A herdeira escrita por Ponine


Capítulo 5
Beco Diagonal





A semana passou rápido, Emily tentava se distrair e não parecer ansiosa, revia sua mala todo dia, provavelmente o fecho daquele malão estranho que a tia lhe deu quebraria antes de chegar a escola de tanto abrir e fechar, ela não levava muita coisa, algumas roupas que segundo Anne só seriam usadas no fim de semana pois durante a semana teria que usar o uniforme, alguns de seus livros preferido e um porta retrato com uma foto dela segurando Stefan ainda bebê no colo. Emily iria encontrar Hermione no dia seguinte mas ainda não tinha conversado com ele sobre ir embora, era um garotinho inteligente e já tinha percebido o que estava acontecendo mas ela estava adiando aquele momento o máximo que pudesse.

Emily foi até o quarto do menino.

—Stef? Ta acordado?

—Mimi!- ele largou um carrinho e correu ao seu encontro -Vamos brincar?

—Do que quer brincar?

—Voar!- Stefan dava pulinhos de alegria

Ela o segurou e como de costume o começou a rodar pelo quarto enquanto ele gargalhava e pedia para ir mais alto, Emily queria entender o porque o menino gostava tanto daquela brincadeira, ele não voava de verdade só estava sendo girado pelo quarto. Emily o abaixou e o segurou no colo

—Por que parou?

—Acho que devemos conversar- não podia mais adiar

—Eu sei que vai embora… Mamãe me disse…-ele baixou um pouco a cabeça

—Ei! Não é para ficar triste, vou só por um tempo, nem vai sentir minha falta!- Emily ergueu seu rostinho novamente e o olhou nos olhos

—Vai voltar né?

—Mas é claro que sim! Olhe para mim Stef, eu não vou demorar, prometo

Stefan agarrou o seu pescoço e a abraçou muito forte, Emily apenas retribuiu triste por saber que teria que se despedir dali alguns dias.

E o sábado chegou, estava um dia bonito, o céu azul sem muitas nuvens e uma leve brisa, a garota vestia o básico, calça jeans, camisa xadrez e o habitual tênis preto, não fazia a menor idéia do que bruxos usavam e esperava estar o mais discreta possível.

Tentava manter suas expectativas baixas, não queria se frustrar, mal sabia o que iria fazer, segundo a tia iria comprar seus materiais, talvez fosse apenas uma papelaria chata e sem graça como todas as outras, mas não conseguia conter uma certa ansiedade que a fez amarrar os cadarços diversas vezes, quebrar um copo e subir as escadas a cada minuto para ter certeza que tinha pegado tudo.

Quando finalmente a tia quase a amarrou no sofá para que pudessem conversar antes da garota ir ao encontro de Hermione.

—Pegue isso- Anne a entregou uma pequena chave meio enferrujada -Guarde bem, vai precisar- Emily pegou a chave e a analisou -Agora é melhor ir andando para não se atrasar.

—Mas para que essa chave serve?- Emily perguntou ainda com ela entre os dedos

—Vai descobrir, era do seu pai, agora é seu- a garota não gostava nada de todo esse mistério mas guardou a chave no bolso e se levantou

—Até mais tarde então

—Se divirta querida

Emily deixou a casa e foi até a praça que estava quase deserta, olhou em volta da igreja e não viu ninguém, o relógio marcava dez para as dez, teria que esperar um pouco. Ficou em pé encostada na parede enquanto analisava todos que passavam na rua, eram todos rostos conhecidos, era o que acontecia quando se morava em uma cidade tão pequena igual Wells,a menor cidade da Inglaterra, você conhece todos e todos te conhecem, a garota notou uma figura alta parada do outro lado, usava uma capa preta com capuz que impedia Emily de conseguir ver seu rosto, era provavelmente uma das coisas mais estranhas que ela já tinha visto naquela cidadezinha, ele estava só parado como uma estátua e quando ela resolveu tentar se aproximar a figura simplesmente desapareceu, como se tivesse evaporado. Ela se virou num pulo quando sentiu uma mão em seu ombro, era Hermione Granger

—Me desculpe, não queria assustá-la- ela tentava não cair na risada com a cara que Emily fez

—Tudo bem eu só… não estava prestando atenção- a garota se recompôs

—Certo, fico feliz que tenha reconsiderado a proposta e tenha vindo me encontrar, ainda acha que é uma piada?

Emily gelou -Me desculpe por aquilo, não estava em um bom dia, tanta coisa tinha acontecido e eu estava completamente confusa e estressada…

—Imagino que sua tia já falou quem eu sou- ela concordou com a cabeça -Pode relaxar, eu entendo como é- Hermione se divertia com a situação -Mas agora já sabe tudo sobre nosso mundo não é?

—Não exatamente, minha tia não contou nada, disse que não queria estragar as surpresas…

—Ela fez bem, acredite em mim é mais divertido descobrir sozinha… Ah por Merlin! Estamos atrasadas!

—Onde vamos?

—Vamos comprar material no Beco Diagonal

—Onde?

—Vai ver,segure no meu braço e não solte- Emily obedeceu e sentiu uma péssima sensação, como se seu corpo estivesse todo se contorcendo e esticando e parecia estar flutuando ou algo parecido ao mesmo tempo, em alguns segundos sentiu o chão novamente, estava tonta e meio enjoada.

—É normal ficar um pouco mal na primeira vez que se aparata, demora um tempo para se acostumar com a sensação

—Bruxos fazem isso o tempo todo? Como aguentam?- ela ainda estava segurando o braço de Hermione para não cair e olhava fixamente para o chão se obrigando a não vomitar e se arrependendo das panquecas que comeu no café da manhã.

—Só os bruxos maiores de idade podem aparatar, menores de dezessete anos apenas acompanhados.

Emily já um pouco melhor levantou a cabeça e viu uma enorme rua, estava muito movimentada, as pessoas vestiam capas e chapéus estranhos que Emily jurou mentalmente que nunca usaria, diversas lojas se estendiam ao longo da rua, lojas que à primeira vista eram normais porém quando se analisava eram bem curiosas, “PROMOÇÃO: Chifres de unicórnio apenas 5 galeões a unidade” , “A vassoura mais rápida do mundo você só encontra aqui”, “Caldeirões de todos os materiais e tamanhos”, eram algumas das placas que estavam penduradas sobre suas cabeças, os olhos dela brilharam com tudo aquilo.

—Bem vinda ao Beco Diagonal!

—Isso é incrível…- Foi tudo o que ela conseguiu dizer

—Venha, temos que pegar seu dinheiro antes

—Espera- aquilo a tirou de seu transe -Eu não tenho dinheiro…

—Isso é o que vamos ver, aquele ali é Gringotes- Hermione apontava para um luxuoso edifício branco -É o banco dos bruxos, existe de tudo em seus cofres.

—Legal, mas eu não tenho um cofre

—É claro que tem! Venha comigo

Emily só seguiu mas não parava de pensar no que faria agora, não tinha dinheiro para comprar material nenhum e todos aqueles livros da lista não seriam baratos mas não disse mais nada. Adentrou um enorme salão branco com um lustre cintilante no teto, várias mesas de trabalho estavam dispostas ao longo dele, figuras que não deviam ter mais de um metro estavam sentadas nelas, tinham orelhas pontudas e uma cara feia naturalmente, parecia muito com uma imagem que ela tinha visto em algum livro, eram duendes, ela olhava curiosa para aquelas criaturas quando parou diante de uma mesa.

—A senhorita Emily Grinder gostaria de fazer uma retirada de seu cofre.- Hermione se dirigiu a um duende

—A senhoria tem a chave?- ele disse com uma voz indiferente sem tirar os olhos do papel que estava lendo.

Então era para isso a chave! -Está aqui- Emily entregou para o duende que a analisou rapidamente e desceu de sua mesa

—Me sigam por favor

No fim do corredor entraram em um carrinho velho que não parecia muito seguro, assim que os três estavam sentados nos bancos pouco confortáveis o carrinho disparou, descia e fazia curvas repentinas muito rapidamente, Emily não pode nem ver o caminho direito mas aparentemente estavam no subterrâneo, o carrinho parou bruscamente em frente a uma porta, o duende desceu como se nada tivesse acontecido, Hermione foi atrás e Emily também, a criatura virou a chave dentro de uma espécie de fechadura e a porta se abriu revelando um cofre brilhante com moedas douradas espalhadas pelo chão, ela teve que piscar algumas vezes até acreditar no que estava vendo.

—Aqui, pegue um pouco- Hermione lhe entregou uma bolsinha e ela a encheu dessas moedas estranhas ainda sem acreditar que esse ouro era dela, se lembrou da tia dizendo que era de seu pai, realmente tinham uma vida financeiramente boa mas não fazia idéia que era tanto! -Isso deve ser o suficiente para o material e ainda sobra um pouco para os fins de semana na escola

Emily estava saindo e sentiu pisar em alguma coisa, afastou o pé e viu um colar com um triângulo pendurado, Hermione e o duende estavam de costas saindo do cofre e a garota sentiu uma necessidade de pegar aquilo também, em um rápido movimento enfiou o cordão no bolso sem ninguém ver e voltou para o carrinho.

De volta as ruas Hermione explicou a localização das lojas que Emily precisava ir e disse que a encontraria mais tarde na sorveteria, se despediu e sumiu no meio da multidão

Algum tempo depois ela já tinha comprado o caldeirão e vário ingredientes que pediam, faltavam os livros, o uniforme e uma varinha, um pouco mais a frente viu uma loja meio apagada com o letreiro velho dizendo “Olivaras artesão de varinhas desde 382 A.C.”, ela entrou na loja escura, tinha um cheiro estranho de madeira queimada e haviam várias estantes com caixas em cima.

—Olá, tem alguém?- sua voz ecoou e desapareceu sem resposta.

Emily procurava algum sinal de vida naquela loja até que seus olhos pousaram na mesa a sua frente, estava suja e bagunçada com pedaços de madeira quebrada e muitos papéis rabiscados, em um deles tinha o desenho de uma varinha, e ao lado a varinha esculpida como se fosse um protótipo, ela olhou mais de perto, era uma bela varinha, delicadamente aproximou os dedos e a pegou, sentiu um repentino calor nos dedos, a ponta da varinha brilhava enquanto soltava faíscas vermelhas que começaram a dançar no ar.

—Interessante…- uma voz veio de trás de uma das estantes e revelou um senhor já de idade.

—Me desculpe, eu não queria mexer…- ela largou a varinha em cima da mesa de novo

—Qual o seu nome?- Ela foi interrompida

—Emily, Emily Grinder

—Ah, a Ministra comentou que passaria aqui

—É o senhor Olivaras?

—Sim, mas pode me chamar de Gilbert, herdei a loja do meu irmão, o verdadeiro senhor Olivaras então não gosto muito de ser chamado assim

—Eu gostaria de comprar uma varinha

—Claro, são 20 galeões

—Mas eu não escolhi ainda…

—A varinha escolhe o bruxo senhorita Grinder, e essa escolheu você- ele se aproximou e pegou a varinha da mesa -Madeira de sabugueiro, 38,1 centímetros e núcleo de pelo de testrálio- dizia enquanto a guardava em uma caixa, antes de entregar o embrulho a garota ele ainda completou -Pode fazer grandes coisas em seu futuro senhorita, posso sentir e a varinha também sentiu…- e desapareceu nas estantes de novo deixando Emily com aquelas palavras na cabeça.





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