FUE: A Frente Unida Extraordinária WSU escrita por Natália Alonso, WSUniverse


Capítulo 7
Capítulo 6 – Perdas e danos




 

 

 

Centro, Anhangabaú

 

Um demônio corre pela parede do Edifício Martinelli. Quando ele quebra um dos vidros para alcançar a mulher do escritório é puxado para fora por Lucy, que o joga para o chão. Ela fica de pé na parede olhando em direção a Manson e vê que alguns demônios o cercam. Então, ela salta do alto esmagando um demônio que iria atingir o policial.

— Agora você está me tratando como a princesa? Isso é novidade. — fala o policial enquanto segura o maxilar de um maldito antes de o quebrar com as mãos.

— Por quê, querido? Está se sentindo incomodado? — fala ela enquanto se segura em uma placa de sinalização para chutar outro demônio.

O rosto de Lucy está se transformando, suas presas ficam aparentes pela máscara já quebrada, enquanto golpeia os monstros com o cano do poste.

— Você está bem? — pergunta ele, um pouco preocupado.

Ela se vira, é possível ver, pelo quebrado da máscara seus olhos oscilando do negro para verde.

— Estou bem. — declara ela antes de correr para outra rua, atrás de um demônio.

Manson olha as pessoas que se amontoaram no bar para se protegerem dos monstros que agora se aproximam, corre para lá quando uma porção de tiros são disparados e os demônios caem um a um. O policial se vira e encontra Neverfallen no parapeito de um escritório do Martinelli.

— Você pode me dar munição? Preciso de 38! — grita o Manson, do chão.

O atirador de negro não responde, concentrado em outros alvos olhando pela máscara grafitada como uma sinistra caveira na face. Apenas joga para o alto uma caixa que é pega por uma teia que conduz a munição até as mãos de Manson. Nessa hora ele pode ver o Aracnídeo dando um mortal no ar antes de prender um demônio com sua teia e lançá-lo na parede. O garoto de colante dourado e azul se esgueira na parede antes de avisar:

— Eu te dou cobertura enquanto recarrega!

Manson recarregava a pistola quando um demônio o empurra fazendo derrubar a arma. O policial americano se vira irritado, segura o demônio pela cintura antes de o girar no ar e bater de cabeça no chão. Só então consegue pegar a arma novamente para recarregar.

— Sério mesmo que deixaram o fortão sozinho aqui? — fala Aracnídeo pelo comunicador para Neverfallen.

— Não faço ideia, esse grupo parece meio maluco. — responde o atirador antes de bater com o cabo do rifle em um demônio ao lado da janela.

Enquanto isso, Lucy está na rua lateral, ela rola na parede com um demônio que insiste em invadir o prédio. Sua feição já está completamente transformada e Jonas, o aracnídeo usa as teias entre os prédios para se pender e se aproximar do local.

 

 

 

Horto Florestal, zona norte

 

Um rosnado longo espanta os pássaros restantes do Horto Florestal, a gigantesca lobo-guará corre pegando um demônio e morde seu dorso no chão. Se levanta e usa sua lança para cortar em diagonal o tronco de um e depois gira acertando o outro que estava atrás dela.

Mefisto observa a licantropa, quando os demônios se aproximam dele, são queimados por uma chama esverdeada que aparece à sua volta.

— Que encantadora. Os outros deuses dão um visual tão exótico para tais criaturas... — fala ele, admirando os pelos vermelhos da fera.

Então o demônio repara em uma grande sombra, olha para o céu e vê a aproximação da nave Carmem, que deixa um homem de sobretudo sair e se apoiar no chão ao lado dele.

— Eu sou demônio, mas sou um dos mocinhos. — fala Mefisto com um sorriso tolo.

O homem de chapéu coco levanta os olhos para ele antes de falar.

— Eu sei.

Tira rapidamente uma faca e finca no olho de um monstro que se aproximava.

— Sou Azatoth, espero que não tenha estragado a minha cidade.

— Sua? Não sabia que ainda faziam feudos. Te deram uma chave gigante também? — fala irônico Mefisto, antes de sua visão se interessar pelo vulto azulado que deixa demônios amarrados em torno de uma árvore.

— Onde está Lucy? — grita o padre de dentro da nave. — Não a encontrei quando deixei outros dois com Manson. Deixaram ele sozinho?

O Mefisto fica irritado e dá de ombros antes fazer uma espada de fogo verde e empalar um demônio.

— Eu deixei o casalzinho juntos, ela deve estar em uma rua lateral, viu como eram estreitas?

— Merda! Consegue fechar o portal aqui?

Mefisto olha em volta e percebe que Azatoth atira em mais alguns demônios que estavam se aproximando de civis. Daniele sobe em uma árvore e começa a lançar os monstros em pedaços de lá. Arthur, o velocista de camiseta azul e calças jeans, para ofegante depois de uma sequência de centenas de socos e coloca mais um demônio no morro de monstros contidos.

— Fecho sim.

A nave se vai, Mefisto tem seus olhos brilhando em verde e eleva suas mãos com símbolos brilhantes no ar. Ele pronuncia algumas palavras indecifráveis formando uma esfera em torno de si. Aos poucos vai conduzindo a esfera para a entrada do portal no chão e as grades vão sendo reestabelecidas. Os demônios se acumulam atrás delas, enquanto ele faz duas catanas de luz esverdeada e ataca os que haviam escapado.

 

 

 

Avenida Paulista, prédio do MASP

 

Sara está dobrando o cano e prendendo alguns demônios no pilar do vão do MASP e quando dois se aproximam dela por trás são atropelados pela besta, o caveira grita “YAHHHH” enquanto dirige.

— Que terapia, bicho! — fala virando o carro. — Melhor que GTA!

Azazel acerta um demônio com sua clava, o lançando no ar. O corpo do monstro quase cai na multidão quando Karen usa sua telecinese, pegando uma faixa de sinalização o laçando.

Tome cuidado com os civis, Azazel. — fala Karen por telepatia para o anjo.

Como se já não me bastasse Metatron invadindo minha mente, agora você. — O caído retruca.

— Eu não queria... — Karen lamenta.

A nave Carmen retorna com o padre descendo pela rampa.

— Não se preocupe, ele é grosso assim com todos. — fala Wellinginton para a alienígena.

Ele segura uma adaga e corta a palma de sua mão enquanto profere suas palavras místicas. Se abaixa no portal aberto no chão e desenha, com o sangue de sua mão, reconstruindo as barras destruídas pela magia demoníaca. Os monstros tentam alcançá-lo, mas ele coloca a medalha de São Bento na testa dos malditos que recuam com a queimadura. Ele observa um isopor de cerveja e refrigerante abandonado por um ambulante no chão, move os pedaços de gelo a procura de algo para sua mão.

— Aqui está resolvido? — questiona o padre, colocando uma lata de cerveja gelada no ferimento.

— Acho que sim. — fala Sara enquanto dá um último soco em um demônio que cai ao chão.

Aos poucos os monstros vão se desfazendo, sem a magia saindo da abertura eles se transformam em areia e sal. A população em torno bate palmas e grita, um cartaz com “ Eu ♥ K-Max” é levantado.

Owwwt! Que gracinha. — Ela fala com as mãos à frente.

O padre bebe sua cerveja, o temerário acena e manda beijos para sua plateia e todos entram na nave, que levanta voo deixando para trás os repórteres e populares alucinados.

 

 

 

Centro, Anhangabaú

 

Manson atira até o final do pente, depois usa o cabo da arma dando coronhadas nos monstros mais próximos. O aracnídeo lança teias no rosto e mãos dos demônios, eles se debatem até desmaiar no chão. Neverfallen desce do parapeito caindo sobre um demônio no chão, Manson soca um que estava próximo do atirador.

— Acabaram suas balas? — questiona Manson, já cansado.

— Sim, agora é na mão mesmo. Ainda bem que tem o moleque se pendurando ainda nos prédios.

— Sim. Mas não sei onde está Lucy, ela foi para a rua lateral e depois não a vi.

— Quem?

A vampira está perseguindo um demônio que pegara uma criança, ela salta sobre ele e finalmente consegue cortar suas costas com as garras. Ela segura o pequeno antes que o demônio caia no chão, a mãe berrava e era segurada por populares. Assim que Lucy entrega a criança para um policial próximo é atacada por vários demônios de pele laranja e vermelhas.

— Desgraçados malditos, não param de chegar!

O aracnídeo se aproxima e lança bolas de teias prendendo alguns demônios no chão, mas quando vê o rosto desfigurado da vampira leva um susto.

— Caramba! É uma daquelas possuídas!

Ele não tem dúvidas em jogar teias prendendo os braços da mulher, ela berra enquanto é atacada por outros monstros. O aracnídeo está pendurado chutando monstros e vê a chegada de Metatron de frente a saída infernal. O serafim finalmente chegara com suas grandiosas asas peroladas, os demônios simplesmente paralisam e petrificam a sua volta, sem que ele sequer mova os olhos. Ele então desce ao chão e caminha até a abertura, aponta o dedo e uma rajada de energia é solta pelo túnel infernal. Os monstros são pulverizados.

O ser místico ergue as mãos lateralmente, os paralelepípedos desalinhados flutuam no ar, uma porção de feixes de luz branca permeia em torno do ser de rosto inerte e olhos brancos. As barras da abertura são reconstruídas em uma forma muito mais elaborada, como flocos de neve em um caleidoscópio colorido. Então as pedras são colocadas devagar no lugar, cobrindo a abertura demoníaca. O Aracnídeo observa o show de luzes de longe, decide chegar mais perto, Manson e Neverfallen estão próximos e são envolvidos pelo poder etéreo do ser.

Enquanto isso, um demônio corta um grosso cabo de eletricidade e galopa até a vampira, carregada pelos outros malditos enrolando o cabo em seu pescoço.

— Não! Não! — Ela grita e se debate.

Eles a suspendem até o poste, frente ao pátio do Colégio. Seu corpo é erguido pelos monstros, um deles se pendura em suas pernas, forçando o sufocamento. Ela consegue soltar suas mãos das teias e alcança uma pequena faca na cintura. Levanta a mão tentando cortar o grosso fio, outro demônio salta e pendura em suas pernas, seu rosto está vermelho. Ela tenta cortar, mas está sem força, sem ar, de seus olhos estouram finas veias na parte branca.

O peso dos demônios pendurados causa dor em seu dorso, ela sente seus pulmões ardendo pela falta de ar, sente a traqueia sendo esmagada. A faca escapa de suas mãos, tenta usar a garra, mas seu braço está fraco, aos poucos a visão fica turva, não distingue o cabo do que mal enxerga. Sem forças, seus braços dormentes, caem lateralmente, ela ainda tem dois espasmos curtos antes de seus olhos paralisarem, indicando que ela não está mais lá.

Metatron termina de fechar a passagem, os demônios do lado de fora se desfazem ainda lutando com os defensores. A nave Carmem chega e os outros descem unindo-se ao grupo.

— Feridos por aqui? — pergunta o padre.

— Estamos bem. — responde o aracnídeo ao chegar saltando de uma teia presa ao prédio.

— Onde está a vampira? — O padre fala, olhando em volta.

— Pera, tinha mais alguém? — Neverfallen fala, estranhando.

Manson começa a correr para a rua ao lado, Mefisto, Sara e Daniele também saem a procura. O aracnídeo sussurra para o Temerário.

— Se era uma vampira, ela poderia estar com o rosto esquisito? — pergunta o Aracnídeo, preocupado para Neverfallen.

— Como eu vou saber? E por acaso eu sabia que tinham demônios entre nós a horas atrás?

O grupo se divide, correm pelas ruas paralelas.

— Sinto o cheiro de corpo fresco. — fala Sara para Mefisto, ele a coloca em uma placa esverdeada e ambos voam rápido para o local que a zumbi indica.

Daniele grita quando a avista, rapidamente escala o poste e usa as garras para cortar o grosso cabo preto. O corpo inerte cai com violência no chão, pesado, fazendo um som oco e agressivo, Manson corre ao vê-la.

— Pronto, está tudo... bem? — Ele se abaixa e tira o cabo do pescoço dela, observa que a mulher ainda não voltara a vida. — Isso não... por que não está voltando?

O aracnídeo e os outros membros do grupo chegam aos poucos.

— Ela vai voltar? — fala o Aracnídeo, assustado ele leva a mão na testa. — Droga, eu não sabia que era do grupo, estava com a cara toda... — fala visivelmente perturbado o rapaz, gesticula para a própria face e depois aponta para os prédios. — Eu a vi andar nas paredes.

— Até aí, você também anda nas paredes. — fala Sara, irritada.

— É, mas eu não fiquei com cara de monstro!

— Você viu acontecer? — questiona Manson, encontrando um pedaço de teia no pulso da vampira.

— Deve ter sido quando me virei...

— Você a atacou? — Manson se vira devagar, com os olhos semicerrados.

— Eu... eu não sabia que ela era do grupo... — fala Jonas, receoso.

— Ei, ei! Calma aí, o garoto não tinha como saber quem era quem. — interrompe Neverfallen, se colocando a frente do policial. — Ninguém foi apresentado antes, quando chegamos achamos que você estava sozinho!

Manson se vira, sacode o corpo de Lucy, ainda de olhos abertos e paralisados.

— Anda, volta logo! Por que ela não volta?

Mefisto está andando de um lado a outro, murmurando para si mesmo.

— Por que ela não volta, Mefisto! — Manson grita para o demônio.

— Eu não tinha pensado nisso, ela está pagando pelo tempo...

— Está o que?

— Ela nunca tinha pago pelo tempo de vampirismo, por seus pecados... está pagando agora. — fala Mefisto, com o rosto em temor controlado.

— Não, ela disse que não sofria nada no inferno... ela disse que vocês tinham um acordo que simplesmente voltava e...

— Isso era antes. — responde o demônio, olhando para o corpo da mulher no chão. — Eu não estou mais lá, estou? E esse acordo... foi sobrescrito.

— Foi o que? — Manson se levanta e segura pela gola da camisa do demônio. — O QUE VOCÊ FEZ, SEU MALDITO?!

O Azazel tenta separar os dois, Mefisto também segura a camisa do policial.

— Eu não fiz nada! Foi ela quem pediu isso.

— Por que ela pediria isso, não faz o menor...

— PRA TE SALVAR, PRIMATA IDIOTA! — berra Mefisto, afastando Manson de si. — Foi o preço de te trazer de novo a vida... maldição.

Manson nega com a cabeça, recua, volta para o corpo da mulher e começa a fazer massagem cardíacas em desespero.

— Não, não... volta, Lucy! — clama o homem com brutos movimentos de ressuscitação em seu peito.

 

 





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