Meu amigo, S. Malfoy escrita por Maga Clari


Capítulo 5
Vamos para o dia que a Sonserina ganhou de lavada


Notas iniciais do capítulo

Alô, alô, você sabe quem sou eu? Alô, alô, graças a Deus hahaha
Brincadeiras à parte, eu estou de volta (só não sei por quanto tempo)
Espero que gostem do capítulo.
Bisous



Tem um fato interessante sobre meu primo Albus. Ele é um sonserino completo, sabe? Seus pés rastejam pelo chão, seus olhos soltam faíscas quando contraditos, e seu coração? Ah, seu coração é duro feito gelo do pior dos invernos!

Por incrível que pareça, não posso dizer o mesmo de Scorpius. Talvez Scorpius seja o que chamamos de hatstalls; talvez ele tenha um pezinho na Lufa-Lufa. Ou de repente na Grifinória. Não sei ao certo.

A questão é que se tratando de comportamento, Albus e Scorpius são bem diferentes. No entanto, isso não impediu que eles se agarrassem atrás do campo de quadribol, quando a Sonserina ganhou de 200 a 50 para a Corvinal.

Estávamos na última semana do quinto ano quando isso aconteceu. Lembram-se do incidente de Hogsmeade? Pois então. Aquilo rendeu tanto, mas tanto, que vou ter que voltar um pouco no tempo.

Logo depois que Scorpius e eu tiramos o b.v um do outro pra fazer ciúmes no Albus, o dito cujo se afastou de Rebecca como se tivesse recebido um choque elétrico. Ele ficou nos olhando bem assim, sabe? Com seus olhos sonserinos de cobra gélida. Acho que nunca senti tanto ódio destinado à minha aura.

Tenho a impressão de que Scorpius se assustou com o que eu fiz, porque ele saiu correndo, deixando-me para ser pisoteado e esmagado pelo primo Albus. E Albus continuou me olhando pra valer, mas como alguém tinha que quebrar o tal gelo sonserino, Rebecca então soltou uma risadinha travessa dirigindo-se a mim:

— Ora, ora. Quer dizer então que o Cenourinha na verdade é laranjinha! Pra ser sincera, eu sempre suspeitei.

Mexi-me na cadeira, extremamente desconfortável.

— Não precisa ficar desse jeito — ela continuou — Não é como se Albus fosse te bater ou algo assim. Não é, Alb?

— Bater? — Albus destinou-me um olhar ainda mais gélido — Que graça teria bater numa frutinha laranja? Um soco e ele sairia correndo atrás do outro veado do Scorpius. Já estava até demorando!

— Albus! — Rebecca empurrou-o, aborrecida — Não fale assim com o Cenourinha! Ele é seu primo! E além do mais, é nosso amigo!

— Não faz mal, Becca — engoli em seco, devolvendo o olhar para Albus Potter ao me levantar — Já estou acostumado. Albus é machão demais pra ser meu amigo, não é?

Então, simplesmente pus-me para fora do Três Vassouras e em direção à Hogwarts. Uma vez lá, corri para a Torre da Corvinal e enfiei-me nos cobertores, numa tentativa infantil de sumir do mundo, como sempre fui habituado a fazer.

Na manhã seguinte, cabulei aula. Sei que foi errado e covarde de minha parte, mas confesso ter tido medo. De Albus, no caso. Do que ele fosse fazer comigo, sei lá! Nunca pensei que um dia fôssemos chegar nessa situação, mas crescer nunca foi o meu forte. Até o dia que eu peguei fogo, é claro. Mas ainda vamos chegar lá.

— Hugo? — ouvi me chamarem, atrás da porta do dormitório.

Depois do chamado, batidinhas na madeira.

— Hugo, você está aí?

Alguns segundos de silêncio.

— Hugo, é o monitor! Se você não abrir, eu mesmo abro em três... dois...

Então, a porta do meu dormitório se escancarou, mostrando-me um Frank Longbottom raivoso e impaciente. Ele tinha as mãos na cintura, enquanto seus dedos exibiam sua longa varinha pendurada entre o indicador e o polegar. O monitor da Lufa-Lufa parecia estar realmente bravo.

— Posso saber por que o senhor não compareceu às aulas hoje, senhor Weasley?

— Desculpe.

— Sabe que horas são?

— Desculpe, Frank.

— São seis e meia da tarde, Weasley!

— Desculpe.

— É só isso que sabe dizer? “Desculpe”? Não quero desculpas, Weasley, quero explicações! — então, Frank sentou ao meu lado, na cama. Agora, seu tom de voz havia amaciado — Aconteceu alguma coisa?

Baixei os olhos, engolindo a saliva.

— Soube que não apareceu sequer para as refeições...

— Tenho estoque de comida — apontei para o vão abaixo da cama, com um meio sorriso.

— Okay — Frank respirou fundo, piscando os olhos, bem lentamente — Que tal um acordo? Você me conta, e eu não te deduro para a diretora. Se você não contar, eu invento uma mentira cabeluda. A escolha é sua. Vamos, Hugo... Estou aqui querendo te ajudar.

Terminei contando ao Frank quase tudo. Só omiti a parte que eu beijei o Scorpius, por motivos óbvios. No entanto, ele entendeu que Albus parecia ser uma ameaça pra mim. E como isso não era nenhuma novidade, essa situação de ter bullies querendo me comer vivo, acho que Frank já havia ficado satisfeito com essa explicação. Portanto, ele simplesmente balançou a cabeça e disse que “cuidaria da situação”. E que ia me obrigar a jantar.

Depois disso, fomos os dois ao Salão Principal e ele ficou o tempo todo do meu lado, como se para ter certeza que ninguém ia mexer comigo. Achei legal da parte dele, e confesso ter comido super rápido pra poder voltar logo ao dormitório. Evitei falar com todo mundo e engoli um pedaço gigantesco de fígado de dragão.

E eu já estava para me levantar da mesa quando senti me cutucarem nos ombros. Frank virou-se por reflexo, mas eu apressei-me em aliviá-lo:

— Está tudo bem, Frank. Scorpius é meu amigo.

Então, sorri meio inseguro para o medroso do Scorpius Malfoy:

— Olá, Scor.

— Olá, Hugo — ele parecia desconfortável, olhando de um lado para o outro — Você não apareceu aqui hoje cedo. Tem alguma... Hã... Tem alguma coisa a ver comigo?

— Com você? — sorri e dei uma risadinha — É claro que não. Aliás, Scor... — falei bem baixinho — Não se preocupe com ontem. Foi tudo encenação. Pra te ajudar com aquela pessoa, sabe? Nem se preocupe.

Minha declaração fez meu amigo soltar o ar, de tanto alívio. Ele também deu uma risadinha e assentiu antes de ir-se embora.

— Okay. Era só isso mesmo. Qualquer coisa me chame, certo? Estou por aí. Hoje é minha ronda.

— Pode deixar.

Então, aproveitando minha deixa, voltei ao dormitório naquele mesmo instante. E comecei a pensar no quão deprimente era minha vida, para que minhas únicas interações sociais fossem com monitores engomadinhos.

Albus não me encheu mais a paciência, nem sequer me procurou naquele dia. Até o dia seguinte, quando, após a final decisiva da Sonserina contra Corvinal, Rebecca mandou me chamar. Ela mandou recado por Frank, que me informou que a garota me esperava perto do campo de quadribol.

Durante o jogo, que aliás, eu não dou a mínima, eu estive na biblioteca, estudando para o N.O.M.S que eu prestaria ainda naquela semana. Após o recado, arrumei minhas coisas e fui encontrá-la, pensando ser algo sério, pois, apesar de tudo, eu me importava com Rebecca.

Chegando lá, encontrei-a aos prantos e soluços atrás das arquibancadas. Ela correu para meus braços e chorou tanto, mas tanto, que melou minha camisa inteira.

— Ei... Ei, Rebecca! — tentei, mas ela não parava de chorar — Rebecca, o que aconteceu? Alguém se machucou?!

— Ah, Cenourinha... — Becca murmurou em tom abafado, ainda no meu pescoço, fungando pelo choro — Você sabia, não sabia?

— Sabia do quê?

Então, ela se afastou, limpando o rosto enquanto apontava para uma direção mais para a direita. Acompanhando seu olhar, encontrei Albus e Scorpius dando uns amassos sem nem um pingo de vergonha.

Voltei a olhar Rebecca, que parecia extremamente magoada e perdida. Ofereci um novo abraço, recebendo uma constatação em retribuição:

— Aquilo ontem... Era armação, não era, Cenourinha? Você já sabia disso.

— Na verdade — respirei fundo, sem saber o que estava fazendo — Sim, a intenção era enciumá-lo. Você é legal, Becca, mas me irritava essa história de Albus fingir gostar de garotas.

— Oh... — Becca desvencilhou-se de mim, pondo as mãos nos bolsos da capa — Entendi.

— Sinto muito.

— Não sinta.

— Desculpe.

— Não precisa. De verdade, Hugo.

Rebecca hesitou antes de voltar para o castelo, olhando muito seriamente pra mim:

— Mas a parte de você ser gay também. É totalmente verdade, não é?

Dei uma última olhada no novo casal nojento antes de respondê-la.

— Na verdade... Na verdade, eu sou atraído por garotos e garotas, Becca. Mas não por Scorpius ou Albus, se é o que você quer saber. Agora, se me der licença, eu tenho que vomitar do outro lado do campo. Se precisar de sorvete, passa lá no meu dormitório. Ouvi dizer que sorvete é ótimo pra corações partidos.



Notas finais do capítulo

Galera, houve um erro. Eu me habituei tanto ao hugo lufano que nesse capítulo tinha me esquecido que ele era corvinal kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk mas já consertei



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