Hearts Of Sapphire escrita por Emmy Alden


Capítulo 21
¨n i n e t e e n¨


Notas iniciais do capítulo

VOLTAMOS COM AS ATUALIZAÇÕOOOOOES

espero que gostem! não se esqueçam de comentar o que estão achando da história ♥ é muito importante



Se todos os outros deorum eram imponentes, Corinna não tinha palavras para definir o recém-chegado.

O cuidado com as vestes era tão minucioso que mais pareciam que elas eram parte do homem que andava pelo Salão como se fosse o dono do lugar.

Talvez ele fosse, de fato, Corinna pensou.

O Governante usava uma túnica muito mais elaborada e sofisticada do que a de Corinna.

Era tão preta que parecia absorver toda e qualquer luz, em contraste com os detalhes dourados que cintilavam como estrelas.

O cabelo ondulado parecia ter sido domado para trás com muito custo.

Tudo aquilo em conjunto com sua pele bronzeada, criavam um conjunto hipnotizante. No mínimo.

Corinna teve de piscar algumas vezes e olhar em volta para confirmar se não era apenas ela que estava em transe, e de fato, não era.

—Pontual como poucos, Senhor Ônix— foi Alaric, o Governante da Ordem Ouro que zombou.

Nenhum pouco abalado, o deorum apenas deu um sorriso de canto e andou calmamente entre o corredor humano que se abria para que ele passasse e chegasse à plataforma elevada.

—Tenho que descontrair de alguma forma.— disse ele enquanto passava na mediação onde Mattia, Corinna, Conall e Laeni estava.

O deorum parou cumprimentando Laeni com um aperto de mão que Corinna vira poucas vezes.

Seguravam as mãos um do outro e então colocavam a outra livre por cima. Como se para reafirmar o cumprimento.

O Governante não lançou mais do que uma olhada rápida para Corinna e os Escolhidos em volta, antes de voltar em seu caminho até a plataforma.

Suas feições eram fortes, assim como sua voz, mas de perto ele não parecia ter mais do que vinte anos.

Sem pressa, ele se posicionou no centro dos Governantes ainda com um sorriso no rosto.

Centro.

O Governante mais poderoso.

O Deorum mais poderoso de Excelsior.

Arrepios subiram pelo braço de Corinna quando ela ousou olhar para seus olhos pretos, tanto a íris quanto a pupila, parecido com os de Laeni, mas muito mais cruéis.

A Escolhida perguntou se eles seriam parentes.

O homem se apresentou.

Theodor, Governante da Ordem Ônix. Também faria parte do time de Simpatizantes.

A garota só poderia imaginar o quão mortal seria o Escolhido dele no combate. Esperava que ele não apoiasse nenhum dos Sanguinário, apesar de parecer o estilo dele.

— Queremos que saiba que todo o suporte que pudermos dar a nossos Escolhidos durante essa...breve estadia no Sacrifício, daremos.

Se Corinna permitisse, o seu queixo encostaria no chão. As palavras pronunciadas por aquele rapaz eram tão falsas e ela estava surpresa como ele era o único que não queria disfarçar aquilo.

Talvez ele não precisasse disfarçar.

—Aproveitem a noite.

*

Dada a devida permissão para os Simpatizantes irem atrás dos Escolhidos, logo Conall e Mattia foram interceptados.

Apesar de não querer, Corinna estava ansiosa para saber se os anônimos finalmente revelariam sua identidade, mas nenhum dos deorum fez menção de ir em sua direção, então ela se dedicou a observar o salão e os movimentos dos demais.

Avistou Kallien rodeado do que pareciam ser Simpatizantes. A menina sabia que o amigo era um dos poucos que eram interesse que vários deles.

Não era comum aquilo acontecer, Corinna sabia apenas de Kallien, Conall e uma garota do vilarejo Mors que ela sempre esquecia o nome.

A menina tinha sete interessados, Kallien tinha cinco e Conall tinha quatro.

Corinna só percebeu que o encarava quando os olhos castanhos dele brilharam em sua direção.

Os dois não haviam conversado depois do bilhete que o rapaz a entregara durante o café da manhã, e Kallien também não tinha tentado nenhum tipo de aproximação.

A moça não sabia dizer o que estava diferente entre os dois. Fora brusco o jeito em que eles passaram de melhores amigos para conhecidos —quase estranhos.

O garoto lhe lançou um sorriso triste antes que ela desviasse o olhar.

Precisava de algo para fazer.

Sentira-se tão poderosa há minutos e agora se sentia perdida.

Pequena.

Talvez essa última parte fosse devido à enormidade do Salão. O fim do cômodo e o teto pareciam ficar a mundos de distância.

Caminhou em direção a uma das mesas bem servidas que estavam distribuídas pelo local, escolhendo a mais vazia e escondida.

Poderia ser que se ficasse ali quieta por um bom tempo, as horas passariam mais rápido enquanto analisava cada um.

Atravessou o salão apreciando os lustres elaborados que pareciam pedras preciosas flutuantes. As cortinas pesadas de estampas refinadas estavam fechadas. Um mundo fechado para eles, para os humanos.

Ao centro, deorum dançavam com Escolhidos numa cena bastante incomum para a menina. Alguns participavam de um círculo para observá-los , outros formavam grupos de conversa.

Tudo era no mínimo estranho. Em alguns momentos, se não fosse pelo brilho feroz característico dos olhos dos deorum, era quase impossível distinguir quem eram os humanos.

Vários sofás estavam espalhados e Corinna sentiu-se grata ao encontrar uma cadeira ali perto da mesa.

Respirando fundo, ela percebeu o cheiro de pungente de magia que a fez torcer o nariz. Olhou em volta se perguntando o que deveria estar acontecendo para aquele cheiro estar tão forte.

Foi então que a menina viu. Garotas e rapazes encantados demais com os deorum diante deles para ser normal.

Garotas e rapazes saindo de mão dadas ou de maneira mais íntimas com seus opressores. Deslumbrados. Encantados. Enfeitiçados.

Corinna sentiu nojo de tudo aquilo.

Onde tinha ido parar? Quão longe ela se permitiria ir para dar um basta naquilo?

—Não é tão fácil quanto você imaginava, não é?— a voz conhecida acariciou os seus ouvidos antes mesmo que ela o olhasse.

Queria dar uma resposta bem dada, mas sabia que o garoto tinha razão.

Talvez ela tivesse subestimado tudo aquilo. Talvez ela não fosse a pessoa certa para começar aquilo.

Nem ao menos sabia o que aquilo seria? Uma revolução, talvez?

A garota não conseguia pensar com aquele cheiro horrível irritando o seu nariz e com aquela dor de cabeça dos infernos.

—Pelo visto, está sendo bem mais fácil para você.— Corinna finalmente respondeu com amargura .

A risada de Kallien aqueceu o interior da menina. Era bom ter uma coisa familiar ainda que estivesse tudo tão diferente entre eles.

—Não é questão de ser fácil. É apenas sobre seguir as regras do jogo enquanto for necessário. Um sorriso aqui, uma educação ali não vai tirar pedaço.—o rapaz se encostou um uma pilastra bem próxima de Corinna.

—Agradeço por me chamar de emburrada e mal educada.— ela alisou o tecido macio de sua túnica para tentar tirar o formigamento dos dedos.

Kallien riu mais um pouco e dessa vez, por um momento, aquele som foi insuportável aos ouvidos da menina, que fez uma careta.

—Não ponha palavras em minha boca.—ele disse alheio ao que acontecia —Sabe, eu vi que você não está com muitos interessados, mas talvez seja falta de boa vontade sua.

Corinna franzia a testa enquanto o menino continuava:

—Você uma mulher bonita, Corinna. Atraente. Viu o jeito que te olharam quando você entrou por aquela porta.—o rapaz apontou, embora a menina não conseguia tirar os olhos incrédulos dele.

O que ele estava dizendo? Seria a mente dela distorcendo suas palavras?

—Você está insinuando...

—...uma noite não vai definir o seu caráter.—os dois falaram juntos

A garota queria levantar e estapear o rosto dele, mas apenas fez a primeira parte.

—Você está sugerindo que eu me rebaixe ao ponto de me deitar com qualquer um desses desgraçados que chicotearam meu pai em praça pública?—Corinna rosnou. Uma fúria incomum subindo pelo seu corpo.

A expressão de Kallien era uma máscara neutra.

Como ele ousava?

A garota olhou em volta. Agora ela estava a centímetros do seu amigo com os punhos cerrados tão fortemente que as unhas machucavam a palma da mão. A Escolhida se forçou a relaxar.

Nunca fora cabeça quente assim.

—Acho que está havendo um engano, Kallien. Creio que você não percebeu que está falando comigo e acho que eu de forma alguma estou falando com o garoto que cresceu comigo.

Kallien se desencostou da parede diminuindo ainda mais a distância entre os dois. Seus olhos estavam praticamente alinhados uns com os outros.

O menino então franziu o cenho depois de olhar para os pés da garota.

—Você cresceu.

—O quê?

—Que seja.— ele chacoalhou a cabeça —Você esquece, Cori, que isso aqui não é mais uma das suas fantasias, isso é real! Em um pouco mais de vinte quatro horas o Sacrifício começará e ninguém vai ter piedade de nós. Vão nos matar. O único jeito de termos uma chance é nos aproximando deles.

Foi a vez de Corinna rir com deboche.

—Irônico. As pessoas que quiseram nos matar a vida toda, agora serem as únicas que podem nos ajudar numa competição que eles mesmo nos obrigaram a participar. Você está ouvindo suas próprias palavras? Não percebe que tudo isso é um jogo doentio para ressaltar a nossa inferioridade? —a menina tentava moderar a voz a todo custo, mas algo borbulhava dentro dela— É quase como eles dissessem na nossa cara: "Espero que você morra, mas vou te dar a faca para que se mate sozinho". Eu não quero viver num mundo assim.

Silêncio.

Uma, duas pontadas na cabeça de Corinna.

—Esse é o problema. Eu não tenho essa sua ânsia de mudar o mundo.— a voz de Kallien não passava de um sussurro e seus olhos adquiriram uma aparência cansada.— Eu só quero voltar para casa.

Sentindo as palavras se enterrarem profundamente no seu coração, a garota percebeu que era hora de acabar com aquela conversa.

Arriscando se aproximar ainda mais, ela ponderou sobre tocar o rosto do rapaz, acariciar a barba bem cortada dele, mas apenas pôs levemente a mão sobre o coração dele.

—Realmente espero que alguma parte do meu amigo consiga voltar para casa. Se é que ele já existiu algum dia.

Kallien deu um passo para trás se afastando do toque da menina.

Corinna não soube se foi por causa da virada rápida de Kallien para ir embora ou pela a emoção que ela tentava conter, mas pontos pretos dançaram na frente da sua visão e quando piscou para tentar afastá-los, eles apenas se multiplicaram.

A menina teve que se apoiar na cadeira onde tinha sentado anteriormente para evitar que seus joelhos a deixassem na mão.

—Você está bem?— Corinna sentiu a pressão suave em suas costas e virou rápido demais. Os pontos pretos agora viraram faixas e ela sentiu duas mãos na sua cintura antes de dar dois passos incertos para trás.

—Estou sim, claro.— a garota disse a Athlin que estava parado em sua frente com uma expressão de quem não acreditava muito no que Corinna dizia. Ela reforçou.— É sério.

—Tudo bem.— o Governante da Ordem Esmeralda tirou as mãos do corpo da menina. —O rapaz estava te importunando?

A menina olhou diretamente nos olhos verdes do deorum pela primeira vez na noite e se arrependeu.

Eram intensos demais.

Levou dois segundos a mais para ela assimilar a pergunta e responder:

—Não, ele não estava. Estávamos apenas conversando, somos do mesmo vilarejo...— a moça verbalizava as palavras com um pouco de receio, a vergonha que passara com o Governante no corredor na chegada ao Galpão não tinha sido esquecida.

Segundos silenciosos se passaram de forma constrangedora entre dos dois. Até que o Governante disse:

—Gostaria que soubesse que tenho interesse na senhorita.— suas bochechas ficaram vermelhas no mesmo instante e ele desviou o olhar.—Quero dizer, interesse em apoiar a senhorita no Sacrifício.

Corinna não conseguiu decidir-se entre ficar surpresa ou achar graça de um dos deorum mais poderosos se atrapalhar e se envergonhar na hora de falar com ela.

—Sei que a cerimônia de oficialização dos Simpatizantes e seus Escolhidos acontece amanhã, mas a proposta pode ficar aberta até o final da competição e...gostaria que pensasse bem à respeito.

A Escolhida não sabia muito bem o que dizer. Abriu e fechou a boca antes de se pronunciar:

—Eu... agradeço.— ela se obrigou a olhar no rosto do Governante. —Você era um dos interessados anônimos, então?

Athlin franziu a testa por apenas um instante.

—Sim, eu era, mas... a senhorita já tem outro? Desculpa, não tive a oportunidade de analisar a lista depois que enviei o pedido.

—Não, tudo bem. Eu também não sei quem poderia ser, também estava como anônimo e... já estou aqui há um tempo, acho que quem quer que seja, desistiu.— a menina deu uma risadinha genuína.

Corinna não fazia ideia de como dispensaria Athlin, visto que estava em dívida com ele; Ter de dispensar outro deorum poderia ser interpretado como pretensão.

Mais silêncio. A música agora era apenas uma melodia calma e os casais deslizavam no centro do Salão.

—Então acho que é isso. — Athlin esfregou as mãos na calça verde para impedir o suor de se acumular ali.—Não se sinta pressionada a aceitar de imediato.

O rapaz alternou o peso do corpo entre os pés e estava prestes a virar quando voltou a olhar para a garota à sua frente.

—A senhorita está muito bonita hoje. Devo admitir que fica melhor assim do que irritada e presa a uma lamparina.— ele disse segurando um sorriso enquanto Corinna poderia cavar um buraco para se esconder.

Pegando de surpresa a mão da menina e dando um beijo suave ali, o Governante desejou uma ótima noite e se despediu.

É claro que ele não deixaria de ressaltar o acontecimento do corredor. Corinna se sentiu tola, mas a conversa a acalmara um pouco.

Theodor estava inquieto como nunca antes.

Quer dizer, como quase nunca antes.

A magia que fazia seu sangue correr nas veias alternava bruscamente entre fraca e potente.

Seus pés batiam para lá e para cá e sua respiração às vezes ficava entrecortada.

Só se sentira assim em uma ocasião.

—Está tudo bem?— Laeni, sua imediata, perguntou quando ele bufou pela décima vez.

—Sim.

—Não vai falar com ela?— a mulher questionou.

—Hoje não.

Não quando mal conseguia enxergar precisamente. Que diabos estava acontecendo?

Ele observou Athlin dar um beijo na mão da menina antes de se retirar da presença dela e de todos no salão. Estreitou os olhos antes de ouvir:

—Acha que Athlin atrapalhará nossos planos?—Laeni questionou.

Theo respirou fundo sentindo a garganta ficar seca.

—Não. Athlin não tem o que é preciso para uma tarefa dessas e é esperto o suficiente para saber isso.

Laeni discordava da última parte, mas não contrariou seu superior. Theo sempre sabia o que estava fazendo. Na maioria das vezes.

A Examinadora bocejou e comentou:

—Vou ver se ela quer se retirar, já que parece que não sairá daquele canto tão cedo e, se depender de Marjorie, ficaremos aqui até o amanhecer.

O Senhor Ônix apenas assentiu com a cabeça fazendo planos na sua cabeça. Precisava agir rápida e silenciosamente.

Corinna se sentiu aliviada ao ver Laeni se aproximar com um sorriso.

—Parece que você não está aproveitando muito.

A menina deu de ombros:

—Não estou acostumada com esse tipo de coisa. Provavelmente, se desse um passo para longe daqui, tropeçaria em meus próprios pés. Seus amigos são meio intimidadores.

Dando um risinho, a deorum questionou:

—Alguma notícia boa?

—Um Governante se ofereceu para ser meu Simpatizante. O Senhor Esmeralda.— Corinna olhava para a mão que ele havia beijado ao se despedir. Ainda formigava como se o beijo dele fosse repetido perpetuamente.

—Isso é ótimo! E então o que achou?

A Escolhida respirou fundo:

—Não quero ofender você ou seus colegas, mas ainda não cheguei ao ponto de confiar minha vida em vocês. Então, na verdade, não sei o que pensar da oferta.

—Queria dizer que você está errada, contudo a maioria de nós não é mesmo confiável.

Corinna olhou para Examinadora com um sorriso irônico.

—Você é?

—O que você acha?—Laeni arqueou uma sobrancelha, mas não esperava uma resposta. —Independente do que esteja passando sobre sua cabeça sobre nós, tenho certeza que você quer sair daqui. Então saiba que ninguém ganhou o Sacrifício sem um Simpatizante.—ela deu de ombros.—Mas às vezes, acredito que há uma primeira vez para tudo.

A Escolhida analisou as palavras da mulher. Não conseguiu encontrar julgamento ou sarcasmo em sua voz, apenas um conselho genuíno.

—Bem, acho que não vai ser de mau tom já irmos embora.—Laeni ofereceu e Corinna assentiu com a cabeça antes de se lembrar.

—E o outro Simpatizante que mostrou interesse?

—Provavelmente, não deve falar com você hoje ou já teria o feito.

Corinna deu razão a ela e a seguiu.

Apesar de não demonstrar, a menina estava sentindo praticamente a energia de todos ali e não pode deixar de notar que algumas se focaram em suas costas enquanto ia em direção à saída.

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Notas finais do capítulo

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