WSU's Aradia - Sangue de Vilão escrita por Leanan Moriartti, WSUniverse, Lex Luthor


Capítulo 2
Capítulo 1 - Baba Yaga




 

A ponta da flecha apontando para o alvo, era o único foco que tinha, tudo ao redor estava em panorâmico, desfocado. Sua respiração era calma, contida, embora o coração batesse fortemente no tórax. Sentia-se nervosa, sim. Era época de inverno, um inverno cruel e rigoroso. Há tempos não aparecia um cervo gordo como aquele nas redondezas. Já estava farta de comer ratos, saciavam apenas três dias, tinham gosto de merda. Se errasse ao alvo, o barulho assustaria o animal, ele fugiria e nunca mais voltaria àquele local.

Puxou o ar brevemente com cuidado, continha as tremedeiras de sua mão, que logo começava a suar. Com o olho direito fechado, ela soltou a flecha do arco, ao mesmo instante em que soltou o ar dos pulmões...

No alvo. O objeto penetrou no pescoço do cervo. Que recebeu-a despercebido, provavelmente não tinha ideia do que o atingira. A caçadora avançou por entre os matos. Os galhos arranham seu rosto e se grudavam na sua roupa, mas ela precisava chegar rápido na sua presa, pois já haviam outros animais em volta, o sangue do cervo tinha um cheiro delicioso, qualquer predador se sentiria tentado.

Agachou-se até o veado e deslizou a mão sobre o pelo branco e ensanguentado do mesmo. Ainda estava vivo, com os olhos arregalados e direcionados à ela. O diafragma da caça inflava e esvaziava rapidamente, vestígios de uma respiração ofegante. Aradia tirou seu pequeno punhal embainhado na cintura e cortou o pescoço do cervo, terminando de vez com o sofrimento do mesmo.

O problema aparecia agora: Os predadores caninos começavam a se esgueirar por entre os galhos, parcialmente levantados, andando estreito, a neve começava a cair com mais intensidade graças ao vento. Mas Aradia tinha que manter firmeza, mesmo com medo dos lobos e cansada de ficar o dia todo à espreita. Com fome e frio, ela tinha de permanecer forte. Guardou seu arco sobre a parte de trás da capa, que tinha um lugar próprio para anexar.

Um veado era um pouco menor que um cavalo, um animal pesado, a galhada iria atrapalhar no transporte. Se fosse um pouco menor Aradia poderia tentar carregá-lo nas costas. Mas era um momento crítico. Não podia simplesmente comê-lo ali. Agarrou nos chifres do mesmo e com dificuldade o puxou, arrastando pelo chão coberto de geada. Um esforço que exigia força. A caçadora era alta, estava saudável, embora a fome lhe mantivesse fraca, ainda assim era a mesma fome que lhe incentivava a arrastar o corpo do cervo.

Os lobos iam e viam pelos árvores, observando-a. Aradia escutava os vultos por entre as folhas congeladas. Queriam cercá-la. Ela sorriu de canto, um som abafado, debochado, escapou de sua respiração, continuou andando e arrastando o veado. Seu abrigo não era tão longe. Até porque ela não poderia se dar ao luxo sair dos arredores. Não queria correr o risco.

Suas mãos, que estavam desprotegidas começavam a doer pelo frio, estavam expostas por estarem agarradas à galhada, segurava firmemente, tentando conter a dor. As botas que calçava começavam a ceder à umidade. Um lobo mais à frente dos outros se aproximava sorrateiramente, rosnando baixinho, conforme iam se aproximando os granidos ia ficando mais altos.

É apenas um cachorrinho. Pensou ela voltando a andar.

Aradia olhava para os lados, estavam cercando-a. Parou de caminhar e olhou para o lobo que tomava a frente, possivelmente era o líder. Ela o encarou nos olhos e rosnou de volta. Algo nos olhos dela fez com que o canino recuasse, quieto, de orelhas baixas e com o rabo entre as pernas. Se o alfa recuasse, todos os outros o seguiam.

Seguindo sua trilha pela mata, era complicado passar por entre os galhos arrastando um cervo. E isso atrasava a caçadora. Estava com o rosto todo arranhado pelos galhos secos e agressivos, mas por sorte, também estava molhado e gelado, assim ela não sentia a dor dos cortes, não agora.

Chegando a uma espécie de cabana improvisada, Aradia se esforçou mais para levar o cervo dentro da casa. Podia sentir os músculos de seu corpo reclamarem pelo uso excessivo da força, quando chegou à porta da pequena casa. A caçadora abriu a fina porta de madeira e rapidamente em passos largos e pesados e logo volta para seu veado, dessa vez com um machado de porte médio nas mãos. Sem dó ou piedade, a mulher acertou a lâmina no corpo do animal morto, inúmeras vezes, até separar todos os membros.

O sangue do animal sagrado espirrava em seu rosto, ainda morno. Respirava calma enquanto via todo o pelo branco da criatura ser tingido de vermelho sangue. Por fim recolheu os membros, coração e a cabeça.

— Baba!  gritou a mulher.

Um reboliço de barulhos ouviu-se da cabana. Passos lentos e arrastados ecoaram no chão de madeira velha. Uma senhora baixinha e idade avançada apareceu na porta. Estava magra demais, como se fosse pele por cima dos ossos. Mas seus cabelos não eram brancos. Eram ruivos, do mais intenso tom de cobre. Envolvidos em uma trança jogada no ombro da mesma. Os olhos fundos se destacavam pelo brilho que a íris emanava. Não sabia-se se era azul ou verde.

Quem via, dizia que as duas não eram parentes. Aradia tinha a pele escura, como a noite sem estrelas. Os olhos estranhamente azuis cinzentos, como céu de tempestades rigorosas. E os cabelos cor de ébano presos em pequenas e finas tranças que iam até sua cintura. Mesmo com tantas diferenças elas tinham sim o mesmo sangue.

 Temos comida para semanas. Lave bem e deixe no sal grosso o que não for fazer hoje. Se deixar a carne apodrecer de novo eu juro que te enterro de onde tirei.

A velha concordou com a cabeça. Reconhecia seu erro e por isso não tentava debater. Sabia que a jovem tinha um temperamento explosivo. E também entendia o esforço da mesma.

 Não jogue as galhadas fora.  disse a caçadora e logo entrou na cabana. Deixando a velha olhando para a carcaça e para os membros decepados separados no degrau da porta.

Com movimentos lentos e pacientes Baba recolheu a carne e pôs-se ao trabalho de limpar a carne.

Aradia estava sentada na cadeira de palha recuperando seu fôlego e suas forças. Suor escorria por cima da pele fria. Era desconfortável, sentia calor mas o ambiente frio lhe confundia os sentidos, o que fazia sua garganta doer. Tossiu algumas vezes enquanto respirava. Olhava para o chão, esperando sua respiração normalizar.

Queria descansar, fechar os olhos e dormir, porém sempre que o fazia ela sentia as chamas na sua pele. As chamas daqueles que lhe traíram. E aquela sensação era pior do que passar horas no frio intenso à procura de comida. Ainda estava com as roupas úmidas, estava sentindo-se preguiçosa para tirar todo o equipamento. Botas pesadas de couro marrom, que lhe iam até os joelhos. A capa, calça e blusa eram feitas do mesmo material, um tecido grosso, semelhante a couro, mas não tão resistente, a aparência lembrava a veludo. Nem se quer tirou seu aljava das costas.

A jovem esfregou seu rosto com as mãos, os pequenos cortes causados por galhos agora começavam a arder. Irritava-se momentaneamente. Mas logo qualquer sentimento de cansaço ou desconforto se dissipou quando ela sentiu algo familiar.

 Yaga, você está sentindo?  perguntou Aradia.

A velha parou de mexer com as carnes e ficou olhando para frente enquanto tentava captar e assimilar sobre o que ela estava se referindo.

 Magia ancestral, e não muito longe daqui.

A Caçadora levantou-se rapidamente. E saiu porta a fora, tão rápido quanto seu retorno de antes. Deixou que a brisa entrasse na casa, e voltou à floresta a procura de quem usava sua magia.

Baba Yaga já sabia qual era sua função. 

Dar a direção.

Em pequenos passos rápidos, que eram os mesmo que os lentos, foi atrás de seus artifícios. Búzios que formavam um círculo circundando todo o limite do tampo da mesa em que estavam, dentro do círculo havia um crânio de corvo. Algumas pedras de várias propriedades e sal grosso.

A velha logo se deu o serviço de cortar o próprio dedo e pingar o sangue sobre o crânio da ave.

 Suʻe  recitou Baba com uma voz estranha e os olhos estavam revirados para cima.

Um click pousou sobre os pensamentos de Aradia, ela sabia exatamente onde ir. Correndo como um tigre atrás da presa, a caçadora custa a achar a usuária do seu poder. Achava uma audácia, ser traída pelo coven, e ainda assim usarem de seu poder ancestral. Isso fazia-a cerrar os dentes e apertar os olhos. 

Avistou a existência pérfida em meio ao matagal, era um local onde a copa das árvores deixava um círculo sem cobertura, em que a lua banhava o chão com se brilho. Era uma rapariga, vestia um manto escuro com capuz, recitava algumas canções para a lua. A caçadora olhava escondida. Em nenhum minuto pensou em hesitar. Afinal aquela sacerdotisa estava usando seu poder, também era uma traidora, embora parecesse tão jovem.

Avançou finalmente na direção da sacerdotisa, que quando a viu arregalou os olhos e engasgou-se com as palavras.

 A-A-Aradia?  tentou mencionar.

 Muito prazer.  e assim cravou sua lâmina na garganta da feiticeira.





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