O Protetor escrita por Pedro Haas, WSUniverse


Capítulo 8
Capítulo 7


Notas iniciais do capítulo

voltei o/



Hoje era um dia importante no Hospital, sete dias atrás, Carlos não estava apto ainda, mas hoje, seu décimo primeiro dia no Hospital, eles já o colocaram para competir contra os veteranos nas provas semanais.

Sua cama não era a mais confortável do mundo, mas não era tão ruim. Ele costumava dormir num colchão pior que esse na infância. Carlos olhou para o lado, as paredes cinza, o uniforme cor-de-terra dos "estudantes" do Hospital, as camas beliches espalhadas por todo dormitório compartilhado. Parecia mesmo que ele estava servindo o exército. Logo um sinal sonoro tocaria por toda a instalação, acordando até mesmo o que tivesse o sono mais pesado.

— Otimismo – recitando as palavras de seu pai, baixinho. Não queria que os outros veteranos o ouvissem e continuassem a tirar sarro dele.

Se não tiver otimismo, meu filho, vai ser como qualquer outro animalzinho dessa fazenda. Nunca terá esperança de viver uma vida melhor. A voz dele ecoou pela cabeça de Carlos. Olha onde meu otimismo me levou, pai. Ao inferno...

Seus pensamentos foram interrompidos pelo sinal sonoro agudo. Pouco a pouco, os veteranos foram acordando. Mesmo amargurado, não conseguia ignorar seus ensinamentos. Não conseguia fechar os olhos àquilo que fora ensinado a vida toda: ter esperanças.

— Acorda, palerma – Carlos foi jogado contra a parede por uma força invisível, era o Ruan.

Mesmo Carlos sendo um pouco mais velho que ele — e que todos os outros dali —, nenhum deles ali o respeitavam. Os motivos eram varios, mas o maior era que Carlos não sabia como acionar seus poderes; comparado aos outros, todos máquinas de matar, soldados perfeitos, Carlos era apenas um caipira velho. E caipiras velhos e indefesos como ele são sempre o alvo de piadas. Duas semanas atrás, ele acharia no mínimo loucura se dissessem para ele que ele passaria seus dias sofrendo bullying de um cara grande com poderes telecinéticos.

O rosto de Carlos estava sendo empurrado contra a parede naquele momento, ele cerrou firme seus punhos. Por que ele não conseguia acionar seus poderes? Por que eles só funcionaram com a Duda naqueles dias? Ele não entendia.

— Solta ele, animal – outro dos garotos falou, Carlos não se lembrava do nome dele, mas sabia que ele não era brasileiro – Não vai sobrar nada do palerma pra prova – ele não era exatamente uma boa pessoa, mas Carlos o agradeceu por não ter mais seu rosto contra parede.

Duda... Ela era um mistério. Ele não sentia nenhum rancor, talvez um pouco de irritação, mas não ódio. Não fazia sentido ter ódio dela, afinal, ela sempre vivera daquele jeito: usando pessoas para não se machucar. Ela era uma garota de rua de qualquer jeito, e foi ensinada a ser assim pela vida. Ao menos, ele preferia pensar assim. Quem diria que ela poderia mandar nas pessoas... Ele sentia saudades de seu jeito irreverente e valente. Porém, estava feliz que não era ela no lugar dele agora, seu coração se alegrava ao pensar que ao menos para salvar ela ele prestou.

Talvez, ele pensava, que talvez não devesse enxergar tudo desta forma tão inocente e ingênua. Mas não conseguia, fazia parte dele ser assim, e sua personalidade era uma coisa que já havia aceitado há muito tempo. Entretanto, ser tão ingênuo no seu novo "ambiente" não lhe renderia nada de bom.

O Hospital era menos complexo do que aparentava. Era realmente uma escola para soldados, no entanto, não soldados comuns. Os instrutores eram homens altos e musculosos, militares experientes. Eles comandavam os testes e condecoravam o aluno que se saía melhor nos testes semanais.

De alguma forma, eles impediram completamente as chances de algum não-humano usar algum poder contra os humanos que trabalhavam naquela base. Todos que claramente usavam os poderes na intenção de machucar um ser humano normal, sentiam fortes câimbras e paralisia dos músculos. Se a intensidade da revolta fosse grande o suficiente no ataque, poderia até mesmo levar a morte, era o que eles chamavam de Parecer da Morte. Nos onze dias em que Carlos havia estado ali, um aluno havia morrido pelo Parecer. Embora ele tivesse pensado que isso só aumentaria os sentimentos de rebelião, não, todos os outros, dos veteranos aos novatos, riram e humilharam o aluno morto. Parecia que todos eles, sem exceção, gostavam de estar ali. Era como se todos tivessem sofrido lavagem cerebral para gostar daquilo. Bem, nem todos. Quando recuperou a consciência no segundo dia — Porque, afinal, tinha ficado desacordado por mais de um dia desde o momento em que encontrou o diretor Accers —, analisou bem o cenário. Havia alguém no refeitório que não estava envolvida em nenhum grupo, alguém deslocada como ele. Carlos não resistiu ao impulso e tentou conversar.

A garota era loira e tinha um rosto redondo, olhos grandes e azuis, naquela hora ela olhou para ele com espanto como se tivesse visto o próprio demônio.

— Você! – sua expressão era mais de puro medo do que desprezo que a maioria ali exibia. Carlos olhou para ela de forma inocente, ele nem havia percebido o tamanho do medo da garota naquele momento.

Ela pegou sua bandeja e saiu, e o ignorou desde então. Carlos ficou muito confuso, pensando no porquê dela o ignorar, por alguns dias.

No quarto dia desde que havia chegado no Hospital, Carlos a encontrou sentada num canto do campus, cuidando das feridas que tinha ganhado da prova semanal. Ele se aproximou dela e ela se afastou de início, Carlos se aproximou mais, tentando ser amigável, naquele momento ele também estava quase enlouquecendo e... Ela pegou na mão dele subitamente, depois de uns segundos de um Carlos desajeitado, ela o soltou e relaxou um pouco. Não houve nenhum diálogo, contudo, Carlos ao menos soube seu nome naquele dia. Amanda.

Enquanto desenvolviam sua amizade bem lentamente durante mais uma semana conturbada no Hospital, Carlos também fora aprendendo mais e mais da rotina do lugar. Exercícios físicos normais de manhã, seguidos de aulas integrais das mais diversas matérias, com professores militares e com muita autoridade dentro de sala. Perto do pôr do sol, os treinamentos de combate e testes de poderes eram feitos, com tenentes ou sargentos altos e parrudos comandando pequenos grupos de alunos; estes tinham as mais variadas idades, desde 7 até 21 anos. Isso tornava Carlos de longe o mais velho.

Toda semana havia uma prova, um teste que demonstrava evoluções nos poderes ou melhoras decisivas nas performances diárias. Os três alunos que ficavam por último no ranking de notas das provas semanais de cada classe eram desligados do curso, ou seja, expulsos do Hospital. Carlos sorriu de orelha a orelha quando descobriu sobre isso. Era simples, quando for obrigado a fazer essa prova semanal, ele falharia propositalmente, seria expulso de lá e depois... Bem, depois ele pensaria sobre o futuro. O mais importante era sair daquele lugar.

A semana passou voando, o tempo naquele lugar parecia passar muito rápido. Todos estavam sempre sob pressão psicológica vindo de diversos lugares, ninguém queria sair do Hospital, todos ali eram motivados a passar por cima dos outros para atingir a perfeição como um Agente. E todo Agente trabalhava para expandir mais e mais os poderes do Hospital sobre os Noman (Como todos chamavam os Não-Humanos ali). Até o próprio diretor Accers já foi um Agente, de alguma forma, ele se destacou e virou um diretor. Saber desse boato apenas deixou Carlos com mais medo do homem.

O Hospital desencorajava os grupos, as pequenas gangues, como a de Ruan. No entanto, não explicitamente as impediam, afinal, diziam que o ser humano é um ser sociavel por natureza. Não era raras as vezes em que os professores militares jogavam uns contra os outros, com provas ou pontos adicionais para o ranking. Isso deixava os grupos como gangues de ladrões das épocas antigas: Havia sempre um "líder" da gangue, e essa posição de Noman mais respeitado era sempre disputada por todo mundo. Isso era apenas mais um dos milhares jogos de poder que o Hospital induzia em seus "alunos", os deixando ocupados demais para perceber de verdade o lugar onde estavam. Soldados fortes que não pensam.

O Hospital era um campo de batalha controlado, e os que saíam dali como vencedores, como Agentes, eram os melhores e mais habilidosos soldados que existia.

Quanto mais Carlos conhecia o lugar, mais nojo sentia dele, mais feliz ficava por ter deixado Duda fora disso, e mais intrigado ficava. Por que fugir daqui parece tão simples?

***

Carlos sempre foi um garoto estudioso, mas aquela aula era literalmente um sonífero para ele. O professor explicava coisas do melhor jeito que podia, mas Carlos já havia visto tudo aquilo milhões de vezes na faculdade.

Ele encostou sua cabeça lentamente na mesa e pensou em dar um cochilo.

— Vinte meia-dois! – o professor gritou, como um general. Talvez ele realmente fosse – Presta atenção na aula!

Carlos não respondeu, não por indiciplina, mas era a terceira vez que o chamavam dessa forma, e ele não estava nem um pouco acostumado. Ouviu as risadinhas de Ruan e sua gangue do outro lado da sala, e então, uma pancada de leve em sua cabeça.

— Hey! – Carlos levantou a cabeça rapidamente, vendo o apagador da lousa no chão ao seu lado. Só então, ele percebeu tudo – Desculpe – ele disse, segurando a raiva, fechando os olhos – Não irá acontecer de novo – afinal, logo serei expulso desse lugar de propósito mesmo.

— Quer ter a honra de responder essa questão aqui na frente de todo mundo? – o professor o olhava de jeito intimidador – Acha que isso é brincadeira? Foi uma ordem, soldado, venha e responda isso.

Ele não vai desistir...

Carlos se levantou do fundo da sala, Ruan exibindo sua cara de deboche, Amanda também estava naquela sala, mas estava impassível. Carlos nunca entenderia o que se passava na cabeça de uma mulher.

A pergunta era uma questão de lógica, matemática e programação. Para ele, que era um programador há muitos anos, aquilo era a coisa mais simples do mundo; não era assim para o resto da classe. Carlos escreveu a resposta na lousa.

— Muito bom, soldado, pode... – o professor começou a falar, mas parou logo depois que viu que Carlos estava escrevendo outra possibilidade de resposta.

E outra, e mais uma.

— Programação é incrível – ele se virou para sala, era como se ele tivesse que explicar aquilo que ele havia feito pra todo mundo, pois estavam todos olhando confusos, até mesmo Ruan – Ela força você a olhar de forma diferente para um problema. Você tem que pensar logicamente: "Quais são as minhas alternativas?". Dizem que filosofia é a única matéria que ensina a pensar, mas, na minha opinião, todos os filósofos são programadores em sua essência. Resolver estas questões é fácil, apenas pensem. Pensem por si mesmos.

Ele estava empolgado, por algum motivo. Falar de sua paixão sempre o deixava daquele jeito.

— Tudo bem, Vinte meia-dois – o professor estava sem ação, mas sabia que tinha que controlar aquela situação – Volte ao seu lugar.

Amanda olhou para Carlos confusa. Talvez agora ela não sinta mais tanto medo dele... Carlos esperava.

***

A prova semanal teria início em trinta minutos, Carlos e o resto da turma de sua classe se dirigiram a uma espécie de quadra poliesportiva, de grama cortada e algumas partes enlameadas. A quadra ficava num canto do Campus e era o lugar onde a maioria das provas semanais aconteciam. Era um campo ao ar livre preparado pra receber os poderes destrutivos de todo mundo. Carlos sentiu um frio na barriga enquanto encarava o campo.

O clima estava ameno, nuvens cinzentas tampando o sol. Carlos era uma pessoa friorenta, mas não estava tremendo naquele momento, a adrenalina já estava marcando presença.

Ao redor do campo havia uma arquibancada, com alguns alunos dos outros anos ansiosos para ver o que aconteceria. Uma semana atrás, era Carlos que estava sentado ali, observando entediado sua classe nas provas. Hoje era o dia dele, e mesmo pensando em falhar propositalmente, seu senso de competitividade estava queimando.

Amanda acabou ao seu lado, quando o instrutor dividiu os Noman pelo campo, em conjuntos de quatro pessoas. A sala tinha muitos alunos, e cada um deles seria testado naquela prova.

— Muito bem, silêncio! Atenção! – o Instrutor militar exclamou, sua voz era intensa e imperativa, não tinha como não seguir o que ele falava – Como sabem, esta prova é pensada para testar não só suas habilidades físicas, mas também estratégia de batalha, trabalho em grupo e liderança. Vocês são treinados desde cedo para serem os melhores soldados que o mundo já viu! E para isso, vocês devem ser excelentes.

O instrutor continuava seu monólogo, enquanto Carlos se concentrava na vitória — aliás, derrota. Em seu "Time" estava Amanda, um garoto alto de óculos e cabelo curto chamado Ronan, e uma garota que Carlos de alguma forma achava familiar, mesmo tendo certeza que nunca a vira antes. Seu nome era Alana, tinha o corpo atlético como o de qualquer garota, e Carlos a encarou desde o primeiro dia pensando onde havia a encontrado antes.

— A prova desta semana é uma simples brincadeira: Capturar a Bandeira – alguns murmúrios de comemoração foram ouvidos, os alunos estavam animados – Duas bandeiras estarão no campo, uma em cada extremidade! Seu trabalho é simples, pegue a bandeira do time inimigo e a leve para junto da sua no seu lado do campo. Se sua bandeira não estiver mais em seu lado do campo, você terá que a recuperar. A primeira equipe que tiver duas bandeiras em seu lado do campo, vencerá.

Carlos olhou para os lados, as equipes já estavam formando estratégias, discutindo entre si os melhores jeitos de ganhar.

— Outras coisas também são importantes – O instrutor continuou – Não é permitido sair pelas laterais do campo, nem dos limites da quadra como um todo. Por favor, tentem não matar seus oponentes, apenas incapacitar. Boa sorte e boa prova para todos.

***

Quando todos se organizaram, foi sorteada a ordem em que os times entrariam em ação. Enquanto um a um entrava na quadra, Carlos pode ver como cada um deles trabalhavam em time.

Quando foi a vez do time de Ruan e do seu amigo estrangeiro — Que Carlos descobriu naquele dia que se chamava Jeff —, ele demonstrou mais interesse, eles eram os veteranos favoritos a se tornar Agentes, eles eram considerados os mais fortes, e todos os olhos estavam voltados a eles. 

Por causa disso, o outro time se organizou totalmente na defensiva. Três alunos desafortunados estavam rodeando a bandeira, enquanto um deles avançou, na esperança de capturar a bandeira de Ruan. Jeff passou por ele como um raio, sendo impulsionado pela telecinese de Ruan. Eram uma dupla visualmente incrível. Jeff se jogou de ombros na defesa dos três alunos, segurando a bandeira e rolando no chão com ela.

Ruan estendeu seus poderes até ele e o puxou de volta tão rápido quanto havia atirado. Uns segundos depois, as duas bandeiras estavam no seu lado do campo, dando a vitória ao seu time.

— O trabalho em equipe dos dois é sensacional – Ronan murmurou ao lado de Carlos – Sabem trabalhar muito bem em equipe, seus poderes são agressivos e quase imparáveis, tive sorte de não cair contra eles.

O garoto ajeitou seu óculos enquanto comentava sozinho. Amanda estava do lado dele e concordou com cada palavra.

— Temos que ter cuidado com eles, Amanda, na prova final.

— Muito.

***

Agora era a vez de Carlos, depois de pelo menos 30 equipes já terem passado pelo campo, tudo parecia um pouco mais destruído do que antes. Carlos viu muitas batalhas, observou muitas estratégias e, agora, era a vez dele. Mesmo que isso não importasse, afinal, ele queria mesmo perder. Só esperava não puxar Amanda, Ronan ou Alana com ele pra fora.

Ronan liderava aquela equipe, deixando Carlos e Alana na defesa da bandeira, enquanto ele e Amanda avançavam. Ronan era o que Amanda tinha de mais próximo de um amigo, era um garoto sério e focado, e, fora dali, poderia ser um bem sucedido empresário se quisesse, exalava confiança. Alana era quieta, e não havia dito uma palavra desde que sentou na arquibancada para ver os outros serem testados, Carlos não confiava muito nela. No entanto, todos estavam ali almejando a vitória — menos Carlos, claro.

Ronan havia comentado rapidamente sobre os oponentes: Hélio, um rapaz tão alto quanto Ronan que dominava a terra, podendo criar barreiras rápidas, ele estava na defesa. Tomáz, era um garoto da gangue de Ruan, ele liberava um gás venenoso nas mãos e conseguia jogar nos outros como uma bola de handebol, claro que, como não era permitido matar nessa prova, ele usaria um outro tipo de gás, Ronan deduziu que seria um imobilizante. Todos deveriam se concentrar em desviar e contra-atacar como puder.

Também havia uma garota coreana, Soohyun, seu poder estava no toque: se ela conseguir tocar em Ronan ou Amanda, os dois voariam para trás alguns metros. O último dos inimigos era um garoto que todo mundo chamava de Eddie, ele estava na defesa e era a maior preocupação de Ronan, afinal, ele tinha o poder de criar um campo de força em volta da própria bandeira que poderia repelir qualquer um de toca-la.

Ronan tinha uma estratégia improvisada para lidar com cada um deles, e também para lidar com qualquer coisa que eles poderiam fazer em conjunto. Claro que, para Carlos e Alana, ele apenas disse que tinha tudo sob controle e que eles apenas deveriam se preocupar em defender a bandeira. Ronan iria se concentrar bem mais no ataque, e Carlos não poderia estar menos aliviado.

O instrutor apitou, dando a largada para mais uma rodada da prova. Ronan e Amanda saíram correndo lado a lado, deixando Carlos e Alana protegendo a bandeira. Antes de partir, Ronan estendeu a mão no ar, formando uma estaca de gelo de pelo menos um metro de comprimento e a entregando uma para cada um. Este era seu poder, manipular o ar para que este vire gelo; Ronan também era muito poderoso, Carlos pensou.

Tomáz tomou a dianteira sendo impulsionado pelo empurrão de Soohyun, aproveitando seus momentos no ar para atirar bolas quase invisíveis na direção de Amanda, que usou sua estaca de gelo para rebate-las, como bolas de beisebol. No contato com a estaca, o gás se deformava, era a solução quase perfeita de Ronan contra Tomáz. Soohyun colocou as mãos no chão e se empurrou com força para frente, deixando Tomáz para trás, cuidando de Amanda e Ronan, chegando bem perto da bandeira.

— Proteja a bandeira! – Alana exclamou, segurando o rosto de Carlos e o olhando bem nos olhos. Ele sentiu seus poderes novamente, Ela também é uma influenciadora, eu sabia!

Ele tentou lutar contra a vontade, mas era uma batalha perdida; seus olhos se tornaram prateados, e sua mente fora clareada. Seus reflexos se tornaram muitas vezes mais apurados, e ele se sentia invencível.

Alana já tinha saído para lutar contra Soohyun, que vinha para cima dela como um caminhão. As duas trocaram golpes precisos, eram ambas muito bem treinadas, mas a luta terminou com a vitória de Soohyun, encaixando a mão no tórax de Alana e a empurrando para fora da quadra. Carlos era o próximo, mas agora, o que ele menos temia era ser empurrado, agora ele estava invencível.

Carlos desviou-se das investidas de Soohyun, enquanto segurava a bandeira, tirando-a do alcance da garota. Quando ela finalmente encostou no peito dele e empurrou com toda sua força, ela foi jogada para trás. Carlos sorriu.

Soohyun caiu perto de Tomáz, que estava estupefato. Seu momento de surpresa fora o suficiente para que Ronan criasse gelo no chão, prendendo o pé do outro garoto e de Soohyun.

Carlos segurou a bandeira com uma mão e, com a outra, segurava a estaca de gelo. Enquanto todos do campo olhavam para ele e seus olhos brancos, ele pôde ver, no outro canto da quadra, Hélio criando atalhos de terra para chegar mais rápido na ação, deixando Eddie para trás. Ronan e Amanda correram em direção às bandeira inimiga enquanto isso. Quando Hélio libertou Soohyun e Tomáz, a garota empurrou ambos para a frente de Carlos rapidamente, e depois se empurrou de volta ao seu lado do campo, caindo exatamente na frente de Amanda.

— Tá pronta pra levar mais uma surra, Soo? – Amanda sorriu, entrando em posição de luta.

A garota asiática não respondeu às provocações de Amanda e partiu para cima, num chute alto que certamente acertaria sua cabeça. Amanda defendeu, e sem perder tempo, Soohyun desferiu outro. Amanda segurou seu pé dessa vez, o empurrando para frente, deixando a asiática quase sem equilíbrio. Amanda aproveitou para golpear sua costela, cintura e rosto, numa sessão de chutes e socos dignas de um mestre de artes marciais; e, depois de tantos golpes, finalizou com um chute certeiro no rosto. No entanto, Soohyun teve a pequena chance de empurrar Amanda com seus poderes, e não desperdiçou. Usou toda sua concentração e a empurrou para fora da quadra, mas acabou também sendo jogada para fora com a força da outra garota. No final, as duas estavam fora da quadra, portanto, não poderiam mais voltar.

A partida agora cabia aos garotos. Eddie permaneceu na defesa, melhorando seu campo de força em volta da bandeira, enquanto Hélio batia suas mãos no chão, levantando a terra, enquanto Tomáz saltava entre elas, tentando acertar uma de suas bolas imobilizantes. No entanto, Ronan estava atento. Enquanto as barreiras de terra cresciam, ele mesmo criava seu próprio campo de gelo, e se movimentava escorregando por ele.

Segurando sua estaca de gelo, ele rebatia qualquer ataque de Tomáz, enquanto patinava por sua pista particular em direção a Hélio, procurando tirá-lo da quadra. Quando chegou perto o suficiente, um golpe preciso e rápido foi o suficiente para jogar ele para fora da quadra. Infelizmente, foi distração o suficiente para que Tomáz o acertasse com seu ataque por trás, imobilizando Ronan e o fazendo escorregar para longe da quadra.

Agora apenas restava Carlos, e ele estava a ponto de desistir.

— Carlos, você não pode! – Amanda gritou do canto da quadra – Eu vi em sua mente, não pode desistir, por favor, confie em mim.

Ele apenas olhou para ela confuso.

— Não pode, você precisa passar, não entende? Ninguém pode sair! A liberdade é uma farsa, entende?

"Ninguém pode sair". Essas palavras ficaram na cabeça dele. Liberdade falsa... A mente melhorada de Carlos processou essas informações em questão de instantes. Tudo fazia sentido para ele agora. Os três que não passarem na prova não saem do Hospital. Por que sairiam? O Hospital nunca deixaria. Para sair dali, ele teria que seguir o sistema; ele teria que ganhar.

O corpo de Carlos começou a se mover antes que ele pôde perceber. Tomáz jogou suas bolas de gás em cima de Carlos, uma após a outra, mas para o homem, elas se mexiam em câmera lenta. Carlos se desviou delas como se não fossem nada, rebatendo algumas delas enquanto se aproximava de Tomáz.

Quando estava perto o suficiente, Tomáz jogou uma bola certeira na cabeça de Carlos, mas este a segurou no ar com a mão, como se tivesse segurando uma bola de vôlei pronto para joga-la longe.

— O que! – Tomáz caiu sentado, atônito, como se estivesse encarando um monstro.

Carlos jogou a bola de gás imobilizante de volta em Tomáz, que sentiu pela primeira vez em sua vida o que seus alvos sentiam.

Eddie preparava um campo de força entre ele e Carlos quando o viu chegando devagar, com um sorriso de vitória no rosto.

— Estava querendo manter seus poderes escondidos, palerma? – Eddie se afastava a cada passo de Carlos. Só parou quando o outro deu de cara com sua parede invisível – Toma essa! – ele riu com a garganta seca, a vitória estava garantida, ninguém nunca ultrapassaria seus campos de força de ele não quisesse.

Carlos tocou na parede invisível com curiosidade, era como tocar em um vidro completamente transparente.

— Pode deixar palerma, daí você não...

Eddie foi interrompido quando Carlos cerrou os punhos e fechou os olhos. Como qualquer vidro, aquele também poderia ser quebrado.

Ele deu um passo para trás, deixando o punho fechado na altura do abdômen, virou o pulso e preparou o gancho. Carlos desferiu o golpe um segundo depois, ele fora tão rápido, que ao redor de seu punho havia queimado pelo atrito com o ar. Quando terminou, a parede não existia mais. 

Carlos apenas caminhou e pegou a bandeira inimiga tranquilamente, seus oponentes já não tinham mais forças para o enfrentar. Carlos nunca havia se sentido tão poderoso.

— Fim da partida, vitoria para o time do aluno Vinte meia-dois — O instrutor anunciou, Desde quando eu virei o líder do time?

Seus poderes o abandonaram de novo, e ele sentiu a fatiga constante do seu corpo muitas vezes mais fraco e normal. Ele deixou as bandeiras no chão voltou para perto do seu time.

De longe, um homem de sobretudo e cabelos brancos o observava com atenção. 





Notas finais do capítulo

muita ação nesse capitulo, oq acham?



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