuniam coisas que não queriam mais e vendiam. –Luke olhava pela janela do depósito em direção a sua antiga casa. –Com o dinheiro arrecadado, eles compravam brinquedos para as crianças e alimentos para as famílias necessitadas; e na manhã de natal, fantasiavam algum voluntário de Papai-Noel e saiam entregar tudo... -Conseguia ver seu reflexo meio embaçado pelo vidro, e seus olhos azuis brilhavam com a lembrança. –Eram dois dias de feira, e a julgar por suas roupas, foi no dia 21 que aconteceu.

 -Tinha regra de vestimenta no evento? –Júlio perguntou confuso.

 -Na verdade não era bem uma regra... mas faziam isso com um significado... como era quase final de ano e natal; no primeiro dia usavam roupa vermelha, verde e roxo; e no segundo, branco, laranja e azul.

 -Roxo representa espiritualidade, magia e mistério... –Júlio comentou maravilhado. –Faz muito sentido colocar junto com vermelho e verde que predominam no natal...

 -Eles levaram a sério a dilema “O mistério do natal”. –Calipso elogiou com um sorriso simpático que o loiro retribuiu.

—Assim como laranja e azul combinam com branco do ano novo... –Comentei lembrando-me dos significados daquelas cores.

 -Nossa! –Thalia falou surpresa. –As pessoas que criaram essa feira além de serem bondosos foram muito criativos e inteligentes, eu tiro o chapéu para eles.

  Os olhos de Luke brilharam intensamente enquanto encarava Thalia que havia voltado a olhar o mapa; um arrepio passou pelo meu corpo ao vê-lo, mas o afastei e resolvi voltar a me concentrar.

 -Então sabemos que eles estão assim há dez dias. –Comecei raciocinando. –Mas não temos certeza se foram os primeiros...

 -Quando Júlio e eu entramos na casa, três deles estavam com roupa vermelha, verde e roxa. –Calipso falou.

 -Mas os outros tinham roupas normais do dia-a-dia... –Júlio comentou.

 -Levando em consideração essas cinco pessoas de vestimentas diferentes, podemos deduzir que faz pelo menos onze dias que Hebe está agindo dentro da casa...

 -Como podem continuar limpando depois de tanto tempo? –Thalia questiona com as sobrancelhas franzidas.

 -Porque Hebe é a deusa da eterna juventude, e os deuses achavam que por isso poderiam encarrega-la dos trabalhos domésticos no Monte Olimpo; um dia eles caçoaram dela que acabou se irritando e abandonando o cargo; logo em seguida casou-se com Hércules quando ele se tornou imortal. -Expliquei resumidamente. –Acontece que até hoje ainda é associada a limpeza... ou seja, um de seus poderes inclui forçar as pessoas a fazer o mesmo pelo tempo que ela achar necessário...

 -Isso significa que ela está nos esperando, o que não é nem uma surpresa... –Thalia mexia em seu bracelete pensativa. –Mas a questão é... será que realmente não sabe que já chegamos?

  Imediatamente compreendi o que ela queria dizer e com os olhos arregalados tentei lembrar de alguma vez nas histórias que Hebe tenha controlado alguém... mas ela é considerada uma deusa boa e gentil, não teria motivo de fazê-lo...

 -HAHAHAHA. Vocês não são tão burros quanto pensei, semideuses...

  Nos colocamos a postos, procurando de onde vinha a voz, porém a neve ainda caia do lado de fora e não havia nada lá...

 -Acho que nossos amigos querem nos dizer algo... –Júlio apontou para o casal que havia se colocado de pé e nos encaravam com os olhos inteiramente brancos.

 -May Castellan está ansiosa para vê-lo, traidor!

  A voz de ambos soava como navalhas e o sorriso macabro não combinava com suas feições; Luke enrijeceu ao nosso lado ao ouvir o nome de sua mãe e apertou mais o cabo da espada.

 -Mas não se preocupe, irão para o mesmo lugar que ela em breve. –Outro sorriso. —Agora, vamos lutar! 

***

(P.O.V Luke)

 -Não podemos feri-los! –Thalia praguejou acionando seu escudo para se defender dos esfregões e vassoura que eles seguravam.

 -Eles pretendem nos limpar ou... –Júlio começou, mas imediatamente parou ao ver os objetos se transformarem em uma espada e um machado. –Podemos escolher com qual queremos lutar?

 -Talvez tivéssemos tido se você ficasse com a boca fechada. –Thalia respondeu séria olhando diretamente para os dois que se colocavam em posição de luta.

 -Se Hebe sabe que estamos aqui, que tal irmos logo de uma vez la para dentro?

  Todos concordaram; peguei a mão de Annabeth e Thalia que estavam ao meu lado e sem pensar duas vezes, nos tele transportei.

  Fiz questão de não reparar na sala, focando nos dois mortais que corriam em nossa direção; logo em seguida Júlio e Calipso apareceram.

  Desviei de uma rodada e dei uma rasteira na garota que me atacou. –Júlio! Consegue fazer o mesmo feitiço que usou nos outros dois?

  O garoto amarrou as mãos da outra menina com uma corda invisível. –Posso até tentar, mas você viu o que aconteceu depois né.

  O cara que estava na cozinha ouviu o barulho e já vinha com um facão e vários pratos na mão, que se transformavam em discos extremamente afiados com uma mira perfeita.

 -Eles apenas entregaram uma mensagem. –Annabeth desviava dos discos tentando não quebrar nada no processo. –Faça logo de uma vez!

 -Certo, certo.

  Júlio levantou as mãos em rendição, mas assim que o fez, os três mortais ficaram paralisados; então ele pegou um saco com pó verde e soprou na cara de todos que piscaram algumas vezes atordoados; ele bateu as mãos umas nas outras e olhou para Calipso. 

 –Gostaria de fazer as honras minha aprendiz preferida?

  Ela levantou a sobrancelha. –Tenho certeza que esse título se aplica a você, ao menos a parte do aprendiz...

  Júlio fez cara de surpreso. –Calipso Valdez. Você está dando em cima de mim? Odeio te decepcionar, mas estou muito bem acompanhado e não acho que minha garota vá gostar disso. -Um sorriso de escárnio brotou em seus lábios.

  Por um segundo, Calipso ficou meio desnorteada e com o rosto levemente corado, mas então o encarou com um meio sorriso. –Não se preocupe que eu mesma falarei com a sua garota, assim podemos conversar sobre o “relacionamento” dos dois. O que acha?

  Thalia e Annabeth caíram na gargalhada enquanto amarravam os três mortais no sofá; Calipso caminhou vitoriosa até elas para “conversar” com as pessoas; até mesmo eu não pude evitar um meio sorriso; e Júlio ficou vermelho por alguns instantes, mas recompôs a postura e piscou para ela.

 -Não esqueça de me avisar com antecedência para que eu possa me esconder antes ok.

  Ela riu concordando. –Vou pensar no seu caso meu “jovem” aprendiz.

  Deixei que trabalhassem enquanto analisava os outros cômodos a procura de qualquer sinal dos outros mortais; encarei o corredor ansioso para atravessá-lo, mas como Thalia falara, se não havia ninguém ali e a julgar pelo fato de que, mesmo com a barulho da pequena luta ninguém mais apareceu... a deusa está confiante de que não chegaremos a passar daqui.

 -Luke? –Thalia se aproximou parecendo preocupada. –Viu alguma coisa?

  A analisei por alguns segundos tentando decorar cada traço seu; as botas de coro que davam contraste com a roupa de inverno toda branca; os cabelos presos em uma trança lateral destacando sua mecha azul; os olhos tempestuosos e calculistas; e os lábios levemente rosados pelo frio...

 Voltei a encarar o corredor. –Estava apenas pensando em como vamos atravessá-lo. –Dei de ombros tentando parecer controlado. –Meu antigo quarto fica no último cômodo, e não sabemos com certeza absoluta o que há nos outros aposentos...

 -Se eles não tiverem mudado desde quando Júlio e Calipso vieram conferir, os restantes estão junto com Hebe.

 -Sim, mas ainda tem aqueles dois do lado de fora que podem vir para cá.

 -Hebe uma vez concedeu a um amigo de Hércules a juventude eterna para poder lutar contra um monstro... –Thalia ficou pensativa. –Se eu tivesse todo esse poder na minha mão e não quisesse que semideuses enxeridos interferissem... o que eu faria?

 -Para começar, não teria deixado que chegassem tão longe. –Contrariei e ela revirou os olhos.

 -Mas assim não conseguiria convencê-los de ceder aos nossos planos paranoicos né.

 -Certo. –Cedi com um meio sorriso. –Então eu quero que eles venham até mim, mas que não cheguem perto o suficiente para ter a chance de destruir tudo...

 -Exatamente! –Thalia também sorriu. –E qual o melhor jeito de fazer isso sem esforço algum...?

  Foi como se uma lâmpada se acendesse em cima da minha cabeça naquele exato momento. –E os transformaria em crianças!

 -Facilmente influenciadas e que não representariam perigo algum.

  Thalia concordou com um pouco de raiva na voz; pela primeira vez desde que aquela missão começou, consegui sorrir de verdade, apesar de descobrir algo incrivelmente perigoso, fazia muito tempo que não completávamos o pensamento um do outro, ou conversávamos por mais de dois minutos, já que fiz o favor de recuar em nossa última conversa, e ela ficou cada vez mais distante desde então...

 -Claro que se fosse eu, jamais deixaria uma brecha em qualquer lugar... –Thalia deu de ombros se aproximando do corredor.

  Franzi a sobrancelha. –Onde?

  Ela apontou para a parede da direita; fiquei encarando sem entender o que havia de errado... demorou mais alguns segundos até notar os pequenos pontos arroxeados por toda sua extensão, se camuflando quase que perfeitamente na cor desbotada.

 -Mas por que ela teria uma falha em seu plano? -Me ajoelhei perto do primeiro ponto tentando juntar as peças...

 -Os deuses são burros demais para pensar em tudo.

 -Talvez... mas não faz sentido os pontos seguirem exatamente até o último quarto...

 -O que não faz sentido é continuarmos aqui parados quando podemos acabar com isso logo de uma vez!

  Olhei para Thalia por cima do ombro sem entender essa impaciência repentina. –Eu não acho que tenha sido um acidente.

  Ela revirou os olhos e passou as mãos no cabelo desfazendo um pouco a trança e revelando um cabelo mais curto do que me lembrava. –Armadilha ou não, quanto mais tempo perdermos aqui, pior será lá dentro! –Thalia apontou para a porta do meu quarto...

  Era impressão minha ou ela estava ficando mais baixinha?

 –Thalia eu...

 -E vidas estão em jogo nesse momento! –Sua voz afinou um pouco como se fosse uma criança muito irritada.

  Levantei em um salto a fazendo olhar para cima. –Thalia olha pra mim!

  Tentei segurar seus ombros, mas os outros se aproximaram. -O que está acontecendo? –Annabeth perguntou nos olhando.

  Thalia tinha a expressão neutra, encarando fixamente o corredor. –Se você não vai, eu vou...

  Ela desviou dos meus braços e deu o único passo que faltava para adentrar o corredor, então em um piscar de olhos Thalia Grace se transformou em uma criança de cinco anos! 

***

(P.O.V Annabeth)

 -Thalia! -Corri até ela, mas Luke segurou meu braço.

 -Se der mais um passo vai acabar ficando igual ela. –Sua voz estava controlada, mas ele não era capaz de me enganar e sabia que estava tão revoltado quanto eu.

 -Não podemos deixa-la continuar lá dentro. –Calipso falou enquanto observava aquela menininha andando a passos desajeitados pelo corredor.

 -Temos que convencê-la a voltar... –Luke encarou Júlio. –Do que as crianças gostam?

  O garoto imediatamente estralou os dedos e um pirulito apareceu; estava prestes a falar que Thalia não gostava daquele doce quando Luke tomou minha frente.

 -Ela detesta pirulitos! Precisamos de brownies com recheio especial de creme de cereja!

 -Você é quem manda.

  Encarei Luke sem acreditar que ele realmente lembrava de detalhes tão insignificantes como esses; o garoto notou que o encarava, mas desviou o olhar focando em Calipso que chamava Thalia para distrai-la enquanto Júlio fazia os doces com mágica.

 -Aqui está o seu pedido!

  Júlio entregou um prato cheio de brownies para Luke que imediatamente se aproximou um pouco mais do corredor.

 -Não faça isso. –O adverti, porém ele me tranquilizou com um dar de ombros.

 -Por algum motivo o feitiço não me afetou quando estava mais perto que ela, então vou tentar a sorte.

 -Certo... apenas tome cuidado -Ele me encarou surpreso, porém continuei. –Não podemos cuidar de duas crianças enquanto lutamos.

 -Não se preocupe com isso.

  Sua voz possuía um leve tom de ressentimento e tentei ignorar o máximo que pude me concentrando em Thalia que olhava Calipso entediada.

  Luke se colocou no campo de visão da garotinha que imediatamente ficou séria e passou a encará-lo com um leve brilho nos olhos... franzi a sobrancelha com a cena.

 -Hey. –Ele falou com tom de divertimento. –Eu me chamo Luke, qual é o seu nome?

 -Thalia! -Não demorou muito para a resposta vir, apesar da certa cautela dela, mesmo tendo no máximo cinco anos... –O que tem aí na sua mão?

 -Ah isso? –Ele pegou um, o analisando. –São apenas brownies de chocolate com recheio especial de creme de cereja...

  Sua voz saiu desinteressada e ele mordeu um pedaço para que o recheio ficasse a mostra. Pude ver os olhos de Thalia brilharem ainda mais.

 -Parecem gostosos...

 -E realmente estão. –Outra mordida. –Mas sabe de uma coisa? Acho que não vou conseguir comer tudo isso sozinho...

 -E as pessoas atrás de você? –Ela apontou para nós, sorri e me aproximei deixando uma distância segura do corredor.

 -Oi Thalia, meu nome é Annabeth, aquele ali é o Júlio. -Apontei para o ex-militar. –E a outra se chama Calipso, somos todos amigos de Luke.

 -Seu nome é bonito... combina com você... –Sua voz assumiu um leve tom de vergonha e não pude deixar de sorrir mais.

 -Obrigada. Você também é muito bonita e parece uma garota superinteligente...

 -Eu sou inteligente!

 -Nunca vi uma garota mais inteligente que você. –Luke falou a fazendo sorrir abertamente.

 -Sabe do que mais? –Ela balançou a cabeça. –Estes doces estão muito gostosos para desperdiçar desse jeito e precisamos de ajuda para comê-los, porque esses dois moles aí não aguentam um desafio como esse. –Apontei para Luke e Júlio que fingiram estar ofendidos.

 -Ei! –Júlio protestou. –Não precisa espalhar meu fracasso para todo mundo, do jeito que essa garotinha é, tenho certeza que vai me humilhar comendo tudo!

  Thalia riu se aproximando um pouco, então Luke continuou. –Não ligue para o que ele diz, mês passado ele perdeu uma aposta para um bebê-bode lutador de Karatê. –Mais risos e outro passo.

 -Ele parece mais forte que você. –Ela apontou para os braços musculosos de Júlio, devido a décadas de treinamento e boa forma.

 -HÁ. –Ele riu de Luke que possuía uma leve carranca com o elogio de uma garotinha de cinco anos para seu amigo.

 -Mas perdeu para um bebê. –Ela riu com gosto, me fazendo abrir um pequeno sorriso. –Eu posso ganhar dos dois.

  A postura de Luke se enrijeceu e começou a encarar o fundo do corredor; tentei localizar o que estava vendo, mas infelizmente não conseguia por conta da distância.

 -Concordo plenamente. –Ele forçou um sorriso tranquilizador. –E que tal vir provar para ele? Aproveite que os brownies ainda estão bem quentinhos!

  Thalia andou a passos largos, mas Luke parecia cada vez mais nervoso, então sem pensar duas vezes, simplesmente adentrou o corredor a pegando pela mão e os tirando de lá.

  O encarei com medo de que pudesse se transformar em criança, mas nada aconteceu...

  Calipso se aproximou de Thalia a afastando de lá enquanto ela devorava os brownies. Júlio estava soltando os humanos e com alguns gestos de mãos todos desapareceram, os levando as suas devidas casas para que assim Hebe não tivesse mais poder sobre eles. Encarei Luke que ainda olhava fixamente para o corredor.

 -O que foi aquilo?

 -Eu disse, o feitiço não me afeta... e agora sei por quê. –Luke se virou para mim de um jeito determinado. –Tenho que entrar lá sozinho!

***

(P.O.V Luke)

 -É claro que você tem que ir sozinho! –Annabeth se exaltou. –Se não de qual outro jeito ela poderia convence-lo a dar a própria vida para salvar sua mãe?

 -Não me importo com a minha vida. –Falei convicto a fazendo ficar mais séria, pois era verdade. –Mas não quer dizer que vou entrega-la de bandeja, principalmente sabendo que não vai valer de nada.

 -Então porque veio com essa história de que “Tem que ir sozinho”? –Ela fez careta imitando minha voz e me contive para não sorrir.

 -A profecia! –Falei simplesmente sabendo que ela entenderia no mesmo instante, e não me decepcionei.

 -A tentativa do oráculo portar, nada mais irá escutar.

  A mulher falhou e a tudo desprezou

  E o mal agora a dominou...

 -Minha mãe tentou portar o oráculo e não conseguiu, ignorando as advertências dos outros... –Tentei manter a voz neutra com as lembranças da minha infância.

 -A promessa quebrada deve se estabelecer

  Unindo forças para vencer.

  Se a porta se destravar

  O caos se espalhará

  E a família unida jamais será.

 -Quando fugi de casa, pretendia pular pela janela para que ela não soubesse, mas antes de saltar, May apareceu no quarto e me questionou. –Sua imagem brotou em minha mente como um flash e comecei a olhar para o corredor novamente, focando no cômodo onde ela se encontrava. –Foi então que falei que iria dar uma volta e retornaria para almoçar...

 -Você prometeu para ela que voltaria e quando retornou alguns anos depois, fez a mesma coisa... –Annabeth falou e concordei. –Mas ainda não tinha cumprido a primeira promessa... que foi feita naquele quarto, onde Hebe espera por você para matar sua mãe na sua frente depois de convencê-lo de que vai poupar a todos!

  Sua voz estava carregada de amargura pelo meu plano, mas fiquei estranhamente feliz por saber que era devido a estar me colocando em risco...

 -Ou esqueceu de que a mesma porta que nos separa do monstro demoníaco enrustido em deus. –Ela apontou para o meu quarto. –É a que vai espalhar o caos e arruinar tudo?

  Esperei alguns segundos até que Annabeth se acalmasse um pouco, então sorri tranquilizador. –E porque darei o gostinho de abri-la sendo que posso atravessa-la e resgatar minha mãe sem que Hebe nem mesmo saiba que passei por lá?

  Annabeth pisou algumas vezes compreendendo o plano, mas não demorou muito para enxergar sua falha. –Mesmo que entre invisível, ela saberá sem nem precisar fazer muito esforço.

 -Meus poderes de “morto” podem não ajudar, mas tenho duas armas secretas que, uma ela não vai nem mesmo adivinhar, já a outra aceitará de bom grado...

  Os olhos de Annabeth brilharam perigosamente e um sorriso brotou em seus lábios; então ela se virou para falar com Júlio, enquanto me encaminhava para Calipso, mas antes dela ir, voltei-me uma última vez.

 -Ah e muito obrigado. –Ela me olhou intrigada. –Por voltar a se importar comigo... mesmo que eu não mereça e depois de tudo o que fiz...

  Levei a mão a nuca constrangido, mas Annabeth apenas me encarou e depois do que pareceu uma eternidade, ela respondeu com a voz mais calma e verdadeira que já ouvira.

 -Nós nunca deixamos de nos importar!



Notas finais do capítulo

Deixem sua opinião sobre a parte 1, caso queiram, e passem para o próximo ; D❤

★♡★



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