FUE: A Frente Unida Extraordinária WSU escrita por Natália Alonso, WSUniverse


Capítulo 10
Capítulo 9 – A Frente Unida Extraordinária




 

 

Cubo Cósmico de Metatron

 

Na grande mesa dourada, o corpo de Azazel está envolto de tecidos brancos com sutil brilho perolado. Metatron o lavou, envolveu cada membro e os alinhou como formando o corpo. Porém, deixando cada pacote separados o suficiente para que o grupo visse a brutalidade, o desrespeito do que fora feito ao nobre guerreiro. Foi o serafim que encontrara seus restos mortais, tão destroçados e jogados ao chão como item sem valor. Destruído, ainda que mostrando a penúria que passara em seus últimos momentos de vida.

Cada integrante observa o corpo, Daniele chora copiosamente, Karen se senta ao seu lado, consolando-a, o Aracnídeo e Arthur se unem às adolescentes. Azathoth, Wellington e Manson fumam encostados na parede, Lucy pega um dos cigarros do policial e acende com a brasa dele. O detetive de chapéu coco ainda oferece ao Caveira, que recusa. Mefisto olha tudo aquilo, toda a cerimônia feita por mortais, monstros e outros seres renegados.

— É inacreditável isso... — murmura o demônio.

— Algum problema, Mefisto? — Metatron se aproxima e questiona sussurrando.

— Quantos de nós terão que morrer para algo que é o certo. Para protegermos a terra e os primatas. Onde está Aquele quem deveria mandar sua gigantesca legião de anjos para proteger a própria criação.

— Ele decide o que quer e o que precisa ser feito. — responde o serafim em sua brandura.

— Sim, talvez Ele acha que não precise fazer nada, afinal, nos têm aqui para cumprir a Sua função.

— Fala irritado como se Azazel fosse próximo a você, Mefisto. — sussurra Lúcifer.

— Era o suficiente. Ele podia não me chamar de amigo, mas nunca me traiu e eu nunca faltei com lealdade.

— Vem me falar de lealdade? — resmunga Lúcifer entre os dentes. — Alguém que faz inúmeros contratos pelo seu bel prazer pessoal?

— Sabes muito bem que meus acordos só ferem os próprios negociantes, ninguém pode vender por algo que não lhe pertence. Foi ele quem lhe chamou, quem interferiu para que seu reino fosse garantido. Espero que tenha um pouco da ferocidade dele, para que a luta dele não tenha sido em vão.

Lúcifer cerra os olhos antes de falar.

— Pode ter certeza disso. Ele era meu amigo e não merecia isso.

— É claro que era. Um dos muitos. — provoca o demônio de camisa verde antes de se virar para o vigário fumante ao lado. — Você precisa descobrir uma forma de neutralizar essa possuída, um exorcismo mais forte que possa...

— Você não estava ao meu lado no Ibirapuera? Achou que eu estava fazendo o que? Cantando?

— Faça mais forte dessa vez, algo que Zagan não possa voltar para a garota.

— Eu fiz o que podia, mais do que isso irá matá-la! Eu não vou matar uma criança!

— Só mais uma, dessa vez eu não irei cobrar...

O padre responde com um soco no rosto do demônio de cabelos cacheados que se curva com a força do golpe. Mefisto desaparece em neblina verde e ressurge logo atrás do religioso exaltado. Segura o padre torcendo o seu braço nas costas e sussurra em seu ouvido.

— Vamos, você pode fazer isso de novo, dessa vez lhe dou uma carta branca para sua alma.

Antes que Lúcifer e Metatron tentem intervir um círculo de aura verde se forma rodeando o padre e Mefisto. O serafim apenas observa, como se soubesse que aquilo era necessário. O padre retruca ao demônio.

— Seu maldito! Anule você o contrato dele com a menina!

— Eu não posso, não é assim que os goetia trabalham, esses sujos não fazem contratos. É por isso que são ilegais.

— Ele está muito poderoso nessa garota, deve estar com ela a muito tempo, cresceu dentro dela! — protesta Wellington.

— Não poderia, como ele evoluiu assim se ela é jovem e...

— O último estágio de uma possessão é a morte da ânfora. Zagan não quer matá-la, ele irá usá-la o quanto puder pois uma criança não responde nem aqui e nem no mundo espiritual por seus atos!

Mefisto fica confuso, o círculo de chamas verdes falha a sua volta, ele ainda segura o padre, mas agora mais fraco.

— Não faz sentido, não se podem entrar em crianças assim, ele não é um grande demônio para conseguir isso, ele teria que ter alguma ajuda, teria que...

A mão de Metatron toca no ombro do demônio, que solta o padre logo em seguida.

— Talvez ele tenha conseguido um contrato, Mefisto. Um acordo diretamente com os pais da garota. — esclarece Metatron.

— Enlouqueceu? Eu já tive minhas distrações, mas um contrato ilegal sem ter passado por minhas mãos? — Mefisto se aproxima trajando toda sua arrogância. — Um bichinho de classe menor asqueroso não poderia fazer isso, é hediondo.

— Se você diz... — conclui o serafim, virando-se.

— Não, isso não pode...

— Agora chega. — interfere Metatron. — Não temos tempo para praguejar. Mefisto irá abrir a fenda para os infernos em menos de duas horas, irá entregar a azul flamejante para Lúcifer e lutaremos em duas frentes.

— Eu vou? — questiona Mefisto.

Metatron apenas fita com seus olhos brancos, fora mais uma de suas premonições. Todos se aproximam novamente do velório do anjo e guerreiro caído. Agora, em silêncio, finalmente o serafim ergue as mãos a frente. Uma chama branca emana da mesa dourada, cada membro de Azazel começa a levitar e se desfazer em um brilho cálido. Cada parte que queima solta uma lembrança na mente de Metatron, uma dor de seu corpo sendo esmagado. Outra parte, e agora o serafim vê seus pulmões sendo afogados em sangue, outra e outra e mais uma.

Metatron sente cada temor do anjo em sua própria mente, o serafim, concentrado em na pira fúnebre não mostra nada para aqueles que estão em torno, não move nenhum músculo. Sente tudo calado, mas na queima de sua última mão, sente a dor da perda. A perda de Lilith, que fora tão importante para o anjo. Agora, era também sua dor, ele sente e uma lágrima desce em seu rosto pálido, enquanto os integrantes que assistiam à cremação, só observam a poeira brilhante que os rodeia e sobe aos céus.

 

 

 

4º Círculo do inferno, a Ganância

 

— Está se acostumando ao seu futuro círculo de governo, Zagan? — fala Belzebu, ao se aproximar do demônio que toma a menina.

O rosto feminino vira de lado, seus olhos oscilam do flamejante ao violeta natural, o demônio guerreiro nota a variação.

— Ela está relutante?

— Ela sempre reluta, infelizmente tenho que me conformar com esta ânfora, mas confesso que as vezes é bastante útil.

— Para que? Diversão? — fala o guerreiro rindo em seus poucos dentes ao lado do goetia.

— De certa maneira. — responde, com um sorriso nos lábios. — Para ficar muito perto e matar de surpresa aqueles que me irritam.

— Isso é uma ameaça? — fala desconfiado o grande demônio de cabelos raspados.

— É claro que não. Somos aliados.

Zagan se vira e começa a descer o monte, em direção ao seu exército goetia. Belzebu o avisa:

— Tome cuidado para não falhar desta vez. Agora tem seu exército, não há desculpas.

— Isso é uma ameaça?

— Sim. Ao contrário de você, eu provei meu valor ao rei a muito tempo. E normalmente eu extirpo aqueles que o decepcionam.

— É mesmo um cachorrinho fiel, Bel. Bom saber. — conclui Zagan dando as costas ao demônio.

A legião de goetias e outros demônios comuns de belzebu seguem para o portal dimensional. Drácula está em seu cavalo e comanda os vampiros e outros monstros para a frente dos portais infernais, serão duas frentes de batalha. Eles sabem que Mefisto, Metatron e outros planejam invadir, tudo para que Lúcifer consiga chegar até Astroth, tomando-lhe o reino inferior.

 

 

 

Sambódromo, 25 de fevereiro de 2017

 

Os foliões bebem e se divertem amontoados na arquibancada, o desfile já se iniciara celebrando a festa pagã. Dança, música, fantasias de múltiplas cores tornam o lugar mágico e brilhoso. Organizadores, aos berros, tentam indicar o caminho certo dos gigantescos carros alegóricos, muitos repórteres gravam tudo de diversos pontos. Tudo é avaliado e registrado pelos olhos detalhistas dos jurados.

O mestre-sala dança seu cortejo em torno da porta-bandeira, mas ao lado deles, uma fenda se abre. A mulher, de maravilhoso, vestido para de rodar ao ver a abertura, que se molda permitindo a passagem do gigantesco demônio Belzebu. Em seus trajes tribais, seu rosto marcado tingido de negro e espada na mão, ele puxa um estandarte da fenda. A crava com força no chão, rachando o cimento do piso, a rachadura se abre até as laterais do sambódromo.

— QUE A FÚRIA TOME ESTE PROFANO LUGAR! QUE O CAOS SEJA SUA LEI! — brande o demônio com o estandarte fincado.

Ele levanta a espada ao alto e a fenda atrás dele se expande, a legião de bárbaros, guerreiros e monstros marcham poucos passos antes de começarem a atacar a população. As pessoas da pista são as primeiras a serem pegas, mas um feixe azul impede o demônio ferir a mulher, jogando-o na lateral. Da segunda fenda, mais ao alto, Metatron sai e sobrevoa o local e de sua abertura os integrantes de ambos os grupos já se posicionam para combate.

— Pensei que sempre fosse se abster de lutar, Metatron. — fala Belzebu, do chão.

— Eu farei o que for preciso. — fala ele, com seus olhos brancos brilhando mais forte.

Daniele, ainda se transformando golpeia demônios medievais os lançando para longe, agarra um e com suas garras o rasga ao meio. Manson segura um que iria se aproximar da licantropa e o gira antes de bater na parede. O padre, aponta sua medalha de São Bento para Belzebu, deixa-o fraco quando pronuncia as palavras místicas e uma porção de símbolos em tons amarelos e vermelhos o rodeia.

— Trapaceiro! — fala Belzebu, desequilibrado no chão.

— Já fui chamado de coisa pior. — responde Wellington enquanto lanças amarelas saem dos chão empalando os demônios a sua volta.

Lucy corre pela parede da arquibancada e salta sobre um grupo de demônios que estavam impedindo a fuga de civis. Quando um deles a agarra por trás, uma teia tampa o rosto dele, ela se solta, o faz em pedaços e usa sua espada para atingir os outros a volta. Quando os civis saem, ela olha para o alto, encontrando o Aracnídeo.

— É... será que isso serve como pedido de desculpas por outro dia.

— Serve. — responde ela através de sua máscara branca.

Lúcifer usa a grandiosa espada flamigerada, assim que atinge os medievais uma luz azulada emana do corte, toma o demônio e o destrói, instantaneamente. Mefistófeles pronuncia palavras místicas, seus olhos brilham esverdeado quando corta a mão e joga o sangue em um “X” no chão. Abre-se um portal para as escadarias infernais, Lúcifer sorri para Belzebu antes de descer.

— Mefisto, seu traidor desgraçado! — berra Belzebu, avançando.

Uma parede branca se levanta no chão o impedindo.

— Bel, não me faça ter que lhe corrigir. — fala Metatron do alto, com a mão estendida para a parede que criara.

Daniele e Wellington descem, quando Manson se direciona é puxado por Lucy para trás.

— Fica aqui.

— O que? Não, eu vou com você...

— Lá é um lugar que fiz de tudo para que você nunca vá, Manson. Fique e ajuda os outros aqui.

Ela empurra-o para o lado desequilibrando-o, Arthur passa por ele descendo rapidamente as escadarias até o final. Em um segundo portal, Baal e seu exército de orbobas chegam à superfície, Azatoth observa os guerreiros com cabeças e pernas de cavalos enquanto traga o cigarro profundamente. O Temerário faz um sinal de cruz.

— E eu achando que não poderia ficar mais estranho. — sussurra o Caveira.

— Podem ser feios, mas pelo menos estão do nosso lado. — fala Karen, enquanto começa a levitar e se aproximar de Metatron.

— Tu és uma estrangeira aqui, ao mesmo tempo, criada como humanos. — fala o serafim para a alien.

— Andaram te contando minha história?

— Não. Eu a li em você mesma, perdão pela intromissão.

— Tudo bem, às vezes eu também não controlo minha telepatia. — fala enquanto observa a organização dos exércitos. Os repórteres que antes registravam o desfile, agora se escondem assustados ao mesmo tempo que registram a batalha.

— Isso está mudando o mundo, todas essas câmeras, tudo ficará muito mais exposto agora. Isto é, se terminar bem. — fala ele em tom de preocupação.

— Então vamos cuidar para que termine bem.

— Não está entendendo. Outras guerras virão, a Frente Unida irá se aliar a Frente Unida Extraordinária. E você, será fundamental quando elevar a cidade acima dos céus.

— Eu o que? Eu não tenho força para levantar uma cidade inteira.

— Ainda não, mas a vampira irá te ajudar. Ela vai te treinar como o Soldado não pôde fazer.

— Eu não sabia que ela era treinadora.

— Ela também não sabe, ainda.

Assim que os orobas saem todos, Mefisto passa pela passagem fechando os portais de luz esverdeada. Baal porta uma machete gigantesca e a bate no próprio peito, os orobas repetem o movimento, em um urro sincronizado. O som dos cascos é repetido em um grito tribal, Belzebu se irrita.

— Que esses monstros nunca tivessem existido! Astaroth sempre desejou eliminá-los!

— Sabe por que ele quer tanto acabar com os orobas? — Baal se aproxima. — Por que somos comandados por nós mesmos, somos aquilo que ele não pode controlar.

Um berrante ressoa anunciando o avanço das tropas com cascos, o Temerário corre para a lateral, junto com Neverfallen que salta ao alambrado para não serem pisoteados. O atirador começa a subir e fica sobre o avançado de vidro dos repórteres, a essa hora, escondidos embaixo de suas mesas.

— É inacreditável o que vemos aqui, caros telespectadores. São monstros de ambos os lados, e a Frente Unida parece mesmo estar aliada de um deles.

O Aracnídeo bate no vidro para o jornalista.

— O outro grupo, chama Frente Unida Extraordinária, caras. Coloca isso na Hashtag, hein.

As tropas avançam em terra, demônios contra demônios, espadas e lanças contra clavas e arcos. Porém, outros aliados auxiliavam os orobas, a Karen voava baixo derrubando vários demônios medievais, os tiros de Neverfallen eram certeiros como nunca e o Aracnídeo fazia-os de massas de peso uns contra os outros.

No andar de baixo, o tremor de terra era perceptível no ambiente abafado e avermelhado. Metatron transpassa as camadas de rochas chegando até o outro grupo. Lucy olha em volta avistando o “exército” que Mefisto conseguira.

— Está brincando comigo, não é? — fala apontando para os vampiros e outros amaldiçoados, dentre eles pastores, músicos e empresários.

— São os que eu tinha a disposição. A maioria dos vampiros não vai mais muito com sua cara.

— Seremos esmagados! — fala a licantropa olhando ao longe a gigantesca tropa de vampiros de Vlad, do outro lado do vale.

— É por isso então que me chamaram? — A voz envelhecida e grave invade a mente de Lucy, que se emociona no mesmo instante.

— Jekyll? — diz ao se virar.

Dr. Henry Jekyll, seu grande aliado, morto meses atrás de forma brutal pelos vampiros de Shiva e Dorian, estava agora de pé a sua frente. Seu corpo musculoso e gigantesco era sua versão monstruosa, Mr. Hyde como era mais conhecido. Lucy corre e abraça o amigo que vira morrer.

— Jekyll!

— É um prazer lhe rever, Lucy. — completa ele, abraçado.

— Olha só, temos o nosso Hulk então. — fala Arthur para Daniele.

— Quem?

Metatron desce até o chão e caminha até a beirada do precipício. Observa o avanço das tropas de Vlad, mas uma garota lhe chama a atenção, caminhando sozinha a frente da tropa.

— É ela? — Mefisto questiona, enquanto uma luz esverdeada em torno se transforma em uma armadura de verde metálico envelhecido.

— Sim, eu cuido da menina. — avisa Metatron.

— Mefisto, pode me arrumar uma armadura? — questiona Lucy.

O demônio olha para a vampira e uma armadura prata fosca a envolve. Ela a reconhece.

— Justo essa? Lembra do que aconteceu da última vez que eu a vesti?

— Sim, você quase morreu e bebeu sangue, assim como fará agora. — fala Mefisto se aproximando de um cálice que surgira em sua mão.

— Está louco?

— Aqui não perderá controle, apenas quero lhe oferecer algo mais encorpado. — fala ele, erguendo a mão e perfurando a palma com as próprias garras.

Os vampiros e amaldiçoados se alinham atrás deles, o padre avança a frente.

— Decidam-se logo, pelo amor de Deus!

Lucy joga a taça no chão e crava as presas no pulso do demônio. No mesmo instante seus olhos ficam negros, ela se curva para trás com um gemido. Daniele fica apreensiva, mas Hyde está estranhamente calmo. A vampira se vira respirando devagar, farejando o ar e depois o chão, seu movimento parece de uma serpente.

Vlad! — fala em seus lábios vermelhos.

— Sim, ele está sendo malvado, querida. Vá.

A vampira se levanta, lambe os lábios e ergue a espada, brandindo no costeiro, os demônios e vampiros jovens a reconhecem na mesma hora em que ela flutua no ar.

— General Lúcios! — vibram em sincronia.

Ela aponta a espada em direção ao exército a frente e o grupo avança. O padre Wellington voa sobre um símbolo místico brilhante em vermelho, a licantropa uiva longo e gira sua lança antes de correr, Mefisto faz uma esfera esverdeada e voa contra o grupo. Os exércitos de amaldiçoados se encontram, uma fileira de demônios é derrubada instantaneamente pelo rastro de feixe azul deixado por Arthur.

Mr. Hyde urra bestialmente, ele sorri aliviado, pois pode colocar toda sua fúria para fora sem ferir ninguém que não queira. Sua corrida treme o chão enquanto atropela demônios os lançando em pedaços para os lados. A licantropa arremessa a lança empalando um grande demônio, salta, pisa na lança e usa como trampolim para pegar alguns que estavam no alto. Quando o empalado corre para ela, chuta seu corpo quebrando a lança, ela pega a ponta e revela ser uma adaga, que usa para cortar o ventre de outro monstro que estava próximo.

O padre joga sua medalha, desaparecendo no ar e ressurgindo no meio da batalha. Ele confunde os demônios ao golpeá-los e sumir a cada instante, facilmente derruba um grupo. Mefisto faz um cajado verde luminoso, golpeia os inimigos com sua ponta de pedras e depois com a base os de trás.

Metatron sobrevoa até chegar a menina. Ela fica parada por um instante e, de repente, vira o rosto para o serafim no alto. Pedras a sua volta começam a serem lançadas em direção ao alado, uma de suas asas é atingida, ele desce com as outras três asas ao chão e para diante da garota.

— O que você fez, Zagan, não tem perdão.

— Você disse isso ao seu amigo, o asa quebrada?

Metatron prende os lábios em nojo.

— Deixe a menina, ela não aguenta mais sua profanação. Ela está sofrendo.

O rosto da garota se inclina, ela observa a preocupação, diferente do que seria o normal de Metatron. Sorri malignamente antes de falar:

— Está preocupado com Mia? Anda sensível ultimamente, não é?

— Só estou falando que...

— Só está se lamentando. Me diga, gostou de sentir a morte de Azazel? De sentir a dor dele? Se quiser — fala enquanto seus cabelos platinados flutuam no ar, a garota deixa os pés do chão e mais pedras levitam ao redor. —, posso repetir o processo em você, ou ir mais devagar, se preferir.

Ela aponta as mãos para ele e as pedras são lançadas, ele gira em torno de si mesmo, se protegendo com as asas. Parte de algumas penas peroladas caem no chão, ele estranha, nunca tinha sido atingido dessa forma antes. Mia ri do alto, sua voz se confunde com a voz cavernosa que também sai de sua garganta.

Ele vira-se para ela enquanto suas mãos estão para o alto, feixes iluminados brancos aparecem e tentam laçar a garota. Ela voa escapando, une pedras no ar fazendo uma rudimentar espada para cortar os feixes. Mas há muitas fitas, que se amontoam a sua volta a agarrando em seus tornozelos e pulsos. Aos poucos, ela se debate, mas eles a prendem fortemente.

— Não me machuque! — fala a voz feminina.

Metatron se assusta, Zagan não está mais lá. Imobilizada ela grita em horror e o serafim afrouxa um pouco as faixas de luz. Se aproxima dela voando.

— Não, está tudo be...

Ela pulsa seus olhos flamejantes em vermelho, se liberta das faixas e atinge Metatron no rosto, fazendo-o ir ao chão, atordoado.

Ela arranca cada faixa restante, algumas se desfazem com a concentração do serafim cada vez mais oscilante. Ela o observa atentamente antes de vociferar:

— Tu não percebes! É o comunicador, mas agora é uma ferramenta defeituosa. Ao sentir a dor de Azazel, ao sentir a empatia pelos homens, deixou de ser tão racional e imparcial.

— Cala-te, demônio! — grita Metatron, ao se levantar e fazer um construto de jaula em torno da garota.

As grades brancas e peroladas têm diversos nós, é pesada e cai no chão, derrubando a possuída. Ela se levanta atordoada, caminha até a grade e sorri para ele. Estende a mão, e com a ponta do dedo, toca na grade que começa a soltar uma leve fumaça, como se estivesse sendo corroída por ácido.

— Tu estás contaminado, Metatron. — declara maldosamente.

Enquanto isso, no meio dos exércitos, um guerreiro atravessa em fúria o campo, muitos são decapitados, outros degolados em suas garras. Lucy para, fareja, se curva ao chão lambendo o sangue e depois olhando ao longe.

— Vlad. — sussurra para si mesma.

Fica em pé e deixa o cavalo dele se aproximar, ele corre em fúria, em sua armadura vermelha, ela desvia da espada dele que passa próxima ao seu rosto. Ele para, dá a volta com o cavalo, e avança novamente. Dessa vez, ela para na frente do animal, que para bruscamente e relincha no ar, derrubando o seu cavaleiro. O cavalo escapa, em pânico, ela se aproxima devagar de seu primeiro esposo.

— Acho que estás ainda magoada comigo, querida Lucy.

Ele desaparece diante de seus olhos, reaparece atrás dela.

— Estava com saudades? — sussurra em sem ouvido.

Ela responde com uma bruta cotovelada em seu rosto, quando se vira com a espada, ela tintila ao bater na espada de Vlad.

— Vlad, sabe que isso não vai acabar bem. — fala ela, em sua voz mais grave do que o normal, seus olhos negros observam o guerreiro como se fosse uma presa, prestes a ser devorada.

— Vai acabar bem pra mim, é o suficiente.

Eles lutam com as espadas no ar, ela avança e ele tenta a golpear nas pernas, Lucy salta desviando do golpe, gira no ar e acerta uma fenda do braço de Vlad. Ele recua dois passos olhando para o ferimento aberto, armas amaldiçoadas são um problema para a regeneração de vampiros, inclusive ele.

— Nunca foi um grande guerreiro, Vlad. Foi por isso que me chamou, que me fez seu general quando precisou. Sempre foi servido.

Ele tenta a golpear no peito, ela desvia lateralmente, as espadas são rápidas e eles se atacam no ar. Vlad a segura e a lança contra uma parede. Encurralada, ele se aproxima, finca a espada em seu pé a impedindo de acertá-lo e a agarra por trás.

— Nunca tive a chance de lhe provar adequadamente, quem sabe essa noite.

Ela o afasta com uma cabeçada, arranca a espada dele enquanto ele tomara a dela. Ela avança por cima e ele desvia, ele tenta um golpe frontal e ela o segura pelos braços.

— Sabe, Mina me deixou a muito tempo aqui. Se quiseres abandonar essa luta, minha cama está vazia.

— Você só fala disso?

— Eu tinha que tentar, pelo menos.

Ele solta a espada que Lucy segurava e a acerta com um punhal em seu ventre. Ela sente a dor, mas rapidamente tem suas presas aumentadas e o tenta morder na jugular. Ele recua, assustado.

— Isso não é certo! Eu sou Drácula!

— Não é mais. — responde ela, jogando as duas espadas no chão, e avançando contra ele.

Todos lutam entre si, o gigantesco Mr. Hyde joga pedras para o pequeno tornado azul que as lança contra diversos demônios a volta. Por um momento, o velocista corre dando passos nas pedras lançadas, vai até o alto e observa a luta dos exércitos. Em seu reluzente uniforme prateado e azul ele se sente levemente lisonjeado de participar de tal batalha. Então percebe que as pedras lançadas por Hyde estão caindo. Ele desce as escadarias de pedras no ar calmamente até o chão e volta a sua função, matando demônios infernais.

O padre usa símbolos místicos que caem nos demônios os esmagando no chão. Mefisto está de costas para Wellington e faz inúmeros espetos e adagas verdes atravessando os demônios. Daniele corre atrás de alguns que fogem do gigantesco lobo de pelagem vermelha, agora, mais vermelha do que o comum. Tudo isso é observado por Lúcifer, que luta com alguns deles até chegar na praça principal.

Os guerreiros abriram caminho ao futuro rei, que agora, encontra o regente o aguardando. Ambos sem armaduras, somente suas vestes lúgubres.

— Fiquei em dúvida se você realmente viria em batalha até mim. — Se vira Astaroth, segurando a Cimitarra de Luz na mão.

— Desculpe, eu me atrasei. — fala Lúcifer enquanto tira da bainha a Azul Flamejante.

Astaroth olha surpreso.

— Eu devia ter imaginado que você conseguiria outra arma no lugar dessa. — O rei se vira para um pedestal, onde a cabeça de Azazel está exposta, tal como um troféu. — Foi o caído que lhe deu de presente?

Lúcifer observa, e volta seu olhar enfurecido para Astaroth.

— Vai pagar por isso, por Azazel, e por mim.

O desafiante avança sobre o regente.

 





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