A Casa de Íris escrita por Carol Azevedo


Capítulo 10
Capitulo 9 - Alucinação





No interior da cidade, naquele exato momento estava Lanne de pé próximo a sua janela com o celular ainda em sua mão. "Ele não atendeu, então saiu da casa de proposito... Está me evitando" segurava na outra mão o cartão que Anik havia colocado em seu bolso no dia em que se conheceram. "Não sei porque liguei... Sei sim, só quero respostas!"
No outro dia, Lanne foi para a escola, encontrou Lucas na sala dos professores e deu-lhe um breve cumprimento. Era o que fazia de costume.
Ao Chegar em sua sala foi recebida por um alto bom dia, nunca vira a turma tão animada, isso a deixou até. Mais animada para a aula. Havia um dever de casa a ser entregue, Lanne pediu que os alunos trouxessem um a um seus cadernos a sua mesa. Enquanto corrigia os cadernos um de seus alunos pediu para ir ao banheiro, David demorou bastante a voltar o que fez Lanne se preocupar... Ela pediu ao próximo aluno que esperasse ate que ela voltasse.
— Jane fica de olho para mim, se houver bagunça anote o nome dos bagunceiros, mantenham a ordem por favor... Não me demoro.
Lanne seguiu ate o banheiro masculino, deu algumas batidas na porta
— David? Você está bem ?
Deu mais três batidas e não houve resposta, resolveu entrar. Não havia ninguém no banheiro, haviam três cabines privadas de cada lado abriu lentamente cada porta enquanto chamava o nome de David sem resposta, na quinta cabine Lanne empurrou a porta mas esta não se abriu completamente, havia algo atrás da porta, alguém. Lanne se esgueirou pelo espaço entre a porta e viu David sentado sobre o vaso sanitário completamente ensanguentado, seus olhos estavam esbugalhados e sua garganta cortada, o sangue ainda jorrava, a cabeça apoiava-se na parede lateral da cabine estreita.
Lanne entrou em total desespero, saiu da cabine, se olhou no pequeno espelho e cobriu a boca com as mãos. Precisava fazer algo, comunicar a alguém, estava em pânico. Saiu porta a fora completamente pálida e foi correndo em direção a sala dos professores. Lucas a viu pela porta de sua sala de aula, e saiu atrás dela
— Lanne! - Gritou ele correndo logo atrás dela, quando ouviu a voz de Lucas, ela parou e foi até ele
— Lucas ajude! Algo... Aconteceu uma...é terrível... Uma tragédia Lucas!
— Lanne, se acalme, está sem cor... O que houve?
— Venha comigo... Não sei o que fazer! - Lanne correu até o banheiro novamente e Lucas a seguiu ao mesmo passo.
— Um de meus alunos está muito ferido... Temo até que esteja... Morto! - Lanne falou enquanto adentrava o banheiro, quando abriu a porta da quinta cabine, a mesma estava vazia. Não sinal de sangue em nenhum lugar, estava limpo e vazio.
— Não. Tem ninguém ai Lanne.
— Mas... Como... Tinha sim! David estava ferido... Sangrando... Mas... - ela abriu as demais portas, pensou poder ter trocado as portas por conta do nervosismo - Lucas ele estava aqui.
Ela se virou para Lucas e o encarou
— Eu sei o que vi... Lucas, ele estava morto... Alguém pode tê-lo tirado daqui.
— Lanne... Respire. Você tem certeza? - Disse Lucas segurando os braços dela
— Tenho! Eu tenho certeza.
—  Você já olhou na sala de aula?
— Lucas eu não sou louca, eu acabei de vir de lá...
— Fique calma, você esta muito nervosa... Respire! - Lanne respirou fundo - Isso, agora vamos a sala só para checar ok?!
— Ok então...
Voltaram a sala de Lanne, ela entrou na frente, os alunos brincavam e quando a viram sentaram-se, Lucas entrou logo atrás. Lanne não pode acreditar, David estava sentado em seu lugar e escrevia algo em seu caderno. Ela piscou varias vezes e se virou para Lucas próximo a porta
— Eu juro que vi Lucas...
— Ele esta aqui?
— Esta sim, esta sentado bem ali... - Falou sussurrando
— Lanne... Não houve nada, agora fique tranquila e respire... - Lucas a levou a sala dos professores - Sente-se aqui, vou pegar um copo d'água para você. Lanne sentou-se, estava em choque.
Lucas trouxe a água e sentou-se ao seu lado
— Você tem dormido bem ?
— Eu não estou louca! Sei o que vi...
— Ninguém disse isso... Mas as vezes algumas situações podem ter certas...
— Lucas! Esqueça ok... Se não acredita tudo bem, mas não fique especulando
— Acho melhor você ir para casa, descansar um pouco.
— Estou bem, não vou para casa... Se eu estou alucinando como você pensa, não vai fazer diferença onde estou.
— Não disse que esta alucinando, mas o menino estava bem e na sala, o que quer que eu diga? Me desculpe, talvez seja cansaço... Fadiga.
— Não diga nada... Talvez tenha razão, deve ser fadiga. Já estou bem, vou voltar para a sala de aula.
Depois da aula, Lanne sentiu-se abalada demais com o acontecimento de mais cedo. Não queria ir para casa, não queria ficar sozinha. Decidiu fazer uma visita a John. Passou-lhe uma mensagem pedindo que fosse para a casa de campo. Chegando lá, um Citroën Xsara preto estava estacionado na estradinha de terra na frente da propriedade, do lado de dentro da cerca de arame.
John se encontrava sentado em um banquinho no gramado em frente a casa. Lanne o abraçou.
— John! Como vai?
— Vou bem minha cara. E vc? Esta bem ?
— Estou... Acho que estou.
— Acha? - John a olhou nos olhos, Lanne riu.
— Estou bem sim!
— Vamos la dentro tomar um café, trouxe uns pães de queijo fresquinhos.
Lanne sentou-se a mesa, e John serviu-lhe café, e colocou uma xícara para si também, sentando-se junto a ela.
— Fiquei preocupado com você no ultimo treino.
— Sem motivos John, está tudo bem.
— Sério? Você nunca vem me ver durante a semana, conte-me o que há.
Lanne deu uma risada sem graça
— Como negar... Não estou "mal" - Lanne abriu aspas com as mãos  - Só essas semanas que andam agitadas demais.
— Como assim? Não me esconda nada, sabe que estou aqui para lhe ouvir. E lhe ajudar no que puder.
— Bom... Aquele ultimo treino, algo aconteceu quando voltava para casa, Houve uma tentativa de sequestro ou pelo menos acho que era isso...
— Sequestro? Lanne eu disse que era perigoso.
— Fui teimosa eu sei, mas um homem me ajudou, e me levou para casa.
— Homem? O conhece? - John mostrou preocupação com a menção ao homem
— Não o conheço, devia estar passando pela rua no momento... - John a interrompeu
— Não viu seu rosto? Não o consegue identificar?
— Por que tanto interesse no homem John? Foi só um bom homem, nunca mais o vi.
— Por nada, só acho que... Não sei... Deveria agradecer... Ele lhe ajudou afinal
— E quem disse que não o agradeci ?
— Você agradeceu? - Lanne sorriu
— É... Não exatamente. - John riu
— Por que será hein.
— Não foi um mal jeito de minha parte, eu estava fora de mim, o homem fez algo... Foi tudo muito rápido... Fiquei tonta.
— Então nao tem mais contato nenhum com o homem?
— Não! Bem... Tenho... Acho que tenho aqui um cartão dele, ele me deu naquela noite.
— Pois bem, onde está? - Lanne vasculhou a bolsa a procura do cartão, sempre guardava cartões com contatos importantes nos pequenos bolsos no interior de sua bolsa, não sabia se havia o guardado, se havia considerado um contato importante.
Encontrou um cartão branco, diferente dos que tinha dentro da bolsa, havia um nome no centro do cartão " Ernesto Casagrande "
No exato momento um devaneio a levou distante, a muitos anos atrás, trazendo-lhe a mente um rosto. O rosto do homem que tanto desprezava. Mas algo no cartão lhe chamou atenção.
A logomarca da escola no canto superior " Educandário São Pedro "
Seu queixo caiu, abaixo do nome, em letras miúdas vinha escrito, "Diretor geral"





Hey! Que tal deixar um comentário na história?
Por não receberem novos comentários em suas histórias, muitos autores desanimam e param de postar. Não deixe a história "A Casa de Íris" morrer!
Para comentar e incentivar o autor, cadastre-se ou entre em sua conta.