FUE: A Frente Unida Extraordinária WSU escrita por Natália Alonso, WSUniverse


Capítulo 5
Capítulo 4 – Ipse venena bibas




 

 

 

Imagem de Mia 

 

 

Parque do Ibirapuera, Planetário

 

Lucy ainda está com sua camisa úmida de sangue, olha para os braços e depois leva a mão ao rosto, sente a grande cicatriz que toma sua face esquerda e deixa seu olho completamente cinza.

— Merda. Ainda não voltei ao...

— Acho que vai levar ainda algum tempo, querida. — fala Mefisto enquanto eleva as mãos no ar.

Ele faz um gesto formando uma esfera brilhante em torno de um grupo de demônios vikings, depois levanta a esfera a jogando entre as árvores ao longe. Lucy quase é surpreendida quando um guerreiro se aproxima, ela desvia do golpe de espada e o chuta para o chão, toma a sua espada e golpeia outro ao lado. Quando está lutando um terceiro se aproxima pelas costas dela, mas a lança de Daniele o atinge no peito, o prendendo na árvore ao lado.

Daniele cai com as mãos na grama, suas costas estão arqueadas e é possível ouvir a musculatura mudando de lugar, ela geme em dor. Seus olhos ficam amarelados e com uma fenda de cima a baixo, os pelos vermelhos rasgam suas roupas delicadas com babados. Poucos trapos sobram quando se ouve o som oco de ossos sendo encaixados em lugares diferentes. A pelagem avermelhada é vibrante, mas sua cabeleira fica mais densa fazendo uma capa negra, assim como os pelos de seus braços e pernas.

O processo não levara mais do que um ou dois minutos, mas para ela era sempre uma eternidade. Sempre dolorido, o que a deixava ainda mais furiosa, se levanta, caminha até a lança e puxa a arma. Ela observa os demônios se aproximarem antes de vociferar girando a lança no alto da cabeça para os atacar. Mefisto observa tudo com um leve sorriso no rosto.

— A menina tem potencial, gosto de mulheres bravas. — fala ele se inclinando para Lucy, que fica irritada.

— Presta atenção, tem uma família ali.

Mefisto volta a olhar para a entrada do Planetário, faz uma esfera protegendo uma mulher com crianças em volta. Os demônios atacam, mas só atingem a parede de luz esverdeada, que forma lanças atingindo os demônios de volta.

— É sério mesmo que agora terei que ficar protegendo primatas?

— Você reclama tanto de nós, mas não consegue ficar longe. Tem certeza que nos despreza tanto? — murmura o padre enquanto acende um cigarro.

— Tá brincando? Eu adoro a humanidade, só acho vocês fracos e ignorantes. Mas eu não posso odiar quem inventa a tequila ou o blues.

O padre balança a cabeça concordando, então enfia a mão no bolso e pega uma medalha prateada. O desenho em alto relevo de uma cruz e escrituras adorna sua Medalha de São Bento. Ele a segura com a ponta dos dedos e aponta para um demônio que corre em sua direção. O medieval para, um brilho percorre da medalha para o braço do padre e, finalmente para os olhos dele, que se vira e dá um murro em outro o fazendo cair no chão. O padre então traga o cigarro e salta quando um bárbaro se aproxima com sua espada, ele pousa na espada do monstro antes de chutar a sua face.

O religioso olha em volta e vê a vampira cansada, mas ainda lutando contra os guerreiros. Mefisto, surpreendentemente, está se saindo bem em proteger civis, Daniele mostra toda sua ferocidade, quando tolos demônios tentam pular em suas costas. Em um momento ela corre com um sendo arrastado atrás de si, ela para e a velocidade faz lançar o demônio contra outros. Porém os demônios parecem estar parando, algo está errado. Um silêncio interrompe o caos e o padre olha para trás. Ele vê uma garota de rosto angelical e olhos flamejantes, Mia está parada e rodeada por civis que foram possuídos.

O padre se vira, são oito civis possuídos em torno da garota que aos poucos vão se aproximando de Mefisto, Lucy e Daniele.

— Tenho a sensação que você é responsável por essa confusão, menina. — fala ele, observando a medalha brilhar forte e pulsante entre os dedos.

A garota levanta o rosto, sorri delicadamente para o padre e os outros. Os guerreiros medievais foram derrotados, mas agora, os possuídos tomam o corpo de civis, esses que não devem ser simplesmente mortos. Afinal, são pessoas inocentes.

— Vocês não irão impedir a tomada da terra. — fala a garota, com a voz oscilante e um som tenebroso sai junto do que seria a voz original.

O padre tira o cigarro dos lábios em uma última puxada, o solta no chão e pisa com a ponta do pé antes de mover a medalha entre os dedos.

— Pelo brilho de minha medalha, você deve ser um demônio poderoso. Qual o seu nome? Para que eu possa lhe dar os devidos respeitos.

A menina inclina o rosto e sorri lateralmente.

— Matem-os.

Os possuídos correm na direção dos defensores, um homem bastante robusto dá um soco violento na licantropa. Ela oscila com a força daquele tomado pelo demônio goetia e, com um impulso, o segura contra o chão. Outro salta em suas costas, mas é arrancado de lá por Lucy, que o segura e pega o seu cinto para prender as suas mãos. Ele se debate dificultando o processo, mas Lucy consegue prender suas mãos nas costas, assim que termina é atacada por outros dois que escaparam de Daniele. Mefisto segura dois dentro das esferas, ele bate um contra o outro fazendo com que desmaiem. Lucy corre para o relógio de sol, corta o cabo com suas garras e laça uma mulher possuída com ele.

O padre também é atacado, porém ele lança sua medalha na direção do endemoniado, desaparece da visão do possuído. Confuso ele para e urra quando o padre reaparece atrás dele, o segura e coloca a medalha de São Bento na testa do possuído. Queima-se a pele, ele se debate enquanto o padre fala calmamente “vade retro” em seu ouvido. O homem cai ao chão desacordado e o padre retorna a olhar para a Mia.

— Diga seu nome.

Ela estrala os dedos, um vento passa a soprar de suas costas contra o grupo, seus pés deixam o solo e começa a levitar devagar. Sua resposta é um grito, um urro bestial e violento. Duas vozes, uma feminina e uma monstruosa ecoam enquanto ela ergue os braços na direção do padre. É tão alto que o outro grupo, Metatron, Azazel, Manson e Sara podem ouvir da Oca. Nada precisa ser dito, assim que terminam com os guerreiros medievais, eles correm em direção ao grito.

O padre coloca a mão à frente do rosto para proteger da ventania feita pela besta, Mefisto faz uma esfera para si mesmo, Lucy precisa se segurar no Globo de constelações, arrancando uma parte da escultura. Daniele se mantém com as garras presas ao chão e sua pelagem se movimenta com a força do vento. O padre então mostra a medalha em direção a garota, Mefisto percebe que ele está se desequilibrando e faz uma esfera para proteger Wellington. O religioso pode então caminhar em direção a menina que urra.

— Crux sancta sit mihi lux / Non draco sit mihi dux

(Que a Santa Cruz seja a minha luz / Não o dragão seja meu comandante)

 

Ela ouve e se cala, faz um movimento com a mão e uma árvore é arrancada, ainda com as raízes é lançada em direção ao padre. Ela atinge a esfera fazendo o religioso cair, ainda no chão ele ergue a medalha em direção da garota.

— DIGA O SEU NOME, SER DAS PROFUNDAS!

Ela desce ao chão e observa que seus possuídos estão todos caídos, o padre continua.

— Vade retro satana / Numquam suade mihi vana.

(Afasta-te, Satanás / Nunca me tentes com coisas vãs)

 

Ela levanta as pedras e começa a lançar contra o grupo. Ainda pode-se ouvir a voz do padre que é protegido por uma nova esfera de Mefisto. As pedras se acumulam por cima da esfera cobrindo o padre. Lucy corre pegando uma espada de um dos demônios caídos, salta e golpeia a garota, que defende simplesmente com o braço. A espada nada afeta o braço da Mia que faz um gesto tirando-a de Lucy, empurrando-a e, no ar, crava a espada no ventre da vampira e a lança longe. Enquanto admira a queda de Lucy, a lobisomem a atinge com sua lança o peito, e depois com as garras. A possuída dá um tapa com as costas da mão, o local onde a mão atingira, caem os pelos de loba, aos poucos Daniele volta a sua forma humana desacordada no chão.

Uma luz esverdeada sai do morro de pedras lançando os pedregulhos por todos os lados. Em voz elevada e clara o padre caminha em direção da garota.

— Sunt mala quae libas / Ipse venena bibas

(Aquilo que me ofereces é mau / Bebe teu próprio veneno)

 

Se aproxima e encosta a medalha na testa da garota que urra em dor.

— In nomine Patris, et Filii, et Spiritus Sancti. Amen.

(Em nome do Pai, do filho, do espírito santo. Amém)

 

— Diga o seu nome.

Ela se curva para trás.

— Diga o seu nome. — continua o padre. — Exsurgat Deus et dissipentur inimici eius: et fugiant qui oderunt eum a facie eius. Sicut deficit fumus, deficiant; sicut fluit cera a facie ignis, sic pereant peccatores a facie Dei.

 

— ZAGANNN! — vocifera o demônio.

Ele recita o salmo 67, o exorcismo de São Miguel Arcanjo. Ela abre os olhos, o golpeia derrubando-o. Percebe a chegada de outros do grupo, Metatron chega voando, trazendo consigo Sara. Manson e Azazel aparecem entre as árvores correndo.

— A garota é quem está comandando o ataque! — grita Lucy, com a espada atravessada em seu corpo a prendendo em uma árvore.

Manson vai ajudá-la, mas então vê Daniele derrubada e nua no chão, sem dúvidas ele tira a camisa para cobri-la, enquanto os outros se direcionam para a possuída.  Azazel dá um impulso com sua única asa e salta sobre a garota, eles rolam no chão mas ela escapa de suas mãos correndo sobre as águas do lago central. Do centro ela para observando os outros na margem. Metatron sobrevoa e depois desce até o padre.

— Eu não posso exorcizar alguém, não posso tirar uma divindade sendo uma. — fala ele para o religioso.

— Eu não sou uma divindade, mas posso tornar algo divino.

O padre se abaixa tocando as águas do lago, começa a entoar o rito em latim benzendo o local. Metatron segura Sara e sussurra algo em seu ouvido, ambos voam em direção a possuída. As águas brilham por um tempo antes que o padre se levante continuando o cântico de São Miguel Arcanjo.

— Justamente esse exorcismo. — resmunga Azazel.

Mefisto pega a lança de Daniele.

— Ei, rolinha! — Mefisto grita para Azazel. — Pega isso! — Jogando a lança a ele.

O anjo pega a arma, olha para o padre e Metatron no alto confirmando o momento. Finalmente lança o objeto em direção da possuída que segura a arma no ar. Concentrada com a lança ela não nota quando Metatron solta Sara do alto, a zumbi cai agarrando a possuída. A força sobrenatural da morta contém a menina tomada, sendo completamente coberta pelas águas abençoadas enquanto urra soltando bolhas nas águas do lago. O padre continua o cântico do lado de fora.

— Ordeno que em nome de Deus, deixe este corpo inocente, Zagan!

Sara segura a garota, a zumbi não precisa respirar embaixo d’água, nada sofre e permanece tranquila. A possuída aos poucos vai se acalmando, até seus olhos baixarem as chamas, tornam-se castanhos até finalmente desmaiar. Só então Sara nada para o alto e acena para Metatron que as levita para a margem. Quando colocada no chão, a garota de tatuagens no pescoço parece calma e inofensiva. O padre toca em seu pescoço verificando a pulsação, Azazel fala:

— É só uma menina.

— “Só”, mas tomada por um goetia poderoso. Astaroth apoia os goetia agora? — questiona Metatron.

— Talvez Zagan tenha oferecido algo de interessante a ele.

Enquanto isso, Lucy tenta arrancar a espada que atravessa o seu corpo, mas não tem forças o suficiente. Ela nota que uma das cicatrizes no braço se abrira, sua regeneração parece oscilar. Manson cobre Daniele com a camisa, ela acorda devagar.

— Descansa aí guria, agora já passou o tornado. — Ela se aninha no chão, cansada da transformação.

Manson se levanta quando vê Mefisto ajudando Lucy, o demônio tira a espada do ventre da mulher, e o policial vai até a vampira.

— Está bem? — fala Manson, próximo do rosto dela.

— Eu legal. — fala ela se colocando no chão com a mão no ventre. — Minha regeneração, minha força... esse monte de cicatrizes, estou com dor no corpo como se...

— Como se fosse mortal. — completa Mefisto. — Não se preocupe, isso deve passar, se você se alimentar tenho certeza que...

Lucy apenas levanta os olhos a ele e o demônio se cala. O padre, Metatron e Azazel decidem levar a garota possuída para a Sala Mental do Serafim. Mas assim que toca na garota ela abre os olhos em chamas amareladas, com uma grande força eles são empurrados para longe dela. Ela fica de quatro, quase como uma serpente, se esgueira até uma fenda no chão e foge para os infernos.

Chocados, eles se entreolham.

 

 

 

Plantão da TV

 

A vinheta sonora passa rapidamente, as pessoas no bar se assustam sempre com esse som, é sempre más notícias, e dessa vez, não é diferente. A repórter está no Parque do Ibirapuera, mostra as imagens da destruição do local, árvores, pedras, partes do museu da Oca com buracos feitos por uma arma medieval. Imagens de câmeras de celulares mostram um anjo lutando contra seres nórdicos, uma mulher de aparência muito pálida e óculos de sol quebrando o pescoço de outro antigo da Mongólia.

— Na tarde de hoje, estranhos acontecimentos... como se não bastassem a invasão de seres que vieram da História Antiga, outros são pura magia.

A imagem desfocada mostra um ser de túnicas da cintura para baixo voando com suas grandiosas seis asas.

— Aparentemente esse grupo estava protegendo as pessoas do parque. Os motivos do ataque são desconhecidos...

Imagens de Mefisto sempre são distorcidas, apenas um vulto verde com chifres, como se uma fumaça o rodeasse. Essa era na verdade, sua verdadeira forma, mas ele nunca se mostrava assim para as pessoas. É possível ver civis que agiam estranhamente, pessoas pacíficas que foram possuídas pelos goetias. Elas atacavam uma grande fera vermelha. A repórter entrevista um local.

— Eles estavam lutando, eu vi quando protegeram uma família, eu estava escondida na entrada do planetário.

— Aqueles loucos estavam subindo nas paredes do teto, quebravam as janelas tentando entrar e nos atacar quando vi o negão atirar neles. — fala outro.

A repórter olha feio para o entrevistado.

— Quer dizer... ele era afro... era bem vestido. — corrige ele, constrangido.

Corta para outro enquadramento.

— O lobo gigante usava a lança! — fala um rapaz.

— Era uma loba! — fala a outra garota.

Corta para outra entrevista.

— Tô te falando, eu vi quando tiraram a espada de uma mulher. Eles tentaram ajudar, outro tentou fazer a ressuscitação em um dos caras...

A jornalista retorna a falar e mostra as imagens de sacos plásticos negros, em volta deles, a perícia, que parece a mais confusa de todas.

— Apesar da ajuda dos estranhos seres, sete pessoas acabaram mortas. Alguns dos sobreviventes disseram que eram ajudados, outros não se lembram ou não sabem explicar como lutaram. Esses foram amarrados pela equipe, falam que era como se estivessem sendo comandados por alguma coisa na sua mente.

Volta a repórter do canal central.

— É importante ressaltar que casos assim tem ficado cada vez mais frequentes. A forma que se movimentavam eram semelhante ao rapaz do Mato Grosso que indica-se que, ao que tudo indica, matou a família, meses atrás. O especialista Mário Cortez, pode nos falar mais.

— As imagens recuperadas mostram um mesmo padrão de movimento e luta. — fala o especialista, com seus óculos pequenos e grandes olheiras. — Agora, quanto aos que defenderam o parque e os civis, não sabemos explicar de onde vieram e porque fizeram isso. Talvez soubessem que iria ocorrer esse ataque.

— E porque nenhuma imagem de rosto é nítida? Mesmo as câmeras de civis, há muitos compartilhamentos na rede de internet, não param de surgir novas fotos e imagens...

— Eu não sei dizer. Parece algo sobrenatural... eu não sei. — O homem está confuso.

A repórter retoma.

— Após a luta, que foi aparentemente comandada por essa garota com habilidades de voar, os defensores ajudaram os feridos. Alguns receberam os primeiros socorros no local, até o momento que chegaram policiais. Então, estranhamente eles desapareceram por uma abertura, como um teletransporte de filme de ficção.

As imagens são de destruição do local e, então, a repórter fica ansiosa novamente.

— Acabo de receber informações de que o padrão de luta de uma das integrantes também foi identificado. Aparentemente ela não é daqui e pode ter sido vista no Zoológico de New Orleans. — A repórter fica ouvindo o ponto no ouvido. — Maiores informações a qualquer momento.

 

 

 

2º Círculo do Inferno, a Luxúria

 

Mefisto está deitado na cama, Súcubo tem seus longos cabelos louros espalhados nos lençóis e acaricia o peito dele.

— Então ela simplesmente escapou?

— Sim. — fala ele, suspirando. — Eu avisei ao padre que precisamos de um reforço. Isso foi apenas uma demonstração de força, eles devem atacar a qualquer momento.

— E o lance das câmeras, de esconder o rosto deles. — fala ela se levantando apoiada no demônio.

Ele sorri de forma debochada.

— Eu procuro pensar além. A última coisa que quero, é mais fãs.

— Aliás, estou surpresa de você ter vindo até aqui. Sabe que se Astaroth te pegar aqui...

— Eu precisava relaxar. Além de falar contigo, estou pensando no seu caso, decidi te ajudar. — fala ele enquanto se levanta e pega as calças.

— Se estiver me enganando, Mefisto... — fala ela desconfiada.

— Algum dia eu menti? Não me confunda com outros demônios, Súcubo. Eu sempre cumpro meus acordos, você sabe disso.

Ele se vira para ela enquanto se veste.

— Seus desejos serão saciados, desde que cumpra também a sua parte. Mas será caro.

— Eu farei qualquer coisa.

— Eu sei. — fala ele segurando o queixo dela.

 

 

 

Cubo de Metatron

 

A lâmina brilha vermelho no meio das brasas, Lucy a olha antes de levar até o ferimento do ventre. O som é de um bife na chapa quente, o cheiro de queimado a incomoda, mas ainda é menos do que uma hemorragia. A vampira solta a lâmina no chão e se escora na parede quando Manson chega na sala.

— Daniele está descansando.

— Que bom, e Sara?

— Acho que é a única que está bem, está comendo o resto do cachorro. — Ele dá uma respirada no cheiro de carne queimada. — Resolveu isso?

— Sim. Estou regenerando, mas lentamente.

— Por mais que eu não goste, Mefisto tem razão quanto a isso, você deveria se alimentar de alguma forma.— Ele a toca carinhosamente nas costas, beija seu pescoço cheirando o seu cabelo. Ela sorri, mas logo volta-se ao ferimento. — Eu disse que devia trazer algumas unidades de sangue de New Orleans, posso te trazer um animal, eu sei lá.

— Isso não é uma possibilidade.

— Mas poderá lutar melhor se...

— Não, Manson. Da forma que estou, se eu me recuperar posso acabar ficando dominada pela sede, na forma de Drácula eu poderia causar problemas.

— Certo... — Ele se vira para ir embora, mas para de costas e lamenta. — Acha mesmo que podemos vencer isso?

Lucy não responde, apenas olha para as cicatrizes no corpo, algumas delas parcialmente abertas. Ainda está cega de um dos olhos, ainda se sente desconfortavelmente fraca e inútil.

— Essa foi apenas uma garota possuída, Mefisto avisou que há um exército.

— Sim, Mefisto... ele sempre te mantém bem informada, não é.

Lucy se inclina em silêncio.

— Que tipo de acerto que vocês tinham? — Ele questiona, mas não tem certeza se quer saber a resposta.

— Eu cumpria o meu tempo no inferno, e depois voltava.

— E como foi que eu me tornei... — Manson olha para si mesmo. — Isso?

— Eu fiz um contrato para você. Para te salvar no dia que levou os tiros.

— Isso você já disse.

— E é verdade.

— E ele fez isso... por nada? — pergunta ele, desconfiado.

— Ele é um bom amigo. — fala ela enquanto fecha a camisa.

 

 





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