A Casa de Íris escrita por Carol Azevedo


Capítulo 3
Capitulo 2 - Lembranças




Encontrava-se sentada na poltrona da sala fitando o vazio, a tv estava ligada porém Lanne não prestava atenção, nada lhe chamava atenção, não conseguia pensar com clareza.
Tentou esquecer-se do sonho confuso que tivera a 3 dias atrás, porém não conseguia. Nada parecia tão real quanto aquele sonho. Lembrou-se do abrigo, Era tão real quanto. Vivia neste abrigo desde a infância, porém não havia nada de belo, sofria e apanhava muito, quando não das monitoras, as próprias internas também eram bem maldosas. Não era indefesa, nunca fora, talvez a muito tempo quando chegou ao abrigo. Mas isso tanto tempo faz, que não se recorda desses tempos, nem mesmo como chegou ao abrigo.
Embora nao fosse um hotel de luxo ou "a casa da vovó" sentira falta do abrigo quando viveu nas ruas. Fugiu quando as surras se tornaram constantes. O período em que viveu nas ruas Hellen passou por tempos ruins, as lembranças a perseguem e constantemente se pega lembrando dos terrores.
Nesse exato momento lembra de Ernesto. Um homem de meia idade, empresário.

A viu na rua exatamente 2 semanas depois de ter fugido, dormia num banco, em um ponto de ônibus. Ja se encontrava magra e suja, somente comia o que encontrava no lixo. Hernesto a acordou e perguntou-lhe o nome. Após se apresentou e ofereceu-lhe abrigo, banho, comida e roupas limpas. Hellen sempre fora uma jovem muito bonita, seu corpo sempre chamou atenção por onde passava. Cabelos loiros cinza quase brancos, longos e lisos. Seus olhos eram claros, um azul incrivelmente claro, o tom de sua pele era branco, no auge de seus 14 anos.

Embora hoje estivesse suja e os cabelos desgrenhados, o corpo sensual, estava magro, porém não perdia a beleza. Com frio, Hellen não hesitou em aceitar a proposta, sempre soubera se defender e aquele homem bem arrumado nao apresentaria problemas se quisesse ou precisasse fugir, afinal ja fugira outrora do abrigo.
Foi se com o homem, e tivera todo o prometido, embora a casa fosse em um lugar muito deserto e distante do centro da cidade. A quilômetros de distância só havia a casa de Hernesto. Uma casa grande e de aparência antiga, sua estrutura interna também remetia a casas construídas a muito tempo antes de ela nascer. Tinha sua beleza. Tudo estava no lugar, haviam 4 quartos, um deles o mais distante das saídas no final de um corredor, foi o quarto escolhido para ela.
Lanne banhou-se, encontrou roupas limpas sobre a cama, vestiu-se e em seguida comeu muito bem. Foi até a sala e encontrou Hernesto sentado em uma poltrona fumando um cachimbo e com uma xícara de café nas mãos.


— Sente-se aqui menina - falou Ernesto apontando para o sofá ao lado. Lanne sentou-se
— Se sente melhor ?
— Sim Senhor, muito obrigada por tudo...
— Não agradeça... - interrompeu ele -não prestei-lhe nenhum favor... Nada nesta vida é de graça menina! Quanto mais cedo entender, melhor viverá.
— Não o compreendo Senhor... - Lanne o fitou intrigada, nada havia sido dito sobre alguma troca. - ...O Senhor não esta sendo sensato, nada me disse sobre querer algo de mim.
— Pois bem, acha mesmo que tudo isto seria de graça?
— Olhe, eu não penso nada, apenas acreditei que fosse caridade de sua parte. Devolvo-lhe todas suas roupas e calçados, e me vou quanto antes, não gosto de ser enganada! - Disse Lanne levantando-se e alterando a voz com indignação.


Ernesto sorriu - Calma menina - Disse com a voz suave - Se sente, não terminei ainda de lhe falar.
Lanne sentou-se e aguardou as palavras de Ernesto.


— Não tive a intenção de lhe enganar, apenas a praça não é lugar para se tratar certos assuntos.
— E qual assunto não pode ser abordado em uma praça?
— O nosso acordo! Este que vou-lhe esclarecer.
— Não fizemos acordo algum! O Senhor me ofereceu abrigo e comida e aceitei. Nunca pediu-me algo em troca.
— Pedirei agora. Quero que dê-me seu corpo em troca.
Lanne ficou boquiaberta com as palavras diretas de Ernesto.
— Como? Esta brincando?
— Não brinco! Quero que satisfaça-me sempre que tiver vontade, e me deixe usar seu corpo para isso.
— Prefiro dormir nas ruas! Isso não é acordo.
— Acaso acha que isso não lhe aconteceria dormindo pelas esquinas ? Que algum homem qualquer não a possuiria a força?
— Sei me defender, e vou arriscar! Não aceito esse acordo sujo. Irei embora de sua casa neste instante.
— O acordo foi aceito no momento em que entrou em meu carro. Não pode simplesmente ir embora como se eu não houvesse lhe feito nada de bom. Lhe satisfiz menina, agora é sua vez!
— Esta dizendo que sou prisioneira ? Que irá me forçar ?
— Ora, não lhe machucaria! - Disse Ernesto afastando carinhosamente uma mecha de cabelo do rosto de Lanne - Só quero que concorde. Não a machucarei, acredite em mim.


Ernesto levantou-se e foi a porta de entrada, dispensou a governanta com algumas breves palavras que saiu pela porta dos fundos da cozinha.


— Estou de saída, não farei nada hoje. Descanse, amanha retorno - Ernesto balançou a chave da porta no ar
— Para que não fuja passarinho. - Se foi trancando a porta por fora.


Lanne urrou de raiva, não sabia o que fazer e estava trancada ali. De certa forma ele estivera certo. Em uma ocasião um velho tentara lhe abusar em uma madrugada, mas Lanne é forte e esperta, fora fácil fugir de um velho. Porém talvez uma próxima vez nao fosse possível, isto se não morresse de fome e frio.
Pensou a noite toda e preferiu que já que teria de acontecer que fosse consentido, se lhe fosse forçado seria algo monstruoso que lhe causaria muita dor. Tentou dar muitas desculpas a si mesma... "Uma hora aconteceria com alguém"
"Agora não se preocupa em morrer de fome e frio"
"tem roupas limpas e uma boa casa"
Mas nenhuma delas lhe acalmava realmente ou sequer lhe fazia crer que fosse a melhor das opções.
O outro dia chegou e Ernesto chegou junto com ele. O dia amanhecia ainda e o homem de terno entrara pela porta do quarto, Lanne acordou com o barulho. - Acalme-se passarinho, sou só eu! - Disse Ernesto enquanto despia-se. Agora nu, Ernesto enfiou- se nas cobertas e Lanne ficou imóvel, queria chorar, mas não o fazia. Sabia que chorar não resolvia problemas. Sempre soube.


Ernesto beijou-lhe o pescoço e Lanne fechou os olhos. - Vire-se para mim - ordenou ele
— Não tenha medo. Você é uma jovem muito linda!


Ele jogou as cobertas longe, e ficou a admirar o corpo de Lanne, seus olhos eram tomados por desejo. Arrancou-lhe as roupas e pôs-se por cima dela. Seus olhos cintilaram e ela pode ver quando se tornaram de uma única cor, branco brilhante, não tinham pupilas, somente uma íris como um pequeno diamante reluzente. Lanne se aterrorizou diante daquilo, quis correr, quis gritar. Porém não houve tempo, sentiu seu membro em si, e uma única lagrima desceu pelo se rosto. Após o primeiro impacto, os olhos dele voltaram ao normal, antes que o ato se acabasse.
Uma lagrima caiu e Lanne secou de imediato. Essas lembranças com certeza seriam mais reais que aquele sonho. Não sabe se é melhor recordar seu passado ou a sensação de quase morrer mesmo que em um sonho.
"Melhor não lembrar nada" disse ela a si mesma

Se levantou e saiu em direção a porta. Ainda tinha que dar aula. Hoje era o primeiro dia e não podia se atrasar.





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