Chess escrita por Pan Alban


Capítulo 10
Xeque


Notas iniciais do capítulo

Hello!!!

Desculpem a demora! Mas hoje o capítulo está maior que o normal heheheheh
Dedico este capítulo à maravilhosa da Lell Ly que fez uma recomendação lindíssima ♥ Obrigada de coração! Eu fiquei muito feliz e realmente surpresa, não esperava ♥ Espero que goste do capítulo, ele é todo seu *-*

Aos demais, boa leitura ;)



Se alguém dissesse a Temari que um dia perderia o sono por causa de Shikamaru, ela com certeza riria da pessoa e atestaria sem dúvida alguma que algo do tipo seria impossível, aliás, perderia o sono por causa de alguém da família e olha lá, às vezes nem Kakuro merecia suas horas de insônia. Mas, lá estava ela olhando para as luzes da cidade batendo na parede de seu quarto enquanto sua cabeça viajava por mil lugares e situações.

Ela ainda não sabia como reagir ao que estava acontecendo. Ao que estava sentindo.

Tinha uma leve ideia do que era aquela agitação no estômago, aquele nervosismo repentino, os pensamentos distantes que levavam para um mesmo lugar, a vontade de olhar alguma foto da pessoa. Ela sabia quais sintomas eram aqueles, mas eram difícil admitir para si mesma que poderia estar acontecendo.  

Em sua mente, Temari tentava encontrar qualquer outra justificativa que invalidasse o óbvio. Era impossível, em sua percepção, que aquilo estivesse acontecendo. Mas, qualquer resposta que encontrasse para sua agitação e falta de concentração era facilmente quebrado pelo mais importante dos acontecimentos: ela havia ficado feliz com o convite.

E, Deus, ela tinha aceitado!

Abafou um grito no travesseiro.

Diversas vezes já recebeu convites para sair e/ou algum tipo de declaração, em nenhuma das vezes se sentiu nem perto do jeito que estava se sentindo. Apesar de Shikamaru não ter dito que gostava dela, não havia como pensar outra coisa fazendo uma retrospectiva de situações e conversas.

Claro que Ino e ele falavam dela na cozinha e por isso ficaram tão sem jeito quando a viram. Claro que Sakura estava falando dela quando questionou sobre a “namoradinha” de Shikamaru, e agora se sentia ridícula por dar na cara que estava incomodada com aquilo. Claro que ele ficou nervoso quando Chouji o empurrou para fazer logo o convite.

E quando tudo fazia sentido, mais estranha ela se sentia.

Ela se incomodava, e agora percebia que talvez não fosse só ciúmes de amigo. Ela não o queria com outra, tudo ficava pior dentro de seu estômago só de pensar na possibilidade. E disse “talvez” porque não havia como ela comparar com experiências anteriores.

Como ela havia conseguido se enganar tanto?

E o coração batia rápido no peito, seu interior se apertava e ela quase se sentia sufocada. Era assustador e, ao mesmo tempo, bom.

Riu de si mesma no quase escuro de seu quarto. Tantos homens para pensar e acabar se interessando e foi logo gostar de um garoto muito mais novo e amigo dos seus irmãos. Era certo que ele era completamente diferente e extremamente maduro, mas, mesmo assim, a situação só podia ser considerada como… problemática.

Ai que desgraça se abatera sobre ela, pensou cobrindo os olhos com o braço.

Agora tudo fazia sentido dentro dela, todas as peças daquela confusão de não conseguir defini-lo encontrava seu lugar no quebra-cabeças de sua vida. Shikamaru estava num lugar nunca antes ocupado.

Se era uma coisa boa ela não tinha certeza, mas se sentia assustada em finalmente descobrir o que acontecia entre ela e ele.

 

♚♛

 

Faltava uma hora para o horário marcado com Shikamaru e ela se olhava no espelho após o banho tomado. O cabelo loiro estava pingando e as olheiras embaixo dos olhos a lembrava do sono perdido durante a noite. Aquela imagem a deixava tão inofensiva…

Abriu a primeira gaveta e pegou o corretivo da mãe para começar os trabalhos. Mostrar uma fraqueza, mesmo que tão pequena, não era algo que ela gostaria justamente naquele dia.

Passou um pouco do corretivo abaixo dos olhos até que cobrisse completamente o escurecido e talvez fosse melhor disfarçar aquela marca de espinha que parecia muito em evidência. Então, achou que parecia muito pálida daquele jeito e um pouco de cor nas bochechas não cairia mal, um marrom nos olhos, um delineado de gatinho… Não, não! péssima ideia, teria que começar tudo de novo…

— Tema? Morreu no banheiro? Quer papel higiênico? Quer que eu chame a ambulância? Caga logo que eu tenho que tomar banho!

— Vai se fuder, Kankuro! — gritou olhando para si mesma no espelho depois de um tempo que ela nem considerou contar.

Abriu a porta e deu de cara com Kankuro só de bermuda e com a toalha nas mãos mudando a expressão de ranzinza para surpresa. Ok, não que ela fosse uma mulher desleixada, mas não sabia qual fora a última vez que se empenhara tanto em fazer uma boa maquiagem. Até mesmo havia conseguido delinear os olhos com uma habilidade que ela desconhecia ter. As maçãs do rosto estavam rosadas delicadamente, a boca preenchida por um batom matte quase imperceptível, mas que dava uma aparência saudável. Nas pálpebras havia esfumado com marrom e tentado um degradê que não deu muito certo, mas que havia dado mesmo assim um resultado bacana. O cabelo volumoso foi secado com o secador e usaria a chapinha apenas para modelar a franja lateral, mas acabou usando no cabelo todo e agora caia liso como não se lembrava de ter usado há muito tempo.

Temari não tinha paciência para aquele tipo de ritual de beleza e a boca aberta de Kankuro só confirmava aquilo.

— Sai da minha frente que eu estou atrasada. — empurrou o irmão tentando não parecer sem graça. A expressão dele era o elogio que ele jamais diria em voz alta.

Mas, Kankuro foi voltando ao normal e começou a apertar os olhos na direção dela enquanto a deixava passar.

— Vai sair com quem? — inquiriu cruzando os braços.

— Não te interessa — respondeu de costas já indo para o seu quarto arrumar a roupa que usaria.

— É um cara da faculdade? — insistiu e Temari rolou os olhos para o ciúmes implícito na voz dele.

Ela virou a cabeça lentamente para trás e o olhou por alguns segundos antes de falar.

— Você pare com essa mania de se meter na vida dos outros e começa a cuidar da sua, ouviu bem? Com quem eu saio ou deixo de sair é somente da minha conta.

Kankuro pareceu murchar àquilo, mas aumentou o bico que tinha. Ia retrucar, porém Gaara apareceu de mansinho e tentou entrar no banheiro antes do irmão, acabou esbarrando nele.

— Sai Gaara, seu cuzão. Eu cheguei primeiro.

— Fica parado aí igual um retardado.

— Cupa da Temari…

— Não me interessa, eu vou tomar banho primeiro.

E os dois começaram uma guerra de ombros entalados na porta, o mais forte ganharia, que no caso era Kankuro. Gaara foi empurrado para fora e Kankuro fechou a porta com força entrando no banho. Temari revirou os olhos àquela criancisse deles, mas por dentro agradecia a distração, estava com os nervos aflorados e não seria bom para Kankuro ficar pressionando ela.

— Tá bonita. — Gaara disse de repente e Temari percebeu que ele a olhava parado no corredor.

Sorriu um pouco agradecendo, não estava acostumada com aquilo e ainda mais vindo de Gaara. Ele levantou um ombro e colocou as mãos dentro do bolso saindo de lá.

Temari então percebeu que Gaara não tinha toalha nas mãos e cheirava a perfume quando passou por ela.

 

♚♛

 

Desceu do ônibus ainda querendo matar Kankuro. Ela havia avisado durante todo o dia que usaria o carro, mas foi só demorar um pouco se arrumando que ouviu o carro saindo da garagem, pela janela gritou xingando o irmão que apenas acenou com um sorriso besta na cara.

Ele achava que daquele jeito ia frustrar os planos dela? Ah, ele era um imbecil e aprenderia de uma vez com quem ele escolhia ter uma guerra quando voltasse para casa.

Entretanto, pensaria em Kankuro mais tarde, ela estava numa confusão interna danada naquele momento. Não era de seu feitio se sentir tão insegura sobre o que fazer, mas toda a situação fugia demais do que ela esperava. Ainda que entendesse e aceitasse ter um interesse pelo garoto, parte de si ainda demorava a acreditar que aquilo estava mesmo acontecendo.

Andou menos de uma quadra até encontrar a lanchonete que ele escolheu, respirou fundo e deu um passo inseguro. Tudo o que ela pensava era em manter-se natural, tirar sarro dele e fingir que não sabia de nada, que não sentia nada. Ia tratar como se estivessem saindo como amigos, mesmo que soubesse que na cabeça dele ela era mais que isso.

O pensamento a fez corar.

— Temari? Chegou cedo.

Virou a cabeça assustada para a direita e o viu fechando a porta da caminhonete. Ele sorriu um pouco estranho, meio bobo, olhando-a com um pouco de surpresa. Ela não havia ficado diferente, Shikamaru estava muito diferente do que era normalmente. Usava uma camiseta verde escura com o desenho de um cervo na frente, muito parecida com uma que sempre usava na universidade, mas mais bonita, uma jaqueta jeans por cima, calças simples e coturno. Mas, o detalhe primordial estava acima, mais precisamente na cabeça. Os cabelos médios estavam metade presos e metade soltos, bem penteados e dando um ar muito mais maduro a ele. E ela achava que de cabelo solto ele era charmoso…

— Acabei de chegar. — Desviou os olhos para um lugar que não fosse o rosto dele.

— Hm — Shikamaru continuou parado na frente dela e Temari não soube o que fazer depois daquilo.

O que estava acontecendo com ela? Tudo bem que se deu conta que estava interessada nele e de que poderia beijar Shikamaru aquela noite…

Calma! Beijar?

O rosto ficou quente e as mãos suaram. Como não havia pensado naquilo? Será que eles iriam se beijar naquela noite? Ergueu os olhos para ele novamente e o viu tão vermelho quanto olhando para o lado.

Ah, ela queria beijá-lo naquele momento, saber como seria sentir aqueles lábios finos sobre os seus. Será que ele beijava devagar? Era calmo até mesmo para isso? Será que ele tinha uma pegada forte como os braços faziam parecer? Será que o gosto tinha uma leve e atraente nota de nicotina como às vezes ele tinha no perfume?

— Está com fome?

Temari se sobressaltou e piscou antes de assentir uma vez. Foi na frente dele para dentro da lanchonete e não sabia o que iria comer estando com o estômago tão agitado. O lugar tomou sua atenção, entretanto, assim que entraram. Era uma lanchonete temática, ela nem havia reparado do lado de fora, mas dentro era toda decorada com jogos e alguns detalhes ela até mesmo conhecia como uma mesa em formato de cogumelo do Mário. Haviam várias máquinas de jogos eletrônicos num canto onde grupos de amigos vibravam em volta de um jogador. Os funcionários do local usavam avental com estampa de quebra-cabeças e alguns andavam de patins. Até mesmo os lanches tinham nomes relacionados à games como ela  viu no cardápio em suas mãos.

Não era o lugar que ela esperava para um encontro.

Temari ergueu uma sobrancelha para Shikamaru questionando o lugar, mas ele olhava a tela do celular pálido. Não deu tempo dela perguntar nada, ele pediu um minuto e se levantou com o aparelho na orelha.

Temari entortou a boca e deixou as unhas batucarem o tampo da mesa que imitava lego enquanto olhava ao redor. Até que não era um lugar ruim, se visse bem. Ela não era uma pessoa romântica e certamente um ambiente que remetesse a isso a deixaria nervosa, mas a música contagiante do lugar e todas aquelas cores e detalhes a deixavam mais relaxada, podendo se distrair com algo que não fosse em como aquele maldito moleque estava bonito.

— Desculpe — ele voltou a se sentar e nem conseguia disfarçar o quão nervoso ele estava — Já escolheu?

— Vou querer um Mega Sonic com batatas e água com gás.

Shikamaru fez uma pequena careta olhando para o cardápio e Temari perguntou qual era o problema.

— Água com gás? Normalmente as pessoas tomam refrigerante ou um suco. — justificou sem olhar para ela, ainda de olho no cardápio.

— E daí?

Ele estalou a língua e ela quis rir. Shikamaru não discutia, ela amava e odiava aquilo. Ás vezes queria que ele batesse de frente e expusesse todos os argumentos dele, mas ele se abstinha e guardava tudo. Ela amava por ele entender que independente do que diria, ela no fim teria razão, mas odiava porque parecia que ele era muito mais maduro que ela deixando o assunto de lado, como se não fosse importante ao ponto de gastar suas palavras.

Naquele momento era ruim, pensou melhor. Queria ele falando para que a conversa entre eles fluísse e não acabasse se instalando um clima estranho.

Ele demorava a escolher e ela aproveitou para olhar para ele mais uma vez, olhar com mais atenção. Ele tinha olhos puxadinhos, ela já tinha reparado e achava uma graça, dois pontos pequenos e escuros que vasculhavam os lanches com nomes excêntricos; as sobrancelhas era finas e naturalmente bem desenhadas. No rosto não havia sinal de barba, mas haviam cicatrizes pequenas e esbranquiçadas que mostravam o trabalho mal feito com uma lâmina ali.

Seus olhos, por fim, foram atraídos por um detalhe pequeno que normalmente ela teria reparado de primeira, mas havia ficado tão distraída com o cabelo dele que nem havia visto.

— Você usa brincos desde quando?

Shikamaru a olhou sem entender por um momento e então ergueu a mão até os dedos tocarem a pequena bolinha em uma das orelhas. Uma garçonete de patins parou ao lado deles e Shikamaru pediu o mesmo que Temari, mas refrigerante ao invés da água para ele. A moça se foi com o pedido e Temari apoiou o queixo na mão esperando a resposta dele.

— Desde os 12 anos. — respondeu apertando as mãos por baixo da mesa. Temari nem precisava olhar para saber que ele fazia aquilo. Ele estava nervoso…

— Como eu nunca vi antes?

Shikamaru ergueu os ombros e não pareceu casual. Temari estava gostando daquilo.

— Eu não uso desde que entrei no colégio militar.

— Hm — Temari o olhou bem, para os dois brincos e depois para os olhos dele novamente. Ele parecia retraído com aquilo, ela gostou muito — Colocou hoje por ser uma ocasião especial?

Tinha uma nota de humor na voz dela, queria fingir estar tirando uma com a cara dele, mas na verdade esperava mesmo saber a reposta.

Shikamaru passou a língua pelos lábios e se mexeu na cadeira desconfortável com a pergunta. Só aquilo deveria bastar para ela, mas ela queria ouvir.

— Ino me encheu o saco para usar. — ele respondeu desbloqueando a tela do celular, deslizou o dedo pela tela e virou o aparelho para ela. Uma foto de Ino, Chouji e Shikamaru ainda crianças, como ela se lembrava dele no primeiro jogo de xadrez. Os três com as orelhas furadas e somente Ino sorria. — Ela nos fez furar as orelhas como um sinal de “amizade eterna” antes de me mudar. Depois disso eu prometi a mim mesmo que jamais deixaria Ino nos obrigar a fazer qualquer coisa.

Temari riu com o tom dele, agora parecia mais relaxado. Ela não queria que ele ficasse a vontade, era mais divertido e relaxante o ver ficar nervoso. Além de ser uma graça.

— Você fica bem assim — apontou para os dois lados do rosto dele — Parece mais interessante… enigmático.

Shikamaru engoliu em seco e ruborizou um pouco. Ele não era acostumado à elogios desse tipo, certamente. Como ela já havia reparado, Shikamaru tinha uma beleza oculta pela inteligência. Ele era o cara inteligente, não o bonitão como Sasuke ou até mesmo Gaara. Mas Shikamaru era bonito, de um jeito tão discreto quanto ele mesmo. E tinha um charme natural que ela percebia não ser proposital, ele não sabia como usar aquilo a favor dele e isso era muito bom. Shikamaru estava acostumado a receber elogios por ser genial e não por ser bonito. Ela iria abusar daquilo.

— Você está especialmente bonito hoje, sabia? — Shikamaru abriu a boca tentando falar algo, mas Temari não deu tempo para ele sequer conseguir. Voltou a atacar cruzando as pernas e encostando-se mais na cadeira como se o avaliasse de corpo inteiro, mesmo que a mesa atrapalhasse. Somente isso já o fez ficar um pouco encolhido — Por que me chamou para sair?

Ah, ela queria brincar muito mais com ele, mas o jeito que ele a olhava tentando a elogiar de volta a deixou nervosa. Temari era direta, era sua natureza ser assim. Queria saber de uma vez e então teria que improvisar as próximas estratégias. Ela não sabia o que diria se por acaso ele se declarasse.

E se ele se declarasse?

Temari começou a entrar em pânico. Ela não tinha pensado naquilo também! O quanto ele deveria gostar dela? Ela só queria dar uns beijos nele para depois voltarem a ser amigos de novo. Isso acabaria com a amizade deles com certeza. Não era como se ela estivesse apaixonada, era só um interesse forte.

Shikamaru, para ajudar, não respondeu rápido. Ficou coçando a nuca e olhando para o lado pensando... pensando…

Temari já estava aflita. Queria sair correndo.

— Isso é problemático... — ele resmungou baixinho e ela quase pensou que fosse coisa da sua imaginação. Shikamaru se mexeu na frente dela e apertou as mãos por cima da mesa. Temari não estava pronta para a resposta dele. Não estava! — Bom, não tinha como eu chamar outra pessoa que não fosse você.

Temari segurou a respiração por um momento. O coração acelerou.

— Nenhuma outra... ? — perguntou com a voz baixa, um pouco afetada e Shikamaru a olhou assentindo sério.

— Você era a única… sabe?

— Única?

— Sim. — Shikamaru pareceu subitamente mais relaxado e Temari completamente o contrário. Ele se inclinou na mesa e a olhou com atenção — Me responda uma coisa: Se uma garota estiver a fim de um cara, ela aceitaria sair com amigos que ela não conhece ou acharia isso um encontro ruim?

Ele estava a chamando para um segundo encontro antes que o primeiro acabasse? Era isso? Estava tentando tirar dela que ela gostava dele quando ela queria saber o contrário? Ele havia virado o jogo?

Temari gaguejou um pouco e teve que limpar a garganta para se reestabelecer. O lanche de ambos chegou e ela usou isso como uma forma de colocar seus pensamentos em ordem. Shikamaru parecia ansioso com a resposta dela e não parou de olhá-la um segundo. Ela estava nervosa, até respirar estava difícil. O que ela faria se ele perguntasse se ela quer sair de novo com ele? Diria sim?

— Isso está indo muito rápido. — respondeu de uma vez sem olhar para ele. O viu se encostar na cadeira e deixar um suspiro.

— Eu acho que esse é o melhor jeito para juntar um casal. Ainda mais quando ela é tão difícil. — ele respondeu calmo e ela não sabia mais o que dizer.

O que ele queria dizer com aquilo?

— Juntar um casal? — sussurrou a palavra quase sem voz, seus olhos pregados nas batatinhas.

— Sim. — Shikamaru desembrulhou seu lanche — Acho que o Chouji fez besteira, ela ia adorar esse lugar. — e deu uma mordida.

Temari ergueu os olhos sem entender para ele. Como ele dizia uma coisa daquelas tão casualmente quando estava no meio do que parecia uma confissão? Uma confissão bem maluca, mas uma confissão com certeza.

— Chouji? O que Chouji tem a ver com isso?

Shikamaru estranhou o tom dela e terminou de engolir antes de erguer um ombro como se fosse óbvio, mas então o entendimento pareceu chegar aos olhos dele e ele os arregalou um pouco.

— Era para o Chouji estar aqui com Karui, mas ele cancelou com medo dela não gostar do lugar. — respondeu na defensiva.

— Karui? — Temari apertou os olhos um pouco. — Você não me disse que ia ser um encontro duplo.

Shikamaru engasgou e precisou tomar um gole generoso de seu refrigerante, os olhos um pouco arregalados enquanto Temari o questionava apenas com o olhar.

— Não disse? — ele riu um pouco sem jeito e ergueu um ombro — Chouji gosta da Karui há muito tempo e nunca teve coragem de chamar ela para sair, então eu disse que iria com eles se ele a chamasse para sair. Eu chamei a Ino, mas ela negou…

— E eu estava passando e fui a escolhida? — Agora Temari estava brava. Irada. E o porquê era desconcertante.

— Não é bem assim — Shikamaru ergueu as duas mãos — Você era perfeita para lidar com a Karui, vocês são mulheres difíceis. Se for pensar bem, a Ino poderia atrapalhar tudo, mas você é inteligente, iria me ajudar a juntar os dois. Além do mais, você seria a única a aceitar vir aqui comigo.

Temari o olhou sem acreditar. Agora se sentia frustrada. E tudo o que havia descoberta sobre ela mesma? Ele não gostava dela como pensou?

— Banheiro. — foi tudo o que disse quando se levantou e saiu em busca de um lugar para pensar sem que precisasse olhar para a cara dele. Se sentou na tampa de uma privada e apertou os dois lados da cabeça.

Ah, como se sentia idiota! Mas também, nem para Shikamaru explicar tudo quando a convidou? Agora ela tinha pensamentos estranhos com ele por causa de um mal entendido.

Queria tanto socar a cara dele! Aquele idiota!

E agora? O que ela faria? Se saísse dali ele ia saber que ela estava esperando um encontro com ele, qualquer reação negativa iria expor o interesse que estava sentindo. E se ficasse até o fim iria explodir por dentro de tanta raiva, mas pelo menos não acabaria com ele achando que ela gosta dele.

Ah, que situação!

Achou que já estava a tempo demais no banheiro e se decidiu rápido. Ia fazer ele se arrepender daquilo, mas não naquele dia. Sua mente analítica tomou o lugar de todo aquele sentimentalismo. Ela iria ser a amiga dele, como se fosse um dia normal na universidade. Mas um dia, quando ele menos esperasse, ia ver só. Aquilo era humilhante!

Saiu do banheiro e sorriu para ele. Shikamaru mostrava bem o quanto estava estranhando aquele comportamento dela, mas sorriu um pouco de volta comendo seu hamburguer. Mal sabia ele que havia entrado para a lista negra de Temari.

 

Os dois comeram e conversaram sobre as aleatoriedades mais aleatórias. Era assim que costumavam ser, além de discutirem projetos que estavam interessados em fazer. Shikamaru não tinha muita vontade de nada e ela o avacalhava por isso. Quando terminaram de comer, foram jogar um pouco e ela não se lembrava de ter se divertido tanto. Ela percebia que o cabelo batendo na nuca o incomodava, por isso sempre o usava preso, mas ele não prendia. Percebeu também que qualquer jogo que o desafiasse iria perder. Shikamaru tinha um assustador dom para aprender comandos e compreender padrões, os jogos nas máquinas não era nada para ele.

O que não queria dizer que ele sempre ganhava tudo de primeira.

— Quero o gatinho malhado, vamos! — ela ria ao lado dele enquanto Shikamaru tentava pegar o gatinho de pelúcia numa máquina, mas a garra soltava pela quarta vez. — Desista, você não vai conseguir.

— Eu vou... — ele respondeu de dentes trincados e colocou mais uma moeda na máquina. Ela observou uma gota de suor escorrer pela têmpora dele enquanto ele mordia o lábio. Mal sabia ele que sem querer tinha dado o melhor encontro que ela já havia ido. — Aqui.

E nas mãos dele o gatinho que ela havia pedido por pura provocação. Sorriu agradecida e ambos deixaram o lugar.

— Veio de quê? — ele perguntou percebendo que ela olhava para os lados.

— De ônibus. Vai ter que me levar. — sorriu de canto e ele assentiu.

— Mas ainda está cedo, quer fazer alguma coisa? — ele perguntou e Temari olhou as horas no celular. Realmente ainda era cedo para voltar e estava sendo divertido, apesar de tudo.

— Ok. Deixa eu pensar. — enrolou uma mecha lisa e loira nos dedos enquanto olhava ao redor, mas a resposta apareceu bem na frente dela quando a jaqueta de Shikamaru abriu com o vento. — Quero ver os cervos.

 

♚♛

 

— Está levando as lanternas? Pegou as chaves? Toma cuidado por onde anda!

— Tá, tá.

— Só um “tá” já está bom!

Temari segurou a risada com a cena de Yoshino e Shikamaru. Ela gostava de Temari e sempre a cumprimentava com um beijo no rosto e convidava para entrar, mas Shikamaru havia dito que iriam para a floresta e Yoshino ficou toda alvoroçada.

— Temari, tome cuidado, sim? Não chegue muito perto se eles estiverem ariscos. — a mulher com olhos graves se virou para Temari dando as instruções.

— Vou tomar cuidado. — prometeu enquanto Shikamaru testava as duas lanternas grandes.

— Vamos? — Shikamaru a chamou e Temari pegou uma lanterna sorrindo. Fazia tempo que queria conhecer os cervos e nem acreditava que estava indo lá. Nunca havia visto um em habitat natural e aquele bosque dos Nara sempre a deixava curiosa para explorar.

— Juízo vocês dois — Yoshino gritou quando já entravam entre as árvores, Shikamaru parou um pouco para ouvir o que a mãe diria — Foi aí que Shikamaru foi feito!

— Mãe!

Temari gargalhou e Shikamaru ia resmungando a frente. Era bonita a relação de mãe e filho, Temari pôde conhecer mais depois que ficaram amigos. Shikamaru a ajudava em tudo o que ela pedisse, e até quando não precisava. Ele se portava mesmo como o homem da casa, mas quem mandava sempre fora ela. Shikamaru dizia que era assim até quando o pai era vivo.

— Cuidado. — Shikamaru disse tarde demais quando ela já tropeçava em umas raízes. — Venha.

A segurou pela mão e foi levando-a pelo caminho seguro. Temari não esperava sentir o rosto esquentar àquela altura, não depois da desilusão na lanchonete. Decidiu prestar atenção no lugar para se distrair daquela mão grande apertando a sua. Respirou fundo o cheiro do eucalipto que se sobressaía dentre as outras árvores. O caminho era tomado de folhas secas e terra, e toda aquela atmosfera a acalmava como mágica.

Andaram em silêncio até chegarem à uma espécie de clareira. Havia uma pequena cabana de madeira ali com um tipo de puxadinho na frente. Shikamaru soltou a mão dela e pegou um molho de chaves do bolso. Temari iluminou ao redor esperando ver os animais, mas havia somente árvores e sombras da noite. Uma coruja piava em algum lugar e outro pássaro noturno respondia em outro.

O ouviu abrir a porta e iluminou o lugar. Era uma cabana simples e sem energia elétrica, mas tão bonitinha.

— Eu brincava aqui com Chouji e Ino quando éramos crianças. — ele disse entrando no lugar e logo saindo com um saco de estopa. Ele deixou a lanterna no chão e Temari se adiantou para iluminar para ele o saco. Shikamaru enfiou a mão e tirou um punhado de bolinhas amarronzadas do que parecia uma ração e jogou na clareira, então assoviou três vezes. — Só esperar. — ele fechou o saco sussurrando.

— Tem que me trazer de dia, algum dia desses. — ela disse se sentando ao lado dele em frente a cabana. Apontava a lanterna para as árvores atenta a qualquer movimento.

— Me lembre disso. — ele respondeu se deitando.

Temari riu pelo nariz o olhando de canto, ele não precisava que o lembrasse e aquele tipo de comentário era uma piada interna entre os dois. Ali estava claro, a luz da lua não tinha copas de árvores como obstáculos e conseguiam olhar para a cara um do outro, ela percebeu que ele fechava os olhos.

— Não acredito que vai dormir e me deixar sozinha aqui!

— Eu não vou dormir. — ele garantiu com a voz mansa. Temari bocejou e isso o fez abrir um dos olhos — Cansada? Deveria ter me dito.

— Não, eu… acordei muito cedo. Mas tô bem.

Shikamaru a olhou desconfiado e se levantou.

— Vai acabar dormindo esperando eles chegarem. Eu devia ter trazido algo para jogarmos.

— E perder para mim? Ah, eu não ia querer que seus cervos vissem você chorando. — ela riu marota e só depois se deu conta do que havia dito. Shikamaru sorria um pouco, mas era triste. A lembrança dele chorando e indo para dentro das árvores veio como uma bala no peito de Temari. Ela suspirou arrependida.

— Desculpa.

— Ele devia estar rindo de mim naquele dia. — Shikamaru deixou um riso estranho escapar, os olhos para a frente. Não precisava dizer quem era ele, Temari sabia que ele falava sobre o pai.

Ela limpou a garganta e sentiu que enfim poderia fazer a pergunta que ela queria saber há tempos. Sempre havia sido desencorajada por sua própria consciência, sempre achando que a hora era inoportuna. Mas ali, somente os dois, ela achou que poderia saber.

— O que aconteceu?

Como Shikakau havia morrido.

Seu sussurro penetrou a noite e morreu no silêncio de Shikamaru. Ela se sentou mais próxima dele, quase encostando os ombros e falou mais uma vez, baixinho:

— Desculpa, não precisa falar nada. Mas, sabe? Seu pai, mesmo eu conhecendo ele pouco, se tornou uma das pessoas que me inspiro. Ele me ensinou muito em pouco tempo.

— Meu pai era um cara e tanto. — Shikamaru mexeu a cabeça. As mãos estavam largadas em frente as pernas abertas e os olhos nas árvores, mas pareciam ver algo além. Ele suspirou e Temari se preparou — Meu pai morreu na guerra, como um herói. — Ele engoliu em seco e Temari foi digerindo aquilo com cuidado.

— Guerra? — a única que sabia estar acontecendo era em outro continente, bem longe dali. — Aquela entre dois países por motivos religiosos?

Shikamaru soltou um riso amargo e abaixou a cabeça. Temari temeu que ele fosse chorar, mas ele logo se levantou e a olhou, ela percebeu o quanto estavam pertos e se afastou um pouco.

— Os motivos dessa guerra não cabem em uma folha — ele disse como se soubesse mais que qualquer um, então passou a mão na nuca e voltou a olhar para frente — Mas, sim, essa guerra. O nosso país é um dos mais interessados e apoia um dos lados. Meu pai era general, estava afastado desde que eu nasci por causa de um acidente que ele sofreu. — Temari na hora lembrou das cicatrizes no rosto. A imagem de Shikaku ia se apagando com o tempo da memória de Temari, mas agora ela conseguia vê-lo no rosto de Shikamaru. Muito mais jovem, sim, mas eram iguais — Em termos simples, ele era responsável pela “Inteligência”. Era um trabalho que conseguia fazer a distância antes que os conflitos piorassem, então ele foi convocado. — Shikamaru se inclinou e pegou um graveto no chão, torceu até que quebrasse e foi fazendo isso com as partes que sobravam — Um míssil, um único míssil explodiu o QG onde ele estava. Mais vinte soldados morreram naquele dia. Eles sabiam que seriam acertados, os radares pegaram tarde demais o míssil. Nenhum soldado tentou fugir, dizem que meu pai acalmou eles e deu as últimas ordens para os soldados em campo antes da explosão. Foram dois minutos que salvaram a vida de duzentos soldados. Eu ouvi os últimos comandos dele, estava calmo.

Temari permaneceu em silêncio respeitando o dele. Era fácil imaginar a cena e aquilo apertava o peito dela. Shikaku havia sido um herói e seria lembrado como um para sempre.

— Naquele dia do shogi — Shikamaru continuou depois de um tempo olhando-a de canto. Seus olhos estavam brilhantes, com lágrimas que não cairiam. Temari acenou uma vez mostrando que se lembrava — Foi a primeira vez que eu ganhei. — Sorriu torto e ela nem conseguiu brigar com ele, seus próprios olhos ardiam. Ele a olhou nos olhos e desviou para as árvores assoviando mais uma vez — Achei que nunca mais jogaria aquilo. Obrigado.

Ela ergueu os ombros sem ter total segurança em sua própria voz. Ele devia saber que ela estaria ali por ele em qualquer momento, assim como ela sentia que ele faria o mesmo por ela. E isso a fez se lembrar de algo.

— Você tem muito do seu pai, sabia? — ele a olhou de canto e ela sorriu voltando os olhos para as árvores, sua lanterna iluminando a esmo o nada entre elas — Talvez você nem perceba, mas você é um pequeno herói.

— De onde tirou isso, mulher? — ele riu sem graça e ela sorriu mais.

— Naquele churrasco de despedida na sua casa — ela o olhou e sabia que ele se lembrava — eu ouvi o que você disse ao Chouji sobre ele ser tão bom quanto você, só diferia nas habilidades. Não eram nessas palavras, mas eu fiquei bem impressionada. Bullying também é violência, e mesmo longe você o blindou disso. — Shikamaru ergueu as duas sobrancelhas e um ombro como se aquilo não fosse nada — Naquele dia parei de odiar você.

— De me odiar? — ele se surpreendeu e ela riu.

— Oras, você era um pirralho convencido que desistiu da partida por pura preguiça! Você não sabe o ódio que fiquei.

Shikamaru riu e balançou a cabeça.

— Eu não tinha dormido nada naquela noite, lembro bem. Tinha virado jogando videogame. E você começou a me dar dor de cabeça, problemática.

— Não acredito — ela deu um tapa no braço dele e ele se encolheu rindo. — Mas você era um menininho bem impressionante. Foi seu pai quem te ensinou a jogar?

— Não. Eu aprendi lendo o manual de um jogo antigo do meu avô, aí ensinei meu pai. Eu tinha uns 4 anos.

— Mentira.

— É verdade. — Shikamaru sorria como ela poucas vezes havia visto. Era um sorriso de menino, bonito. Ele quase fechava os olhos quando sorria — Aí ele me ensinou shogi, ele tinha aprendido quando estava na academia.

— Então você ensinava as coisas ao seu pai e não o contrário? — Temari o cutucou fingindo não acreditar e Shikamaru balançava a cabeça confirmando.

— Quer ver uma coisa que ele me ensinou? — Shikamaru pareceu subitamente animado e Temari assentiu achando-o uma graça daquele jeito — Deite-se.

— Sério? — ela perguntou mas fez o que ele pediu quando ele balançou a cabeça e colocou a lanterna entre as pernas.

Temari olhava para o teto de madeira iluminado pela luz da lanterna quando Shikamaru se deitou ao lado dela. Ela sentiu aquela sensação que tentava ignorar, aquele arrepio na espinha e o agitar de seu estômago, parecia que mil borboletas faziam uma festa ali quando ele sussurrou ao lado dela.

— Eu nunca mostrei isso para ninguém.

E então, na luz da lanterna lá no teto, um coelhinho de sombras apareceu. Temari soltou uma exclamação de surpresa vendo o animalzinho mexer as orelhas e as patinhas. Então a sombra se modificou e se transformou em uma pantera. Shikamaru tentou imitar o som dela, mas tudo o que conseguiu foi fazer Temari rir muito. Logo veio um canguru, uma tartaruga, um pássaro e por fim um cervo.

— Eu jamais imaginaria que você soubesse uma coisa dessas — ela riu quando apareceu um cachorro.

— Coisas inúteis que aprendo uma vez e não consigo mais esquecer.

— E como é ser um gênio, hein? — ela questionou e ele resmungou dizendo não ser gênio coisa nenhuma. — Você é sim! É impressionante. Sabe, você lembra de tudo e consegue aprender sozinho coisas que demorariam muito para alguém comum aprender sem auxílio.

— Que seja o que queira me chamar — ele suspirou e em suas mãos sobre a lanterna apareceu um caramujo — Aprendo fácil qualquer coisa que me ensinarem, mas me limito a isso. Tenho a informação e um banco de dados acessível, minha memória eidética, para usar esse conhecimento. Sei tocar violão, por exemplo, mas não consigo compor. Não sei desenhar, pois isso requer técnicas que ultrapassam o teórico. Entende? — Temari balançou a cabeça, mas ele estava com os olhos no teto. — As pessoas me superestimam demais.

Aquela última frase parecia um desabafo e Temari virou a cabeça para olhá-lo. Lembrava-se do reitor sempre atrás dele o bajulando, e foi fácil se lembrar de mais situações em que ele era tratado bem por sua mente brilhante. Ele era humilde e por isso não caia em vaidade pelos elogios, mas essa explicação parecia pequena demais perto do ser complexo que era o simples Shikamaru Nara. Ele devia se sentir sozinho no meio de tanta gente que queria se aproveitar dele, por isso deveria gostar tanto de ficar com os amigos que tinham a idade dele, porque ali existia algo real.

Sorriu para o perfil dele. Shikamaru não fazia mais sombras com as mãos que estavam pousadas sobre a barriga e os olhos estavam perdidos, a luz ainda batia no teto e refletia fracamente no rosto dele. Temari sentia algo quase explodir em seu peito naquele momento, olhando-o daquele jeito.

— Me diga uma coisa, ser gênio te atrapalha com as garotas?

Ela não conseguia mais evitar.

— Como assim? — ele subitamente ficou vermelho.

Temari ergueu-se no cotovelo e se virou para ele.

— Você já beijou uma garota? Ou sabe só a teoria?

Shikamaru engoliu em seco, ela podia ver o pomo de adão dele subir e descer duas vezes. Aquela era a resposta, ela sorriu.

Ela se agitava por dentro, contudo por fora parecia serena aguardando as reações dele e não se decepcionando com nenhuma. Shikamaru parecia em choque, não esperava realmente aquilo e ambos sabiam no que ia dar.

Temari se inclinou por cima dele e percebeu a respiração sendo segurada quando metade do corpo dela tocou o dele. Shikamaru a olhou finalmente, parecia um pouco assustado e algo mais, mas ela não sabia dizer tendo a mente tão nublada quanto naquele momento. Lentamente, muito lentamente, ela se aproximou e passou uma mão pelo cabelo dele, sorriu por cima do rosto do garoto e o viu suavizar as expressões.

O coração de Temari batia forte, mas o dele batia tanto ou mais. Ela sentiu uma mão dele subir e tocá-la e um carinho mudo foi trocado por ambos, ela passando os dedos pelos cabelos dele e ele acariciando sua cintura, um olhando para o outro como se acabassem de se conhecer.

Então, sem que soubesse qual dos dois tomou a iniciativa, como se tivesse sido feito um acordo silencioso, o primeiro beijo os conectou.




betado por Mrs. Fox, já falecida por esse final.



Notas finais do capítulo

Morta com essa beta minha HAHAHAHHAHAHAA
Aaaah quem pegou as referências deste?? Shikamaru enganando Temari desde sempre haushauhsauhsa tadinha, eu e a Mrs.Fox com certeza daríamos na cara dele hasuhaushauhsuahsa
Mas enfim esse beijo saiu!! o/ Eu to tão feliz pelos meus nenéns TT
Bom, vejo vocês no próximo capítulo!! Um beijão!! ♥