FUE: A Frente Unida Extraordinária WSU escrita por Natália Alonso, WSUniverse


Capítulo 9
Capítulo 8 – Batalha nos céus




 

 

 

 

 

 

Nos vales infernais

 

A garota caminha por entre os vales infernais, a sua volta os demônios de Belzebu lutam em treinamento, frotas de vampiros se organizam e observam a menina. Ela acompanha o rio Estige até chegar no círculo da Violência, onde o rei e seu general a aguardam. A garota para diante deles, joga o saco de tecido cru nos pés de Astaroth e se ajoelha diante do rei.

— Eu disse que poderia confiar em mim. — fala com a cabeça inclinada.

Belzebu se abaixa, pega o saco e o coloca ruidosamente no pedestal diante de Astaroth, ele abre o saco e olha seu conteúdo.

— Era um valoroso guerreiro. — Os olhos de Astaroth voltam-se para Mia. — Provaste o seu valor. O círculo da ganância é seu quando ganharmos a guerra, Zagan.

 

 

 

 

 

Os portões dourados

 

— horas antes, naquela manhã –

 

 

Uma fenda se abre, Metatron olha ainda para Azazel antes de deixá-lo ir.

— O que foi?

— Estranho, não gosto da ideia de você ir.

— Isso se chama receio, Metatron.

O ser de olhos brancos franze o cenho.

— É assim que se sentem? Essas emoções nunca acabam? Ser um humano é uma tormenta.

— Eu não sou humano, mas concordo que seja uma tormenta. É por isso que eles também criaram o perdão, o alívio...

— Está blasfemando. Isso foi criação divina, Azazel.

— Foi mesmo? Tanto é que condena um covarde e um assassino com a mesma dureza, não é, Metatron?

— Está falando de Sodoma. Aquela cidade estava condenada. Não havia...

— Não Metatron, estou falando que a decisão de vocês foi cruel.

— Não se deve contestar a justiça divina.

Azazel para, alonga sua asa queimada que se arrasta no chão.

— Tem razão, não se deve. Pois se o fizer, receberá as duras consequências. Tu não percebes, Metatron. A humanidade não tem regras e a beleza deles está justamente nisso. É por isso que Mefisto é tão bem quisto por eles, ele é imprevisível, é praticamente um humano.

— Mefisto... um demônio bem quisto por humanos... — fala Metatron em desdém.

— Ele os entende. Você sabe que ele e nenhum demônio coloca mal algum na mente dos humanos.

— Eu sei, o mal está dentro deles mesmos, são eles que procuram o pecado.

Azazel para na porta, de costas para o serafim ele suspira antes de falar:

— Todos nós pecamos, Meta.

Azazel passa pela fenda e deixa o Cubo cósmico de Metatron, abandonando a entidade pensativa. O caído caminha até os portões dourados, anjos saem e sussurram entre si, impressionados com a ousadia daquele que fora expulso.

— Chamem Miguel, bando de gafonhotos! — berra ele, gesticulando em sua armadura amassada.

— Eu estou aqui. — declara Miguel, se aproximando.

Os portões dourados se fecham nas costas do arcanjo, seus cabelos louros encaracolados e sua reluzente armadura romana impressionam a qualquer um que veja. Miguel porta sua espada ainda na bainha, ela tem uma chama azulada que pulsa da lâmina, tal como um coração.

— Preciso de sua espada, Miguel.

— Para lutar em nome de Lúcifer? — questiona o general com toda sua arrogância.

— Para lutar pela humanidade.

— Está querendo auxiliar um demônio, sabes muito bem que não devemos interferir na ordem infernal.

— E para que os anjos não interfiram, a humanidade acabará pagando por isso? Onde Ele está enquanto as pessoas clamam por ajuda em desespero? — fala Azazel, com voz entristecida. — Meu juramento é de amar a humanidade, proteger a Criação. Eu sempre cumpri a minha palavra.

O arcanjo fecha os olhos, negando.

— Sabes que não posso lhe entregar.

— Eu sei. Por isso eu trouxe a minha clava. — fala Azazel, segurando com mais força a própria arma.

Miguel olha, franze a sobrancelha antes de falar:

— Eu sabia que um dia voltaria, irmão.

— Tu me disseste que não sou mais teu irmão.

— Eu estava furioso. — fala Miguel, fechando os olhos. — Não imagina o quanto doeu em mim fazer o que foi mandado.

— Furioso... — Azazel move a asa queimada. — Sim, eu percebi. Então sabe o que é pecar, tanto quanto eu. — Azazel provoca. — A diferença, é que meu pecado foi amar.

Miguel pressiona os lábios em desaprovação.

— E agora, por um amor demoníaco, vem aqui lutar comigo.

— Não fale dela. Ela está morta.

Miguel se impressiona em surpresa.

— Eu não sabia. Meus pesares.

Azazel olha o arcanjo se curvar.

— Eu sei que seu lamento não é verdadeiro. Eu vim pelo amor dela sim, mas também pelo alívio que sentirei em te esmagar com minha clava! — berra Azazel, ao correr e atingir o queixo de Miguel.

O arcanjo se desequilibra para o lado, saca a espada e bloqueia o segundo golpe do caído. Azazel levanta a maça novamente e Miguel escapa rolando do chão, a bola de espinhos metálicos quebra o piso divino. Ele se vira novamente para golpear, mas precisa desviar da espada que tilinta em seu peito. Golpes da espada são bloqueados pela maça, o arcanjo faz movimentos rápidos e corta a lateral do braço de Azazel que recua planando com única asa inteira fazendo uma meia lua para trás.

Miguel para observando o movimento dele, suspira.

— Eu não cortei suas asas antes. Mas agora não terei tal clemência por sua ousadia.

O arcanjo caminha, golpeando o ar com Azazel se inclinando e escapando de seus golpes.

— Eu não esperaria nada menos de você. — responde o Azazel enquanto se vira e atinge as costas do arcanjo. O general angelical recebe o golpe, mas vira sua espada, atravessando a coxa direita de Azazel.

O caído urra em dor quando a espada é retirada, anda desequilibrado com o sangue escorrendo em sua perna até o chão.

— Sempre foi um grande guerreiro, Azazel. Um dos melhores, eu lamentei muito que teve que partir. — O arcanjo salta abrindo ambas as asas e golpeando o vazio com a espada.

Ainda curvado no chão, Miguel vê a bola espetada se aproximar rapidamente, atinge em cheio o seu rosto, lançando o arcanjo no ar.

— Se engana, eu sou o melhor.

O general angelical se vira, planando no ar com suas asas, volta enfurecido com o rosto ensanguentado. Com a espada, corta a ponta da asa queimada de Azazel. O general ainda vira a espada para o rosto de Azazel, mas o caído o golpeia nas mãos, desarmando-o, e depois outro golpe em seu ombro desequilibrando Miguel.

O general ainda soca o rosto de Azazel que revida atingindo na têmpora dele com a base de sua maça. O arcanjo apaga por alguns segundos e Azazel o segura pela armadura peitoral, o descendo devagar ao chão.

O rosto muito ferido de Miguel está coberto de sangue, Azazel ainda aproxima aquele que um dia fora seu grande amigo.

— Vai me matar, irmão? — pergunta Miguel, deixando as mãos ao lado em entrega.

Azazel se aproxima e sussurra.

— Eu não sou teu irmão.

Dito isso, Azazel se levanta, pega a espada caída no chão e começa a planar com sua única asa inteira, descendo a terra.

 

 

 

 

 

 

Cubo de Metatron

 

— Não quis ir para as festas relaxar, padre? — fala Azatoth, jogando uma cerveja ao religioso, que a segura no ar.

O padre se levanta do divã e abre a lata bebendo e acenando ao detetive paulista.

— Por hoje, chega de surpresas. Estou cansado.

— Cansado de lutar com demônios ou de estar ao lado deles?

O padre ri baixando a lata entre as pernas.

— Acho que ambos. Me pergunto se o que estamos fazendo é realmente o certo, quero dizer, eu sei que estamos protegendo a invasão da terra. Mas defender Lúcifer... isso é demais, até pra mim.

— Ele não parece mesmo de confiança. — O detetive reflete um pouco. — Pensando bem, estranho é ver que confiam em Mefistófeles e Azazel, eles também são demônios, e Metatron... bom, eu ainda não entendi o que ele é.

— Acho que nem ele mesmo entende o que é, Azatoth. — Ambos riem.

— O grupo de vocês, parece coeso, muito unidos.

— Sim, isso é estranho. — fala o padre, dando mais uma golada.

— Na verdade, não é.

O padre levanta os olhos, atento ao que o detetive fala:

— Acho que é por todos serem pessoas que normalmente são perseguidas, tem que se esconder. E entre vocês, não precisamos fazer isso.

— É... faz sentido. Isso significa que vamos virar uma banda?

— Espero que não. Mas seria bom se vocês tivessem um nome.

— Como vocês? Frente Unida?

— Tenho certeza que o Caveira vai até gostar da referência, mas seria bom que colocasse algo que deixasse claro o quanto suas habilidades são... peculiares.

— Frente Unida Extraordinária. — fala o padre, gesticulando no ar com a mão.

— Exagerado, mas acho que combina com vocês mesmo.

 

 

 

 

 

BRAVIN, adega no Higienópolis

 

O bar refinado fica de frente onde a fenda de Metatron deixara alguns para relaxarem.

— Você não tinha dito que Drácula estaria nessa luta, Lucy. — fala Manson, se aproximando da vampira.

— Vlad. — corrige ela. — Drácula é o cargo que prefiro não exercer.

— Que seja, ainda é seu ex-marido. Isso não lhe incomoda?

— Sinceramente, Manson? Muita coisa a minha volta me incomoda. Mas isso é apenas um detalhe sem muita importância diante do dano que pode acontecer. — fala ela enquanto olha para a taça de vinho a frente e depois se vira para o policial. — E para você? Não acha que está dando uma importância muito grande a isso?

Manson cerra os olhos, enfia a mão no bolso e pega o maço de cigarros. Observa um garçom gesticular que é proibido fumar no estabelecimento, ele pega um dos cigarros, leva a boca e se distancia sem falar mais nada. Ela permanece na mesa, observando o vinho se movimentar de forma diferente, ouve sussurros em sua mente, como se fossem malditos distantes de si. Fecha os olhos buscando se concentrar novamente quando a voz do Temerário está mais perto.

— Tá fazendo yoga?

— Não, estou apenas sentindo melhor o sabor das uvas. — responde Lucy, o ignorando.

O Temerário olha com mais atenção para a mulher, que toma um gole d'água antes de provar do vinho novamente.

— Por que não chupa uvas e depois toma água? — pergunta o Caveira.

Lucy, de olhos fechados, inspira o ignorando. O garçom aproxima-se dos dois no balcão e olha para o Temerário, espantado com a máscara.

— Carnaval. — explica-se. — Loucura, né? Vou de Soldado Fantasma na Parada Gay.

— Isso não é em junho? — pergunta Lucy.

— Eu estou por dentro da tendência para este ano. — afirma o Temerário absoluto, com um aceno de cabeça.

O bem vestido rapaz, do outro lado do balcão, acena com a cabeça.

— Vai pedir algo, senhor? — pergunta o garçom.

— Sim, o mesmo que a dama. — responde o Temerário tirando a máscara.

O garçom serve o homem de uma vasta barba loira com uma taça de vinho e um copo d'água, mas logo o Temerário bebe um grande gole do líquido escarlate e gargareja antes de beber.

— Bela técnica. — elogia Lucy de olhos arregalados. — Pode sentir o quão ácido é esse vinho?

— Pra mim, todos são iguais.

— Oh! Eu espero que não, afinal esse Domaine de la Romanee-Conti custa doze mil e quinhentos dólares.

— Garrafa cara. — fala ele, risonho.

— A taça. — corrige ela.

Ele leva a mão na garganta antes de voltar a mulher.

— Espera aí... você é a "vinóloga" de New Orleans.

Lucy segurou a taça ao alto, fechando os olhos.

— Você me fez ser preso. — afirma o Temerário.

Ela para o olhando melhor.

— Marcos Fonseca, o lutador? — indaga Lucy.

— Ex-lutador. — responde levantando o braço com sua prótese de gancho.

— Eu não sabia que o sofá de urso pardo era ilegal, ou não teria vendido. — lamenta-se, levando a mão direita a boca para disfarçar o riso.

— Não tem problema, foi em prol das vítimas do Furacão Katrina, não estou certo?

— Está sim. — responde Lucy aos gargalhos.

— Aliás. — retoma o Caveira. — Também me deu muito prejuízo quando fez a crítica do meu vinho. Meu empresário não me permitiu lançá-lo.

— Seu vinho? Desculpe... eu não me lembro.

— Vinho Fonseca, como meu nome. Meu empresário disse que deveria passar por análise antes de ser lançado. — fala ele irritado.

Ela para de lado e faz expressão de lembrança.

— Oh! Sim... é verdade. Vinho Fonseca, era um rubro de produção com uvas rubis.

Ele olha para ela de braço cruzado, aguardado a resposta.

— É... eu lamento muito. — Ela diz baixo e constrangida. — Lamento pelas uvas.

Marcos devora a taça de vinho em mais um gole absurdo.

— Leva uma vida bem diferente de tudo isso. — comenta Marcos, arqueando a sobrancelha. — Eu tenho o péssimo costume de ouvir a conversa alheia, então eu acho que sei uma boa solução para o problema de vocês.

— E o que seria? — pergunta, espantada.

— É, você e o seu namorado policial... — Ele para pensativo. — Ele é policial mesmo sendo negão, será que ele mesmo se persegue ou se salva? Ele vê a própria sombra e acha que está sendo perseguido por si mesmo?

Lucy, ri meio sem graça com o vidro do copo d'água entre os lábios levanta os olhos em direção a Marcos e volta-os ao fundo do copo novamente.

— Enfim, pelo que eu vi, você tem força o suficiente para dar trabalho para todos esses demônios, mostrou isso fazendo meu amigo em pedaços.

Ela abaixa a cabeça, franzindo a testa em auto desaprovação.

— Eu sei, não foi pessoal. Ainda bem que ele também tem a cota de morrer e voltar, como você. A questão é, se pode fazer isso, por que não fez antes? Acaba logo com essa guerra e aproveita descontando na cara do teu ex-marido.

— E o que te faz pensar que Vlad mereça ser surrado como sugere?

— Aqui eu insiro frases clichês e/ou, que as mulheres curtem: "ele tá do lado dos bandidos", "se fosse bom não era ex", "você está magra". — conclui jogando pistaches na boca — Você disse doze mil?

— Sim.

— Isso foi mais ou menos a minha fiança com correções.

Levanta-se apontando para Lucy.

— Ela paga só. — fala ele dando um tapa no ombro do garçom.

 

 

 

 

 

Ruas do Higienópolis

 

Azazel termina de planar ao chão, cansado no asfalto ainda quente da tarde de calor. Ao se levantar duas prostitutas o provocam.

— O anjinho tá calibrado!

— Nossa, não sei se é cosplay ou fantasia de carnaval, mas o fortinho é muito delícia!

Elas riem se afastando e descendo a rua, não percebem o anjo ferido que se apoia na clava enquanto usa o sangue da coxa para clamar por Metaron.

A fenda se abre e o Serafim aparece quando o anjo cai no chão.

— Azazel, você está bem?

— Claro, tô ótimo... eu só preciso descansar um pouco. Aqui, a flamejante. — fala enquanto entrega a espada azul.

O Serafim se abaixa querendo levantar o guerreiro ferido.

— Não, deixa. Eu prefiro ficar.

— Tem certeza?

O anjo se apoia na parede e estende a perna no asfalto.

— Sim. Depois eu vou, quero passar a noite aqui.

Assim que Metatron se vai, o anjo olha melancólico para a lua cheia, o branco do satélite lembra a pele de Lilith.

— Queria que estivesse aqui. — murmura ele, fechando os olhos em melancolia.

— Ela está. Não pode sentir? — fala uma voz feminina.

Azazel se vira e vê uma garota se aproximar, aperta os olhos tentando ver melhor.

— Quem...

— Demônios e anjos, quando morrem vem para a terra. São os amaldiçoados e seres fantásticos que rodeiam esses tolos mortais.

Azazel pressente algo malévolo na voz e segura a sua clava.

— Quem é você?

A figura abaixa o capuz, revelando seus cabelos platinados, tatuagens tribais no pescoço e se aproxima da luz do poste para se mostrar. Azazel se levanta rapidamente ao reconhecer a garota do ataque no parque, dias atrás.

— Não me machuque! — fala ela levantando as mãos a frente do rosto. — Eu não estou tomada mais pelo que estava causando aquela fúria.

Ela treme, o anjo nota seus braços delicados, é apenas uma garota, assustada.

— Quem afinal, é você?

— Mia. O ser que me possuía era um goetia, o demônio Zagan. Ele me deixou, ficou irritado por eu não ter vencido a batalha no parque, dias atrás.

Azazel olha, prende sua clava na cintura e se aproxima devagar, estende a mão para ela que o abraça desesperada.

— Por favor! Não deixe que ele me tome novamente! Eu não quero ferir mais ninguém. — Sua voz é trêmula, o anjo se assusta e baixa os braços para a garota.

— Não se preocupe, garota. — Ele passa a mão em seu cabelo e levanta o seu rosto, encontra seus olhos violetas chorosos. — O grupo não vai permitir que o demônio a tome novamente, eu sei de um lugar, que se ficar lá, o demônio não irá encontrá-la.

— Podem me proteger?

— Sim. Vamos proteger todos aqui, de agora em diante, acho que... de certa forma é como se estivéssemos formando um grupo.

— Sim, assassinos, demônios, monstros e excomungados... O grupo ideal para proteger uma garotinha, não é?

Azazel percebe a mudança na voz da garota, ela ficou com o corpo quente instantaneamente e antes que ele possa olhá-la ele é lançado para a parede. O anjo cai no chão e tenta pegar sua clava na cintura, mas ela voa até o outro lado da rua. A garota tem os seus cabelos longos platinados levitando em torno do rosto, seus olhos vermelhos estão fixos no guerreiro.

— Acha que podem proteger a cidade? O mundo? São só um bando de animais, tão fracos que foram expulsos de seus próprios nichos. — A voz que sai de seus lábios é dupla, a feminina e a grave voz demoníaca.

— Zagam! Deixe essa garo... — O anjo tem os lábios selados quando a menina levanta o dedo, fazendo um "shiu" delicado.

Ele vai até ela e tenta socá-la, mas a garota o olha atingir um muro invisível, quebrando seu punho. Ele berra contido pela boca fechada quando ela estende o braço e o estapeia sem tocá-lo. Ele tenta a atingir, mas Zagan levita a maça do anjo para esmagar seu peito, cortando em pedaços sua armadura. A mão da garota faz movimentos o levantando no ar e depois o jogando ao chão novamente.

— Vão se curvar, todos irão se curvar diante de Astaroth, diante de mim.

O anjo tenta se levantar, mas seu corpo é pressionado contra o asfalto. Mia baixa cada vez mais a mão pressionando-o, afundando no chão, o cimento se quebra em volta.

— Renda-se a mim, caído. Una-se a minha legião. — fala com sua voz profunda e maquiavélica.

Ela relaxa a mão no ar, Azazel respira pausadamente deitado, aos poucos se apoia e se arrasta até os pés a garota. A menina de olhos flamejantes aprecia a cena.

— Serás um grande guerreiro em minha Legião.

Ele para aos pés dela e se apoia com as duas mãos no chão para conseguir se erguer. Ela passa o indicador nos próprios lábios para permitir que ele fale.

— Irá me servir, caído?

O anjo cospe grandes quantidades de sangue no chão para poder falar com a voz oscilante.

— Tu irá queimar no inferno, Zagan.

A menina fecha os olhos. Ambos levitam no ar, frente a frente. Quando reabre, os olhos vermelhos mira com desdém.

— É uma pena.

Ele tem seus membros esticados, a garota observa suas penas serem arrancadas da asa que permanecia inteira. As penas voam ao redor de ambos, então as partes inferiores das asas são extirpadas devagar.

— Um anjo, um demônio, um homem... e agora, serás apenas um pedaço de carne.

Ele urra em dor e desespero, seus olhos estão fixos na lua, ele não sente mais dor, pois sabe que agora poderá reencontrar sua vida. A vida que havia lhe deixado pelas mãos de Astaroth. Os braços do anjo são quebrados, suas pernas são torcidas, seus joelhos ficam para trás. Ele tem seu rosto esmagado, como se fosse atingido por uma grande pedra, repetidas vezes. Aos poucos o sangue de seu corpo se esvai no ar, ele inspira profundamente pensando nos lábios de Lilith. Quase pode sentir seus cabelos em seu rosto, fecha os olhos pouco antes de seu coração parar.

Seu corpo, dividido em pedaços, cai no chão fazendo o som oco de morte. A garota volta ao chão, se abaixa e pega um dos braços do morto e vai até a parede. Deixa o braço no chão, pega a sua cabeça, a coloca em um saco de tecido cru e deixa o local. No muro frente a carnificina está escrito:



 

"O inferno é aqui."








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