Como se livrar de um moleque apaixonado. escrita por LDMRPB


Capítulo 16
Vidas novas.


Notas iniciais do capítulo

Não é alucinação!

Obrigada pelos comentários, novos leitores e favoritos!!



 

Dylan nunca imaginou que abrir os olhos poderia ser tão doloroso, mas nos últimos dias o simples ato de sair da cama era muito esforço. Passou inúmeras noites com insonia e quando finalmente conseguia dormir era assombrado pelas lembranças do Brian deixando a sua casa. Hoje fazia três meses do que ele achava que seria o pior dia da sua vida, mas a cada manhã se sentia ainda pior. O garoto havia sido tão maduro, não tinha lhe dedurado a sua mãe nem ao seu irmão. Aceitou a bolsa na faculdade e passou seus últimos dias de férias viajando com os amigos pelo país. Dylan buscava por informações do garoto como um viciado procurava por drogas. Precisava saber que ele estava bem, precisava saber que a sua dor tinha um motivo. Que ele havia feito a coisa certa.

Saiu com muito esforço da cama e caminhou pela cozinha. Pegou o recipiente onde guardava a ração da Dorothy e foi encher seu prato, mas estranhou ao perceber que ele continuava cheio.

— Dorothy? Por que você não comeu? — Perguntou a gata que estava encolhida próximo a uma comoda no corretor. Dylan se alertou, estranhando a reação da gata. Aproximou-se rapidamente e com gentileza colocou as mãos sobre o pelo amarelo constatando que o animal tremia e sua temperatura parecia quente demais. Dylan desesperou-se, caminhou em passos rápidos para seu quarto pegando o celular e discando os números com pressa.

— Dr. Khan falando. — A voz ao outro lado da linha atendeu.

— Rajesh, aqui é o Dylan Bennet. A minha gata, a Dorothy, não parece bem, está com febre, tremendo e sem comer. — Explicou apressado atropelando as palavras. — Eu não sei o que fazer. — Completou em desespero.

— Dylan, acalme-se. Eu posso chegar ai em dez minutos, tudo bem?  — Dylan concordou e desligou o aparelho aproximando-se novamente de Dorothy e acariciando seu pelo.

— Você vai ficar bem. Eu não posso deixar nada acontecer com você. Você é tudo que eu tenho. — Dylan falava repetidas vezes ao felino que apenas continuava encolhido no mesmo local. Esperou aqueles dez minutos como um condenado no corredor da morte. Os minutos pareciam infinitos e cada segundo mais dolorosos. Ouviu a campainha e correu em sua direção. Abriu a porta e sem nenhum cerimonia adentrou novamente ao apartamento fazendo com que o veterinário lhe seguisse.

— Ela ta assim desde que acordei. Nem se mexe. — Foram as primeiras palavras que disse.

— Você poderia me preparar um chá? — Rajesh perguntou recebendo um olhar incrédulo do Dylan. - Eu acabei de acordar e não comi nada. É o tempo que examino ela. — Dylan pareceu receoso por alguns segundos, mas o indiano já cuidava da sua gata a tempo suficiente para merecer sua confiança.

— Tudo bem. — Concordou e saiu apressado em direção a cozinha. Ficou aproximadamente uns cinco minutos no comodo e após servir uma xícara de chá verde voltou ao encontro do veterinário.

— Aqui. — Dylan entregou a xícara ao doutor que guardava alguns materiais em sua maleta. — E então? — Indagou.

— É apenas uma febre. — Explicou. — Já a mediquei, você só precisa aguardar e em breve ela estará nova. —

— Tem certeza? — Perguntou inseguro. Dorothy estava gordinha e para ele o fato dela não ter comido era muito alarmante.

— Eu lhe asseguro. Posso ficar aqui até que a febre baixe se preferir. — Sugeriu.

— Agradeço. — Dylan sabia que o certo seria recusar, mas não se importava em pagar quantas horas extras fosse necessário, queria ter a certeza que a sua gatinha ficaria bem.

— Você teria café? — Rajesh perguntou fazendo com que Dylan olhasse incrédulo para a chá intocado na mão do veterinário. — Eu não tomo chá. Você estava muito nervoso e claramente precisava se distrair, foi a primeira coisa que pensei. — Revelou.

— Eu não bebo café. — Dylan comentou se direcionando para a cozinha e sendo seguido por Rajesh.

— Uma água então? — Arriscou. — Eu realmente não tomei nada, vim direto da cama. — Riu sem graça. Dylan olhou o relógio na parede e se sentiu um pouco culpado ao perceber que não eram nem sete da manhã de um domingo.

— Eu posso te preparar alguma coisa para comer. — Sugeriu.

— Eu adoraria. — Aceitou sem enrolação.

— Eu sinto muito o inconveniente, mas não se preocupe que pagarei o dobro da sua hora pedida. —

— Eu não posso aceitar. — Dylan o olhou confuso. — Eu jamais cobraria de um  amigo. —

— Não somos amigos. — Replicou rudemente.

— Sinto que você precisa de um amigo. —

— Já tenho amigos suficientes, obrigado. — Dispensou com um inicio de chateação.

— Tudo bem, ainda assim não aceitarei pagamento. — Rajesh deu de ombros.

— Eu insisto. Não quero lhe ficar devendo nenhum favor. —

— O que teria de tão ruim nisso? —

— Não lhe interessa. — Dylan respondeu. Se não fosse por Dorothy já teria expulsado o homem.

— Essa sua atitude, essa barreira que você tão orgulhosamente cria ao seu redor não me engana. Eu sei que você se sente solitário. — Rajesh revelou indiferente enquanto dava um gole em sua água.

— É? — Dylan riu debochadamente. Quem era aquele homem para se meter em sua vida? — E como sabe disso? — Perguntou com escárnio.

— Porque é o que vejo quando olho no espelho. —

—x—

Brian se assustou ao abrir a porta e se deparar com uma enorme bagunça. Um rapaz de costas para si estava sentado no chão cercado por inúmeras roupas enquanto continuava procurando por alguma peça e jogava as indesejáveis para trás, formando um enorme caos de roupas ao seu redor.

— Oi? — Brian chamou a atenção do jovem. — Esse é o quarto 1029, certo? Eu sou o Brian, seu novo companheiro de quarto. — O loiro se aproximou do desconhecido fazendo um grande esforço para não pisar nas suas roupas que cobriam o chão.

— Ah, oi! — O rapaz se levantou e estendeu a mão em cumprimento ao menino. — Eu me chamo Mathias mas pode me chamar de Mat. Desculpe a bagunça é a festa de calouros hoje a noite e minha futura ex-ex-namorada vai estar lá. —  Explicou rapidamente.

— Sem problemas. — O loiro sorriu gentil, não era nenhum louco por arrumação como... Ah, Brian não acreditava que estava pensando nele novamente.

— Você vai para a festa? — Mat o perguntou voltando a sua comoda e a sua missão de encontrar a roupa perfeita. — Eu peguei a cama da direita, mas se você quiser podemos trocar sem problema. — Brian não pode evitar de perceber que o seu futuro colega de quarto era bastante dinâmico.

— Ah, essa está ótima. — Brian falou enquanto colocava sua mala na cama a esquerda e retirava seus sapatos para deitar, estava exausto. Seus últimos meses tinham sido dolorosos, lágrimas, álcool e muita festa, tudo uma tentativa falha de se distrair, porque se pensasse em algo, pensaria nele. — A festa é de que horas? — Agora, sem seus amigos Brian sabia que seria ainda mais difícil se divertir e o loiro precisava arrumar uma forma de sobreviver a isso.

— Umas dez, mas vou sair com uns amigos para comprar bebidas as 9. Se quiser ir eu posso te apresentar aos caras. — Mathias ofereceu amigável.

— Eu acho que vou sim. ——Brian aceitou. - Isso se você encontrar alguma roupa até lá. — Debochou do menino.

— Ah, cara... — Mathias fez um barulho de decepção. — Eu tenho que ficar um gato, sabe? — Brian concordou. — E você, alguma namorada? — Indagou.

— Eu sou gay. — Mathias arregalou os olhos surpreso. — Isso é um problema? — Indagou defensivamente.

— Nenhum, meu irmão também é, cara. É só que você não parece gay. — Deu de ombros. — Mas isso não responde a pergunta, algum namorado? —

— Não. — Brian respondeu seco.

— Então você vai adorar aqui. Tem festa todos os finais de semana e os caras são muito gatos. Pelo menos é o que o meu irmão diz. — Riu divertido. — Eu poderia te apresentar a ele, mas ele não tem lá uma reputação muito boa. Tem o Simon também, ele vai com a gente comprar as bebidas hoje... -

— Eu não estou muito afim de conhecer ninguém no momento. — Brian o cortou costumava ser mais gentil, mas esse não era um tópico que estava afim de se aprofundar.

— Ué, porque não? — Mathias se intrometeu, não era muito adepto a respeitar o espaço pessoal dos outros e se aquele cara iria dividir o quarto consigo achava que deveriam ser amigos.

— Tinha alguém que eu gostava e eu ainda não superei. — Brian decidiu falar sem revelar muito.

— Ah, eu te entendo. Eu e Emily estamos na mesma coisa. A gente namorou durante o ensino médio e acabamos antes da faculdade por uma burrice minha, sabe? Isso faz uns três meses, eu achava que queria a vida de festas e baixaria. Uma semana depois eu já tava morto de saudade e ela não me quis de volta. Mas eu tenho certeza que eu ainda tenho chance com ela, a gente não esquece ninguém assim tão rápido. — Tagarelou. — Talvez você e esse seu ex ainda tenha alguma chance. — O garoto lhe sorriu gentil.

— Impossível. — Brian tentou não soar tão triste. — Mas ainda tem muitas coisas por vim, eu que não vou me prender a algo que nunca existiu. — Falou ao garoto a mesma frase que repetiu a si mesmo durante todos esses meses.

— Entendo. — Mathias percebeu que o garoto não parecia assim tão decidido a superar seu passado, mas sem saber a historia toda ficava impossível saber se eles teriam volta ou não. — Brian, eu vou ver se meu irmão tem alguma roupa para me emprestar. Te encontro as nove na entrada do campus? —

— Beleza. — Brian concordou.

— Até mais. — Mathias se despediu e caminhou pensativo até a porta tentando pensar em alguma roupa que fosse lhe deixar irresistível.

Brian achou engraçado a maneira que o colega de quarto saiu apressado e decidiu arrumar as suas coisas, tomar um banho e descansar um pouco antes que fosse a hora de encontrar com os amigos de Anthony. As horas passaram rapidamente e o loiro acordou do seu cochilo próximo as nove. Como não queria causar uma má impressão apressou-se em se arrumar e andou as pressas até o portão onde encontrou com o Anthony e um grupo de pessoas.

— Oi. — Falou ofegante ao se aproximar.

— Brian, esse é o Simon, a Patricia, o Robert e o Justin. Pessoal esse é o Brian, meu novo colega de quarto. — Mathias gesticulou fazendo uma rápida apresentação. — Vamos comprar as bebidas e fazer essa festa começar? — Perguntou ansioso já andando em direção ao mercado e arrastando o  grupo consigo.

— Cara, toda essa ansiedade é por conta da Emily? Você nem sabe se ela vai está lá. — Robert tentou colocar bom senso no amigo. Ele era um menino de baixa estatura, pele negra e músculos grandes e bem definidos, estava bem arrumado e andava de mãos dadas com a Patricia fazendo um grande contraste, já que sua pele era clara, seu corpo muito magro e ela deveria medir quase um e oitenta.

— Eu estou mais preocupada em saber desde quando que o Mat tem uma jaqueta de couro. — Patricia comentou.

— É do perv. — Mathias revelou. Estava se sentindo sensual e apesar de não ter absolutamente nada em comum com seu estilo e nem ser exatamente confortável ele estava disposto a sofrer por uma noite.

— Perv? — Brian indagou estranhando o apelido.

 — É como o Mat chama o irmão dele. — Simon explicou, fazendo com que só agora Brian prestasse um pouco mais de atenção no rapaz. Ele era atraente e Brian não pode evitar a lembrança do seu colega de quarto comentando que ele era gay.  

— Alguém já disse que você parece com aquele cantor... — Brian começou a dizer ao Simon, mas parou ao esquecer o nome.

— Shawn Mendes? — Os outros cinco completaram juntos.

— Isso! A semelhança é assustadora. — Brian disse.

— Todo mundo diz isso. — Simon riu sem graça.

— Eu já disse que ele poderia ganhar dinheiro vendendo umas fotos falsas. — Justin revelou fazendo o grupo rir. Brian acompanhou a risada dos seus novos amigos sentindo certo alivio, talvez aqueles cinco anos pudessem ser mais leves do que ele pensava.



Notas finais do capítulo

Vou dividir a nota em três partes:

1 - MIL DESCULPAS PELO ATRASO DE UM MÊS! Não sei se vocês vão entender, mas esse período das eleições foi muito difícil para mim como membro da comunidade LGBT, nordestina e mulher. Briga na faculdade, na família, nos amigos... ENFIM, o capítulo já tava pronto, mas eu não estava com humor nem para simplesmente posta-lo. Espero que possam entender e que agora as coisas normalizem nas postagens, como sempre 10 comentários ou 15 dias (vou tentar juro).

2- As coisas vão mudar um pouco agora já que nossos bbs não tão mais juntos, espero que vocês não estranhem tanto, mas para mim ta super difícil de escrever pq eu só quero imaginar o Dy e o Brian aos beijos bem amorzinho aaaah Infelizmente a gente nem sempre tem oq quer ne? #sad Vão vim personagens novos e eu quero saber o que vocês tão achando deles ein?! Além disso os caps geralmente serão assim divididos para vermos oq acontece na vida dos dois, mas alguns só vão contar um lado, ok? ok!

3- Aproveitei o embalo e mudei a capa. O que acharam? Gostavam mais da antiga? //ai sei la autora, nem lembro mais qual era//
Eu tinha feito outra, mas achei muito obscura e essa fic eu quero clima AMORZINHO!



Hey! Que tal deixar um comentário na história?
Por não receberem novos comentários em suas histórias, muitos autores desanimam e param de postar. Não deixe a história "Como se livrar de um moleque apaixonado." morrer!
Para comentar e incentivar o autor, cadastre-se ou entre em sua conta.