FUE: A Frente Unida Extraordinária WSU escrita por Natália Alonso, WSUniverse


Capítulo 11
Capítulo 10 – Encontro com o Pai


Notas iniciais do capítulo

Estamos chegando ao fim, queridos leitores. Semana que vem, serão postados o capítulo 11 e o Epílogo. Espero que aproveitem esse desfecho de encerramento, história feita com muito carinho para vocês. Caso queiram, vejam o trailer em https://www.youtube.com/watch?v=DWJhcef1Gcc&t=10s



 

 

 

 

 

Ao Fim

 

— Você tinha tudo isso em mente? Desde o começo? — questiona Wellington, receoso.

— Quando toda essa batalha começou, eu não pensava que iria acabar assim. Quer dizer, sempre foi o meu desejo que tivessem algumas mudanças, mas não dessa forma. Foi por muito pouco que não tivemos ainda mais baixas.

— Espero que saiba o que está fazendo. — fala o padre, antes de se virar para ir embora.

— Você me conhece. A última coisa que quero é estragar minha peça de teatro favorita, a humanidade.

 

 

 

Sambódromo

 

Uma senhora, desesperada passa correndo por entre a multidão e derruba um menino. O Temerário olha para o menino ao chão, olha para a senhora. Repete os mesmos movimentos por duas vezes.

— Velha desgraçada! — grita ao avançar em direção à senhora.

Ele a estapeia com as costas da mão e ela cai, então, o Caveira a chuta na barriga.

— Pare, ela é minha avó! — grita o garoto caído.

— É isso que ela quer que você pense, garoto! — responde o Temerário dando um soco na senhora caída.

— Por Deus, pare! — implora a senhora.

Marcos cerra os olhos por baixo de sua máscara.

— Mas é muita ousadia! — fala, ao pisar na senhora. — Agora está chamando por Deus? Deus não está aqui, só o Caveira!

— Não! — implora o garoto.

— Não se preocupa, garot... — fala o Temerário, ao ser interrompido por Manson, que o agarra, o removendo de cima da senhora.

A velha mulher de cabelos brancos levanta, arruma os cabelos.

— Enlouqueceu? — pergunta Manson.

A senhora dá um golpe certeiro com a bengala, no meio das pernas do Caveira.

— Viu isso? — indaga o Temerário, gemendo de dor.

— Vi sim. — fala Manson ao pegar um alambrado e jogar em um demônio.

Do outro lado da avenida, a nave Carmem puxa demônios que atacam pessoas para o ar, os transporta até o alto os deixando cair em outro ponto contra o cimento. Karen vai até a família que estava encurralada e os auxilia a sair dali. Uma das meninas reconhece a heroína da televisão e agarra seu pescoço com doçura.

— Pronto... — fala acariciando a cabeça da menina e depois segurando a mãe para voar para fora.

Do lado de fora, muitos bombeiros e ambulâncias estão amontoadas, repórteres falam por todos os lados e muitos se aproximam da conhecida heroína.

“Esses demônios também são seus amigos?”; “ Eles são corrompidos?”; “Qual o motivo do ataque?”; “É por causa do carnaval?”  Questionam os repórteres amontoados sem sequer esperar que ela fale. Karen tenta acalmá-los.

— É melhor que todos se afastem, não sabemos ainda com...

Antes que ela termine, os gritos lhe indicam que algo aconteceu. Alguns passistas estavam ainda nos carros alegóricos na área de manobra, demônios atacavam por baixo e o fogo tomava as decorações. A alien observa e voa em segundos em direção ao local. O aracnídeo estava próximo, mas suas teias pegavam fogo e mal podia fazer algo.

Karen voa rapidamente e retira os passistas de baixo, que estavam mais próximos dos demônios. O aracnídeo pega um extintor tentando apagar o incêndio, o temerário usa seu braço de foice para cortar um dos hidrantes espirrando grandes quantidades de água no primeiro carro. Jonas vai para o segundo tentando apagar o fogo, mas os demônios o atacam. Acaba derrubando o corrompido dentro da estrutura.

Karen ouve o tumulto, voa até lá, dá violentos golpes nos demônios para conseguir separá-los do amigo, o segura no ombro antes de sair voando de lá. Ele tosse repetidas vezes.

— Não me assusta desse jeito! — fala a garota quando o coloca no chão.

Afastados, eles não notam quando uma destaque ainda estava no alto do carro. Agora com a estrutura abalada, a estrutura quebra fazendo toda a decoração cair. A mulher grita com a queda sumindo no meio das chamas.

O temerário ouve, fica pálido dentro da máscara.

— De novo não. — murmura para si mesmo.

Antes que se mova, ele vê o vulto de Manson correndo e saltando para dentro da estrutura em chamas. Demônios se aproximam, mas caem com o calor da explosão. Neverfallen está no alto, dando cobertura, o Caveira se aproxima atingindo demônios com sua foice no lugar do braço. Manson sai no meio das chamas, carrega a mulher para fora do carro e cai de joelhos no chão. Azatoth se aproxima, acena para Karen tirá-la dali e a alien leva a mulher para longe do carro que ainda está em chamas.

Manson fica no chão, sentido sua pele se regenerar. As queimaduras em seus braços, mãos e costas vão aos poucos sumindo na mesma medida que a areia sai dos ferimentos. Ele sente tudo, a dor profunda deixa seus olhos estatelados e rosto franzido murmurando obscenidades em inglês.

 

 

 

Vestíbulo do Inferno, vale central

 

Mesmo ofegante, Mr. Hyde dá conta em atacar os monstros que o rodeiam. Mefisto o auxilia usando duas cimitarras verdes em mãos, o padre se concentra e cria uma porção de símbolos místicos em tons de vermelho e laranja. Os signos o rodeiam, giram em torno de si e se afastam, criando uma onda que paralisa e mata os demônios em torno.

O dedo de Mia toca delicadamente a grade do construto mental de Metatron, a fumaça delicada subindo indica que as barras estão sendo corroídas. O serafim fica tenso, ela gosta e coloca as mãos na grade já danificada.

— Quanto tempo acha que pode aguentar, anjo quebrado? — fala Mia com sarcasmo. Ela abre as grades escapando de sua cela.

— Tempo o suficiente, demônio. — O anjo declara de surpresa, quando se aproxima a golpeando no rosto.

Ela vira a face e retorna sorrindo, o atinge com o punho fechado com a mesma ferocidade. Ele não vira o rosto.

— Estou cansado de você. — fala ele enquanto segura o pescoço da possuída e a ergue no ar, a face da garota se assusta.

— Fica confortável em agredir uma garota... — fala segurando os pulsos do serafim com as mãos.

Ele aproxima a garota do próprio rosto e seus olhos completamente brancos miram para dentro da alma da garota.

— A muito tempo que tu não és mais apenas uma garota.

Ele arremessa a possuída com violência para longe, que rola no chão de pedras. Metatron ergue o braço e a maça de Azazel surge em sua mão, suas quatro asas se abrem com ele planando antes de acertar o chão. Mia em fuga, se afasta rapidamente, ele não é mais o mesmo, suas asas já quase sem penas tornaram-se alaranjadas. A imagem do ser de olhos brancos parece confusa e chama a atenção de Mefisto.

A garota se abaixa de cócoras no chão, coloca a mão na terra e começa a pronunciar palavras em tom indecifrável. Sua voz grave e cavernosa vai aumentando a intensidade aos poucos, os olhos vermelhos ficam em chamas saindo do próprio globo. Enquanto fala, sons como de serpentes escapam de sua boca, um tremor na terra se emite a sua volta. Metatron observa e corre para pará-la, mas a maça atinge uma redoma vermelha que a protege.

Os tremores de terra ficam cada vez maiores até uma grandiosa besta sair em uma cratera do solo, o monstro joga imensas pedras para todos os lados enquanto urra de forma colossal. Arthur, que corria no lago de fogo, arrastando demônios na lava para por um instante assustado, observando a fera. Ele sente seu tênis derretendo nos poucos milésimos de segundo que parara, o que o desperta saindo do lugar. Então corre pegando o padre Wellington que seria atingido por uma grande rocha pelo movimento do dragão.

— Não... droga, esse é o Leviatã. — Mefisto murmura para si mesmo.

Mr. Hyde simplesmente corre para o dragão de escamas verdes e negras, salta para atingi-lo e no pescoço. A fera observa o gigante, sua cabeça é maior do que Hyde, ela não se interessa, se encolhe para dar impulso e se lançar em uma fenda aberta por Mia, o portal vermelho dá para a superfície da terra. Os poucos vampiros e demônios urram comemorando a saída da besta. A Frente Unida Extraordinária corre para a passagem dimensional.

Mr. Hyde ainda segura a cauda do lagarto tentando o conter de subir à terra. Metatron olha o sinal do fim dos tempos indo pela passagem, ele não pode mais perder o tempo com a possuída que sorri ao chão. Ele voa em direção da fera apocalíptica.

 

 

 

Instantes antes

 

O tremor de terra desequilibra os vampiros em combate. Vlad avança com a espada no ar, Lucy recua desviando da lâmina. Ela manca com o pé perfurado, seu abdômen sangra escorrendo ao chão que fora atingido pela adaga. A espada dele acaba cortando as pontas da longa trança de Lucy, ela para, olha por um instante e vira para ele franzindo as sobrancelhas.

— Vai começar a tentar me matar ou só está interessado em cortar meu cabelo?

— Isso está ficando cansativo, querida.

— É mesmo? Ainda bem então que não permanecemos casados.

Ele se aproxima, a encurralando na parede.

— Está presa. Apenas aceite isso.

— Engraçado, eu ia falar o mesmo a você, Vlad.

Ele suspira com a teimosia dela, une as mãos na espada em um golpe frontal, ela anda na parede, salta e vai ao chão atrás dele. Assim que ele se vira, ela o atinge no estômago em um grande corte lateral. Vlad para e observa a grande poça de sangue se formar em seus pés.

— Que desperdício de alimento. — lamenta ele para si mesmo.

Ela crava sua espada pela boca dele, a ponta sai por trás da cabeça o prendendo na parede de pedras. Ela o olha, quase lamenta por ter que matá-lo. Quase. O deixa pendurado e se apoia cansada no cadáver.

O som de uma fera ecoa, chama sua atenção e ela franze a testa apreensiva. Se vira e observa ao longe o movimento do Leviatã subindo pela fenda dimensional. Ela pega a espada de Vlad que estava caída no chão e corre em direção dos gritos, em pânico com a criatura.

 

 

 

*********

 

O urro feral ecoa até o inferno, o som de torres e parte do sambódromo desabando é ensurdecedor, a luta em terra é perceptível aos demônios em combate.

A cimitarra de luz provoca um zumbido no ar antes de fazer um tilintar metálico com a azul flamejante nas mãos de Lúcifer. Ele coloca o seu corpo lateralmente, se apoia na perna de trás para segurar o braço pesado de Astaroth. O rei de pele vermelha sorri exibindo suas presas para o desafiante.

— Além de um mal regente, ainda não é um bom rosto para o inferno. — fala Lúcifer em desdém antes de empurrar o rei.

Astaroth se vira com o impulso, mas gira o corpo e atinge a lateral do braço de seu oponente, que range os dentes com o ardor.

— Eu não sou a carne de Moloch, sou apenas mais um de suas crias de barro e penas. Mas ainda assim, tenho maior força que tu, Lúcifer.

O desafiante se irrita, corre e tenta um golpe frontal, Astaroth bloqueia, depois pela esquerda, pela direita, na perna. O rei dá passos largos avançando a frente de Lúcifer que precisa recuar, tropeça com o chão pedregoso, tem que apoiar a mão no chão para não cair.

— Está ansioso pelo poder. Mas serás príncipe eternamente. — Astaroth se aproxima balançando a cimitarra, exibindo a arma que é de Lúcifer. — Sinto-me ansioso, mas quero prolongar esse momento, é um prazer te humilhar com sua própria espada.

Lúcifer joga areia no rosto de Astaroth e dá uma cabeçada o deixando zonzo e cambaleante.

— Não se esqueça também que sou um sangue sujo, e também um pouco humano. Deve ser humilhante para você, perder para alguém com eu, golpista.

Lúcifer avança novamente com diversos golpes, não muito rápidos, mas fortes e pesados, principalmente de cima. Astaroth defende, mas finalmente urra em dor quando o príncipe atravessa seu joelho. O rei ainda levanta o braço atingindo o dorso do príncipe, um corte fatal se ele não tivesse se afastado a tempo, rasgando seu peito diagonalmente. Mas assim como recuou rápido, respondeu igualmente veloz decepando os dedos de Astaroth.

O rei tenta alcançar a espada caída no chão com a outra mão, mas Lúcifer a chuta longe, espalhando os dedos decepados pelo chão arenoso. Em um movimento de giro, Lúcifer grita ao erguer a azul flamejante e desce rapidamente para o corte limpo, atingindo verticalmente o pescoço do rei.

 

A espada se quebra em pedaços, em som vítreo e tintila no chão.

 

Ambos param, Astaroth vê os pedaços de metal azulado no chão. Lúcifer arregala os olhos, mira para o punho da espada sem entender. Astaroth ri, levanta o rosto de olhos fechados em uma gargalhada profunda.

 

 

 

*********

 

Quando o dragão chegara ao sambódromo, raios cortaram os céus, parecia que Deus também estava chocado com tamanha ousadia dos demônios. Mas por algum motivo ele não enviara seus anjos, talvez ele observasse de perto, soubesse de alguma forma como tudo aquilo acabaria. Mas por hora, eu fiquei sinceramente assustado, mesmo vivendo milênios, eu nunca vi realmente o Leviatã. Ele fora usado poucas vezes, e agora, eu precisava lutar.

 

 

Belzebu segura Baal por seus cornos de búfalo, mas o aliado da terra empurra o encurralando na parede, como um touro em fúria. Ele urra avisando que os orobas devem se concentrar agora na gigantesca besta. Mefisto, o padre e Arthur saem pela fenda, Metatron aparece voando alto com suas quatro asas. O velocista, já exausto, ainda afasta os últimos guerreiros medievais dos orobas.

Assim que o dragão saiu, ele sentiu uma puxada forte para trás. Mr. Hyde o segurava do inferno, agarrado a ponta de sua cauda. A fera se apoia com as patas da frente já derrubando demônios com a cabeça. Um oroba se aproxima e finca sua lança no pescoço da fera, mas o dragão morde seu dorso de homem, o joga no ar e devora o demônio de cabeça de cavalo.

Dando um maior impulso, o dragão escapa das mãos de Hyde e passa totalmente pela fenda, poucos instantes antes Lucy cravar a espada na cauda do dragão e ser puxada pela fenda que se fecha logo depois. O dragão balança o rabo lançando a vampira longe e se desequilibra quando um vulto atinge o seu rosto. Karen voa até uma certa distância, com toda velocidade vai até o animal e o atinge uma segunda vez o fazendo se desequilibrar. Ela plana próximo e é agarrada por uma das patas do lagarto.

A licantropa escala o lagarto gigante, ele se incomoda tentando se virar e mordê-la, mas a cada tentativa ela se esquiva nas costas dele. Manson corre e joga uma lança de um oroba para ela, já no alto do dragão. Ela crava na nuca da fera, mas logo nota que ele quase não sangra e balança a cabeça lateralmente para se livrar de Daniele.

Uma mulher que chegara ao local, não parece assustada entre os repórteres e curiosos, de certa forma, está fascinada. Ela tira os óculos escuros já que agora é noite e a pouca luz não agride seus olhos leitosos. Um demônio se aproxima para atacá-la, mas ela responde o segurando e o lançando longe, depois esmurra outro que saltou para si. Sara protege os civis, ela precisava desse tempo e, agora, precisam dela.

O padre a reconhece de longe, mas ao acenar, distrai a zumbi quando um demônio a agarra pelo braço arrancando seu membro. Ela não sente dor mesmo. Então apenas o ataca e o espanca usando o próprio braço decepado.

O temerário e Neverfallen tentam apagar o incêndio dos carros alegóricos, o aracnídeo berra para que os repórteres se afastem quando ouve os gritos de Lucy ao longe, ele corre em sua direção. A cauda do lagarto destruíra a base da torre jornalística, ela começa a cair e é segurada pela vampira em olhos negros. O aracnídeo vai para o alto da torre e quebra o vidro pedindo que os repórteres saiam de lá.

Azathoth, exausto, cai de joelhos, com a cabeça baixa, em meio ao fogo no sambódromo. Uma gota de suor escorre pelo seu rosto, desliza pelo seu nariz até chegar a ponta, até que pinga.

Em cima de um carro alegórico está uma criança, uma pequena garota vestida de Carmem Miranda. Ela grita por socorro, mas está sozinha com o carro incendiado. É então que o detetive, de joelhos olha para cima.

— Me ajuda! — pede a garota olhando em seus olhos.

— Mais um. — sussurra Azathoth. — Preciso salvar mais um.

O detetive levanta-se, corre e salta, agarrando-se no carro. Karen está na boca do lagarto gigante que expele labaredas de fogo para tirar a aliem que quase quebrara seu maxilar. O padre auxilia a segurar a torre com símbolos místicos que brilham contendo a queda.

 

 

Eu, olho tudo aquilo ao redor, todo aquele caos, pessoas feridas, repórteres em pânico, Lucy e Sara segurando a torre, gritando em dor ao fazer uma força descomunal. É fácil chegar à conclusão que iremos perder, isso está fadado ao fracasso. Então vou até Metatron e o clamo.

— O que você quer, Mefisto?

— Você sabe que todos morreremos se isso continuar. Não haverá vencedores, mesmo que matemos o Leviatã, isso matará todo o grupo, de ambos os lados.

Metatron leva seus olhos completamente brancos para o demônio de vestes verdes. Suas sobrancelhas caem lateralmente, lamentando pelo que pressente.

— Você sabe o que isso significa?

— Sim, mas talvez haja algo bom nisso.

Metatron olha em volta, vê o combate do dragão com membros de ambas as equipes. Vê o medo nos olhos dos civis que ainda estão no meio da batalha caótica, assustados com os demônios aliados e com a gigantesca fera.

— Primeiro me pediram que eu limpasse a terra da existência dos homens, agora, acho que eles merecem outra chance. — constata o serafim. — O que você precisa?

— Tempo. Apenas isso.

Metatron abre as luminosas asas e voa ao alto, estende os braços com feixes de luz pálida o contornando.

— Pai. Eu sei que já não mereço o Seu poder. Me ajude.

As asas de Metatron, perdem as últimas penas, completamente nuas já estão como as de um morcego, ainda em um tom branco e cinza claro. As luzes brancas ainda o rodeiam e depois se espalham em torno, tudo fica mais lento, até quase paralisar. Eu estendo a minha mão e agarro um pequeno ponto brilhante com meus dedos.

— Bom retorno, meu amigo. — falo me virando e desaparecendo do plano terrestre.

Minha primeira parada é no inferno.

 

 

Mefisto caminha por entre o estreito corredor escuro das catacumbas infernais, vai até o final, uma porta de ferro com uma pequena janela e grades dá para dentro da cela. Ele para por um instante, olha em volta como se verificasse a não movimentação dos guardas, de todos os demônios em torno. Então tira do bolso a pequena esfera iluminada que ganhara de Metatron, a encosta na grade da cela. Iluminando o local em um pulso de energia.

Mefisto então apoia o queixo na grade da janela, suspira tentando ver o prisioneiro.

— Pai?

O arfar pesado responde antes no meio da escuridão. Pouco depois, o som do arrastar de pesados cascos avisam que alguém se virou.

— O que você fez, Mefisto?

— Ainda nada. De certa forma, estou é salvando o seu reino.

No canto escuro da cela, o velho e carcomido se aproxima devagar. Mefisto olha com pena de como seu pai envelhecera, ele não costumava fazer muitas visitas mesmo. Porém, Moloch, sempre será o mais importante de todos os demônios, o pai de todos eles. Aquele que era prisioneiro em seu próprio reino.

— Ainda vou resolver tudo pra você, pai.

Os olhos vermelhos de Moloch atravessavam a escuridão da cela, ele sabe muito bem a astúcia de suas criaturas.

— E por que faria isso?

Mefisto dá de ombros.

— Por que quero. Vim aqui lhe...

— Deixa eu adivinhar. — fala de forma grave e pausada. — Veio me fazer uma proposta.

Mefisto olha e sorri discretamente. Moloch continua:

— Me fará um contrato também? Quer que eu diga “aceito”?

— Que tipo de filho eu seria? Não, basta um acordo de cavalheiros, até por que é simples.

— E qual é a proposta? — fala Moloch, se aproximando da porta.

Chegando à luz, o demônio de pele negra e presas ferais se escora na porta, uma neblina fria sai preenchendo o corredor. Mefisto se afasta da janela, mas ainda respeitosamente.

— Vou abrir a porta a ti, pai, chega dessa prisão pelo crime de ser um grande rei. Poderá andar livremente pelo inferno e pelos anéis. Em troca, eu quero algo seu.

— E o que seria? Minha alma?

Ambos riem.

— Não. Apenas algo que não lhe fará falta. Uma pena e algumas gotas de sangue.

Moloch inclina a cabeça de lado, desconfiado.

— Ahhh, qual é. Eu sei que você ainda tem um monte delas. Não te fará falta.

Moloch pensa por um instante, cerra parcialmente os olhos, caminha até a lateral da cela onde suas asas estão penduradas na parede. Duas grandiosas asas, agora de penas negras como marca de sua demonização. Instantes depois, a mão em garra atravessa a janela, entregando a delicada pena felpuda, acompanhada de um maléfico sorriso de presas no meio da escuridão.



Notas finais do capítulo

Caso queiram conhecer mais sobre cada personagem, há diversas histórias já publicadas a respeito deles. Vocês podem encontrar a lista completa no facebook com links tanto nessa como em outras plataformas. Basta acessar facebook.com/wsuniverse/ que você encontrará o primeiro post com a lista completa afixado no início da página.



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