Meu amigo, S. Malfoy escrita por Maga Clari


Capítulo 2
Vamos para o dia que eu não embarquei no trem


Notas iniciais do capítulo

Olá, amiguinhos!
Estou escrevendo essa fanfic porque minha psicóloga disse que uma maneira de desbloquear a mente para meus projetos de trabalho e escrever por diversão, e acho que está dando certo
A ideia me veio de repente e estou adorando ♥

Coloquem uma música triste enquanto leem



A primeira vez que tive contato com a família Malfoy foi no dia 1º de setembro de 2017.

Imagino que esteja familiarizado com esta data, afinal, é quando os bruxos britânicos vão e retornam para a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.

Eu, entretanto, não embarcaria naquela locomotiva. Pelo menos, não ainda. Ao invés disso, me limitaria a observar todas as famílias, uma a uma, como uma maneira de me acalmar pelo desespero em ter de perder minha adorada irmã para aquela escola idiota. 

Não me considero um bebê chorão. Mas, compreenda, eu nunca tive muitos amigos. Sempre havia sido eu e ela. Só nós dois. 

Era sempre nós dois gargalhando entre as penas de ganço dançantes a cada guerra de travesseiro travada no nosso quarto; era sempre nós dois correndo pelas escadas de casa, empurrando um ao outro, para ver quem pegava o maior pedaço de bolo de laranja; era sempre nós dois adormecendo encostados um no outro, em frente a lareira, enquanto o vovô lia Babbit, a Coelha, ou mesmo O Caldeirão Saltitante, ou sei lá qual história ele inventava de escolher.

 Eu tinha dez anos e meus olhos estavam esbugalhados de tanto chorar por sua partida. Mamãe tentava me acalmar, mas, ao mesmo tempo, precisava acalmar a si mesma, que também estava emocionada pelo "grande dia" de sua filha. Então eu simplesmente fugi deles todos e me escondi atrás da pilastra e voltei a chorar em desespero. 

Cerca de cinco minutos haviam se passado quando ouvi um pigarreio. Era Albus Potter, meu primo paterno. Ah, é. Ainda tinha isso. Mamãe naquela época não nos contava. Hoje eu até compreendo que havia razões para que não conhecêssemos a família dela. Mas não vamos desviar o foco.

Pois então, Albus Potter estava pigarreando, bem de frente pra mim, na outra pilastra. Acho que meu desespero havia me cegado de todo o resto. Porque eu juro não tê-lo visto até aquele momento.

— Ah, olá, Albus — tentei ser cordial.

— Olá — ele me respondeu. E pude notar seu rosto tomado por uma franja gigantesca, como os punks costumam usar — Se escondendo?

— Desculpe? 

— Está se escondendo? Porque eu estou.

Franzi a testa, sem compreender. Ele tornou a se explicar:

— Não quero ir para Hogwarts. Não vou. De jeito nenhum. Sem chance.

— Pelo menos você vai ficar lá. Com James.

— Eu não vou. Já disse.

— Você devia sentir pena é da Lily. E de mim. 

— Pena?! O que há de tão ruim de continuar brincando o dia todo? E de ter mamãe e papai só pra vocês? 

— Vou me sentir sozinho — confessei.

— Eu também vou.

— Você tem James — repeti.

— E se eu for pra Sonserina?

Nessa hora, Albus afastou a franja para o lado e pude ver que eu não era o único bebê chorão da família.

— Você ainda pode ver ele nas folgas...

— Eu não vou ver ele porque eu vou ficar aqui! Não vou, não vou, não vou! Está decidido!

— Mas... Albus?

— O quê?

— E seus pais? Como vai despistá-los? Como vai voltar pra casa?

— Eu posso ir com você! Pra sua casa! Que tal?!

Mas eu não chegaria a respondê-lo, porque, de repente, nossos quatro olhos (meus e de Albus) se desviaram para a figura que andava bem à nossa frente: era um garoto mais ou menos da nossa idade. Ele tinha uma pele esquisita, nunca havia visto alguém tão anêmico. O cabelo estava amarrado com um barbante, mas não era muito grande. Os olhos dele pareciam duas bolotas de drops* de pistache. E esse garoto direcionou-os primeiramente para os lados, como se verificando se "a barra estava limpa". Então, discretamente, desamarrou o cabelo e folgou a gravata.

Juro por tudo que é mais sagrado que eu quase pude ouvir o coração de meu primo acelerar. Estava bem na cara que Albus havia se interessado por Scorpius Malfoy desde aí. E eu não falaria nada. Porque, apesar de ser apenas uma criança, eu já sabia de muitas coisas. Inclusive sobre romances e sexualidade. É que eu sempre fui muito curioso. Não é atoa que, no ano seguinte, havia parado na Corvinal.

Então, voltando ao assunto, lá estávamos nós. Desviando toda a nossa atenção para aquele garoto esquisito que nunca havíamos visto na vida! De repente, ele olhou para nossa direção. E foi nessa hora que Albus parecia que teria um piripaque. Digo isso porque ele arregalou os olhos para mim, pedindo ajuda. Mas o que eu havia de fazer? Também eu estava hipnotizado por aquela figura.

— O que estão olhando? — ele parecia exigir saber, em tom quase casual.

— N-nada — Albus apressou-se em respondê-lo — Me... Me chamo Albus.

— Scorpius.

E foi tudo que ele disse antes de tentar (digo tentar, porque acho que Scorpius não estava acostumado com isso) sorrir e acenar para nós, enquanto se dirigia à locomotiva.

Assim que o garoto havia nos deixado, Albus pareceu entender que havia passado vexame, porque suas bochechas estavam da cor do meu cabelo. 

— Não tem problema — disse simplesmente — Vai ser nosso segredinho.

E aí, Albus abriu o maior sorriso do mundo e me abraçou como nunca antes ninguém, nem mesmo Rose, havia me abraçado.

Foi naquele momento que descobri que seria fácil fazer amigos. 

Se todos fossem que nem Albus, pelo menos. Mas eu estava feliz em ter descoberto isso sobre mim. Que eu servia para ser amigo de alguém, no caso.

— Vá logo, primo. Já estão apitando.

— Tudo bem — ele se desvencilhou de mim e limpou as poucas lágrimas que haviam sobrado — Nos vemos no Natal!

— Nos vemos no Natal! — repeti.

Observei enquanto Albus corria para alcançar os alunos, e enquanto recebia os abraços de alívio do famoso Harry Potter e Ginevra Potter.

E não é que eu estivesse com inveja, nem nada. Mas Albus sempre teve muitos amigos. Por causa da fama de meu tio Harry. Por isso, ele nunca deu muita atenção para mim. Agora, no entanto, havia entendido que era coisa da minha cabeça. A partir daquele momento, seríamos grandes amigos. Eu tinha certeza.

Pensando nisso tudo, levantei do meu esconderijo e procurei entre todos os poucos alunos restantes a minha adorada irmã. 

O desespero bateu quando não a encontrei em canto algum. Eu queria poder me despedir. Queria dizê-la que era um idiota; mimado; egoísta. Queria dizê-la que ia morrer de saudades e que me escrevesse todo santo dia. Mas eu não a encontrava. Na verdade, precisei caminhar por uns cinco minutos até encontrá-la trocando algumas palavras com suas (aparentemente) novas amigas, já dentro do trem. 

Do lado de fora, dava pra ver. Ela estava no terceiro vagão com duas garotas e pareciam discutir com um garoto que havia acabado de sentar com elas. Então, de repente, minha doce irmã depositou um tapa daqueles na cara do idiota. E eu ri. Por um segundo apenas. Até ter vontade de chorar de novo. Porque ela nem se importou comigo. Em me dar adeus. 

Mas aí, quando eu já estava vendo meus pais se aproximarem de mim, engoli meu orgulho e gritei, já que seria (quem sabe) a última vez. Gritei a todos pulmões. O mais alto que eu consegui:

— ADEUS, ROSE! TE AMO, IRMÃZONA!

E ela ouviu.

Sei que ouviu.

Mas foi apenas um breve olhar.

E aí a locomotiva foi embora.



Notas finais do capítulo

* drops é uma espécie de pastilha redonda e colorida.

OLÁ!
Quem aqui já tinha sacado que era o Hugo que narrava?



Hey! Que tal deixar um comentário na história?
Por não receberem novos comentários em suas histórias, muitos autores desanimam e param de postar. Não deixe a história "Meu amigo, S. Malfoy" morrer!
Para comentar e incentivar o autor, cadastre-se ou entre em sua conta.