Apartamento escrita por MJthequeen


Capítulo 4
Quatro


Notas iniciais do capítulo

Ok, as vezes eu mesma me impressiono com os besteróis que escrevo KKKKKKKKKK
Na boa gente, não duvidem de mim, juro que sei escrever coisas profundas e sérias, vou até postar uma SasuHina mais profunda pq olha hahahaha essa aqui superou tudo.
Eu tenho umas fics de Jovens Titãs que são mais dramáticas, se alguém se interessar ou duvidar de mim viu rsrsrs podem ir lá.

Enfim, me desculpem pela demora!! Pelo menos ficou grandinho. Foi inspirado na capa hahaha O próximo cap vai ser o último, muito provavelmente, se eu não tiver nenhuma ideia, e ele é o antigo 3, então já tem metade pronto rs vai sair logo, juro.

Amanhã arrumo as capas dos capítulos, queria postar logo para vocês. Obrigada por todo o apoio e amor; escrever comédia é complicado para mim pq tenho medo de ser boba demais kkmas se vcs estão gostando, é um bom sinal ;D

Boa Leitura!!



QUATRO

Havia muitas coisas que Sasuke não entendia. 1, como e onde Karin tinha adquirido tanta flexibilidade. 2, como Naruto conseguia continuar apaixonado por Sakura mesmo depois de ela salvar o contato dele como “imbecil-sai-da-minha-cola” e fazer questão de usar @ em todas as conversas no grupo de mensagens do grupo. 3, por que raios tinha escolhido engenharia. 4, por que ele morava no condomínio há muito mais tempo que Hinata, mas eles confundiram sua camiseta com a dela?!

Honestamente, isso era uma falta de respeito. Uma falta de princípios! A garota tinha se mudado há, o quê? 3 meses? Ele morava ali há mais de dois anos. Dois anos! Era de se esperar que o síndico se importasse o suficiente para se certificar de que mandaria a porcaria da camiseta certa. De cenho franzido, Sasuke encara o tecido cor-de-rosa que diz, claramente, “8º andar”.

Primeiro que essa ideia de fazer camisetas por andar, para todos usarem durante as reuniões de condomínio, já era terrível. Ninguém nem queria participar das reuniões, por que raios iriam para elas com camisetas?! Danzou, além de irritadiço, tinha começado a ficar louco. Cada andar teria uma cor específica. Agora, poucas pessoas participavam, e as que topavam participar – Sasuke, que parecia nunca ter nada melhor para fazer – ainda tinham que passar pelo constrangimento – constrangimento! – de receber a camiseta errada. Ele era assim tão invisível?

O Uchiha suspira, passando a mão pelo cabelo. Como Danzou tinha dito, as camisetas chegariam pela manhã, antes da reunião – uns minutos antes. Agora, honestamente, vendo o tecido cor-de-rosa que tem o seu tamanho, mas não o seu andar ou o seu nome – diz “Hinata” na etiqueta –, Sasuke só tinha vontade de fazer Danzou cuspir seus 30 reais de volta e enfiar a camiseta no olho do c...

— Sasuke?

Uma voz na sua porta, depois de três batidas, interrompe seus pensamentos. Sasuke só não fica surpreso ao abrir e ver sua vizinha na sua frente, porque, bem, ela logo perceberia o erro também. Está usando shorts jeans, uma regata azul e tênis que a fazem parecer muito mais baixa do que ele. Não que ela não seja, mas, hã, muito mais. Hinata segura um tecido dobrado delicadamente contra o peito e o cabelo preso para trás destaca seu rosto de boneca. O Uchiha não tem ideia se a levaria a sério se estivessem em um tribunal; não a vendo naquelas roupinhas. Na sua cama, porém...

Sasuke reprime o pensamento com uma tosse, dando espaço para ela entrar, se quiser.

— Ei, vizinha. – Ele sorri de canto ao ver a careta dela. Ok, talvez Hinata não tivesse superado tão bem o último encontro deles. Não tanto quanto ele. – Acho que tem algo aqui que é seu. – Aponta com o queixo para o balcão da cozinha, onde deixou o plástico com a camiseta amassada.

Hinata, que parecia receosa de entrar, solta um suspiro pelo nariz e lança um olhar feio para o Uchiha, entregando com mais força do que é necessário a camiseta para ele e indo até o balcão.

— Você não consegue dobrar, não? – pergunta, murmurando um xingamento baixinho depois de sacudir a camiseta e dar uma breve olhada nela. Sasuke arqueia a sobrancelha, fechando a porta.

— Ah, uau, Hinata, obrigada por elogiar minha casa, você é tão educada – ironiza ele e Hinata lança outro olhar feio. Pelo menos suas bochechas ficam vermelhas agora, sinal de que a fala dele serviu para algo.

— Desculpe – murmura, piscando rápido demais. Sasuke tenta não prestar muita atenção no leve biquinho que ela faz quando está arrependida. – Mas você não ofereceu água, por exemplo, então também não cumpriu com o papel de anfitrião.

— Quer um pouco de água? – Sasuke resolve oferecer, já se dirigindo à geladeira e abrindo-a, pendurando a camiseta azul no ombro. Mikoto não criou nem um mulambento, não, não. Ele pega um dos copos pendurado no escorredor de louças.

— Não.

Sasuke se vira devagar para a garota, água já na metade do copo. Ela está sorrindo gentilmente e tem muito humor nos seus olhos. Ah, filha da puta. Tentando não transparecer a raiva por ter se movimentado para nada, Sasuke derrama a água na pia, tentando não olhá-la.

— Se bem que, pensando bem, está tão quente hoje... – Hinata coloca um dedo sobre o queixo, olhando para cima e pensando nisso.

— Tem razão. Por que não se refresca na varanda? Aproveita e pula. – Sasuke arqueia as sobrancelhas, apontando para a própria varanda. Hinata não consegue mais segurar o riso, sorrindo e tirando a garrafa da mão dele, para servir um pouco no copo. É, ela fica bem assim, rindo. Sasuke até se deixa soltar um sorriso de canto, quando ela começa a tomar o líquido.

— Vem cá, isso sempre acontece? Eles errarem as coisas? – Questiona ela, segurando a camiseta cor-de-rosa no braço esquerdo. Sasuke dá de ombros, retornando a garrafa para a geladeira.

— Bem vinda.

Hinata balança a cabeça, resignada. Logo depois ela lança o olhar para o tecido azul, que o entregou, parecendo confusa. Sasuke arqueia a sobrancelha, esperando que ela se explique. Algo que parece entre desculpas e sorriso percorre os lábios dela.

— Hm... Se eu fosse você, provaria isso antes de irmos.

Sem entender o que ela quer dizer, Sasuke resolve desdobrar a peça e, novamente, a vontade de enfiar algo nos orifícios inacessíveis de Danzou percorre todo seu corpo. Digamos que a camiseta delA veio no tamanho delE, e a delE  veio no tamanho Naruto-com-15-anos-passando-pela-puberdade. 

 

 

Reuniões de condomínio são, basicamente, as atividade de Satanás na Terra. Não, mesmo. Sasuke não podia entender como pessoas acreditavam que boates e casas noturnas eram a manifestação do mal na Terra, quando tinham reuniões de codomínio todo bimestre. Era muita maldade, inveja, feitiçaria, mentiras e ressentimento acumulados num lugar só.

Era o lugar perfeito para os vizinhos fofoqueiros dedurem a vida dos outros. Era o lugar perfeito para você xingar o filho pentelho da vizinha de baixo, sem que ela pudesse bater em você no momento. Era lá que todo mundo descobria que casais eram casais demais e quais eram, hã, de menos.

Sasuke, no caso, era a figura neutra que, de verdade, não falava de ninguém e nem nunca era citado. Ele vinha participar só para marcar presença, mesmo. E para votar nas questões polêmicas, porque era sempre engraçado. Tinha até trazido Naruto uma vez, o que rendera muitas risadas, mas também muita desconfiança de que ele era gay, então não tinha repetido o feito mais. 

Quando Sasuke chegou próximo à porta dupla da sala de reuniões, que não tinha nada além de cadeiras, um cafezinho e bolachas água e sal numa mesa branca, porém, ele foi barrado por Ebisu – argh, por Ebisu. Sasuke estava mesmo perdendo toda a credibilidade. Ainda bem que Hinata tinha resolvido fazer não-sei-o-quê no apartamento dela e não tinha descido com ele – não, não seria bom passar essa vergonha na frente dela. Não que a opinião dela lhe importasse. Ou que ele ligasse. Só... hã... bem, enfim.  

Sasuke olha para o braço esticando na sua frente, atrapalhando sua passagem. Certo que Ebisu, o ajudante – lê-se chupa cu – de Danzou era magro que nem um graveto e ele poderia, facilmente, passar facilmente por baixo – dança da cordinha! – ou por cima – seria tipo parkour, né? –, mas Sasuke não achava que ele merecia o esforço. Por isso, só por isso, ele arqueia a sobrancelha na direção do homem que, sem se intimidar, arruma o óculos de sol com a ponta dos dedos.

— Você não está usando a camiseta, Sasuke Uchiha.

Sasuke tinha trazido a peça acinturada justamente para reclamar e, aproveitando a oportunidade, estende o tecido para que Ebisu veja.  Os músculos faciais dele se esforçam muito para conter uma risada ao ver a peça comparada ao tamanho do tronco de Sasuke. O Uchiha, porém, continua muito sério.

— Descul... pff... Desculpe. – O homem de óculos tosse, tentando permanecer indiferente. – Mas foram... Pffff.... HAHA... COF. – Ebisu se engasga e bate no próprio peito. Por dentro, Sasuke está desejando tanto, mais tanto que ele se afogue na própria baba e morra, que o Capeta já deve estar pensando em contratar um novo estagiário. – Foram ordens! ORDENS! – Ebisu se esforça para colocar a frase nos eixos e, só por que a luz do sol reflete de leve nas lentes escuras, Sasuke pode vê-lo desviando o olhar para qualquer lugar que não seja a camisetinha. Ainda bem que eles não tinham escolhido camisa, né. Imagina só o diminutivo. – Foram ordens do Sr. Orochimaru e do Sr. Danzou. Você só pode entrar com a camiseta.

Orochimaru, nesse caso, era o síndico. Sasuke, tentando conter a raiva que vai aumentando cada vez mais, fecha os olhos com força.

— Eu usaria, se vocês tivessem mandado o tamanho certo – diz, entredentes. Ebisu move os ombros como se pedisse desculpas, mas o sorriso cínico ainda está na sua cara quadrada.

— Me desculpe, não posso fazer nada sobre isso agora. Você não pode entrar sem.

Sasuke olha bem na cara dele e, depois de desejar muitas coisas ruins e outras péssimas, algumas relacionadas à piscina de lava e insetos gigantes, engole em seco e fecha os olhos. Zen, Sasuke Uchiha. 1, 2, 3, 4, 5. Não vale a pena. Ele abre o sorriso mais educado que consegue no momento e, já se virando, diz:

— Ótimo. – Com “ótimo”, Sasuke quer dizer que Ebisu está ameaçado de morte a partir desse dia; de preferência, por facadas. Ah, e também quer dizer “é, tô caindo fora, mané”. Ebisu parece interpretar só a última parte porque, quando Sasuke, de camiseta negra e jeans, se vira e anda em direção ao elevador, com o braço estendido para jogar a camiseta inútil no lixo, ele solta um longo e desafiador assovio.

Sasuke deixa de andar no mesmo instante.

— Ah, eu não iria embora se eu fosse você. – Ebisu usa aquele tom de voz cheio de segredos. Sasuke franze o cenho, mas não o olha. Mesmo assim, quase pode visualizar quando o idiota arruma o óculos de sol. – Eu gostaria de ficar, depois de saber que falaram sobre mim...

Sasuke se vira devagar, com a pulga atrás da orelha. Algo lhe dizia que hoje não era seu dia.

 

 

É verdade, Hinata estava um pouquinho ansiosa. Desde que ela se mudara para um apartamento, só tinha ouvido sobre como se arrependeria amargamente disso. Todos diziam que seus vizinhos de cima seriam um casal dançarinos de flamenco que gostam de praticar sapateado enquanto tentavam novas posições sexuais num colchão de molas. O de baixo, por sua vez, um velhinho surdo com um aparelho de audição sempre regulado no sensível. Os do lado teriam crianças que, além de gritar e chorar e fazer cocô o dia todo, como crianças fazem, bateriam na sua porta sem parar. Os salões de festas estariam sempre ocupados e muito provavelmente no seu andar haveria alguma velha fofoqueira sem mais o que fazer.

Para ser sincera, era tudo verdade.

Exceto, talvez, o vizinho do andar de baixo. Sasuke não era um velho, apesar de ter os ouvidos sensíveis. Ele era novo até demais, para ser sincera... Tudo um pouco demais. Um pouco alto demais. Com ombros largos demais. E um cabelo desarrumado demais. Pernas malhadas demais e braços fortes demais e peitoral destacado demais nas camisas que usava para ir para o estágio. Postura demais quando saía dirigindo o carro, como se nada demais lhe importasse e ele estivesse acima de todos. Os sorriso de canto dele também mexiam demais com a cabeça dela. E com algo no seu baixo-ventre. E o cheiro dele? Aquele perfume masculino de suor e homem másculo segurando uma moto-serra máscula, cortando madeira como um verdadeiro mach... Hinata bate na própria testa, sentindo o nariz quente como fogo e interrompendo os pensamentos.  

Olha só, ela é uma advogada! Meu Deus. Sem tempos para ficar atraída pelo vizinho debaixo. Por favor, a vida não era um filme pornô, por mais que Tenten tentasse a convencer que sim. Quando chamara Sasuke para dar um jeito na barata, era uma barata mesmo. E, bem, ela tinha passado por toda aquela coisa constrangedora de ser iludida por um ex que só queria um tempinho entre suas pernas – e Sasuke estava lá. Hã... Não, espera. Não no meio das pernas dela. No constrangimento. É isso. Embora tudo teria sido melhor se ele estivesse, sim, no meio das pernas dela.

Pelo menos ela é adulta o suficiente para admitir isso.

Mas não adulta o suficiente para se ver vestida na camiseta rosa, no espelho do elevador, e pensar que, se tivesse chegado só mais uns minutos mais tarde, talvez estaria com o perfume dele. O tamanho era exatamente o que ela imaginava. Batia em suas coxas, quase cobrindo seu shortinho, e ficava folgado nos braços. O peito, por sua vez, até que preenchia muito bem – é, ok, ela é peituda, é isso.

Hinata abana o rosto, torcendo para o rosado sumir. Então, estava ansiosa para a reunião de condomínio. Apesar de todos terem dito que morar em um apartamento seria ruim, ela estava gostando da sensação de independência. E, ao mesmo tempo, ter que lidar com assuntos como vizinhos e coisas que podia ou não fazer. Se estivesse em uma casa, como seu pai tinha insistido que ela fizesse se queria tanto criar independência, teria se sentido muito sozinha. Certo, ela ainda teria vizinhos e eles poderiam ser muito melhores, mas Hinata não teria a desculpa de “encontrei alguém no elevador” ou “saímos para levar o lixo juntos”. Socializar, às vezes, ainda era um grande trabalho para ela e essas pequenas coisas a ajudavam imensamente.

O que será que falavam nessas reuniões? Talvez eles discutissem sobre melhorias? E sobre entendimentos entre vizinhos. Com certeza era algo sério, como um tribunal. Ela quase podia se ver defendendo o caso de um vizinho que foi xingado de “bundão” pelo pestinha do Konohamaru. Hinata volta a corar, lembrando de quando ele tinha usado essa palavra com ela, mas não no mesmo sentido que usara com Sasuke, dias depois. O que estão botando na comida dessas crianças, hein?!

Ao se deparar com a porta dupla da sala de reuniões, um homem a cumprimenta com um sorriso. Hinata sabe que já viu esses óculos escuros, mas não se lembra do nome dele, então tenta só sorrir como se nada estivesse acontecendo.

— Hinata Hyuuga, oitavo andar... – Ele anota numa prancheta que estava pendurada na lateral da calça. Poucos segundos depois, a encara com certo humor e seu sorriso se torna um pouco travesso. – Você teve a camiseta trocada, não foi? Perdão. Eu posso disponibilizar outra agora mesmo, depois é só me entregar essa.

— Ah, seria muito útil. Essa ficou um pouco grande. – Hinata na verdade não quer ter que tirar porque isso a lembra de Sasuke, mas controla o pensamento e aceita a camiseta que ele tira de uma caixa de papelão, escondida atrás de um vaso de plantas. É da cor do seu andar, rosa, e é do seu tamanho. – Muito obrigada.

— Fique à vontade. – Ele faz um floreio com a mão, que Hinata tenta fingir que não achou estranho.

Ela segue para o banheiro feminino, do outro lado, para se trocar antes de entrar. Bem, que homem educado!

 

 

Sasuke ainda não consegue acreditar que realmente está vestindo isso. Ele tenta ignorar todos os olhares quando entra na sala de reuniões devagar e se senta na fileira destinada ao seu andar, próximo ao final. Mesmo assim, pode ouvir vários murmúrios e Chiyo, a velha chata, diz algo como “o mundo tá mesmo acabando” alto demais. Até um “é homem querendo virar mulher e mulher querendo virar homem”. Ele lança o melhor olhar feio que consegue, mas mulheres idosas são imunes a qualquer coisa. Inclusive a maldições também, porque, cof, Sasuke já tinha a amaldiçoado várias vezes mentalmente.

O Uchiha cruza os braços debaixo do peito, tentando se manter sério e ignorar os olhares. Ok, não é para tanto. Ele estava parecendo a Mia, de Rebeldes, com o umbigo para fora? Talvez. Mas, hã, croppeds masculinos estão em alta. E mulheres amam homens andrógenos. Então só por que a camiseta dele está um pouco apertada demais, não quer dizer que...

— Meu Deus.

Sasuke se vira na cadeira, arqueando as sobrancelhas para a voz. Hinata cobre a boca com os dedos, mas seus olhos se retorcem de um jeito que ele sabe que ela quer gargalhar. Tipo, muito. Ele não sabe muito bem o que ia dizer, mas, ao ver que a babylook dela é do tamanho exato para o próprio corpo, faz uma careta.

— Como conseguiu essa?

— Como você não conseguiu? – Hinata pergunta de volta, sem esconder o bom humor na voz. A fileira do andar dela fica logo no lado da dele e, aproveitando que ainda está vazia, ela se senta na cadeira do lado da de Sasuke. – E por que está usando isso?!

Sasuke realmente tem vontade de lançar uma resposta atravessada para ela, mas é só ver o sorriso mágico no rosto oval e a vontade se dissolve.

— Ebisu filho da puta – murmura, ainda com raiva. Seus olhos voltam a deslizar para Hinata, sentada meio de lado. Queria tê-la visto com a camiseta do seu tamanho. – O quê? Você não gosta do que vê? – pergunta, respondendo a segunda frase dela e fazendo uma pose feminina. Hinata ri, jogando o pescoço para trás.

— Ai meu Deus, pffff... Não faz isso. Meu coração é fraco.

— Cuidado para não pular em mim. Contenha seus desejos primitivos, Hinata. Você não pode me ter! – Sasuke finge uma súplica, o que só faz Hinata rir mais e ele solta um sorriso com o resultado. A mão dela para em sua coxa, próxima ao joelho, numa tentativa de conter os tremores do corpo por conta da gargalhada.  

— Oh, não! Como é suposto que eu me sacie de você, então? Não posso suportar mais nenhum segundo nessa agonia, querido Sasuke. – Ela diz, tom de voz rouco como que para imitar um homem. O sorriso de Sasuke diminui um pouco. Não importa o quanto ela aprofunde a voz, é impossível ser confundida com a de um homem. Ela é muito feminina em vários sentidos diferentes, inclusive no jeito como os dedos ainda não deixaram sua perna, mesmo quando ela para de sacudir os ombros. Mas Hinata nem parece ter se dado conta, perdida na brincadeira.

Sasuke não consegue evitar olhá-la com certo carinho. Ela sempre o fazia rir, mesmo que de maneiras diferentes. E a forma como o sangue dela se espalhava por todo o rosto, tão rápido, era cativante.

— Você deve. Eu só me entregaria após o casamento – Sasuke diz, ainda na piada, embora seu tom já não seja mais tão divertido, nem um sorriso percorra seus lábios finos. Hinata pisca seus cílios, tombando a cabeça para o lado, fazendo com que o rabo de cavalo caía na frente de seu ombro.

— Nos casemos, então. Sob o céu estrelado e os ventos de outono. Nos casemos à meia-noite, beira-mar, ou ao meio-dia, debaixo de um arco dourado. – Ela aperta a coxa dele, sorrindo docemente. – Contato que nos casemos e você seja meu.

Por alguns segundos, Sasuke tem vontade de se curvar e cobrir os lábios dela com os seus. Ele tem certeza que ela não negaria e não há um só motivo para não fazê-lo. E seus músculos quase o levam na direção dela – quase. Um só segundo antes que ele se mova, uma voz masculina e profundaenche o recinto.

— Ótimo, acho que estamos todos aqui, podemos começar a reunião.

Sasuke desvia o olhar para o dono na voz, Orochimaru, que, lá na frente, está de pé e olha para todos com certo tédio. Durante a brincadeirinha deles, o lugar se encheu – o quão cheio uma reunião dessas podia ser, considerando que nem todos participavam – algo entre 20 ou 25 pessoas. Orochimaru se senta, do lado de Danzou. Imediatamente, devagar, Sasuke já não sente a mão dela na sua perna, sobre o jeans. Quando a encara de canto, Hinata está olhando com muita vontade para o síndico e para o zelador.

— Bem, nós tivemos algumas reclamações nas últimas semanas, e eu gostaria de começar falando sobre o...

— Tem que começar com Gai, do quarto andar! – Anko, uma mulher que está usando camiseta amarela, do terceiro andar, diz. Ela se levantou e apontou ameaçadoramente para a fileira do quarto andar. Seus olhos estão cheios de olheiras e ela está cheia de raiva. Orochimaru levanta uma sobrancelha por ser interrompido.

— Srta. Anko, por favor, sente-se e...

— Se você tem algum problema comigo, vizinha, podemos resolver facilmente numa corrida de 200m a qualquer momento. – É Gai que se levanta e sua camiseta verde combina assustadoramente com as calças de ginástica da mesma cor. Ele tem um olhar de profundo desafio. Orochimaru massageia a testa, desejando não ser o síndico.

— 200m?! – As cabeças se viram para Anko, que começou a gritar, indignada. – Olha aqui! Seu... Seu... Maluco! Você estava dançando zumba às 3AM! ZUMBA!

— B-Bem, eu não vejo o Sr. Asuma reclamando de nada disso... – Gai diz, cabeças viradas para ele. Ao menos não está inventando uma desculpa. Sasuke levanta uma sobrancelha, vendo Asuma, que também é do terceiro, levantar os braços como quem diz que não tem nada a ver com isso.

— Ei, eu não... – ele tenta, suando frio.

— É claro que não! Ele está no sétimo andar toda a noite... – Um terceiro se levanta, também da fileira do terceiro andar. É Iruka, que também parece estar tendo problemas para dormir.

Vários murmúrios começam e Sasuke cobre a boca para não rir. Hinata parece confusa, mas num segundo sua confusão some, pois uma mulher da fileira de Sasuke, Kurenai, se levantou.

— E o que você quer dizer com isso, Sr. Iruka?! – Ela pergunta, o rosto mais vermelho do que deveria e as mãos na cintura. Os murmúrios ficam mais alto e Asuma suspira, cobrindo o rosto com a mão e se perguntando o que raios está fazendo alí. 

Orochimaru arqueia a sobrancelha direita para ela.

— Hm... Srta. Kurenai, receio que não houveram nomes citados.

Kurenai olha para o síndico e seu rosto fica muito mais vermelho. Ela não se senta, porém.

— N-Não, mas eu falo por todos do sétimo andar que se sentem muito ofendidos com... com tais insinuações! – Ela tenta dizer, se atrapalhando um pouco nas palavras. Sasuke até consegue ouvir uns risinhos e tossidas para disfarçar o caso. Iruka, que não parecia querer insinuar algo de propósito, coça a bochecha.

— É claro que não... Eu poderia estar falando sobre... Sobre... Hã... A Sra. Chiyo!

— O QUÊ?! – A mulher idosa se levanta imediatamente, em choque. Na verdade, ela é do andar de Hinata, o oitavo. As risadas ficam um pouco mais altas agora. – Está insinuando que eu, uma mulher viúva, estou tendo um caso com o Sr. Asuma?!

Iruka fica pálido.

— O quê? N-Não.

Outra mulher se levanta. É Tsunade, do quinto andar, e ela olha ofendida para Chiyo, cruzando os braços sob os seios. Sua camiseta é vermelha.

— O que ser viúva tem a ver com isso? – pergunta, mal humorada, por que ela é uma viúva também.

Chiyo a encara com um ar superior, erguendo o queixo.

— Nós, viúvas, deveríamos nos dar o respeito, embora nem todas sejam capazes disso... – Tsunade está prestes a dizer mais alguma coisa, a mão em punho, quando um grito a interrompe.

— AH! Quem se importa com quem vocês estão dormindo?! Orochimaru, eu exijo que você multe esse imbecil agora mesmo! – Anko volta a apontar para Gai, que parece que vai dizer algo sobre uma competição de levantamento de pesos. Ele só chega a abrir a boca.

— Silêncio! Silêncio, todos vocês! – O síndico exige, se levantando. Depois de alguns segundos de olhar feio, as pessoas em pé vão se sentando devagar, embora ainda murmurem e conversem com os do lado. Alguns concordam e outros lançam olhares tortos uns para os outros.  

Hinata cutuca o ombro de Sasuke e, quando ele a encara, seus olhos perolados estão arregalados.

— É sempre assim? – ela sussurra, usando a mão para ninguém ver sua boca. Sasuke ri de canto, sussurrando para ela:

— É só por isso que eu venho.

— Ótimo. Agora parecem... pessoas. – Orochimaru diz, voltando a se sentar com toda a polpa. Ele cruza as pernas e, mesmo recebendo alguns xingamentos (e sua mãe também, cof), pega um caderno com Danzou, que assiste tudo em silêncio, com um ar superior. – Como eu estava dizendo, antes de ser interrompido... – Ele lança um olhar gélido para Anko, que jura que vai se tornar síndica no próximo ano e Orochimaru vai comer na sua mão. – Eu gostaria de começar por ordem de últimas reclamações. Depois, falemos sobre as questões administrativas. Então... Sasuke Uchiha, do sétimo andar.

Sasuke franze o cenho ao ouvir o próprio nome. Todas as cabeças se viram na sua direção – ótimo, agora eles sabiam que ele existia?! Receoso, ele se levanta devagar e pode ouvir risinhos e murmúrios outra vez. Tenta não revirar os olhos.

Orochimaru olha-o da cintura para cima, franzindo os lábios para conter uma careta.

— Vejo que teve alguns problemas com a camiseta... – Ele começa a dizer, e Sasuke assume a sua melhor expressão Uchiha-são-superiores, que já tinha causado muita raiva em Naruto. Orochimaru tosse, mas algo diz para Sasuke que na verdade ele não tinha ficado com raiva, pois suas bochechas pálidas doentes tinham ficado vermelhas. Tenta conter uma careta. – Cof. Hã... Parece que a Sra. Chiyo registrou uma queixa de... – Orochimaru estreita os olhos, como se para ler melhor. –... conversas impróprias no corredor, algumas semanas atrás. Com a Srta. Hyuuga.  

Sasuke franze o cenho. Ah, que droga. Era disso que Ebisu estava falando. Mas Danzou e Orochimaru já tinham conversado com ele sobre isso, por que estava falando na frente de todo mundo? Tinha dedo da velha Chiyo nisso, a bruxa adorava constranger alguém em público. Antes que ele possa dizer algo, ouve uma cadeira sendo empurrada do seu lado. É Hinata, que se levantou com a mão no peito.

— Eu?!

Orochimaru olha para os lados de maneira cínica, com uma careta... Ciumenta? Hã... Sasuke tenta ignorar isso.

— A não ser que tenhamos outra Hyuuga no recinto, querida.

Hinata engole em seco, olhos ainda arregalados.

— M-Mas eu nunca... Eu não... – Ela tenta dizer, vermelha, olhando para todos ao redor. O Uchiha fica imaginando como ela deve ser diferente em um julgamento. Uma Hinata durona e sexy enche os seus pensamentos, mas ele adorava essa frágil e tímida... hm... Ele segura a mão dela, impedindo-a de falar qualquer outra coisa.

— Eu e Hinata nunca tivemos um envolvimento assim. A Sra. Chiyo está ouvindo demais. – Sasuke a olha feio, mas a mulher não fraqueja. Argh... Geralmente ele amava velhinhas. Geralmente.

 — Ei, um pouco de respeito com os idosos aqui... – Homura, um velho que morava com a esposa também idosa, no primeiro andar, diz, apontando o que deve ser uma bengala para Sasuke, que também olha feio para o pobre coitado.

— Fica na sua.

Alguns murmúrios e risadas seguem, outra vez, e Sasuke tenta fingir que não está ouvindo. Mikoto já deve ter sido ofendida uma par de vezes ali, mas é melhor não pensar nisso. De repente, a mão de Hinata não está sob a sua. Sasuke a olha e vê como ela está com o rosto tão, tão vermelho. Parece que vai explodir. Ela tinha dito algo sobre o pai, na primeira vez que eles se encontraram...

— Eu nunca... Nós não... Como eu... – Ela tenta, sem sucesso. Então aponta para Sasuke, acusatória. – Ele está usando uma camiseta feminina! Dá para ver o umbigo!

As risadas ficam mais altas e até Danzou precisa cobrir a boca. Hinata também o faz, chocada. Tinha dito sem querer. Quando olha para ele, como se pedisse desculpas, Sasuke a encara entre rir e ficar ofendido.

— Eu não tive escolha! – Diz, sentindo o rosto quente pela primeira vez desde que colocara a roupa.

— Você pode ficar sem por mim. – É a voz de Tsunade, que não se levanta: se resume a dar uma piscadinha para Sasuke, da sua cadeira. Ok, essas velhas estão bebendo ou o quê?

— Sra. Tsunade, por favor. – Orochimaru diz, mas ele parece mais ofendido do que agindo como um síndico.

— Oras, Srta. Hyuuga, todos percebemos que você tem um problema com homens quando jogou todos àqueles presentes pela janela. Orochimaru, eu também reclamei disso, por que não citou? – Chiyo diz, no seu melhor tom de senhora abusada, olhando primeiro para Hinata e depois para o síndico.

Hinata arregala ainda mais os olhos, se é que isso é possível, e aponta para Chiyo cheia de raiva.

— Você... Você... VOCÊ É UMA VELHINHA MUITO MÁ! – Fala, o dedo trêmulo. Sasuke tenta não rir, olhando com certa dó para ela. Era a melhor ofensa? Sério? Ele segura o braço dela e o baixa, mexendo a cabeça de um lado para o outro, tentando acalmá-la.

— Eu tenho que concordar. Olha, a Srta. Hyuuga se livrou de um porta-retratos muito bom que eu estou reutilizando agora. Então ela não fez nada de errado para mim. – Dessa vez é Shizune, muito pacífica, que diz. Ela é do segundo andar e olha com certo afeto para Hinata. Sasuke faz uma careta para ela, sem saber se isso é bom, porque, hã, ela está apoiando Hinata, ou estranho, porque ela está reutilizando o “lixo” da Hyuuga.

Hinata também parece confusa, mas não esconde o olhar de estranhamento que lança na direção da pobre enfermeira.  Uma mão se estende do lado de Shizune, na fileira do primeiro andar. É Tamaki, que deve ter a idade de Sasuke.

— É verdade! Tinha uma vela de essência de gatos lá, e eu a-m-e-i. – Sasuke olha para Hinata, arqueando uma sobrancelha. O que Kiba queria, dando-lhe uma vela com essência de gato?! A Hyuuga está com a melhor expressão de “não pergunte ou eu te mato” e ele assobia, tentando não rir. – Mas nós podemos falar daquele demôniozinho do Konohamaru? Eu vi quando ele chutou meu gato. – Ela fuzila Hiruzen, pouco atrás de Asuma.

O velho, que está fumando, não parece se afetar.

— Menina, você tem uns dez gatos. Qualquer um de nós pode tropeçar em um deles no caminho.

— Cinco vezes?!

— O garoto tem problema de visão.

Orochimaru volta a massagear o rosto, suspirando ao ver que Tamaki iria responder e logo mais alguém se meteria no assunto.

Aproveitando que as atenções não estão mais voltadas para eles, Sasuke faz com que Hinata se sente e respire, se sentando também. Ela parece um pouco mais calma, apesar ainda de praguejar coisas no nome da velha Chiyo. Ele franze os lábios, inclinado na direção dela.

— E aí, arrependida de morar em um condomínio?

Hinata ri sem humor para ele, levantando os lábios um pouco. Ela murmura, levemente mais doce:

— Arrependida de vir para esse.

 



Notas finais do capítulo

*eu não reviso, ignorem os erros*

Ok, ok, eu não moro em um prédio, mas sei que as reuniões NÃO são assim kkkkkkkkkkk mas é efeito dramático gente. Lembrem-se da minha licença poética hahah espero que tenham curtido.

Até o próximo :*



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