31 dias no Inferno escrita por Kaline Bogard


Capítulo 2
Recepção Calorosa


Notas iniciais do capítulo

NÃO estou betando!!

Digito e posto direto, no máximo uma revisão. Perdoem os erros, eu não sou (muito) burra. Só distraída xD



A viagem durou mais do que esperavam. A distância no mar enganava os olhos, uma ilusão que podia ser fatal aos navegantes inexperientes.

 Shino logo notou que as águas eram um tanto revoltas e obrigavam o motor do navio a funcionar no máximo da potência para nao sair da rota ao sabor da ondas.  Escapar de Sunshine Island a nado era potencialmente arriscado.

 Daquele ângulo não conseguiam mais ver as outras ilhas. Apenas os navios que seguiam já longe o bastante para parecerem pontinhos maculando o horizonte.

 Navegaram mais um pouco. De acordo com o panfleto de ofertas, a viagem de barco estava inclusa na parte “inesquecível” das férias. Fato inegável. A paisagem era linda, similar a obra de arte mais cuidadosa que já se viu na vida: nada além da imensidão do mar aberto a se perder de vista, uma sensação de solidão que podia ser sublime. Ou desoladora, dependendo do estado de espírito com o qual se navegava.

 A embarcação firme e segura avançava tranquila, agradável.

 Quase enganava alguém experiente como aqueles dois ninjas.

 Quase.

 Shino mantinha firme na mente o objetivo da missão: pessoas desapareciam. Vinham para essa ilha e nunca mais davam sinal de vida. Mas… geralmente pessoas sem família, cujo desaparecimento era notado por um ou outro colega de trabalho, ou vizinhos… o que tornava a situação muito suspeita!

 Mais um pouco de tempo depois atracaram em um frágil amontoado de tábuas que sequer podia ser chamado de cais. O capitão desligou o motor e jogou uma pequena âncora ao mar.

 — É aqui que vocês ficam, marujos — bateu continência.

 — Obrigado — Shino agradeceu e pegou a bagagem. Kiba inclinou-se de leve e pegou a própria mala.

 — Sigam reto pela trilha — o capitão olhou pra cima, como se calculasse as horas — Vão direto pra pousada! Eles devem estar fazendo a cesta agora.

 Shino e Kiba se entreolharam. “Eles”?

 Sem esticar a conversa, saíram do navio e avançaram por terra firme. As expectativas se confirmaram: por ambos os lados da trilha havia uma flora exuberante e colorida. Era impressionante, uma visão com a qual poucas vezes podiam ter contato.

 Enquanto andavam, iam examinando cada detalhe de modo discreto, como verdadeiros ninjas treinados. Shino liberou alguns insetos espiões para que se espalhassem e recolhessem informações sobre tudo o que encontrassem.

 — Você sente isso? — Kiba perguntou baixinho, como quem não quer nada. O instinto apuradíssimo era quase animalesco. Mal começaram a avançar pela pista e teve a forte intuição de que estavam sendo observados.

 — Sim — Shino respondeu sem aprofundar o assunto.

 O sol começava a declinar no horizonte. A tarde cedia espaço, mas o calor continuava impressionante. Agradava Kiba, ao contrário de Shino, cujas costas metidas no casaco já se umedeciam de suor. Talvez não conseguissem sair naquele dia mesmo para investigar. Compensariam amanhã.

 A medida em que o avanço continuou, foram recompensados pela visão que surgiu ao longe. No começo algo tímido e intermitente. Uma casinha aqui, outra acolá, que se somaram até notarem se tratar de um modesto vilarejo.

 — Chegamos! — Kiba se animou. Suor minando pela fronte e costas. Nunca se arrependeu tanto pela escolha de uniforme. Embora concluísse facil que a situação de Shino era infinitamente pior — Quero tomar um banho logo!

 — A pousada fica no centro, não? — Shino perguntou algo que já sabia, apenas para alimentar conversa fiada. Por trás dos óculos observava um ou outro morador sentado na porta das cabanas. Algumas mulheres varriam, chaminés desprendiam fumaça, talvez para o preparo da refeição noturna.

 — Fica sim.

 Um grupo de crianças passou correndo e gritando por eles, indo em direção contrária. Assim como os adultos tinham um tom de pele trigueiro, dourado pelo sol e muito saudável. Não deram atenção aos turistas, provavelmente acostumados a desconhecidos zanzando pelos arredores.

 Foi fácil achar a pousada. O maior prédio, encravado no meio da aldeia. O único de dois andares e aparência bem sólida.

 — Ali! — Kiba soou mais animado que o normal, fome, calor e cansaço agindo como grandes incentivadores. Foi o primeiro a entrar no lugar, na esperança de se deparar com o frescor proporcionado por sair do sol. Triste e inocente engano, lá dentro estava mais abafado do que no sol do entardecer.

 Ignorando a decepção do companheiro, Shino foi direto para o balcão da recepção. Notou a funcionária sentada com uma revista de palavras cruzadas na mão, era morena e magra, de cabelos lisos quimicamente tratados (fato perceptível pela raiz dos fios novos). Atrás dela, pregada na parede, uma foto dela própria, com a indicação de “funcionária do mês”, mas tão desbotada, que a conclusão mais óbvia era a de que vinha sendo o destaque da equipe, todos os meses nos últimos anos…

 — Boa tarde — Shino cumprimentou.

 — Estava boa até agora — a mulher resmungou, mas deixou o passa-tempo de lado para atender os novos hóspedes — Aburame e Inuzuka?

 Shino, um tanto chocado pela grosseria inicial, confirmou com um aceno. Kiba veio parar ao lado dele, curioso.

 — Ótimo — ela pegou dois kits de debaixo do balcão e empurrou na direção deles — Toalhas, sabonete e pomada para queimadura. Damos um kit por semana, usem com sabedoria. Andar de cima: quartos. Andar de baixo: banheiro comunitário e refeitório. Não temos loja de conveniência, muito menos souvenirs. Não temos guias turísticos. Sinal de wifi não funciona, a ilha não tem linhas telefônicas e a eletricidade falha as vezes. Refeições inclusas no pacote: almoço ao meio-dia. Jantar às seis horas. Perdeu, está perdido. Cuidado com a descarga, tem horas que ela não funciona e a porta emperra às vezes, um chute de leve resolve. Se quebrarem, terão que pagar. Quarto cinco, terceira porta do lado direito da escada. Alguma dúvida? — fez a ultima pergunta tão logo depositou uma chave sobre a pilha mais próxima de Shino.

 — Não — o rapaz respondeu tentando filtrar toda a enxurrada de informações enquanto Kiba apenas escutava, boquiaberto.

 — Evitem a área da praia entre meio dia e três horas da tarde. O resto do dia, divirtam-se. Isso significa que o interior da ilha é seguro nesse horário.

 — “Seguro”? — Kiba questionou. A funcionária girou os olhos.

 — Turistas nunca lêem as letras pequenas. Seguro, por causa dos Dragões-de-Komonyah — apontou uma placa do outro lado da recepção, próxima a porta de entrada, por isso Kiba e Shino não tinham visto. Dizia: proibido alimentar os dragões.

 — Dragões? — Kiba ficou interessado.

 — Tentem não tirar fotos também, isso costuma irritá-los. Qualquer duvida é só perguntar, mas venham pessoalmente. Nenhum ramal funciona, nem os da recepção — e voltou a posição anterior, dando a conversa por encerrada.

 Shino e Kiba se entreolharam. Em que enrascada haviam se enfiado??!



Notas finais do capítulo

até o próximo!!



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