31 dias no Inferno escrita por Kaline Bogard


Capítulo 6
Abaixa que é tiro!


Notas iniciais do capítulo

ele alimentou o dragão...

:D



Aborrecido, jogou o fruto meio mordido contra o maior Dragão-de-Komonyah, na intenção de fazê-lo se espatifar contra o couro duro, ainda que sem causar grandes efeitos. Mas, para nova surpresa de Kiba, o monstro abriu a grande boca cheia de dentes afiados e engoliu a comida.

— Mas que… caralho? — notou que o animal mastigava a fruta com gosto, como se estivesse saborosa!

Curioso, pegou outra e arremessou para o dragão. Com agilidade, ele abocanhou a comida e repetiu o ato de degustá-la. O último dragão, parecendo aborrecido, deu as costas e se afastou desinteressado da situação.

— Você come frutas! Pensei que era carnívoro! — Kiba conversou com o Dragão-de-Komonyah, que apenas balançou a cauda de couro grosso de um lado para o outro, meio preguiçoso. Um ato que o fez pensar em Akamaru.

Desconfiado, Kiba jogou mais alguma comida para o animal, que comeu cada um deles.

— Não pode ser! Esse bicho… será que ele come carne e frutas?

Bom, ele não descobriria se continuasse no alto da árvore. Agora só tinha um dragão por ali, poderia enfrentá-lo caso se tornasse agressivo.

Sem hesitar mais, saltou do galho e caiu em pé no chão. A mão bem próxima a kunai escondida no uniforme. Mas o dragão apenas assistiu, curioso. Nada em sua postura indicava intenção de atacar ou fazer algo contra Kiba.

— Não to entendendo mais nada — o garoto relaxou. A atitude ia contra o que ouviu até então!

Infelizmente, baixar a guarda custou caro. O Dragão-de-Komonyah rugiu alto e assustador, ao mesmo tempo em que expelia uma gosma pegajosa, que acertou Kiba em cheio e o recobriu de um líquido transparente.

—--

Na divisa das primeiras casas, ao se dar conta de que estava sem o companheiro de missões e namorado, Shino parou de correr. Todos os Dragões-de-Komonyah foram diminuindo o passo, diminuindo até parar perto do ninja. Sete ou oito pares de olhos assustadores, selvagens, encarando com curiosidade. Um rosnou, outro o imitou ainda mais alto. Era uma clara tentativa de intimidação.

Shino trincou os dentes disposto a rifar caro sua vida. As mãos desceram ágeis para a kunai escondida nos trajes, que poderia ajudar a derrotar um ou dois daqueles monstros. Sua prioridade era abrir caminho e voltar para ajudar Kiba.

— Luqbwbwygsn!! — a voz meio esganiçada roubou toda a atenção e quebrou a tensão da cena.  Shino viu a dupla de menininhas sair do meio de uma das moitas, agitando os braços para todos os lados — Gtdkksndmmmm!!

E saíram correndo de novo, de volta para as moitas, pelos sons, pareciam ir pra bem longe.  Os Dragões-de-Komonyah se viraram naquele sentido, começando a correr na direção delas. Como se… brincassem de pique-pega!

— Eles acharam que eu… estava brincando? — incrédulo, Shino ajeitou os óculos na ponta do nariz, empurrando-os para o lugar certo. A conclusão, reforçada pelos gritinhos alegres das crianças que se tornavam mais baixos conforme elas se afastavam, desestruturou Shino. Ele perdeu bons segundos confuso.

Aqueles grandes lagartos que mais pareciam monstros de ficção pré-histórica eram amigáveis? Bem, isso justificaria os nativos morarem ali tão despreocupados. Mas… nesse caso… porque tantos avisos sobre não alimenta-los? Sobre serem carnívoros e se alimentarem de pessoas? E os turistas desaparecidos? Não tinham sido usados como sacrifício?!

E Kiba?

O pensamento trouxe senso de urgência para Shino. Precisava ajudar o garoto! Ele devia estar correndo até agora! Sem saber que os dragões não o atacariam.

Mas antes que saísse do lugar, viu o companheiro surgir longe ao fim da trilha, aparentemente muito bem, embora caminhasse de um jeito um tanto engraçado, e com um Dragão-de-Komonyah a segui-lo, devagarzinho.

Aguardou que Kiba chegasse perto. Teriam muito o que conversar.

— Shino… — o garoto choramingou — Ele não me atacou, mas acho que ele me envenenou com cuspe!

Só então Aburame Shino notou o líquido translucido escorrendo pelo corpo do outro, ainda em quantidade o suficiente para pingar no chão. Os cabelos castanhos estavam lambuzados, o rosto trigueiro brilhava de umidade pegajosa.

Shino lembrou-se que os Dragões-de-Komodo criaram o habito de escavar túmulos, tinham predileção pela presa já morta como um predador estilo chacal e hiena. Seria a espécie irmã do mesmo jeito?

Nesse caso…

— Kiba… — preocupado, deu um passo a frente. Assim que chegou perto o bastante do outro, sentiu o cheiro. Ou melhor, o mau cheiro. Um cheiro tão forte e horrível, que Shino dobrou o corpo, cometido por uma violenta ânsia de vômito. Afastou-se trôpego, colocando-se a boa distância — Como está aguentando esse cheiro?

— Cheiro? — ele ergueu os braços e os farejou. O olfato quase canino não sentiu nenhum cheiro ruim, o veneno parecia inodoro — Não to sentindo nada.

Confuso, Shino franziu as sobrancelhas e tentou chegar perto do namorado de novo. Pois o desagradável odor voltou com força total, lhe causando náuseas e trazendo lágrimas aos olhos protegidos pelo par de óculos.

Incapaz de suportar, afastou-se de novo.

— Shino…? — Kiba choramingou. Estava morrendo envenenado e outro ficava preocupado com cheiro?!! — Me ajuda!

— V-vamos até a pousada. A funcionária deve conhecer uma contra-medida — e cobriu parte do rosto com o braço, tentando aliviar a respiração, em vão. Eles não entendiam muito de venenos, apenas o básico dos mais comuns encontrados em missão. Haruno Sakura era especialista em medicina, mas a garota não estava ali.

Os dois saíram em direção à pensão. O grande Dragão-de-Komonyah saltitou atrás deles, acompanhando toda a cena com olhos predatórios. Kiba queria chutar aquele bicho, por atacá-lo com veneno, mas se começasse a sentir os efeitos, talvez ficasse fraco e não pudesse se defender. Por isso não enfrentou o réptil, deixou que o seguisse por todo o caminho.

Assim como seguiu entrecortando o vilarejo até a porta da pousada, onde ficou educadamente esperando do lado de fora. Um ou outro nativo espiou pela porta das casas rusticas, sem a menor indicação de que ofereceriam ajuda.

Kiba entrou primeiro, meio desesperado. Shino mantinha-se bons metros atrás, nauseado pelo odor do pobre namorado. Mais um pouco e colocaria para fora o almoço que sequer tinha ingerido.

— Moça — Kiba foi dizendo e se aproximando do balcão — Fui envenenado!

A funcionária ergueu os olhos da revista de palavras-cruzadas com evidente má vontade. Inclinou-se um pouco pra frente, analisando Kiba de cima a baixo, meio coberto pela gosma transparente. Então olhou para a porta, onde Aburame Shino esperava do lado de dentro. E o Dragão-de-Komonyah esperava do lado de fora. A cauda balançando preguiçosa de um lado para o outro.

— Ai, ai, ai — ela suspirou com exagero — Agora não tem mais jeito. Você alimentou o dragão, não alimentou? Lide com as consequências sozinho, moleque. Não tenho nada a ver com isso.

— Mas… — Kiba começou a protestar indignado. Ele estava ali, morrendo. E a mulher lavava as mãos?! Era isso o que aconteceu com os hóspedes desaparecidos? Eles jogavam comida pros dragões, eram envenenados e devorados. Depois, os restos mortais eram escondidos em alguma vala macabra e secreta?

— Quando alguém alimenta um Dragão-de-Komonya ele…

Uma gritaria interrompeu a explicação da funcionária. Por um segundo terrível, pareceu que o mundo estava acabando.





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