Truth be told escrita por Arina


Capítulo 1
ღ a melhor ideia de todas (ou não).


Notas iniciais do capítulo

Aparecendo num fandom novo com uma fanfic relativamente grande, yay! (medo) Enfim, essa oneshot surgiu por causa de um amigo secreto. Eu tirei a Mays (MidorimaNails), e fiquei realmente feliz por poder te presentear de novo esse ano. ♡ Quando vi, eu s-a-b-i-a que tinha que preparar algo desse ship pra você, por mais que eu nunca tenha escrito uma fanfic de bnha antes orz. Eu escrevi com muito carinho, queria colocar elementos não só do ship, mas da relação entre os personagens num geral. Sofri com planejamento, sim; mas, no fim, escrevi do jeito que me deixou mais satisfeita. hjshhjhgs Espero que aprecie, porque você merece. Foi maravilhoso ter te tirado. ♡

Uma boa leitura a todos!



truth be told;

Era semana de Halloween, por isso uma animação especial dominava os alunos da classe 1-A. Após obterem aprovação e incentivo dos professores, todos se organizaram para decorar o dormitório de forma bem temática. Yaoyorozu era uma das mais empolgadas com o evento, utilizando bastante a própria individualidade para providenciar os mais diversos materiais. Juntamente a ela, Iida auxiliava na organização, como o exímio representante de classe que era. Atividades como esculpir abóboras e decorar luminárias japonesas com papeis recortados no formato de aranhas, morcegos e fantasmas eram algumas que decidiram realizar. Tons alaranjados e neutros preenchiam o ambiente, evidenciando ainda mais o auge do outono.

Enquanto cuidavam de tudo, os alunos também conversavam sobre o que fariam nos dias seguintes para estimular ainda mais o clima de Halloween.

— Que tal a gente se juntar pra contar umas histórias bem assustadoras? — Kaminari sugeriu em tom ardiloso. Arqueava as sobrancelhas inúmeras vezes sugestivamente enquanto se voltava para Ashido, que o ajudava a posicionar as luminárias. — Eu ‘tava lendo umas coisas bizarras sobre fantasmas um dia desses, existe época melhor para compartilhar?

— Bem, eu super aprovo! — Ashido respondeu visivelmente empolgada.

— Eu até conheço umas lendas bem interessantes — Uraraka comentou.

Os outros colegas que ali se encontravam no momento — Midoriya, Jirou e Kirishima — também não se opuseram à ideia, parecendo genuinamente interessados. Então, Kaminari tencionou prosseguir com sua fala para que decidissem um horário e local apropriado para que o fizessem, porém hesitou por um breve instante. Fez um sinal para que todos se aproximassem o suficiente a fim de que ele não tivesse de falar muito alto e, averiguando o espaço mais uma vez, enfim declarou:

— Eu acho que é melhor que a gente não faça isso aqui, sabe? Pra não correr nenhum risco de um professor ou algo do tipo nos encontrar acordados tão tarde… É uma pena, porque ia ser ainda mais intenso se fosse aqui, mas é melhor não correr esse risco.

Os demais concordaram.

— Seria legal se a maior parte do pessoal participasse, mas… Eu não consigo ver o representante da turma concordando. — Kaminari suspirou resignado. Sua mente já vagueava pelos possíveis sermões sobre não ter uma boa noite de sono e o impacto disso nos próximos dias.

— Eu posso tentar falar com ele… — Midoriya murmurou com um olhar determinado. Os outros apoiaram a sugestão, e logo ficou estabelecido que ele tentaria convencer Iida, afinal seria muito mais divertido caso mais gente pudesse aparecer também.

— Só precisamos definir o lugar — Jirou interveio. — Pra não chamar muita atenção, o melhor seria um dos quartos, né?

— Já sei! — exclamou Ashido, erguendo-se de supetão como se houvesse acabado de ter a ideia mais genial de todas. Um sorriso entusiasmado adornava sua face. — A gente pode usar o quarto do Todoroki! Aposto que o Sr. Sem-Tatami-Não-Fico-Confortável deve ter o quarto mais espaçoso… Bem, depois do Shouji, claro. Mas o estilo tradicional japonês deve ser ótimo para criar o maior clima sombrio.

— Wow, wow, essa é uma ótima ideia, Mina! — Kaminari disse satisfeito, enquanto se levantava para se juntar à amiga.

— Eu posso perguntar ao Todoroki-kun! — Uraraka informou. — Vou tentar falar com ele ainda hoje, mas acho que ele não vai ser contra.

— Certo, então fica decidido! O plano é nos encontrarmos amanhã no quarto do Todoroki logo depois do jantar — Denki resumiu com um sorriso e em seguida se voltou para a decoração inacabada.

— Eu vou tentar chamar outras pessoas também. Cara, eu já ‘tô imaginando o quão incrível vai ser — Kirishima finalmente se pronunciou com a expressão contente usual. Após isso, despediu-se brevemente do restante dos amigos, alegando que precisava fazer uma coisa naquele momento.

— Não tem problema — Uraraka avisou com um aceno —, você já cortou vários morcegos, deixa o resto com a gente!

Após ouvir as palavras e lidar com os olhares de Ashido e Kaminari que praticamente gritavam um você vai depois dizer em detalhes onde estava, Kirishima deixou o prédio da Heights Alliance um tanto apreensivo, até que uma visão parcialmente inesperada o acalmou.

Sentado casualmente em um banco próximo ao edifício, estava Bakugou Katsuki, como um forasteiro em meio à paisagem tranquilizante do final da tarde. Ele não parecia fixo a alguma coisa específica; o semblante possuía uma imprecisão que impossibilitava qualquer um de deduzir o que se passava por sua mente. Tendo ciência do quão único e singular o momento era, Kirishima aproximou-se e sentou ao lado dele, sem dizer uma palavra.

Em instantes do tipo, quando Bakugou não estava basicamente ameaçando explodir todo mundo e carregava uma fisionomia até serena, Kirishima era capaz de pôr ainda mais em evidência que, apesar da postura agressiva e intimidadora, Bakugou era dotado de inseguranças bem como qualquer pessoa — ele não era indestrutível, totalmente impávido, inabalável. Kirishima já havia reconhecido o fato à medida que o foi entendendo melhor, contudo em tardezinhas assim isso era muito mais visível.

Por outro lado, ele também se sentia grato por Bakugou compartilhar esse lado mais sossegado e absorto com ele; fazia-o querer estar sempre à disposição do amigo, fazia-o querer estabelecer um gigantesco nível de confiança entre os dois. E, por mais que palavras sobre o assunto nunca tenham sido trocadas, sentia que Bakugou compreendia sua determinação de uma forma ou outra.

E por mais que Kirishima tentasse ignorar ou evitar a sensação borbulhante em seu interior, o sentimento suave e aconchegante continuava se apossando de si sempre que podia estar ao lado dele e fazer parte da calmaria que compunha a cena. Queria não se deter muito à sensação morna de todas as vezes nas quais descobrira algum detalhe aparentemente imperceptível sobre Bakugou. Um bom exemplo — muito bem arquivado para futuras necessidades — fora quando, como punição por ter perdido uma aposta com Ashido, Kaminari e Sero, tivera de fazer um dos seus melhores ataques de cócegas nele.

Apesar de ter quase se convencido que ele e os outros amigos iriam morrer naquele dia, valeu a pena apenas para vê-lo tentar gritar e parar de rir ao mesmo tempo.

E, bem, a risada. Aquilo não deixou a cabeça de Kirishima por longas semanas, ele só conseguia pensar no quanto queria ver a expressão novamente. Para seu descontentamento, não conseguiu realizar um segundo ataque — e nem ousou tentar mais uma vez.

A lembrança o fez tentar conter um sorriso, mas mal atingiu o objetivo.

— Por que caralhos você fica me encarando com esse sorriso esquisito na cara? Pare com isso — apesar das palavras, o tom não fora ríspido, talvez só um pouco impaciente.

Então Kirishima percebeu que estivera o analisando durante a divagação inteira e, bem, desse ponto de vista foi realmente estranho. Desviou o olhar, embaraçado. Cogitou fornecer uma resposta apropriada, entretanto percebeu que não tinha motivo para tal.

Ao invés de permanecer calado, todavia, trouxe à tona o convite:

— O pessoal ‘tá ajeitando uma noite pra contar histórias de terror e coisas assim, você quer vir também? Vai ser amanhã, depois do jantar, provavelmente no quarto do Todoroki.

Em resposta, Bakugou bufou e revirou os olhos, em seguida murmurando algo que Kirishima não foi capaz de ouvir.

— Eu posso ter vindo aqui principalmente para te chamar, mas… — Kirishima disse, por mais que soubesse que aquilo não era a verdade. Em primeiro lugar, o que o levara até ali fora a pura vontade de ver Bakugou. A proposta de Kaminari somente se tornou bastante conveniente. — Cara, você ‘tá bem? Dá pra sentir que tem algo te incomodando, então, se quiser conversar…

— Eu estou perfeitamente bem — Bakugou interrompeu com o cenho franzido. — Não tem nada de errado, pare de pensar coisas desnecessárias.

Com isso, Kirishima enfim constatou que não conseguiria arrancar nada dele. Não fora exatamente o fato de ele estar sozinho que o intrigara; Bakugou não era do tipo que estava constantemente ao redor dos outros colegas, e não era muito incomum vê-lo extremamente irritado após passar uns minutos com alguém. O único que conseguia estar bastante próximo era Kirishima, talvez, mas ainda assim não era como se Bakugou se abrisse com ele. Eles faziam companhia um ao outro por boa parte do tempo. Meramente isso.

E por mais que soasse diferente, especial — ainda era frustrante.

— Ei, mesmo que você diga isso, saiba que você pode contar comigo pra tudo! Isso que fazem os amigos, né? Não precisa guardar tudo para você — Kirishima sorriu resoluto. E, mesmo obtendo um grunhido como resposta, despediu-se animadamente antes de retornar aos dormitórios.

Uma parte sua esperava que um dia pudesse transpassar aquela barreira.

Uraraka não tardou a avisar, por mensagem mesmo, que havia falado com Todoroki. Ela contou que ele não se importaria, e que inclusive o havia convencido a participar também do momento. Estava tudo combinado. Pouco depois, também haviam recebido notícias de Midoriya: Iida não participaria do pequeno evento, mas não apresentou grandes objeções a respeito. Apenas deu alguns conselhos, mas nada fora do previsto.

O dia passou tão rápido que logo o horário marcado chegou. Não demorou muito para que todos se reunissem no quarto. O grupo — composto por Kaminari, Ashido, Sero, Kirishima, Uraraka, Jirou, Midoriya, Hagakure, Tokoyami e Asui, além do próprio Todoroki — estava confortavelmente sentado no quarto, formando uma espécie de círculo. Quando a última pessoa finalmente chegou, Kaminari anunciou que apagaria as luzes, pedindo para que todos utilizassem as lanternas dos celulares como fonte de iluminação.

Então ali estavam eles, encarando uns aos outros com a fraca luz em seus rostos, ansiosos pelo que escutariam naquela noite.

— Vamos começar, pessoal! — Kaminari por fim se pronunciou, obtendo a atenção de todos para si. — Eu conheço uma que é simplesmente de arrepiar, se vocês me permitem… — Ele pigarreou e imediatamente adquiriu um tom de voz um tanto cômico, assemelhando-se a um locutor de rádio. Deu início à narrativa de uma forma lenta, que logo foi deixada de lado devido à impaciência de Ashido, convertida numa bela cotovelada.

Kaminari, portanto, começou a narrar normalmente, embora a expressão dolorida não ajudasse os outros a levá-lo a sério. Alguns riam, outros tentavam se concentrar na história, mas acabavam rindo também com os comentários dos demais. Até mesmo Todoroki pode ser visto com um pequeno sorriso, certamente também se divertia com a situação.

Era uma situação cotidiana para os presentes; estando assim, todos juntos, tudo era tão dinâmico. Não existia espaço para apatia quando se referiam aos estudantes da classe 1-A.

— Ei, Kirishima — alguém murmurou para que apenas o garoto ouvisse, e ele não tardou a reconhecer a voz de Hagakure. — ‘Tá tudo bem com você? Você parece meio distraído.

Ele pareceu surpreso pela pergunta, mas não demorou a responder que não havia nada de errado. Hagakure não pareceu muito convencida por sua afirmação; optou, porém, por deixar o assunto de lado, para o alívio de Kirishima. Suspeitava que seria muito mais desconfortável se ela insistisse, havendo a possibilidade de atrair a curiosidade de mais alguém.

Soltou involuntariamente um curto suspiro.

Se tivesse de ser franco, o sentimento que melhor o descrevia era… frustração. Desde o momento que chegara ao quarto de Todoroki, ficou à espreita enquanto alimentava uma pequena esperança. Manteve-se atento a todos cuja chegada ocorreu após a dele, mas não encontrou aquele quem mais expectava ver.

Não sabia dizer a razão que levou uma parte de si a confiar na hipótese de que Bakugou compareceria, demonstrando ter aceitado seu convite. Ele realmente não iria… Kirishima queria que ele pudesse esta ali, desejava vê-lo em meio a seus amigos e também rindo quando Kaminari dizia algo idiota e recebia olhares incrédulos de Jirou, ou quando Ashido e Sero soltavam algum comentário cômico. Queria que ele também pudesse achar os risos de Asui bastante peculiares, e que ele também pudesse ver a amenidade na postura de Tokoyami ao assisti-la. Como ele reagiria ao ouvir as provocações de Hagakure direcionadas a como eles eram fofos juntos? E quanto à expressão entretida e insinuante no rosto de Uraraka? E os costumeiros murmúrios incessantes de Midoriya — Kirishima conseguia imaginar tão facilmente Bakugou irritando-se com aquilo e o mandando calar a boca —, somados às tentativas de Todoroki de contê-lo?

Poderia ser tão divertido caso ele estivesse ali. Esse pensamento ocupou a mente de Kirishima por uns bons minutos, enquanto ele ainda prestava atenção no discurso de Kaminari. No fim, as histórias assustadoras de que ele tanto falara não eram tão assustadoras assim, e ele fingiu estar profundamente magoado quando Jirou o notificou desse fato.

— Ok, então acho que é minha vez de contar! — Uraraka interveio empolgada. — Na escola que eu estudei no fundamental, tinha uma lenda que todo mundo espalhava por lá. Até hoje, só de pensar nisso, eu me lembro de como todo mundo ficou uma semana desconfiando uns dos outros…

— Ok, isso tá me deixando curioso, começa a falar! — Sero pediu com um sorriso largo. Logo Ashido juntou-se a ele, com um dos braços o envolvendo por cima dos ombros e o outro fazendo o mesmo com Kaminari.

— Parece ser muito interessante, principalmente por se passar numa escola — Tokoyami disse.

— Bom, pior que a do Kaminari não pode ser — Jirou se manifestou após um breve dar de ombros. Contudo, também parecia curiosa.

— O quê? Minha história foi fantástica!

Ignorando os protestos, Uraraka prosseguiu:

— Tinha uma lenda sobre um espírito maligno rondando a classe. O espírito possuía um dos alunos por meio de um ritual que era acidentalmente completado se alguém ficasse sozinho numa sala escura exatamente às quatro e quarenta e quatro da tarde. Então, ao assumir o corpo, o espírito revelava sua verdadeira individualidade de quando era vivo… — Ela fez uma curta pausa, observando todos os amigos que prestavam bastante atenção em sua fala. — À primeira vista, ninguém nunca perceberia que a pessoa estava possuída, nem mesmo a própria pessoa perceberia. Mas, à noite, geralmente de madrugada, o espírito gostava de atacar pessoas que estivessem sozinhas em algum corredor. Ele utilizava o chamado “beijo da morte” para com suas vítimas. Não era um beijo de verdade, apenas um sopro; isso era o suficiente para ativar a terrível individualidade cujos detalhes ainda são desconhecidos.

“O espírito fazia com que a pessoa atingida pelo sopro sentisse uma dor inexplicável e começasse a agonizar no chão. Quem era atingido pelo sopro, começava a se debater, parecendo não ter controle sobre o próprio corpo. Se alguém encontrasse a vítima e tentasse falar com ela, tentar explicar o que havia acontecido provocaria uma tosse compulsiva, e logo a pessoa estaria tossindo e cuspindo um sangue negro. Com isso, o mesmo sangue sairia dos olhos, nariz e orelhas da vítima, e mesmo tentando lutar contra a dor, ela se sentiria como se o corpo estivesse derretendo… Até que ela fosse reduzida a nada. Nem mesmo os ossos sobrariam. Assim que a pessoa deixasse de existir, todos os outros colegas se esqueceriam dela — assim, ninguém suspeitaria da influência maligna. O espírito, então, sairia à procura de mais pessoas para assombrar. Até que a escola toda fosse aniquilada e enfim o espírito se entediasse, deixando o corpo da vítima.”

Quando ela terminou, um silêncio perturbador preencheu o quarto. Alguns dos presentes mantinham os olhos arregalados, outros ainda pareciam processar a história.

Inesperadamente, entretanto, Todoroki foi o primeiro a romper a tensão do momento:

— Tem alguma forma de tirar o espírito do corpo da pessoa? — Ele parecia… intrigado. O cenho estava levemente franzido e uma das mãos repousava no próprio queixo. Apesar do aspecto sisudo de sempre, ele aparentava nutrir um interesse genuíno pela lenda.

— Como não se têm muitas informações sobre quando o espírito era vivo e sobre a individualidade dele, isso ainda é um mistério.

— Puta merda, o que foi isso? — Kaminari exclamou surpreso. Encontrava-se um tanto estarrecido.

— Definitivamente muito melhor do que histórias sobre cachorros malignos — Jirou o provocou. Dessa vez, surpreendentemente, ele não retrucou.

— Se eu ouvisse isso durante o fundamental eu iria ter sérios problemas — Sero falou, ainda sorrindo. Ao lado dele, Ashido concordou.

— É um pouco estranho, Ochako-chan. Mesmo com uma escola inteira desaparecendo, ninguém vai perceber? — Asui questiona e todos se voltam para ela, igualmente curiosos.

— Eu acho que não. O esquecimento é parte das características da individualidade do espírito… Então a escola iria se tornar uma espécie de prédio abandonado.

— Isso é bastante intenso! — Kirishima pronunciou-se maravilhado. — E o que acontece com a vítima depois disso tudo?

— Ela sabe de tudo o que aconteceu porque tinha sua consciência durante a possessão, só estava sendo controlada pelo espírito. Dizem que geralmente a vítima enlouquece ou se mata.

— Não é mesmo uma boa história para se conhecer durante o fundamental… — Midoriya murmurou.

— Eu gostaria que houvesse mais detalhes — Tokoyami confessou, de braços cruzados. A pouca luz que permitia aos outros discerni-lo em meio à escuridão criava uma atmosfera sombria ao seu redor. A postura séria complementava ainda mais a cena.

Asui assentiu.

— Isso foi assustador demais de se imaginar! — Hagakure por fim declarou em uma voz mais aguda que o normal. — Uh, bem, considerando que isso fosse real… Eu ia estar segura, certo? Pessoas invisíveis não têm chances de ser a vítima ou ser atacadas, certo?

— Não tenho certeza disso. Afinal, é um espírito, né? Essas coisas devem conseguir sentir a presença ou algo assim. — Ashido respondeu, pouco depois enfatizando: — Malditos espíritos!

Foi o suficiente para desencadear uma longa discussão sobre pessoas invisíveis serem atacadas ou possuídas. O tópico dividiu opiniões e proveu os argumentos mais impossíveis de todos, mas não custou muito para que a conversa se resumisse em risadas e tentativas falhas de formular uma opinião coerente.

Kirishima apenas observou enquanto também se envolvia no debate. Tratando-se de seus amigos, até mesmo um conto de terror se transformava em motivo para rir. Eram instantes como aquele os quais ele mais apreciava.

No fim, entretanto, seus pensamentos não deixaram de se concentrar numa possível opinião de Bakugou sobre o assunto, e como ele lidaria com a história contada por Uraraka. Imaginou como ele reagiria, se ele ficaria tão cativado quanto os demais.

Então, finalmente aconteceu.

Distraiu-se quando sua mente tomou um rumo diferente, transformando sua preocupação em puro entusiasmo.

Seu olhar encontrou o de Ashido por um curto momento. E, pelo que pôde notar, ela havia percebido o que tinha acabado de acontecer.

Kirishima teve uma ideia brilhante.

Alguns provavelmente se espantariam caso soubessem dos planos de Kirishima, até o perguntariam se ele tinha amor à vida. Ele responderia, nessa situação, que iria valer a pena. No entanto, não mencionaria seu real objetivo por trás da simples vontade de zoar — talvez soasse egoísta pensar daquela forma, mas Kirishima almejava tirar o foco de Bakugou do que o estava incomodando, fosse o que fosse. Sabia muito bem as consequências do ato imprudente; no mínimo, deveria se preparar para despertar o lado assassino de amigo. Mas já estava tão acostumado que se arriscaria sem muito receio.

Tudo em prol de um Halloween inesquecível.

Após a noite anterior, contou tudo a Ashido e pediu ajuda. No início, ela demonstrou certa relutância, mas acabou cedendo por mera curiosidade. Ademais, ela também o provocou sobre seus sentimentos em relação a Bakugou — mesmo ele nunca tendo dito nada acerca disso para ela. De alguma forma, todavia, todos os seus amigos mais próximos estavam cientes, ainda que Kirishima insistisse em negar pela maior parte do tempo.

 Tentou não pensar muito nas insinuações e se deteve a fazer os últimos preparativos. A estratégia era basicamente encenar uma parte da história narrada por Uraraka — com algumas modificações, já que Bakugou não a escutara. A boca estava bem fechada, tomava bastante cuidado para não engolir o sangue falso que Ashido arranjara. Permanecia no chão do andar de seu quarto, encostado à porta. Os donos dos outros quartos do andar, Shouji e Uraraka, ficaram na sala a pedido dos dois cúmplices, acompanhados por alguns colegas que resolveram se juntar para assistir a diversos filmes de terror.

Agora só restava aguardar — Ashido faria Bakugou subir por algum motivo, e os dois se encontrariam. A cena não iria durar muito tempo, apenas o suficiente para assustá-lo, então Kirishima revelaria a mentira. E sairia correndo pouco tempo depois, provavelmente.

Estava tão ansioso pela reação que, quando pôde ouvir o elevador se abrindo, sentiu o coração bater mais rápido. Contudo, fez de tudo para se controlar e parecer estar em grande sofrimento.

— Baku…gou? — sussurrou entredentes, uma mão posicionada na lateral do torso. Semicerrou os olhos, mas ainda assim pôde perceber a surpresa no olhar dele enquanto se aproximava. — Que bom que você chegou, você pode me aju… — interrompeu a própria fala para tossir, deixando um pouco do sangue falso escapar.

Com a visão, Bakugou imediatamente apressou-se e em pouco tempo estava diante de si, tão perto.

— Ei, o que aconteceu, Kirishima? — ele perguntou, o olhar se direcionando ao local que a mão de Kirishima repousava. Bakugou parecia… tenso. Era perceptível que seu semblante havia enrijecido.

Kirishima quis revelar a brincadeira naquele exato momento, mas ao abrir a boca para falar, foi impedido.

— Merda — Bakugou murmurava, mas aos poucos sua voz aumentava de tom. — Alguém fez isso com você? Quem foi o desgraçado que fez isso? Merda, merda!

Kirishima tossiu mais um pouco para cuspir o restante do líquido em sua boca. Tentou finalmente se explicar, mas foi interrompido mais uma vez.

— Ei, você consegue se levantar? A gente precisa chamar a Recovery Girl agora. Porra, por quê? Como isso aconteceu? — Ele rangeu os dentes, parecendo extremamente irritado. Soltava palavrões aleatórios enquanto chegava ainda mais perto, na intenção de ajudar Kirishima a se erguer. — Já não basta essas merdas estranhas que eu ‘tô sentindo, agora uma merda ainda maior acontece!

Aquilo deixou o outro bastante curioso, e entre curtas tosses conseguiu falar:

— O que… você tem sentido?

— Nada. Não é importante. — Bakugou desviou o olhar por um momento, porém os olhos de Kirishima não o enganaram: jurou poder ver, por um breve instante, uma leve coloração rosada tingir as bochechas dele. Aquilo o levou a um palpite que descontrolou ainda mais seu coração. — Agora pare de falar porque é nojento pra caralho ver esse sangue sair da sua boca toda vez que você diz alguma coisa. Eu vou te levar pra enfermaria, então só responda se você consegue se mexer direito ou não. Eu ainda não entendo como isso aconteceu! Você…

Enquanto Bakugou tentava suspendê-lo pelos braços e resmungava bastante, Kirishima resolveu por um fim naquilo. Nem mesmo pretendia sustentar isso por muito tempo, o problema era que Bakugou não dava brecha alguma para que pudesse revelar tudo. E após ter observado a reação dele, teve mais uma ideia. Uma que, se desse errado, muito provavelmente o mandaria para um caixão naquela noite.

Impaciente, Kirishima agarrou o rosto de Bakugou com as mãos e o puxou, até que os lábios de ambos se encontraram.

Iniciou um beijo doce — literalmente, pois o sabor açucarado do sangue falso permanecia em sua boca. A princípio, Bakugou pareceu espantado e não se moveu, mas aos poucos, começou a ceder. O beijo era um tanto bagunçado; havia narizes esbarrando um no outro e dentes se chocando. De maneira alguma fora perfeito, mas ainda assim desencadeou aquela sensação que se assemelhava a estar nas nuvens. A estar em um mundo onde só os dois existiam e o momento era eterno.

Kirishima ousadamente enfiou os dedos por entre os cabelos de Bakugou, sentindo a textura e os emaranhando nos fios. Era tão… ideal. Como se não houvesse lugar melhor para se estar do que ali, com o garoto que o conquistara de uma forma que nunca seria capaz de descrever — mas não era um problema. Algumas coisas simplesmente não precisavam de uma explicação.

Os pensamentos já começavam a anuviar quando, de repente, Bakugou o empurrou. E então Kirishima enxergou duas emoções bem fortes nele, que pareciam brigar entre si por dominância: uma permanecia como consequência do beijo trocado. A outra simplesmente indicava que Kirishima estava fodido em níveis que a humanidade era incapaz de compreender.

Kirishima…

Bom, parecia que o momento de fugir havia chegado.

Contudo, Kirishima sabia que não conseguiria chegar ao elevador a tempo antes que Bakugou o pegasse, e as pequenas explosões que já surgiam nas mãos dele denunciavam que aquilo não acabaria nada bem.

Por isso, para evitar a própria morte, ele fez a única coisa que talvez pudesse distrai-lo por mais um tempinho: inclinou-se para outro beijo. E, mais uma vez, sentiu as duas emoções lutarem na reação dele, até que Bakugou simplesmente o puxou pela cintura, aproximando ainda mais seus corpos.

Dessa vez, o beijo foi menos desastroso e mais necessitado. Beijavam-se como se houvesse uma atração cada vez mais crescente entre os dois, como se todo o tempo negando o sentimento a si próprios, principalmente, tivesse de ser compensado pelo momento.

E quando Kirishima sentiu a língua de Bakugou ao encontro da sua, finalmente teve a certeza de que nem um pouco de arrependimento o perturbava. Fora como previu — embora o desenrolar de tudo tivesse sido um tanto diferente do que havia imaginado.

Ele sempre estaria disposto a se arriscar de diversas formas quando o assunto era Bakugou Katsuki.



Notas finais do capítulo

Nem eu sei explicar o que é essa fanfic. ¯_(ツ)_/¯

(um agradecimento especial a Jujuba/Liasshi, que aturou minha insegurança e sofreu comigo nos últimos segundos jhkjhs Um agradecimento a Emy/Ameume também, que acompanhou minha jornada e o sofrimento de escrever isso aqui em dois dias XD ♡)