A Revolução da Tecnomagia escrita por JMFlamel


Capítulo 5
Adrenalina e Kobudera


Notas iniciais do capítulo

Grande ajuda para os Aurores. Logo será a hora de embarcar no trem.



CAPÍTULO 4

 

ADRENALINA E KOBUDERA

Graças à sensibilidade em perceber a alteração vibracional do Ki e aos reflexos, consegui saltar para o lado e rapidamente realizar uma desaparatação de curta distância para fora do raio de ação da Maldição da Morte. Aproveitando-me da confusão provocada por aquele sujeito a quem eu jamais vira em minha vida, aparatei ao lado dele e tratei de colocá-lo fora de ação.

— “ESTUPEFAÇA!” – ele caiu imediatamente aos meus pés e o líder da manifestação veio tentar identificá-lo.

—Quem é esse cara? – perguntou ele.

—Esperava que o senhor me respondesse. Mas uma coisa é certa, ele não deve gostar de mim.

—Ele não é dos nossos. – disse o líder.

—Isso eu percebi. Ele aparatou no meio do seu grupo, pensando que não seria notado.

—Você é o filho do engenheiro brasileiro trouxa que veio colaborar com o Ministério, o jovem Sr. Kapplebaum, não é? – perguntou o líder dos manifestantes.

—Sim, sou. E o senhor é...?

—McDonald. Scott McDonald. Peço desculpas, podemos ser contra a Tecnomagia, mas nunca recorreríamos a atentados com Maldições Imperdoáveis.

—Ainda bem. – disse a ele – Eu não gostaria de ficar vendo um inimigo em cada esquina.

—Esse é Grover Witham. _ disse outro membro do grupo – Ele era um Death Eater e estava foragido.

—Ora, então os Aurores irão adorar colocar as mãos nele. Continuem com sua manifestação, senhores. Embora a Tecnomagia tenha chegado para ficar, o seu direito de se manifestarem contra ela é legítimo. Nós cuidaremos dele, até que chegue alguém do Ministério.

—Está bem. Novamente, lamento pelo transtorno, jovem Sr. Kapplebaum. Tentaremos uma audiência com o Ministro Shacklebolt, para expor nossos argumentos.

—Pode soar falso vindo de mim, mas boa sorte.

Assim que o grupo de manifestantes virou em uma esquina, eu me voltei para o Death Eater estuporado.

—Bem, o que faremos com você, Sr. Witham? Creio que o mais certo é chamarmos uma patrulha do Departamento de Execução das Leis da Magia. E eu espero, sinceramente, que você diga tudo a eles.

Alguns minutos depois, uma patrulha composta por cinco elementos chegou, acompanhada de um Auror.

—Onde está o Death Eater? – perguntou o Auror.

—Lá dentro. – disse o Sr. Fortescue – Achamos melhor coloca-lo em uma sala dos fundos, para não chamar a atenção.

—Fez bem, Sr. Fortescue. Vamos dar uma olhada na cara dele.

O Auror aproximou-se de mim, acompanhado pelos outros. Conferindo o rosto com a lista, ele sorriu.

—Ora, ora, Sr. Grover Witham. Enfim nos encontramos, depois desses meses. Quando o senhor foi identificado em Hogwarts, na ocasião em que Voldemort foi derrotado, pensamos que tivesse morrido. Mas agora, creio que poderemos ter uma boa conversa. – disse ele – Quem foi que o estuporou dessa forma magistral?

—Fui eu, senhor. – respondi – Mas pela sua presença junto à patrulha e pelo seu ar de felicidade, parece que esse cara não é peixe pequeno, acertei?

—Na mosca. Bem, precisarei interrogá-lo.

—Eu gostaria de estar presente, senhor. Afinal de contas, eu era o alvo daquela “Avada Kedavra”, portanto sou parte diretamente interessada.

—Tudo bem, jovem Sr. Kapplebaum. Sabe, acho que poderemos fazê-lo aqui mesmo – disse o Auror – Vamos reanimar esse bandido, então. “ENERVATE”!

Witham foi reanimado, mas como estava amarrado, limitou-se a olhar para os outros com fúria. Então, falou.

—Pirralho desgraçado! Como foi que escapou da minha “Avada Kedavra” e ainda me estuporou? – perguntou ele.

—Fazer isso com um completo idiota como você foi simples. Eu pressenti sua presença e pude te neutralizar facilmente.

—Como foi que você o pressentiu, jovem Sr. Kapplebaum?

—Pelo Ki, a energia espiritual. Ela vibra em uma frequência diferente para cada pessoa e, com um pouco de treino, as alterações podem ser identificadas e associadas a estados emocionais, poder, índole, gênero, etc. Bem, acho que o Veritaserum irá nos esclarecer muitas coisas.

—Isso se eu sobreviver. – disse Witham – Sou alérgico a alguns dos componentes do soro, posso até morrer se o tomar.

—Isso é verdade. – disse o Auror – Inclusive, consta de sua ficha. Nos resta, portanto, utilizar Maldição Imperius ou algumas formas de hipnose, já que não utilizamos tortura.

—Por mais que esse cara mereça uma Cruciatus, eu acho que há meios menos violentos e mais eficazes do que Maldições Imperdoáveis. Se o senhor me permitir, posso tentar alguma coisa.

—Se der resultado, não me oponho. – disse o Auror.

Coloquei uma cadeira à frente de Witham e o encarei. Ele ainda tentou me intimidar, se fazendo de brutal.

—Acha que vai conseguir arrancar alguma coisa de mim, garotinho? Eu, um Death Eater experiente, dar informações a um pivete vindo lá do fim do mundo, onde o vento faz a curva? Não me faça rir.

—O seu erro é julgar os outros pela aparência. – disse ao bruxo das Trevas, mantendo meus olhos fixos nos dele – Apenas continue olhando para mim, vamos.

Enquanto seu olhar estava preso ao meu, minhas mãos executavam os selos dos Nove Passos do Conhecimento. RIN “Força da mente e do corpo”; PYO “Canalização da energia”; THO “Harmonia com o Universo”; SHA “Cura própria e alheia”; KAI “Premonição do perigo”; JIN “Leitura da mente”; RETSU “Controle do tempo e do espaço”; ZAI “Controle dos elementos naturais” e ZEN “Iluminação”.

—O que você está... – e Witham não completou a frase.

— “Sua mente me pertence, sua vontade me pertence. Você não existe fora de mim, você faria tudo por mim. Há algumas coisas que eu preciso que você me conte. Você não está com vontade de se abrir para mim, que sou o seu mestre”?

—Sim. Quero dizer quem foi que me mandou te matar. Há muitos bruxos mais antiquados, a maior parte deles simpatizantes das Artes das Trevas, que veem a Tecnomagia como uma ameaça ao nosso modo de vida. Eles não admitem de forma alguma que aparelhos, artefatos e utensílios trouxas, principalmente eletroeletrônicos, façam parte do nosso cotidiano...

A Pena de Repetição Rápida do Auror transcrevia as declarações de Witham, até que nada mais havia a ser dito.

— “Assim que eu bater palmas três vezes, você vai despertar e assinar seu depoimento. Muito obrigado, Sr. Witham”.

Bati palmas por três vezes e Witham despertou. Ao ver a transcrição do depoimento, não teve outro jeito senão assinar e aguardar para ser conduzido ao Ministério e de lá para Azkaban.

—Como foi que você fez isso? – perguntou o Auror.

—Como eu disse, ele me menosprezou por eu ter vindo do Brasil, pensou que somos atrasados e caipiras. Eu usei uma técnica Ninja de controle da mente, chamada “Kobudera”.

—“Ninja”? – perguntou o Auror – Coisa de japonês? Mesmo entre os bruxos, as artes deles são consideradas como lendas.

—É porque dependem de muito treinamento e disciplina do corpo e da mente. Lá no Brasil, elas fazem parte do currículo da Escola de Magia Sepé Tiaraju, onde eu estudei até o último ano letivo.

—E você também fala muito bem o nosso idioma. – disse o Auror.

—Obrigado. – respondi – O aprendizado de línguas estrangeiras, principalmente o Inglês, também faz parte do currículo. Afinal de contas, em qualquer parte do mundo em que você estiver, sempre conseguirá encontrar alguém com quem se comunicar, se souber falar o Inglês. Só tenho um pedido a fazer, tente minimizar o risco do ataque que sofri. Meu pai vai ficar desnecessariamente preocupado, Shacklebolt pode querer providenciar seguranças, acabando por desviar elementos que poderiam ser melhor aproveitados em outras missões, enfim, muito barulho por nada.

—Entendo o que quer dizer, Kadu. – disse o Auror – Mas você tem certeza de que não vai correr perigo?

—Claro que não vou (“Além disso, quanto menos gente no meu pé, melhor”, pensei).

—Então, se é assim... _ disse o Auror, levando o bandido para ser indiciado e encarcerado.

Como já estava na hora de ir, peguei o meu material e fui em direção à saída para o Caldeirão Furado. De lá, fui para casa e tomei um delicioso banho. Depois, enquanto assistia a um documentário na BBC, meu telefone tocou.

—Alô? Uhura? Mas você está em Londres? Não havia ido para o Japão?

—Não, Kadu. Uma colega retornou das férias e a escala foi alterada. Só terei um novo voo depois de amanhã. – respondeu ela – Gostaria de dar uma passada aqui, esta noite? Pensei em uma pequena despedida, já que você vai para sua nova escola, amanhã.

—Eu adoraria. Às 20:00 horas está bom? OK, estarei aí, então.

Na hora combinada, toquei a campainha e ela atendeu. Entreguei a ela a tulipa que trazia e ela me convidou a entrar. Na sala, música suave, uma garrafa de Chardonnay gelado e um queijo que harmonizava perfeitamente.

—Foi providencial essa alteração na escala. – disse Uhura, tomando um gole de vinho – Se eu não o visse hoje, talvez só no Natal.

—É verdade. – disse – Amanhã embarco no trem, às 11:00 horas. Ficarei com saudades.

—E eu não queria perder a oportunidade de estar com você, tê-lo comigo e em mim. Estava sonhando com isso. – disse ela, me abraçando e colando seus lábios aos meus, em um cálido beijo, seguido por carícias e pelo deslizar das roupas.

Nos amamos sobre o tapete da sala de forma apaixonada, ao som de Dire Straits. Ainda bem que estávamos prevenidos. Depois, no quarto, voltamos a nos amar de forma mais suave.

—Vai escrever? – perguntou ela.

—Claro que sim. – respondi, brincando com seus cabelos – Não se espante se as cartas chegarem por aves.

—Que bom. Se tiver que continuar rolando algo...

—... Não haverá o que impeça. – completei – Ninguém conhece o futuro, mas você pode estar certa de que estou adorando o que temos e eu não gostaria que isso se perdesse.

Por volta da meia-noite, despedimo-nos com outro doce beijo e fui para casa. No meio da quadra, vi que não havia ninguém por perto. Entrei em um beco e desaparatei. Em casa, meu pai me recepcionou, com um sorriso.

—Como foi a noite? – perguntou ele.

—Melhor impossível. – respondi – E agora para a caminha, porque o Expresso de Hogwarts não espera ninguém.

Uma boa noite de sono e uma nova aventura, no dia seguinte.





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