Apartamento escrita por MJthequeen


Capítulo 1
Um


Notas iniciais do capítulo

Olá ;) essa fanfic vai ter três capítulos, já escritos, que dão um total de 10 mil palavras. Talvez possa ter mais, uma vez que estou revisando e, quando acho necessário, acrescento um parágrafo ou outro hahahah mas a média é essa.
É uma comédia bobinha passar o tempo, mas, sinceramente, o capítulo 2 e o 3 estão mais engraçados kkkk mesmo assim, toda fic tem que começar de um lugar, então cá estamos.
Espero que vcs gostem e que eu possa fazer alguém rir ;D

O próximo sai até sábado! Talvez amanhã, se eu acordar com vontade de postar kk

*os andares na capa estão trocados de propósito, tipo como se ele tivesse pegado a camiseta dela e ela a dele kk*


Enjoy~



UM

Honestamente, Sasuke não se importava. Ele não era o tipo de vizinho rabugento, intrometido, que queria dar uma opinião ou fazer um comentário sobre tudo o que o resto das pessoas naquele prédio faziam. Sério. Ele não se importava se Kurenai trazia um namorado diferente toda semana, ainda insatisfeita com o término do casamento de 5 anos. Não dava a mínima se Gai passava tempo demais na academia e rezingavam que ele parecia ocupar todos os equipamentos de uma vez – celular aqui, toalha lá, garrafinha próxima ao peso. Ele nem sequer sabia que Asuma, alguns andares abaixo, fumava 3 maços de cigarro por dia, ou que Konohamaru tinha, mais uma vez, feito xixi dentro de um dos brinquedos do playground. Ele era a pessoa mais paciente do mundo quando se tratava de seus vizinhos – todos eles.

Mas tudo mudava drasticamente quando sua mais nova vizinha, do andar de cima, ouvia música alto e fazia sexo ao mesmo tempo. Ele dá uma olhada para os vários livros espalhados na sua escrivaninha; faltava pouco para as provas finais de engenharia. Muito pouco. Então ele podia aguentar um dos dois: cama rangendo ou música alto; estava disposto a abrir mão do silêncio por um dos dois, mas só um. Sinceramente, Sasuke merecia um prêmio da ONU. Ele se esforçava muito pela paz, já sua querida vizinha...

Mesmo quando ele se levanta e deixa a cadeira meio de lado, a música continua. O ranger da cama também. Já faz 25 minutos, pelas suas contas, então ele acredita que ela teve felicidade o suficiente e que já pode interromper – de alguma forma, isso o faz se sentir mal; odiava quando atrapalhavam uma de suas transas. E pensar que essa garota não tinha cara de quem fazia tais coisas de forma tão barulhenta...

Hinata tinha chegado fazia duas semanas. Eles se encontraram no elevador e, um pouco constrangida, ela interrompeu os pensamentos dele sobre colocar as séries em dia para dizer que era a vizinha nova, do oitavo andar. Um pouco contragosto, Sasuke se virou para ela e disse que era do sétimo. Foi só olhá-la que até simpatizou; era pouco mais baixa, corpo bonito, cabelos escuros e longos. De bochechas coradas, parecia o tipo de pessoa que não o traria problemas. Por isso foi fácil balançar a mão dela e dizer que ela podia passar no Nº26 se precisasse de algo – mesmo que ele fosse fingir que não estava em casa, muito provavelmente.

Então, quem diria? Sua mãe sempre dizia que não se pode julgar pela aparência. Ino parecia o tipo barulhenta, mas todas as vezes que ele a trouxera para seu apartamento, a loira tinha preferido deixar de usar a cama. Talvez esse seja o problema, Sasuke pensa enquanto sobe o lance de escadas, sem paciência para esperar o elevador. Talvez Hinata nunca tenha morado em um apartamento, vai ver ela não sabe que não pode fazer esse tipo de coisa numa cama mais ou menos velha sem que todo mundo do prédio escute. De verdade, ele não ouviu nenhum gemido, só alguns poucos gritos alegres. Então, pensa orgulhoso, ela está com sorte. Pelo menos é ele e não o velho Sarutobi; imagina que constrangedor ser interrompida por aquele cara?

Sim, de fato, Sasuke está fazendo um favor à moça e ao cara, ou outra moça, com quem ela está.  Ele semicerra os olhos quando enfim chega ao corredor. Talvez o favor seja maior ainda, quem escolhe essa música para fazer sexo?  Não que Sasuke seja um especialista em sexo – humildade de lado, ele é bom, mas especialista seria demais. Ou especialista em música – de quem é aquela...? Aquela lá, assim, tantantan...? Daquele cantor, aquele lá, sabe. Ou especialista em música para sexo – não vamos lembrar do dia que Karin resolveu escolher uma playlist esquisita e o quadril de Sasuke às vezes tinha que se mexer ao som de Evanescence, o que não é exatamente o melhor estimulante sexual. Mas, certamente, se ele tivesse que escolher algum sonzinho para o momento H, não seria O Baile Todo.

De frente à porta dela, ele só consegue encarar a madeira com uma expressão estranha. De verdade, ele não se importa. É o que repete para si mesmo. Por mais estranho que seja, Sasuke não liga se Hinata está dando uma (!) ao som de a O Baile Todo (!). Na verdade, ele nunca nem sequer a incomodaria se fosse só o som. Estranho, ok. Mas talvez ela gostasse de ser a cachorra ou a popozuda e isso não era problema dele. Ele nem sequer a incomodaria se Hinata estivesse só fazendo sexo. Mais uma vez, o problema é os dois. Não dá para focar em dezenas de fórmulas com todo esse barulho.

Quando finalmente bate na porta, sua mente vai longe. Sério, essa música é antiga. Não havia nada mais atual na playlist de Hinata? Ou na do cara, ou moça. Alguém precisava dar um toque para esse casal. Talvez o estranho da relação fosse ele(a). Esses dias Sasuke tinha visto um cara estranho entrando no prédio, usando verde e cabelo tigelinha. Ele não imaginava que um cara desses teria chance com Hinata, que era bonita, mas, outra vez, ele não imaginava que Hinata fosse tão barulhenta

A música continua, apesar do ranger de madeira, e da madeira contra a parede ter parado. Muito bem. Sasuke bate de novo, mais forte do que da primeira vez. A música fica mais baixa, mais baixa, até quase sumir completamente. Talvez essa era a chance dele, era só se virar e sair correndo pro seu apartamento, como se nada tivesse acontecido. Não seria constrangedor para os dois. Afinal, apesar de Sasuke querer quase que desesperadamente que o som parasse, ele não queria ter que encarar Hinata e dizê-la que...

— Sasuke?

A porta dá lugar para uma menina em shorts, camiseta e meias até os joelhos. Ela está arfando, o peito sobe e desce. Sem querer – sem querer mesmo – o olhar de Sasuke desce até onde sobe e desce. Pelo menos Deus era justo com ele e, apesar do sexo louco que Hinata devia estar fazendo, ela está bem vestida. Não que estar bem vestida queira dizer qualquer coisa, Hinata tem muitos... atributos. Quase que imediatamente, sentindo o nariz ficar vermelho, Sasuke volta a subir para o rosto dela. Gotas de suor descem pelas laterais do rosto, até o pescoço e a gola da camiseta. Os lábios entreabertos, úmidos, e as bochechas coradas quase fazem ele imaginar o que ela estava fazendo... Céus, não tinha percebido que a vizinha era tão bonita assim. Lá, no elevador, na única vez que a vira, ela parecia só uma garota simpática da sua idade. Agora, no entanto, algo na barriga dele se retraia. E, hm, algo em seu baixo ventre estava... animado.

É claro, havia uma explicação plausivelmente lógica e cientifica para essa reação corporal. Provavelmente o cheiro que ela estava liberando, por estar fazendo sexo, atiçava seu lado macho – macho de macho e fêmea; não confundir ou duvidar da super heterossexualidade de Sasuke Uchiha – e o chamava para o coito. Isso não acontecia quando as mulheres ficavam menstruadas, também?  Sasuke estreita mais um pouquinho os olhos e pode ver Hinata o encarando com uma grande interrogação no topo da cabeça. Ele realmente precisa parar de assistir esses programas de biologia. 

Hã... Foco, Sasuke.

— Hinata – responde, automaticamente. A garota pisca, confusa, e suas sobrancelhas se juntam.

— Sasuke...?

— Hinata – diz, outra vez, e os dois se olham sem entender nada. Sasuke finalmente balança a cabeça para espantar os outros pensamentos; sério, sua mente tinha dado um jeito de chegar até menstruação. Como isso era possível? Tempo demais com Naruto, devia de ser. – Digo, Hinata. Eu não quero ser incômodo ou atrapalhar você e sua companhia, mas, tem como fazer as coisas mais baixo?

Hinata arregala os olhos. O Uchiha percebe que talvez tenha sido direto demais; era assim que as coisas funcionavam para ele, afinal. A garota fica tão, tão vermelha, que seu nariz praticamente grita para Sasuke “Deus, eu me arrependo amargamente do Baile Todo, por favor me mate agora, por favorzinho”. Ele se encontra num misto de “ela merece isso por ser inconveniente” e “coitada, lembra-se daquela vez que você passou por aquele momento constrangedor de interromper o rala-rola de uma mulher que você só viu uma vez na vida e quando ela apareceu na porta seu corpo age como se ela tivesse acabado de te chamar para um ménage?”. Céus. Ele não quer ser machista ou objetificar ninguém, mesmo, porém não consegue fugir de torcer para que seja uma moça, não um rapaz. Por que se essa Hinata convidá-lo para um ménage agora, Sasuke pegaria umas cinco DPs.

— Eu não... – ela gagueja, olhando para trás, parecendo extremamente envergonhada. O olhar fica firme na rosto de Sasuke e ele até se assusta um pouco. – Ai meu Deus! Eu não estava... Não estava fazendo nada com ninguém!

— Hm... Ok...?

— Não, sério! Eu não estava... nada com ninguém! – Sasuke percebe como a língua dela trava toda vez que vai falar sexo e segura uma risadinha. De verdade, ela parece constrangida. Os olhos não param de tremer. – Meu Deus, não posso ficar mal falada no prédio. Meu pai ia me matar. Ele nem queria que eu morasse sozinha – diz, rápido demais, voz trêmula. Se Hinata tivesse força para isso, cavaria um buraco no chão e se enfiaria lá. Sasuke tenta se lembrar dos antigos tempos onde frequentava uma psicóloga e ela tentava fazê-lo ficar a vontade.

— Não vou falar nada para ninguém – “mas acho que todos já ouviram, popozuda”, Sasuke prefere abster-se de dizer essa última parte. Ela parece em pânico o suficiente e levanta os olhos de algum ponto além do ombro dele, do nada.

— Não... Não acredita em mim...? – Apesar do tom de dúvida, soa para Sasuke mais como uma afirmação.

Ele crispa os lábios.

— Camas não rangem sozinhas, sabe... – bem, isso é óbvio.

O rosto de Hinata passa do vermelho para o branco e ela precisa se segurar no batente da porta, que se abre mais do que deveria. Isso dá chance para um Sasuke totalmente não curioso observar boa parte da sala de estar; a porta do quarto, quase que de frente para essa, está aberta. Ele pode ver a cama completamente vazia.

Então a verdade cai sobre a cabeça de Sasuke como água fria. Na verdade, água quente, por que seu baixo-ventre volta a se remexer incomodamente. Talvez, comodamente demais.

— Ah, entendo – solta, sem querer, e Hinata o olha assustada.

— Entende o quê?!

— Você estava... hã... sozinha... – Sasuke mexe o braço, procurando uma palavra. Quando olha no rosto em pânico da garota, meio branca, meio vermelha, ele próprio sente suas bochechas corarem. – Enfim, desculpe... atrapalhar... É só que estou estudando, sabe. E isso é um prédio. Se tomar mais cuidado da próxima vez, tenho certeza que ninguém vai ouvir nada... nem a música.

— Não estava me masturbando! – Hinata quase grita na cara dele e, ao perceber o que falou, leva as duas mãos à boca rapidamente, branca como vela. Sasuke tenta conter a risada e a expressão de estranhamento. Eles tinham conseguido chegar à masturbação. Impressionante.

Ele só quer se virar e sair dali antes que sua imaginação vá mais longe do que já foi.

— É claro que não...

— Não estava!

— Não?

— Não!

— Hm... Isso é normal – Sasuke não tem ideia de por que está falando assim, mas ela o lembra estranhamente das crianças para quem seu irmão Itachi já tinha dado aulas de piano. Não que ele quisesse que ela dissesse que estava brincando de DJ ou qualquer coisa tão chula quanto isso, mas ela podia simplesmente pedir desculpas e fechar a porta na cara dele. Não é como se ele pudesse agora simplesmente dar as costas e sair andando... – Masturbação, quero dizer.

— Mas eu não estava! – Garante, até sua testa vermelha. Sasuke arqueia a sobrancelha.

— Então eu deveria acreditar que sua cama é assombrada ou coisa do tipo?

Hinata mexe os lábios nervosamente. Olha para trás, para os lados, para Sasuke outra vez. Parece indecisa. Ela fecha os olhos com força e volta a abri-los. Sasuke não tem ideia do que está passando pela mente da garota; se fosse Ino, lhe diria que era masturbação sim e pediria uma mãozinha. Hinata não podia fazer o mesmo?

 Ok, Sasuke precisa mesmo voltar para os cadernos. Agora.  

— Eu estava... Estava... p... – ela fala tão baixo que Sasuke precisa se curvar, sem entender.

— Quê?

Hinata olha para ele, contrariada, e fecha a mão em punho, ainda no batente.

— Eu estava p...

Sasuke se curva mais um pouco. Malditos fones de ouvido; Itachi estava certo esse tempo todo. Ele ficaria surdo aos 25. Está tão perto de Hinata agora que poderia beijar a testa dela, mas ele simplesmente quer ouvir o que raios a menina tenta dizer.

— Não tô entendendo.

— EU ESTAVA PULANDO! – Hinata grita, brava, e, no susto, Sasuke vai para trás. Ela leva as mão à boca de novo. – Ai meu Deus, me desculpa.

Sasuke a olha de forma esquisita. Talvez ela tivesse alguma deficiência, dessa que não podemos dizer só de olhar.

— Vocês estava... pulando?

Hinata olha para os lados, constrangida.

— Estou feliz. Finalmente passei no exame de advocacia.

— Com O Baile Todo?

— Passar, depois de dois anos tentando, me fez me sentir um pouco nostálgica – ela está vermelha como um tomate.

— Por 25 minutos?!

— Meu colchão é de molas... – murmura, querendo se esconder. – Depois que você pula a primeira vez, é difícil de parar! – Então ela ergue o olhar do chão, franzindo o cenho para Sasuke. – Você estava contando?!

— Eu estava desejando que você e o seu parceiro brochassem, contar é o de menos – Sasuke admite, se sentindo mais zangado do que deveria. Hinata abre a boca em “o” e ele quase se arrepende, mas já está bravo demais para isso. – Você tá mesmo me dizendo que eu vim aqui pedir para você abaixar o som e fazer sexo de pé, só para descobrir que você estava pulando na sua cama, completamente sozinha?!

Os dois se encaram por segundos. Segundos demais. Em silêncio completo, tentando distinguir as palavras de Sasuke. Hinata precisa voltar para o apartamento e mandar mensagem para todos os seus familiares e amigos, que esperaram essa notícia por dois anos, como ela. Sasuke precisa voltar para o apartamento e estudar, coisa que ele está atrasando já tem três semanas. Mesmo assim, eles continuam se olhando. Hinata engole em seco. Sasuke está tentado não julgá-la muito.

— Se alguém do prédio perguntar, eu estava transando com algum cara – fala, rápido demais, quase tropeçando em suas palavras.

— Justo.

 Hinata enrola uma mecha do cabelo comprido no dedo.

— E talvez você possa dizer que ele era bonito...?

Sasuke franze o cenho.

— Não abusa. 

 



Notas finais do capítulo

*a arte da capa não é minha, encontrei a foto no google e editei*
Obrigada por ler ;)
Até o próximo~