Way Back into Love escrita por Lux Noctis


Capítulo 1
Capítulo Único


Notas iniciais do capítulo

Perdoem os erros que podem aparecer ao decorrer da leitura.
Espero que gostem, de verdade. (Minha primeiríssima fic com esse ship, um tanto quanto inusitado para mim.)



 

Aquela era a terceira missão dos dois, algo que tornava-se costumeiro para Steve Rogers que passou a contar com a presença da ruiva, que passou a realmente confiar nela. E a confiança era mútua. Romanoff sabia, na verdade ela sempre soube, que podia confiar em Steve. O soldado de outro tempo, o famoso Capitão América.

—  Não se atrase! —  ela comentou quando passou por ele no corredor da SHIELD. —  Não use sua idade pré-histórica como desculpa. —  a piscadela era quase imperceptível, quase. Mas ele bem sabia que ela fazia comentários assim para irritá-lo, propositalmente.

—  A pontualidade é algo além dos tempos, Romanoff.

—  Como um verdadeiro cavalheiro.

Ele até pensou em comentar algo, mas ela já estava longe e precisava de uma frase rápida. Não poderiam se atrasar, ele nunca se atrasou e preferia manter seu histórico imaculado. Seguiu para seus aposentos, buscando arrumar o quanto antes sua pequena mala. Levaria apenas o necessário para a missão.


 

As horas pareciam mais aceleradas após às 10 da manhã. Steve poderia jurar que os ponteiros do relógio haviam saltado quatros horas, em apenas um piscar de olhos. Ou talvez, ele realmente perdesse a noção do tempo quando entrava naquela sala específica, para esmurrar o saco de pancadas.

—  Sabia que te encontraria aqui. —  a voz calma de Natasha o fez sobressaltar-se, virando rapidamente na direção que a ruiva se encontrava. —  Disse que não se atrasaria. —  apontou para o relógio na parede.

—  Tecnicamente, não estou atrasado.

—  Tecnicamente… não vai entrar no mesmo avião que eu, se você não tomar um banho antes. E a não ser que você consiga tomar banho e se vestir em menos de 10 minutos, você vai se atrasar.

Sim, estava quase atrasado. Mas promessa era dívida, e sua palavra era uma das coisas que maior valor.

—  Te encontro no hangar! —  ele passou por ela, já correndo. Buscando diminuir a distância da sala de treinos até seu quarto.

—  Homens!






 

Estavam há exatas quatros horas, vigiando um comboio armado. Não estavam ali para desbancar nenhum meliante que se atrevesse a tocar no que não lhe pertencia, estavam para garantir que a paz prevalecesse.

—  Como vigias de um banco. —  Natasha pensou alto, e Steve chegou a pensar que a ruiva tivesse adquirido a habilidade de ler mentes. —  Nada mais emocionante para um dia como esse. A missão de nossas vidas. —  a ruiva parecia um tanto quanto entediada.

—  Saudade da ação? —  Steve perguntou retirando a máscara de seu uniforme do Capitão América.

—  Nunca fui uma fã assídua da espionagem sem ação. —  ela comentou apoiando uma das pernas sobre a perna esquerda do Capitão. Estavam frente à frente, sentados de forma pouco confortável. Mas Natasha decidiu mudar sua situação. —  Importa-se?

—  Não. —  houve uma pausa entre a pergunta e a resposta, como se o Capitão tivesse ficado encabulado com a forma abrupta que a ruiva havia escolhido para um contato.

—  Não fica entediado, soldado? —  perguntou olhando diretamente nos olhos azuis do loiro.

—  Se quer saber se sinto falta da ação, sim e não. Não gosto de precisar lutar, mas acho que me acostumei com essas brigas constantes.

—  Poético, mas não me referia à brigas. Quis dizer na vida, Steve. Você não sai muito, não vejo-o dando mole para as agentes que se jogam em você. Você realmente não percebe, ou não têm interesse?  

—  Agentes que se jogam em mim? —  o rubor em seu rosto era evidente, tanto para Natasha, quanto para ele que sentia suas maçãs esquentarem como em um dia ensolarado. —  Não… isso não acontece.

—  Steve, você é mesmo um santo.

—  Santo?

—  A agente 13 uma vez mencionou numa de nossas conversas. —  a ruiva aproveitou a distração de Rogers para apoiar a outra perna.

—  Você fala sobre mim com as agentes na base da Shield?

—  Na verdade, respondo os questionários que elas parecem ter sobre você. Deveria indicar que, apesar de trabalhar ao seu lado, não sei muito a seu respeito.

Um barulho chamou a atenção de ambos, fazendo Natasha sobressaltar-se, retirando ambas as pernas que estavam apoiadas na esquerda do Capitão. Ficando de pé ao lado do mesmo.

—  Alarme falso. —  um dos agentes disse mais a frente. —  O novato caiu e derrubou uma das caixas. —  disse alertando os dois, sabendo que Romanoff seria capaz de sair em busca de confusão, torcendo para achar logo uma ação naquela missão.

—  Talvez… possamos conversar mais.

—  O quê? E ter que mentir para as pobres agentes, dizendo que não sei nada sobre você, quando na verdade vou saber tudo? —  o sorriso ladino havia entregado que sim, ela estava se divertindo com a ideia. —  Fechado!

—  Vamos voltar. —  um dos agentes se aproximou deles. —  Passaremos a noite num hotel aqui perto, para garantir a segurança do comboio. —  ele direcionava as palavras para ambos, mas não conseguia tirar os olhos das belas curvas da ruiva. —  Amanhã terminaremos tudo e poderemos voltar.

—  Obrigado filho. —  o Capitão dispensou-o, já constrangido com a forma com a qual o agente olhava para Natasha. —  E sobre os agentes que se jogam… —  Steve pegou sua máscara, recolocando-a em seu rosto.

—  Não, esse não deu em cima de você, não se preocupe. —  a piscadela fora a gota d’água.




 

O percurso até o hotel fora tranquilo. O agente mais novo ainda mantinha seus olhos fixos em Natasha, o que incomodava o super soldado, deveras. Não que não fosse óbvio que os agentes a olhassem, mas poderiam ser mais discretos. Se até ele estava notando, então era realmente algo escrachado.
—  Nos vemos mais tarde. —  a ruiva mencionou, numa despedida.

O corredor bem iluminado acentuava o tom de vermelho das madeixas de Natasha Romanoff.
—  Natasha! —  ele aumentou a voz, devido a distância que agora havia entre eles. —  Estava pensando… Se você não tiver nada para fazer hoje, gostaria de jantar comigo?

A ruiva cessou seu caminhar pelos corredores, encarando, mesmo que a distância, as orbes azuis de Steve. Calculando mentalmente os prós e contras de aceitar aquele jantar.

—  Isso é um encontro? —  ela perguntou no mesmo tom usado por ele. —  Seu primeiro encontro desde mil novecentos e muitos anos?

—  Talvez. —  ele ergueu os braços em desistência.

—  As oito, em ponto.



 


Steve caminhava de um lado ao outro naquele corredor. Suas pernas inquietas, tentando arrastá-lo à força para o restaurante, enquanto seu cérebro parecia travar uma batalha enorme para desistir da ideia mais absurda que tivera na vida. Chamar Natasha Romanoff para um jantar. Mas, nem seria considerado um encontro, seria? Afinal o que mais eles poderiam fazer naquela noite? Tecnicamente estavam em missão, poderia usar isso como desculpa para tê-la convidado. Isso, ele usaria como desculpa!

Ele estava decidido a voltar pelo corredor, a trancar-se no quarto e só sair quando faltasse cinco minutos para o horário combinado… até que ele a viu.

Um vestido preto, discreto. Cabelo preso de um lado, deixando boa parte de seu pescoço e seu ombro esquerdo livre.

—  Steve? —  ela chamou-o pela segunda vez, quando já próxima a ele.

—  Pontual. —  fora a única coisa que conseguiu pensar.

—  A pontualidade é algo além dos tempos, Steve. Um senhor me disse isso certa vez. —  o sorriso nos lábios avermelhados de Natasha, fizeram brotar nos lábios de Steve um sorriso também. Muito mais discreto que o dela, mas ainda assim, um sorriso.

Era inevitável para ele não se sentir nervoso na presença de Natasha. A ruiva conseguia atrair os olhares para ela, aonde quer que fosse, e com Steve não fora diferente. Ele havia se sentido como um adolescente desde a primeira vez que a viu. A única que o fez pensar novamente num relacionamento. Loucura, ele sabia, afinal Natasha não parecia o tipo de mulher que se envolve em relacionamentos duradouros.

—  Você está muito bonita, Romanoff.

—  Natasha. —  o olhar penetrante dela, parecia devorar e desvendar cada gesto de Steve. —  Hoje não somos agentes, nem super soldados, muito menos pessoas que se chamam pelo sobrenome. Pegaria muito mal se no restaurante, no dia dos namorados, ouvissem você me chamar pelo sobrenome. Vai entregar que estamos em missão. —  a piscadela já fazia parte de suas ações.

—  Hoje. —  mordeu os lábios e fechou os olhos com demasiada força. Evidenciando que havia se perdido nas datas. Como pudera esquecer algo tão anunciado pela mídia. Poderia jurar que ontem mesmo havia escutado algo na rádio.

—  Ainda perdido no tempo? —  com a destra estendida, ela esperou que ele lhe ofertasse o braço para que pudessem caminhar juntos, como qualquer casal faria no dia dos namorados.





 

Os passos parecia ritmados. Alguns casais que caminhavam na calçada próximos à eles, olhavam-os como se no fundo estivessem com certa inveja. As mulheres queriam ser a Natasha, pela beleza e sorte de estar acompanhada de um homem tão belo. E os homens, oras, eles queriam estar no lugar de Steve, afinal, a ruiva era a personificação dos sonhos de muitos homens.

Assim que chegaram no restaurante, Steve mostrou-se como um verdadeiro cavalheiro. Puxou a cadeira para que Natasha se acomodasse, para só então sentar-se na quina ao lado.

—  Então Steve, conte-me sobre você. Vou adorar responder que não sei nada a seu respeito, quando as agentes me perguntarem depois. —  aquele sorriso novamente estampado nos lábios avermelhados pelo batom.

—  O que quer saber? Sou um livro aberto. —  e ele era. Um homem com conduta impecável raramente tem o que esconder.

—  Por que demorou tanto para me chamar para jantar? —  os cotovelos apoiados sobre a mesa, aproximando-se perigosamente de Steve.

—  Eu… eu não sabia bem como fazê-lo. —  desviou o olhar dos penetrantes olhos de Natasha. Ela conseguiria arrancar qualquer informação daquela maneira, mesmo que Steve não ousasse falar. —  Na verdade, não achei que fosse aceitar.

—  Então, no fundo o Capitão América tem medo de se arriscar?

Ele calou, e ela notou que sim, ele estava desconfortável. Embora ela dissesse não saber nada sobre ele, ela sabia. Sabia que quando ele se sacrificou, correndo o risco de não sobreviver, que ele tinha deixado um amor para trás. Seria compreensível que ele tivesse receio de, mais uma vez tentar… e se ferir.

—  É normal ter medo. —  ela falou colocando a mão por sobre a dele. —  Todos temos medos.

O afago fora suficiente para fazê-lo olhar diretamente nos olhos da ruiva, enxergando uma compreensão que nunca antes havia visto naquele olhar intimidador.

—  Teria te chamado, mas dizem que alguns homens gostam de tomar a iniciativa, então… eu esperei.

Ela sabia, sabia que ele nutria algum sentimento por ela. E para Steve aquela era a luz no caminho. A indicação que estava no caminho certo. Que a estrada poderia ter sido sozinha e cheia de lembranças dolorosas, mas, finalmente parecia estar no caminho de volta ao amor. Ao menos torcia para que sim.




 

O jantar transcorreu sem nenhum contratempo, tirando uma chamada ignorada por Natasha. Ela alegou que se fosse urgente, Maria Hill não ligaria daquele número, ou ligaria duas vezes.

Eles conversavam sobre missões, trocavam experiências, Natasha ria sempre que Steve tentava retratar os anos 40, e ele se encantava com os pormenores que ela contava sobre sua tão fechada personalidade.

A noite havia passado, beirando os limites de um novo dia. Eles já haviam abandonado o restaurante, agora no terraço do hotel no qual deveriam ter passado a noite com os demais agentes.

Os primeiros raios de um novo amanhecer, banhava-os com sua luz ainda tímida. Realçando o tom de vermelho das madeixas de Romanoff, evidenciando o belíssimo tom de azul que compunham os olhos de Steve.

—  Valeu a pena esperar. —  ela comentou quando o primeiro vingador ajustou seu terno por sobre os ombros dela.

—  Pelo agasalho?

—  Por você.

Não teria como deixar que Steve tomasse a frente da situação. Ela não teria essa paciência. Esticando-se o máximo que pôde, erguendo-se nas pontas dos pés, para por fim alcançar os lábios de Steve, selando-os aos seus num beijo tranquilo.

As mãos do super soldado apoiaram-se nas costas de Natasha, dando uma maior sustentação à ruiva, trazendo-a para mais perto de si. Podendo por fim realizar um de seus pensamentos, sanando a curiosidade sobre o toque que os lábios da ruiva causariam em si.









 

Já haviam passado semanas desde aquele dia dos namorados atípico. Natasha permanecia a dizer para as agentes que não sabia nada sobre o primeiro vingador, Steve permanecia sem notar as cantadas que à ele eram jogadas. Tentava não demonstrar seu desconforto quando algum agente se jogava para Romanoff, afinal, tinham prometido manter aquele segredo apenas para eles. Por ora. Ninguém precisaria saber que após as missões, Natasha ajudava Steve a retirar a roupa colada do símbolo americano, assim como ninguém precisaria saber que Steve fazia uma massagem maravilhosa enquanto ainda no banho.

Estavam bem assim, ambos haviam achado o caminho de volta ao amor, apesar de todas as desilusões que já haviam vivido. Estavam engatinhando ainda, mas estavam juntos.